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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 554/XIII/2.ª
RECOMENDA A REALIZAÇÃO DE UMA AVALIAÇÃO AMBIENTAL
TRANSFRONTEIRIÇA RELATIVA À CONSTRUÇÃO DE UM ARMAZÉM
TEMPORÁRIO INDIVIDUALIZADO NA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ
O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) do Estado Espanhol deu parecer favorável ao
pedido de construção de um Armazém Temporário Individualizado na central nuclear
de Almaraz. O armazém ocupará 3.646 m2 e servirá para guardar o combustível usado
pelos reatores até que seja possível ser transladado para o Armazém Temporário
Central de resíduos nucleares previsto para Villar de Cañas (Cuenca).
O armazém será constituído por uma laje de betão armado, estará afastado do reator e
servirá para depositar os elementos de combustível irradiado. Trata-se de uma solução
transitória. Atualmente o combustível é armazenado em piscinas cuja saturação está
prevista para agosto de 2017 e dezembro de 2019 para cada um dos reatores. A
aprovação da construção deste armazém para gerir combustível após estas datas indicia
a extensão da vida útil da central nuclear de Almaraz, o que deverá merecer o protesto
veemente e medidas diplomáticas, por parte do governo português, para a interrupção
deste processo.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questionou por escrito o governo sobre esta
matéria a 26 de setembro. A 11 de outubro, o Ministério do Ambiente informou que «a 8
de julho de 2016, durante uma reunião técnica entre o Consejo de Seguridad Nuclear
(CSN), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Comissão Reguladora para a
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Segurança das Instalações Nucleares (COMRSIN), para discutir as condições de
segurança e de operação da Central Nuclear de Almaraz, o CSN informou que seria
realizado um procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental, o projeto de construção
do Armazenamento Temporário Individual (ATI) da CN Almaraz (dry storage). O ATI
tem por fim o armazenamento temporário dos elementos de combustível irradiado
depois de um adequado período de decaimento (alguns anos) na piscina onde
presentemente se encontram».
O Ministério do Ambiente acrescentou ainda que «assim, tendo-se tomado
conhecimento desta situação, estão a ser desenvolvidos contactos no sentido de dispor
de informação sobre o ponto de situação do referido procedimento de AIA de forma a
garantir a participação de Portugal nos termos previstos no “Protocolo de atuação entre
o Governo da República Portuguesa e o Governo do Reino de Espanha sobre a aplicação
às avaliações ambientais de planos, programas e projetos com efeitos transfronteiriços”,
que estabelece os procedimento para consulta bilateral em cumprimento do disposto na
Diretiva AIA (Diretiva n.º 2011/92/EU do Parlamento Europeu e do Conselho de 13 de
dezembro de 2011) e na Convenção de Espoo (sobre Avaliação de Impactes Ambientais
num Contexto Transfronteiriço).
Por fim, o Ministério do Ambiente informa que «foi já solicitada, pelos canais
diplomáticos, aos senhores ministros que tutelam a energia e o ambiente no Reino de
Espanha, uma reunião com carácter de urgência para debater este tema».
Apesar deste processo, a Secretaría de Estado de Medio Ambiente do Estado espanhol
emitiu uma declaração de impacte ambiental positiva à instalação dos armazéns de
resíduos nucleares, não obstante a Consejería de Economía e Infraestructuras de la
Junta de Extremadura ter dado parecer desfavorável. A Junta alega que o armazém não é
necessário, visto que a central tem capacidade de armazenamento suficiente. Por sua
vez, a central nuclear alega que o reator I só tem capacidade de armazenamento até
2018. O Foro Extremeño Antinuclear concorda com a Junta e considera que a central tem
capacidade suficiente para albergar os resíduos até que a central cumpra os seus 40
anos. Considera que esta aprovação comprova a intenção de prolongar a vida da central
para lá de 2020.
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O facto de o Estado espanhol ter dado luz verde à construção do armazém de resíduos
demonstra a sua política de extensão do prazo de vida desta central nuclear. Mostra
também que os esforços do governo português para uma solução bilateral não estão a
resultar. Aliás, a 9 de novembro, o Ministro do Ambiente admitiu mesmo solicitar a
mediação da União Europeia, caso Espanha não dê resposta ao pedido de informações
português relativo à construção deste armazém nuclear.
