Projeto de Resolução nº 746/XII/2ª
Recomenda ao Governo a abertura urgente do Centro de Reabilitação do Norte,
pronto desde o verão de 2012
Exposição de motivos
O Centro de Reabilitação do Norte (CRN) foi construído em Vila Nova de Gaia, na sequência de
um cuidadoso processo de planeamento, que envolveu os profissionais da Região e que
mereceu intenso debate público.
De facto, a Rede de Referenciação em Medicina Física e Reabilitação, aprovada há cerca de
uma década, prevê a criação de quatro Centros deste tipo, um dos quais na Região Norte,
onde residem cerca de 38% dos cidadãos portugueses. Estão já em pleno funcionamento os
outros três equipamentos: Centros de Reabilitação de Alcoitão (em Lisboa e Vale do Tejo), do
Centro (na Tocha) e do Sul (em S. Brás de Alportel).
No tempo decorrido desde a aprovação da referida Rede de Referenciação os indicadores de
patologia das populações que justificavam a necessidade do CRN não se alteraram de modo
significativo. Ao contrário, o envelhecimento da população justifica o aumento do número de
pessoas em risco de dependência, potenciado pela elevada incidência de acidente vascular
cerebral e pelo número ainda muito elevado de acidentes de viação e de trabalho, envolvendo
trauma crânio-encefálico ou medular.
O CRN está, além disso, programado para atender às necessidades de reabilitação pediátrica,
resposta inexistente em toda a Região Norte.
Recentemente, o Ministro da Saúde pôs em questão o rigor técnico da decisão de
planeamento que conduziu à construção do CRN. Essa atitude do Governo insere-se num
comportamento reiterado de desrespeito em relação ao Norte e aos seus problemas. A fazer
fé na nova racionalidade técnica descoberta pelo atual Ministro da Saúde, estes equipamentos
justificam-se em Lisboa, no Sul e no Centro, mas são supérfluos e despesistas se forem
localizados a Norte.
A atitude do Ministério da Saúde causou viva repulsa na Região, com uma tomada de posição
pública de muitos profissionais e com a organização de uma Petição subscrita por grande parte
dos mais reputados fisiatras do Norte e expressamente apoiada pelos presidentes das Secções
Regionais da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Enfermeiros e pelos Provedores dos
Cidadãos com Deficiência do município do Porto e da Área Metropolitana do Porto.
Mais grave do que a opinião infundamentada e preconceituosa do Ministro da Saúde sobre a
utilidade do CRN é o comportamento daí resultante. De facto, embora esteja pronto desde o
Verão de 2012 – o auto de recepção da obra foi assinado em Junho desse ano – o Centro
continua de portas fechadas e a data de abertura continua a não ser anunciada.
O Estado português está a gastar mensalmente milhares de euros para assegurar a
manutenção de um equipamento que está pronto, que custou cerca de 40 milhões de euros e
que foi pago em larga medida (cerca de 80%) com financiamento comunitário, e que se
mantém encerrado. Milhares de pessoas podiam ter já beneficiado do tratamento de
excelência que o CRN pode propiciar, aumentando a sua qualidade de vida e a sua autonomia,
contribuindo para a felicidade individual e familiar e para uma sociedade mais produtiva, com
menores índices de dependência.
O argumento orçamental também não colhe. O custo previsto na diária de internamento no
CRN é de cerca de metade do que é gasto nos hospitais de agudos onde alguns dos doentes
permanecem tempo demais, sem que beneficiem inteiramente das possibilidades da medicina
moderna.
Muitas outras pessoas são insuficientemente tratadas, o que é ainda mais grave, e ficam em
irremediável dependência, que podia ter sido evitada. Em alguns casos os doentes e as suas
famílias suportam os terríveis custos financeiros e humanos de procurar tratamento no Centro
de Alcoitão, em Lisboa, aguardando pela sua vez numa lista de espera que aumenta a angústia
das pessoas e reduz a probabilidade de sucesso do tratamento.
Em funcionamento pleno o CRN custará entre 12 a 14 milhões de euros por ano. Esta verba
representa 1% da despesa hospitalar da Região Norte. Um pequeno esforço de planeamento,
com transferência de recursos a acompanhar os doentes que necessitam destes cuidados,
permite acomodar esta mudança.
O CRN mantém-se encerrado por incompetência e incapacidade de planeamento do actual
Ministério da Saúde. Mantém-se encerrado por insensibilidade humana perante o destino das
pessoas em sofrimento que dele necessitam. Mantém-se encerrado por desprezo do Governo
em relação ao Norte.
É uma opção política inaceitável que não pode ser mais tolerada.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, em defesa do direito
da população do Norte do país a aceder a cuidados de reabilitação altamente diferenciados, os
Deputados do Partido Socialista apresentam à Assembleia da República o seguinte Projeto de
Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do nº5 do artigo 166º da Constituição da
República Portuguesa, recomendar ao Governo:
A abertura imediata do Centro de Reabilitação do Norte (CRN), que está pronto desde o
verão de 2012.
