PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 1022/XIII/2.ª
Travar a liquidação da PT, defender os trabalhadores e o interesse nacional
A PT – Portugal Telecom, aquela que já foi a maior empresa nacional, foi e está a ser
conduzida à destruição. Portugal está a perder assim a principal empresa de um sector
estratégico para o País, milhares de postos de trabalho diretos e indiretos e uma
assumida vanguarda tecnológica.
Desde 2000, a PT entregou aos seus acionistas quase 15 mil milhões de euros. Foram
estes interesses ligados aos grupos económicos e ao capital financeiro quem ganhou
com a privatização. Já o Estado perdeu o comando estratégico da PT, a receita dos
dividendos da PT e significativas receitas fiscais.
O que está a acontecer com a PT não é infelizmente nada de novo em Portugal. É o
resultado da política de direita. É o resultado do paradigma central dessa política –
privatização, liberalização, «internacionalização», desnacionalização – com a
simultânea reconstituição dos grupos económicos monopolistas e o domínio do capital
estrangeiro, que passam a assegurar o comando dos sectores e empresas estratégicas,
em geral liquidando os centros de decisão localizados em Portugal.
O percurso dos últimos 23 anos da PT é elucidativo do processo de destruição de uma
grande empresa nacional.
Em 1994 cria-se a Portugal Telecom, SA, aglomerando a TP, os TLP e a TDP, que, em
1995, absorve a Marconi. Logo em 1995, ainda no Governo PSD/Cavaco Silva, realiza-
se a 1ª Fase da privatização da PT (27,26%), seguida de uma segunda em 1996 (mais
21,74%) uma terceira em 1997 (26,00%), uma quarta fase em 1999 e uma quinta em
2000 que deixam o Estado limitado a 500 ações Golden Share. Em julho de 2011 o
Governo oferece, literalmente sem contrapartidas, a Golden Share da PT aos acionistas
privados.
Entretanto, igualmente envolvendo os sucessivos governos, deram-se episódios como:
a venda da Vivo à Telefónica com 3,75 mil milhões de dividendos distribuídos pelos
acionistas livres de impostos e outro tanto aplicado na compra da brasileira Oi
(tecnologicamente antiquada e altamente endividada); a fusão da PT e da Oi com a
saída do centro de decisão para o Brasil; a venda, a um preço irrisório, da rede fixa
pública de telecomunicações à PT; o reconhecimento da gestão danosa na PT e do
empréstimo desta à Rioforte do GES de 900 milhões de euros; a venda da PT à
multinacional Altice.
A atual fase de liquidação da PT, agora sobre controlo da multinacional ALTICE, é
dirigida diretamente contra os seus trabalhadores.
A Altice está há meses numa gigantesca operação de chantagem, repressão e assédio
sobre os trabalhadores da PT. Com o objetivo de maximizar os seus lucros, a
multinacional decidiu despedir alguns milhares de trabalhadores da PT, libertando-se
de um conjunto de encargos assumidos e que já existiam quando comprou a empresa.
A Altice contará arrecadar alguns milhares de milhões de euros, libertando-se dos
encargos com três mil trabalhadores e das responsabilidades com um número idêntico
de pré-reformados. Há meses que coloca centenas de trabalhadores em salas de
“disponíveis” de uma “unidade de suporte”, mantendo-os sem ocupação ou
atribuindo-lhes funções completamente inadequadas e inaceitáveis, chantageando
esses trabalhadores e usando-os como mecanismo de assédio sobre outros, a todos
tentando impor rescisões supostamente “amigáveis” e de “baixo custo”.
O processo de repressão e assédio acelerou-se com a fraude em curso, que assenta na
utilização abusiva das regras da transmissão de estabelecimento. A empresa está a
montar múltiplas operações fraudulentas, onde simula transmissões de
estabelecimentos, e pretende realizar a transmissão compulsiva de trabalhadores para
prestadores de serviços e outras empresas similares.
Só neste momento, a PT tem mais de 200 trabalhadores ameaçados de transferência
compulsiva e 461 trabalhadores ameaçados de serem rapidamente envolvidos num
processo similar se não aceitarem as rescisões «amigáveis» que lhe foram
«oferecidas».
