PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 699/XII
POR UMA POLÍTICA ALTERNATIVA QUE RESGATE O PAÍS DO DECLÍNIO ECONÓMICO E SOCIAL
Dois anos depois do início da aplicação do Pacto de Agressão, está claro para todos que as suas
medidas se traduzem num profundo retrocesso e que o verdadeiro programa do memorando
não foi nunca o equilíbrio das contas públicas ou a redução da dívida pública e sim a
concentração da riqueza por via da redução de salários, reformas e pensões, da negação do
acesso a direitos essenciais, na transferência de dinheiros públicos e de recursos nacionais
para os grandes grupos económicos, seja através de recapitalizações, PPP, swaps,
privatizações, privilégios fiscais ou outros mecanismos. Trata-se afinal de uma tentativa de
golpear e rever de facto a Constituição sob o falso argumento dos condicionalismos e da
realidade económica, criados pelo próprio Pacto.
Por isso nenhum dos problemas estruturais do país foi resolvido e todos se agravaram. O
desemprego galopante - instrumento para a quebra de salários a precariedade e a retirada de
direitos aos trabalhadores -, a recessão económica continuada, a crescente dependência
externa, a falta de investimento, a degradação dos serviços públicos, o recuo da proteção
social, a falta de aposta na produção nacional e também a manutenção do desequilíbrio
orçamental e o sistemático aumento da dívida pública, são a prova de que este programa de
ataque aos portugueses e ao país nunca foi feito para ter qualquer resultado positivo. É certo
também que o Governo e a troica há muito se preparam para aplicar um segundo resgate
procurando continuar o pacto de agressão em curso.
Os factos têm vindo a provar insistentemente que os problemas do país não têm solução com
esta política e que outra política é não só possível como indispensável. Uma política que rompa
com o memorando da troica, verdadeiro Pacto de Agressão ao desenvolvimento do país e aos
direitos dos portugueses, e que aposte na recuperação do emprego e da economia, na defesa
dos serviços públicos e dos direitos, garantindo uma vida melhor para todos os portugueses.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República defende
uma política alternativa que inclua:
a) A rejeição da aplicação do memorando da troica e da sua política de destruição
económica e social;
b) A renegociação imediata da dívida pública, nos seus prazos, montantes e juros, com a
determinação rigorosa da sua dimensão e características, a identificação da sua parte
ilegítima e a definição de condições de pagamento compatíveis com o crescimento
económico, designadamente indexando o serviço da dívida a uma percentagem das
exportações;
c) Uma forte ofensiva diplomática, quer convergindo com países da União Europeia com
situações semelhantes à de Portugal, quer procurando a diversificação de relações
internacionais no plano financeiro e no plano económico, bem como através de uma
forte aposta no aforro interno;
d) O fim das políticas de benefício aos grandes grupos económicos e de prejuízo do
interesse público, designadamente
A reavaliação urgente de todas as PPP visando a sua renegociação e a redução
muito substancial dos respetivos encargos e a cessação – mesmo que
unilateral - de todos os contratos que se mostrem ruinosos;
A eliminação das rendas excessivas do setor electroprodutor e noutros
sectores como nas telecomunicações, gás natural e combustíveis, com reflexo
imediato nas tarifas dos consumidores domésticos e das empresas;
O resgate das operações de contratos swap e a consequente redução drástica
dos encargos para as empresas públicas;
O fim do programa de privatizações;
A não renovação dos contratos de serviços externos de estudos e
consultadorias em curso, e a proibição total do seu futuro estabelecimento,
salvo em casos excecionais e devidamente fundamentados;
A extinção imediata do conjunto de entidades ditas reguladoras,
designadamente na área económica, e a inclusão das suas missões como
responsabilidade de departamentos da Administração Central;
e) O aumento da produção nacional designadamente
Com uma política de desenvolvimento e promoção industrial que garanta a
recuperação de indústrias básicas estratégicas (siderúrgica; metalurgia
associada à valorização de metais básicos; metalomecânicas, eletromecânicas,
elétricas e eletrónicas; química pesada; reparação e construção naval), o
fortalecimento de indústrias de alta tecnologia (química fina, farmacêutica,
aeronáutica e espacial, TIC e automação, novos materiais e biotecnologia);
Uma política de apoio à agricultura e às pescas, em particular no apoio aos
pequenos produtores e defendendo as fileiras existentes;
A reanimação e reforço do objeto estatutário da Empresa de Desenvolvimento
Mineiro, com vista à retoma da prospeção, desenvolvimento, exploração e
transformação de minérios;
O reforço do investimento público virado para o crescimento económico;
A valorização do mercado interno, com o aumento dos salários, incluindo do
salário mínimo, e dos rendimentos e prestações sociais da população, a par do
combate à precariedade e ao desemprego;
A afetação da parte do empréstimo reservado pela troica para a
recapitalização da banca privada à recapitalização da CGD visando o
financiamento direto da economia;
O apoio às micro, pequenas e médias empresas com imposição de preços
máximos dos fatores de produção (crédito, seguros, energia,
telecomunicações, portagens, etc.) e a alteração das regras fiscais mais
gravosas;
A defesa e reforço do sector empresarial do Estado nos sectores básicos e
estratégicos da economia e a adoção de uma política onde as empresas e
instituições públicas – no plano dos seus investimentos, consumos, parcerias,
etc. – privilegiem o aparelho produtivo nacional;
f) A valorização do trabalho e dos trabalhadores, dos salários – incluindo o salário
mínimo-, reformas e pensões, garantindo o aumento do poder de compra da
população, indispensável por razões sociais e por razões económicas;
g) A defesa e garantia das funções sociais do Estado, dos direitos sociais e de serviços
públicos de qualidade, pondo fim à destruição da administração pública e ao
despedimento e retirada dos direitos aos seus trabalhadores;
h) A defesa da soberania política, económica e orçamental, designadamente nas relações
com a União Europeia e no plano da União Económica e Monetária, afirmando o
primado dos interesses nacionais, diversificando as relações económicas e financeiras.
