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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 764/XII/2.ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE GARANTA A VIABILIZAÇÃO DOS
ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO, ASSEGURANDO A
MANUTENÇÃO DOS POSTOS DE TRABALHO
A privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo foi uma promessa assumida
pelo Governo do PSD/CDS-PP desde o primeiro momento. A ideia herdada do Governo
PS, da desvalorização dos estaleiros públicos de Viana dos Castelo através do
esvaziamento de trabalho e de trabalhadores, sempre mereceu a oposição o Bloco de
Esquerda por ser a antecâmara da privatização ou da extinção de uma unidade
industrial com significado estratégico para a industria naval e para o desenvolvimento
do país.
Em junho de 2011, o Governo cessante, ainda que apenas remetido a funções de gestão,
aprovou um Plano de Reestruturação e Viabilização dos ENVC que previa o
despedimento de 380 trabalhadores. O Bloco de Esquerda apresentou então um projeto
de Resolução salientando a ausência de audição prévia dos trabalhadores e denunciando
o Plano como uma via aberta para a privatização dos estaleiros.
No final de 2011, com a suspensão de todas as decisões por parte do Governo PSD/CDS-
PP, a situação da empresa começa a degradar-se rapidamente. Os trabalhadores
permanecem inativos durante um longo período de tempo, e o Governo recusa-se a
libertar as verbas necessárias para a concretização do contrato assinado com a empresa
de petróleos da Venezuela para a construção de dois navios asfalteiros no valor de €128
milhões.
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Em agosto de 2012, o Governo cumpre as antigas ameaças e anuncia o processo de
privatização dos ENVC, que logo mereceu a oposição do Bloco de Esquerda e
apresentação de iniciativa legislativa no sentido de impedir a privatização.
Depois de um processo que marcou pela falta de transparência e de esclarecimentos por
parte do Governo, em que as propostas (todas com ofertas bastante abaixo do capital
social da empresa) foram caindo até restar apenas uma, o Governo decidiu suspender o
processo de privatização dos ENVC.
Na base desta decisão esteve o processo de investigação da Comissão Europeia sobre as
ajudas do Estado no valor de 181 milhões, concedidas aos Estaleiros entre 2006 e 2001.
Apesar de o Governo ter sido questionado diversas vezes sobre o assunto, continua por
esclarecer por que razão não se tentou evitar o processo através de um Plano de
Reestruturação da empresa em dificuldades e se foram tomadas todas as medidas ao
alcance do Governo para contestar o processo da Comissão Europeia.
A situação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo encontra-se hoje mais indefinida e
os postos de trabalho mais ameaçados do que alguma vez estiveram. A decisão do
Governo de subconcessionar os terrenos dos estaleiros denuncia uma procura cega de
um qualquer encaixe financeiro, muito abaixo do que valem os estaleiros, sem qualquer
garantia sobre a atividade que se virá a desenvolver naqueles terrenos, escancarando a
porta à extinção da construção naval em Viana do Castelo e ao despedimento de todos os
620 trabalhadores.
Durante todo este tempo, o Governo abandonou os estaleiros e qualquer possibilidade
de viabilização da empresa. Retirou aos ENVC o contrato para a construção de navios
para a Marinha e sustentou uma administração que nunca teve a intenção de alargar a
carteira de encomendas nem de procurar a viabilidade nem a modernização dos
estaleiros.
Os trabalhadores dos ENVC e os seus representantes têm sido incansáveis na defesa da
sua empresa e dos seus postos de trabalho, salientando o papel estratégico dos
estaleiros e da indústria naval para a capacidade produtiva e a recuperação económica
do país.
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Ao longo deste processo os trabalhadores, as forças vivas da região, incluindo a
autarquia de Viana do Castelo, e o Bloco de Esquerda, assim como outras forças políticas
da oposição denunciaram sempre a gestão danosa que prejudicou a empresa, sobretudo
através da assinatura de contratos ruinosos de que o Atlântida é bom exemplo. Os
trabalhadores denunciaram que nos últimos cinco anos, os ENVC perderam mais de
€62,4 milhões em treze projetos dos cinco realizados, prejuízos que já estariam
calculados antes do início da construção dos navios.