O Código de Trabalho e a Constituição da República não permitem que a multinacional
faça o que está a fazer. Mesmo com o atual Código do Trabalho, e independentemente
da sua necessária alteração, a Altice pode e deve ser travada. Não basta aplicar multas
que, sendo reveladoras da dimensão das práticas ilegais da multinacional, são
simplesmente transformadas pela Altice num custo na sua contabilidade. É preciso que
haja vontade política de travar estas práticas e os instrumentos e mecanismos
existentes sejam utilizados.
A Assembleia da República não pode aceitar que se liquide definitivamente a PT como
grande e estratégica empresa nacional de telecomunicações. A Assembleia da
República, ou de um modo geral o poder político, não pode assistir passivamente as
agressões aos trabalhadores que estão em curso por parte de uma multinacional. O
Governo pode e deve opor-se a tal desfecho e criar as condições para garantir a PT
como empresa de capitais nacionais, sob controlo público, que coloque o sector das
telecomunicações ao serviço do povo e do País.
Nestes termos, ao abrigo da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do
n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP
propõem que a Assembleia da República adote a seguinte resolução:
A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição,
resolve:
1. Recomendar ao Governo que acione todos os instrumentos de que dispõe o
Estado Português para travar o processo de repressão, assédio e chantagem
da multinacional Altice contra os trabalhadores da PT;
2. Recomendar ao Governo que inicie o processo de regresso da PT ao controle
público.
Assembleia da República, 19 de julho de 2017
Os Deputados,
BRUNO DIAS; RITA RATO; JOÃO OLIVEIRA; JERÓNIMO DE SOUSA; JORGE MACHADO;
DIANA FERREIRA; CARLA CRUZ; PAULA SANTOS; FRANCISCO LOPES; ANTÓNIO FILIPE;
JOÃO RAMOS; ANA VIRGÍNIA PEREIRA; ANA MESQUITA
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Publicação — DAR II série A — 70-71 — 21/07/2017
II SÉRIE-A — NÚMERO 144 70
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1022/XIII (2.ª)
TRAVAR A LIQUIDAÇÃO DA PT, DEFENDER OS TRABALHADORES E O INTERESSE NACIONAL
A PT — Portugal Telecom, aquela que já foi a maior empresa nacional, foi e está a ser conduzida à destruição.
Portugal está a perder assim a principal empresa de um sector estratégico para o País, milhares de postos de
trabalho diretos e indiretos e uma assumida vanguarda tecnológica.
Desde 2000, a PT entregou aos seus acionistas quase 15 mil milhões de euros. Foram estes interesses
ligados aos grupos económicos e ao capital financeiro quem ganhou com a privatização. Já o Estado perdeu o
comando estratégico da PT, a receita dos dividendos da PT e significativas receitas fiscais.
O que está a acontecer com a PT não é infelizmente nada de novo em Portugal. É o resultado da política de
direita. É o resultado do paradigma central dessa política — privatização, liberalização, «internacionalização»,
desnacionalização — com a simultânea reconstituição dos grupos económicos monopolistas e o domínio do
capital estrangeiro, que passam a assegurar o comando dos sectores e empresas estratégicas, em geral
liquidando os centros de decisão localizados em Portugal.
O percurso dos últimos 23 anos da PT é elucidativo do processo de destruição de uma grande empresa
nacional.
Em 1994 cria-se a Portugal Telecom, SA, aglomerando a TP, os TLP e a TDP, que, em 1995, absorve a
Marconi. Logo em 1995, ainda no Governo PSD/Cavaco Silva, realiza-se a 1ª Fase da privatização da PT
(27,26%), seguida de uma segunda em 1996 (mais 21,74%) uma terceira em 1997 (26,00%), uma quarta fase
em 1999 e uma quinta em 2000 que deixam o Estado limitado a 500 ações Golden Share. Em julho de 2011 o
Governo oferece, literalmente sem contrapartidas, a Golden Share da PT aos acionistas privados.
