Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 1
Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1248/XII/4.ª
CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE
FLUVIAL NO TEJO
(TRANSTEJO E SOFLUSA)
Os transportes públicos são um serviço da maior importância social, ambiental,
económica e territorial. Devem garantir o direito à mobilidade a todas as pessoas. São,
ao mesmo tempo, um forte instrumento de política ambiental, ao reduzir a circulação
automóvel e a emissão de CO2.
Por outro lado, são fundamentais para promover a coesão territorial, a aproximação de
freguesias e concelhos e populações. Por tudo isto, a sua importância socioeconómica é
óbvia. Os transportes públicos são essenciais para o desenvolvimento do país.
O transporte fluvial do Tejo, que une as margens do rio, tem sido indispensável para a
mobilidade urbana e interurbana. Desde 1975 que a Transtejo desempenha este papel,
acrescentando meios à rede de transportes da área metropolitana de Lisboa e
garantindo uma melhor mobilidade das populações.
Em 2013, a Transtejo e a Soflusa transportaram mais de 23 milhões de passageiros com
as ligações fluviais Montijo-Terreiro do Paço, Seixal-Cais do Sodré, Cacilhas-Cais do
Sodré, Trafaria - Porto Brandão - Belém e Barreiro - Terreiro do Paço, o que dá conta da
importância deste transporte para a mobilidade urbana e intermunicipal.
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 2
Ainda assim, estes números reduziram-se nos últimos anos, fruto de desinvestimento,
cortes e aumento das tarifas. Em 2010, por exemplo, a Transtejo e a Soflusa
transportavam, em conjunto, quase 28 milhões de passageiros.
A quebra na procura acontece em simultâneo com a redução de frota e de trabalhadores
nas empresas, com a supressão de barcos e redução de horários, com o aumento do
tempo de viagem e com o aumento das tarifas.
A Transtejo e a Soflusa reduziram 50 trabalhadores desde 2010 e a Transtejo tem hoje
uma frota operacional de 20 barcos quando em 2011 tinha 24 barcos ao serviço das suas
operações comerciais.
A partir de 2012 procederam à supressão de várias viagens, reduzindo os horários e, em
muitos casos, desencontrando-se com as necessidades das pessoas. Ainda a partir de
2012 e 2013, a Administração das empresas de transportes decidiu avançar com mais
medidas de cortes: aumentaram o tempo de duração de viagem em algumas ligações.
Tudo isto ao mesmo tempo que o preço do transporte fluvial aumentava, e muito: desde
2011 até 2 de janeiro de 2014, o bilhete simples Montijo - Terreiro do Paço aumentou
quase 8%; o bilhete Seixal - Cais do Sodré aumentou 9% e os bilhetes simples das
ligações Cacilhas - Cais do Sodré e Trafaria - Porto Brandão - Belém aumentaram 10%.
Todas estas medidas de corte levaram à quebra na procura do transporte fluvial,
mantendo-se ainda como absolutamente essencial à mobilidade na região, como provam
os números de passageiros transportados.
O grande problema com que se deparam as empresas públicas de transportes como a
Transtejo ou a Soflusa não é resolvido reduzindo trabalhadores, cortando ligações,
reduzindo horários ou aumentando tarifas. Aliás, estas medidas só agudizam problemas,
porque afastam as pessoas do transporte público.
O grande problema destas empresas tem a ver com o desinvestimento e a
desorçamentação de que foram alvo nos últimos anos. O facto de não receberem as
transferências do Estado a título de indemnizações compensatórias obrigaram-nas a
endividar-se; assim como o facto de os governos não terem feito investimento nas
mesmas, empurrando as empresas para a contração de empréstimos quando
necessitavam de realizar melhorias.
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 3
Esses são os grandes problemas destas empresas de transportes: o desinvestimento e o
endividamento a que os governos têm obrigado.
