PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 727/XII/2.ª
Recomenda ao Governo a elaboração urgente de um Plano de
Viabilização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo que assegure o
futuro da empresa e a defesa dos postos de trabalho
Desde que tomou posse em Junho de 2011, o Governo, através do Ministério da Defesa
Nacional, definiu como prioridade política a privatização dos Estaleiros Navais de Viana do
Castelo.
Foi sempre este o objetivo estratégico assumido pelo novo Governo do PSD e do CDS-PP para
o futuro dos ENVC, primeiro de forma implícita, depois de forma cada vez mais assumida. A
este objetivo, inteiramente coincidente com os interesses próprios de grupos privados
nacionais e/ou estrangeiros, subordinou o Governo todos os atos, decisões e orientações
políticas que adotou desde a sua tomada de posse, incluindo um conjunto de omissões,
atrasos ou mesmo a ausência de respostas às necessidades empresariais mais prementes dos
ENVC.
1. O Plano de Reestruturação herdado do Governo anterior
Logo em 3 Julho de 2011, o Governo do PSD/CDS, confrontado com a existência de um
autodesignado Plano de Reestruturação dos Estaleiros Navais herdado do Governo Sócrates,
que fora concebido e desenvolvido sem consulta ou participação dos trabalhadores dos ENVC,
e que previa o despedimento “imediato” de 380 dos 720 trabalhadores que então trabalhavam
na empresa, em vez de aceitar a exigência generalizada que reclamava a sua substituição
urgente, limitou-se a suspendê-lo e a adiar uma decisão sobre o mesmo para setembro de
2011, por altura da assembleia-geral da EMPORDEF, holding estatal que detém o capital social
dos ENVC.
O PCP considerou então que a defesa dos ENVC como empresa pública, bem como a defesa
dos seus postos de trabalho e a consideração do valor estratégico único desta empresa para a
economia nacional, não eram compatíveis com mais hesitações e delongas. Por isso, o PCP
tomou a iniciativa de apresentar um Projeto de Resolução (PJR n.º 5/XII/1.ª) que visava
comprometer o Governo com a apresentação imediata de um verdadeiro plano de viabilização
da empresa, o qual foi discutido em especialidade na Comissão Parlamentar da Defesa e
rejeitado em plenário da Assembleia da República no dia 29 de julho de 2011 pelos votos da
maioria parlamentar e o apoio parcial do Partido Socialista. Neste projeto de resolução, exigia-
se que o referido Plano de Reestruturação dos ENVC que previa o despedimento de mais de
metade dos seus trabalhadores, apenas suspenso pelo governo PSD/CDS, fosse objeto de uma
“reanálise urgente e articulada, com a participação dos trabalhadores da empresa, tendo em
conta a defesa da capacidade própria de um estaleiro naval único em Portugal e a sua
importância estratégica num contexto de defesa da capacidade produtiva industrial do País”,
recomendando igualmente que tal reanálise “valorizasse e tivesse em conta a importância
económica e social, mormente em Viana do Castelo e em todo o Alto Minho, desta empresa
pública de construção naval”.
A rejeição desta iniciativa política mostrou claramente, logo em julho de 2011, que o novo
Governo do PSD/CDS não pretendia rever e/ou substituir o Plano de Reestruturação herdado
da gestão do PS. Adiar soluções era então a única coisa que o Governo anunciava e pretendia
fazer, ao mesmo tempo que deixava, certamente de forma intencional, que a situação nos
ENVC se continuasse a degradar, com uma gestão sem capacidade nem margem de manobra e
uma tutela que reiteradamente se recusava a garantir as condições de tesouraria
minimamente indispensáveis para colocar a empresa a trabalhar e a poder honrar contratos já
estabelecidos.
Já sem qualquer surpresa, e mesmo face à pressão dos trabalhadores dos ENVC que
continuavam fortemente mobilizados e em 2 de setembro de 2011 se deslocaram a Lisboa
para conhecer decisões que tinham sido anunciadas para a assembleia-geral da EMPORDEF, o
Ministério da Defesa Nacional voltou a adiar uma decisão, pretensamente para o final do mês
de outubro de 2011. Depois disto, declarações quase patéticas foram produzidas de forma
aleatória, fosse por responsáveis governamentais, fosse por responsáveis da EMPODEF, que
chegaram a justificar o sistemático adiamento de soluções com a existência de “três novos
projetos de investimento, de quatro parcerias possíveis e de seis propostas de carteira
comercial para a construção e reparação de navios”(…?) , assegurando sempre (com os
resultados que infelizmente se conhecem) que “tudo estava a ser feito para garantir o futuro
da empresa”.
2. O contrato para a construção de navios para a Venezuela. A paralisia forçada da
empresa.
A situação na empresa, como o Governo bem sabia e era totalmente esperável, continuava a
degradar-se de forma insustentável e profundamente indigna para os cerca de 630
trabalhadores que permaneciam ao serviço dos ENVC e continuavam a lutar em sua defesa.
O contrato para construção de dois navios asfalteiros estabelecido com uma empresa estatal
venezuelana, no valor aproximado de 130 milhões de euros, para o qual os ENVC tinham já
recebido um adiantamento de cerca 12,8 milhões de euros, dez por cento do valor do
contrato, nunca arrancara e continuava escandalosamente paralisado no final de 2011.