Entretanto, igualmente envolvendo os sucessivos governos, deram-se episódios como: a venda da Vivo à
Telefónica com 3,75 mil milhões de dividendos distribuídos pelos acionistas livres de impostos e outro tanto
aplicado na compra da brasileira Oi (tecnologicamente antiquada e altamente endividada); a fusão da PT e da
Oi com a saída do centro de decisão para o Brasil; a venda, a um preço irrisório, da rede fixa pública de
telecomunicações à PT; o reconhecimento da gestão danosa na PT e do empréstimo desta à Rioforte do GES
de 900 milhões de euros; a venda da PT à multinacional Altice.
A atual fase de liquidação da PT, agora sobre controlo da multinacional ALTICE, é dirigida diretamente contra
os seus trabalhadores.
A Altice está há meses numa gigantesca operação de chantagem, repressão e assédio sobre os
trabalhadores da PT. Com o objetivo de maximizar os seus lucros, a multinacional decidiu despedir alguns
milhares de trabalhadores da PT, libertando-se de um conjunto de encargos assumidos e que já existiam quando
comprou a empresa.
A Altice contará arrecadar alguns milhares de milhões de euros, libertando-se dos encargos com três mil
trabalhadores e das responsabilidades com um número idêntico de pré-reformados. Há meses que coloca
centenas de trabalhadores em salas de “disponíveis” de uma “unidade de suporte”, mantendo-os sem ocupação
ou atribuindo-lhes funções completamente inadequadas e inaceitáveis, chantageando esses trabalhadores e
usando-os como mecanismo de assédio sobre outros, a todos tentando impor rescisões supostamente
“amigáveis” e de “baixo custo”.
O processo de repressão e assédio acelerou-se com a fraude em curso, que assenta na utilização abusiva
das regras da transmissão de estabelecimento. A empresa está a montar múltiplas operações fraudulentas,
onde simula transmissões de estabelecimentos, e pretende realizar a transmissão compulsiva de trabalhadores
para prestadores de serviços e outras empresas similares.
Só neste momento, a PT tem mais de 200 trabalhadores ameaçados de transferência compulsiva e 461
trabalhadores ameaçados de serem rapidamente envolvidos num processo similar se não aceitarem as
rescisões «amigáveis» que lhe foram «oferecidas».
O Código de Trabalho e a Constituição da República não permitem que a multinacional faça o que está a
fazer. Mesmo com o atual Código do Trabalho, e independentemente da sua necessária alteração, a Altice pode
e deve ser travada. Não basta aplicar multas que, sendo reveladoras da dimensão das práticas ilegais da
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Apreciação — DAR I série — 23-31 — 17/03/2018
17 DE MARÇO DE 2018
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Queira terminar, Sr. Deputado.
O Sr. Paulino Ascenção (BE): — Portanto, este projeto de resolução acaba por traduzir o reconhecimento,
a nível regional, da incapacidade do PSD, que, mais uma vez, remete para a República a solução dos problemas.
Já que não tem visão estratégica, pede ao Governo da República o favor de suprir esta necessidade, esta
insuficiência. E o PSD parece que continua em autoflagelação, depois do debate, realizado na semana passada,
sobre o emprego, no qual teve muitas culpas.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem de terminar, Sr. Deputado.
O Sr. Paulino Ascenção (BE): — Agora, volta, mais uma vez, por sua própria iniciativa, a expor as suas
fragilidades e contradições, aqui, nesta Casa.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Paulo
Neves.
O Sr. Paulo Neves (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Quando falamos de geopolítica, de
geoestratégia ou de geoeconomia temos de ter sempre presente que Portugal não é apenas um País europeu
(no caso, periférico). Portugal é um país euro-atlântico, logo, um país central. Essa centralidade deve-se
também, e muito, ao arquipélago da Madeira, um arquipélago junto ao continente africano, um arquipélago de
frente para as Américas, um arquipélago europeu que faz parte da Macaronésia juntamente com os Açores, as
Canárias e Cabo Verde. Uma região que já muito tem feito para saber aproveitar esta centralidade atlântica é,
precisamente, a Madeira.
