PROJETO de RESOLUÇÃO N.º 566/XIII/2.ª
Recomenda ao Governo um diálogo sério com os parceiros sociais no sentido de
alcançar um acordo de concertação social de médio prazo sobre o Crescimento,
Competitividade e Emprego que inclua a atualização do Salário Mínimo Nacional
Exposição de Motivos
Desde a sua instituição em Portugal, o Salário Mínimo Nacional tem representado
um importante instrumento para combater a pobreza e garantir a paz e a coesão
social.
Nos termos da CRP, o estabelecimento e a atualização do Salário Mínimo Nacional
tem em conta, entre outros fatores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento
do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências
da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento.
Ao longo dos anos, a legislação e a ação dos governos procuraram responder a
este imperativo constitucional atribuindo ponderações diferentes aos diversos
fatores em função da evolução do quadro económico e social. Procurou-se também,
desde muito cedo, inserir a atualização do Salário Mínimo na articulação de uma
política de rendimentos, nomeadamente por intermédio da consulta aos Parceiros
Sociais.
Por essa razão, desde há muito que a lei refere ainda que a fixação deste valor de
atualização deve ser encontrado ouvida a Comissão Permanente da Concertação
Social. Apesar de isto não significar a obrigação de alcançar um acordo prévio,
aponta claramente uma via de concertação como instrumento preferencial na
atualização do salário mínimo.
Porém, com o atual Governo assistimos a uma inversão de princípio e de
paradigma.
Desde logo, o Governo não tem mostrado grande respeito pela Concertação Social.
De facto, em 2015 o Governo confrontou os parceiros sociais com uma decisão já
tomada à partida. Em 2016 prepara-se para repetir a mesma abordagem, que se
traduz num método que substitui a concertação entre parceiros sociais pela
concertação entre os partidos que compõem a maioria do Governo. Deste modo,
substitui-se a concertação social pela concertação parlamentar, passando a
atualização do salário mínimo nacional a ser uma função da satisfação de
necessidades partidárias da coligação e não dos fatores ligados à política de
rendimentos ou à evolução do quadro económico e social.
É, por isso, muito importante que se possa regressar rapidamente ao paradigma e
ao princípio que, desde cedo, marcaram a política de fixação do Salário Mínimo
Nacional, recentrando-a na sua sede por excelência, que é o Conselho Permanente
de Concertação Social, e reinserindo-a numa agenda económica e social de médio
prazo que deve ser construída preferencialmente com os Parceiros Sociais.
Este objetivo é tanto mais relevante quanto existem circunstâncias nacionais e de
envolvente externa que reforçam a importância de alcançar um acordo de médio
prazo que mobilize as forças sociais e económicas do Pais.
Em primeiro lugar, deve-se ter presente que a economia portuguesa, em
recuperação desde 2014, precisa de intensificar o seu ritmo de crescimento e de
convergência com as economias da zona Euro. Tal propósito depende claramente
do nível de confiança entre os agentes económicos. Mas depende também da
capacidade para atrair mais e melhor investimento, bem como da oportunidade para
disputar mais intensamente os mercados externos. Um tal quadro de crescimento e
competitividade reforça-se apostando num clima de estabilidade e numa agenda
reformista, para cuja execução é extraordinariamente importante o compromisso de
médio prazo entre os Parceiros Sociais.
Em segundo lugar, as oportunidades no quadro externo que têm estado associadas
ao regime de baixas taxas de juro e baixo preço do petróleo, e que têm ajudado a
promover a procura interna e as exportações, enfrentam crescentemente
perspetivas menos favoráveis. Num tempo de maior incerteza, associado a
perspetivas de crescimento global mais moderado e de menor expansão do
comércio internacional, os desafios que se colocam à economia portuguesa
reforçam a necessidade de intensificar a agenda reformista que nos prepare melhor
para este novo ciclo que se avizinha.
Por todas estas razões, um acordo de médio prazo sobre matérias como
Crescimento, Competitividade e Emprego, permitirá reforçar as condições de
confiança no País e adotar as medidas mais adequadas à promoção de um
desenvolvimento sustentado e à construção de uma maior paz social.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os
Deputados abaixo assinados do Partido Social Democrata propõem que a
Assembleia da República recomende ao Governo que encete um diálogo sério e
rigoroso com os Parceiros Sociais, visando a celebração de um acordo de médio
prazo centrado nas estratégias de crescimento, competitividade e emprego, e que
inclua a atualização do Salário Mínimo Nacional num contexto alargado de uma
política de rendimentos e de uma política de combate às desigualdades e à pobreza
que assegure e promova a paz social e o desenvolvimento.
