PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 1129/XIII-3.ª
Recomenda a salvaguarda, valorização e dinamização da antiga Fábrica Robinson, em
Portalegre, e do seu património industrial corticeiro
Portalegre era a cidade industrial do Alentejo, característica que lhe marcava a
identidade e cunhou o seu desenvolvimento ao longo de séculos. À indústria de
lanifícios instalada em Portalegre pelo Marquês de Pombal, veio juntar-se, no século
XIX, a indústria corticeira.
Corria o ano de 1837 quando um grupo de industriais ingleses apostou na proximidade
entre a produção de sobro, nos montados alentejanos, e a transformação industrial da
cortiça.
A Fábrica Robinson fez acontecer, em Portalegre, a revolução industrial que
revolucionou também as dinâmicas sociais e económicas da região, gerando uma
classe operária que impulsionou a produção, a riqueza e o desenvolvimento da região
de Portalegre, criou o primeiro sindicato corticeiro, a primeira cooperativa de
consumo, o primeiro corpo de bombeiros, a primeira creche infantil, a primeira
sociedade filarmónica, entre tantas outras realizações que perduram nos dias de hoje.
Os operários da Fábrica Robinson comemoraram o 1.º de Maio, em Portalegre, pela
primeira vez no ano 1893.
O perfil da fábrica funde-se com o perfil da cidade, ocupando sete hectares do centro
histórico de Portalegre. Empregou gerações de portalegrenses desde o século XIX até
ao século XXI, quando, em 2009, encerrou definitivamente as suas portas, num ainda
não concluído processo de insolvência que mantém dívidas os últimos trabalhadores
que ali trabalharam.
A riqueza da Robinson vai para além da atividade fabril então interrompida. O seu
património material e imaterial, a sua arqueologia industrial classificada, as suas
chaminés altaneiras e maquinaria industrial, representam um recurso de
desenvolvimento desaproveitado, apesar das suas imensas potencialidades pelas
características diferenciadoras e identitárias de Portalegre, do Alentejo e de Portugal.
Foram infrutíferas, até agora, as tentativas para garantir a preservação daquele
património, incluindo a criação de uma Fundação com esse objeto. Apesar da atividade
desenvolvida por essa entidade, é notório o abandono e a degradação do antigo
espaço fabril e a deterioração do património industrial classificado, presentemente em
risco de ruína.
No entanto, a classificação da Igreja e antigo Convento de São Francisco e a Fábrica
Robinson como Conjunto de Interesse Público, no âmbito da Lei de Bases do
Património Cultural, reconhece que a respetiva proteção e valorização representa um
valor cultural de importância nacional.
O seu desaparecimento representará uma perda irreparável da nossa identidade
nacional, pelo que urge a adoção de medidas para a salvaguarda preservação e
dinamização daquele valioso património classificado, garantindo a proteção do
interesse público num território do interior do país, já de si tão depauperado de
recursos, de pessoas e da atenção do Estado.
O conhecimento, estudo, proteção, valorização e divulgação do património cultural
constituem um dever do Estado, sendo que todos têm direito à fruição dos valores e
bens que integram o património cultural, como modo de desenvolvimento da
personalidade através da realização cultural.
Isto mesmo é peticionado por mais de quatro mil cidadãos que solicitam a intervenção
da Assembleia da República junto do Governo para que sejam adotadas e
implementadas as medidas adequadas à salvaguarda daquele importante património.
Nestes termos, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do n.º 1
do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP propõem que a
Assembleia da República adote a seguinte:
Resolução
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 156.º e do n.º 5 do artigo
166.º da Constituição da República, recomendar ao Governo que:
1- Promova uma intervenção urgente no sentido de garantir, no imediato, a
salvaguarda do património arqueológico industrial e do património edificado em
risco do conjunto classificado constituído pela Igreja e antigo Convento de São
Francisco e a Fábrica Robinson, determinando as medidas provisórias ou as
medidas técnicas de salvaguarda indispensáveis e adequadas a esse efeito.
2- Em articulação com autarquias, instituições científicas, educativas, associativas,
sindicais, empresariais e outras que possam contribuir para uma solução
sustentável e de futuro, promova o conhecimento, estudo, proteção, valorização e
divulgação do valioso património material e imaterial deste Conjunto de Interesse
Público.
