PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 780/XIII-2ª
PELA ELIMINAÇÃO DO SOBRECUSTO DO INVESTIMENTO NAS REDES DE ENERGIA E
PELO CONTROLO PÚBLICO DA CENTRAL DE DESPACHO DA REN
Os artigos 262.º e 263.º da Lei n.º 42/2016 de 28 de dezembro – Lei do Orçamento de
Estado para 2017 – obrigando a debate e apreciação parlamentar os investimentos nas
redes de transporte e distribuição de eletricidade e gás natural, se outro mérito não
tivessem, vieram definir um processo que permite evidenciar com meridiana clareza o
absurdo e a monstruosidade económica, social, política e regulatória da REN, e
também da EDP, terem sido privatizadas, e serem hoje empresas privadas.
Este processo põe a nu a necessidade imperativa de uma avaliação e gestão política,
envolvendo dois órgãos de soberania e uma entidade pública reguladora – Governo e
Assembleia da República e ERSE – dos principais investimentos de uma empresa
privada; aliás quase se poderia dizer que, sem a infraestrutura (as redes) que obrigam
a esse investimento, a REN não existia.
Este quadro deixa à evidência que a necessidade deste escrutínio regulatório e político
é consequência desse investimento de uma empresa privada, ir ser pago em última
instância pelos clientes dos sistemas nacionais, elétrico e de abastecimento de gás
natural, através de parcela da sua fatura de energia elétrica e/ou de gás natural.
Em última instância, entrega-se o desenho e a modulação do projeto de investimento
em infraestruturas únicas e estratégicas para o país – sendo que delas depende o
abastecimento de energia elétrica e de gás natural – à lógica e planificação económica,
financeira e técnica de uma empresa privada. O poder público é apenas chamado a
intervir supletivamente sobre um facto consumado – os projetos apresentados pela
REN e pela EDP Distribuição.
Estamos a falar de um investimento cujo volume total de cerca de 2,4 mil milhões de
euros num período de 10 anos – a saber:
Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Transporte de
Eletricidade (PDIRT-E), 1,2 mil milhões de euros
Plano da Rede Nacional de Transporte, Infraestruturas de Armazenamento e
Terminais de Gás Natural Liquefeito – PDIRGN, 400 milhões de euros e
Plano da Rede de Distribuição de Gás Natural (PDIRD GN), 300 milhões de
euros,
[a que se deve acrescentar os anunciados 500 milhões de euros da EDP
Distribuição] …
– cujos custos serão transferidos integralmente para as tarifas dos consumidores.
Tal situação resultou da decisão política de privatização da REN e da EDP Distribuição,
assegurando-se a empresas privadas teoricamente a funcionarem em mercado
proveitos sem risco, isto é uma remuneração do capital fixada administrativamente
pela entidade regulatória, não tendo sequer que assumir qualquer espécie de risco na
realização de possível investimento nas redes, o seu “core business”;
Assim, sujeita-se uma entidade reguladora, dita independente do poder executivo – a
ERSE – à função própria de entidade de consultoria, sendo que a avaliação e decisão
finais será do Governo e Assembleia da República; o que também desmonta o absurdo
da dita independência destas entidades, criadas na esteira das políticas neoliberais de
privatização e liberalização de serviços públicos essenciais.
Torna-se evidente a equação administrativa e política, complexa e contraditória, um
verdadeiro contorcionismo regulatório, entre as empresas (REN e EDP Distribuição),
ERSE, poderes executivo e legislativo (Governo e Assembleia da República) na
avaliação do referido investimento, com as empresas interessadas em maximizar o
investimento e os poderes públicos tentando limitar esse investimento sem
simultaneamente pôr em causa a segurança e o desenvolvimento necessário da rede,
assegurando que os custos a transferir para a fatura energética sejam tão baixos
quanto possível.
Acresce que a REN desempenha ainda a função eminentemente pública e estratégica
de central de despacho da carga elétrica na rede de transporte – gestão do acesso e
transporte da energia elétrica a partir dos centros produtores, a circular na rede de
transporte.
É uma evidência que a única solução satisfatória para a equação e a recuperação para
a esfera pública da função da central de despacho da REN é o controlo público integral
da REN e da EDP Distribuição. Isto é a recuperação da titularidade pública destas
empresas. E é este objetivo que o PCP há muito coloca na agenda política.