A Madeira dispõe do terceiro maior registo de navios da Europa. A Madeira dispõe de um centro internacional
de negócios credível e fiscalmente competitivo para centralizar, precisamente, negócios entre os continentes
atlânticos. A Madeira tem centros de investigação marinha muito capacitados e tem também centros de estudos
atlânticos de excelência. A Madeira investe na aquacultura como nenhuma outra região em Portugal. A Madeira
dispõe de um dos portos de cruzeiros de maior dinâmica na Europa.
É por tudo isto que qualquer aposta de Portugal em matéria de geopolítica tem, obrigatoriamente, de passar
e aproveitar a Região Autónoma da Madeira.
O Governo da República deve apostar muito mais numa política atlântica do País e o oceano Atlântico pode
ser, de facto, também, o oceano do século XXI. O Governo da República deve, por isso, concertar-se com o
Governo da Região Autónoma da Madeira na criação de uma estratégia atlântica clara onde todo o território
marítimo e continental do País surja como um autêntico hub nas relações entre Europa, África e Américas.
Com o projeto de ampliação do território marítimo português — a plataforma continental — há muito para
fazer, e para fazer rapidamente, seja em matéria de segurança, seja de aproveitamento económico deste vasto
território marítimo.
Termino, Sr. Presidente, dizendo que Portugal é um País de mar e sempre foi grande quando apostou
seriamente no mar e teve estratégia nacional marítima. É tempo de voltar a tê-la! Para isso, há que ter uma
estratégia de concertação com os arquipélagos atlânticos, no caso, com a Madeira.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Passamos ao terceiro ponto da ordem do dia, com a apreciação
do projeto de lei n.º 759/XIII (3.ª) — Recupera para o domínio público a propriedade e gestão da rede básica de
telecomunicações e aprestação do serviço universal de telecomunicações (segunda alteração à lei de bases
das telecomunicações, Lei n.º 91/97, de 1 de agosto) (BE), na generalidade, juntamente com os projetos de
resolução n.os 1411/XIII (3.ª) — Pela defesa do interesse nacional e controlo da Portugal Telecom (Os Verdes)
e 1022/XIII (2.ª) — Travar a liquidação da PT, defender os trabalhadores e o interesse nacional (PCP).
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Votação Deliberação — DAR I série — 42-42 — 17/03/2018
I SÉRIE — NÚMERO 61
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Peço a palavra, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Para que efeito, Sr. Deputado?
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Sr. Presidente, para anunciar que o PCP entregará uma declaração de voto
sobre o projeto de lei que acabou de ser votado.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Srs. Deputados, vamos votar o projeto de resolução n.º 1411/XIII (3.ª) — Pela defesa do interesse nacional
e controlo da Portugal Telecom (Os Verdes).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do BE, do
PCP, de Os Verdes e do PAN.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1022/XIII (2.ª) — Travar a liquidação da PT, defender os
trabalhadores e o interesse nacional (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do BE, do
PCP, de Os Verdes e do PAN.
Srs. Deputados, vamos votar o projeto de resolução n.º 911/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que
desenvolva todos os esforços junto do Estado espanhol para travar a exploração de urânio em Salamanca, junto
à nossa fronteira (Os Verdes).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes,
do PAN e do Deputado do PS Paulo Trigo Pereira e a abstenção do PS.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1397/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que desenvolva todos os
esforços e diligências para que seja devidamente cumprido o Protocolo de Atuação entre o Governo da
República Portuguesa e o Governo do Reino de Espanha a aplicar às avaliações ambientais de planos,
programas e projetos com efeitos transfronteiriços (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1403/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo português que exija junto
do Governo espanhol a realização de um estudo de impacto ambiental transfronteiriço relativamente às minas
de urânio em Retortillo-Santidad (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos votar o projeto de resolução n.º 1405/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que, no
âmbito do Protocolo de Atuação entre o Governo da República Portuguesa e o Governo do Reino de Espanha
a aplicar às avaliações ambientais de planos, programas e projetos com efeitos transfronteiriços, adote as
medidas necessárias junto do Estado espanhol com vista à suspensão de qualquer decisão final da implantação
do projeto de fábrica de urânio processado e de mineração em Retortillo-Santidad (Salamanca) (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
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