3- No âmbito do previsto na Lei de Bases do Património Cultural, mobilize os
recursos, nomeadamente financeiros, com vista aos trabalhos de proteção,
conservação e valorização dos bens, de harmonia com as normas estabelecidas
sobre a matéria e sob a orientação dos serviços competentes.
4- Adote medidas de requalificação e revitalização do conjunto classificado,
nomeadamente, refuncionalizando os sete hectares do conjunto e tornando-os um
recurso de desenvolvimento local, regional e nacional.
Assembleia da República, 24 de novembro de 2017
Os Deputados,
JOÃO RAMOS; JOÃO OLIVEIRA; MIGUEL TIAGO; PAULA SANTOS; PAULO SÁ
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Publicação — DAR II série A — 17-18 — 24/11/2017
24 DE NOVEMBRO DE 2017
conseguem fazer face às necessidades. Importa, assim, que o Governo assuma um papel determinante e, em
conjunto com as referias instituições, encontre uma solução para a preservação do património industrial da
Fábrica Robinson, tal como é solicitado pelos peticionários.
Nestes termos, e considerando que as Petições, por mais mérito e razão que tenham, não podem ser votadas
e que o objeto que nelas constam só pode ser votado se um Grupo Parlamentar apresentar uma Projeto de Lei
ou um Projeto de Resolução, e para dar caráter legislativo à pretensão dos peticionários, na qual o CDS se revê,
apresentamos a presente iniciativa legislativa.
Pelo exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do CDS-
PP abaixo assinados apresentam o seguinte projeto de resolução:
Nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º do
Regimento, a Assembleia da Repúblicarecomenda ao Governo que, em conjunto com a Câmara
Municipal de Portalegre e com a Fundação Robinson, desenvolva um programa de recuperação, de
salvaguarda e de preservação do património cultural, nomeadamente espólio arqueológico-industrial,
da Sociedade Corticeira Robinson Bros, SA.
Palácio de São Bento, 24 de novembro de 2017.
Os Deputados do CDS-PP: Teresa Caeiro — João Pinho de Almeida — Ana Rita Bessa — Vânia Dias da
Silva — Nuno Magalhães — Telmo Correia — Hélder Amaral — Cecilia Meireles — Antonio Carlos Monteiro —
Pedro Mota Soares — João Rebelo — Assunção Cristas — Álvaro Castello-Branco — Filipe Lobo d’Avila —
Filipe Anacoreta Coreia — Patrícia Fonseca — Ilda Araújo Novo — Isabel Galriça Neto.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1129/XIII (3.ª)
RECOMENDA A SALVAGUARDA, VALORIZAÇÃO E DINAMIZAÇÃO DA ANTIGA FÁBRICA
ROBINSON, EM PORTALEGRE, E DO SEU PATRIMÓNIO INDUSTRIAL CORTICEIRO
Portalegre era a cidade industrial do Alentejo, característica que lhe marcava a identidade e cunhou o seu
desenvolvimento ao longo de séculos. À indústria de lanifícios instalada em Portalegre pelo Marquês de Pombal,
veio juntar-se, no século XIX, a indústria corticeira.
Corria o ano de 1837 quando um grupo de industriais ingleses apostou na proximidade entre a produção de
sobro, nos montados alentejanos, e a transformação industrial da cortiça.
A Fábrica Robinson fez acontecer, em Portalegre, a revolução industrial que revolucionou também as
dinâmicas sociais e económicas da região, gerando uma classe operária que impulsionou a produção, a riqueza
e o desenvolvimento da região de Portalegre, criou o primeiro sindicato corticeiro, a primeira cooperativa de
consumo, o primeiro corpo de bombeiros, a primeira creche infantil, a primeira sociedade filarmónica, entre
tantas outras realizações que perduram nos dias de hoje. Os operários da Fábrica Robinson comemoraram o
1.º de Maio, em Portalegre, pela primeira vez no ano 1893.
O perfil da fábrica funde-se com o perfil da cidade, ocupando sete hectares do centro histórico de Portalegre.
