PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução nº 652/XIII/2ª
Recomenda ao Governo a tomada de medidas urgentes e integradas de despoluição
do Rio Vizela
O Rio Vizela é um dos mais importantes afluentes do Rio Ave. É um curso de água de
cerca de 40km, que nasce no alto de Morgaír, entre as freguesias de Aboim e Gontim,
do concelho de Fafe, passa perto de Jugueiros, Felgueiras, e vai desaguar na margem
esquerda do Rio Ave, perto de S. Miguel das Aves em Santo Tirso, no Distrito do Porto.
O Rio Vizela, aliás, como a bacia hidrográfica do Ave, teve um papel de relevo na
implantação de diversas indústrias, designadamente a têxtil nas margens do rio. Esta
importância deve-se em grande parte à facilidade de acederem aos recursos hídricos
para a produção de energia e abastecimento de água para alimentar as diversas fases
do processo produtivo.
As afirmações acima são subscritas pelo trabalho académico desenvolvido por Diana
Vanessa Ferreira, em 2014. Segundo a autora, o rio Vizela, começa o seu percurso a
uma quota superior a 700 metros de altitude, caracterizando-se pela existência de
quedas de água e pela localização de diversas estruturas industriais, quer nas suas
margens, quer nas margens dos seus principais afluentes (os rios Ferro e Bugio), que
utilizaram a sua água como força motriz.
Se é verdade que o rio constituiu um elemento central para o florescimento da
indústria, também, é verdade que o crescimento das indústrias e, sobretudo o não
acatamento e respeito pelas normas de tratamento de águas residuais industriais
levou a que houvesse poluição do Rio Vizela.
Para além da questão económica, o Rio Vizela foi no passado, e espera-se que volte a
ser num futuro próximo, fonte de fruição e motivo de atração quer da população
residente, quer dos visitantes. Esta exigência torna-se ainda mais premente pelo facto
do Rio Vizela atravessar o centro da cidade a que deu nome, nomeadamente o Parque
das Termas.
Ao longo dos anos, em virtude, quer da diminuição significativa de empresas por via de
encerramentos, quer por ter havido uma maior atenção e preocupação com as
questões ambientais, que obrigaram as empresas a fazer o tratamento dos resíduos
industriais, tem havido um decréscimo na poluição do Rio Vizela. No entanto, são
recorrentes as descargas poluentes neste rio.
Há vários anos que a população, os moradores, as associações e outras forças vivas do
concelho de Vizela e de Fafe têm apresentado preocupações com a qualidade da água,
sendo recorrentes queixas e denúncias sobre descargas poluentes no Rio Vizela.
As queixas dos residentes nos concelhos de Vizela e Fafe são bastante antigas. Queixas
que tiveram eco na ação e intervenção do PCP. Desde 2006 que o PCP acompanha esta
problemática e tem feito intervenção dirigindo várias questões aos sucessivos
Governos.
Para não ser exaustivo, registamos apenas as realizadas na anterior e atual legislatura,
ou seja, na XII e XIII legislatura.
Na resposta enviada pelo Gabinete do Ministério do Ambiente de abril de 2016, é
afirmado que “no âmbito do 2º ciclo de planeamento (2016-2021), o alto e o médio
Vizela registaram ambos uma classificação final de Bom Estado, enquanto o baixo
Vizela, onde se concentram as maiores pressões- um maior número de indústrias,
ETAR e agregados populacionais, obteve uma classificação final de Medíocre. Esta
classificação deveu-se ao elemento biológico: macroinvertebrados bentónicos, e
reflete o impacto de todas as pressões existentes na zona. De igual modo, o estado
químico desta massa de água também revela uma classificação inferior a Bom
(razoável), o que pode contribuir para o estado ecológico Medíocre anteriormente
mencionado”.
Das diversas respostas recebidas todas têm um traço em comum, ou seja, a referência
que os organismos competentes têm acompanhado e fiscalizado os “potenciais focos
de poluição das águas do Rio Vizela” e exigido “o cumprimento da legislação em vigor
e fazer aplicar as disposições legais em matéria contraordenacional”.
