PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 485/XII/2.ª
Recomenda ao Governo a reposição da taxa do IVA de 13% no setor da
Restauração
Desde o momento em que foi tornado público que o Governo iria propor, no Orçamento de
Estado/2012, o aumento do IVA de 13% para 23% para o setor da restauração – indo além do
que ficara contratualizado no Memorando de Entendimento de 17 de Maio de 2011 - que o
Partido Socialista tem chamado a atenção para o efeito contraproducente que esta medida
iria produzir: por um lado, a quebra no consumo das famílias, que dispõem hoje de menos
rendimento disponível iria reduzir a receita fiscal de IVA esperada pelo Governo; por
outro, levaria a uma cascata de insolvências e à destruição em massa de postos de
trabalho, que, para além das terríveis consequências sociais, colocaria em causa a
execução orçamental do lado da despesa em subsídios de desemprego.
Entretanto, os números do INE e da execução orçamental de 2012 confirmam as
expetativas mais negativas. No primeiro trimestre de 2012, foram destruídos cerca de
15.900 empregos líquidos no sector de alojamento e restauração face ao último trimestre
do ano passado, tendo sido destruídos 33.000 num espaço de um ano. Em relação ao
subsídio de desemprego, se, no Orçamento de Estado Retificativo/2012, o Governo admitia
que a despesa subiria 5,7%, a verdade é que execução orçamental mostra que, ao fim dos
primeiros oito meses de 2012, a despesa com o subsidio de desemprego é mais alta 22,9%
do que no período homologo de 2011. Dada a dinâmica de destruição de emprego em curso
na economia, é impossível que a meta do Governo para 2012 possa vir a ser cumprida. No
relatório do Orçamento de Estado/2013, o Governo estima agora que no fim de 2012, a
despesa com subsídio de desemprego fique 17,4% acima ao projetado no Orçamento de
Estado Retificativo/2012 – o que representa um aumento de cerca de €380 milhões.
As associações do sector, assim como outros agentes económicos e sociais, alertaram
desde o fim de 2011, com insistência, para o impacto do aumento do IVA na insolvência e
no encerramento de milhares de empresas de restauração. Recentemente, a AHRESP
divulgou os resultados de um estudo que encomendou à PriceWaterhouseCooper e à
Espanha e Associados, para avaliar o impacto do aumento do IVA de 13% para 23% nos
Serviços de Alimentação e Bebidas. O estudo conclui que:
- “em 2012 e 2013, estima-se o encerramento de cerca de 39 mil empresas, das quais 7 mil
encerram como resultado da conjuntura macroeconómica, e a extinção mais de 99 mil
postos de trabalho, sendo que 16 mil empregos se perdem como resultado da contração do
consumo privado”;
- “O resultado do aumento da taxa de IVA dá lugar a um efeito negativo ao nível da
segurança social e efeitos indiretos. O impacto financeiro negativo para o Estado, em
2013, estima-se em 854M€”;
- “A manutenção da taxa de IVA em 23% em 2013, traduzir-se-á numa receita adicional de
apenas 399M€, manifestamente insuficiente para compensar as perdas de 854M€,
continuando a provocar pressão significativa nas empresas do setor”.
É importante recordar que estas estimativas não tinham em conta o brutal aumento do IRS
que o Governo concretizará em 2013, que vai representar mais um corte no rendimento
disponível das famílias. Por esse motivo, o estudo apresentado já se encontra parcialmente
desatualizado, e o impacto de todas as medidas recessivas sobre o setor da restauração
será mais profundo do que o estimado.
Por considerar que era fundamental manter alguma competitividade neste sector
estratégico para a economia portuguesa - seja para a dinâmica do mercado interno, seja
para a redução do défice externo -, o Partido Socialista demonstrou a sua veemente
oposição a esta alteração, apresentando desde logo, em sede da discussão na
especialidade do Orçamento do Estado/2012, propostas com neutralidade orçamental para
impedir o aumento do IVA na restauração. Mais recentemente, em maio passado,
apresentou um projeto de resolução que recomendava ao Governo a reposição da taxa do
IVA de 13% no setor, que foi rejeitado pela maioria.
O Governo já não vai a tempo de recuperar as empresas e o emprego destruído, mas vai
ainda a tempo de corrigir parcialmente o erro grosseiro que cometeu ao aprovar o
aumento do IVA de 13% para 23% para a restauração, contra os protestos e avisos de todos
os actores políticos e económicos que têm, inequivocamente, da economia portuguesa uma
visão bem mais realista do que a revelada pelo Governo.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Partido Socialista propõe à Assembleia da República que recomende ao
Governo que:
Proceda à reposição da taxa do IVA de 13% na prestação de serviços de
alimentação e bebidas.
Palácio de São Bento, 17 de outubro de 2012.
