Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 1
Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1128/XII/4.ª
RECUSA A PRIVATIZAÇÃO DA TAP
A TAP é a companhia que fala a nossa língua onde quer que estejamos. É a companhia
que junta o continente às ilhas e o país todo aos seus emigrantes. É a companhia que,
sempre que há portugueses em risco em qualquer canto do mundo, os vai resgatar em
segurança. Isto acontece porque é uma empresa nacional de capitais públicos.
A TAP é, por isso, uma empresa estratégica, assumindo uma posição de relevância não
só para a integridade e coesão do território nacional, mas também para a posição
geoestratégica internacional, operando na encruzilhada entre vários continentes e
subcontinentes, em especial Europa, América do Norte, América do Sul e África.
O “hub” ou placa giratória em que se tornou o aeroporto de Lisboa, muito por causa da
ação da TAP, é um exemplo da importância desta empresa que, por via das linhas que
mantém, permite o contacto entre vários continentes e faz com que todos os anos sejam
quase 2 milhões os passageiros que aterram na Portela para fazerem escala.
Do ponto de vista financeiro, e segundo os relatórios da própria companhia, a TAP tem
registado lucros nos últimos 5 anos. Em 2013 alcançou um resultado positivo de 34M€,
com um total de receitas na ordem dos 2.480M€, um aumento de passageiros
transportados para 10,7 milhões e uma redução da dívida líquida para 585M€.
O desempenho económico e operacional que a TAP tem conseguido atingir é a prova de
que o setor público tem capacidade para criar, gerir e modernizar setores essenciais
para a economia, e mesmo soberania, do país.
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 2
Apesar disto, a TAP tem estado, de há uns anos a esta parte, sob a ameaça da
privatização. Já no Memorando de Entendimento com a Troika assinado com o PS, PSD e
CDS, a TAP aparece como uma das empresas a privatizar. Nas palavras do Memorando,
de 17 de maio de 2011: “o Governo acelerará o programa de privatizações. O plano
existente para o período que decorre até 2013 abrange transportes (Aeroportos de
Portugal, TAP, e a CP Carga)”.
O próprio programa de Governo do PSD/CDS assumia como objetivo a alienação da
“totalidade das participações na TAP”, objetivo que tentaram concretizar desde início,
mesmo que ele acarretasse um claro prejuízo para o interesse público.
A tentativa falhada de 2012
Em 2012 o Governo tentou concretizar o seu objetivo de alienação da TAP,
concretamente com o Decreto-Lei 210/2012, de 21 de setembro, onde se previa
proceder às 3ª e 4ª fase de privatização da TAP, através de ações de aumento de capital
e de alienação de ações representativas do capital da TAP - SGPS, S.A, assim como
através da oferta pública de venda de ações reservada para aquisição por parte de
trabalhadores do universo do Grupo TAP.
Para isto, convidou dezenas de entidades a participar no processo de privatização, mas
esse processo terminou apenas com um ‘pretendente’ à TAP: o empresário Germán
Efromovich, cuja proposta final faria com que o Estado arrecadasse cerca de 20M€ com
a venda da TAP (qualquer coisa como o preço de meio avião).
O Governo tentou viabilizar a operação até ao último minuto, aceitando, por isso, a
venda a um preço próprio de uma ‘liquidação final’, no entanto a venda falhou porque o
empresário não apresentava garantias bancárias. E ainda bem que assim aconteceu, pois
o Estado e o país seriam espoliados de um setor e de uma empresa estratégica a troco de
um pequeníssimo cheque.
Na altura, o Governo sustentava a urgência da privatização com a dívida da TAP e com o
facto de a empresa não ser sustentável se não se abrisse a capitais privados. Os dois anos
que se seguiram mostraram que os argumentos e as previsões do Governo estavam
erradas e hoje a TAP é mais sustentável, mais sólida e até cresceu em frota, em linhas,
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 3
em destinos, em passageiros e em receitas. O que lhe falta para continuar a crescer não é
ser privatizada, mas sim vontade política, para que possa ser alvo de um maior
investimento para poder continuar a diversificar destinos e a melhorar a sua frota.