Assim, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do n.º 1
do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP propõem que
a Assembleia da República adote a seguinte
Resolução
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do art.º 156.º da
Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo:
1. O urgente estudo da integração nos custos operacionais da REN e da EDP
Distribuição dos sobrecustos determinados pelos investimentos nas redes, de
forma a eliminá-los como componentes das faturas da energia elétrica e do gás
natural e garantindo simultaneamente que se realizam os investimentos
necessários à manutenção e desenvolvimento das infraestruturas das redes de
energia elétrica e de gás natural;
2. O estudo do processo técnico e legislativo para a recuperação da função
eminentemente pública da Central de Despacho da REN para uma entidade
pública.
Assembleia da República, 30 de março de 2017
Os Deputados,
BRUNO DIAS; JOÃO RAMOS; ANTÓNIO FILIPE; FRANCISCO LOPES; ANA VIRGÍNIA
PEREIRA; DIANA FERREIRA; JORGE MACHADO
---
Publicação — DAR II série A — 40-41 — 04/04/2017
II SÉRIE-A — NÚMERO 89 40
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 780/XIII (2.ª)
PELA ELIMINAÇÃO DO SOBRECUSTO DO INVESTIMENTO NAS REDES DE ENERGIA E PELO
CONTROLO PÚBLICO DA CENTRAL DE DESPACHO DA REN
Os artigos 262.º e 263.º da Lei n.º 42/2016 de 28 de dezembro – Lei do Orçamento do Estado para 2017 –
obrigando a debate e apreciação parlamentar os investimentos nas redes de transporte e distribuição de
eletricidade e gás natural, se outro mérito não tivessem, vieram definir um processo que permite evidenciar com
meridiana clareza o absurdo e a monstruosidade económica, social, política e regulatória da REN, e também da
EDP, terem sido privatizadas, e serem hoje empresas privadas.
Este processo põe a nu a necessidade imperativa de uma avaliação e gestão política, envolvendo dois órgãos
de soberania e uma entidade pública reguladora – Governo e Assembleia da República e ERSE – dos principais
investimentos de uma empresa privada; aliás quase se poderia dizer que, sem a infraestrutura (as redes) que
obrigam a esse investimento, a REN não existia.
Este quadro deixa à evidência que a necessidade deste escrutínio regulatório e político é consequência desse
investimento de uma empresa privada, ir ser pago em última instância pelos clientes dos sistemas nacionais,
elétrico e de abastecimento de gás natural, através de parcela da sua fatura de energia elétrica e/ou de gás
natural.
Em última instância, entrega-se o desenho e a modulação do projeto de investimento em infraestruturas
únicas e estratégicas para o país – sendo que delas depende o abastecimento de energia elétrica e de gás
natural – à lógica e planificação económica, financeira e técnica de uma empresa privada. O poder público é
apenas chamado a intervir supletivamente sobre um facto consumado – os projetos apresentados pela REN e
pela EDP Distribuição.
Estamos a falar de um investimento cujo volume total de cerca de 2,4 mil milhões de euros num período de
10 anos – a saber:
Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Transporte de Eletricidade (PDIRT-E), 1,2 mil
milhões de euros
Plano da Rede Nacional de Transporte, Infraestruturas de Armazenamento e Terminais de Gás Natural
Liquefeito – PDIRGN, 400 milhões de euros e
Plano da Rede de Distribuição de Gás Natural (PDIRD GN), 300 milhões de euros,
[a que se deve acrescentar os anunciados 500 milhões de euros da EDP Distribuição] …
– cujos custos serão transferidos integralmente para as tarifas dos consumidores.
Tal situação resultou da decisão política de privatização da REN e da EDP Distribuição, assegurando-se a
empresas privadas teoricamente a funcionarem em mercado proveitos sem risco, isto é uma remuneração do
capital fixada administrativamente pela entidade regulatória, não tendo sequer que assumir qualquer espécie de
risco na realização de possível investimento nas redes, o seu “core business”;
Assim, sujeita-se uma entidade reguladora, dita independente do poder executivo – a ERSE – à função
própria de entidade de consultoria, sendo que a avaliação e decisão finais será do Governo e Assembleia da
República; o que também desmonta o absurdo da dita independência destas entidades, criadas na esteira das
políticas neoliberais de privatização e liberalização de serviços públicos essenciais.
Torna-se evidente a equação administrativa e política, complexa e contraditória, um verdadeiro
contorcionismo regulatório, entre as empresas (REN e EDP Distribuição), ERSE, poderes executivo e legislativo
(Governo e Assembleia da República) na avaliação do referido investimento, com as empresas interessadas em
maximizar o investimento e os poderes públicos tentando limitar esse investimento sem simultaneamente pôr
em causa a segurança e o desenvolvimento necessário da rede, assegurando que os custos a transferir para a
fatura energética sejam tão baixos quanto possível.