Entretanto, centenas de trabalhadores permaneciam, no fundamental, inativos, embora a
administração e a tutela continuassem a garantir (com a exceção do mês de Dezembro de
2011) o pagamento atempado de salários – aliás parcialmente assegurados com aquele
adiantamento contratual.
“Faltavam meios financeiros que permitissem avançar com a aquisição de aço necessário” para
que a obra pudesse entrar em “estaleiro”, dizia a administração dos ENVC. O Governo lavava
as mãos do problema e recusava qualquer tipo de adiantamento, não obstante a programação
do contrato com a Venezuela permitir receber de forma faseada “tranches” sucessivas de
pagamentos à medida que a obra fosse evoluindo, as quais, evidentemente, iriam assegurar
condições de liquidez aos ENVC durante o desenvolvimentos destes contratos.
Quanto a novos contratos e encomendas, assume hoje porventura mais relevância e
significado a forma muito mal explicada como a administração dos ENVC perdeu para o Grupo
Martifer, que detém um estaleiro de construção naval de pequena dimensão em Aveiro (a
NavalRia), a possibilidade de vir a construir dois navios-hotel para a empresa Douro Azul,
destinados a operações turísticas no Rio Douro.
Simultaneamente, a administração dos ENVC deixou reduzir a mínimos históricos e quase
escandalosos a faturação da empresa na área da reparação naval, o que mostra bem a
ineficiência e falta de empenho da gestão que o Governo PSD/CDS nomeara para a empresa.
De valores rondando os 19 e 13 milhões de euros, nos anos de 2009 e 2010, respetivamente, a
faturação dos ENVC no setor da reparação naval desceu em 2011 para 8,4 milhões de euros e
em 2012 atingiu um mínimo de 3,0 milhões de euros!
Quem neste momento e nesta conjuntura quisesse genuinamente defender os Estaleiros
Navais de Viana do Castelo, preservar os postos de trabalho e manter a perspetiva desta
empresa pública continuar a desempenhar um papel central na construção naval em Portugal,
tinha que procurar colocar a empresa em pleno funcionamento, assumindo os contratos e
compromissos que ainda detinha – com a Venezuela e com a Marinha – e que lhe asseguravam
uma carteira de encomendas para um horizonte mínimo de trabalho pleno de cerca de
dois/três anos.
Foi neste contexto que o PCP apresentou em 13 de janeiro de 2012 o Projeto de Resolução n.º
177/XII/2.ª, que recomendava ao Governo que “ garantisse aos ENVC o financiamento
necessário à aquisição das matérias-primas, da maquinaria e ao pagamento dos salários
indispensáveis ao início imediato da construção dos navios asfalteiros contratados com a
Venezuela”, o qual foi escandalosamente rejeitado pela maioria parlamentar na sessão
plenária do Parlamento realizada no dia 3 de Fevereiro de 2012, num debate que contou com
a presença de uma vasta delegação de trabalhadores dos ENVC nas galerias da Assembleia da
República.
3. O arranque formal do processo de privatização dos ENVC
Em Março de 2012, finalmente de forma explícita, o Ministro da Defesa Nacional começou a destapar
o véu das verdadeiras intenções do Governo. Depois de, segundo comunicados oficiais, “ ter
auscultado o mercado”para se assegurar se haveria candidatos à privatização dos ENVC, e “evitar
falsas esperanças aos mais de 600 trabalhadores ali existentes”,o Governo apresentou publicamente
a sua intenção de “nas próximas oito semanas fechar o modelo em que a reprivatização da empresa
poderá ocorrer”,ao que se seguirá um prazo de três meses para análise de propostas.
A vida da empresa passou a ficar totalmente dependente desta suicida estratégia de
privatização, finalmente assumida de forma explícita pelo Governo. Nos ENVC quase nada se
fazia, a reparação naval prosseguia aos ritmos mínimos atrás quantificados, a construção dos
asfalteiros não arrancava, a possibilidade de incumprimento dos contratos com a Venezuela
era crescente e obrigava mesmo a uma recalendarização da construção dos dois navios que,
aparentemente terá sido aceite pelos responsáveis venezuelanos.
Neste contexto, o Ministro da Defesa Nacional anunciou que os termos do concurso público
internacional para a reprivatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo seriam conhecidos em
junho, mas só em 13 de Agosto, com a publicação do Decreto-Lei n.º 186/2012, é que ficou
formalmente conhecido o “processo de reprivatização do capital social da Estaleiros Navais de Viana
do Castelo, SA”, regulado, no essencial, por este diploma legal e pela Resolução do Conselho de
Ministros n.º 73/2012, de 29 do mesmo mês de agosto de 2013, que fixou o respetivo Caderno de
Encargos.
Cerca de catorze meses depois da sua posse, o Governo concretizou com estas duas iniciativas
legislativas a sua intenção estratégica de privatizar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e
dar de mão beijada esta empresa pública única em Portugal aos grupos económicos privados
que há muito esperavam tomar conta da empresa. De facto, a privatização dos Estaleiros
Navais de Viana do Castelo era há muito intenção e objetivo central de vários governos.
