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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 176/XIII/1ª
PELA REPOSIÇÃO DAS QUOTAS LEITEIRAS NA UNIÃO EUROPEIA E
PROTEÇÃO DA FILEIRA DO LEITE PORTUGUÊS
Em Portugal existem cerca de 7000 explorações leiteiras com uma grande capacidade
produtiva e condições tecnológicas das mais eficientes no mundo. O setor leiteiro
emprega direta e indiretamente cerca de 100 mil pessoas. São gerados pela fileira do
leite português cerca de 2 mil milhões de euros, desde a produção à transformação de
produtos lácteos. A sua relevância económica e social, bem como a sua importância na
autossuficiência alimentar, são inquestionáveis.
Trata-se de um setor com caráter estratégico que se encontra gravemente ameaçado.
Segundo dados do Observatório Europeu do Mercado do Leite, 2015 foi extremamente
negativo para o setor leiteiro. O ano em que terminou o regime das quotas leiteiras na
União Europeia acabou com um preço médio pago ao produtor português à volta dos 28
cêntimos por litro - menos 6 cêntimos do que em dezembro de 2014, 2 cêntimos abaixo
da média da UE. Mais recentemente, já em 2016, chegam-nos relatos de produtores que
recebem 17 cêntimos por cada litro de leite que produzem, valor claramente abaixo do
custo de produção, estimado em 34 cêntimos por litro e com tendência para aumentar
no futuro.
Os nossos vizinhos galegos, igualmente afetados pelo fim das quotas leiteiras, reagem
violentamente à entrada de leite português em Espanha e impedem a passagem dos
nossos camiões em território espanhol.
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O excesso de leite produzido na UE com a liberalização, devido ao desequilíbrio entre a
oferta e a procura internas, cruza-se com a quebra das cotações da manteiga e do leite
em pó, o embargo da Rússia aos produtos agroalimentares da UE e o abrandamento das
importações pela China.
O chamado “pacote leite” da UE, que pretendia uma melhor contratualização da
produção, tem limitações já reconhecidas pelos próprios legisladores. O Observatório do
Mercado do Leite não demonstra, por si só, qualquer capacidade para enfrentar esta
situação.
Os agricultores acumulam dívidas a fornecedores, abatem animais, cortam na sua
alimentação e, muitos deles chegam ao fim do mês sem rendimento disponível,
obrigando-se a abandonar o setor e mesmo a atividade agrícola. Nestas condições, é
praticamente impossível viver da produção de leite em Portugal.
Uma análise séria deste panorama de crise só poderá concluir que o fim do regime das
quotas, sem prever o impacto dessa decisão nos agricultores portugueses e demais
parceiros europeus, constitui o principal problema responsável pela atual situação. A
“aterragem suave” de que falava a Comissão Europeia, referindo-se ao fim das quotas
leiteiras, veio a tornar-se num estrondoso desastre para a agricultura.
Os mecanismos que obriguem a uma divisão mais justa de custos e lucros, e os
propalados compromissos entre a produção e a grande distribuição, tardam em chegar.
Em vez disso, continuamos a importar uma enorme quantidade de produtos lácteos,
originando um défice de 200 milhões de euros para o setor, e os desequilíbrios entre
regiões produtoras na UE tendem a agravar-se.
Sem uma posição firme e resoluta do Governo junto dos nossos parceiros da UE (eles
próprios a sofrerem bastante com esta crise no setor), iremos certamente assistir ao
definhar das explorações cujo trabalho ainda permite a autossuficiência na produção de
leite em Portugal, com consequências económicas e sociais previsivelmente complexas.
Urge, portanto, uma mudança significativa das políticas para o setor.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
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1 - Defenda na União Europeia a reposição do regime das quotas leiteiras, como
iniciativa urgente e razoável para proteger Portugal e a UE em geral da grave crise, que
se aprofunda, no setor do leite;
2 - Tome medidas concretas para influenciar a adoção de contratos entre a grande
distribuição, a indústria e a produção, no sentido da obtenção de um preço mais justo e
um tratamento digno para os produtores;
3 - Assuma, como objetivo imediato, atingir a curto prazo em Portugal um preço ao
produtor semelhante ao da média comunitária;
4 - Tome as medidas necessárias para o esclarecimento dos consumidores sobre a boa
qualidade do leite português.
Assembleia da República, 3 de março de 2016.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Publicação — DAR II série A — 10-11 — 07/03/2016
II SÉRIE-A — NÚMERO 53 10
ii. A implementação da bacia de contenção de lixiviados e estação de tratamento;
iii. A instalação permanente de uma estação de monitorização da qualidade do ar;
iv. Plantação de uma barreira arbórea entre o porto comercial e as habitações da Gafanha da Nazaré.
2. A monitorização e reavaliação da situação ambiental e dos riscos para a saúde pública após as medidas
mitigadoras;
3. Que elabore um manual de boas práticas para a movimentação de coque de petróleo no país;
4. Que reavalie a legislação relativa à atividade com coque de petróleo e as atividades de fiscalização no
sentido de garantir a proteção das populações e boas práticas ambientais.
