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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1534/XII/4.ª
REJEITA O ACORDO DE PARCERIA TRANSATLÂNTICA DE
COMÉRCIO E INVESTIMENTO ENTRE A
UNIÃO EUROPEIA E OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (TTIP)
Desde 2013 que a União Europeia e os EUA negoceiam, sob um manto de enorme
secretismo, o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento entre a
União Europeia e os Estados Unidos da América (Transatlantic Trade and Investment
Partnership - TTIP).
O objetivo anunciado é o da criação de uma grande área de livre comércio entre os dois
espaços económicos que, juntos, representam quase metade do Produto Interno Bruto
mundial, para além de um mercado de 800 milhões de pessoas. Mas, à medida que
prosseguem as rondas negociais e se vão conhecendo alguns dos pormenores, a
apreensão e a contestação ao TTIP vai crescendo. Cada vez mais há a perceção que o
TTIP é uma espécie de cavalo de Troia que tem como verdadeiros objetivos a
liberalização e desregulamentação de todos os setores da economia, feito à medida dos
interesses das multinacionais e em detrimento dos interesses dos povos e da
democracia.
Como o próprio Governo admite no seu portal eletrónico: “As negociações terão como
objetivo a supressão dos obstáculos comerciais (direitos, regulamentações
desnecessárias, restrições ao investimento, restrições no acesso aos mercados públicos,
etc.) numa vasta gama de setores económicos. Apesar da linguagem encriptada própria
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deste tipo de comunicações, começa-se a perceber o alcance do acordo. Mais do que
simples questões aduaneiras, o que está em jogo é a desregulamentação, a total
liberalização dos mercados e a abertura dos setores públicos ao privado.
A desregulamentação e a chamada eliminação das restrições ao investimento vão trazer
enormes impactos sobre o ambiente e a segurança alimentar; sobre a liberdade e
privacidade na internet; sobre os serviços e bens públicos; sobre o setor financeiro;
sobre o mercado de trabalho e, por último, sobre a justiça e a democracia.
A desregulamentação dos setores da economia segue uma lógica perigosa para os
consumidores europeus. A União Europeia e os EUA procurarão convergir nos mínimos
denominadores comuns, baixando as regras regulatórias. É uma corrida para o fundo
dos direitos e da proteção dos cidadãos.
A título de exemplo, é de referir que nos EUA 70% de toda a comida processada contém
organismos geneticamente modificados e que as grandes empresas do ramo impediram
na rotulagem destes produtos constasse a designação OGM. Agora o objetivo é alargar
esta realidade à legislação europeia.
É ainda de referir que nos EUA é permitido o uso massivo de vários pesticidas não
permitidos na Europa, assim como o uso generalizado de hormonas de crescimento na
criação de animais. Um bom exemplo é o da 'ractopamina': um medicamento utilizado
para aumentar o teor em carne magra dos porcos e dos bovinos. Este medicamento foi
até banido em mais de 160 países, mas a fileira dos produtores de carne de porco dos
EUA é uma acérrima defensora da sua utilização. O TTIP, ao baixar as normas
regulatórias e ao querer retirar todas as restrições de comércio com os EUA, pode abrir
as portas a uma total desregulamentação no setor alimentar, com claro prejuízo e perigo
para o consumidor europeu.
Por outro lado, à boleia das negociações sobre o TTIP, os lobistas das indústrias de
internet querem que o acordo contemple o levantamento de barreiras que atualmente
impedem que os dados pessoais dos utilizadores de internet se difundam livremente da
Europa para os EUA. Isto representaria o fim da privacidade do utilizador de internet e o
uso dos seus dados pessoais para os mais variados fins, inclusivamente, para que fossem
vendidos a bancos, seguradoras e outras empresas e instituições, de forma a constituir
uma carteira de potenciais clientes.
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Os serviços e os bens públicos estão também ameaçados com este Acordo negociado em
prol dos interesses das grandes multinacionais. Como o próprio Governo português
admite, um dos objetivos do TTIP é a eliminação de restrições no acesso aos mercados
públicos, fazendo adivinhar a entrada de privadas nos serviços e bens públicos. Sobre
esta questão, no Reino Unido existe uma intensa discussão por se considerar que a
adesão ao TTIP colocará em causa o NHS (National Health System) temendo-se a
apropriação do mesmo por parte das grandes multinacionais do setor.
O TTIP poderá levar ainda ao encarecimento dos medicamentos, atacando diretamente o
direito à saúde dos povos europeus em particular. Isto porque pretende reforçar as
normas sobre proteção de patentes às grandes empresas farmo-químicas, o que tornará
os medicamentos mais caros e os lucros das empresas mais elevados. Ao mesmo tempo,
estuda-se a implementação de tribunais arbitrais que existirão, essencialmente, para
defender os interesses das multinacionais contra decisões dos Estados que possam
afetar os lucros das multinacionais. No que toca a política de medicamentos, até já
existem exemplos de como estes tribunais funcionam. O grupo farmacêutico americano
Eli Lilly processou o Canadá porque este último estabeleceu um sistema de patentes que
tornava os medicamentos mais acessíveis. Este é apenas um prenúncio da realidade que
o TTIP irá criar.