No entanto, é do conhecimento público que as descargas poluentes para o Rio Vizela
são “uma constante”.
É pois, tempo de tomar medidas para defender o Rio, as populações e as atividades
económicas ligadas ao rio, designadamente o turismo.
O PCP entende que a intervenção no Rio Vizela deve ser abrangente e não apenas
circunscrever-se ao troço que passa pelos concelhos de Fafe, Vizela e Santo Tirso, mas
deve contemplar e integrar intervenções no Rio Ave de forma a contribuir para a
reabilitação desta importante Bacia Hidrográfica que se encontra sobre a ameaça da
poluição causada pela indústria, pela agropecuária e pela falta de infraestruturas
relacionadas com o saneamento básico.
Nestes termos, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b)
do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP
propõem que a Assembleia da República adote a seguinte
Resolução
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da
Constituição, recomendar ao Governo que:
1. Sejam adotadas medidas urgentes no sentido de identificar as fontes de
poluição do Rio Vizela e a aplicação de medidas corretivas para que as
entidades poluidoras cumpram a lei.
2. Sejam realizadas ações de monitorização ambiental de toda a área envolvente
do Rio Vizela, no sentido de minimizar as descargas.
3. Se proceda à calendarização urgente das medidas necessárias para a
despoluição e recuperação ambiental da Bacia Hidrográfica do Ave.
Assembleia da República, 9 de fevereiro de 2017
Os Deputados,
CARLA CRUZ; ANA VIRGÍNIA PEREIRA; ANA MESQUITA; PAULO SÁ; JOÃO RAMOS;
MIGUEL TIAGO; RITA RATO; ANTÓNIO FILIPE; DIANA FERREIRA; FRANCISCO LOPES
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Publicação — DAR II série A — 22-23 — 09/02/2017
II SÉRIE-A — NÚMERO 67 22
de 5 de julho, transpondo as Diretivas 2014/85/UE da Comissão, de 1 de julho, e 2015/653/UE da Comissão, de
24 de abril, que alteram os anexos I, II e III da Diretiva 2006/126/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de
20 de dezembro, relativa à carta de condução"
Petições
Não foram encontradas petições pendentes sobre esta matéria.
V. Consultas e contributos
Atenta a matéria em causa poderão ser consultadas as associações de deficientes.
VI. Apreciação das consequências da aprovação e dos previsíveis encargos com a sua aplicação
Em face da informação disponível, não é possível determinar ou quantificar eventuais encargos resultantes
da sua aplicação.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 652/XIII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO A TOMADA DE MEDIDAS URGENTES E INTEGRADAS DE
DESPOLUIÇÃO DO RIO VIZELA
O rio Vizela é um dos mais importantes afluentes do rio Ave. É um curso de água de cerca de 40km, que
nasce no alto de Morgaír, entre as freguesias de Aboim e Gontim, do concelho de Fafe, passa perto de Jugueiros,
Felgueiras, e vai desaguar na margem esquerda do rio Ave, perto de S. Miguel das Aves em Santo Tirso, no
Distrito do Porto.
O rio Vizela, aliás, como a bacia hidrográfica do Ave, teve um papel de relevo na implantação de diversas
indústrias, designadamente a têxtil nas margens do rio. Esta importância deve-se em grande parte à facilidade
de acederem aos recursos hídricos para a produção de energia e abastecimento de água para alimentar as
diversas fases do processo produtivo.
As afirmações acima são subscritas pelo trabalho académico desenvolvido por Diana Vanessa Ferreira, em
2014. Segundo a autora, o rio Vizela, começa o seu percurso a uma quota superior a 700 metros de altitude,
caracterizando-se pela existência de quedas de água e pela localização de diversas estruturas industriais, quer
nas suas margens, quer nas margens dos seus principais afluentes (os rios Ferro e Bugio), que utilizaram a sua
água como força motriz.
Se é verdade que o rio constituiu um elemento central para o florescimento da indústria, também, é verdade
que o crescimento das indústrias e, sobretudo o não acatamento e respeito pelas normas de tratamento de
águas residuais industriais levou a que houvesse poluição do rio Vizela.