Embora a sua inclusão não integrasse de forma inteiramente explícita o Memorando da Troica
negociado e assinado em 11 de Maio de 2011 pelo PS, PSD e CDS-PP, a verdade é que a
privatização desta empresa pública tinha sido também objetivo central do Governo Sócrates já
que, por exemplo, constava do Programa de Estabilidade e Crescimento 2010-2013 (página
36), um dos “tristemente famosos” PEC, e também do Orçamento do Estado para o ano de
2011 (página 165 do respetivo relatório).
Vale a pena, a este propósito, recordar os termos com que os trabalhadores da empresa
reagiram face à confirmação da notícia da privatização dos ENVC. Numa moção aprovada em
Reunião Geral de Trabalhadores, realizada precisamente em agosto de 2012, para além de se
recordar a contestação à reprivatização dos ENVC, os trabalhadores da empresa aprovaram
por unanimidade a exigência dirigida ao Governo e à Administração da empresa para “não
ficarem estagnados à espera da triste reprivatização mas que procurem alternativas de
trabalho para a empresa, pois não tem tido a capacidade para ocupar toda a sua mão-de-obra
disponível, como é sua obrigação”.
Perante o avanço desta estratégia de venda a grupos privados nacionais e/ou estrangeiros de
uma empresa pública industrial fundamental para o eventual desenvolvimento de uma nova
fileira do mar em Portugal, o PCP apresentou, nos termos constitucionais próprios uma
iniciativa tendente a efetuar a Apreciação Parlamentar do Decreto-Lei n.º 186/2912, de 13 de
agosto.
Assim, em 3 de Setembro de 2013, os 14 Deputados do Grupo Parlamentar do PCP
subscreveram a Apreciação Parlamentar n.º 30/XII/2.ª do atrás referido Decreto-Lei, com vista
a proceder ao respetivo debate no plenário da Assembleia da República. Este debate foi
agendado para o dia 20 de outubro de 2012, no qual voltaram a estar presentes algumas
dezenas de trabalhadores dos ENVC, e durante o qual o PCP apresentou um Projeto de
Resolução (PJR n.º 480/XII/2.ª) que visava a revogação do Decreto-lei n.º 186/2012, de 13 de
agosto, isto é, visava extinguir o processo de privatização dos ENVC. Este objetivo,
infelizmente, foi na altura rejeitado pela maioria parlamentar de suporte ao Governo PSD/CDS.
Entretanto, em 7 de Setembro de 2012 arrancou a “primeira fase” do processo de privatização,
com a entrega de propostas não vinculativas por parte de um conjunto de potenciais
interessados na compra dos ENVC. Depois, foi fixado em 12 de Outubro (logo prorrogado para
24 de outubro), o prazo para a entrega de propostas vinculativas, tendo sido entregues
propostas de quatro grupos, o português Atlanticeagle Shipbuilding, Lda., o norueguês Volstad
Maritime AS, o russo JSC RiverSea Industrial Trading e o brasileiro Rio Nave serviços Navais,
Ltda., sendo que, na fase final do processo, foram apenas consideradas as propostas destes
dois últimos grupos.
Do que nesta fase foi sendo publicado sobre a forma como estaria a decorrer a análise das
propostas, ficou a saber-se que nenhuma destas duas propostas vinculativas chegaria sequer
aos 10 milhões de euros, sendo que o Decreto-Lei de privatização e o respetivo Caderno de
Encargos se tinham proposto levar a concurso a compra de uma empresa cujo capital social
estava avaliado em 30 milhões de euros!...
Ainda em setembro de 2012, o Governo, através da Resolução do Conselho de Ministros
n.º79/2012, de 20 de setembro, deu mais uma machadada nos ENVC e na possibilidade da
empresa poder dispor de uma confortável carteira de encomendas. Com esta decisão, o
Governo autorizou o Ministro da Defesa Nacional a revogar os contratos ainda existentes entre o
Estado Português e os Estaleiros Navais de Viana do Castelo para a construção de um conjunto de
navios destinados à Marinha, com o simples pretexto de manter os respetivos projetos no domínio
público no contexto do processo de privatização em curso, e com o argumento recorrente “das contas
públicas portuguesas não permitirem atualmente a execução do Programa tal como estava delineado
desde o início, admitindo-se que o mesmo será retomado assim que existam condições para isso”.
3. Da suspensão à anulação do processo de privatização. A concessão de terrenos, forma
encapotada de privatização dos ENVC
Em 27 de Dezembro de 2012, o Governo decidiu suspender o processo de privatização dos ENVC
devido ao facto da Comissão Europeia ter decidido iniciar um processo de investigação sobre eventuais
ajudas públicas concedidas entre 2006 e 2010 aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e que podiam,
na opinião do Governo, colocar em risco as condições acordadas no âmbito do Caderno de Encargos
do concurso público para a privatização da empresa. Isto é, quem ficasse com os ENVC seria obrigado a
devolver ao Estado 181 milhões de euros de ajudas públicas (que evidentemente nunca recebera),
situação que seguramente afastaria os interessados na privatização, cujas ofertas vinculativas de
compra nem chegaram aliás a 10 milhões de euros.