Assembleia da República, 26 de fevereiro de 2016.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda: Moisés Ferreira — Jorge Costa — Pedro Filipe Soares
— Mariana Mortágua — Pedro Soares — Sandra Cunha — Carlos Matias — Heitor de Sousa — Isabel Pires —
João Vasconcelos — Domicilia Costa — Jorge Campos — Jorge Falcato Simões — José Moura Soeiro — Joana
Mortágua — José Manuel Pureza — Luís Monteiro — Paulino Ascenção — Catarina Martins.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 176/XIII (1.ª)
PELA REPOSIÇÃO DAS QUOTAS LEITEIRAS NA UNIÃO EUROPEIA E PROTEÇÃO DA FILEIRA DO
LEITE PORTUGUÊS
Em Portugal existem cerca de 7000 explorações leiteiras com uma grande capacidade produtiva e condições
tecnológicas das mais eficientes no mundo. O setor leiteiro emprega direta e indiretamente cerca de 100 mil
pessoas. São gerados pela fileira do leite português cerca de 2 mil milhões de euros, desde a produção à
transformação de produtos lácteos. A sua relevância económica e social, bem como a sua importância na
autossuficiência alimentar, são inquestionáveis.
Trata-se de um setor com caráter estratégico que se encontra gravemente ameaçado. Segundo dados do
Observatório Europeu do Mercado do Leite, 2015 foi extremamente negativo para o setor leiteiro. O ano em que
terminou o regime das quotas leiteiras na União Europeia acabou com um preço médio pago ao produtor
português à volta dos 28 cêntimos por litro – menos 6 cêntimos do que em dezembro de 2014, 2 cêntimos abaixo
da média da UE. Mais recentemente, já em 2016, chegam-nos relatos de produtores que recebem 17 cêntimos
por cada litro de leite que produzem, valor claramente abaixo do custo de produção, estimado em 34 cêntimos
por litro e com tendência para aumentar no futuro.
Os nossos vizinhos galegos, igualmente afetados pelo fim das quotas leiteiras, reagem violentamente à
entrada de leite português em Espanha e impedem a passagem dos nossos camiões em território espanhol.
O excesso de leite produzido na UE com a liberalização, devido ao desequilíbrio entre a oferta e a procura
internas, cruza-se com a quebra das cotações da manteiga e do leite em pó, o embargo da Rússia aos produtos
agroalimentares da UE e o abrandamento das importações pela China.
O chamado “pacote leite” da UE, que pretendia uma melhor contratualização da produção, tem limitações já
reconhecidas pelos próprios legisladores. O Observatório do Mercado do Leite não demonstra, por si só,
qualquer capacidade para enfrentar esta situação.
Os agricultores acumulam dívidas a fornecedores, abatem animais, cortam na sua alimentação e, muitos
deles chegam ao fim do mês sem rendimento disponível, obrigando-se a abandonar o setor e mesmo a atividade
agrícola. Nestas condições, é praticamente impossível viver da produção de leite em Portugal.
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Apreciação — DAR I série — 29-43 — 08/04/2016
8 DE ABRIL DE 2016
aprovados diplomas por consenso, por unanimidade do Parlamento, se a memória não me atraiçoa, e que se
reúne uma ampla margem de acordo.
É, de facto, paradoxal que seja precisamente nestas relações em que o grau de formalidade é menor que,
para resolver os problemas da responsabilidade parental, a exigência seja maior obrigando a uma intervenção
judicial.
Como a Sr.ª Deputada Vânia Dias da Silva, há pouco, dizia, com toda a razão, o que é paradoxal é que,
nestes casos, acabemos por ter uma situação de maior informalidade, essa sim, fonte principal de insegurança,
quer para o menor, quer para as famílias. Mais do que, eventualmente, termos muitos casos de pessoas que
atravessam uma «via-sacra» burocrática e judicial, o que acontece é que, na maior parte dos casos, pura e
simplesmente, não há regulação alguma das responsabilidades parentais e essa acaba por ser a pior de todas
as soluções.
Também temos abertura para ponderar uma revisão, em termos de técnica legislativa, mas parece-nos que
esta solução conserva e preserva a solução substantiva em sede de Código Civil e acautela, no devido lugar,
no Código do Registo Civil, as alterações adjetivas e formais.
Finalmente, é muito pertinente a questão que o Sr. Deputado João Oliveira colocou relativamente às custas.
