Projeto de Resolução n.º 581/XII/2ª
Recomenda ao Governo que proceda às obras de remodelação
e eletrificação da Linha do Douro, Troço Caíde-Marco de
Canavezes, remodelação das Estações do Marco, Livração e
Vila Meã e requalificação da Linha do Tâmega.
Numa altura de crise económica e ambiental profundas, os transportes
públicos, nomeadamente o transporte ferroviário, devem assumir-se como um
pilar fundamental de uma estratégia para um desenvolvimento que alivie a
nossa fatura energética, que promova o emprego e que facilite a mobilidade
das pessoas.
A ferrovia que deveria ser encarada como um sector estratégico para o
desenvolvimento do País e para combater as assimetrias regionais, acaba por
ser objeto de uma constante cedência aos interesses declarados do lobby
rodoviário.
Este preocupante retrocesso está a ter impactos gravíssimos a todos os níveis,
gerando desemprego, dificultando a vida das pessoas, agravando as
assimetrias regionais do país, e com custos ambientais e energéticos
muitíssimo elevados.
Como se sabe, as emissões para a atmosfera de gases com efeito estufa,
desde logo, o Dióxido de Carbono, encontram no sector dos transportes, um
dos seus principais responsáveis e este ocupa o primeiro lugar nas causas da
dependência energética que o país tem do estrangeiro. Perante isto, a
eficiência energética, mais que comprovada, do transporte ferroviário em
relação ao rodoviário, deve colocar o comboio, hoje mais que nunca, como
prioridade de uma estratégia nacional para reduzir a dependência e fatura
energética que Portugal tem do estrangeiro.
Por isso é absolutamente fundamental criar as condições para que as pessoas
optem pelos transportes públicos, e dentro destes que deem preferência à
ferrovia.
Tanto mais que nas últimas décadas, assistimos a uma perda crescente da
importância do transporte público enquanto opção de mobilidade por parte dos
cidadãos.
Por inúmeras vezes Os Verdes levantaram o problema, criticando as políticas
dos Governos anteriores para os transportes públicos e para a ferrovia,
nomeadamente contestando o progressivo abandono da Linha do Douro e o
encerramento dos seus ramais (Tâmega, Corgo e Tua).
A necessidade de modernização da Linha do Douro e reabertura até Barca
D´Alva é um imperativo para o desenvolvimento da região norte que não pode
continuar a ser adiado e que tem de começar já, com a requalificação e
eletrificação do troço Caíde-Marco na Linha do Douro.
De facto, a remodelação e eletrificação da Linha do Douro, no troço Caíde-
Marco de Canavezes, onde se insere a necessária remodelação das estações
de Marco de Canavezes, Livração e Vila Meã e a requalificação da Linha do
Tâmega, representam obras fundamentais para a redução das assimetrias
entre o litoral e o interior para além de permitirem o desenvolvimento
sustentável da Região do Tâmega e Sousa.
A oportunidade e a necessidade destas obras não são de agora, uma vez que
já em 1997, se verificaram negociações entre o Governo de então e a REFER
no sentido de arrancar com a remodelação e eletrificação da Linha do Douro,
no troço Caíde-Marco de Canavezes, bem como a remodelação das estações
de Marco de Canavezes, Livração e Vila Meã e a requalificação da Linha do
Tâmega.
Em Agosto de 2009, os projectos estavam prontos e o Governo anunciou o
lançamento do concurso para a eletrificação do Troço Caíde – Marco de
Canavezes da Linha do Douro, e fez a previsão da conclusão das obras para
2011.
Dois anos depois da data prevista para a conclusão das obras e 15 anos
depois do início do processo, nada está feito.
Relativamente à Linha do Tâmega, cujo funcionamento, a pretexto de questões
de segurança, foi temporariamente suspenso em 2009, o rumo que conheceu
foi o levantamento dos carris e a sentença de morte ditada, em 2011, pelo
Plano Estratégico de Transporte da responsabilidade do Governo PSD/CDS.