A central nuclear de Almaraz é a mais próxima de Portugal. Situa-se a apenas uma
centena de quilómetros da fronteira. Os dois reatores nucleares entraram em
funcionamento em 1981 e 1983, sendo dos mais envelhecidos do Estado espanhol, o que
há décadas levanta preocupações, sempre agravadas pelos sucessivos incidentes
registados. A resolução unânime da Assembleia da República n.º 107/2016, de 14 de
junho, recomenda ao Governo “que intervenha junto do Governo espanhol no sentido de
proceder ao encerramento da central nuclear de Almaraz”. Face à aprovação da
construção do armazém de resíduos, impõe-se que o Governo inicie de imediato os
procedimentos para a determinação de uma avaliação dos impactos ambientais
transfronteiriços da construção do armazém de resíduos nucleares da central de
Almaraz, nos termos da legislação europeia e da Convenção de Espoo.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo:
O imediato início dos procedimentos para a determinação de uma avaliação dos
impactos ambientais transfronteiriços da construção do armazém de resíduos nucleares
da central de Almaraz, nos termos da legislação europeia e da Convenção de Espoo.
Assembleia da República, 25 de novembro de 2016.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Publicação — DAR II série A — 11-13 — 25/11/2016
25 DE NOVEMBRO DE 2016 11
Não se ignora que o funcionamento hidrodinâmico da ria de Aveiro se revela particularmente complexo,
resultando da interação entre as características geológicas, as variações da descarga dos rios que nela drenam,
a variabilidade e intensidade da maré, bem como os níveis de salinidade. Essa complexidade, porém,
recomendaria intervenções mais regulares para reposição dos caudais.
Ao invés, o que lamentavelmente se tem constatado é a falta de intervenções de manutenção (a última
registou-se no inicio da década de 90), o que tem agravado, para além do tolerável, as condições de
funcionamento do ecossistema e levado à notória degradação de valores ambientais, bem como ao abandono
forçado de inúmeras atividades económicas.
Importa, pois, assegurar uma célere intervenção de regularização dos canais e reforço de margens, tendo
por objetivo assegurar a estabilidade biofísica da Ria de Aveiro e minimizar situações de risco, quer de erosão,
quer de cheias e dos danos resultantes sobre pessoas e bens. A não ser feita, e a não ser feita rapidamente,
são as atividades piscatórias – e a subsistência de um largo número de agregados familiares – que ficam postas
em causa, bem como a aquicultura ou a própria reprodução das populações (de peixes, enguias, etc.) que
constituem, desde sempre, aquele ecossistema.
Mas, para além disso, será a náutica de recreio que soçobrará, e as potencialidades turísticas que serão
fortemente afetadas.
O XXI Governo Constitucional manifestou já o propósito – que saudamos – de dar enfim corpo ao processo
de desassoreamento da ria, nomeadamente criando condições para o seu financiamento, através de
candidaturas a fundos europeus.
Para tal, importa também assegurar uma colaboração e coordenação mais intensa entre o Porto de Aveiro e
as demais forças vivas que diariamente interagem com a ria de Aveiro.
Assim, nos termos regimentais e constitucionais aplicáveis, os Deputados abaixo-assinados apresentam o
seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República
Portuguesa, recomendar ao Governo que:
Desenvolva e conclua rapidamente todas as diligências e esforços conducentes ao desassoreamento da ria
de Aveiro – designadamente através de candidaturas a fundos comunitários e desencadeando os procedimentos
concursais que se afigurem necessários –, promovendo o desenvolvimento da região, dinamizando o papel
central da ria de Aveiro, envolvendo para tal a Administração do Porto de Aveiro, SA, bem como outras entidades
locais.
Palácio de São Bento, 24 de novembro de 2016.
Os Deputados do PS: Filipe Neto Brandão — Rosa Maria Bastos Albernaz — Porfírio Silva — António
Cardoso — Inês Lamego.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 554/XIII (2.ª)
RECOMENDA A REALIZAÇÃO DE UMA AVALIAÇÃO AMBIENTAL TRANSFRONTEIRIÇA RELATIVA À
CONSTRUÇÃO DE UM ARMAZÉM TEMPORÁRIO INDIVIDUALIZADO NA CENTRAL NUCLEAR DE
ALMARAZ
O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) do Estado Espanhol deu parecer favorável ao pedido de
construção de um Armazém Temporário Individualizado na central nuclear de Almaraz. O armazém ocupará
3.646 m2 e servirá para guardar o combustível usado pelos reatores até que seja possível ser transladado para
o Armazém Temporário Central de resíduos nucleares previsto para Villar de Cañas (Cuenca).