PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Apreciação Parlamentar nº 134/XII-4.ª
Decreto-Lei n.º 13/2015, de 26 de janeiro
Define os objetivos e os princípios da política de emprego e regula a conceção, a
execução, o acompanhamento, a avaliação e o financiamento dos respetivos
programas e medidas
(Publicado no Diário da República, I série, n.º 17, de 26 de janeiro de 2015)
O desemprego representa atualmente um dos maiores flagelos que atinge o povo
português. De acordo com estimativas do INE, o número de desempregados em
sentido restrito e corrigido de sazonalidade deverá ter atingido em Dezembro de 2014
os 689,6 mil e a população empregada os 4 milhões 441 mil e 500.
Estas estimativas confirmam ainda que o abrandamento da atividade económica no
último trimestre do ano levou a que a taxa de desemprego corrigida e não corrigida de
sazonalidade tenha subido comparativamente com o 3.º trimestre de 2014. Neste
mesmo período cerca de 15 mil postos de trabalho deverão ter sido destruídos e a taxa
de desemprego trimestral deverá ter atingido os 13,6%.
Desde que este Governo entrou em funções - 4.º trimestre de 2011 - e o 3.º Trimestre
de 2014, o número de desempregados que não são considerados no cálculo do
desemprego oficial e na taxa de desemprego oficial aumentou em 89,2%, pois passou
de 241.722 para 457.455, omitindo das estatísticas todos os desempregados que não
procuraram ativamente emprego no período em que foi feito o inquérito pelo INE,
bem como os desempregados que estavam a participar em ações de formação em
centros do IEFP e em centros não pertencentes ao IEFP e os trabalhadores que
estavam a estagiar em empresas.
Além disso, todos os trabalhadores desempregados abrangidos pelos “Contratos de
Emprego Inserção” e pelos “Contratos de Emprego Inserção +”, que correspondem a
uma forma de utilizar os trabalhadores desempregados para substituir trabalhadores
despedidos, que se reformaram e não foram substituídos ou para evitar a contratação
de novos trabalhadores com o devido vínculo, também não contam para as estatísticas
oficiais.
Assim, facilmente é desmontável a propaganda populista e o embuste deste Governo
relativamente aos números do desemprego e constatar que, pelo contrário, o valor
absoluto deste se aproxima de 1 milhão e 200 mil trabalhadores desempregados.
No entanto, ao invés de procurar resolver este problema, este Governo, na senda dos
que o antecederam, faz exatamente o inverso, promovendo o desemprego através dos
despedimentos na função pública e da destruição de serviços públicos, através do
aprofundamento da precariedade laboral, através da desregulação dos horários e
tempos de trabalho e mesmo através daquilo que chama de políticas ativas de
emprego, como é o caso dos programas CEI e CEI+, dos estágios e da redução da TSU
para as empresas.
Recordamos que fruto das políticas de delapidação e destruição da Administração
Pública, desde 2010 foram destruídos cerca de 100.000 postos de trabalho públicos e,
se recuarmos 10 anos, foram destruídos mais de 200.000.
Os motivos que levam o Grupo Parlamentar do PCP a requerer a apreciação
parlamentar deste Decreto-Lei prendem-se, desde logo, com a conceção ideológica
que subjaz a estas medidas, em que se procura através do vago conceito de
“empreendedorismo” responsabilizar os trabalhadores pela criação do seu próprio
emprego - assim, os trabalhadores são exortados a criar o seu próprio “negócio”,
através de um pequeno empréstimo concedido pelo Estado, que terão de pagar num
prazo de 5 anos ou através do pagamento de uma só vez do valor do subsídio de
desemprego. O Governo, o PSD e CDS sabem muito bem que essa solução não é
exequível para todos os desempregados pelo que visa criar a ideia que a
responsabilidade do desemprego é do próprio trabalhador e não das opções de
política económica adotadas pelo Governo.
