PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 244/XIII/1.ª
Recomenda ao Governo a adoção de um conjunto de medidas que
promovam a Valorização do Território
Exposição de Motivos
Valorizamos o Território corrigindo os desequilíbrios e as assimetrias regionais,
assegurando a coesão social e territorial, promovendo a igualdade de oportunidades no
acesso a serviços públicos, criando oportunidades e perspetivas de vida a quem reside em
lugares mais desfavorecidos.
Valorizamos o Território olhando para os recursos culturais, patrimoniais, simbólicos,
turísticos, rurais, agroalimentares e ambientais, como oportunidades de inovação,
empreendedorismo, industrialização, negócio ou autoemprego.
Valorizamos o Território reforçando o associativismo, a cooperação e a governança
territorial e reforçando a atratividade a e a competitividade dos territórios de Baixa
densidade e de Muita Baixa Densidade.
Valorizamos o Território, descentralizando competências e modernizando a administração
pública, mas sem que daí possa resultar um país conduzido a dois ritmos que acentuem as
assimetrias regionais, que devemos combater.
Valorizamos o Território olhando às especificidades estruturais de cada região, delimitando
os espaços com base na sua complexidade e com a inclusão das suas múltiplas dimensões
(territoriais, demográficas, sociais e económicas), e executando políticas de incidência
territorial, mormente, através da fixação de tipologias específicas de apoios e incentivos, e
na conceção dos instrumentos e das estratégias de desenvolvimento territorial.
Valorizamos o Território apostando na habitação e na reabilitação urbana, dinamizando o
mercado do arrendamento, fomentando o mercado social de arrendamento, desenvolvendo
programas de erradicação dos núcleos de habitações precárias e alargando o peso da
reabilitação urbana no volume de negócios da construção civil.
Valorizamos o Território assegurando a sustentabilidade económico-financeira e a proteção
ambiental nos serviços de água e saneamento.
Valorizamos o Território assumindo a eficiência hídrica como um vetor prioritário para a
eficiência de recursos, promovendo uma economia mais circular, aproveitando os resíduos
como fonte renovável de recursos, prosseguindo com a eliminação de passivos ambientais
e adotando uma estratégia de proteção do solo.
Valorizamos o Território aproveitando a biodiversidade e o valor económico dos serviços
dos ecossistemas, tirando partido das oportunidades económicas e de geração de emprego
associadas ao crescimento verde.
Valorizamos o Território comprometendo-nos com politicas direcionadas para as
alterações climáticas, cuidando do Litoral, protegendo, ordenando, recuperando e
valorizando a orla costeira.
Valorizamos o Território apostando no crescimento verde, tal como foi traduzido no
Compromisso para o Crescimento Verde, aprovado em 2015 e subscrito por uma centena
de organizações da sociedade civil, capaz de gerar soluções que transcendam o horizonte
do curto-prazo e que confiram ambição, estabilidade e previsibilidade às exigentes reformas
estruturais.
Esta é, aliás, uma aposta crucial. Em primeiro lugar, porque é necessário agir perante o
agravamento dos sinais globais de crise climática, degradação e escassez de recursos
hídricos e perda de biodiversidade, tendo em atenção a crescente pressão sobre os recursos.
Em segundo lugar, porque urge superar, através de um novo ciclo de reformas estruturais,
a situação paradoxal em que nos encontramos há décadas, combinando, na área dos
recursos naturais, elevado potencial de talentos, recursos e infraestruturas, com a
persistência de alguns problemas. Depois dos bons resultados alcançados com as reformas
nas áreas da energia, arrendamento, água, resíduos, reabilitação urbana, fiscalidade verde,
licenciamento ambiental, conservação da natureza, é agora especialmente importante
impulsionar níveis mais adequados de eficiência na utilização de energia, água e materiais.
Em terceiro lugar, porque devemos tirar partido das oportunidades económicas e de
geração de emprego associadas ao crescimento verde. Desde logo porque, nesta área,
dispomos de condições ímpares para competir e vencer à escala global no curto-prazo. Mas
também porque está em curso um fortíssimo aumento da procura de bens e serviços verdes
à escala global. Neste contexto, Portugal está numa posição privilegiada e tem de apostar
nas suas vantagens competitivas, ambicionando posicionar-se como líder desta nova
tendência global.