Assim, e antes que os potencias candidatos fossem confrontados com essas eventuais novas condições
de compra e pudessem desistir do concurso, o Governo decidiu antecipar esse cenário e anular o
processo de privatização. É isso que faz, quase quatro meses depois, em 18 de Abril de 2013, quendo o
Governo anunciou ter decidido “encerrar definitivamente”o processo de reprivatização dos Estaleiros
Navais de Viana do Castelo (ENVC), face à publicação oficial, em 3 de Abril, do processo de investigação
lançada pela Comissão Europeia às ajudas estatais concedidas à empresa ENVC entre 2006 e 2010, no
valor de 181 milhões de euros. A decisão foi tomada, de acordo com o Governo, por “não estarem
acautelados os interesses patrimoniais do Estado e a concretização dos objetivos subjacentes ao
processo de alienação das ações da ENVC, S.A”(Resolução do Conselho de Ministros n.º 27/2013, de
24 de abril de 2013).
Parecia que esta decisão ia ao encontro do que o PCP reclamara em Outubro de 2012 e que tinha sido
rejeitado pela maioria PSD/CDS e pelo seu Governo: anular o processo de privatização.
Assim seria se depois de anular o processo de privatização, o Governo tomasse a decisão de manter os
ENVC na esfera pública, de viabilizar a empresa e de lhe conferir condições de gestão, administrativas e
financeiras para a defender e aos postos de trabalho.
Não foi nada isto o que o Governo fez. Antevendo dificuldades externas em transferir para mãos
privadas os ENVC através de uma venda direta feita através de um concurso “clássico” de privatização,
o Governo quer agora fazer essa mesma transferência, vendendo apenas os terrenos, as instalações e
os equipamentos, depois de liquidar a empresa e de despedir os trabalhadores.
Na realidade, em conferência de imprensa realizada no mesmo dia 18 de Abril de 2013, o Ministro da
Defesa Nacional, informou que o Governo estaria a trabalhar num “modelo alternativo» que permita
potenciar aquele ativo estratégico e que, em simultâneo, vá ao encontro das pretensões europeias”,
sendo que tal alternativa se iria traduzir na abertura de um concurso público internacional para a
subconcessão dos terrenos onde operam os ENVC. Na mesma ocasião, o Governo anunciou a
realização de um “concurso público internacional para a venda do navio Atlântida”, e anunciou
também que iria disponibilizar os meios necessários para que se pudesse avançar com a construção
dos dois navios asfalteiros para a Venezuela, cuja construção se encontrava paralisada há quase dois
anos.
Em audição parlamentar realizada dias após esta decisão, ficou bem claro o que significam para o
Governo os “detalhes deste processo de concessão dos terrenos”. Nesta reunião parlamentar ficaram
bem claras as intenções do Governo. Esta nova fórmula escolhida pelo Governo para transferir para
mãos privadas a atividade de construção naval em Viana do Castelo irá implicar a extinção da empresa
Estaleiros Navais de Viana do Castelo; o despedimento coletivo dos trabalhadores com a extinção de
todos os 630 postos de trabalho, nenhum deles estando assegurado ou preservados direitos ou
antiguidades pelo eventual futuro concessionário; a possibilidade desse futuro concessionário poder
utilizar terrenos e equipamentos para qualquer outra atividade industrial totalmente desligada da
construção naval; a possibilidade da construção dos navios asfalteiros, caso não haja interesse do
futuro concessionário, poder ser suspensa e a respetiva construção ser deslocada para outras
instalações.
Usando o pretexto do processo de investigação a pretensas ajudas públicas “ilegais”, lançado
pela Comissão Europeia, o Governo deixou “cair a máscara” e mostrou a forma politicamente
premeditada como geriu o dossiê ENVC desde Junho de 2011. De facto:
- Quando em Julho de 2011, o PCP propôs a elaboração urgente de um Plano de Viabilização
que defendesse o futuro dos ENVC e dos seus postos de trabalho, a maioria parlamentar do
PSD e do CDS rejeitaram essa via e o Governo insistiu em adiar, adiar, nunca avançando com
qualquer estratégia de reestruturação da empresa. Bem pelo contrário, nomeou e manteve
uma administração incompetente e desmotivada, incapaz de captar novos contratos (nem
sequer os da empresa Douro Azul), e deixou degradar a mínimos insustentáveis a atividade de
reparação naval dos ENVC;
- Quando no final do ano de 2011 era patente a degradação humana e profissional nos ENVC,
com centenas de trabalhadores e suas famílias a reclamarem trabalho e um tratamento digno
da parte do Governo, exigindo o arranque de obras contratualizadas (dois navios para a
Venezuela e pelo menos quatro da vasta encomenda de navios para a Marinha), e o PCP
propôs, em janeiro de 2012, que os ENVC fossem dotados dos meios financeiros mínimos para
poder avançar com a obra dos navios para a Venezuela, a maioria parlamentar do PSD e do
CDS voltou a rejeitar a via da recuperação da empresa, enquanto o Governo preparava o
terreno para anunciar e fazer avançar a privatização da empresa. Se em janeiro de 2012, o
argumento da maioria e do Governo para rejeitarem a proposta do PCP era a falta de meios
financeiros mínimos (cerca de 15 a 20 milhões de euros de um contrato de 130 milhões) para
entregar aos ENVC, como é que agora, em Maio de 2013, esses meios financeiros já existem e
a obra “pode avançar” mesmo que em condições muito pouco claras quanto ao seu
desenvolvimento efetivo?