Considerando que estes investimentos estruturais são absolutamente
necessários para as populações em termos de mobilidade, mas também
porque vão permitir cativar um conjunto de investimentos capazes de potenciar
o desenvolvimento da região que apresenta níveis de pobreza e desemprego
dos mais elevados do País,
O Grupo Parlamentar “Os Verdes” propõe, ao abrigo das disposições
constitucionais e regimentais aplicáveis, que a Assembleia da República
recomende ao Governo que:
1º- Proceda às obras de remodelação e eletrificação da Linha do Douro,
Troço Caíde-Marco de Canavezes e a remodelação das Estações do
Marco, Livração e Vila Meã;
2º- Proceda à requalificação da Linha do Tâmega.
Assembleia da República,18 de Janeiro de 2013
Os Deputados,
José Luís Ferreira Heloísa Apolónia
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Publicação — DAR II série A — 60-61 — 19/01/2013
II SÉRIE-A — NÚMERO 68
Os Deputados do PS: Rui Duarte — Pedro Delgado Alves — Odete João — Laurentino Dias — Elza Pais
— Rui Santos — Jacinto Serrão — Carlos Enes — Acácio Pinto — António Braga — Carlos Zorrinho —
Manuel Seabra.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 581/XII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO QUE PROCEDA ÀS OBRAS DE REMODELAÇÃO E ELETRIFICAÇÃO
DA LINHA DO DOURO, TROÇO CAÍDE/MARCO DE CANAVEZES, REMODELAÇÃO DAS ESTAÇÕES DO
MARCO, LIVRAÇÃO E VILA MEÃ E REQUALIFICAÇÃO DA LINHA DO TÂMEGA
Numa altura de crise económica e ambiental profundas, os transportes públicos, nomeadamente o
transporte ferroviário, devem assumir-se como um pilar fundamental de uma estratégia para um
desenvolvimento que alivie a nossa fatura energética, que promova o emprego e que facilite a mobilidade das
pessoas.
A ferrovia que deveria ser encarada como um sector estratégico para o desenvolvimento do País e para
combater as assimetrias regionais, acaba por ser objeto de uma constante cedência aos interesses declarados
do lobby rodoviário.
Este preocupante retrocesso está a ter impactos gravíssimos a todos os níveis, gerando desemprego,
dificultando a vida das pessoas, agravando as assimetrias regionais do país, e com custos ambientais e
energéticos muitíssimo elevados.
Como se sabe, as emissões para a atmosfera de gases com efeito estufa, desde logo, o Dióxido de
Carbono, encontram no sector dos transportes, um dos seus principais responsáveis e este ocupa o primeiro
lugar nas causas da dependência energética que o país tem do estrangeiro. Perante isto, a eficiência
energética, mais que comprovada, do transporte ferroviário em relação ao rodoviário, deve colocar o comboio,
hoje mais que nunca, como prioridade de uma estratégia nacional para reduzir adependência e fatura
energética que Portugal tem do estrangeiro.
Por isso é absolutamente fundamental criar as condições para que as pessoas optem pelos transportes
públicos, e dentro destes que deem preferência à ferrovia.
Tanto mais que nas últimas décadas, assistimos a uma perda crescente da importância do transporte
público enquanto opção de mobilidade por parte dos cidadãos.
Por inúmeras vezes Os Verdes levantaram o problema, criticando as políticas dos Governos anteriores
para os transportes públicos e para a ferrovia, nomeadamente contestando o progressivo abandono da Linha
do Douro e o encerramento dos seus ramais (Tâmega, Corgo e Tua).
A necessidade de modernização da Linha do Douro e reabertura até Barca d´Alva é um imperativo para o
desenvolvimento da região norte que não pode continuar a ser adiado e que tem de começar já, com a
requalificação e eletrificação do troço Caíde/Marco na Linha do Douro.
De facto, a remodelação e eletrificação da Linha do Douro, no troço Caíde-Marco de Canavezes, onde se
insere a necessária remodelação das estações de Marco de Canavezes, Livração e Vila Meã e a
requalificação da Linha do Tâmega, representam obras fundamentais para a redução das assimetrias entre o
litoral e o interior para além de permitirem o desenvolvimento sustentável da Região do Tâmega e Sousa.
A oportunidade e a necessidade destas obras não são de agora, uma vez que já em 1997, se verificaram
negociações entre o Governo de então e a REFER no sentido de arrancar com a remodelação e eletrificação
da Linha do Douro, no troço Caíde/Marco de Canavezes, bem como a remodelação das estações de Marco de
Canavezes, Livração e Vila Meã e a requalificação da Linha do Tâmega.
