Projeto de Resolução nº 803/XIII
Recomenda ao Governo que defina e implemente o mais breve possível, um novo
modelo de gestão para Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul,
garantindo a sua autonomia clínica, financeira e operacional
O Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul assegura para o Algarve e Baixo-
Alentejo a oportunidade de recuperar um ser humano para a vida em comunidade,
tendo ao longo de uma década recuperado mais de 4 000 pessoas.
Recuperar a capacidade de locomoção e mobilidade de um cidadão que sofreu um
acidente ou um AVC é, desde logo, poupar o Estado – de custos sociais e económicos
altíssimos - mas acima de tudo, é permitir a alguém, muitas das vezes a um agregado
familiar, que a vida continue com o propósito sólido de ser feliz.
Criado em 2006, o Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul evidenciou
sempre possuir uma organização muito dedicada e extremamente profissional,
alcançando tempos médios de recuperação e taxas de sucesso ao nível dos melhores
da Europa que, aliás, se podem testemunhar no grau de satisfação dos seus utentes,
98% em 2016, sendo por isso justo reconhecer o mérito e brio profissionais de todos
os seus colaboradores.
Em 2013, o Tribunal de Contas recusou conceder visto a uma Adenda ao Contrato de
Gestão inicial, tendo em vista a prorrogação da Parceria Público Privada que vinha
gerindo o CMR Sul desde a sua criação.
Sem que tivesse sido preparado em tempo, um novo concurso público, como
recomendaria o Tribunal de Contas, ou encontrada outra solução que preservasse a
autonomia operacional e financeira daquela unidade de saúde, o Governo, à data em
funções, tomou, em novembro de 2013, a decisão de confiar à Administração Regional
de Saúde do Algarve a gestão do CMR Sul.
Infelizmente a ARS Algarve nunca demonstrou possuir a agilidade, nomeadamente do
ponto de vista da contratação de pessoal e a capacidade financeira e flexibilidade
orçamental necessárias, malgrado os esforços efetuados junto do Ministério da Saúde
para o reforço de verbas, que ficaram invariavelmente sem resposta, para acudir às
exigências de um serviço altamente especializado e diferenciado como é o CMR Sul.
Em resultado da falta de pessoal e de resposta financeira da Administração Regional
de Saúde do Algarve em tempo útil e da falta de alternativas do Ministério da Saúde, a
direção do CMR Sul enfrenta a contingência de encerrar em 2014 metade da
capacidade daquela unidade – fechando 27 das 54 camas – por forma a manter os
níveis de qualidade e excelência.
Médicos, sociedade civil, autarcas e muito particularmente o município de São Brás de
Alportel, através do Presidente da Câmara Municipal, denunciaram e alertaram para as
complicações diárias que afetavam e comprometiam o normal e cabal funcionamento
do Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul, exigindo medidas e soluções
que protegessem as populações e a capacidade de resposta do CMR Sul.
Nunca saberemos os custos, pessoais, familiares e comunitários, que o encerramento
de uma das alas do CMR Sul teve, designadamente para os cidadãos do Baixo-Alentejo
e Algarve, mas temos a certeza que o País perdeu com esta (in)decisão do Governo
PSD / CDS-PP que importa agora também reverter.
Neste sentido, confia-se que o anúncio efetuado pela nova Administração Regional de
Saúde do Algarve, da integração do CMR Sul no Centro Hospitalar Universitário do
Algarve, que por ser uma entidade empresarial pública, segue procedimentos de
contratação mais ágeis do que as administrações regionais de saúde, seja uma solução
mais adequada.
Assim, nos termos regimentais e constitucionais aplicáveis, os Deputados abaixo-
assinados apresentam o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do art.º 156º da
Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que defina e
implemente o mais breve possível, um novo modelo de gestão para Centro de
Medicina Física e de Reabilitação do Sul, garantindo a sua autonomia clínica, financeira
e operacional, que pode ser alcançada mediante a sua constituição, como Centro de
Responsabilidade Integrada, enquanto modelo mais ágil e adequado à gestão
empresarial de uma unidade de saúde altamente especializada e diferenciada com a
missão de atender a região do Algarve e o distrito de Beja, por forma a garantir, a
reversão do encerramento de uma das alas do CMR Sul e a correspondente reabertura
da totalidade das 54 camas.
Palácio de São Bento, 13 de abril de 2017,
Os Deputados,
Luís Graça
Maria Antónia Almeida Santos
Luísa Salgueiro
António Eusébio
Jamila Madeira
Eurídice Pereira
António Sales
Marisabel Moutela
Idália Serrão
João Gouveia
Francisco Rocha
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Publicação — DAR II série A — 117-118 — 19/04/2017
19 DE ABRIL DE 2017 117
empresas de trabalho temporário, abrindo concursos para o quadro de pessoal contratado e evitando a
precariedade;
4. Requalifique a estrutura física hospitalar tendo em conta o cumprimento das normas básicas de combate
à infeção hospitalar, com a adequação das áreas de internamento e definição de circuitos de circulação;
5. Preveja a instalação de um número de camas de internamento que sejam, no mínimo iguais ao rácio
camas/1000 habitantes, igual ao que se verifica na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde o mesmo se
insere;
6. Considere a atribuição do investimento necessário à Instalação do Hospital de Dia Oncológico, a fim de
evitar a deslocação dos doentes a outras estruturas hospitalares, de acordo com as boas práticas
internacionais e as recomendações do INFARMED;
7. Reforce as equipas médicas de especialidades, como oftalmologia, urologia, cardiologia, anestesia,
radiologia, ginecologia/obstetrícia e dermatologia, entre outras igualmente carentes;
8. Reforce o conjunto de equipamentos básicos que se encontra atualmente desatualizado e em fim de
vida, bem como a área dos MCDT, de forma a possibilitar a internalização dos mesmos e procurara uma
melhor utilização dos recursos.