Empregou gerações de portalegrenses desde o século XIX até ao século XXI, quando, em 2009, encerrou
definitivamente as suas portas, num ainda não concluído processo de insolvência que mantém dívidas os últimos
trabalhadores que ali trabalharam.
A riqueza da Robinson vai para além da atividade fabril então interrompida. O seu património material e
imaterial, a sua arqueologia industrial classificada, as suas chaminés altaneiras e maquinaria industrial,
representam um recurso de desenvolvimento desaproveitado, apesar das suas imensas potencialidades pelas
características diferenciadoras e identitárias de Portalegre, do Alentejo e de Portugal.
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Apreciação — DAR I série — 31-36 — 29/11/2017
29 DE NOVEMBRO DE 2017
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Antes de passarmos ao ponto quatro da ordem do dia, dou a palavra ao
Sr. Secretário Duarte Pacheco para proceder à leitura de iniciativas legislativas que deram entrada na Mesa.
Tem a palavra.
O Sr. Secretário (Duarte Pacheco): — Sr. Presidente, Sr.as Deputadas e Srs. Deputados, deram entrada na
Mesa, e foram admitidos pelo Sr. Presidente, os projetos de lei n.os 669/XIII (3.ª) — Altera a composição do
Conselho Nacional de Bombeiros, regulada pelo Decreto-Lei n.º 73/2013, de 31 de maio (PAN), 670/XIII (3.ª) —
Procede à alteração do regime jurídico aplicável aos bombeiros portugueses no território continental, aprovado
pelo Decreto-Lei n.º 241/2007, de 21 de junho (PAN), 671/XIII (3.ª) — Estabelece a imposição de procedimento
concursal para atribuição de cargos decisórios preponderantes da Proteção Civil (PAN), 672/XIII (3.ª) —
Estabelece a integração dos médicos-veterinários municipais como agentes de proteção civil e cria uma equipa
de salvação e resgate animal (PAN), 673/XIII (3.ª) — Cria a comissão para a elaboração do estatuto fiscal do
interior (CDS-PP) e 674/XIII (3.ª) — Primeira alteração à Lei n.º 108/2017, de 23 de novembro, que estabelece
medidas de apoio às vítimas dos incêndios florestais ocorridos entre 17 e 24 de junho de 2017, bem como
medidas urgentes de reforço da prevenção e combate a incêndios florestais (CDS-PP).
Deram também entrada na Mesa, e foram admitidos, os projetos de resolução nos 1144/XIII (3.ª) —
Recomenda ao Governo alterações aos apoios aos agricultores afetados pelos incêndios de 2017 (CDS-PP),
1145/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que proceda à redefinição das formas de participação das Forças
Armadas nas missões de proteção civil e que proceda ao reforço dos meios aéreos de combate aos incêndios
(CDS-PP), 1146/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que proceda à redefinição das formas de participação das
Forças Armadas nas missões de proteção civil (CDS-PP), 1147/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo o
pagamento do tempo extra de serviço às equipas de sapadores florestais (CDS-PP), 1148/XIII (3.ª) —
Recomenda ao Governo a criação de uma unidade de missão para a reconstrução (CDS-PP), 1149/XIII (3.ª) —
Recomenda ao Governo a adoção de medidas mitigadoras e de restauro dos solos fustigados pelos incêndios
(CDS-PP) e 1150/XIII (3.ª) — Identificação e minimização dos impactos dos incêndios florestais em recursos
naturais, como a água e os solos (Os Verdes).
Algumas iniciativas legislativas ora mencionadas ficam agendadas para discussão na sessão plenária de
amanhã.