Em Agosto de 2009, os projetos estavam prontos e o Governo anunciou o lançamento do concurso para a
eletrificação do troço Caíde/Marco de Canavezes da Linha do Douro, e fez a previsão da conclusão das obras
para 2011.
Dois anos depois da data prevista para a conclusão das obras e 15 anos depois do início do processo,
nada está feito.
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Apreciação — DAR I série — 41-46 — 24/01/2013
24 DE JANEIRO DE 2013
A nossa proposta resulta de algumas críticas de utilizadores que nos dizem que, muitas vezes, não
conseguem garantir o lugar. O nosso objetivo é que se possa garantia o lugar através de uma pré-reserva, e
isso nada tem a ver com a questão de ser cobrada mais uma taxa relacionada com o facto de levar a bicicleta.
Esse não foi o nosso propósito quando apresentámos este projeto.
No Grupo Parlamentar do PSD temos pessoas que também estão ligadas à própria federação e que nos
fizeram chegar esta recomendação, porque, muitas vezes, as pessoas querem levar a bicicleta e não sabem
como fazê-lo, porque podem não ter lugar. A nossa aposta é, pois, no mesmo sentido, isto é, no sentido de
aumentar a mobilidade através do uso da bicicleta. São estas coisas que, apesar de pequenas, podem mudar
muito a vida dos portugueses.
É isso que todos queremos e devemos atuar com bom senso nesta matéria.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Srs. Deputados, terminada a discussão conjunta dos projetos de
resolução n.os
557, 453 e 559/XII (2.ª), vamos entrar no último ponto da agenda, que consiste na discussão
conjunta da petição n.º 90/XII (1.ª) — Apresentada por Manuel Maria Moreira e outros, solicitando à
Assembleia da República a remodelação e eletrificação da Linha do Douro, troço Caíde/Marco de Canaveses,
remodelação das estações do Marco, Livração e Vila Meã e requalificação da Linha do Tâmega, com o projeto
de resolução n.º 581/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo que proceda às obras de remodelação e eletrificação
da Linha do Douro, troço Caíde/Marco de Canaveses, remodelação das estações do Marco, Livração e Vila
Meã e requalificação da Linha do Tâmega (Os Verdes).
Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado José Luís Ferreira.
O Sr. José Luís Ferreira (Os Verdes): — Sr. Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: As primeiras palavras são
para saudar, em nome do Partido Ecologista «Os Verdes», os subscritores da petição que estamos a discutir,
sobretudo os que estão hoje aqui connosco.
As preocupações expressas nesta petição têm vindo a merecer, por parte de Os Verdes, a maior atenção.
Por diversas vezes, levantámos o problema, criticámos as políticas deste e de Governos anteriores para os
transportes públicos, sobretudo para a ferrovia, nomeadamente contestando o progressivo abandono da Linha
do Douro e o encerramento dos seus ramais do Tâmega, do Corgo e do Tua, por isso apresentamos hoje esta
iniciativa legislativa.
De facto, a remodelação e eletrificação da Linha do Douro, no troço Caíde/Marco de Canaveses, bem
como a remodelação das Estações de Marco de Canaveses, Livração e Vila Meã e a requalificação da Linha
do Tâmega representam, na nossa perspetiva, obras fundamentais para a redução das assimetrias entre o
litoral e o interior, para além de permitirem o desenvolvimento sustentável da região do Tâmega e Sousa.
Em 1997, verificaram-se negociações entre o Governo de então e a REFER no sentido de arrancar com a
remodelação e eletrificação desse troço da Linha do Douro, bem como a remodelação das referidas estações
e a requalificação da Linha do Tâmega.
Em Agosto de 2009, os projetos estavam prontos e o Governo anunciou o lançamento do concurso para a
eletrificação do troço Caíde/Marco de Canaveses e fez a previsão da conclusão das obras para 2011, mas
dois anos depois da data prevista para a conclusão das obras e 15 anos depois do início do processo nada
está feito.
Relativamente à Linha do Tâmega, cujo funcionamento, a pretexto de questões de segurança, foi
temporariamente suspenso em 2009, o rumo que conheceu foi o levantamento dos carris e a ameaça de
morte, ditada, em 2011, pelo Plano Estratégico de Transportes, da responsabilidade do atual Governo
PSD/CDS.