Mais importa referir que este tipo de medidas surgem enquadradas naquilo que são as
orientações prosseguidas por este Governo de aumento da exploração e do
empobrecimento de largas camadas da população. No nosso país há quem empobreça
a trabalhar, como é exemplo (ainda que não seja exemplo único) dos trabalhadores
abrangidos pelos CEI’s e CEI’s + que sendo forçados a inserir-se no mundo trabalho –
pois se não aceitarem perdem o direito ao subsídio de desemprego ou o rendimento
social de inserção que eventualmente estejam a receber – recebem prestações de
miséria, abaixo do salário mínimo e substituem trabalhadores com vínculos e direitos.
Além disso, este decreto-lei também serve para escancarar as portas de um novo
mercado para os privados. Os serviços de emprego passam a poder ser desenvolvidos
por serviços públicos de emprego (IEFP) e por serviços privados de emprego, sendo
que estes últimos correspondem às entidades que desenvolvam atividade económica
nesta área, ou seja, agências privadas de colocação de candidatos a emprego. Além
disso, estes também podem vir a ser responsabilizados pela própria execução das
medidas previstas o que significa o acesso a largos milhões de euros da segurança
social.
O PCP rejeita por completo esta conceção de privatização do desenvolvimento e da
execução das políticas de emprego que apenas pode pertencer aos serviços públicos
de emprego. A ânsia privatizadora dos partidos da política de direita já não é novidade,
mas não deixa de ser curioso que sejam coincidentes os momentos em que este
Governo se prepara para despedir mais 600 trabalhadores do Instituto da Segurança
Social e em que abre as portas da Segurança Social e dos serviços públicos de emprego
a privados, para que daí possam fazer negócio. Este Governo destrói para depois
privatizar.
Finalmente, não podemos deixar de notar que, mais uma vez, é a Segurança Social a
acorrer ao financiamento destas medidas. Este decreto-lei representa mais um
flagrante exemplo de uso indevido dos descontos dos trabalhadores, em que é o
próprio Governo PSD/CDS a comprometer a sustentabilidade financeira da segurança
social.
Chamamos especialmente a atenção para a medida de apoio à contratação, em que se
concede às empresas um apoio financeiro direto à contratação ou então o reembolso
total ou parcial da TSU que contratam empregados inscritos no serviço público de
emprego. Mais uma vez, este Governo toma uma verdadeira opção de classe, ao não
hesitar em retirar verbas da segurança social, que pertencem aos trabalhadores e
entrega-las aos privados. O PCP entende que as ditas políticas ativas de emprego
devem ser financiadas pelo orçamento do estado e não pela segurança social.
Ao contrário do que os partidos da política de direita e o setor financeiro anunciam aos
quatros ventos, quais arautos da desgraça, o sistema público de segurança social,
apesar da sua jovem existência, já provou que não há nenhum problema com o seu
cariz público, universal e solidário e mesmo com a sua solvabilidade.
A única e verdadeiramente grave ameaça à Segurança Social reside na política de
direita prosseguida pelos sucessivos Governos PS, PSD e CDS, que promovendo baixos
salários, precariedade laboral, desemprego, emigração e recessão económica,
comprometendo a sua capacidade de obtenção de receitas.
O PCP rejeita em absoluto este caminho de privatização das respostas de sociais, de
aprofundamento das desigualdades e responsabilização dos trabalhadores pela sua
situação de desemprego.
Nestes termos, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o
Grupo Parlamentar do PCP requer a Apreciação Parlamentar do Decreto-Lei n.º
13/2015, de 26 de janeiro, que “Define os objetivos e os princípios da política de
emprego e regula a conceção, a execução, o acompanhamento, a avaliação e o
financiamento dos respetivos programas e medidas”.