- Quando, durante o ano de 2012, o Governo insistiu no processo de privatização dos ENVC e a
maioria parlamentar rejeitou a sua anulação proposta pelo PCP em Setembro de 2012, deveria
saber com alguma certeza que esse processo de venda poderia ser bloqueado pelas
autoridades comunitárias. O Governo tem assessorias jurídicas e financeiras pagas a preço de
ouro, certamente muito conhecedoras da legislação comunitária na área da concorrência; por
isso, deveria saber que o processo de privatização poderia vir a ser inviabilizado por causa de
ajudas públicas concedidas aos ENVC e que a empresa, ou seja, o futuro comprador teria que
devolver. No entanto, o Governo insistiu neste processo e torna-se bem plausível que toda
esta estratégia tenha sido concebida para permitir que, uma vez anulado o processo de
privatização, fosse possível impor uma alternativa ainda mais favorável para os potenciais
interessados em ficar com as infraestruturas da empresa, extinguindo a empresa, despedindo
os trabalhadores e vendendo, totalmente livre de encargos ou ónus os terrenos, as
infraestruturas e os equipamentos que tinham sido dos ENVC, entretanto extintos.
4. O pretexto do Governo para avançar com a extinção dos ENVC
Em Abril de 2013, consumada a decisão da Comissão Europeia que na prática inviabilizaria a
compra dos ENVC em condições financeiras favoráveis, o Governo encontrou o “pretexto
adequado” para anular o processo de privatização encetado em Agosto de 2012 sem deixar de
retomar e dar continuidade ao objetivo estratégico inicial de fazer passar para as mãos de
grupos privados nacionais ou estrangeiros a posse daquelas infraestruturas. Com esse
pretexto, o Governo faz agora avançar um outro processo de privatização encapotado, feito
com a extinção prévia dos ENVC e o despedimento dos seus trabalhadores, abrindo a porta a
que grupos privados fiquem com tudo limpo de trabalhadores e de encargos, passando a usar
os terrenos, eventualmente os equipamentos, adquirindo apenas o que lhes interessa em
condições financeiras ainda mais favoráveis que através do processo “clássico” de privatização.
Em vez de uma privatização formalmente condicionada por um caderno de encargos, o
Governo prepara-se para agora lançar uma autêntica privatização selvagem, sem atividade
prevista, sem trabalhadores e sem qualquer estratégia que ponha ou possa colocar aquela
vasta infraestrutura ao serviço real dos interesses económicos e sociais do Alto Minho e do
País, muito menos ao serviço da recentemente tão mediatizada Economia do Mar.
O pretexto usado pelo Governo para impor esta privatização encapotada é totalmente
falacioso e enviesado. O facto do processo de investigação da Comissão Europeia às pretensas
ajudas públicas concedidas aos ENVC entre 2006 e 2010 inviabilizar o avanço do processo de
privatização, não significa, de forma alguma, que os termos da decisão das autoridades
comunitárias determine a extinção dos ENVC, o despedimento dos seus trabalhadores ou
imponha como a realização de um qualquer concurso para a concessão dos terrenos.
Esta é uma escolha anunciada pelo Governo do PSD e do CDS-PP que segue um roteiro
previamente traçado de destruição dos ENVC, fosse através da sua privatização, fosse através
da sua extinção.
A verdade é que o processo de investigação comunitária permite outras opções, incluindo o
estabelecimento de um plano de reestruturação e viabilização empresarial através do qual as
ajudas públicas sobre as quais impende aquele processo de investigação poderão ser aceites e
integradas face à legislação comunitária aplicável.
Uma consulta ao texto da Comissão Europeia permite claramente perceber a existência de
alternativas que até agora o Governo parece apostado em não explorar. Transcrevem-se, por
isso, algumas das passagens mais relevantes desta decisão da CE.
No capítulo 4, respeitante às “Observações de Portugal” (leia-se observações entregues pelo
atual Governo de Portugal), apresentadas no âmbito do processo de investigação em curso,
pode ler-se:
“No que respeita á situação económica da ENVC, Portugal admite que a ENVC deve ser considerada uma
empresa em dificuldade na aceção das Orientações comunitárias relativamente a auxílios estatais de
emergência e à reestruturação de empresas em dificuldade (a seguir designadas Orientações E&R)”
(parágrafo 26).
No capítulo 5, respeitante à “Apreciação” pode também ler-se que:
“Portugal parece admitir que a ENVC deve ser considerada uma empresa em dificuldade na aceção das
Orientações E&R. No entanto, tendo em conta o argumento das autoridades portuguesas, segundo o
qual as medidas estão em conformidade com o princípio de operador numa economia de mercado, a
Comissão considera necessário examinar se a ENVC poderia ser considerada como empresa em
dificuldade na altura em que as medidas foram tomadas”.(parágrafo 34).
“Para além dos prejuízos significativos da ENVC, que constituem uma primeira indicação das dificuldades
da empresa, afigura-se também que estão presentes alguns dos outros sinais habituais de uma empresa
em dificuldade. Por exemplo, o volume de negócios da ENVC tem vindo a diminuir constantemente
desde, pelo menos, 2008, passando de 129,62 milhões de euros nesse ano para 55,58 milhões de euros
em 2009, para 20,22 milhões de euros em 2010, para 15,11 milhões de euros em 2011 e para 3-5
milhões de euros para o ano até 30 de Junho de 2012”. (parágrafo 39).
