PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº406/XII
PLANO FERROVIÁRIO NACIONAL
Nota justificativa
É conhecida e sentida a prioridade que sucessivos Governos deram ao betão, à expansão da
rede rodoviária e ao incentivo a formas de mobilidade (rodoviária) mais dependentes dos
combustíveis fósseis e globalmente poluidoras. Foi uma opção que, por outro lado, em nada
resultou no combate às assimetrias regionais do país.
Em contrapartida, a rede ferroviária nacional minguou por opções políticas claras, através de
desinvestimentos significativos e de encerramentos de linhas ferroviárias em larga dimensão
Ou seja, o setor de transportes que mais nos poderia libertar da dependência externa,
designadamente ao nível energético, de custos externos e que mais nos beneficiaria ao nível
ambiental, e de compromissos internacionais de diminuição global de emissões de gases com
efeito de estufa, foi aquele onde os governantes pouco ou nada apostaram (de resto o setor
dos transportes é o mais tem evoluído para a contribuição de emissão de gases com efeitos de
estufa!) Para além disso o ferroviário é um modo de transporte mais seguro, o que é fácil
concluir pelos dados de acidentes e de perdas de vidas humanas que nas estradas portuguesas
são absolutamente preocupantes.
Estas opções políticas erradas têm tido custos para o país, a curto, médio e longo prazo,
porque comprometem a vida concreta das populações, designadamente quando lhes reduzem
formas de mobilidade, mas também quando comprometem o desenvolvimento do país e uma
maior qualidade de vida sustentada também no fator energético e noutros fatores de
poluição.
Como bem tem observado uma das pessoas que em Portugal mais se tem dedicado à defesa,
consequente e fundamentada, do transporte ferroviário - o Professor Manuel Tão -, esta opção
errada que tem sido implementada em Portugal por sucessivos Governos está completamente
em contraciclo com a média da União Europeia: enquanto a média portuguesa, em 2006, se
situava nos 271m de linha ferroviária por mil habitantes, na União Europeia a média chegava
aos 398m de linha. Por outro lado, a média portuguesa rondava os 31m de linha por
quilómetro quadrado, enquanto na União Europeia a média chegava aos 47m de linha
ferroviária por quilómetro quadrado.
Já no que respeita à rede de autoestradas, Portugal tornou-se campeão de betão ao nível
europeu: uma média de 176m de autoestrada por mil habitantes, contra os 138m de média
europeia; e uma média em Portugal de 20m de autoestrada por quilómetro quadrado, numa
média de 16m ao nível da União Europeia.
Em Portugal, em 20 anos (de 1989 a 2009), a evolução do tráfego de passageiros diminuiu mais
de 42% em Portugal, enquanto na generalidade dos países da União Europeia aumentou
significativamente (na Alemanha mais de 83%, na Irlanda, Bélgica e no Luxemburgo mais de
55% e em Espanha mais de 156%).
Esta opção profundamente desastrosa, feita em Portugal, de desinvestimento literal na
componente ferroviária de transporte e de uma aposta monstruosa na rede de autoestradas,
está também plasmada no planeamento feito que levou a que, desde há muito, exista neste
país um plano rodoviário nacional e seja completamente inexistente um plano ferroviário
nacional!
O paradigma de mobilidade em Portugal está falhado! Falhou nos critérios de racionalidade
económica, falhou nos critérios de exigências ambientais e falha nas necessidades de resposta
de mobilidade às populações! É por isso que os Verdes afirmam perentoriamente que Portugal
precisa de um novo paradigma de transporte, à escala de mobilidade interna, do fomento da
coesão territorial, mas também na sua ligação ao exterior e, portanto, à escala europeia. Para
além disso, um novo paradigma de transporte que responda às necessidades ambientais
globais e que gere, portanto, mais eficiência também desse ponto de vista.
