PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1072/XIII/3ª
SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL
Em março deste ano, a Organização Internacional do Trabalho (OIT)
apresentou um relatório que analisou os dados de 133 países entre 1995 e
2014, onde concluía, entre outros pontos, que Portugal é um dos países
mais desiguais, nomeadamente nos valores salariais, com consequências
sociais e económicas negativas. O mesmo relatório refere que para se
inverter a situação global, de queda entre o valor real do salário no
rendimento nacional de cada país, é necessário que haja o reforço da
regulação do mercado de trabalho, através do reforço da contratação
coletiva e do aumento do salário mínimo.
Recordamos que em 2016 mais de 650 mil trabalhadores ganhavam o
salário mínimo nacional, tornando Portugal num dos Países de toda a União
Europeia com maior desigualdade salarial e onde se verifica uma maior
percentagem de trabalhadores pobres ou em risco de pobreza.
O salário mínimo esteve congelado nos 485 euros entre 2011 e outubro de
2014, quando o anterior governo PSD/CDS o aumentou para os 505 euros,
na sequência de um acordo estabelecido entre o executivo, as
confederações patronais e a UGT. Foi, portanto, um acordo do anterior
governo com alguns dos parceiros sociais, cuja contrapartida para os
patrões foi uma descida de 0,75 pontos percentuais na Taxa Social Única
(TSU) aplicada aos salários mínimos e paga pelas empresas, com a qual Os
Verdes não concordaram.
Já por proposta do atual Governo, o valor do salário mínimo foi aumentado
duas vezes, para 530 euros em 2016 e 557 euros em 2017. No entanto, não
esquecemos que neste último aumento foram acordadas contrapartidas para
os patrões e as empresas, nomeadamente através de uma redução nos
pagamentos especiais por conta.
O Salário Mínimo Nacional vale hoje menos do que aquilo que valia em
1974, sendo, portanto, um valor baixíssimo a vários níveis, nomeadamente
quando comparado com o valor do Salário Mínimo dos restantes países da
União Europeia, quando fazemos uma leitura das desigualdades sociais no
nosso País e até quando olhamos para o custo de vida dos portugueses.
A situação é desesperante para a generalidade das famílias Portuguesas,
face ao nível do custo de vida e do poder de compra com que vivem, e não é
necessário fazer grandes contas para se concluir que 557 euros ilíquidos,
para um salário, ainda que mínimo, é um valor demasiado baixo para que
estejam asseguradas as necessidades básicas de cada um.
Acresce ainda que o valor dos salários em geral e o do Salário Mínimo
Nacional, além de constituir um fator decisivo para uma justa distribuição da
riqueza e para a melhoria das condições de vida de quem trabalha, constitui
ainda um elemento decisivo para a recuperação económica, para a
dinamização da procura interna e para a criação de emprego que é urgente
efetivar.
Neste contexto, Os Verdes consideram que se torna absolutamente
imperioso colocar o valor do Salário Mínimo Nacional nos 600 euros já partir
do inico do próximo ano, para no futuro se proceder aos aumentos anuais
respetivos ou “ordinários”.
Com essa convicção e com esse propósito, o Grupo Parlamentar Os Verdes
apresenta o seguinte Projeto de Resolução:
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a
Assembleia da República delibera recomendar ao Governo que:
- Proceda a um aumento do valor do Salário Mínimo Nacional para os
600 euros a partir de janeiro de 2018, inclusive.
Palácio de S. Bento, 06 de outubro de 2017
Os Deputados,
José Luís Ferreira Heloísa Apolónia
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Publicação — DAR II série A — 27-28 — 10/10/2017
10 DE OUTUBRO DE 2017
boa aplicação dos recursos públicos, essa relação deve ser tida em consideração. Portugal tem ainda uma
dimensão e localização geográfica que nos pode posicionar, com uma estratégia adequada e com os parceiros
corretos, numa excelente plataforma para provas de conceito. Somos um país pequeno o suficiente para testar,
mas com a dimensão suficiente para provar, nomeadamente no que toca à validação científica e tecnológica de
novos projetos em condições reais.
