PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução nº 1369/XII-4ª
Urgente construção integral do IC35
A construção do IC35 é uma velha aspiração das populações da região do Vale do
Sousa e Baixo Tâmega, essencial para responder às necessidades de mobilidade
daquelas populações, para superar atraso estruturais e potenciar o desenvolvimento
daquela que é das regiões mais empobrecidas da União Europeia.
Apesar das inúmeras promessas eleitorais a este respeito, tanto do PS, como do PSD e
do CDS, a sua construção ainda não foi concretizada, significando um isolamento numa
região do país, cuja orografia já de si cria dificuldades de acesso.
Já em 2011, o PCP apresentou um Projeto de Resolução, que recomendava a
construção urgente da IC35. Este Projeto foi chumbado pela maioria PSD/CDS,
contrariando até aquela que foi, na altura, a votação destes mesmos partidos na
Assembleia Municipal do concelho de Marco de Canaveses que aprovou, por
unanimidade, uma moção da CDU que recomendava ao Governo que procedesse à
construção imediata do IC35.
A construção do IC35, que visa ligar a A4 à A25, é já uma antiga e justíssima aspiração
das populações dos concelhos de Penafiel, Marco de Canaveses, Castelo de Paiva e
Cinfães, entre outras.
Importa referir que há mais de 30 anos que é discutida a necessidade de construção de
um itinerário complementar (IC) que seja uma alternativa à EN 106, uma vez que esta
já não constitui, desde há muito tempo, uma verdadeira solução de mobilidade para
estas populações, sendo mesmo um martírio, para estas populações, a circulação na
EN106 – e todos quantos nela circulem o poderão confirmar.
A alta sinistralidade desta via (confirmados num estudo realizado pela Câmara
Municipal de Penafiel, em 2014), o seu percurso sinuoso e o tempo gasto na ligação
entre Penafiel e Castelo de Paiva, são incompatíveis com o volume de tráfego que
circula nesta via (dezenas de milhares de utilizadores por dia, sem que a mesma tenha
condições para tal), com os níveis de segurança rodoviária aceitáveis e com as
necessidades destas populações – o que está, aliás, mencionado no estudo de impacto
ambiental referente ao projeto de construção do IC35 que refere quanto à EN16 que
esta “apresenta elevados volumes de tráfego rodoviário, não é vedada, apresenta
ampla ocupação marginal e nela coexistem todos os tipos de trânsito (pedonal,
agrícola, motorizado local e motorizado de médio curso), combinação não adequada a
este tipo de itinerário no que se refere à sinistralidade e ao serviço prestado aos
utentes da via, bem como às populações marginais”.
Importa também referir que a inexistência do IC35 significa elevados impactos para a
economia local. A existência de vias de comunicação eficazes e eficientes é
fundamental para o desenvolvimento económico. A região do Vale do Sousa e Baixo
Tâmega, fruto do conjunto das opções políticas de sucessivos governos do PS, PSD e
CDS, tem uma realidade económica e social marcada pelo desemprego e pela pobreza,
que urge combater. E também nesta dimensão a construção do IC35 tem influência,
podendo ser determinante para a captação de investimento, atração de empresas e
consequentemente, para o aumento do emprego nestes concelhos. No já referido
estudo de impacto ambiental pode ler-se que a construção do IC 35 “ produzirá
melhorias a vários níveis, pelo aumento da acessibilidade, essencialmente junto aos
nós, maior facilidade de escoamento de produtos, o que se revelará muito positivo
devido à grande atividade de extração de granitos existente no local, potenciando
ainda a instalação de novas atividades, a redução dos tempos de viagem e custos de
combustível, poupança de materiais e maior segurança na circulação viária.”
Por diversas vezes e de uma forma reiterada, diferentes responsáveis políticos, ora do
PS ora do PSD/CDS, assumiram o compromisso de construir esta importante via de
circulação, sem que no entanto, até aos dias de hoje, ela seja uma realidade na vida
destas populações, tendo a sua construção sido sucessivamente adiada.