Palácio de S. Bento, 6 de dezembro de 2016
Os Deputados do Grupo Parlamentar do PSD,
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Publicação — DAR II série A — 2-3 — 13/12/2016
II SÉRIE-A — NÚMERO 40 2
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 566/XIII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO UM DIÁLOGO SÉRIO COM OS PARCEIROS SOCIAIS NO SENTIDO DE
ALCANÇAR UM ACORDO DE CONCERTAÇÃO SOCIAL DE MÉDIO PRAZO SOBRE O CRESCIMENTO,
COMPETITIVIDADE E EMPREGO QUE INCLUA A ATUALIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL
Exposição de Motivos
Desde a sua instituição em Portugal, o salário mínimo nacional tem representado um importante instrumento
para combater a pobreza e garantir a paz e a coesão social.
Nos termos da CRP, o estabelecimento e a atualização do salário mínimo nacional tem em conta, entre
outros fatores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das
forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o
desenvolvimento.
Ao longo dos anos, a legislação e a ação dos governos procuraram responder a este imperativo constitucional
atribuindo ponderações diferentes aos diversos fatores em função da evolução do quadro económico e social.
Procurou-se também, desde muito cedo, inserir a atualização do salário mínimo na articulação de uma política
de rendimentos, nomeadamente por intermédio da consulta aos parceiros sociais.
Por essa razão, desde há muito que a lei refere ainda que a fixação deste valor de atualização deve ser
encontrado ouvida a Comissão Permanente da Concertação Social. Apesar de isto não significar a obrigação
de alcançar um acordo prévio, aponta claramente uma via de concertação como instrumento preferencial na
atualização do salário mínimo.
Porém, com o atual Governo assistimos a uma inversão de princípio e de paradigma.
Desde logo, o Governo não tem mostrado grande respeito pela Concertação Social. De facto, em 2015 o
Governo confrontou os parceiros sociais com uma decisão já tomada à partida. Em 2016 prepara-se para repetir
a mesma abordagem, que se traduz num método que substitui a concertação entre parceiros sociais pela
concertação entre os partidos que compõem a maioria do Governo. Deste modo, substitui-se a concertação
social pela concertação parlamentar, passando a atualização do salário mínimo nacional a ser uma função da
satisfação de necessidades partidárias da coligação e não dos fatores ligados à política de rendimentos ou à
evolução do quadro económico e social.
É, por isso, muito importante que se possa regressar rapidamente ao paradigma e ao princípio que, desde
cedo, marcaram a política de fixação do salário mínimo nacional, recentrando-a na sua sede por excelência, que
é o Conselho Permanente de Concertação Social, e reinserindo-a numa agenda económica e social de médio
prazo que deve ser construída preferencialmente com os parceiros sociais.
Este objetivo é tanto mais relevante quanto existem circunstâncias nacionais e de envolvente externa que
reforçam a importância de alcançar um acordo de médio prazo que mobilize as forças sociais e económicas do
Pais.
Em primeiro lugar, deve-se ter presente que a economia portuguesa, em recuperação desde 2014, precisa
de intensificar o seu ritmo de crescimento e de convergência com as economias da zona Euro. Tal propósito
depende claramente do nível de confiança entre os agentes económicos. Mas depende também da capacidade
para atrair mais e melhor investimento, bem como da oportunidade para disputar mais intensamente os
mercados externos. Um tal quadro de crescimento e competitividade reforça-se apostando num clima de
estabilidade e numa agenda reformista, para cuja execução é extraordinariamente importante o compromisso
de médio prazo entre os parceiros sociais.
Em segundo lugar, as oportunidades no quadro externo que têm estado associadas ao regime de baixas
taxas de juro e baixo preço do petróleo, e que têm ajudado a promover a procura interna e as exportações,
enfrentam crescentemente perspetivas menos favoráveis. Num tempo de maior incerteza, associado a
perspetivas de crescimento global mais moderado e de menor expansão do comércio internacional, os desafios
que se colocam à economia portuguesa reforçam a necessidade de intensificar a agenda reformista que nos
prepare melhor para este novo ciclo que se avizinha.
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Apreciação — DAR I série — 15-24 — 17/12/2016
17 DE DEZEMBRO DE 2016
Por fim, este é um processo que deve envolver e proceder à auscultação de associações e de outras
entidades locais dos vários órgãos autárquicos, bem como da comunidade local, um envolvimento que nos
parece fundamental para que sejam acauteladas preocupações diversas e para que o desassoreamento melhor
corresponda às necessidades.
Aplausos do PSD.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Tem a palavra, para uma nova intervenção, o Sr. Deputado Moisés
Ferreira.
O Sr. Moisés Ferreira (BE): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Ouvindo a intervenção do Sr.
Deputado do PSD percebemos por que é que não há nenhuma intervenção relevante no desassoreamento da
ria de Aveiro há mais de 20 anos. É que, dizia o PSD, «estava previsto no projeto Pólis Litoral – Ria de Aveiro.»
É verdade, mas não se fez, apesar de o PSD até ter lá um ex-Secretário-Geral no Conselho de Administração
da Pólis Litoral – Ria de Aveiro.