Palácio de São Bento, 26 de Abril de 2013
Os Deputados,
BERNARDINO SOARES; JOÃO OLIVEIRA; RITA RATO; JORGE MACHADO; PAULA SANTOS;
JERÓNIMO DE SOUSA; FRANCISCO LOPES; MIGUEL TIAGO; HONÓRIO NOVO; BRUNO DIAS;
JOÃO RAMOS; PAULO SÁ; PAULA SANTOS; CARLA CRUZ
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Publicação — DAR II série A — 12-14 — 26/04/2013
No nosso entendimento só a gestão pública dos hospitais integrados no SNS cumpre os princípios
constitucionais, nomeadamente, a universalidade e a qualidade dos cuidados de saúde, independentemente
das condições sociais e económicas dos utentes. Neste sentido o PCP propõe que estes hospitais se
mantenham sob gestão pública, integrados no SNS, para assegurar o direito à saúde para todos os utentes.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República recomenda ao
Governo que:
1. Mantenha sob gestão pública e integrados no SNS os hospitais, cujo edificado é da propriedade das
Misericórdias.
2. Que os hospitais mantenham todas as valências que atualmente asseguram e eventualmente possam
vir a ser reforçadas face às necessidades da prestação de cuidados de saúde às populações.
Palácio de São Bento, 26 de abril de 2013.
Os Deputados do PCP, Paula Santos — Bernardino Soares — Carla Cruz — António Filipe — Honório
Novo — Paulo Sá — Jorge Machado — Rita Rato.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 699/XII (2.ª)
POR UMA POLÍTICA ALTERNATIVA QUE RESGATE O PAÍS DO DECLÍNIO ECONÓMICO E SOCIAL
Dois anos depois do início da aplicação do Pacto de Agressão, está claro para todos que as suas medidas
se traduzem num profundo retrocesso e que o verdadeiro programa do memorando não foi nunca o equilíbrio
das contas públicas ou a redução da dívida pública e sim a concentração da riqueza por via da redução de
salários, reformas e pensões, da negação do acesso a direitos essenciais, na transferência de dinheiros
públicos e de recursos nacionais para os grandes grupos económicos, seja através de recapitalizações, PPP,
swaps, privatizações, privilégios fiscais ou outros mecanismos. Trata-se afinal de uma tentativa de golpear e
rever de facto a Constituição sob o falso argumento dos condicionalismos e da realidade económica, criados
pelo próprio Pacto.
Por isso nenhum dos problemas estruturais do País foi resolvido e todos se agravaram. O desemprego
galopante - instrumento para a quebra de salários a precariedade e a retirada de direitos aos trabalhadores -, a
recessão económica continuada, a crescente dependência externa, a falta de investimento, a degradação dos
serviços públicos, o recuo da proteção social, a falta de aposta na produção nacional e também a manutenção
do desequilíbrio orçamental e o sistemático aumento da dívida pública, são a prova de que este programa de
ataque aos portugueses e ao País nunca foi feito para ter qualquer resultado positivo. É certo também que o
Governo e a troica há muito se preparam para aplicar um segundo resgate procurando continuar o pacto de
agressão em curso.