É importante não esquecer este mesmo compromisso assumido por diversos
responsáveis políticos depois da tragédia da queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-
os-Rios, a 4 de Março de 2001, uma tragédia que afetou de forma dramática estas
populações.
Passaram já quase 15 anos deste a aprovação de um Projeto de Resolução, nesta
mesma Assembleia da República, que, entre outras medidas, recomendava a urgente
construção do IC35. A Resolução que daí resultou (nº 28/2001), publicada a 5 de Abril
de 2001, subscrita por todos os grupos parlamentares e aprovada por unanimidade diz
que o Governo devia, com “carácter de prioridade absoluta” proceder ao lançamento
de um conjunto de obras – entre as quais a construção do IC35.
Para o PCP, os sucessivos atrasos na construção desta via são inaceitáveis e
injustificáveis, face às necessidades das populações, designadamente dos concelhos de
Penafiel, Marco de Canavezes e Castelo de Paiva.
O PCP tem pautado a sua intervenção pela defesa da concretização deste
investimento, nomeadamente através da apresentação de propostas de atribuição de
verbas em Orçamento do Estado, que foram sucessivamente reprovadas por maiorias
PS, PSD e CDS.
Já anteriormente, e em diferentes tomadas de posição públicas, o PCP exigiu ao
Governo construção do IC35 e, por diversas vezes, apresentou, em sede de Orçamento
do Estado, propostas concretas de inscrição de verbas para a construção do IC35.
Assumimos o compromisso de continuar a lutar pela construção do IC35 porque se
trata de um investimento fundamental para o desenvolvimento económico e social
destes concelhos.
O PCP lutou e irá continuar a lutar pela construção desta importante infra-estrutura.
Esta continua a ser uma justa reivindicação das populações, descontentes com os
atrasos na construção desta via fundamental, que o PCP acompanha e traduz neste
Projeto de Resolução, no qual se exige que seja cumprido o que foi prometido e que,
sem mais demoras, inicie o processo de construção do IC35.
Nestes termos e ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, a
Assembleia da República recomenda ao Governo que concretize, com carácter de
urgência, a construção integral do IC35.
Assembleia da República, 20 de março de 2015
Os Deputados,
DIANA FERREIRA; JORGE MACHADO; BRUNO DIAS; RITA RATO; JOÃO RAMOS; PAULO
SÁ; MIGUEL TIAGO; DAVID COSTA; ANTÓNIO FILIPE; PAULA SANTOS; JOÃO OLIVEIRA
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Publicação — DAR II série A — 95-97 — 20/03/2015
95 | II Série A - Número: 099 | 20 de Março de 2015
A Assembleia da República recomenda ao Governo, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República, que:
I — UMA RÁPIDA REAVALIAÇÃO DO PLANO E INÍCIO DA SUA EXECUÇÃO PELA CONCRETIZAÇÃO DO SISTEMA PRIMÁRIO DE DEFESA E DRENAGEM DO BAIXO VOUGA LAGUNAR 1. Que por iniciativa e sob coordenação do Ministério da Agricultura e do Mar, com o envolvimento do Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia seja criada uma curta equipa técnica executiva com participação de elementos das áreas da agricultura e do ambiente, um representante de cada um dos municípios abrangidos pelo Projeto (Aveiro, Estarreja e Albergaria-a-Velha) e um responsável do Polis da Ria de Aveiro; 2. Que a Equipa faça um ponto de situação do Projeto do Bloco do Baixo Vouga Lagunar, procedendo, no prazo de 3 meses a uma reavaliação em todas as dimensões do Projeto, determine o valor dos investimentos previsíveis, programe a execução e tome as iniciativas e decisões necessárias para início das obras ainda em 2015; 3. Que a Equipa apresente aos ministérios da agricultura e do ambiente uma proposta de Comissão de Acompanhamento e Monitorização da execução do Projeto integrando entidades regionais públicas e privadas, direta ou indiretamente interessadas — Universidade de Aveiro, associações agrícolas e empresariais, e outras — que trimestralmente relatará o desenvolvimento do Projeto;
II — DISPONIBILIZAÇÃO DE DOTAÇÃO ORÇAMENTAL (PDR2020, QREN2014-2020 E OE) PARA A SUA CONCLUSÃO
1. O Governo procurará de imediato acolher nas disponibilidades orçamentais dos Programas QREN 20142020 e PDR2020 e verbas do Ministério para obras hidroagrícolas e projetos ambientais, uma dotação de 25 milhões de euros, valor antes estimado, como previsível para a primeira fase do Projeto do Sistema Primário de Defesa e Drenagem do Baixo Vouga Lagunar, a investir em 2015 e 2016;
III — PROGRAMAÇÃO DAS RESTANTES FASES DO PLANO INTEGRADO DO DESENVOLVIMENTO DO BAIXO VOUGA LAGUNAR 1. O Governo deve tomar as medidas necessárias para a conclusão de todo o Plano Integrado do Desenvolvimento do Baixo Vouga Lagunar, programando as restantes fases, respeitantes aos outros 9 blocos, com a perspetiva do seu enquadramento nos programas de fundos comunitários do novo quadro de apoio a iniciar-se em 2015. Assembleia da República,20 de março de 2015.