Dizia o Sr. Deputado que o anterior Governo fez todo o trabalho de casa e que só faltava mesmo concluir os
aspetos de licenciamento e de financiamento. Não faltava mais nada, Sr. Deputado?! Era só mesmo o
financiamento e o licenciamento?
Portanto, no papel a coisa estava, mas não estava a andar na realidade, era só isso. Logo, percebe-se muito
bem por que é que o anterior Governo realmente não fez nada e nada tem sido feito no desassoreamento da ria
de Aveiro há mais de 20 anos.
Aquilo que o Bloco de Esquerda pretende com o seu projeto e com o espoletar desta discussão no
Parlamento é que, efetivamente, seja agora feita alguma coisa pela ria de Aveiro, nomeadamente o seu
desassoreamento.
Aplausos do BE.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Para uma intervenção, tem ainda a palavra o Sr. Deputado João Pinho
de Almeida.
O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP). — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: No encerramento deste
debate, acho que o que retemos como essencial é o consenso relativamente à necessidade de proceder ao
desassoreamento da ria de Aveiro, a importância que isso tem do ponto de vista ambiental e também do ponto
de vista social e económico.
Portanto, é relevante que, havendo iniciativas de vários grupos parlamentares, todos consigamos pôr à frente
o essencial, que todos consigamos unir-nos no que é um apelo do Parlamento português ao Governo de Portugal
para que, passados 20 anos, consigamos, de uma vez por todas, resolver este problema, ter uma solução e não
fazer com que a solução do desassoreamento da ria de Aveiro fique pelo caminho, a pretexto de guerras político-
partidárias que, neste ponto, não fazem qualquer sentido.
Aplausos do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Não havendo mais intervenções relativas a este ponto, prosseguimos,
passando ao ponto seguinte da ordem de trabalhos, que consiste na discussão conjunta dos projetos de
resolução n.os 549/XIII (2.ª) — Aumento do salário mínimo nacional (PCP) e 566/XIII (2.ª) — Recomenda ao
Governo um diálogo sério com os parceiros sociais no sentido de alcançar um acordo de concertação social de
médio prazo sobre crescimento, competitividade e emprego que inclua a atualização do salário mínimo nacional
(PSD).
Para uma primeira intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Rita Rato.
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Votação Deliberação — DAR I série — 37-37 — 17/12/2016
17 DE DEZEMBRO DE 2016
Submetido a votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do BE, do
PCP, de Os Verdes e do PAN.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 566/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo um diálogo sério com os
parceiros sociais no sentido de alcançar um acordo de concertação social de médio prazo sobre o crescimento,
competitividade e emprego que inclua a atualização do salário mínimo nacional (PSD).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes e votos a favor
do PSD, do CDS-PP e do PAN.
Relativamente ao projeto de resolução n.º 519/XIII (2.ª) — Regularização dos falsos recibos verdes e outras
modalidades precárias existentes no Instituto de Emprego e Formação Profissional (BE), cujo texto inicial foi
substituído a pedido do autor.
Vamos votar, em primeiro lugar, os pontos 1 e 4, tal como solicitado pelo PSD e pelo CDS-PP.
Submetidos à votação, foram aprovados por unanimidade.
Vamos, agora, votar os pontos 2 e 3 do projeto de resolução.
Submetidos à votação, foram aprovados, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN
e abstenções do PSD e do CDS-PP.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 496/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que desenvolva todos os
esforços diplomáticos para garantir o fim da poluição e a descontaminação dos solos e aquíferos contaminados
por derrames de hidrocarbonetos na Base Aérea das Lajes (BE).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, relativo à proposta de lei n.º 30/XIII (2.ª) — Procede à primeira
alteração à Lei da Organização do Sistema Judiciário, aprovada pela Lei n.º 62/2013, de 26 de agosto.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
Vamos proceder à votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, relativo ao projeto de lei n.º 149/XIII (1.ª) — Regulação das
responsabilidades parentais por mútuo acordo junto das conservatórias do registo civil em caso de dissolução
de uniões de facto e casos similares (PS).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
Vamos proceder à votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, relativo aos projetos de lei n.os 315/XIII (2.ª) — Converte em
definitivas e permanentes as reduções nas subvenções públicas para o financiamento dos partidos políticos e
para as campanhas eleitorais e nos limites máximos das despesas de campanha eleitoral (PSD), 331/XIII (2.ª)
— Altera a Lei n.º 19/2003, de 20 de junho (Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas
Eleitorais), consagrando reduções definitivas nas subvenções públicas para o financiamento dos partidos
políticos e das campanhas eleitorais e nos limites máximos das despesas de campanha eleitoral (CDS-PP) e
336/XIII (2.ª) — Reduz o financiamento público aos partidos políticos e às campanhas eleitorais (PCP).
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