Concluindo, neste mesmo capítulo 5, no parágrafo 41, que:
“Face ao exposto e com base nas informações disponíveis, a Comissão é, na presente fase, de opinião
que a ENVC poderia ser considerada como uma empresa em dificuldade na aceção das Orientações E&R
na altura em que as medidas foram concedidas no passado”.
Mais à frente, ainda no subcapítulo 5.4., “Compatibilidade das medidas anteriores com
o mercado interno” pode ainda ler-se:
“De qualquer modo e dada a natureza das medidas anteriores e das dificuldades da ENVC, os únicos
critérios pertinentes afiguram-se ser os relativos aos auxílios de emergência e à reestruturação
concedidos a empresas em dificuldade (…) Se a CE chegar à conclusão de que as medidas anteriores
constituem um auxílio estatal, tal auxílio deve então normalmente ser apreciado à luz dos critérios das
Orientações E&R” (parágrafo 62).
“No que se refere aos auxílios à reestruturação, tal como definidos na secção 3.2 das Orientações E&R, a
CE assinala que Portugal não notificou à Comissão qualquer das medidas acima identificadas como
auxílios à reestruturação e, por conseguinte, não conseguiu demonstrar que estão presentes quaisquer
dos elementos necessários para que sejam consideradas como tais (plano de reestruturação,
contribuições próprias, medidas compensatórias, etc).” (parágrafo 64).
“Além disso, a Comissão assinala que Portugal não apresentou quaisquer elementos que pudessem
assegurar o cumprimento dos requisitos necessários para considerar um auxílio à reestruturação como
compatível (…)” (parágrafo 66).
Face a todos estes considerandos, a Comissão acaba por concluir no parágrafo 67 que:
“Por conseguinte, a Comissão não dispõe de elementos de prova para concluir se qualquer destas
medidas pode ser considerada compatível com base nas Orientações E&R enquanto auxílio estatal de
emergência ou à reestruturação”.
E logo de seguida, na sua Decisão, a Comissão Europeia determina que “à luz das
considerações supra, a Comissão, no âmbito do procedimento previsto no artigo 108.º, n.º2, do Tratado
sobre o Funcionamento da União Europeia, convida a República Portuguesa a apresentar as suas
observações e a prestar todas as informações que possam ajudar a avaliar as medidas anteriores em
favor da ENVC (…)”.
A leitura atenta destas transcrições e do teor integral do “processo de investigação” às
pretensas ajudas públicas aos ENVC no valor de 181 milhões de euros, mostram bem a
dimensão do pretexto usado pelo Governo PSD/CDS para prosseguir com o seu plano de
privatização encapotada da empresa.
5.Alternativa à privatização/concessão
Em nome do interesse nacional, em defesa de uma empresa pública de construção naval com
caraterísticas únicas em Portugal e dos seus mais de seiscentos trabalhadores, é bem evidente
que o Governo deve responder aos quesitos e observações constantes deste processo de
investigação. Para isso é determinante que seja elaborado um plano de reestruturação e de
viabilização dos ENVC no qual se insiram aquelas e eventualmente outras ajudas públicas
prestadas à empresa em dificuldades. Para isso, é fundamental que o Governo abandone de
vez a sua “sanha privatizadora” e opte por uma estratégia de defesas e de viabilização dos
ENVC, criando todas as condições para que esta empresa pública industrial recupere o seu
papel central na construção naval em Portugal, reocupe o seu papel na economia regional e
nacional, mormente o seu papel de empresa exportadora, e assuma um papel de relevo em
toda a estratégia nacional da designada economia do mar.
Os factos demonstram que, ao contrário do que o Governo pretende fazer crer, não existe
qualquer obrigação nem é uma inevitabilidade encerrar os Estaleiros Navais de Viana do
Castelo nem despedir os seus 630 trabalhadores. Nada nem ninguém pode determinar esse
encerramento e é claro que o processo de investigação da CE também não o faz. Se o Governo
escolher liquidar a empresa, ela é uma escolha que reflete uma posição profundamente
ideológica que apenas serve os interesses dos grupos privados que pretendem apropriar-se de
um património público determinante e estratégico na construção naval em Portugal.
O PCP entende que sempre existiu e que existe ainda um outro caminho, de defesa desta
empresa publica industrial que é, inclusivamente, suportado no texto dimanado das
autoridades comunitárias.
Por tudo o que fica dito, e ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, a
Assembleia da República recomenda ao Governo que:
1.Proceda à nomeação imediata de uma nova Administração da empresa, designada por
critérios reconhecidos de competência profissional e de experiência no setor, uma
administração empenhada e em dedicação exclusiva, perseguindo a tarefa de recuperar a
normalidade empresarial dos ENVC como empresa pública de referência na produção
industrial em Portugal;
2.Determine a apresentação urgente de um Plano de Viabilização e de Reestruturação dos
Estaleiros Navais de Viana do Castelo, elaborado em diálogo com os seus trabalhadores, que
valorize a produção industrial nacional e que contemple, pelo menos, os seguintes
pressupostos:
2.1 A garantia dos postos de trabalho da empresa e a previsão de um vasto programa de
requalificação e de formação profissional de atuais e futuros ativos;
2.2. A construção dos navios para a Venezuela nos prazos contratuais;
2.3. A reprogramação, de acordo com orientações governamentais e as disponibilidades
de investimento, da execução do programa de construção dos navios para a Marinha;
2.4. A recuperação da imagem de referência, interna e externa, dos ENVC na área da
construção e da reparação navais, da sua experiência e capacidade tecnológica,
mormente em articulação e com o apoio dos meios oficiais governamentais de apoio à
internacionalização;
2.5. A elaboração de um programa de diversificação industrial da empresa,
contemplando estratégias de investimento na inovação e na modernização de processos
produtivos e em novos segmentos de produção, mormente na área das plataformas
offshore, que permita encarar a plena participação dos ENVC numa estratégia nacional
baseada na economia do mar;
2.6. A integração da estratégia de reestruturação e de viabilização dos ENVC no contexto
do novo Quadro de Referência Estratégica 2014-2020;
2.7. A definição de condições de superação das dificuldades financeiras dos ENVC e a
redefinição legal dos processos concursais de iniciativa empresarial pública;