Os Deputados do Partido Socialista,
Hortense Martins
Carlos Zorrinho
Basílio Horta
Rui Paulo Figueiredo
João Galamba
Odete João
Luísa Salgueiro
Maria Antónia Almeida Santos
Filipe Neto Brandão
Pedro Jesus Marques
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Publicação — DAR II série A — 14-15 — 19/10/2012
II SÉRIE-A — NÚMERO 20
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da
República Portuguesa, recomendar ao Governo:
1 – A criação de uma rede pública de centros de apoio e abrigo que prestem assistência psicológica,
médica, social e jurídica às vítimas de tráfico;
2 – A adoção de programas específicos de formação profissional e de emprego, como instrumento de
incremento da autonomia económica e social das vítimas de tráfico, designadamente através de um regime de
acesso a mecanismos de proteção social adequado à sua situação e necessidades (rendimento social de
inserção, apoio à habitação, à saúde, elevação da sua escolarização) bem como à garantia de medidas
especiais de apoio aos seus filhos;
3 – Crie um Plano de Combate à Exploração na Prostituição, garantindo, nomeadamente, o acesso
imediato das pessoas prostituídas a um conjunto de apoios que lhes permitam a reinserção social e
profissional;
4 – A criação de uma linha telefónica específica de apoio, gratuita e de atendimento permanente, às vítimas
tráfico;
5 – Reforço do número de campanhas de sensibilização e informação, nomeadamente em aeroportos,
estações de comboios e autocarros, escolas;
6 – A eliminação de todos os documentos, campanhas ou outros instrumentos de intervenção das
instituições públicas em geral, de referências à falsa distinção entre prostituição forçada e “voluntária”, bem
como do tratamento desta violenta realidade como se de uma profissão se tratasse;
7 – Reforço dos meios materiais e humanos do Observatório do Tráfico de Seres Humanos.
Assembleia da República, 18 de outubro de 2012.
Os Deputados do PCP: Rita Rato — Lurdes Ribeiro — Bernardino Soares — António Filipe — Agostinho
Lopes — Honório Novo — João Oliveira — Bruno Dias — Miguel Tiago — Paulo Sá.
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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 485/XII (2.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO A REPOSIÇÃO DA TAXA DO IVA DE 13% NO SETOR DA
RESTAURAÇÃO
Desde o momento em que foi tornado público que o Governo iria propor, no Orçamento do Estado/2012, o
aumento do IVA de 13% para 23% para o setor da restauração – indo além do que ficara contratualizado no
Memorando de Entendimento de 17 de maio de 2011 – que o Partido Socialista tem chamado a atenção para
o efeito contraproducente que esta medida iria produzir: por um lado, a quebra no consumo das famílias, que
dispõem hoje de menos rendimento disponível iria reduzir a receita fiscal de IVA esperada pelo Governo; por
outro, levaria a uma cascata de insolvências e à destruição em massa de postos de trabalho, que, para além
das terríveis consequências sociais, colocaria em causa a execução orçamental do lado da despesa em
subsídios de desemprego.
Entretanto, os números do INE e da execução orçamental de 2012 confirmam as expetativas mais
negativas. No primeiro trimestre de 2012, foram destruídos cerca de 15 900 empregos líquidos no sector de
alojamento e restauração face ao último trimestre do ano passado, tendo sido destruídos 33.000 num espaço
de um ano. Em relação ao subsídio de desemprego, se, no Orçamento do Estado Retificativo/2012, o Governo
admitia que a despesa subiria 5,7%, a verdade é que execução orçamental mostra que, ao fim dos primeiros
oito meses de 2012, a despesa com o subsidio de desemprego é mais alta 22,9% do que no período
homologo de 2011. Dada a dinâmica de destruição de emprego em curso na economia, é impossível que a
meta do Governo para 2012 possa vir a ser cumprida. No relatório do Orçamento do Estado/2013, o Governo
estima agora que no fim de 2012, a despesa com subsídio de desemprego fique 17,4% acima ao projetado no
Orçamento do Estado Retificativo/2012 – o que representa um aumento de cerca de €380 milhões.
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Discussão generalidade — DAR I série — 25-35 — 25/10/2012
25 DE OUTUBRO DE 2012
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — … mesmo do ponto de vista independente de um órgão como é o
Provedor de Justiça.
Pensamos que os acréscimos de competências que estão previstos nestes projetos são justos e
necessários no seu fundamental (sem prejuízo de uma melhor apreciação na especialidade), designadamente
o alargamento da sua ação em relação a entidades que desempenham funções que, até aqui ou até há pouco
tempo, eram desempenhadas pelo Estado, funções de serviço público, e que naturalmente não podem deixar
de ser alvo da ação do Provedor.
Desgraçadamente, vários governos privatizaram serviços públicos importantíssimos, como na área do
fornecimento de eletricidade ou noutras áreas. É evidente que, para os cidadãos, aí residem muitos problemas
do seu relacionamento com serviços públicos essenciais — basta ver os litígios judiciais que existem. É,
portanto, importantíssimo que o Provedor de Justiça possa ter uma palavra a dizer. Provavelmente, «não vai
ter é mãos a medir» para dar resposta a esses anseios dos cidadãos.
