PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 790/XIII/2.ª
Recuperação, requalificação e valorização do Forte de Peniche
O Forte de Peniche é um importante monumento visitado por mais de 100.000
pessoas por ano, um património histórico único e insubstituível. Deve ser encarado
pelo poder político não só como o mais importante monumento do concelho de
Peniche, mas também como um dos mais importantes monumentos nacionais,
estratégico para a preservação da memória histórica sobre a ditadura fascista, a
resistência antifascista e a luta pela liberdade e a democracia, e para transmissão às
gerações futuras desse património de conhecimento histórico, bem como dos valores
de Abril.
Pela sua carga histórica, simbólica, museológica, emocional, política e patrimonial, a
Fortaleza de Peniche e todo o seu conjunto edificado - incluindo os edifícios
respeitantes à prisão política de alta segurança do regime fascista - deve ser
considerada como um todo indivisível, inseparável da sua função histórica, educacional
e pedagógica, à qual se devem subordinar quaisquer utilizações, atividades e
intervenções naquele espaço.
Ao longo das mais de quatro décadas de liberdade e democracia, o Estado português
não procedeu aos investimentos necessários que dessem resposta cabal à justa
aspiração da recuperação, requalificação e valorização da Fortaleza de Peniche, sendo
de valorizar os esforços que a Autarquia de Peniche desenvolveu, apesar dos meios
muito limitados, para preservar aquele espaço e ali instalar um núcleo museológico.
Acresce que, mais de 40 anos passados sobre o 25 de Abril, Portugal ainda tem
carência de centros museológicos, culturais, pedagógicos e de investigação, que - para
lá do passo positivo dado com o Museu do Aljube - possam dar uma contribuição mais
alargada para a preservação e transmissão da memória histórica sobre a ditadura
fascista, a luta antifascista e a Revolução do 25 de Abril.
A reflexão sobre o futuro da Fortaleza de Peniche e a reversão da intenção de ali
instalar uma unidade hoteleira é uma importante oportunidade para avançar na
requalificação daquele monumento.
O princípio que deve presidir à recuperação, valorização e requalificação da Fortaleza
de Peniche deve ser o da sua afirmação como testemunho vivo do que foi o flagelo da
repressão nas prisões do regime fascista, mas também da luta pela liberdade e a
democracia, bem como da Revolução de Abril, permitindo ao povo português e,
sobretudo, às novas gerações um contacto direto, pedagogicamente orientado, com
essas realidades.
Simultaneamente, a recuperação e requalificação da Fortaleza de Peniche para esse
fim é, além de uma decisão profundamente respeitadora e defensora dos princípios da
Constituição da República, um ato de justiça, de reconhecimento e de homenagem a
todos os que lutaram e deram o melhor das suas vidas, incluindo a própria vida, pela
liberdade e a democracia.
Este desígnio que aqui é afirmado não deixa de ter em conta a importância de outras
vertentes históricas daquele monumento. Pelo contrário, entende-se que não só é
possível, como recomendável e necessário, articular a função acima enunciada com
outras como a preservação da história da Fortaleza anterior ao Século XX, a afirmação
do património cultural do Concelho de Peniche e a fruição popular de um amplo e
agradável espaço para atividades culturais, institucionais, e de lazer.
O PCP saúda o empenho de muitos democratas na defesa da memória histórica da
resistência ao fascismo e da luta pela liberdade e o contributo de todos quantos de
forma empenhada defendem recuperação, valorização e requalificação da Fortaleza de
Peniche.
Nestes termos, ao abrigo da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do
n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP
propõem que a Assembleia da República adote a seguinte
Resolução
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição
da República, recomendar ao Governo que:
1. O Forte de Peniche seja recuperado, requalificado e valorizado enquanto
património nacional, tendo como parte integrante e fundamental o núcleo
museológico dedicado à denúncia da repressão fascista, à resistência
antifascista e à luta pela liberdade e a democracia.
2. Acautele, igualmente, a dimensão da preservação da história da Fortaleza
anterior ao Século XX, bem como a afirmação do património cultural do
Concelho de Peniche, valorizando a interlocução e a interação com a
comunidade local.
3. Defina e concretize um programa faseado de recuperação, requalificação e
valorização do Forte de Peniche, com recurso a financiamento público.