2.8. A adequada rentabilização do navio Atlântida.
1. Proceda à contestação do procedimento aberto pela Comissão Europeia justificando
as ajudas públicas prestadas e/ou a prestar aos ENVC num contexto de empresa em
dificuldades com um plano de reestruturação e viabilização aprovado e em
desenvolvimento.
Assembleia da República, 17 de maio de 2013
Os Deputados,
HONÓRIO NOVO; ANTÓNIO FILIPE; BRUNO DIAS; RITA RATO; FRANCISCO LOPES; PAULA
SANTOS; JOÃO RAMOS; JOÃO OLIVEIRA; PAULO SÁ; MIGUEL TIAGO; CARLA CRUZ;
BERNARDINO SOARES
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Publicação — DAR II série A — 47-54 — 17/05/2013
17 DE MAIO DE 2013
Já têm vindo a público, indicadas por diversos especialistas, em notas relativamente soltas e dispersas,
várias medidas necessárias, como por exemplo articulação de entidades nacionais, regionais e locais para
uma intervenção coordenada, envolvimento de vários setores, campanhas de informação, aconselhamento e
de sensibilização (designadamente nas escolas, unidades de saúde, aeroportos, portos), isolamento de casos
descritos, vigilância epidemiológica, vigilância entomológica, combate ao vetor (nomeadamente por via da
identificação e da eliminação de criadouros), uso de vestuário adequado e de repelente de insetos de forma
regrada, incentivo à consulta do viajante (quer à saída, quer à entrada), comparticipação de medicamentos
fundamentais ao tratamento, informação sobre medicamentos que podem causar complicações no tratamento.
Informações soltas e dispersas, embora sustentadas e credibilizadas, não geram contudo eficácia na
obtenção de resultados, nem por via da articulação de poderes que têm obrigação de intervir, nem junto da
população que se quer informada de uma forma bastante generalizada. É, por isso, determinante que exista
em Portugal um Plano Nacional de Prevenção de Dengue.
Assim, o Grupo Parlamentar Os Verdes propõe o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis,
recomendar ao Governo a criação de um Plano Nacional para a Prevenção de Dengue.
Assembleia da República, Palácio de S. Bento, 17 de maio de 2013.
Os Deputados de Os Verdes, Heloísa Apolónia — José Luís Ferreira.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 727/XII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO A ELABORAÇÃO URGENTE DE UM PLANO DE VIABILIZAÇÃO DOS
ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO QUE ASSEGURE O FUTURO DA EMPRESA E A
DEFESA DOS POSTOS DE TRABALHO
Desde que tomou posse em junho de 2011, o Governo, através do Ministério da Defesa Nacional, definiu
como prioridade política a privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.
Foi sempre este o objetivo estratégico assumido pelo novo Governo do PSD e do CDS-PP para o futuro
dos ENVC, primeiro de forma implícita, depois de forma cada vez mais assumida. A este objetivo, inteiramente
coincidente com os interesses próprios de grupos privados nacionais e/ou estrangeiros, subordinou o Governo
todos os atos, decisões e orientações políticas que adotou desde a sua tomada de posse, incluindo um
conjunto de omissões, atrasos ou mesmo a ausência de respostas às necessidades empresariais mais
prementes dos ENVC.
1. O Plano de Reestruturação herdado do Governo anterior
Logo em 3 julho de 2011, o Governo do PSD/CDS, confrontado com a existência de um autodesignado
Plano de Reestruturação dos Estaleiros Navais herdado do Governo Sócrates, que fora concebido e
desenvolvido sem consulta ou participação dos trabalhadores dos ENVC, e que previa o despedimento
“imediato” de 380 dos 720 trabalhadores que então trabalhavam na empresa, em vez de aceitar a exigência
generalizada que reclamava a sua substituição urgente, limitou-se a suspendê-lo e a adiar uma decisão sobre
o mesmo para setembro de 2011, por altura da assembleia-geral da EMPORDEF, holding estatal que detém o
capital social dos ENVC.