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Essa é que é essa!
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — É preciso também dizer que estas propostas naturalmente reforçam a
importância do Provedor de Justiça. Esperemos que haja capacidade e meios para que ele desenvolva
plenamente as suas atividades.
Um exemplo já aqui mencionado, e muito importante, daquilo que pode ser o caráter positivo desta
intervenção é aquele que tem sido referido em relação à indemnização que é devida aos trabalhadores que
foram despedidos por não prorrogação dos seus contratos a prazo (como no caso dos professores) e que tem
sido reiteradamente questionado perante o Governo e que o Provedor de Justiça vem mais uma vez reforçar,
dizendo que esta indemnização é devida, como todos já percebemos, como os tribunais têm vindo a
reconhecer e cuja legitimidade só o Governo continua a negar.
Aplausos do PCP.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Não havendo mais inscrições, está terminado o debate conjunto, na
generalidade, dos projetos de lei n.os
301/XII (2.ª) (PSD e CDS-PP) e 309/XII (2.ª) (PS), que serão votados na
próxima sexta-feira.
Tem a palavra o Sr. Secretário para dar conta de um parecer da Comissão para a Ética, a Cidadania e a
Comunicação.
O Sr. Secretário (Paulo Baptista Santos): — Sr. Presidente e Srs. Deputados, deu entrada na Mesa um
parecer da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, que deve ser apreciado e votado, referente
a uma solicitação do 2.º Juízo Criminal do Tribunal de Família e Menores e de Comarca do Barreiro, processo
n.º 1040/08.7PBBRR, e relativamente ao qual decidiu emitir parecer no sentido de autorizar o Sr. Deputado
Bruno Vitorino (PSD) a prestar depoimento por escrito, como testemunha, no âmbito dos autos em referência.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Srs. Deputados, está em apreciação o parecer.
Pausa.
Não havendo pedidos de palavra, vamos votá-lo.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos passar ao ponto seguinte da nossa ordem do dia, que consiste na discussão, na
generalidade, dos projetos de lei n.os
282/XII (2.ª) — Repõe a taxa do IVA no setor da restauração a 13% (BE),
304/XII (2.ª) — Repõe a taxa do IVA na restauração em 13% (Adita as verbas 3 e 3.1 à Lista II Anexa ao
Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 394-B/84, de 26 de dezembro)
(Os Verdes) e 306/XII (2.ª) — Repõe a taxa do IVA nos serviços de alimentação e bebidas em 13% (PCP)
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Votação Deliberação — DAR I série — 27/10/2012
Sábado, 27 de outubro de 2012 I Série — Número 17
XII LEGISLATURA 2.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2012-2013)
REUNIÃOPLENÁRIADE26DEOUTUBRODE 2012
Presidente: Ex.ma Sr.ª Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues
Secretários: Ex.mos
Srs. Jorge Manuel Capela Gonçalves Fão
Abel Lima Baptista
S U M Á R I O
O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues) declarou aberta a
sessão às 10 horas e 3 minutos.
Ao abrigo do artigo 225.º do Regimento, procedeu-se a um debate com o Sr. Ministro da Solidariedade e da Segurança Social (Pedro Mota Soares), tendo usado da
palavra, a diverso título, além do Sr. Ministro e do Sr. Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social (Marco António Costa), os Srs. Deputados Nuno Sá
(PS), Jorge Machado (PCP), Mariana Aiveca (BE), José Luís Ferreira (Os Verdes), Artur Rêgo (CDS-PP), Carlos Zorrinho (PS), Adão Silva (PSD), Helena André (PS), Rita Rato
(PCP), Catarina Martins (BE), Inês Teotónio Pereira (CDS-PP), Maria das Mercês Soares (PSD), Sónia Fertuzinhos (PS), Raúl de Almeida (CDS-PP), Arménio Santos (PSD),
Idália Salvador Serrão (PS), Nuno Magalhães (CDS-PP), Maria Conceição Pereira (PSD) e Miguel Laranjeiro (PS).
Entretanto, a Câmara aprovou dois pareceres da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, um
relativo à retoma do mandato de um Deputado do PCP e outro relativo à renúncia ao mandato de um Deputado do BE e à respetiva substituição.
Foi discutida, na generalidade, a proposta de lei n.º 102/XII (2.ª) — Procede à segunda alteração à Lei do Orçamento do Estado para 2012, aprovada pela Lei n.º 64-
B/2011, de 30 de dezembro, no âmbito da Iniciativa de Reforço da Estabilidade Financeira, que foi aprovada. Usaram da palavra, a diverso título, além do Sr. Ministro de
Estado e das Finanças (Vítor Gaspar), os Srs. Deputados Honório Novo (PCP), Pedro Filipe Soares (BE), Paulo Batista Santos (PSD), Heloísa Apolónia (Os Verdes), João
Galamba (PS), Vera Rodrigues (CDS-PP) e Afonso Oliveira (PSD).
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