Assim, em coerência com as razões anteriormente expostas, a Assembleia da República resolve, ao abrigo
do disposto na alínea b) do Artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa e da alínea b) do n.º 1 do
artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, recomendar ao Governo que:
1. Reforce a colaboração entre as tutelas da ciência e da economia, no sentido de melhorar a interface entre
as unidades de investigação e as empresas pela aposta nas unidades de interface, e na disponibilização
conjunta de dados públicos, acessíveis e relevantes para uma eficaz transferência de tecnologia
Desenvolva uma estratégia para o posicionamento de Portugal como território com condições para a
prototipagem e provas de conceito, nomeadamente no que toca a tecnologia de ponta, garantindo protocolos
simples e transparentes para o efeito. Nesta estratégia devem ser incentivadas as instituições de ensino superior
a desenvolver programas de prova de conceito que auxiliem o desenvolvimento de tecnologias e conhecimento
criados e que possam avaliar não só a exequibilidade técnica do conceito mas também a viabilidade económica
do projeto.
2. Reveja os programas de financiamento à investigação para garantir que estes incentivam a colaboração
e, em cooperação com os agentes do setor, promova políticas de royalties, nas instituições públicas,
transparentes e competitivas.
Assembleia da República, 4 de outubro de 2017.
Os Deputados do PSD, Hugo Lopes Soares — Margarida Mano — Luís Leite Ramos — Amadeu Soares
Albergaria — António Costa Silva — Nilza de Sena — Emídio Guerreiro — Luís Campos Ferreira — Álvaro
Batista — Cristóvão Crespo — Emília Santos — José Cesário — Margarida Balseiro Lopes — Susana Lamas
— Duarte Marques — Laura Monteiro Magalhães — Maria Germana Rocha — Maria Manuela Tender.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1072/XIII (3.ª)
SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL
Em março deste ano, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentou um relatório que analisou
os dados de 133 países entre 1995 e 2014, onde concluía, entre outros pontos, que Portugal é um dos países
mais desiguais, nomeadamente nos valores salariais, com consequências sociais e económicas negativas. O
mesmo relatório refere que para se inverter a situação global, de queda entre o valor real do salário no
rendimento nacional de cada país, é necessário que haja o reforço da regulação do mercado de trabalho, através
do reforço da contratação coletiva e do aumento do salário mínimo.
Recordamos que em 2016 mais de 650 mil trabalhadores ganhavam o salário mínimo nacional, tornando
Portugal num dos Países de toda a União Europeia com maior desigualdade salarial e onde se verifica uma
maior percentagem de trabalhadores pobres ou em risco de pobreza.
O salário mínimo esteve congelado nos 485 euros entre 2011 e outubro de 2014, quando o anterior governo
PSD/CDS o aumentou para os 505 euros, na sequência de um acordo estabelecido entre o executivo, as
confederações patronais e a UGT. Foi, portanto, um acordo do anterior governo com alguns dos parceiros
sociais, cuja contrapartida para os patrões foi uma descida de 0,75 pontos percentuais na Taxa Social Única
(TSU) aplicada aos salários mínimos e paga pelas empresas, com a qual Os Verdes não concordaram.
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Apreciação — DAR I série — 46-53 — 14/10/2017
I SÉRIE — NÚMERO 8
O Sr. Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural (Luís Capoulas Santos): — Sr.
Presidente, Srs. Deputados: Em primeiro lugar, quero deixar uma palavra de saudação ao Bloco de Esquerda
por ter decidido apreciar este Decreto-Lei, do Governo, que já está em execução, mas estou certo de que o fez
no sentido de o melhorar e de nele incorporar contributos positivos.
Pelo que conheço das propostas, direi que da parte do Governo não vislumbro, ainda que essa venha a ser
uma competência do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, qualquer problema quanto à sua aprovação.
Assim como espero que as propostas que a Sr.ª Deputada Patrícia Fonseca acabou de nos transmitir oralmente
possam ter uma expressão formal, porque me parece que também contêm contributos positivos.
Ora, tal demonstra, cada vez mais, que a reforma da floresta vai alargando o seu espaço consensual — aliás,
reforçado ontem no Relatório da Comissão Técnica Independente, que preconiza, relativamente às questões da
gestão e do ordenamento florestal, as soluções que o Governo já adotou no contexto daquilo que
convencionámos designar «o início da reforma da floresta».
Lamento que o Sr. Deputado Maurício Marques e o seu partido continuem enquistados numa posição de
obstrução e não numa posição construtiva, porque a única crítica que lhe ouvi fazer foi a de que o Governo teve
muita pressa — no entanto, demorou um ano — em construir a reforma. Ora, se o Sr. Deputado considera um
ano um tempo escasso, fico agora a compreender por que é que nos quatro anos anteriores do seu Governo
nada foi feito nesta matéria.