De facto, quer em sede de emolumentos, no que respeita a estes atos, nas conservatórias, quer, mesmo, no
que diz respeito genericamente a estes processos relativos às responsabilidades parentais, há que verificar se
está feita a devida ponderação dos valores em presença e se os custos praticados são compatíveis com a
prioridade que deve ser dada a uma regulação célere, não dramática e isenta de constrangimentos adicionais,
uma vez que as famílias já enfrentam suficientes constrangimentos quando chega ao fim uma relação que está
na base de uma relação familiar.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Srs. Deputados, passamos ao terceiro ponto da nossa ordem do
dia que consiste na discussão, em conjunto, dos projetos de resolução n.os 158/XIII (1.ª) — Recomenda ao
Governo que reveja o sistema sancionatório, indexando o valor das coimas ao volume de vendas da superfície
comercial no que diz respeito a rotulagem, origem de géneros agroalimentares e vendas com prejuízo, bem
como criar um observatório de preços da carne de suíno (CDS-PP), 159/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo
que promova um programa que permita a reestruturação do crédito de curto prazo dos suinicultores em médio
prazo, com dois anos de carência e que isente os produtores de suínos de custos de recolha de cadáveres de
animais (SIRCA) por um período de seis meses, a reavaliar no final desse prazo (CDS-PP), 160/XIII (1.ª) —
Recomenda ao Governo que isente os produtores, cônjuges e trabalhadores do setor da carne suína do
pagamento à segurança social por um período de seis meses (CDS-PP), 145/XIII (1.ª) — Recomenda ao
Governo que dispense do pagamento de contribuições para a segurança social, relativamente aos produtores
de leite de vaca cru e aos produtores de carne de suíno (PSD), 176/XIII (1.ª) — Pela reposição das quotas
leiteiras na União Europeia e proteção da fileira do leite português (BE) e 208/XIII (1.ª) — Recomenda a
promoção de medidas para fazer frente aos problemas que a suinicultura atravessa (PCP).
Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Abel Batista.
O Sr. Abel Baptista (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O CDS-PP requereu este debate
sobre a questão da suinicultura em Portugal, dada a importância que tem o sector e dada a grave crise que está,
neste momento, a atravessar.
Mas para falarmos da crise que o sector está a atravessar, temos de recuar algum tempo. A suinicultura em
Portugal tem vindo a atravessar períodos menos bons e períodos melhores.
Em 2013, as medidas de bem-estar animal decretadas pela União Europeia levaram a que o sector da
suinicultura acabasse por reduzir substancialmente a sua produção e a que os preços tivessem vindo, nessa
altura, a melhorar.
Em 2014, havia a expectativa de que seria um excelente ano. Porém, o embargo, em janeiro, dos produtos
europeus por parte da Rússia frustrou essas expectativas.
Em 2015, os preços começaram a baixar e houve, no início de março, uma intervenção de retirada de 56 000
t de carne de porco do mercado que, na altura, aliviou um pouco a pressão sobre os preços, mas, depois, com
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Votação Deliberação — DAR I série — 49-49 — 09/04/2016
9 DE ABRIL DE 2016
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e votos
a favor do PSD e do CDS-PP.
Srs. Deputados, passamos ao projeto de resolução n.º 145/XIII (1.ª) — Recomenda ao Governo que dispense
do pagamento de contribuições para a segurança social, relativamente aos produtores de leite de vaca cru e
aos produtores de carne de suíno (PSD), relativamente ao qual o CDS-PP solicita a votação em separado dos
pontos 1 e 2. Penso que o melhor será deixarmos esta votação para o fim.
Peço desculpa pelo facto de esta informação estar a ser dada só neste momento, mas, como tenho a
informação escrita, pensei que os grupos parlamentares tivessem sido avisados nessa altura, aquando da
construção do guião de votações.
Como sabem, não estive presente durante toda a sessão, mas, de qualquer forma, a responsabilidade é
minha.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Sr. Presidente, o Grupo Parlamentar do PS está em condições de votar
os projetos de resolução n.os 145 e 158/XIII (1.ª).
O Sr. Presidente: — Pergunto se todos os grupos parlamentares estão em condições para votar estes
projetos de resolução.
Pausa.
Srs. Deputados, é melhor deixarmos para o fim a votação destas duas iniciativas.
Vamos agora votar o projeto de resolução n.º 176/XIII (1.ª) — Pela reposição das quotas leiteiras na União
Europeia e proteção da fileira do leite português (BE).
Informo os Srs. Deputados de que houve substituição da parte resolutiva pelo autor.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do CDS-PP, do PCP e de Os Verdes,
votos contra do PAN e a abstenção do PSD.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 208/XIII (1.ª) — Recomenda a promoção de medidas para
fazer frente aos problemas que a suinicultura atravessa (PCP).
Também neste caso foi pedida a desagregação de votações, pelo CDS-PP, que solicita a votação do ponto
2, alínea c) e do ponto 5.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Sr. Presidente, se fosse possível votar também em separado o ponto
6 agradecíamos.
O Sr. Presidente: — Então, começamos pela votação do ponto 2, alínea c), depois votamos o ponto 5, a
seguir o ponto 6 e, seguidamente, os restantes pontos.
Vamos começar por votar o ponto 2, alínea c).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do CDS-PP e do PAN, votos a favor do BE, do
PCP e de Os Verdes e a abstenção do PSD.
Votamos agora o ponto 5.
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