De facto, a auditoria da Inspeção-Geral de Finanças, aprovada em 2008 na Comissão
Parlamentar de Orçamento e Finanças mas que só agora foi divulgada conclui que as
reestruturações previstas pelo acionista Estado para os estaleiros, em 1998 e 2005,
ficaram por concluir, tal como um plano de modernização de €52,2 milhões.
A auditoria indica ainda a falta de modernização como um dos principais problemas dos
estaleiros e confirma a não concretização das contrapartidas devidas aos estaleiros no
âmbito do negócio dos submarinos com um consórcio alemão. Dos €632 milhões
devidos aos ENVC em contrapartidas, 39,2% ficou por concretizar.
Desta forma é compreensível que, ano após ano, os resultados dos ENVC permaneçam
negativos, com um passivo acumulado de €281,4 milhões.
Com a realização de novas auditorias, estamos certos que a conclusão será aquela que o
Bloco de Esquerda e os trabalhadores têm apontado desde o início do processo: houve
erros graves na gestão dos ENVC que justificam a atual situação dos estaleiros e que
comprovam a intenção do atual Governo e dos anteriores de levar a empresa a uma
situação insustentável.
São várias as opções à disposição do Governo se a vontade política determinar a
viabilização dos estaleiros e a sua manutenção pública como um bem estratégico para o
país. As forças vivas da região, a autarquia e os trabalhadores já se mostraram
disponíveis para tudo fazer em nome da recuperação da empresa e da manutenção dos
postos de trabalho.
O Bloco de Esquerda reafirma ao seu apoio à luta dos trabalhadores dos Estaleiros
Navais de Viana dos Castelo e o seu compromisso com a defesa de um bem público de
valor estratégico para o país.
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Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao
Governo que:
1. Elabore de imediato um plano de viabilização dos Estaleiros de Viana do Castelo que
garanta a manutenção dos postos de trabalho dos estaleiros e a concretização das
encomendas existentes nos respetivos prazos.
2. Nomeie uma administração capaz de assegurar a modernização e o desenvolvimento
da capacidade de construção e reparação naval dos estaleiros, bem como a captação
de novos clientes, de forma a assegurar o futuro dos ENVC enquanto unidade pública
num setor estratégico tão importante como a industria naval.
Assembleia da República, 7 de junho de 2013.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Publicação — DAR II série A — 50-51 — 07/06/2013
II SÉRIE-A — NÚMERO 149
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 764/XII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO QUE GARANTA A VIABILIZAÇÃO DOS ESTALEIROS NAVAIS DE
VIANA DO CASTELO, ASSEGURANDO A MANUTENÇÃO DOS POSTOS DE TRABALHO
A privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo foi uma promessa assumida pelo Governo do
PSD/CDS-PP desde o primeiro momento. A ideia herdada do Governo PS, da desvalorização dos estaleiros
públicos de Viana dos Castelo através do esvaziamento de trabalho e de trabalhadores, sempre mereceu a
oposição o Bloco de Esquerda por ser a antecâmara da privatização ou da extinção de uma unidade industrial
com significado estratégico para a industria naval e para o desenvolvimento do País.
Em junho de 2011, o Governo cessante, ainda que apenas remetido a funções de gestão, aprovou um
Plano de Reestruturação e Viabilização dos ENVC que previa o despedimento de 380 trabalhadores. O Bloco
de Esquerda apresentou então um projeto de Resolução salientando a ausência de audição prévia dos
trabalhadores e denunciando o Plano como uma via aberta para a privatização dos estaleiros.
No final de 2011, com a suspensão de todas as decisões por parte do Governo PSD/CDS-PP, a situação
da empresa começa a degradar-se rapidamente. Os trabalhadores permanecem inativos durante um longo
período de tempo, e o Governo recusa-se a libertar as verbas necessárias para a concretização do contrato
assinado com a empresa de petróleos da Venezuela para a construção de dois navios asfalteiros no valor de
€128 milhões.
