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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1000/XII/3.ª
CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE
PASSAGEIROS NA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO
(STCP E METRO DO PORTO)
Os transportes públicos são um serviço da maior importância social, ambiental,
económica e territorial. Devem cumprir um serviço público ao garantir o direito à
mobilidade a todas as pessoas. São, ao mesmo tempo, uma opção mais amiga do
ambiente ao reduzir a circulação automóvel e a emissão de CO2. Por outro lado, são
fundamentais para garantir a coesão territorial, a aproximação de freguesias e concelhos
e populações entre si. Por tudo isto têm uma componente económica e de
desenvolvimento que é óbvia.
No caso da Sociedade Coletiva de Transportes do Porto, S.A. (STCP) e da Metro do Porto
S.A. (MP), a importância dos mesmos é evidente. Lembramos que, em conjunto, servem
os concelhos de Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo, Vila do
Conde e Vila Nova de Gaia. É uma população superior a 1 milhão de pessoas que
recentemente ficou limitada na sua mobilidade pela introdução de portagens em auto-
estradas como a A28 e a A29 e que têm como alternativa ao uso do automóvel estes
serviços públicos de transportes.
Os serviços públicos de transportes têm estado, no entanto, sob ataque, com particular
ênfase nos últimos anos. O aumento tarifário, a degradação do serviço e da oferta e a
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redução de pessoal são a face desse ataque, com consequências óbvias em primeiro
lugar para a população.
A STCP e a Metro do Porto não são exceção à regra. O tarifário monomodal da STCP
aumentou mais de 100% entre 2000 e 2013 enquanto que o passe ABC STCP Normal
aumentou, no mesmo período, 71,5%. No caso do Metro do Porto, considerando apenas
o período entre 2010 e 2014, registamos, a título de exemplo, um aumento de 20% nos
títulos Z2 e Z3 e um aumento de 23% no título Z4. Um enorme aumento em apenas 4
anos.
É mais do que evidente que o aumento tarifário, tanto na SCTP como na Metro do Porto,
supera a atualização salarial em Portugal, mais evidente nos últimos anos, nos quais o
poder de compra da maioria dos cidadãos regrediu.
Por outro lado, nestes últimos anos a qualidade do serviço foi notoriamente lesada em
prejuízo dos utentes, como se prova ao olharmos para a STCP onde, de 2010 a 2013
houve uma redução da frota (-14 autocarros), do número de trabalhadores (-265) e da
oferta de serviços (-3 milhões de km anuais).
O aumento de preços, assim como a degradação do serviço dos transportes de Lisboa,
com particular destaque para a Carris e para o Metropolitano, têm sido justificados com
a dívida do setor. Esta dívida é recorrentemente apresentada como se fosse o resultado
de prejuízos operacionais, causados pela provisão de serviços públicos, a preços
demasiado baixos.
Esse pretexto é agora também utilizado para justificar a privatização destes serviços de
transporte, ainda que seja uma argumentação falaciosa.
O grosso da dívida das empresas públicas de transportes provém de encargos
financeiros. Em 2012, os juros da dívida foram responsáveis por 86.3% dos prejuízos
destas empresas. Há mais de uma década que os encargos financeiros superam
largamente os prejuízos operacionais, sendo que, na maior parte destas empresas, a taxa
de cobertura das despesas operacionais por receitas está muito acima da média
europeia e supera já os 100%.
As dívidas das empresas de transporte não têm uma origem operacional, mas sim nas
décadas de subfinanciamento público crónico. É sabido que as indemnizações
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compensatórias, além de erráticas e atrasadas, nunca foram suficientes para cobrir as
despesas operacionais e muito menos os investimentos de infraestruturação. A falta de
financiamento foi sendo compensada por empréstimos bancários associados, em muitos
casos, a derivados especulativos.