Os factos têm vindo a provar insistentemente que os problemas do País não têm solução com esta política
e que outra política é não só possível como indispensável. Uma política que rompa com o memorando da
troica, verdadeiro Pacto de Agressão ao desenvolvimento do País e aos direitos dos portugueses, e que
aposte na recuperação do emprego e da economia, na defesa dos serviços públicos e dos direitos, garantindo
uma vida melhor para todos os portugueses.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República defende uma
política alternativa que inclua:
a) A rejeição da aplicação do memorando da troica e da sua política de destruição económica e social;
b) A renegociação imediata da dívida pública, nos seus prazos, montantes e juros, com a determinação
rigorosa da sua dimensão e características, a identificação da sua parte ilegítima e a definição de
II SÉRIE-A — NÚMERO 124______________________________________________________________________________________________________________
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Apreciação — DAR I série — 03/05/2013
Sexta-feira, 3 de maio de 2013 I Série — Número 84
XII LEGISLATURA 2.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2012-2013)
REUNIÃOPLENÁRIADE2DEMAIODE 2013
Presidente: Ex.ma Sr.ª Maria da Assunção Andrade Esteves
Secretários: Ex.mos
Srs. Paulo Jorge Frazão Batista dos Santos Rosa Maria da Silva Bastos de Horta Albernaz
S U M Á R I O
A Presidente declarou aberta a sessão às 15 horas e 6
minutos. Deu-se conta da apresentação dos projetos de lei n.
os
404 a 406/XII (2.ª), dos projetos de resolução n.os
692 a 699/XII (2.ª) e ainda da retirada, por parte do PS, do projeto de resolução n.º 625/XII (2.ª).
Procedeu-se à discussão do projeto de resolução n.º 699/XII (2.ª) — Por uma política alternativa que resgate o País do declínio económico e social (PCP). Usaram da palavra, a diverso título, os Deputados Francisco Lopes (PCP), Jorge Paulo Oliveira (PSD), Mota Andrade (PS), José Luís Ferreira (Os Verdes), Nuno Reis (PSD), Ana Drago (BE), Honório Novo (PCP), Pedro Filipe Soares (BE), Rui Paulo Figueiredo (PS), Afonso Oliveira (PSD), Michael
Seufert e Hélder Amaral (CDS-PP), Mariana Aiveca (BE), João Oliveira e Bruno Dias (PCP) e Duarte Pacheco (PSD), tendo, no final, sido rejeitado o projeto de resolução.
A Presidente informou a Câmara de uma mensagem do Presidente da República que deu entrada sobre a devolução, sem promulgação, do Decreto da Assembleia da República n.º 128/XII — Cria o Tribunal Arbitral do Desporto e aprova a respetiva lei.
Por fim, a Câmara aprovou um parecer da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação relativo à renúncia ao mandato de um Deputado do PSD e à respetiva substituição.
A Presidente encerrou a sessão eram 17 horas e 19 minutos.
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Votação Deliberação — DAR I série — 03/05/2013
Sexta-feira, 3 de maio de 2013 I Série — Número 84
XII LEGISLATURA 2.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2012-2013)
REUNIÃOPLENÁRIADE2DEMAIODE 2013
Presidente: Ex.ma Sr.ª Maria da Assunção Andrade Esteves
Secretários: Ex.mos
Srs. Paulo Jorge Frazão Batista dos Santos Rosa Maria da Silva Bastos de Horta Albernaz
S U M Á R I O
A Presidente declarou aberta a sessão às 15 horas e 6
minutos. Deu-se conta da apresentação dos projetos de lei n.
os
404 a 406/XII (2.ª), dos projetos de resolução n.os
692 a 699/XII (2.ª) e ainda da retirada, por parte do PS, do projeto de resolução n.º 625/XII (2.ª).
Procedeu-se à discussão do projeto de resolução n.º 699/XII (2.ª) — Por uma política alternativa que resgate o País do declínio económico e social (PCP). Usaram da palavra, a diverso título, os Deputados Francisco Lopes (PCP), Jorge Paulo Oliveira (PSD), Mota Andrade (PS), José Luís Ferreira (Os Verdes), Nuno Reis (PSD), Ana Drago (BE), Honório Novo (PCP), Pedro Filipe Soares (BE), Rui Paulo Figueiredo (PS), Afonso Oliveira (PSD), Michael
Seufert e Hélder Amaral (CDS-PP), Mariana Aiveca (BE), João Oliveira e Bruno Dias (PCP) e Duarte Pacheco (PSD), tendo, no final, sido rejeitado o projeto de resolução.
A Presidente informou a Câmara de uma mensagem do Presidente da República que deu entrada sobre a devolução, sem promulgação, do Decreto da Assembleia da República n.º 128/XII — Cria o Tribunal Arbitral do Desporto e aprova a respetiva lei.
Por fim, a Câmara aprovou um parecer da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação relativo à renúncia ao mandato de um Deputado do PSD e à respetiva substituição.
A Presidente encerrou a sessão eram 17 horas e 19 minutos.
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