Em agosto de 2012, o Governo cumpre as antigas ameaças e anuncia o processo de privatização dos
ENVC, que logo mereceu a oposição do Bloco de Esquerda e apresentação de iniciativa legislativa no sentido
de impedir a privatização.
Depois de um processo que marcou pela falta de transparência e de esclarecimentos por parte do
Governo, em que as propostas (todas com ofertas bastante abaixo do capital social da empresa) foram caindo
até restar apenas uma, o Governo decidiu suspender o processo de privatização dos ENVC.
Na base desta decisão esteve o processo de investigação da Comissão Europeia sobre as ajudas do
Estado no valor de 181 milhões, concedidas aos Estaleiros entre 2006 e 2001. Apesar de o Governo ter sido
questionado diversas vezes sobre o assunto, continua por esclarecer por que razão não se tentou evitar o
processo através de um Plano de Reestruturação da empresa em dificuldades e se foram tomadas todas as
medidas ao alcance do Governo para contestar o processo da Comissão Europeia.
A situação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo encontra-se hoje mais indefinida e os postos de
trabalho mais ameaçados do que alguma vez estiveram. A decisão do Governo de subconcessionar os
terrenos dos estaleiros denuncia uma procura cega de um qualquer encaixe financeiro, muito abaixo do que
valem os estaleiros, sem qualquer garantia sobre a atividade que se virá a desenvolver naqueles terrenos,
escancarando a porta à extinção da construção naval em Viana do Castelo e ao despedimento de todos os
620 trabalhadores.
Durante todo este tempo, o Governo abandonou os estaleiros e qualquer possibilidade de viabilização da
empresa. Retirou aos ENVC o contrato para a construção de navios para a Marinha e sustentou uma
administração que nunca teve a intenção de alargar a carteira de encomendas nem de procurar a viabilidade
nem a modernização dos estaleiros.
Os trabalhadores dos ENVC e os seus representantes têm sido incansáveis na defesa da sua empresa e
dos seus postos de trabalho, salientando o papel estratégico dos estaleiros e da indústria naval para a
capacidade produtiva e a recuperação económica do País.
Ao longo deste processo os trabalhadores, as forças vivas da região, incluindo a autarquia de Viana do
Castelo, e o Bloco de Esquerda, assim como outras forças políticas da oposição denunciaram sempre a
gestão danosa que prejudicou a empresa, sobretudo através da assinatura de contratos ruinosos de que o
Atlântida é bom exemplo. Os trabalhadores denunciaram que nos últimos cinco anos, os ENVC perderam mais
de €62,4 milhões em treze projetos dos cinco realizados, prejuízos que já estariam calculados antes do início
da construção dos navios.
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Apreciação — DAR I série — 37-43 — 14/06/2013
14 DE JUNHO DE 2013
Ora, o que se pretende é devolver à Câmara Municipal a participação maioritária numa sociedade para que
as decisões de reabilitação urbana no Porto sejam decididas maioritariamente no Porto e não fiquem a
reboque das decisões do Governo, sem prejuízo, Sr. Deputado, de uma coisa essencial: o reforço do
investimento público nacional na reabilitação. Uma coisa não tira a outra!
Quanto a governamentalizar as decisões das estruturas que têm sede no Porto, não me diga que está de
acordo. Eu abro a minha boca de espanto ao ouvir isso de um candidato à Câmara Municipal do Porto…!
Aplausos do PCP.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Cecília
Meireles.
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, quero apenas acrescentar dois breves incisos.
O primeiro tem a ver com a discussão do modelo. Srs. Deputados, temos de nos concentrar aqui em
resolver estes dois problemas, que me parecem urgentes, ou em discutir o modelo?
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — Exatamente!
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Eu saliento é que a discussão do modelo vai prolongar-se de tal
maneira que vai acabar por «bater» no novo executivo camarário…
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — É verdade!