Sabe-se que o Governo quer concessionar as operações de transporte fluvial no rio Tejo
a privados, à semelhança de muitos outros transportes públicos. No documento com o
título ‘Modelo de Abertura à Iniciativa Privada dos Serviços Públicos de Transporte de
Passageiros de Travessia do Rio Tejo em Modo Fluvial’, o Governo assume essa intenção
de privatização, dizendo que os principais objetivos são a redução dos encargos do
Estado e assegurar o cumprimento das obrigações de serviço público.
Diz ainda o mesmo documento que “a gestão do serviço público de transporte de
passageiros apenas será entregue a operadores privados, no todo ou em parte, caso se
observe uma forte evidência de que essa entrega significará uma melhoria no
cumprimento dos objetivos acima mencionados”.
A realidade provou que, a prazo, esta é uma garantia vazia. Já é tempo de reconhecer e
decidir que não só o Estado deve gerir setor estratégicos, como é mais racional que o
faça.
Primeiro, porque a privatização/concessão não retirará encargos ao Estado, uma vez
que já foi assumido (noutras concessões como a Carris, a STCP, o Metro do Porto ou o
Metropolitano de Lisboa) que o Estado assumirá a chamada dívida histórica das
empresas e transferirá para os privados apenas os resultados operacionais. Por outras
palavras, o Estado assume as dívidas e aos privados são entregues as empresas ‘limpas’.
Em segundo lugar, sabe-se que qualquer entrega a privado não assegurará nem a
melhoria nem a manutenção da qualidade de operação do atual serviço público.
Qualquer privado que queira apenas fazer destes transportes apenas uma fonte de lucro
quererá continuar a degradação do serviço dos últimos anos: redução de horários,
alargamento do tempo de viagens, redução de frota e trabalhadores… Aliás, isso é já uma
realidade com o caderno de encargos para a subconcessão da STCP e do Metro do Porto:
baixaram-se os padrões de qualidade da frota, permite-se a subcontratação massiva do
serviço, permite-se a redução de 10% do serviço prestado nas atuais linhas da STCP, etc.
Assim, perante estes factos e perante a evidência de que apenas o serviço público pode
garantir a necessidade das pessoas e apenas o investimento (e não a degradação) pode
aumentar a procura por estes serviços, o Bloco de Esquerda quer o fim do processo de
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 4
privatização do transporte fluvial de passageiros realizado pela Transtejo e pela Soflusa
e quer o investimento necessário nestas empresas para que a procura por este
transporte volte a aumentar e supere os números que já foram conseguidos há 5 anos
atrás.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo:
1. Rejeitar a privatização ou concessão do serviço público de transportes de
passageiros da Transtejo e da Soflusa a um operador privado;
2. Investir nestas empresas, de forma a aumentar o número de passageiros
transportados anualmente, invertendo a quebra de procura provocada pelo
desinvestimento dos últimos anos.
Assembleia da República, 4 de fevereiro de 2015.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
---
Publicação — DAR II série A — 116-116 — 04/02/2015
116 | II Série A - Número: 070 | 4 de Fevereiro de 2015
O Bloco de Esquerda quer que haja investimento na Linha de Cascais e que se garanta que o transporte coletivo, nesta como noutras linhas, serve as pessoas e responde às suas necessidades.
Defender o investimento público é defender os utentes e os contribuintes e por isso recomendamos que ele seja feito com a urgência que a situação exige.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que: 1. Faça o investimento necessário na manutenção e aquisição de material circulante, assim como na manutenção da linha, melhorando a qualidade e segurança do serviço prestado.
2. Reponha os horários e a frequência de comboios, fazendo com que este transporte seja cada vez mais uma alternativa ao uso do automóvel.
Assembleia da República, 4 de fevereiro de 2015.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua — Pedro Filipe Soares — Cecília Honório — Luís Fazenda — Catarina Martins — Helena Pinto — João Semedo — Mariana Aiveca.
———
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1248/XII (4.ª) CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE FLUVIAL NO TEJO (TRANSTEJO E SOFLUSA)
Os transportes públicos são um serviço da maior importância social, ambiental, económica e territorial.