Assembleia da República, 29 de Maio de 2013
Os Deputados do Partido Socialista,
Manuel Pizarro
Renato Sampaio
Luísa Salgueiro
Francisco Assis
André Figueiredo
Manuel Seabra
Fernando Jesus
Alberto Martins
José Lello
Isabel Santos
Isabel Oneto
Ana Paula Vitorino
Glória Araújo
Miranda Calha
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Publicação — DAR II série A — 8-9 — 30/05/2013
II SÉRIE-A — NÚMERO 143
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 730/XII (2.ª)
(DESLOCAÇÃO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA A ESTRASBURGO E A BRUXELAS)
Parecer da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas
A Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República, tendo
apreciado a mensagem de Sua Excelência o Presidente da República relativamente à sua deslocação a
Estrasburgo e a Bruxelas nos dias 11 a 13 do próximo mês de junho, em visita às Instituições Europeias, dá de
acordo com as disposições constitucionais aplicáveis, o assentimento nos termos em que é requerido.
Palácio de São Bento, 28 de maio de 2013.
O Presidente da Comissão, Alberto Martins.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 746/XII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO A ABERTURA URGENTE DO CENTRO DE REABILITAÇÃO DO NORTE,
PRONTO DESDE O VERÃO DE 2012
Exposição de motivos
O Centro de Reabilitação do Norte (CRN) foi construído em Vila Nova de Gaia, na sequência de um
cuidadoso processo de planeamento, que envolveu os profissionais da Região e que mereceu intenso debate
público.
De facto, a Rede de Referenciação em Medicina Física e Reabilitação, aprovada há cerca de uma década,
prevê a criação de quatro Centros deste tipo, um dos quais na Região Norte, onde residem cerca de 38% dos
cidadãos portugueses. Estão já em pleno funcionamento os outros três equipamentos: Centros de Reabilitação
de Alcoitão (em Lisboa e Vale do Tejo), do Centro (na Tocha) e do Sul (em S. Brás de Alportel).
No tempo decorrido desde a aprovação da referida Rede de Referenciação os indicadores de patologia das
populações que justificavam a necessidade do CRN não se alteraram de modo significativo. Ao contrário, o
envelhecimento da população justifica o aumento do número de pessoas em risco de dependência, potenciado
pela elevada incidência de acidente vascular cerebral e pelo número ainda muito elevado de acidentes de
viação e de trabalho, envolvendo trauma crânio-encefálico ou medular.
O CRN está, além disso, programado para atender às necessidades de reabilitação pediátrica, resposta
inexistente em toda a Região Norte.
Recentemente, o Ministro da Saúde pôs em questão o rigor técnico da decisão de planeamento que
conduziu à construção do CRN. Essa atitude do Governo insere-se num comportamento reiterado de
desrespeito em relação ao Norte e aos seus problemas. A fazer fé na nova racionalidade técnica descoberta
pelo atual Ministro da Saúde, estes equipamentos justificam-se em Lisboa, no Sul e no Centro, mas são
supérfluos e despesistas se forem localizados a Norte.
A atitude do Ministério da Saúde causou viva repulsa na Região, com uma tomada de posição pública de
muitos profissionais e com a organização de uma Petição subscrita por grande parte dos mais reputados
fisiatras do Norte e expressamente apoiada pelos presidentes das Secções Regionais da Ordem dos Médicos
e da Ordem dos Enfermeiros e pelos Provedores dos Cidadãos com Deficiência do município do Porto e da
Área Metropolitana do Porto.
Mais grave do que a opinião infundamentada e preconceituosa do Ministro da Saúde sobre a utilidade do
CRN é o comportamento daí resultante. De facto, embora esteja pronto desde o Verão de 2012 – o auto de
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Apreciação — DAR I série — 32-39 — 12/07/2013
I SÉRIE — NÚMERO 112
PPP em Portugal. E, a partir deste relatório, a partir deste trabalho, qualquer cidadão português pode perceber
o que é que representaram as PPP em Portugal e quanto custam aos contribuintes portugueses.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente: — Sr.as
e Srs. Deputados, termina aqui o debate sobre o relatório da Comissão
Parlamentar de Inquérito à Contratualização, Renegociação e Gestão de todas as Parcerias Público-Privadas
do Setor Rodoviário e Ferroviário.
Passamos, agora, ao quarto ponto da ordem do dia, que consiste na discussão conjunta dos projetos de
resolução n.os
717/XII (2.ª) — Centro de Reabilitação do Norte (PSD), 746/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo
a abertura urgente do Centro de Reabilitação do Norte, pronto desde o verão de 2012 (PS), 766/XII (2.ª) —
Urgente abertura do Centro de Reabilitação do Norte (PCP), 767/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo a
abertura urgente do Centro de Reabilitação do Norte integrado no Serviço Nacional de Saúde (BE) e 796/XII
(2.ª) — Abertura e definição do modelo de gestão do Centro de Reabilitação do Norte (CDS-PP).