Acresce que a REN desempenha ainda a função eminentemente pública e estratégica de central de
despacho da carga elétrica na rede de transporte – gestão do acesso e transporte da energia elétrica a partir
dos centros produtores, a circular na rede de transporte.
É uma evidência que a única solução satisfatória para a equação e a recuperação para a esfera pública da
função da central de despacho da REN é o controlo público integral da REN e da EDP Distribuição. Isto é a
---
Apreciação — DAR I série — 53-59 — 14/06/2017
14 DE JUNHO DE 2017
A Sr.ª Deputada diz que não há um problema. Fale com as associações representativas de quem reside entre
nós e descubra se existe ou não um problema,…
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — … se as pessoas são ou não privadas dos seus direitos. A questão é
se, efetivamente, temos direito a ter cidadãos de primeira e de segunda ou se essa é uma linha do passado que
não queremos ter mais na nossa Lei da Nacionalidade.
Aplauso do PS e do PAN.
O Sr. Presidente: — Vamos passar ao quinto ponto da agenda de trabalho, relativo à discussão, na
generalidade, dos projetos de lei n.os 477/XIII (2.ª) — Aprova o controlo público da atividade de gestão técnica
do Sistema Elétrico Nacional mediante a sua separação da atividade de exploração da rede nacional de
eletricidade (BE), 482/XIII (2.ª) — Consagra a livre opção dos consumidores domésticos de eletricidade pelo
regime de tarifas reguladas, procedendo à segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 75/2012, de 26 de janeiro (PCP)
e 545/XIII (2.ª) — Determina a eliminação dos custos para a manutenção do equilíbrio contratual (CMEC) e dos
contratos de aquisição de energia (CAE) com a EDP e outras empresas do setor electroprodutor (PCP)
juntamente com os projetos de resolução n.os 780/XIII (2.ª) — Pela eliminação do sobrecusto do investimento
nas redes de energia e pelo controlo público da Central de Despacho da REN (PCP), 925/XIII (2.ª) —
Recomenda a eliminação das rendas excessivas nos chamados custos de manutenção do equilíbrio contratual
(BE) e 926/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que o montante que vier a ser determinado no ajustamento final
dos custos para manutenção do equilíbrio contratual reverta para abatimento às tarifas de eletricidade do ano
2018 e seguintes (PS).
Para apresentar as iniciativas do Bloco de Esquerda, tem a palavra o Sr. Deputado Jorge Costa.
O Sr. Jorge Duarte Costa (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O Bloco de Esquerda tomou a
iniciativa de agendar para o dia de hoje este debate em torno de um projeto, que é o da recuperação do controlo
público do planeamento da rede e da gestão global do sistema elétrico.
Quando foi apresentado, este projeto foi atacado pela REN por, supostamente, se tratar de uma
renacionalização da empresa. Está errado. Não é que não seja essa uma ideia do Bloco de Esquerda, não é
que a recuperação para a esfera pública das redes de transporte de energia não esteja na ordem do dia na
Europa, como ainda recentemente, na campanha para as eleições inglesas, ficou à vista na proposta do Partido
Trabalhista.
Mas não é disso que hoje vamos tratar. Tratamos, sim, de recuperar uma política de transparência para o
transporte da energia.
Precisamos de transparência quando temos um gestor de rede, a REN, que deveria ser independente e
idónea e está nas mãos do mesmo acionista, a República Popular da China, que é dona do principal vendedor
de energia: a EDP.
Precisamos de transparência quando quem propõe o plano de investimentos, a REN, é depois remunerada
em percentagem desses mesmos investimentos e o resultado é que há anos que não é aprovado um único
plano de investimentos na rede.
Precisamos de transparência ainda, porque esta gestão será cada vez mais crítica com os avanços na
produção descentralizada e intermitente de energia.
Portanto, propomos que estas funções passem a ser separadas da REN privada e entregues a um operador
de sistema independente e na esfera pública.
Um segundo agendamento que, oportunamente, tanto o Bloco de Esquerda como o Partido Socialista e o
PCP aproveitaram para fazer diz respeito às rendas excessivas na energia, um debate que se reabriu, e em boa
hora, na sociedade portuguesa.
Nesta intervenção, não terei tempo para regressar às origens destas rendas excessivas, aos avisos e às
recomendações que, sucessivamente, foram feitos aos Governos, às medidas que este ou aquele Governo
tomou ou deixou de tomar. Não teremos tempo para fazer esse historial, porque hoje a hora é a de fazer um
Abrir texto oficial