A privatização da gestão dos serviços de transporte não resolverá nenhum destes
problemas, pelo contrário. Aprofundará as medidas de aumento de preços, de redução
de trabalhadores e de corte nos serviços prestados, reduzindo a oferta, com evidentes
consequências negativas para a sociedade. Existe uma clara alteração de visão sobre a
função destes serviços: em vez de um serviço social que consiga garantir a todas as
pessoas, independentemente do seu estrato social, a capacidade para se deslocarem de
forma rápida, cómoda e barata, passa a dominar uma visão economicista do setor.
A primeira dessas consequências negativas sentir-se-á sobre a mobilidade da população,
que ficará prejudicada, quer pelo aumento de preços, quer pela redução de oferta. A
segunda, sobre o ambiente, criando uma pressão para o uso do automóvel individual,
quando o sentido deveria ser o contrário: democratizar o acesso aos transportes
públicos, em detrimento do automóvel individual. A terceira, sobre os trabalhadores
destas empresas de transportes, colocados sobre uma pressão acrescida para o
despedimento e redução de pessoal. A quarta, sobre a coesão territorial que deteriora,
criando um país mais dividido.
No documento intitulado Modelo de Abertura à Iniciativa Privada do Serviço Público de
Transporte de Passageiros na Área Metropolitana do Porto, de fevereiro de 2014, refere-
se que “a gestão do serviço público de transportes de passageiros apenas será entregue
a operadores privados caso se observe uma forte evidência de que essa entrega
significará uma melhoria no cumprimento dos objetivos […] mencionados”.
Foram definidos como objetivos: 1) promover a eficiência na prestação do serviço; 2)
reduzir os encargos do Estado; 3) assegurar o cumprimento das obrigações de serviço
público de acordo com elevados padrões de qualidade e segurança.
Ora, a abertura a privados da STCP e da Metro do Porto não cumprirá, como se percebe,
nenhum desses objetivos, porque representará o aprofundamento da política de
aumento de preços e de degradação dos serviços, como já se verificou. Falha, por isso, o
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objetivo de garantir um serviço público com padrões de qualidade e segurança, assim
como o da eficiência na prestação do serviço.
Falha também o objetivo de redução de encargos do Estado, uma vez que o Estado
garantirá uma renda anual ao operador privado, considerando, para além disso, ficar
com a dívida atualmente existente na STCP e na Metro do Porto.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo
rejeitar a privatização ou concessão do serviço público de transportes de passageiros da
STCP e da Metro do Porto a um operador privado.
Assembleia da República, 3 de abril de 2014.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Publicação — DAR II série A — 11-12 — 03/04/2014
11 | II Série A - Número: 092 | 3 de Abril de 2014
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1000/XII (3.ª) CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS NA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO (STCP E METRO DO PORTO)
Os transportes públicos são um serviço da maior importância social, ambiental, económica e territorial.
Devem cumprir um serviço público ao garantir o direito à mobilidade a todas as pessoas. São, ao mesmo tempo, uma opção mais amiga do ambiente ao reduzir a circulação automóvel e a emissão de CO2. Por outro lado, são fundamentais para garantir a coesão territorial, a aproximação de freguesias e concelhos e populações entre si. Por tudo isto têm uma componente económica e de desenvolvimento que é óbvia.
No caso da Sociedade Coletiva de Transportes do Porto, SA (STCP), e da Metro do Porto, SA (MP), a importância dos mesmos é evidente. Lembramos que, em conjunto, servem os concelhos de Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia. É uma população superior a 1 milhão de pessoas que recentemente ficou limitada na sua mobilidade pela introdução de portagens em auto-estradas como a A28 e a A29 e que têm como alternativa ao uso do automóvel estes serviços públicos de transportes.
Os serviços públicos de transportes têm estado, no entanto, sob ataque, com particular ênfase nos últimos anos. O aumento tarifário, a degradação do serviço e da oferta e a redução de pessoal são a face desse ataque, com consequências óbvias em primeiro lugar para a população.