Ora, considerando que estes investimentos estruturais são absolutamente necessários para as populações
em termos de mobilidade, mas também porque vão permitir cativar um conjunto de investimentos capaz de
potenciar o desenvolvimento da região, que apresenta níveis de pobreza e desemprego dos mais elevados do
País, Os Verdes propõem, através desta iniciativa legislativa, recomendar ao Governo que proceda às obras
de remodelação e eletrificação da Linha do Douro, no troço Caíde/Marco de Canaveses, à remodelação das
Estações do Marco, Livração e Vila Meã e à requalificação da Linha do Tâmega.
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Votação Deliberação — DAR I série — 43-43 — 26/01/2013
26 DE JANEIRO DE 2013
requerimento apresentado por Os Verdes, solicitando a baixa à Comissão de Economia e Obras Públicas, sem
votação, por um período de 45 dias, do projeto de resolução n.º 557/XII (2.ª) — No âmbito de uma política de
incentivo ao uso mais generalizado da bicicleta, recomenda ao Governo que se criem condições para
transportar velocípedes sem motor em transportes públicos (Os Verdes); requerimento apresentado pelo BE,
solicitando a baixa à Comissão de Economia e Obras Públicas, sem votação, por um período de 45 dias, do
projeto de resolução n.º 453/XII (2.ª) — Recomenda ao Governo a criação de condições para o transporte de
bicicletas nos comboios da CP (BE); e requerimento apresentado pelo PSD e CDS-PP, solicitando a baixa à
Comissão de Economia e Obras Públicas, sem votação, por um período de 45 dias, do projeto de resolução
n.º 559/XII (2.ª) — Recomendação ao Governo relativamente à promoção da mobilidade ciclável através do
transporte de bicicletas em comboios Intercidades da CP (PSD e CDS-PP).
Srs. Deputados, vamos, então, votar em conjunto estes três requerimentos.
Submetidos à votação, foram aprovados por unanimidade.
Passamos, agora, a proceder à votação do projeto de resolução n.º 581/XII (2.ª) — Recomenda ao
Governo que proceda às obras de remodelação e eletrificação da Linha do Douro, troço Caíde/Marco de
Canaveses, remodelação das estações do Marco, Livração e Vila Meã e requalificação da Linha do Tâmega
(Os Verdes).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Srs. Deputados, temos de votar agora mais três requerimentos que deram entrada na Mesa sobre
diferentes diplomas, que passo a identificar: requerimento, apresentado pelo PSD e CDS-PP, solicitando a
baixa à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, sem votação, por um período
de 45 dias, da proposta de lei n.º 115/XII (2.ª) — Procede à primeira alteração à Lei de Organização,
Competência e Funcionamento dos Julgados de Paz, aprovada pela Lei n.º 78/2001, de 13 de julho,
aperfeiçoando alguns aspetos de organização e funcionamento dos julgados de paz; requerimento,
apresentado pelo PCP, solicitando a baixa à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e
Garantias, sem votação, por um período de 45 dias, do projeto de lei n.º 333/XII (2.ª) — Estabelece a rede
nacional, o regime de competência, a organização e o funcionamento dos julgados de paz (PCP); e o
requerimento, apresentado pelo BE, solicitando a baixa à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos,
Liberdades e Garantias, sem votação, por um período de 45 dias, do projeto de lei n.º 334/XII (2.ª) — Altera a
lei dos julgados de paz (Primeira alteração à Lei n.º 78/2001, de 13 de julho) (BE).
Vamos votar estes requerimentos em conjunto, Srs. Deputados.
Submetidos à votação, foram aprovados por unanimidade
Srs. Deputados, passamos à votação, na generalidade, da proposta de lei n.º 116/XII (2.ª) — Estabelece os
princípios gerais aplicáveis à mediação realizada em Portugal, bem como os regimes jurídicos da mediação
civil e comercial, dos mediadores e da mediação pública.
Submetida à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do PCP e de Os
Verdes e abstenções do PS e do BE.
Este diploma baixa à 1.ª Comissão.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 588/XII (2.ª) — Cessação da vigência do Decreto-Lei n.º 234/2012,
de 30 de outubro, que procede à segunda alteração do Decreto-Lei n.º 165/2006, de 11 de agosto, que
estabelece o regime do ensino do português no estrangeiro (PS) [apreciação parlamentar n.º 42/XII (2.ª) (PS)].
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