Assembleia da República, 13 de abril de 2017.
Os Deputados e as Deputadas do PS: António Sales — João Gouveia — Odete João — José Miguel Medeiros
— Luísa Salgueiro — Maria Antónia de Almeida Santos — Marisabel Moutela — Luís Graça — Domingos Pereira
— Eurídice Pereira — Luís Soares.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 803/XIII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO QUE DEFINA E IMPLEMENTE O MAIS BREVE POSSÍVEL, UM NOVO
MODELO DE GESTÃO PARA CENTRO DE MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO DO SUL,
GARANTINDO A SUA AUTONOMIA CLÍNICA, FINANCEIRA E OPERACIONAL
O Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul assegura para o Algarve e Baixo-Alentejo a
oportunidade de recuperar um ser humano para a vida em comunidade, tendo ao longo de uma década
recuperado mais de 4000 pessoas.
Recuperar a capacidade de locomoção e mobilidade de um cidadão que sofreu um acidente ou um AVC é,
desde logo, poupar o Estado – de custos sociais e económicos altíssimos – mas acima de tudo, é permitir a
alguém, muitas das vezes a um agregado familiar, que a vida continue com o propósito sólido de ser feliz.
Criado em 2006, o Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul evidenciou sempre possuir uma
organização muito dedicada e extremamente profissional, alcançando tempos médios de recuperação e taxas
de sucesso ao nível dos melhores da Europa que, aliás, se podem testemunhar no grau de satisfação dos seus
utentes, 98% em 2016, sendo por isso justo reconhecer o mérito e brio profissionais de todos os seus
colaboradores.
Em 2013, o Tribunal de Contas recusou conceder visto a uma Adenda ao Contrato de Gestão inicial, tendo
em vista a prorrogação da Parceria Público Privada que vinha gerindo o CMR Sul desde a sua criação.
Sem que tivesse sido preparado em tempo, um novo concurso público, como recomendaria o Tribunal de
Contas, ou encontrada outra solução que preservasse a autonomia operacional e financeira daquela unidade
de saúde, o Governo, à data em funções, tomou, em novembro de 2013, a decisão de confiar à Administração
Regional de Saúde do Algarve a gestão do CMR Sul.
Infelizmente a ARS Algarve nunca demonstrou possuir a agilidade, nomeadamente do ponto de vista da
contratação de pessoal e a capacidade financeira e flexibilidade orçamental necessárias, malgrado os esforços
efetuados junto do Ministério da Saúde para o reforço de verbas, que ficaram invariavelmente sem resposta,
para acudir às exigências de um serviço altamente especializado e diferenciado como é o CMR Sul.
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Votação Deliberação — DAR I série — 35-35 — 06/05/2017
6 DE MAIO DE 2017
Vamos proceder à votação, na generalidade, do projeto de lei n.º 511/XIII (2.ª) — Procede à terceira alteração
do Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril (Aprova o regime de autonomia, administração e gestão dos
estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básicos e secundário), alterado pelos Decretos-
Leis n.os 224/2009, de 11 de setembro, e 137/2012, de 2 de julho (PSD) (o texto inicial foi substituído pelo autor).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes, votos a favor
do PSD e abstenções do CDS-PP e do PAN.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 768/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que adote um
modelo de gestão para o Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul que responda às reais
necessidades dos utentes do Serviço Nacional de Saúde servidos por aquela unidade especializada (PSD).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes e votos a favor
do PSD, do CDS-PP e do PAN.
Vamos proceder à votação do projeto de resolução n.º 794/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que
mantenha o Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul na esfera pública, dotando-o de uma ampla
autonomia e com os recursos humanos, técnicos e financeiros necessários ao seu pleno funcionamento (BE).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN, votos
contra do CDS-PP e a abstenção do PSD.
Passamos à votação, agora, do projeto de resolução n.º 803/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que defina
e implemente o mais breve possível um novo modelo de gestão para Centro de Medicina Física e de Reabilitação
do Sul, garantindo a sua autonomia clínica, financeira e operacional (PS).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 815/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que garanta a gestão pública
do Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul, dotando-o de meios humanos, materiais e financeiros
adequados à prestação de cuidados de saúde de elevada qualidade (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN, votos
contra do CDS-PP e a abstenção do PSD.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 745/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que assegure o acesso dos
reformados da indústria de lanifícios ao direito à comparticipação dos medicamentos (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do PCP, de Os Verdes, do PAN e de
2 Deputados do PS (Eurico Brilhante Dias e Hortense Martins) e abstenções do CDS-PP e do PS.
Vamos proceder à votação do projeto de resolução n.º 585/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo a urgente
requalificação da Fortaleza de Santa Catarina, Praia da Rocha (BE).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes e
do PAN e a abstenção do PSD.
O Sr. António Eusébio (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
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