A STCP e a Metro do Porto não são exceção à regra. O tarifário monomodal da STCP aumentou mais de 100% entre 2000 e 2013 enquanto que o passe ABC STCP Normal aumentou, no mesmo período, 71,5%. No caso do Metro do Porto, considerando apenas o período entre 2010 e 2014, registamos, a título de exemplo, um aumento de 20% nos títulos Z2 e Z3 e um aumento de 23% no título Z4. Um enorme aumento em apenas 4 anos.
É mais do que evidente que o aumento tarifário, tanto na SCTP como na Metro do Porto, supera a atualização salarial em Portugal, mais evidente nos últimos anos, nos quais o poder de compra da maioria dos cidadãos regrediu.
Por outro lado, nestes últimos anos a qualidade do serviço foi notoriamente lesada em prejuízo dos utentes, como se prova ao olharmos para a STCP onde, de 2010 a 2013 houve uma redução da frota (-14 autocarros), do número de trabalhadores (-265) e da oferta de serviços (-3 milhões de km anuais).
O aumento de preços, assim como a degradação do serviço dos transportes de Lisboa, com particular destaque para a Carris e para o Metropolitano, têm sido justificados com a dívida do setor. Esta dívida é recorrentemente apresentada como se fosse o resultado de prejuízos operacionais, causados pela provisão de serviços públicos, a preços demasiado baixos. Esse pretexto é agora também utilizado para justificar a privatização destes serviços de transporte, ainda que seja uma argumentação falaciosa.
O grosso da dívida das empresas públicas de transportes provém de encargos financeiros. Em 2012, os juros da dívida foram responsáveis por 86.3% dos prejuízos destas empresas. Há mais de uma década que os encargos financeiros superam largamente os prejuízos operacionais, sendo que, na maior parte destas empresas, a taxa de cobertura das despesas operacionais por receitas está muito acima da média europeia e supera já os 100%.
As dívidas das empresas de transporte não têm uma origem operacional, mas sim nas décadas de subfinanciamento público crónico. É sabido que as indemnizações compensatórias, além de erráticas e atrasadas, nunca foram suficientes para cobrir as despesas operacionais e muito menos os investimentos de infraestruturação. A falta de financiamento foi sendo compensada por empréstimos bancários associados, em muitos casos, a derivados especulativos.
A privatização da gestão dos serviços de transporte não resolverá nenhum destes problemas, pelo contrário. Aprofundará as medidas de aumento de preços, de redução de trabalhadores e de corte nos serviços prestados, reduzindo a oferta, com evidentes consequências negativas para a sociedade. Existe uma clara alteração de visão sobre a função destes serviços: em vez de um serviço social que consiga garantir a todas as pessoas, independentemente do seu estrato social, a capacidade para se deslocarem de forma rápida, cómoda e barata, passa a dominar uma visão economicista do setor.
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Votação Deliberação — DAR I série — 62-62 — 24/10/2014
I SÉRIE — NÚMERO 17
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 999/XII (3.ª) — Contra a privatização do serviço público de
transportes de passageiros de Lisboa (Carris e Metropolitano de Lisboa) (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Votamos, agora, o projeto de resolução n.º 1000/XII (3.ª) — Contra a privatização do serviço público de
transportes de passageiros na Área Metropolitana do Porto (STCP e Metro do Porto) (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Tem a palavra o Sr. Deputado João Paulo Correia.
O Sr. João Paulo Correia (PS): — Sr.ª Presidente, quero informar que o Grupo Parlamentar do PS
apresentará uma declaração de voto sobre estas duas últimas votações.
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Srs. Deputados, chegámos ao fim das votações.
Como sabem, amanhã haverá jornadas parlamentares do PSD e do CDS-PP, a quem desejo, desde já,
umas boas jornadas parlamentares, pelo que não haverá sessão plenária.
A próxima sessão plenária realizar-se-á na quinta-feira, dia 30, às 10 horas, e estarão já em debate as
propostas de lei n.os
254/XII (4.ª) — Aprova o Orçamento do Estado para 2015 e 253/XII (4.ª) — Aprova as
Grandes Opções do Plano para 2015.
Srs. Deputados, está encerrada a sessão.
Eram 19 horas e 6 minutos.
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