Em nome de todos esses desígnios o Governo do PSD/CDS-PP levou por diante um
vasto conjunto de reformas, muitas delas com resultados já palpáveis e das quais
beneficiaram todos os portugueses. Estas reformas foram mesmo alvo de reconhecimento
internacional. Portugal foi considerado, em 2013 e 2014, como o 4.º país com melhor
desempenho em matéria de ação climática, de acordo com o Climate Change Performance
Index (CCPI 2015) e alcançou, em 2015, a 10ª posição no ranking do Fórum Económico
Mundial, Global Energy Architecture Performance Index, que avalia a política energética
de 125 países, melhorando 8 posições face ao ano anterior. O País foi ainda reconhecido
pelo Índice do Desenvolvimento Sustentável da Fundação Bertelsmann, integrando em
2015 o Top 5 dos países com melhor desempenho no que respeita ao combate às
alterações climáticas, sendo 4.º nas emissões de CO2 associadas à produção de energia e na
sustentabilidade energética e 5.º em termos de intensidade de energia primária e de
eficiência energética.
Nestes termos, ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, os
Deputados abaixo assinados do Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata
apresentam o presente Projeto de Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do disposto do n.º 5 do artigo 166.º
da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:
1. Prossiga a Reforma do Setor das Águas assente no PENSAAR2020, no reforço da
independência e das competências da entidade reguladora, na agregação de sistemas
multimunicipais, num novo modelo de financiamento e na promoção de estratégias de
gestão mais integradas, tanto pela verticalização dos serviços de abastecimento de água
e de saneamento em alta e baixa, como pela agregação dos sistemas em baixa.
2. Concretize o Plano Nacional da Água e a 2ª geração de Planos de Gestão de Região
Hidrográfica (PGRH).
3. Assuma a eficiência hídrica como um vetor prioritário para a eficiência de recursos,
apostando no desenvolvimento de projetos de reutilização de água, na certificação e
rotulagem hídricas e maior integração, sem acréscimo de custos para os consumidores,
de tecnologias de informação e comunicação nas redes de distribuição de água.
4. Promova uma economia mais circular, aproveitando os resíduos como fonte renovável
de recursos, beneficiando da reforma do setor dos resíduos, traduzida no
enquadramento estratégico do PNGR (Plano Nacional de Gestão de Resíduos) e do
PERSU2020.
5. Prossiga a estratégia de eliminação de passivos ambientais, tirando partido do
investimento previsto de mais de 65 milhões de euros no POSEUR.
6. Adote uma estratégia de proteção do solo que obrigue as empresas, que desenvolvam
atividades perigosas, a avaliar a qualidade dos respetivos solos e assumir a
responsabilidade pela descontaminação, de modo a prevenir futuros passivos
ambientais.
7. Implemente a Estratégia Nacional para o Ar (ENAR 2020), em associação com as
medidas de mitigação das alterações climáticas (redução de emissões de GEE).
8. Prossiga a concretização da reforma já aprovada do ordenamento do território,
assegurando o uso racional e eficiente do solo, limitando a expansão urbana,
concentrando no PDM todas as regras de ordenamento, erradicando o solo urbanizável
(limitando a classificação do solo apenas em rústico e urbano), simplificando
procedimentos e promovendo soluções de planeamento intermunicipais.
9. Concretize o Sistema Nacional de Informação Cadastral, por forma a assegurar a
harmonização do sistema de registo da propriedade e promova um levantamento
cadastral do território nacional mais eficaz.
10. Implemente o regime de Licenciamento Único de Ambiente (LUA), que incorpora,
num único título e num único processo, os elementos e procedimentos que estavam
dispersos por uma dezena de regimes de licenciamento no domínio do ambiente.
11. Defina o Estatuto dos Territórios de Baixa Densidade e de Muito Baixa Densidade,
identificando as suas especificidades estruturais e permitindo a elaboração e
implementação de estratégias, instrumentos e medidas próprias e adequadas à natureza
dos seus problemas específicos.