É tudo, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Srs. Deputados, vamos passar ao debate conjunto da petição n.º 267/XIII
(2.ª) — Solicitam a intervenção da Assembleia da República junto do Governo no sentido da salvaguarda e
preservação do património industrial da Fábrica Robinson (Luís Manuel Madeira Pargana e outros) e dos
projetos de resolução n.os 898/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo a salvaguarda do património industrial
corticeiro da Robinson (PSD), 1123/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que salve e valorize o património
industrial corticeiro da Fábrica Robinson, em Portalegre (Os Verdes), 1126/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo
a promoção de soluções que permitam a preservação e salvaguarda do património industrial da Fábrica
Robinson (PS), 1128/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que, em conjunto com a Câmara Municipal de
Portalegre e com a Fundação Robinson, desenvolva um programa de recuperação, de salvaguarda e de
preservação do património cultural, nomeadamente espólio arqueológico-industrial, da Sociedade Corticeira
Robinson Bros, SA (CDS-PP), 1129/XIII (3.ª) — Recomenda a salvaguarda, valorização e dinamização da antiga
Fábrica Robinson, em Portalegre, e do seu património industrial corticeiro (PCP), 1136/XIII (3.ª) — Recomenda
ao Governo que tome medidas com caráter de urgência para a salvaguarda do património da Fábrica Robinson
em Portalegre (BE) e 1143/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que adote medidas para a recuperação,
preservação e salvaguarda do património industrial da antiga Fábrica Robinson em Portalegre (PAN).
Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Cristóvão Crespo, do PSD.
O Sr. Cristóvão Crespo (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Uma primeira palavra para saudar
o primeiro subscritor — o Prof. Luís Pargana — e, na sua pessoa, todos e cada um dos mais de 4000 subscritores
desta petição, bem como a Sr.ª Presidente da Câmara Municipal de Portalegre e os Srs. Vereadores presentes
nas galerias.
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Votação Deliberação — DAR I série — 46-46 — 30/11/2017
I SÉRIE — NÚMERO 22
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
Baixa à 5.ª Comissão.
Passamos à votação conjunta dos projetos de resolução n.º 898/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo a
salvaguarda do património industrial corticeiro da Robinson (PSD), 1123/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo
que salve e valorize o património industrial corticeiro da Fábrica Robinson, em Portalegre (Os Verdes), 1126/XIII
(3.ª) — Recomenda ao Governo a promoção de soluções que permitam a preservação e a salvaguarda do
património industrial da Fábrica Robinson (PS), 1128/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que, em conjunto com
a Câmara Municipal de Portalegre e com a Fundação Robinson, desenvolva um programa de recuperação, de
salvaguarda e de preservação do património cultural, nomeadamente espólio arqueológico-industrial, da
Sociedade Corticeira Robinson Bros, SA (CDS-PP), 1129/XIII (3.ª) — Recomenda a salvaguarda, valorização e
dinamização da antiga Fábrica Robinson, em Portalegre, e do seu património industrial corticeiro (PCP),
1136/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que tome medidas com carácter de urgência para a salvaguarda do
património da Fábrica Robinson, em Portalegre (BE) e 1143/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que adote
medidas para a recuperação, preservação e salvaguarda do património industrial da antiga Fábrica Robinson,
em Portalegre (PAN).
Submetidos à votação, foram aprovados por unanimidade.
Vamos votar agora um requerimento do PSD que solicita a baixa à Comissão de Defesa Nacional, sem
votação, por um período de 60 dias, do projeto de lei n.º 661/XIII (3.ª) — Cria a unidade militar de emergências
(PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes e
do PAN e a abstenção do BE.
Baixa, pois, à 3.ª Comissão.
Prosseguimos com a votação, na generalidade, do projeto de lei n.º 662/XIII (3.ª) — Cria um programa
nacional de apoio às vítimas dos incêndios de 2017 que afetaram o território português para recuperação do
parque habitacional (PSD).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes, votos a favor do
PSD e do CDS-PP e a abstenção do PAN.
Votamos agora, na generalidade, o projeto de lei n.º 663/XIII (3.ª) — Medidas de apoio às empresas e à
retoma da atividade económica nas áreas afetadas pelos incêndios florestais (PSD).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes e votos a favor
do PSD, do CDS-PP e do PAN.
Vamos votar, na generalidade, o projeto de lei n.º 664/XIII (3.ª) — Estabelece o procedimento concursal para
o recrutamento dos cargos dirigentes do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS)
(PSD).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes e votos a favor
do PSD, do CDS-PP e do PAN.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1115/XIII (3.ª) — Criação de equipas de bombeiros
profissionais em todo o território nacional e valorização do voluntariado (PSD).
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