Assembleia da República, 31 de março de 2017
Os Deputados,
ANA MESQUITA; JOÃO OLIVEIRA; ANTÓNIO FILIPE; PAULA SANTOS; JERÓNIMO DE
SOUSA; BRUNO DIAS; RITA RATO; MIGUEL TIAGO; JORGE MACHADO; ANA VIRGÍNIA
PEREIRA; FRANCISCO LOPES; DIANA FERREIRA; PAULO SÁ
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Publicação — DAR II série A — 14-15 — 05/04/2017
II SÉRIE-A — NÚMERO 90 14
fossem criados mecanismos legais que estimulem campanhas de esterilização e de vacinação. Continua a ser
verdade que ter um animal é uma opção de cada pessoa, não é menos verdade que há implicações de saúde
pública que devem ser assegurados por todos, por a todos dizerem respeito.
A necessária regulamentação da Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto ainda está em falta e é nesse sentido que
apresentamos a presente iniciativa para que a implementação da totalidade da Lei produza os seus efeitos e
tenha eficácia pretendida quanto antes. Ao mesmo tempo, e para efeitos de eventuais melhorias legislativas, é
importante a avaliação das entidades envolvidas sobre os efeitos práticos da aplicação da lei e as dificuldades
sentidas.
Assim, e tendo em consideração o acima exposto, ao abrigo da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e
da alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, os Deputados abaixo assinados
do Grupo Parlamentar do PCP apresentam o seguinte Projeto de
Resolução
Nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, a Assembleia da República resolve pronunciar-se pela
necessidade das seguintes medidas:
1- Nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 27/2018, de 23 de agosto, que aprova medidas para a criação de
uma rede de centros de recolha oficial de animais e estabelece a proibição do abate de animais errantes
como forma de controlo da população, o Governo proceda com caracter de urgência à sua
regulamentação, ouvidas a Associação Nacional de Municípios Portugueses, a Associação Nacional de
Freguesias, a Ordem dos Médicos Veterinários e a Associação nacional de Médicos Veterinários dos
Municípios;
2- Que no prazo de um ano após a regulamentação, o Governo apresente à Assembleia da República um
Relatório de Avaliação sobre o impacto da aplicação da Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto.
Assembleia da República, 31 de março de 2017.
Os Deputados do PCP: Ana Virgínia Pereira — Paula Santos — Diana Ferreira — Ana Mesquita — Miguel
Tiago — Paulo Sá — Bruno Dias — Jorge Machado — Carla Cruz — António Filipe — João Oliveira — Rita
Rato.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 790/XIII (2.ª)
RECUPERAÇÃO, REQUALIFICAÇÃO E VALORIZAÇÃO DO FORTE DE PENICHE
O Forte de Peniche é um importante monumento visitado por mais de 100.000 pessoas por ano, um
património histórico único e insubstituível. Deve ser encarado pelo poder político não só como o mais importante
monumento do concelho de Peniche, mas também como um dos mais importantes monumentos nacionais,
estratégico para a preservação da memória histórica sobre a ditadura fascista, a resistência antifascista e a luta
pela liberdade e a democracia, e para transmissão às gerações futuras desse património de conhecimento
histórico, bem como dos valores de Abril.
Pela sua carga histórica, simbólica, museológica, emocional, política e patrimonial, a Fortaleza de Peniche e
todo o seu conjunto edificado – incluindo os edifícios respeitantes à prisão política de alta segurança do regime
fascista – deve ser considerada como um todo indivisível, inseparável da sua função histórica, educacional e
pedagógica, à qual se devem subordinar quaisquer utilizações, atividades e intervenções naquele espaço.
Ao longo das mais de quatro décadas de liberdade e democracia, o Estado português não procedeu aos
investimentos necessários que dessem resposta cabal à justa aspiração da recuperação, requalificação e
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Apreciação — DAR I série — 49-54 — 06/04/2017
6 DE ABRIL DE 2017
O Sr. António Costa Silva (PSD): — Fizemos pouco, podem dizer! Mas, Srs. Deputados que apoiam este
Governo, digam-nos lá um equipamento que têm para mostrar!
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Queira terminar, Sr. Deputado.
O Sr. António Costa Silva (PSD): — Não têm nada para mostrar no distrito de Évora!
Termino, Sr. Presidente, dizendo que a governação do PSD com o CDS tem muito orgulho naquilo que fez
no Alentejo e tem muito para mostrar.
Os senhores estão há 17 meses a governar e não têm nada para mostrar ao distrito de Évora!
Aplausos do PSD e do Deputado do CDS-PP Filipe Lobo d’Ávila.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Srs. Deputados, vamos entrar no terceiro ponto da nossa ordem
de trabalhos, que consiste na discussão da petição n.º 187/XIII (2.ª) — Proteção do Forte de Peniche da
concessão a privados (José Pedro Correia Soares e outros) e dos projetos de resolução n.os 542/XIII (2.ª) —
Preservação da memória e da história do Forte de Peniche (BE), 785/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo a
preservação, a conservação e a dignificação da Fortaleza de Peniche (PS) e 790/XIII (2.ª) — Recuperação,
requalificação e valorização do Forte de Peniche (PCP).