O PEV considera que a abertura para esse novo paradigma de mobilidade tem que se
sustentar, necessariamente, na aposta no transporte ferroviário, e deve assentar na existência
fulcral de um plano ferroviário nacional que seja uma diretriz de orientação política e de
realização de investimentos tendentes a permitir o desenvolvimento sustentável, dos mais
diversos pontos de vista.
Assim, o Grupo Parlamentar Os Verdes apresenta, nos termos constitucionais e regimentais
aplicáveis, o seguinte Projeto de Resolução:
A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, delibera recomendar ao Governo:
A apresentação à Assembleia da República, no prazo de um ano, de um plano
ferroviário nacional que se traduza em princípios de sustentabilidade, e que
designadamente:
a) Assente num modelo em rede, que traduza linhas, ramais e trajetos interligados;
b) Defina as linhas ferroviárias vocacionadas para a integração nacional;
c) Defina as linhas ferroviárias vocacionadas para a integração regional;
d) Defina as linhas ferroviárias vocacionadas para a integração transfronteiriça e
ibérica;
e) Defina as linhas vocacionadas para a integração transeuropeia;
f) Defina as linhas ferroviárias vocacionadas para garantir vocação coletora e
distribuidora, à escala regional, nacional e transeuropeia;
g) Defina as linhas ferroviárias vocacionadas para garantir “hinterland” portuário
atlântico e aeroportuário;
h) Defina linhas ferroviárias de vocação metropolitana e de vocação urbana;
i) Defina linhas ferroviárias e troços com elevado potencial de desenvolvimento
turístico das regiões;
j) Gere aumento da conectividade da rede ferroviária, designadamente à escala
local;
k) Promova a ligação a todas as capitais de distrito;
l) Promova a ligação das áreas metropolitana e os sistemas urbanos;
m) Promova subsistemas de ligação regional urbana;
n) Estabeleça um plano de investimentos plurianual que assuma a urgência do
reforço da rede ferroviária nacional.
Assembleia da República, Palácio de S. Bento, 29 de Junho de 2012
Os Deputados
Heloísa Apolónia José Luís Ferreira
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Publicação — DAR II série A — 42-43 — 04/07/2012
42 | II Série A - Número: 204 | 4 de Julho de 2012
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º406/XII (1.ª) PLANO FERROVIÁRIO NACIONAL
Nota justificativa
É conhecida e sentida a prioridade que sucessivos Governos deram ao betão, à expansão da rede rodoviária e ao incentivo a formas de mobilidade (rodoviária) mais dependentes dos combustíveis fósseis e globalmente poluidoras. Foi uma opção que, por outro lado, em nada resultou no combate às assimetrias regionais do País.
Em contrapartida, a rede ferroviária nacional minguou por opções políticas claras, através de desinvestimentos significativos e de encerramentos de linhas ferroviárias em larga dimensão Ou seja, o setor de transportes que mais nos poderia libertar da dependência externa, designadamente ao nível energético, de custos externos e que mais nos beneficiaria ao nível ambiental, e de compromissos internacionais de diminuição global de emissões de gases com efeito de estufa, foi aquele onde os governantes pouco ou nada apostaram (de resto o setor dos transportes é o mais tem evoluído para a contribuição de emissão de gases com efeitos de estufa!) Para além disso o ferroviário é um modo de transporte mais seguro, o que é fácil concluir pelos dados de acidentes e de perdas de vidas humanas que nas estradas portuguesas são absolutamente preocupantes.
Estas opções políticas erradas têm tido custos para o país, a curto, médio e longo prazo, porque comprometem a vida concreta das populações, designadamente quando lhes reduzem formas de mobilidade, mas também quando comprometem o desenvolvimento do País e uma maior qualidade de vida sustentada também no fator energético e noutros fatores de poluição.
