PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº 1091/XIII
Recomenda ao Governo que promova à Reflorestação da Mata Nacional de Leiria
Os incêndios florestais em Portugal são um fenómeno recorrente, como é típico de climas
mediterrâneos com verões quentes e secos. Contudo, as condições naturais não justificam que
Portugal seja nas últimas décadas o país da Europa com maior proporção de área florestal ardida.
A extensão de área ardida em 2017 e principalmente a tragédia humana, social, económica e
ambiental que caracterizou os incêndios rurais deste ano representam a falência do Estado como
pilar da segurança de pessoas e bens.
Em 2017 a área ardida, no território nacional, é a maior desde que há registo. Estima-se que
tenha ultrapassado mais de meio milhão de hectares de matos e povoamentos. Foram devastados
terrenos agrícolas, matos, povoamentos florestais ordenados e não ordenados.
O caso do Pinhal de Leiria, cuja área ardida em outubro de 2017 foi superior a 80%, desmistifica
o facto dos incêndios florestais estarem unicamente relacionados com a falta de prevenção ao
nível do ordenamento rural e da floresta portuguesa.
Na verdade, os incêndios rurais são um enorme desafio para o nosso país e não podem ser
encarados sem uma visão integrada do território, da estrutura fundiária da propriedade, das
economias locais e principalmente da viabilidade e exequibilidade dos planos de prevenção e
combate a catástrofes.
Para o PSD as áreas ardidas deveriam ser aproveitadas como oportunidade de reflorestação
ordenada, geridas de forma a garantir um rendimento atrativo para os seus produtores,
cumprindo ao mesmo tempo as boas práticas florestais. Infelizmente, o país não tem sido capaz
de aproveitar essas oportunidades causadas pela destruição do fogo aos povoamentos florestais,
tendo inclusive muitas das áreas ardidas ficado ao abandono cultural. Contudo, o caso da Mata
Nacional de Leiria as dificuldades que persistem no restante território em termos fragmentação
da propriedade, falta de cadastro ou limitação financeira não existem.
Considerando que a Mata Nacional de Leiria foi identificada como mata modelo, por se tratar de
um espaço florestal de elevado interesse para o desenvolvimento de modelos de silvicultura quer
na sua função produtiva, quer nas de conservação da natureza e recreio, a sua recuperação é
urgente e fundamental.
Nestes termos, ao abrigo das disposições constitucionais, legais e regimentais aplicáveis, os
Deputados abaixo assinados do Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata apresentam o
seguinte Projeto de Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166. º da Constituição da
República Portuguesa recomenda ao Governo que:
Proceda no prazo de um ano à implementação de um projecto de reflorestação para a Mata
Nacional de Leiria, como mata modelo.
Palácio de São Bento, 18 de outubro de 2017
Os Deputados
Hugo Soares, Nuno Serra, Maurico Marques
Teresa Morais, Feliciano Barreiras Duarte, Pedro Pimpão, Margarida Balseiro Lopes, José
António Silva
Álvaro Baptista, António Lima Costa, António Ventura, Cristóvão Norte, Luís Pedro
Pimentel, Pedro do Ó Ramos, Ulisses Pereira, Cristóvão Crespo, Bruno Vitorino, Carla Barros,
Carlos Peixoto, Emília Cerqueira, Joel Sá, Jorge Paulo Oliveira, José Carlos Barros, Rubina
Berardo.
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Publicação — DAR II série A — 22-23 — 23/10/2017
II SÉRIE-A — NÚMERO 17
importante ainda, evitar que os animais invadam a via pública (estradas e caminhos) pondo em risco a segurança
de pessoas e bens;
c) A reconstrução das restantes infraestruturas (sistemas de rega e distribuição de água, edifícios agrícolas,
armazéns, palheiros, apiários) são igualmente muito urgentes, de modo a repor as condições de apoio à
produção.
A demora na implementação destas e/ou outras soluções pode comprometer a continuidade de agricultores
individuais e de muitas empresas agrícolas para além de poder inviabilizar futuros investimentos, que as mesmas
tinham planeado fazer no futuro.
O GP/PSD entende que é do interesse de todos manter os atuais investidores e até chamar novos
investidores para um sector de atividade e muitas regiões que estão cada vez mais abandonadas. Contudo, se
não se agir de forma célere, o resultado será o abandono continuado dos campos nesta região do Interior, com
consequências negativas no meio ambiente e em todas as atividades que dele dependem: agricultura, produção
animal, turismo.
Assim, ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República resolve
recomendar ao Governo:
1) Estender a operação 6.2.2 “Restabelecimento do Potencial Produtivo”, a todos os concelhos identificados
na resolução do Conselho de Ministros n.º 148/2017, de 2 de outubro e eventual abertura da operação 3.2.2
“pequenos investimentos na exploração agrícola para as situações que poderão não estar abrangidas pela
operação 6.2.2.
2) Seja disponibilizada uma linha de crédito (a 0% de juros/spread) destinada a financiar a compra de
alimentação e a recuperação do potencial produtivo em geral (cercas, sistemas de rega e distribuição de água,
alguns edifícios agrícolas como armazéns e palheiros, apiários) com um procedimento administrativo célere de
modo a ter efeitos imediatos.
3) Atendendo à urgência de reconstruir, no imediato, outras infraestruras destruídas pelos incêndios (apiários,
sistemas de rega), seja criada uma situação de exceção (uma vez que é um caso de força maior) à imposição
do PDR de que só é elegível o investimento após a submissão do projeto. Ou seja, uma exceção que permita a
elegibilidade das faturas com data posterior à ocorrência dos incêndios, mesmo que aquela data seja anterior à
submissão de eventuais projetos candidatos a apoios comunitários que venham a ser criados e aos quais os
agricultores se candidatem;
Palácio de São Bento, 20 de outubro de 2017.
Os Deputados do PSD: Nuno Serra — Maurício Marques — Cristóvão Crespo — Álvaro Baptista — António
Lima Costa — António Ventura — Cristóvão Norte — Luís Pedro Pimentel — Pedro do Ó Ramos — Ulisses
Pereira — Bruno Vitorino — Carla Barros — Carlos Peixoto — Emília Cerqueira — Joel Sá — Jorge Paulo
Oliveira — José Carlos Barros — Rubina Berardo.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1091/XIII (3.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO QUE PROMOVA À REFLORESTAÇÃO DA MATA NACIONAL DE LEIRIA
Os incêndios florestais em Portugal são um fenómeno recorrente, como é típico de climas mediterrâneos
com verões quentes e secos. Contudo, as condições naturais não justificam que Portugal seja nas últimas
décadas o país da Europa com maior proporção de área florestal ardida. A extensão de área ardida em 2017 e
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