Antes de dar a palavra os oradores inscritos, que já indicarei quais são, o Sr. Secretário vai fazer favor de
proceder à leitura do expediente que entretanto deu entrada na Mesa.
O Sr. Secretário (Paulo Batista Santos): — Sr.ª Presidente e Srs. Deputados, deu entrada na Mesa, e foi
admitido, o projeto de resolução n.º 797/XII (2.ª) — Cessação de vigência do Decreto-Lei n.º 68/2013, de 17 de
maio, que procede à transferência de competências do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP
(INSA, IP), exercidas pelo Centro de Genética Médica Doutor Jacinto Magalhães daquele instituto, para o
Centro Hospitalar do Porto, EPE (BE), que será votado no final da sessão de hoje.
É tudo, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, já identifiquei o conjunto de projetos de resolução que está em
debate neste quarto ponto da ordem do dia. Estão inscritos, para intervir, os Srs. Deputados Carlos Abreu
Amorim, do PSD, Manuel Pizarro, do PS, Carla Cruz, do PCP, Helena Pinto, do BE, e Cecília Meireles, do
CDS-PP.
Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Abreu Amorim
O Sr. Carlos Abreu Amorim (PSD): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: O Centro de Reabilitação
do Norte, em Valadares, constitui uma estrutura de eleição da qual o Norte e o País não podem prescindir.
Estamos perante um equipamento com uma localização de excelência, detentor de condições de raiz e
com enormes potencialidades na área dos cuidados de saúde, evitando que os utentes façam deslocações de
centenas de quilómetros até Alcoitão, e na área da formação e da investigação, podendo ainda assumir uma
função dinamizadora da economia local.
Este não é o momento adequado para chorar sobre o leite tantas vezes derramado pelo que foi feito na
construção deste Centro de Reabilitação do Norte, designadamente por o Governo anterior se ter precipitado
na sua construção, sem ter pensado num modelo de gestão economicamente sustentado e que lhe desse
viabilidade.
Protestos do Deputado do PS Manuel Pizarro.
O mesmo acontece pelo facto de não ter sido pensado o tempo e o modo…
Protestos do Deputado do PS Manuel Pizarro.
… necessários para que as exigências concursais estivessem efetivadas no que diz respeito ao seu
apetrechamento com os restantes equipamentos necessários e com os recursos humanos.
No entanto, hoje o País sabe, também graças ao que se passou neste equipamento, que para construir
uma estrutura de saúde desta natureza não basta erigir paredes, é necessário que tudo isso seja pensado,
tudo isso seja devidamente dimensionado, previamente à construção.
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Votação Deliberação — DAR I série — 60-60 — 12/07/2013
I SÉRIE — NÚMERO 112
Srs. Deputados, esta proposta de lei baixa, igualmente, à 5.ª Comissão.
Vamos, agora votar, ainda na generalidade, a proposta de lei n.º 157/XII (2.ª) — Aprova os requisitos de
acesso e exercício das atividades das empresas de manutenção de instalações de elevação e das entidades
inspetoras de instalações de elevação e seus profissionais, conformando-os com a disciplina da Lei n.º 9/2009,
de 4 de março, e do Decreto-Lei n.º 92/2010, de 26 de julho, que transpuseram as Diretivas 2005/36/CE,
relativa ao reconhecimento das qualificações profissionais, e 2006/123/CE, relativa aos serviços no mercado
interno.
Submetida à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD, do PS e do CDS-PP e votos contra do PCP,
do BE e de Os Verdes.
A proposta de lei baixa à 6.ª Comissão.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 717/XII (2.ª) — Centro de Reabilitação do Norte (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS e do CDS-PP e votos contra do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 746/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo a abertura urgente do
Centro de Reabilitação do Norte, pronto desde o verão de 2012 (PS).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 766/XII (2.ª) — Urgente abertura do Centro de Reabilitação
do Norte (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos, agora, proceder à votação do projeto de resolução n.º 767/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo a
abertura urgente do Centro de Reabilitação do Norte integrado no Serviço Nacional de Saúde (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 796/XII (2.ª) — Abertura e definição do modelo de gestão do Centro
de Reabilitação do Norte (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS e do CDS-PP e votos contra do PCP,
do BE e de Os Verdes.
A Sr.ª Carla Cruz (PCP): — Sr.ª Presidente, permite-me o uso da palavra?
A Sr.ª Presidente: — Faça favor, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Carla Cruz (PCP): — Sr.ª Presidente, quero anunciar que o Grupo Parlamentar do Partido
Comunista Português irá apresentar uma declaração de voto relativa à votação dos projetos de resolução n.os
717/XII (2.ª) e 796/XII (2.ª).
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Vamos prosseguir com a votação, na generalidade, do projeto de lei n.º 415/XII (2.ª) — Cria o subsídio
social de desemprego extraordinário (PCP).
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