Mas, a abrangência do acordo é enorme e as ramificações são várias. Por exemplo, no
setor financeiro é dado eco aos interesses dos bancos dos dois lados do Atlântico. Os
bancos norte-americanos querem obter uma maior desregulamentação do sistema
financeiro, até porque depois da crise que se iniciou ficaram sob regras mais apertadas.
No entanto, e independentemente de ter sido a sua atitude irresponsável que provocou a
crise que se espalhou também à Europa, querem voltar a funcionar na mesma largura de
banda em que funcionavam anteriormente.
Os bancos europeus pressionam também no mesmo sentido: levantamento de todas as
proteções em matéria de investimentos de risco, eliminação da necessidade de
colaterais, impedimento que os Estados possam controlar o volume, natureza e origem
dos produtos que colocam no mercado, etc. Estes são apenas alguns exemplos do que
pode estar a ser preparado com o TTIP para o setor financeiro: uma regressão ao ante-
2008, potenciando mais crises financeiras que terão que ser pagas pelos contribuintes.
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A indústria agroalimentar também será afetada por este acordo. Ainda esta semana, a
Associação dos Industriais do Tomate veio alertar para o impacto negativo do TTIP no
setor e nas exportações nacionais. Portugal, que é o 4º maior exportador mundial de
tomate de indústria não conseguirá competir com a economia de escala dos EUA e
poderá perder metade do seu mercado exportador.
Os direitos dos trabalhadores na linha de fogo do TTIP
O mercado de trabalho será também seriamente afetado pelo TTIP. Pretende-se mesmo
baixar o nível dos direitos laborais e do salário dos trabalhadores. A garantia é dada pelo
reforço dos direitos das multinacionais mesmo contra a legislação nacional. A criação de
tribunais arbitrais à margem dos ordenamentos jurídicos dos países é essa garantia. Os
exemplos já existentes permitem vislumbrar como podem ser utilizados
perniciosamente no futuro.
Os ISDS (Investor-State Dispute Settlements) são mecanismos que já existem em
acordos entre países e que têm como missão arbitrar conflitos entre os interesses das
multinacionais e os Estados onde se localizaram. São similares aos tribunais arbitrais
que agora querem criar com o TTIP. Ao abrigo de um destes mecanismos, a Veolia
processou o Egito quando este decidiu aumentar o salário mínimo nacional. A
multinacional achava que isso ia contra os seus interesses e decidiu processar um
Estado soberano por estar a aplicar uma medida social com a qual a multinacional
discordava. O caso foi julgado num tribunal arbitral e o Egito teve que indemnizar a
multinacional.
Este mecanismo de tribunais privados que decidem fora da legislação dos países e
decidem contra a soberania dos países tem já muitos outros exemplos: o grupo
americano Renco processou o Peru porque este país decidiu limitar as emissões tóxicas
e a multinacional considerou que isso era uma restrição à sua atividade; a Philip Morris
processou o Uruguai e a Austrália pelas legislações antitabaco aprovadas nestes países; a
Vattenfall processou a Alemanha quando esta decidiu abandonar os projetos de energia
nuclear.
Nestes tribunais e com os mecanismos previstos no TTIP as multinacionais ganham
sempre e os Estados ficam subordinados aos interesses de grupos económicos. Lamenta-
se, por isso, que Portugal se tenha mostrado um fervoroso adepto deste tipo de tribunais
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privados (os ISDS). Bruno Maçães, Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, assinou,
em nome de Portugal, uma carta dirigida à Comissão Europeia, onde lembrava a
importância dos ISDS para o TTIP.
Esta posição do Governo levou a uma manifestação de profundo desagrado por parte de
um conjunto de ONG, como a Quercus e a Oikos, tendo estas organizações endereçado
uma carta ao Primeiro-Ministro onde consideram que o TTIP “reduzirá
substancialmente os padrões europeus de defesa do consumidor, de defesa do ambiente
e da natureza, da segurança e soberania alimentares, dos direitos laborais e sindicais,
dos direitos à privacidade e liberdade de utilização da internet, entre outros”. É esta a
opinião que o Bloco de Esquerda partilha.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República resolve:
recomende ao Governo que:
1. Rejeite o processo para a criação do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio
e Investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos da América (Transatlantic
Trade and Investment Partnership - TTIP);
2. Que assuma no Conselho Europeu a rejeição do Acordo de Parceria Transatlântica
de Comércio e Investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos da América
(Transatlantic Trade and Investment Partnership - TTIP);
3. Que informe a Comissão Europeia da rejeição por Portugal das normas de
liberalização e desregulamentação que estão a ser negociadas no TTIP.