Como bem tem observado uma das pessoas que em Portugal mais se tem dedicado à defesa, consequente e fundamentada, do transporte ferroviário – o Professor Manuel Tão –, esta opção errada que tem sido implementada em Portugal por sucessivos Governos está completamente em contraciclo com a média da União Europeia: enquanto a média portuguesa, em 2006, se situava nos 271m de linha ferroviária por mil habitantes, na União Europeia a média chegava aos 398m de linha. Por outro lado, a média portuguesa rondava os 31m de linha por quilómetro quadrado, enquanto na União Europeia a média chegava aos 47m de linha ferroviária por quilómetro quadrado.
Já no que respeita à rede de autoestradas, Portugal tornou-se campeão de betão ao nível europeu: uma média de 176m de autoestrada por mil habitantes, contra os 138m de média europeia; e uma média em Portugal de 20m de autoestrada por quilómetro quadrado, numa média de 16m ao nível da União Europeia.
Em Portugal, em 20 anos (de 1989 a 2009), a evolução do tráfego de passageiros diminuiu mais de 42% em Portugal, enquanto na generalidade dos países da União Europeia aumentou significativamente (na Alemanha mais de 83%, na Irlanda, Bélgica e no Luxemburgo mais de 55% e em Espanha mais de 156%).
Esta opção profundamente desastrosa, feita em Portugal, de desinvestimento literal na componente ferroviária de transporte e de uma aposta monstruosa na rede de autoestradas, está também plasmada no planeamento feito que levou a que, desde há muito, exista neste país um plano rodoviário nacional e seja completamente inexistente um plano ferroviário nacional! O paradigma de mobilidade em Portugal está falhado! Falhou nos critérios de racionalidade económica, falhou nos critérios de exigências ambientais e falha nas necessidades de resposta de mobilidade às populações! É por isso que os Verdes afirmam perentoriamente que Portugal precisa de um novo paradigma de transporte, à escala de mobilidade interna, do fomento da coesão territorial, mas também na sua ligação ao exterior e, portanto, à escala europeia. Para além disso, um novo paradigma de transporte que responda às necessidades ambientais globais e que gere, portanto, mais eficiência também desse ponto de vista.
O PEV considera que a abertura para esse novo paradigma de mobilidade tem que se sustentar, necessariamente, na aposta no transporte ferroviário, e deve assentar na existência fulcral de um plano ferroviário nacional que seja uma diretriz de orientação política e de realização de investimentos tendentes a permitir o desenvolvimento sustentável, dos mais diversos pontos de vista.
Assim, o Grupo Parlamentar de Os Verdes apresenta, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, o seguinte projeto de resolução:
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Apreciação — DAR I série — 06/07/2012
Sexta-feira, 6 de julho de 2012 I Série — Número 130
XII LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2011-2012)
REUNIÃOPLENÁRIADE5DEJULHODE 2012
Presidente: Ex.ma Sr.ª Maria da Assunção Andrade Esteves
Secretários: Ex.mos
Srs. Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco Rosa Maria da Silva Bastos de Horta Albernaz Abel Lima Baptista
S U M Á R I O
A Sr.ª Presidente declarou aberta a sessão às 15 horas
e 14 minutos. Deu-se conta da entrada na Mesa do projeto de
resolução n.º 412/XII (1.ª), da apreciação parlamentar n.º 19/XII (1.ª), da proposta de lei n.º 81/XII (1.ª) e da proposta de resolução n.º 41/XII (1.ª).
Foi discutida, na generalidade, a proposta de lei n.º 66/XII (1.ª) — Procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 286/2009, de 8 de outubro, que regula a assistência e o patrocínio judiciário aos bombeiros, nos processos judiciais em que sejam demandados ou demandantes, por factos ocorridos no âmbito do exercício de funções, sobre a qual se pronunciaram, além do Sr. Secretário de Estado da Administração Interna (Filipe Lobo d’Ávila), os Srs. Deputados João Lobo (PSD), Filipe Neto Brandão (PS), Teresa Anjinho (CDS-PP), Cecília Honório (BE) e João Oliveira (PCP).