12. Elabore e implemente um Programa Nacional para a Coesão Territorial (PNCT)
adequado a promover, integrar e articular as várias políticas setoriais e garantir uma
maior coordenação das intervenções dos diferentes atores.
13. Reforce a atratividade e a competitividade dos Territórios de Baixa Densidade e de
Muito Baixa Densidade, através do desenvolvimento de medidas adequadas a
minimizar os custos de contexto, promoção do espírito empresarial, apoio ao
lançamento de novos projetos adequados a valorizar recursos e aprofundamento dos
incentivos à cooperação das instituições de ensino superior com o tecido empresarial e
os agentes territoriais.
14. Consolide os programas “Aproximar” (Reorganização dos serviços de atendimento e
da administração pública) aperfeiçoando o modelo e a sua generalização a todo o
território nacional e o “Descentralizar” alargando-o a outras áreas da administração
pública como a gestão florestal, a proteção civil, a gestão do litoral e zonas ribeirinhas e
os serviços de medicina veterinária.
15. Aprofunde a consolidação do associativismo municipal ao nível das Comunidades
Intermunicipais (CIM) e valorize o papel das Comissões de Coordenação e
Desenvolvimento Regional (CCDR), contribuindo para o reforço das suas atribuições e
competências, criando condições para a capacitação dos seus recursos humanos e a
melhoria dos níveis de qualidade dos serviços e de eficiência da gestão pública local e
central.
16. Densifique as redes de cooperação institucional e empresarial e da qualificação dos
dispositivos e das práticas de governança territorial, baseadas nos princípios de uma
efetiva descentralização de competências e real adesão ao princípio da subsidiariedade.
17. Dinamize o mercado do arrendamento, impulsionado pela reforma da legislação,
atraindo para os centros urbanos população mais jovem e famílias e transformando o
arrendamento numa verdadeira alternativa à aquisição de habitação própria.
18. Implemente o modelo de proteção social, já aprovado, assente em subsídio de renda,
destinado a apoiar os arrendatários mais vulneráveis, após a conclusão, em 2017, do
período transitório de 5 anos.
19. Fomente o mercado social de arrendamento e o acesso à habitação social e assegure, no
quadro do novo regime de renda apoiada, a uniformidade, em todo o território, das
regras de atribuição de habitações sociais e das condições em que a mesma habitação é
facultada.
20. Promova uma progressiva transferência de toda a gestão da habitação social para os
municípios, centrando as atividades da administração central na sua regulação e na
harmonização dos mecanismos e regras de atribuição de habitação.
21. Desenvolva programas de erradicação dos núcleos de habitações precárias,
promovendo o direito a habitação condigna por parte de todos os cidadãos,
privilegiando soluções de realojamento assentes na reabilitação de imóveis e na
reconversão de áreas urbanas degradadas, em detrimento de soluções que fomentem a
nova construção.
22. Fomente a reabilitação urbana com uma resposta estrutural que, além das reformas do
arrendamento e do ordenamento do território, passa pela concretização do Regime
Excecional de Reabilitação Urbana (RERU) e pela implementação, no âmbito dos
novos fundos europeus enquadrados no Portugal 2020, de novos instrumentos
financeiros de apoio às intervenções de reabilitação e regeneração urbanas nas áreas
carenciadas, nas áreas industriais abandonadas, na habitação social, nos edifícios
públicos e na eficiência energética na habitação. A articulação das verbas reembolsáveis
previstas no Portugal 2020 com fundos do BEI e da banca comercial poderá
proporcionar um envelope financeiro global de 3000 milhões de euro.
23. Expanda a internacionalização da marca natural.pt, de produtos e serviços
desenvolvidos com base nos recursos das áreas protegidas.
24. Desenvolva novos mecanismos de remuneração dos serviços dos ecossistemas,
nomeadamente, sistemas de créditos de biodiversidade, bancos de habitats e novos
mecanismos fiscais.
25. Implemente uma nova Estratégia Nacional de Gestão Integrada das Zonas Costeiras
(ENGIZC 2020) e defina um novo modelo de governança para o litoral, que reforce a
articulação entre o Estado e as autarquias.