Para além da questão económica, o rio Vizela foi no passado, e espera-se que volte a ser num futuro próximo,
fonte de fruição e motivo de atração quer da população residente, quer dos visitantes. Esta exigência torna-se
ainda mais premente pelo facto do rio Vizela atravessar o centro da cidade a que deu nome, nomeadamente o
Parque das Termas.
Ao longo dos anos, em virtude, quer da diminuição significativa de empresas por via de encerramentos, quer
por ter havido uma maior atenção e preocupação com as questões ambientais, que obrigaram as empresas a
fazer o tratamento dos resíduos industriais, tem havido um decréscimo na poluição do rio Vizela. No entanto,
são recorrentes as descargas poluentes neste rio.
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Apreciação — DAR I série — 44-48 — 16/02/2017
I SÉRIE — NÚMERO 51
Aplausos do CDS-PP.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem a palavra, para uma intervenção, a Sr.ª Deputada Heloísa
Apolónia, de Os Verdes.
A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Em nome do Grupo
Parlamentar de Os Verdes, quero também saudar os peticionários que fizeram a entrega desta petição à
Assembleia da República e que, hoje, suscitam aqui o debate que está a acontecer neste preciso momento.
Quero clarificar a posição de Os Verdes sobre aquilo que prevê esta petição, dizendo que não nos revemos
no seu objetivo, o que não será, evidentemente, novidade para ninguém.
Também não entendemos que seja este o momento para repetir o debate do processo legislativo que
ocorreu. Na altura, a posição e os argumentos de Os Verdes foram invocados e o processo legislativo chegou
ao seu final.
Queria dizer também que consideramos que a nossa posição foi de profundíssimo respeito pelas mulheres
que, por impossibilidade física, não podem engravidar mas às quais não pode ser negado o direito de
maternidade, e também, Sr.as e Srs. Deputados, que Os Verdes têm invocado, por inúmeras vezes, porque é
isso que nos guia também, o superior interesse da criança. Ora, o superior interesse da criança está acautelado
quando acautelamos que uma criança nasce ou é criada numa família que a deseja e que a ama. Isso, sim, é
garantir o superior interesse da criança e os seus direitos.
Sr.as e Srs. Deputados, há um argumento na petição que não podemos aceitar. Primeiro, queria dizer que a
Assembleia da República é soberana para legislar sobre esta matéria, como sobre muitas outras, e, depois, que
o facto de, por exemplo, o manifesto de Os Verdes não contemplar, nas últimas eleições, especificamente, a
palavra de garantia da gestação de substituição não significa que se desconheça a posição de Os Verdes.
Sr.as e Srs. Deputados, e, neste caso, Srs. Peticionários, em particular, a questão foi discutida muitas vezes
na Assembleia da República, em diversos debates que se fizeram a propósito da procriação medicamente
assistida e a posição de Os Verdes em defesa da gestação de substituição foi afirmada e reafirmada aqui, no
Parlamento e fora dele, inúmeras vezes.
Portanto, não se pode invocar o desconhecimento do posicionamento dos diferentes grupos parlamentares
e dos respetivos partidos sobre esta matéria.
Nesse sentido e com a coerência que é conhecida a Os Verdes sobre esta matéria, e muitas outras,
evidentemente, concluo dizendo que Os Verdes que não se reveem, de facto, no objetivo desta petição.
Aplausos de Os Verdes e de Deputados do PCP.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Srs. Deputados, concluído que está concluído este ponto da
ordem de trabalhos, passamos à discussão conjunta da petição n.º 154/XIII (1.ª) — Salvar o rio Vizela (Liga dos
Amigos das Termas de Vizela) e dos projetos de resolução n.os 652/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo a
tomada de medidas urgentes e integradas de despoluição do rio Vizela (PCP), 653/XIII (2.ª) — Recomenda ao
Governo que, de forma concertada com as entidades competentes, proceda a um conjunto de ações tendentes
à despoluição do rio Vizela (PSD), 661/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que efetue uma investigação urgente
aos incidentes de poluição que se verificam no rio Vizela, identificando as causas e os responsáveis, com vista
ao apuramento das responsabilidades contraordenacionais e criminais, e que elabore, em articulação com os
municípios e as entidades envolvidas, um plano de vigilância, prevenção, controlo e mitigação para,
definitivamente, proceder à despoluição do rio Vizela e recuperação de toda a zona envolvente (CDS-PP),
662/XIII (2.ª) — Despoluição do rio Vizela com o envolvimento dos municípios (Os Verdes) e 663/XIII (2.ª) —
Recomenda medidas urgentes para a despoluição do rio Vizela (BE).
Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Carla Cruz, do PCP.
A Sr.ª Carla Cruz (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Começo a intervenção do PCP com um
cumprimento muito especial ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Vizela, a todas as associações que
dinamizaram esta petição, à Liga dos Amigos das Termas de Vizela, à Associação de Mergulho e Atividades
Subaquáticas de Vizela, ao Clube Turístico e Desportivo de Vizela, à Associação de Amigos do Ambiente de
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Votação Deliberação — DAR I série — 42-42 — 18/02/2017
I SÉRIE — NÚMERO 53
Uma guerra de agressão que tem vindo a ser sustentada por uma ampla campanha de desinformação e
operações de manipulação da opinião pública que, em diversos casos, constituem autêntica propaganda de
guerra.
A exigência que está colocada a todos os que defendem os direitos do povo sírio e a paz é a corajosa
denúncia das campanhas que suportam as ações levadas a cabo pelos grupos armados e pelos países que
apoiam a agressão contra a Síria e o povo sírio e não a vergonhosa associação ou a conivência com estas.
A Assembleia da República, reunida em sessão plenária:
Condena a guerra de agressão contra a Síria e o seu povo, apoia os esforços para a paz, reclama o respeito
pelos direitos humanos, de todos os direitos do povo sírio, da soberania, independência e integridade territorial
da República Árabe Síria, no cumprimento dos princípios da Carta das Nações Unidas.
O Sr. Presidente: — Sr. Deputado Vitalino Canas, pediu a palavra para que efeito?
O Sr. Vitalino Canas (PS): — Sr. Presidente, é para anunciar que apresentarei declarações de voto sobre
as votações dos votos n.os 223 e 224/XIII (2.ª).
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 646/XIII (2.ª) — Deslocação do Presidente da República à
Bélgica (Presidente da AR).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 652/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo a tomada de medidas
urgentes e integradas de despoluição do rio Vizela (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar, em conjunto, os projetos de resolução n.os 653/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que, de
forma concertada com as entidades competentes, proceda a um conjunto de ações tendentes à despoluição do
rio Vizela (PSD), 661/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que efetue uma investigação urgente aos incidentes
de poluição que se verificam no rio Vizela, identificando as causas e os responsáveis, com vista ao apuramento
das responsabilidades contraordenacionais e criminais, e que elabore, em articulação com os municípios e
entidades envolvidas, um Plano de Vigilância, Prevenção, Controlo e Mitigação, para, definitivamente, proceder
à despoluição do rio Vizela e recuperação de toda a zona envolvente (CDS-PP), 662/XIII (2.ª) — Despoluição
do rio Vizela com o envolvimento dos municípios (Os Verdes) e 663/XIII (2.ª) — Recomenda medidas urgentes
para a despoluição do rio Vizela (BE).
Submetidos à votação, foram aprovados por unanimidade.
Passamos à votação, na generalidade, da proposta de lei n.º 45/XIII (2.ª) — Aprova medidas para aplicação
uniforme e execução prática do direito de livre circulação dos trabalhadores, transpondo a Diretiva 2014/54/EU.
Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.
Este diploma baixa à 10.ª Comissão.
Vamos votar, na generalidade, a proposta de lei n.º 54/XIII (2.ª) — Facilita o reconhecimento das qualificações
profissionais e diminui constrangimentos à livre circulação de pessoas e transpõe a Diretiva 2013/55/EU.
Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.
Este diploma baixa à 10.ª Comissão.
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