Aplausos do PS e de Deputados do BE.
Portanto, estamos no bom caminho. As propostas que foram aqui apresentadas são contributos positivos
que o Governo acolherá com o espírito que tem demonstrado desde o início, que é fazer deste um tema de
grande consenso nacional, porque a sociedade portuguesa assim o exige de nós.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Srs. Deputados, anuncio que foram apresentadas pelos Grupos
Parlamentares do Bloco de Esquerda e do PCP propostas de alteração, as quais juntamente com o Decreto-Lei
n.º 66/2017, baixaram à 7.ª Comissão.
Srs. Deputados, excluindo as votações regimentais, passamos ao sexto e último ponto da nossa ordem de
trabalhos, com a apreciação dos projetos de resolução n.os 1056/XIII (3.ª) — Aumento do salário mínimo nacional
(PCP), 1072/XIII (3.ª) — Salário mínimo nacional (Os Verdes) e 1073/XIII (3.ª) — Pelo aumento do salário mínimo
nacional (PAN).
Para iniciar o debate e apresentar o projeto de resolução do PCP, tem a palavra a Sr.ª Deputada Rita Rato.
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Em Portugal, viver com o salário mínimo nacional
é um teste permanente à sobrevivência. Não é novidade para ninguém que os baixos salários, em particular o
valor do salário mínimo nacional, não vencem a causa estrutural de pobreza entre quem trabalha. Quase um
terço das pessoas em situação de pobreza são trabalhadores que auferem salários que não chegam para
responder às despesas básicas.
Em março de 2017, eram cerca de 730 000 os trabalhadores que recebiam o salário mínimo nacional, sendo
que a percentagem de mulheres com o salário mínimo é muito superior à dos homens: 28,9% para 18,5%.
O salário mínimo nacional é uma conquista da Revolução de Abril e à data representou uma melhoria muito
expressiva nas condições de vida dos trabalhadores, mas, ao longo das décadas, tem sido profundamente
desvalorizado com atualizações abaixo do aumento dos rendimentos médios e do Índice de preços no
consumidor. Entre 2011 e 2014, esteve congelado.
Os trabalhadores que auferem o salário mínimo nacional sobrevivem mensalmente com 495 € líquidos e 557
€ ilíquidos.
O Sr. João Oliveira (PCP): — Bem lembrado!
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Votação Deliberação — DAR I série — 59-59 — 14/10/2017
14 DE OUTUBRO DE 2017
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS-PP e do Deputado do PS Paulo Trigo
Pereira, votos a favor do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e a abstenção do PS.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1072/XIII (3.ª) — Salário mínimo nacional (Os Verdes).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS-PP e do Deputado do PS Paulo Trigo
Pereira, votos a favor do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e a abstenção do PS.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 1073/XIII (3.ª) — Pelo aumento do salário mínimo nacional
(PAN).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, votos a favor do BE e do PAN e abstenções
do PS, do CDS-PP, do PCP e de Os Verdes.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Sr. Deputado Nuno Magalhães, pede a palavra para que efeito?
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Sr. Presidente, é para anunciar que entregaremos uma declaração de
voto em nome do Grupo Parlamentar do CDS.
A Sr.ª Wanda Guimarães (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem a palavra.
A Sr.ª Wanda Guimarães (PS): — Sr. Presidente, é para o mesmo efeito, mas em nome pessoal.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Fica registado.
O Sr. Paulo Trigo Pereira (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem a palavra, Sr. Deputado.
O Sr. Paulo Trigo Pereira (PS): — Sr. Presidente, é também para anunciar que irei apresentar uma
declaração de voto.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Sr. Deputado, fica registado.
Srs. Deputados, passamos à votação do projeto de resolução n.º 1010/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo
que proceda à concretização de obras na Escola Básica 2/3 Avelar Brotero, integrada no Agrupamento de
Escolas Adelaide Cabette, em Odivelas (PAN).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes e
do PAN e a abstenção do PS.
O Sr. João Oliveira (PCP): — Sr. Presidente, permite-me o uso da palavra?
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Pede a palavra para que efeito, Sr. Deputado?
O Sr. João Oliveira (PCP): — Sr. Presidente, queria corrigir um nosso sentido de voto, que julgo ter ficado
mal registado.
Refiro-me à votação do projeto de resolução n.º 1073/XIII (3.ª) — Pelo aumento do salário mínimo nacional
(PAN), que o PCP votou a favor.
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