A necessidade de mais investimento público na TAP
Em 2012, quando se pretendia vender a TAP à pressa e a preço de liquidação total, o
argumento dos que defendiam a sua venda a qualquer preço era de que a dívida da
empresa a desvalorizava e que, por isso, não se podia pedir muito por ela. O facto de a
TAP ter uma dívida de 1,2 mil milhões de euros servia de argumento para os que diziam
que era uma inevitabilidade vender a TAP. Alguns diziam que se não se fizesse essa
venda, a TAP morreria.
Dois anos depois a TAP continua pública e a dívida tem sido reduzida. O investimento
que a companhia fez no alargamento de rotas e destinos e na aquisição de novos aviões
proporcionou e proporcionará uma maior procura e uma posição mais forte da
companhia no panorama internacional.
A realidade mostra bem que se a venda da TAP se tivesse concretizado em 2012 teria
sido um negócio ruinoso para os cofres do Estado e para os interesses do país. Na
privatização nada garante que os interesses nacionais fiquem acautelados, como nada
garante que a companhia consiga sustentar o seu desenvolvimento e crescimento, como
tem feito nos últimos anos, enquanto empresa pública.
A TAP, enquanto empresa pública, tem margem de crescimento e é por demais evidente
que o que lhe faz falta não é a privatização para que um punhado de acionistas possa
fazer lucro com a companhia. O que lhe faz falta no momento é investimento público,
nomeadamente na manutenção e aquisição de novos aviões.
Os problemas registados nos meses de verão, com o cancelamento de voos, ou os
problemas que se têm registado ultimamente com avarias técnicas em alguns dos aviões
da TAP refletem isso mesmo: o corte de recursos com vista a tornar a empresa mais
atrativa a privados prejudicou a sua imagem, e com isso, desvalorizou-a.
Por outro lado, para além da degradação do serviço, que normalmente antecede as
privatizações (veja-se o que está a acontecer no setor dos transportes), a venda mostra
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 4
poder vir a ser um mau negócio para as contas públicas. Em primeiro lugar porque a
empresa é lucrativa, podendo portanto contribuir para o orçamento do estado ou para o
seu próprio investimento no longo prazo. Em segundo lugar porque, para além de
perder a parte lucrativa, o Estado terá de injetar capital na unidade de manutenção do
Brasil, até agora deficitária.
Não fosse o radicalismo privatizador do Governo PSD/CDS, seria hoje claro que a
privatização da TAP é um erro. É uma das mais importantes empresas nacionais, opera
num setor estratégico, e desempenha um papel insubstituível na sociedade, economia e
soberania portuguesas.
O Bloco de Esquerda está certo que ao proteger o grupo TAP, que pertence ao país, do
dogmatismo ideológico deste Governo, é proteger o interesse nacional.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao
Governo que:
1. Anule imediatamente o processo de privatização da TAP, seja ele parcial ou total;
2. Repense a sua estratégia para a companhia e para o Grupo TAP de forma a garantir
os recursos e investimento público necessários ao crescimento e ao
desenvolvimento da empresa.
Assembleia da República, 10 de outubro de 2014.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
---
Publicação — DAR II série A — 9-11 — 10/10/2014
9 | II Série A - Número: 015 | 10 de Outubro de 2014
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República: 1. Pronunciar-se favoravelmente em relação à abertura do procedimento administrativo conducente à inventariação e eventual classificação da coleção de arte proveniente do ex-BPN, incluindo o fundo Miró constituído por 85 quadros do pintor Joan Miró; 2. Recomendar ao Governo que adote com urgência as medidas necessárias para essa inventariação e classificação.
Palácio de São Bento, 24 de setembro de 2014.