Assembleia da República, de 25 de fevereiro de 2015
Os Deputados,
JORGE MACHADO; RITA RATO; DAVID COSTA; PAULO SÁ; JOÃO OLIVEIRA; PAULA
SANTOS; JOÃO RAMOS; DIANA FERREIRA; MIGUEL TIAGO; CARLA CRUZ; JERÓNIMO
DE SOUSA; FRANCISCO LOPES
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Publicação — DAR II série B — 2-4 — 28/02/2015
II SÉRIE-B — NÚMERO 30
VOTO N.O 254/XII (4.ª)
DE PESAR PELO FALECIMENTO DOS AGENTES DA PSP RICARDO FILIPE SANTOS E JOÃO
CARLOS LOPES RAINHO
Na passada 4.ª feira, dia 25 de Fevereiro, o País foi confrontado com a notícia da morte dos agentes da PSP
Ricardo Filipe Santos e João Carlos Lopes Raínho, enquanto perseguiam dois suspeitos que se escapavam
junto à linha do comboio. Numa curva da linha, e de forma inopinada, acabariam ambos colhidos mortalmente
por um comboio, perto da estação da Bobadela.
Estes dois jovens agentes que perderam a vida no cumprimento do seu dever, na salvaguarda de pessoas
e de bens que era sua função proteger, tinham ambos menos de 30 anos, ambos estavam o início das suas
carreiras, ambos tinham toda uma vida pela frente.
Perderam-na ao serviço de todos nós, e por isso merecem o nosso eterno agradecimento.
As estatísticas anualmente vertidas nos relatórios de segurança interna dão-nos conta de que esta é uma
realidade infelizmente bem presente no quotidiano dos agentes das forças de segurança envolvidos em missões
específicas, em missões de fiscalização, ou ainda em ocorrências registadas no patrulhamento das ruas e onde
se pode verificar que nos últimos 20 anos cerca de três dezenas de polícias foram mortos em serviço.
Mas, e sobretudo, estes números não refletem, de modo nenhum, os dramas familiares que essas mortes
trazem consigo, e é, para os familiares próximos de ambos, que vão, neste momento, as nossas palavras de
pesar e o nosso voto de coragem nesta hora difícil.
Nestes termos,
A Assembleia da República manifesta o seu pesar pelo falecimento dos agentes Ricardo Filipe Santos e João
Carlos Lopes Raínho, a quem presta sentida homenagem, e endereça aos seus familiares e à Policia Segurança
Pública/respeitosas condolências.
Palácio de S. Bento, 26 de fevereiro de 2015.
Os Deputados, Luís Montenegro (PSD) — Paulo Simões Ribeiro (PSD) — Miguel Macedo (PSD) — Ferro
Rodrigues (PS) — Nuno Magalhães (CDS-PP) — António Filipe (PCP) — Duarte Pacheco (PSD) — Helder
Amaral (CDS-PP) — Cecília Honório (BE) — Hugo Lopes Soares (PSD) — Sónia Fertuzinhos (PS) — Hortense
Martins (PS) — Abel Baptista (CDS-PP) — João Figueiredo (PSD) — Luís Vales (PSD) — Maria José Moreno
(PSD) — Cristóvão Crespo (PSD) — Vasco Cunha (PSD) — Heloísa Apolónia (Os Verdes) — Abel Batista (CDS-
PP) — José de Matos Correia (PSD).
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APRECIAÇÃO PARLAMENTAR N.º 134/XII (4.ª)
DECRETO-LEI N.º 13/2015, DE 26 DE JANEIRO, QUE DEFINE OS OBJETIVOS E OS PRINCÍPIOS DA
POLÍTICA DE EMPREGO E REGULA A CONCEÇÃO, A EXECUÇÃO, O ACOMPANHAMENTO, A
AVALIAÇÃO E O FINANCIAMENTO DOS RESPETIVOS PROGRAMAS E MEDIDAS
(Publicado no Diário da República, I série, n.º 17, de 26 de janeiro de 2015)
O desemprego representa atualmente um dos maiores flagelos que atinge o povo português. De acordo com
estimativas do INE, o número de desempregados em sentido restrito e corrigido de sazonalidade deverá ter
atingido em Dezembro de 2014 os 689,6 mil e a população empregada os 4 milhões 441 mil e 500.