Devem garantir o direito à mobilidade a todas as pessoas. São, ao mesmo tempo, um forte instrumento de política ambiental, ao reduzir a circulação automóvel e a emissão de CO2.
Por outro lado, são fundamentais para promover a coesão territorial, a aproximação de freguesias e concelhos e populações. Por tudo isto, a sua importância socioeconómica é óbvia. Os transportes públicos são essenciais para o desenvolvimento do país.
O transporte fluvial do Tejo, que une as margens do rio, tem sido indispensável para a mobilidade urbana e interurbana. Desde 1975 que a Transtejo desempenha este papel, acrescentando meios à rede de transportes da área metropolitana de Lisboa e garantindo uma melhor mobilidade das populações.
Em 2013, a Transtejo e a Soflusa transportaram mais de 23 milhões de passageiros com as ligações fluviais Montijo/Terreiro do Paço, Seixal/Cais do Sodré, Cacilhas/Cais do Sodré, Trafaria/Porto Brandão/Belém e Barreiro/Terreiro do Paço, o que dá conta da importância deste transporte para a mobilidade urbana e intermunicipal.
Ainda assim, estes números reduziram-se nos últimos anos, fruto de desinvestimento, cortes e aumento das tarifas. Em 2010, por exemplo, a Transtejo e a Soflusa transportavam, em conjunto, quase 28 milhões de passageiros.
A quebra na procura acontece em simultâneo com a redução de frota e de trabalhadores nas empresas, com a supressão de barcos e redução de horários, com o aumento do tempo de viagem e com o aumento das tarifas.
A Transtejo e a Soflusa reduziram 50 trabalhadores desde 2010 e a Transtejo tem hoje uma frota operacional de 20 barcos quando em 2011 tinha 24 barcos ao serviço das suas operações comerciais.
A partir de 2012 procederam à supressão de várias viagens, reduzindo os horários e, em muitos casos, desencontrando-se com as necessidades das pessoas. Ainda a partir de 2012 e 2013, a Administração das empresas de transportes decidiu avançar com mais medidas de cortes: aumentaram o tempo de duração de viagem em algumas ligações.
Tudo isto ao mesmo tempo que o preço do transporte fluvial aumentava, e muito: desde 2011 até 2 de janeiro de 2014, o bilhete simples Montijo/Terreiro do Paço aumentou quase 8%; o bilhete Seixal/Cais do Sodré aumentou 9% e os bilhetes simples das ligações Cacilhas/Cais do Sodré e Trafaria/Porto Brandão/Belém aumentaram 10%.
---
Votação Deliberação — DAR I série — 22-22 — 23/07/2015
I SÉRIE — NÚMERO 109
A Sr.ª Diana Ferreira (PCP): — Sr.ª Presidente, é para anunciar que o Grupo parlamentar do PCP irá
apresentar uma declaração de voto sobre esta última votação.
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1577/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo a resolução da
subconcessão dos ENVC à Empresa West Sea e elabore um plano de viabilização dos ENVC a partir da
construção dos NPO para a Marinha Portuguesa (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1570/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo que apoie a
candidatura do Santuário do Bom Jesus do Monte a Património Mundial da Unesco (PSD e CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1571/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo que classifique o
Santuário do Bom Jesus do Monte como imóvel de interesse nacional, reconhecendo-o como Monumento
Nacional (PSD e CDS-PP). O texto foi alterado em sede de Comissão.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1575/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo a realização de concursos
de apoio à produção literária e apoio às artes e a publicação dos resultados dos últimos concursos (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP, do PCP, do BE e de Os Verdes
e a abstenção do PS.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1574/XII (4.ª) — Rejeita a criação do Grupo Hospitalar da Península
de Setúbal (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1583/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo a não criação do Grupo
Hospitalar da Península de Setúbal (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 93/XII (1.ª) — Construção urgente do hospital no concelho do Seixal
(PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1248/XII (4.ª) — Contra a privatização do serviço público de
Transporte Fluvial no Tejo (Transtejo e Soflusa) (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Abrir texto oficial