As Deputadas e os Deputados do PS, Maria Gabriela Canavilhas — José Magalhães — Inês de Medeiros — Pedro Delgado Alves — Acácio Pinto — Ana Catarina Mendonça Mendes.
———
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1128/XII (4.ª) RECUSA A PRIVATIZAÇÃO DA TAP
A TAP é a companhia que fala a nossa língua onde quer que estejamos. É a companhia que junta o continente às ilhas e o país todo aos seus emigrantes. É a companhia que, sempre que há portugueses em risco em qualquer canto do mundo, os vai resgatar em segurança. Isto acontece porque é uma empresa nacional de capitais públicos.
A TAP é, por isso, uma empresa estratégica, assumindo uma posição de relevância não só para a integridade e coesão do território nacional, mas também para a posição geoestratégica internacional, operando na encruzilhada entre vários continentes e subcontinentes, em especial Europa, América do Norte, América do Sul e África.
O “hub” ou placa giratória em que se tornou o aeroporto de Lisboa, muito por causa da ação da TAP, ç um exemplo da importância desta empresa que, por via das linhas que mantém, permite o contacto entre vários continentes e faz com que todos os anos sejam quase 2 milhões os passageiros que aterram na Portela para fazerem escala.
Do ponto de vista financeiro, e segundo os relatórios da própria companhia, a TAP tem registado lucros nos õltimos 5 anos. Em 2013 alcançou um resultado positivo de 34M€, com um total de receitas na ordem dos 2480M€, um aumento de passageiros transportados para 10,7 milhões e uma redução da dívida líquida para 585M€.
O desempenho económico e operacional que a TAP tem conseguido atingir é a prova de que o setor público tem capacidade para criar, gerir e modernizar setores essenciais para a economia, e mesmo soberania, do País.
Apesar disto, a TAP tem estado, de há uns anos a esta parte, sob a ameaça da privatização. Já no Memorando de Entendimento com a Troika assinado com o PS, PSD e CDS, a TAP aparece como uma das empresas a privatizar. Nas palavras do Memorando, de 17 de maio de 2011: “o Governo acelerará o programa de privatizações. O plano existente para o período que decorre até 2013 abrange transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e a CP Carga)”.
O próprio programa de Governo do PSD/CDS assumia como objetivo a alienação da “totalidade das participações na TAP”, objetivo que tentaram concretizar desde início, mesmo que ele acarretasse um claro prejuízo para o interesse público.
A tentativa falhada de 2012 Em 2012 o Governo tentou concretizar o seu objetivo de alienação da TAP, concretamente com o DecretoLei n.º 210/2012, de 21 de setembro, onde se previa proceder às 3.ª e 4.ª fase de privatização da TAP, através de ações de aumento de capital e de alienação de ações representativas do capital da TAP - SGPS, SA, assim
---
Apreciação — DAR I série — 23/10/2014
Quinta-feira, 23 de outubro de 2014 I Série — Número 16
XII LEGISLATURA 4.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2014-2015)
REUNIÃOPLENÁRIADE22DEOUTUBRODE 2014
Presidente: Ex.ma Sr.ª Maria da Assunção Andrade Esteves
Secretários: Ex.mos
Srs. Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco Rosa Maria da Silva Bastos de Horta Albernaz
S U M Á R I O
A Presidente declarou aberta a sessão às 15 horas e 10
minutos. Foi anunciada a apresentação da proposta de lei n.º
255/XII (4.ª), da proposta de resolução n.º 97/XII (4.ª), do projeto de lei n.º 679/XII (4.ª) e dos projetos de resolução n.
os 1134 a 1147/XII (4.ª). Deu-se conta dos resultados da eleição que decorreu
durante a sessão anterior para um Vice-Presidente e um Vice-Secretário da Mesa da Assembleia da República, tendo sido declarados eleitos, respetivamente, os Deputados do PS Miranda Calha e Luísa Salgueiro, que a Presidente saudou nas suas novas funções.