Foi igualmente discutida, na generalidade, a proposta de lei n.º 72/XII (1.ª) — Define meios de prevenção e combate ao furto e recetação de metais não preciosos, mas com valor comercial, e prevê mecanismos adicionais e de reforço no âmbito da fiscalização pelas forças e serviços de segurança
da atividade de gestão de resíduos. Usaram da palavra, a diverso título, além do Sr. Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna (Juvenal Silva Peneda), os Srs. Deputados João Oliveira (PCP), Paulo Simões Ribeiro (PSD), Cecília Honório (BE), Isabel Oneto (PS) e Nuno Magalhães (CDS-PP).
A proposta de lei n.º 67/XII (1.ª) — Procede à terceira alteração ao Decreto-Lei n.º 307/2007, de 31 de agosto, que estabelece o regime jurídico das farmácias de oficina, foi também discutida na generalidade, tendo usado da palavra, a diverso título, além do Sr. Secretário de Estado da Saúde (Manuel Ferreira Teixeira) e da Sr.ª Secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade (Teresa Morais), os Srs. Deputados Luísa Salgueiro (PS), João Serpa Oliva (CDS-PP), João Semedo (BE), Paula Santos (PCP), Nuno Reis (PSD) e Bernardino Soares (PCP).
A Câmara também se pronunciou sobre o projeto de resolução n.º 406/XII (1.ª) — Plano ferroviário nacional (Os Verdes) e intervieram os Srs. Deputados Heloísa Apolónia (Os Verdes), Adriano Rafael Moreira (PSD), Catarina Martins (BE), Ana Paula Vitorino (PS), Hélder Amaral (CDS-PP) e Bruno Dias (PCP).
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Votação Deliberação — DAR I série — 39-39 — 07/07/2012
7 DE JULHO DE 2012
Vamos proceder à votação, na generalidade, da proposta de lei n.º 66/XII (1.ª) — Procede à primeira
alteração ao Decreto-Lei n.º 286/2009, de 8 de outubro, que regula a assistência e o patrocínio judiciário aos
bombeiros, nos processos judiciais em que sejam demandados ou demandantes, por factos ocorridos no
âmbito do exercício de funções.
Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.
Esta proposta de lei baixa à 1.ª Comissão.
Vamos votar, na generalidade, a proposta de lei n.º 72/XII (1.ª) — Define meios de prevenção e combate ao
furto e recetação de metais não preciosos, mas com valor comercial, e prevê mecanismos adicionais e de
reforço no âmbito da fiscalização pelas forças e serviços de segurança da atividade de gestão de resíduos.
Submetida à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do PCP e de Os
Verdes e abstenções do PS e do BE.
Este diploma baixa à 1.ª Comissão.
Passamos à votação, na generalidade, da proposta de lei n.º 67/XII (1.ª) — Procede à terceira alteração ao
Decreto-Lei n.º 307/2007, de 31 de agosto, que estabelece o regime jurídico das farmácias de oficina.
Submetida à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD, do PS, do CDS-PP e do BE e abstenções
do PCP e de Os Verdes.
Esta proposta de lei baixa à 9.ª Comissão.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 406/XII (1.ª) — Plano ferroviário nacional (Os Verdes).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Vamos proceder à votação do projeto de resolução n.º 351/XII (1.ª) — Recomenda ao Governo que
estabeleça o leilão crescente na venda de pescado congelado ou proveniente de aquicultura num projeto-
piloto a aplicar numa lota de média dimensão (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do BE e
abstenções do PS, do PCP e de Os Verdes.
Relativamente ao projeto de resolução n.º 404/XII (1.ª) — Recomenda a proteção ao setor das pescas
através da salvaguarda da rentabilidade e da adequação de rede de postos de venda (PCP), o PS e o PSD
solicitam a votação, em separado, dos pontos 1, 2 e 3.
Vamos começar por votar o ponto 1.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Passamos à votação do ponto 2 do mesmo projeto de resolução.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos passar à votação do ponto 3 do mesmo projeto de resolução.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos a favor do PS, do PCP,
do BE e de Os Verdes.
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