26. Implemente o Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) e concretize a
Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC).
27. Posicione Portugal como referência mundial do crescimento verde e assegurar a
concretização das 111 iniciativas e cumprimento das 14 metas do Compromisso para o
Crescimento Verde, subscrito pelo Governo e por uma centena de organizações da
sociedade civil, nomeadamente: aumentar as exportações nos setores verdes em 5% por
ano; atingir 40% de renováveis no consumo final de energia e 80% na eletricidade em
2030; reduzir o consumo de energia em 30%; reduzir as perdas de água de 35% para
20%; aumentar a reabilitação urbana de 10% para 23% do volume de negócios da
construção civil; reduzir as emissões de CO2 em 40% em 2030, face aos níveis de 2005;
aumentar a utilização de transportes públicos em 40% até 2030; atingir, na UE, 10% de
interligações elétricas em 2020 e 15% em 2030.
28. Prossiga a implementação, num quadro de neutralidade do sistema fiscal e de triplo
dividendo (ambiente, economia e emprego), da reforma fiscal verde aprovada em 2014,
de forma a: tributando mais o que se polui e degrada, tributar menos o que se produz e
aufere; promover a ecoinovação, a eficiência na utilização de recursos, a autonomia
energética e a indução de padrões de produção e de consumo mais sustentáveis.
29. Acelere o desenvolvimento de projetos e a criação de emprego nas áreas da economia
verde a partir dos significativos recursos financeiros existentes no Fundo Europeu para
Investimentos Estratégicos (315 mil milhões de euros) e no domínio da
sustentabilidade e eficiência no uso de recursos do Portugal 2020 (4 mil milhões).
Promover a gestão integrada de todos os fundos nacionais ambientais e energéticos,
concentrando sob um mesmo enquadramento estratégico e operacional, um volume de
financiamento muito significativo e com forte impacte catalisador na área da eficiência
energética, mobilidade elétrica, gestão de recursos hídricos, conservação da natureza,
proteção do litoral, tratamento de resíduos, eco-inovação. Promover a criação de novos
mecanismos que estimulem o investimento privado em negócios verdes, como por
exemplo, “capital de risco verde” e green bonds.
30. Estabeleça um programa de compras públicas ecológicas, e assegurar a inclusão de
critérios de sustentabilidade nos contratos públicos de aquisição de bens e serviços.
31. Defenda, no contexto europeu, a reforma do Comércio Europeu de Licenças de
Emissão (CELE), a promoção do desenvolvimento e interligação de mercados de
carbon, bem como a criação de um novo mecanismo de flexibilidade (CDM doméstico)
que reconheça, para efeitos do mercado de carbono, as reduções de emissão em setores
não incluídos no comércio de emissões.
32. Assegure, no âmbito das negociações europeias e internacionais, o reconhecimento do
potencial de absorção de gases com efeito de estufa (GEE) das atividades de uso do
solo e florestas (LULUCF - Land Use, Land- Use Change and Forestry).
33. Assuma a eficiência energética como a maior prioridade da política energética nacional.
Nesse sentido, é importante atingir, em 2020, o objetivo de redução do consumo de
energia de 25% (30% na administração pública, nas áreas da iluminação, frotas e
edifícios) em 2020 e pelo menos 30% em 2030, através de cinco elementos estratégicos:
(i) a dinamização das empresas de serviços de energia (ESE); (ii) integrar,
conceptualmente e operacionalmente, a eficiência energética e a eficiência hídrica; (iii)
alocar cerca de 400 milhões de euros dos novos fundos europeus a esta prioridade; (iv)
assumir a fiscalidade verde como um fator de reorientação de comportamentos,
criando condições para que, cada vez mais, produzir verde represente um fator de
competitividade e consumir verde um sinónimo de poupança; (v) assegurar que as
políticas para a eficiência energética são monitorizadas e avaliadas com exatidão, sendo,
para tal, importante avançar, gradualmente e sem acréscimo de custos para os
consumidores, com projetos de contagem inteligente (telegestão) de energia; (vi)
promoção custo-eficiente da mobilidade sustentável, incluindo a mobilidade elétrica, os
transportes coletivos e os modos de mobilidade suave, como a bicicleta.