Assembleia da República, 12 de junho de 2015.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Publicação — DAR II série A — 28-31 — 13/06/2015
II SÉRIE-A — NÚMERO 147 28
crescente dependência dos serviços de Segurança Social do recursos a empresas privadas, assegurando a
existência dos meios – materiais, humanos e técnicos – próprios necessários;
8 – Realizar um levantamento exaustivo e desagregado das receitas da Segurança Social perdidas em
resultado das prescrições de dívidas, da fraude e evasão contributivas e do volume de isenções e reduções ao
pagamento da Taxa Social Única;
C –Recomendar ao Governo que disponibilize à Assembleia da República os elementos estatísticos,
financeiros e técnicos e que identifique as medidas legislativas, administrativas e outras necessárias a tornar
mais transparente a gestão dos recursos financeiros da Segurança Social, nomeadamente:
1 – Assegurar a acessibilidade e a transparência do Orçamento e da Conta da Segurança Social,
nomeadamente desagregando a informação contida nestes dois documentos de forma que permita avaliar com
rigor a proveniência e os montantes da receita obtida, os défices ou excedentes existentes e o cumprimento da
Lei de Bases da Segurança Social quanto às formas de financiamento, devendo ainda juntar ao Orçamento da
Segurança Social os mapas relativos ao sistema e subsistemas da segurança social contendo quer as verbas
orçamentadas quer as verbas executadas no ano anterior;
2 – Disponibilizar a informação que permita conhecer a situação financeira dos vários regimes e sub-regimes
da segurança social, devendo considerar-se prioritariamente a informação relativa aos regimes dos
independentes e dos membros dos órgãos estatutários das pessoas coletivas e das entidades a elas
equiparadas;
3 – Criar as condições necessárias para que sejam aprovadas as Contas da Segurança Social;
4 – Assegurar uma maior transparência na despesa relativa ao sistema de proteção social, aferindo-se da
relação existente entre o esforço financeiro do Estado e o cumprimento dos fins a que se destinam,
designadamente o combate à pobreza e exclusão social e a garantia de igualdade de acesso das camadas mais
desfavorecidas à rede de equipamentos sociais existentes nas diversas valências;
5 – Informar regularmente a Assembleia da República, através de relatórios trimestrais, sobre a execução
das medidas respeitantes a dívidas de contribuições e de evasão contributiva, incluindo a subdeclaração de
remunerações à segurança social;
6 – Desenvolver as estatísticas da Segurança Social e a produção de indicadores, nas dimensões física e
financeira, incluindo indicadores estatísticos na área do subsistema da Ação Social, designadamente no que se
refere aos equipamentos sociais, com a avaliação dos apoios concedidos pelo Estado a entidades sem fins
lucrativos, número de utentes por valência e taxa de esforço das famílias.
Assembleia da República, 12 de junho de 2015.
Os Deputados do PCP, Jorge Machado — Rita Rato — David Costa — Jerónimo de Sousa — João Oliveira
— Paula Santos — Paulo Sá — Miguel Tiago — Carla Cruz — Bruno Dias — João Ramos — Diana Ferreira —
António Filipe — Francisco Lopes.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1534/XII (4.ª)
REJEITA O ACORDO DE PARCERIA TRANSATLÂNTICA DE COMÉRCIO E INVESTIMENTO (TTIP)
ENTRE A UNIÃO EUROPEIA E OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Desde 2013 que a União Europeia e os EUA negoceiam, sob um manto de enorme secretismo, o Acordo de
Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos da América
(Transatlantic Trade and Investment Partnership – TTIP).
O objetivo anunciado é o da criação de uma grande área de livre comércio entre os dois espaços económicos
que, juntos, representam quase metade do Produto Interno Bruto mundial, para além de um mercado de 800
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Votação Deliberação — DAR I série — 71-71 — 04/07/2015
4 DE JULHO DE 2015
opção da mulher nas primeiras 10 semanas de gravidez (CDS-PP e PSD) baixarem à Comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, sem votação, por 20 dias.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD e do CDS-PP e votos contra do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Em consequência, estas duas iniciativas baixam à Comissão nos termos requeridos por 20 dias e, portanto,
não votamos os dois projetos que se seguem no guião de votações.
Em votação global, vamos votar a proposta de resolução n.º 117/XII (4.ª) — Aprova o Acordo entre a
República Portuguesa e a Universidade das Nações Unidas relativo à Unidade Operacional de Governação
Eletrónica Orientada para Políticas da Universidade das Nações Unidas em Guimarães, Portugal, assinado em
Lisboa, em 23 de maio de 2014.
Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.
Ainda em votação global, segue-se a votação da proposta de resolução n.º 118/XII (4.ª) — Aprova o Acordo
entre a República Portuguesa e a Universidade das Nações Unidas relativo à Criação, Funcionamento e
Localização da Unidade Operacional de Governação Eletrónica Orientada para Políticas da Universidade das
Nações Unidas em Guimarães, Portugal, assinado em Lisboa, em 23 de maio de 2014.
Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.
Vamos, agora, votar o projeto de resolução n.º 1543/XII (4.ª) — Pela rejeição do denominado Acordo de
Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Seguimos com a votação do projeto de resolução n.º 1534/XII (4.ª) — Rejeita o Acordo de Parceria
Transatlântica de Comércio e Investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos da América (TTIP)
(BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Srs. Deputados, vamos votar o projeto de resolução n.º 1183/XII (4.ª) — Criação do Laboratório Nacional
do Medicamento (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1535/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo avaliação e a
revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA) (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Peço a palavra, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra, Sr.ª Deputada.
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