Os Deputados do PCP, João Ramos — Bruno Dias — João Oliveira — Jorge Machado — António Filipe — Francisco Lopes — Diana Ferreira — Paulo Sá — Jerónimo de Sousa — Paula Santos — Miguel Tiago — David Costa.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1369/XII (4.ª) URGENTE CONSTRUÇÃO INTEGRAL DO IC35
A construção do IC35 é uma velha aspiração das populações da região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega, essencial para responder às necessidades de mobilidade daquelas populações, para superar atraso estruturais e potenciar o desenvolvimento daquela que é das regiões mais empobrecidas da União Europeia.
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Apreciação — DAR I série — 9-18 — 27/03/2015
27 DE MARÇO DE 2015
específica para a ilha Terceira e também para a Região Autónoma dos Açores. Portanto, ninguém está alheio
a este problema, o Governo está atento e preocupado.
Hoje, o importante — e o projeto de resolução que apresentamos visa isso mesmo — era que todos nós
pudéssemos fazer uma frente comum relativamente ao que é necessário e é importante agora: negociar com
os Estados Unidos, ter o retorno, ter a obrigação e fazer com que os Estados Unidos assumam uma posição
clara de ressarcir os Açores em todos os domínios tendo em conta aquilo que são as consequências
unilaterais da sua decisão. Sobre isto, vi, em todos os grupos parlamentares, a mesma vontade.
Com essa vontade, também, diremos que estamos disponíveis, com clareza, para retirar o nosso projeto de
resolução nos termos em que está e para tentar encontrar uma plataforma comum em que todos se revejam,
não só os partidos, mas também todas as entidades envolvidas, para que caminhemos em função de um único
resultado, que é o de termos uma posição negocial firme e que chegue a bom porto a resolução quanto à
posição do Estado português em relação aos Estados Unidos. Contem connosco para isso, porque estaremos
disponíveis.
Não queremos subscrever uma vitória, queremos subscrever o resultado positivo para o País, para a
Região Autónoma e, necessariamente, para todos os que estão envolvidos.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, vamos passar ao segundo ponto da ordem do dia, que consta da
discussão conjunta dos projetos de resolução n.os
1029/XII (3.ª) — Recomenda prioridade na construção do
IC35 (Penafiel — Entre-os-Rios) (BE), 1031/XII (3.ª) — Recomenda prioridade na conclusão da variante à
EN326 entre Arouca e acesso ao IP1/A1 em Santa Maria da Feira (BE), 1032/XII (3.ª) — Recomenda
prioridade na conclusão da variante à EN222 entre Pedorido (Castelo de Paiva) e Canedo (Santa Maria da
Feira) (BE), 1011/XII (3.ª) — Recomenda ao Governo a construção do itinerário complementar n.º 35 (IC35),
lanço Penafiel — Entre-os-Rios, e da variante Arouca — Santa Maria da Feira (PS), 1369/XII (4.ª) — Urgente
construção integral do IC35 (PCP), 1370/XII (4.ª) — Conclusão da variante à EN222 (PCP), 1376/XII (4.ª) —
Recomenda ao Governo que avance com a construção do IC35 entre Penafiel e Entre-os-Rios (CDS-PP),
1378/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo que assegure a conclusão da construção da variante à EN222 entre
Pedorido (Castelo de Paiva) e Canedo (Santa Maria da Feira) (PS), 1380/XII (4.ª) — Valorização da zona
industrial localizada no eixo viário constituído pelos concelhos de Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira,
Santa Maria da Feira e Arouca através da sua ligação às A32 e A1 (PSD e CDS-PP) e 1381/XII (4.ª) —
Valorização da zona industrial das Lavagueiras, no concelho de Castelo de Paiva, através da sua ligação à
A32 (PSD e CDS-PP).