34. Prossiga, na sequência dos três pacotes de medidas implementadas com uma redução
de 4000 M€ nas rendas do setor energético, as políticas de redução dos custos nos
sectores elétrico, do gás natural e dos combustíveis, a nível da produção, transporte,
distribuição e comercialização que contribuam para a redução da dívida tarifária, para o
aumento da competitividade das empresas e para a redução da fatura dos consumidores
domésticos, com enfoque nas questões sociais aumentando o acesso aos serviços
energéticos pelas famílias de baixos recursos.
35. Fomente o autoconsumo de energia, como medida eficiente de promoção de fontes de
energia renovável (em especial energia solar) e de redução da necessidade de
investimento nas redes de distribuição, atingindo pelo menos 300MW, em 2020,
tirando partido do novo regime de autoconsumo através do qual foram simplificados
os procedimentos e orientados os projetos para o consumo individual, possibilitando a
injeção do remanescente na rede a preço de mercado, isto é, permitindo que as famílias
possam produzir a sua própria eletricidade sem causarem sobrecustos no sistema
tarifário.
36. Aprofunde a integração dos mercados ibéricos, tanto da energia elétrica como do gás
natural. Depois da constituição do MIBEL, deve agora ser concluída a constituição do
MIBGAS, assegurando a coordenação das atividades de gás na península ibérica,
criando as condições para a eliminação da dupla tarifação fronteiriça de gás natural
entre Portugal e Espanha e consolidando a importância estratégica do hub ibérico de
gás.
37. Estabeleça, no contexto europeu, o reforço das interligações não só de eletricidade mas
também de gás, posicionando Portugal, através do terminal de Sines, como porta de
entrada de Gás Natural Liquefeito (GNL) na UE, contribuindo para a segurança
energética da UE e para uma utilização mais eficiente das infraestruturas, com
consequente redução de custos para os consumidores.
38. Consolide o processo de liberalização do mercado da energia simplificando o processo
de mudança de comercializador e implementando o Operador Logístico de Mudança
de Comercializador (OLMC), como operador independente de todas as empresas que
atuam no sector.
39. Consolide a aposta custo-eficiente na mobilidade elétrica, alargando e introduzindo
maior concorrência na rede pública, privilegiando os modos de carregamento em locais
privados (habitações e locais de trabalho) e em locais privados de acesso público (ex.:
centros comerciais).
Palácio de S. Bento, 12 de abril de 2016
Os Deputados,
Luís Montenegro
Berta Cabral
Luís Leite Ramos
Jorge Paulo Oliveira
Jorge Moreira da Silva
Manuel Frexes
Bruno Coimbra
Emília Santos
José Carlos Barros
Emília Cerqueira
António Topa
Maurício Marques
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Publicação — DAR II série A — 37-42 — 13/04/2016
13 DE ABRIL DE 2016 37
Sua Excelência o Presidente da República requereu, nos termos do n.º 1 do artigo 129.º e da alínea b) do
artigo 163.º da Constituição, o assentimento da Assembleia da República para a antecipação daquele período,
devendo a partida ocorrer no dia 2 de maio.
Assim, apresento à Assembleia da República, nos termos regimentais, o seguinte projeto de resolução:
“A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 163.º e do n.º 5 do artigo 166.º da
Constituição, dar assentimento à antecipação da deslocação de S. Ex.ª o Presidente da República a
Moçambique, em visita oficial, devendo a partida ocorrer no dia 2 de maio.”
Palácio de São Bento, 11 de abril de 2016.
O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.
Mensagem do Presidente da República
Tendo sido aprovada a Resolução que concedeu assentimento para a minha deslocação a Moçambique, em
visita de Estado, nos dias 3 a 7 de maio, e sendo necessário proceder à antecipação daquele período, devendo
a partida ocorrer no dia 2 de maio, venho requerer, nos termos dos artigos 129.°, n.° 1 e 163.°, alínea b) da
Constituição, o necessário assentimento da Assembleia da República.