O PCP considerou então que a defesa dos ENVC como empresa pública, bem como a defesa dos seus
postos de trabalho e a consideração do valor estratégico único desta empresa para a economia nacional, não
eram compatíveis com mais hesitações e delongas. Por isso, o PCP tomou a iniciativa de apresentar um
Projeto de Resolução [PJR n.º 5/XII (1.ª)] que visava comprometer o Governo com a apresentação imediata de
um verdadeiro plano de viabilização da empresa, o qual foi discutido em especialidade na Comissão
Parlamentar da Defesa e rejeitado em plenário da Assembleia da República no dia 29 de julho de 2011 pelos
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Apreciação — DAR I série — 37-43 — 14/06/2013
14 DE JUNHO DE 2013
Ora, o que se pretende é devolver à Câmara Municipal a participação maioritária numa sociedade para que
as decisões de reabilitação urbana no Porto sejam decididas maioritariamente no Porto e não fiquem a
reboque das decisões do Governo, sem prejuízo, Sr. Deputado, de uma coisa essencial: o reforço do
investimento público nacional na reabilitação. Uma coisa não tira a outra!
Quanto a governamentalizar as decisões das estruturas que têm sede no Porto, não me diga que está de
acordo. Eu abro a minha boca de espanto ao ouvir isso de um candidato à Câmara Municipal do Porto…!
Aplausos do PCP.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Cecília
Meireles.
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, quero apenas acrescentar dois breves incisos.
O primeiro tem a ver com a discussão do modelo. Srs. Deputados, temos de nos concentrar aqui em
resolver estes dois problemas, que me parecem urgentes, ou em discutir o modelo?
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — Exatamente!
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Eu saliento é que a discussão do modelo vai prolongar-se de tal
maneira que vai acabar por «bater» no novo executivo camarário…
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — É verdade!
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Segundo, é para responder ao Sr. Deputado Manuel Pizarro. Sr.
Deputado, lembro-me bem de como era o Centro Histórico do Porto e de como era a Baixa no tempo da
governação do PS e da Câmara do PS.
O Sr. Michael Seufert (CDS-PP): — Ora bem!
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Portanto, quanto a isso, creio que a memória dos portuenses os
servirá bem na altura em que tiverem de escolher entre os dois modelos, porque este modelo assegurou não
só financiamento como mudou a Baixa portuense. E, hoje em dia, tem vida.
Aplausos do CDS-PP e do PSD.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Srs. Deputados, não havendo mais inscrições, vamos passar ao
ponto 5 da ordem do dia, que consiste na discussão conjunta dos projetos de resolução n.os
727/XII (2.ª) —
Recomenda ao Governo a elaboração urgente de um plano de viabilização dos Estaleiros Navais de Viana do
Castelo que assegure o futuro da empresa e a defesa dos postos de trabalho (PCP), 757/XII (2.ª) —
Recomenda ao Governo que abandone a intenção de encerrar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e
defina, com caráter de urgência, o plano de viabilização da empresa (PS) e 764/XII (2.ª) — Recomenda ao
Governo que garanta a viabilização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, assegurando a manutenção
dos postos de trabalho (BE).
Para apresentar o projeto de resolução n.os
727/XII (2.ª), do PCP, tem a palavra o Sr. Deputado Honório
Novo.
O Sr. Honório Novo (PCP): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: O projeto de resolução que hoje
apresentamos pretende encontrar uma saída para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, fazer com que
esta empresa saia do beco sem saída em que o Governo a colocou.
Pretendemos impedir não só que os Estaleiros Navais fechem e que os 620 trabalhadores sejam
despedidos nos próximos meses, como é intenção declarada e assumida pelo Governo, mas também que o
Governo continue a distribuir ilusões, dizendo duas coisas: primeira, que vai abrir um concurso para a
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Votação Deliberação — DAR I série — 35-35 — 15/06/2013
15 DE JUNHO DE 2013
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 761/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo que altere a Sociedade
Porto Vivo, SRUBP, SA, atribuindo ao município do Porto uma posição societária maioritária, consagrando um
modelo de reabilitação urbana que fixe os residentes e promova a reocupação populacional do centro histórico
do Porto e garanta a liquidação prévia dos compromissos financeiros do IHRU para com a Sociedade (PCP),
relativamente ao qual foram apresentados dois requerimentos, um do PS, a solicitar a separação da votação
do ponto 1, e outro do PSD, a solicitar a separação dos pontos 2 e 3.
Uma vez que o PSD requer que os pontos 2 e 3 sejam votados individualmente, votaremos todos os pontos
separadamente.
Vamos então começar por votar o ponto 1 do projeto de resolução n.º 761/XII (2.ª).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP, votos a favor do PCP e
de Os Verdes e a abstenção do BE.
Votamos agora o ponto 2 do mesmo projeto de resolução.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos agora votar o ponto 3 do projeto de resolução n.º 761/XII (2.ª).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 763/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo que o IHRU assuma os
seus compromissos como entidade participante na SRU Porto Vivo (BE), relativamente ao qual o Bloco de
Esquerda solicita a separação da votação dos 3 pontos.
Vamos, então, votar o ponto 1.
Submetido a votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o ponto 2 do mesmo projeto de resolução.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o ponto 3.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS-PP, do PCP e de Os Verdes e votos
a favor do PS e do BE.
Seguimos agora com a votação do projeto de resolução n.º 727/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo a
elaboração urgente de um plano de viabilização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo que assegure o
futuro da empresa e a defesa dos postos de trabalho (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PCP, do BE e
de Os Verdes e a abstenção do PS.
Srs. Deputados, vamos votar o projeto de resolução n.º 757/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo que
abandone a intenção de encerrar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e defina, com caráter de urgência,
o plano de viabilização da empresa (PS).
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