Para apresentar os projetos de resolução do Bloco de Esquerda, tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Filipe
Soares.
O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: O debate que agora vamos
iniciar é sobre a palavra, a palavra daqueles que, em campanha eleitoral, saem à rua, pedem a confiança das
pessoas e o seu voto e, depois, o que fazem com essa confiança e com o seu voto.
No final da Legislatura, todas as iniciativas que, em concreto, motivaram projetos de resolução de todas as
bancadas foram já objeto de promessa deste Governo, do governo anterior e até de outros governos
anteriores.
A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Exatamente!
O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — De facto, o que temos hoje para debater é a falta de palavra daqueles
que, chegados ao Governo, logo se esqueceram do que prometeram às populações.
Em concreto, são três os eixos viários que estão em debate, e todos eles justificáveis. A ligação entre
Entre-os-Rios e Penafiel, a variante ao IC35, é justíssima. Não haja qualquer dúvida de que é merecida há
décadas. É uma solução para criar emprego, para resolver problemas de sinistralidade, cuja motivação
económica é justificável por abarcar quatro concelhos de uma penada só.
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Votação Deliberação — DAR I série — 35-35 — 28/03/2015
28 DE MARÇO DE 2015
Votamos agora o projeto de resolução n.º 1032/XII (3.ª) — Recomenda prioridade na conclusão da variante
à EN222 entre Pedorido (Castelo de Paiva) e Canedo (Santa Maria da Feira) (BE),
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 1011/XII (3.ª) — Recomenda ao Governo a construção do
itinerário complementar n.º 35 (IC35), lanço Penafiel — Entre-os-Rios, e da variante Arouca — Santa Maria da
Feira (PS).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
A Sr.ª Glória Araújo (PS): — Sr.ª Presidente, peço a palavra.
A Sr.ª Presidente: — Para que efeito, Sr.ª Deputada?
A Sr.ª Glória Araújo (PS): — Sr.ª Presidente, é para anunciar que apresentarei uma declaração de voto
em relação à votação desta iniciativa legislativa, do PS, e a uma outra, já anteriormente votada, do BE,
também sobre o IC35.
A Sr.ª Presidente: — Muito bem, Sr.ª Deputada, fica registado.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1369/XII (4.ª) — Urgente construção integral do IC35
(PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PCP, do BE e
de Os Verdes e a abstenção do PS.
O Sr. Mário Magalhães (PSD): — Peço a palavra, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente: — Para que efeito, Sr. Deputado?
O Sr. Mário Magalhães (PSD): — Sr.ª Presidente, para anunciar que, relativamente à votação dos projetos
de resolução n.os
1029/XII (3.ª), 1011/XII (3.ª), 1369/XII (4.ª), eu e os Deputados do PSD eleitos pelo círculo
eleitoral do Porto apresentaremos uma declaração de voto.
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Procedemos, agora, à votação do projeto de resolução n.º 1370/XII (4.ª) — Conclusão da variante à EN222
(PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1376/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo que avance com
a construção do IC35 entre Penafiel e Entre-os-Rios (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP, do PCP, do BE e de Os Verdes
e a abstenção do PS.
O Sr. António Cardoso (PS): — Peço a palavra, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente: — Para que efeito, Sr. Deputado?
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