Lisboa, 11 de abril de 2016.
O Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa
———
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 244/XIII (1.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO A ADOÇÃO DE UM CONJUNTO DE MEDIDAS QUE PROMOVAM A
VALORIZAÇÃO DO TERRITÓRIO
Exposição de motivos
Valorizamos o Território corrigindo os desequilíbrios e as assimetrias regionais, assegurando a coesão social
e territorial, promovendo a igualdade de oportunidades no acesso a serviços públicos, criando oportunidades e
perspetivas de vida a quem reside em lugares mais desfavorecidos.
Valorizamos o Território olhando para os recursos culturais, patrimoniais, simbólicos, turísticos, rurais,
agroalimentares e ambientais, como oportunidades de inovação, empreendedorismo, industrialização, negócio
ou autoemprego.
Valorizamos o Território reforçando o associativismo, a cooperação e a governança territorial e reforçando a
atratividade a e a competitividade dos territórios de Baixa densidade e de Muita Baixa Densidade.
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Apreciação — DAR I série — 2-37 — 28/04/2016
I SÉRIE — NÚMERO 60
O Sr. Presidente: — Sr.as e Srs. Deputados, Sr.as e Srs. Membros do Governo, Sr.as e Srs. Funcionários,
Sr.as e Srs. Jornalistas, está aberta a sessão.
Eram 15 horas e 5 minutos.
Peço aos Srs. Agentes da autoridade para abrirem as galerias.
A nossa ordem de trabalhos de hoje será preenchida com o debate sobre o Programa de Estabilidade e o
Programa Nacional de Reformas.
Antes, porém, vou dar a palavra ao Sr. Secretário da Mesa, Deputado Duarte Pacheco, para ler o expediente.
Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Secretário (Duarte Pacheco): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, deram entrada da Mesa, e
foram admitidos, os projetos de resolução n.os 266/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo o reforço no acesso a
cuidados de saúde em Vila Nova de Famalicão (BE), que baixa à 9.ª Comissão, 268/XIII (1.ª) — Alteração do
traçado do prolongamento da A32 e levantamento imediato das atuais condicionantes (CDS-PP), que baixa à
6.ª Comissão, 269/XIII (1.ª) — Por uma gestão ao serviço das populações do Centro Hospitalar do Médio Tejo
(Os Verdes), que baixa à 9.ª Comissão, 270/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo a reabertura do Centro de
Emprego de Moscavide/Sacavém, no concelho de Loures (Os Verdes), que baixa à 10.ª Comissão, 271/XIII (1.ª)
— Programa de Estabilidade 2016-2020 e plano nacional de reformas (CDS-PP), 272/XIII (1.ª) — Abolição das
taxas de portagens na A4 (BE), 273/XIII (1.ª) — Abolição das taxas de portagens na A24 (BE) e 274/XIII (1.ª) —
Abolição das taxas de portagens na A25 (BE).
O Sr. Presidente: — Passamos ao debate sobre o Programa de Estabilidade e Programa Nacional de
Reformas.
Assim sendo, vamos debater em conjunto os projetos de resolução n.os 221/XIII (1.ª) — Recomenda ao
Governo a adoção de medidas que promovam a capitalização das empresas e a diversificação das suas fontes
de financiamento (PSD), 230/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo um conjunto de medidas para a melhoria da
qualificação dos portugueses (PSD), 244/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo a adoção de um conjunto de
medidas que promovam a valorização do território (PSD), 251/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo a adoção de
medidas que promovam a inovação na economia (PSD), 260/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo a inclusão,
no âmbito do Programa Nacional de Reformas, de um conjunto de medidas na área da justiça (PSD), 262/XIII
(1.ª) — Recomenda ao Governo um conjunto de medidas que permitam reforçar a coesão e a igualdade social
(PSD), 263/XIII (1.ª) — Por um Serviço Nacional de Saúde sustentável, com cuidados de saúde de qualidade e
equidade no acesso, melhor promoção da saúde e mais prevenção das doenças (PSD), 265/XIII (1.ª) —
Recomenda ao Governo que, no âmbito do plano nacional de reformas, introduza um conjunto de alterações
que permitam manter uma trajetória de crescimento económico e do emprego (CDS-PP) e 271/XIII (1.ª) —
Programa de Estabilidade 2016-2020 e plano nacional de reformas (CDS-PP).