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Segundo, é para responder ao Sr. Deputado Manuel Pizarro. Sr.
Deputado, lembro-me bem de como era o Centro Histórico do Porto e de como era a Baixa no tempo da
governação do PS e da Câmara do PS.
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — Ora bem!
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Portanto, quanto a isso, creio que a memória dos portuenses os
servirá bem na altura em que tiverem de escolher entre os dois modelos, porque este modelo assegurou não
só financiamento como mudou a Baixa portuense. E, hoje em dia, tem vida.
Aplausos do CDS-PP e do PSD.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Srs. Deputados, não havendo mais inscrições, vamos passar ao
ponto 5 da ordem do dia, que consiste na discussão conjunta dos projetos de resolução n.os
727/XII (2.ª) —
Recomenda ao Governo a elaboração urgente de um plano de viabilização dos Estaleiros Navais de Viana do
Castelo que assegure o futuro da empresa e a defesa dos postos de trabalho (PCP), 757/XII (2.ª) —
Recomenda ao Governo que abandone a intenção de encerrar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e
defina, com caráter de urgência, o plano de viabilização da empresa (PS) e 764/XII (2.ª) — Recomenda ao
Governo que garanta a viabilização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, assegurando a manutenção
dos postos de trabalho (BE).
Para apresentar o projeto de resolução n.os
727/XII (2.ª), do PCP, tem a palavra o Sr. Deputado Honório
Novo.
O Sr. Honório Novo (PCP): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: O projeto de resolução que hoje
apresentamos pretende encontrar uma saída para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, fazer com que
esta empresa saia do beco sem saída em que o Governo a colocou.
Pretendemos impedir não só que os Estaleiros Navais fechem e que os 620 trabalhadores sejam
despedidos nos próximos meses, como é intenção declarada e assumida pelo Governo, mas também que o
Governo continue a distribuir ilusões, dizendo duas coisas: primeira, que vai abrir um concurso para a
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Votação Deliberação — DAR I série — 36-36 — 15/06/2013
I SÉRIE — NÚMERO 102
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PS, do BE e
de Os Verdes e a abstenção do PCP.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 764/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo que garanta a
viabilização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, assegurando a manutenção dos postos de trabalho
(BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos votar, na generalidade, o projeto de lei n.º 406/XII (2.ª) — Garante o exercício dos direitos dos
utilizadores, consagrados no Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos (BE).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PCP, do BE e de Os Verdes e abstenções
do PSD e do CDS-PP.
O projeto de resolução baixa à 1.ª Comissão.
Relativamente ao projeto de lei n.º 228/XII (1.ª) — Regime jurídico da partilha de dados informáticos, o
PCP, autor do projeto, requer a baixa deste diploma à Comissão de Educação, Ciência e Cultura por 60 dias,
sem votação.
Vamos votar o requerimento.
Submetido à votação, foi aprovado, por unanimidade.
De acordo com o resultado da votação, o projeto de lei n.º 228/XII (1.ª) baixa à Comissão de Educação,
Ciência e Cultura, sem votação, por 60 dias.
Vamos agora votar, na generalidade, o projeto de lei n.º 423/XII (2.ª) — Assegura os direitos de utilizações
livres previstas no Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PCP, do BE e de Os Verdes e abstenções
do PSD e do CDS-PP.
O projeto de lei baixa à 1.ª Comissão.
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — Peço a palavra, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, é para comunicar que apresentarei uma declaração
de voto sobre os projetos de lei n.os
406 e 423/XII (2.ª).
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 664/XII (2.ª) — Promove o desporto escolar e a prática desportiva
pelos jovens (CDS-PP e PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do PCP e de Os
Verdes e abstenções do PS e do BE.
Srs. Deputados, vamos votar o projeto de resolução n.º 749/XII (2.ª) — Manutenção do Programa de
Matemática do Ensino Básico e publicitação dos respetivos resultados de avaliação (PCP).
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