Para intervir, tem a palavra o Sr. Deputado Jorge Campos, do Bloco de Esquerda.
O Sr. Jorge Campos (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Quero, naturalmente, saudar os
peticionários e, se me permitem, começar por uma nota pessoal
Este Deputado que agora vos fala guarda entre as mais vivas memórias da infância as visitas a um familiar
preso no Forte de Peniche e um dos protagonistas da mais célebre evasão das prisões do fascismo em 1960.
Esse homem conheceu, aliás, todas as prisões políticas do País! Não foi caso único. Bem pelo contrário,
tantas e tantas famílias conheceram situações semelhantes.
O Forte de Peniche tem uma longa história. A construção principiou em meados do século XVI, mas só foi
concluída cerca de um século mais tarde. Ao longo dos anos foi objeto de diversas utilizações: foi uma fortaleza
inexpugnável, mais tarde, uma prisão de alta segurança. Hoje é, indubitavelmente, um símbolo da resistência.
Por isso, é em função dessa marca identitária, sem esquecer o conjunto do histórico adquirido, que, no entender
do Bloco de Esquerda, deve ser equacionado.
A reabilitação urgente de que carece exige o diálogo entre as populações e aquilo que o monumento
representa no processo de consciencialização da importância dos valores patrimoniais, o que, evidentemente,
afasta qualquer tentativa de apagar ou diluir a história a favor de negócios desfasados desse intuito.
Em matéria de reabilitação do património, o Bloco de Esquerda encara diversas possibilidades, todas elas
baseadas no rigor e no respeito pela identidade e a salvaguarda da memória.
Escreveu Bertolt Brecht: «Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são
melhores e há os que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida e esses são
imprescindíveis». Pois é a esses, aos que lutaram, de diferentes quadrantes político-ideológicos, que queremos
fazer justiça.
É nesse sentido que vai o projeto do Bloco de Esquerda de transformar o Forte de Peniche num polo de
múltiplas valências articuladas com a centralidade da memória da resistência.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem a palavra, em nome do Grupo Parlamentar do Partido
Socialista, a Sr.ª Deputada Odete João.
A Sr.ª Odete João (PS): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Em nome do Grupo Parlamentar do
Partido Socialista, saúdo os subscritores desta petição e congratulo-os pela sua participação cívica nesta
iniciativa.
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Votação Deliberação — DAR I série — 46-46 — 08/04/2017
I SÉRIE — NÚMERO 74
O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Sr. Presidente, é para informar que apresentaremos uma declaração de
voto sobre a votação anterior. Não nos pronunciámos oralmente porque já não tínhamos tempo.
O Sr. Presidente: — Como foi o Sr. Deputado Telmo Correia que propôs este método, que, aliás, é um
método positivo, fiquei espantado — é o termo — por ter sido o CDS-PP a propor a discussão deste ponto e
depois não ter ficado com tempo para a discussão do ponto que propôs. Mas são coisas que acontecem a todos.
Vamos agora votar o projeto de resolução n.º 542/XIII (2.ª) — Preservação da memória e da história do Forte
de Peniche (BE).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 785/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo a preservação, a
conservação e a dignificação da Fortaleza de Peniche (PS).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 790/XIII (2.ª) — Recuperação, requalificação e valorização
do Forte de Peniche (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
A Sr.ª Ana Mesquita (PCP): — Sr. Presidente, dá-me licença?
O Sr. Presidente: — Sr.ª Deputada, pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Ana Mesquita (PCP): — É para informar que apresentaremos uma declaração de voto relativamente
às votações dos três últimos projetos de resolução.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
O Sr. Deputado Pedro Pimpão pediu a palavra para o mesmo efeito?
O Sr. Pedro Pimpão (PSD): — Sim, Sr. Presidente, é também para anunciar que apresentaremos uma
declaração de voto sobre a votação destes projetos de resolução.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Vamos agora votar o projeto de resolução n.º 783/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que proceda à criação
de um CAE específico para terapêuticas não convencionais (TNC) (PAN).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do CDS-PP, de Os Verdes e do PAN,
votos contra do PS e abstenções do PCP e do Deputado do PS Ricardo Bexiga.
Vamos votar, na generalidade, o projeto de lei n.o 420/XIII (2.ª) — Terceira alteração ao Decreto-Lei n.º
308/2007, de 3 de setembro - Cria e regula o programa de apoio financeiro Porta 65 - Arrendamento por jovens
(PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Baixa à 11.ª Comissão.
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