Para abrir o debate, em nome do Governo, tem a palavra o Sr. Ministro do Planeamento e das Infraestruturas.
Sr. Ministro do Planeamento e das Infraestruturas (Pedro Jesus Marques): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs.
Deputados: O Programa Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade consubstanciam uma verdadeira
estratégia de desenvolvimento do País. São documentos importantes, em particular, neste caso, os primeiros
da Legislatura.
O Governo encara este processo de planeamento como um elemento central na definição das políticas
públicas, imprimindo uma nova dinâmica a um processo anteriormente visto apenas como uma resposta
administrativa às recomendações europeias.
Trata-se, a nosso ver, de um documento muito importante politicamente, pois consubstancia uma visão que
marca uma diferença pronunciada com a estratégia prosseguida nos últimos anos.
Portugal precisa de mais crescimento, melhor emprego, maior igualdade.
O Programa Nacional de Reformas estabelece os caminhos para os construirmos. Um Programa ambicioso,
construído a olhar para cima, a definir onde queremos chegar e o caminho para o alcançar.
Partimos de uma situação difícil.
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Votação Deliberação — DAR I série — 45-45 — 30/04/2016
30 DE ABRIL DE 2016
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do BE, do PCP e
de Os Verdes e abstenções do PS e do PAN.
Passamos à votação dos n.os 28 e 29, constantes da alínea e).
Submetidos à votação, foram aprovados, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do BE, do
PCP e de Os Verdes e abstenções do PS e do PAN.
Passamos agora à votação do n.º 30, constante também da alínea e).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes, votos a favor
do PSD e do CDS-PP e a abstenção do PAN.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 244/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo a adoção de um
conjunto de medidas que promovam a valorização do território (PSD), relativamente ao qual também há um
pedido no sentido de as votações se fazerem de modo desagregado.
Aqui é que é preciso ter mesmo muita atenção, porque isto agora vai parecer mais o Bingo do que outra coisa
qualquer.
Assim, num primeiro grupo, temos a votação dos n.os de 1 a 9, 14, 18, 19, 22 a 24, 26 a 29, 31, 32, 34 e 35.
Submetidos à votação, foram rejeitados, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes, votos a
favor do PSD e do CDS-PP e a abstenção do PAN.
Passamos agora à votação dos n.os 10, 15 a 17, 30 e 37.
Submetidos à votação, foram aprovados, com votos a favor do PSD, do PS e do CDS-PP, votos contra do
BE, do PCP e de Os Verdes e a abstenção do PAN.
Passamos agora à votação dos n.os 11 a 13, 20, 21, 25, 33, 36, 38 e 39.
Submetidos à votação, foram aprovados, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do BE, do
PCP e de Os Verdes e abstenções do PS e do PAN.
Srs. Deputados, passamos à votação do projeto de resolução n.º 251/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo a
adoção de medidas que promovam a inovação na economia (PSD), a qual se vai proceder também de forma
desagregada.
Assim, vamos votar, em primeiro lugar, os n.os 1, 3 a 6, 9, 10, alínea a), 14, 15, 20 e 23.
Submetidos à votação, foram aprovados, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do BE, do
PCP e de Os Verdes e abstenções do PS e do PAN.
Passamos agora à votação dos n.os 2, 7, 11 a 13, 16, 18, 19, 21, 22, 30 e 31.
Submetidos à votação, foram aprovados, com votos a favor do PSD, do PS e do CDS-PP, votos contra do
BE, do PCP e de Os Verdes e a abstenção do PAN.
Por fim, vamos votar os n.os 8, 10, alínea b), 17, 24 a 29, 32 e 33.
Submetidos à votação, foram rejeitados, com votos contra do PS, do BE, do PCP e de Os Verdes, votos a
favor do PSD e do CDS-PP e a abstenção do PAN.
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