Foi apreciado o projeto de resolução n.º 1107/XII (3.ª) — Reformula o sistema de incentivos que existem aos órgãos de comunicação social (OCS) locais e regionais, garantindo uma distribuição mais equitativa e mais adequada à nova realidade tecnológica e económica da comunicação social, nomeadamente através da criação de novos canais de apoio à profissionalização e qualificação dos órgãos deste setor (PSD e CDS-PP), tendo proferido intervenções os Deputados Rosa Arezes (PSD), João Ramos (PCP), Inês de
Medeiros (PS), Cecília Honório (BE) e Raúl de Almeida (CDS-PP).
Procedeu-se também à apreciação do projeto de resolução n.º 1128/XII (4.ª) — Recusa a privatização da TAP (BE), sobre o qual se pronunciaram os Deputados Mariana Mortágua (BE), José Luís Ferreira (Os Verdes), Hélder Amaral (CDS-PP), Paulo Campos (PS), Bruno Dias (PCP) e Paulo Cavaleiro (PSD).
Foram discutidos conjuntamente, na generalidade, os projetos de lei n.
os 658/XII (4.ª) — Recusa a privatização da
Empresa Geral de Fomento, SA (EGF), e revoga o Decreto-Lei n.º 45/2014, de 20 de março (PCP) e 679/XII (4.ª) — Contra a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF) (Revoga o Decreto-Lei n.º 45/2014, de 20 de março) (BE), tendo feito intervenções os Deputados Miguel Tiago (PCP), Helena Pinto (BE), Mota Andrade (PS), Bruno Coimbra (PSD), Pedro Morais Soares (CDS-PP) e Heloísa Apolónia (Os Verdes).
Foi apreciada a petição n.º 330/XII (3.ª) — Apresentada por Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida, solicitando à Assembleia da República que promova a renegociação da
---
Votação Deliberação — DAR I série — 59-59 — 24/10/2014
24 DE OUTUBRO DE 2014
O Sr. João Ramos (PCP): — Sr.ª Presidente, é para anunciar que o Grupo Parlamentar do PCP
apresentará uma declaração de voto sobre esta votação.
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Srs. Deputados, vamos passar à votação do projeto de resolução n.º 1128/XII (4.ª) — Recusa a
privatização da TAP (BE), relativamente ao qual o Partido Socialista solicita que se vote separadamente os
pontos 1 e 2.
Sendo assim, vamos votar o ponto 1.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PCP, do BE e
de Os Verdes e a abstenção o PS.
Srs. Deputados, vamos votar o ponto 2.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Srs. Deputados, vamos agora votar, na generalidade, o projeto de lei n.º 658/XII (4.ª) — Recusa a
privatização da Empresa Geral de Fomento, SA (EGF), e revoga o Decreto-Lei n.º 45/2014, de 20 de março
(PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Srs. Deputados, vamos votar, na generalidade, o projeto de lei n.º 679/XII (4.ª) — Contra a privatização da
Empresa Geral de Fomento (EGF) (Revoga o Decreto-Lei n.º 45/2014, de 20 de março) (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Passamos, agora, à votação do projeto de resolução n.º 1141/XII (4.ª) — Por uma auditoria à dívida que
corte com a dívida ilegítima e envolva os cidadãos (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1138/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo o não encerramento da
44.ª esquadra da PSP, no Lumiar, em Lisboa (Os Verdes).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PCP, do BE e
de Os Verdes e a abstenção do PS.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1144/XII (4.ª) — Recomenda ao Governo a implementação do plano
de reorganização do dispositivo da PSP na cidade de lisboa, acautelando as consequências do encerramento
da 44.ª esquadra (PS).
Relativamente a este projeto de resolução, o Grupo Parlamentar do PCP solicitou a votação, em separado,
dos pontos 1 e 2, pelo que assim faremos.
Vamos, então, votar o ponto 1 do referido projeto de resolução.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS-PP, do PCP e de Os Verdes e votos
a favor do PS e do BE.
Abrir texto oficial