PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 345/XII/1.ª
Recomenda ao Governo a reposição da taxa do IVA de 13% no setor da
Restauração
Desde o momento em que foi tornado público que o Governo iria propor, no Orçamento de
Estado/2012, o aumento do IVA de 13% para 23% para o setor da restauração – indo além do
que ficara contratualizado no Memorando de Entendimento de 17 de Maio de 2011, que
impunha a solução mais penalizadora para o setor - que o Partido Socialista tem chamado a
atenção para o efeito contraproducente que esta medida iria produzir: por um lado, a
quebra no consumo das famílias, que dispõem hoje de menos rendimento disponível iria
reduzir a receita fiscal de IVA esperada pelo Governo; por outro, levaria a uma cascata de
insolvências e à destruição em massa de postos de trabalho, que, para alem das terríveis
consequências sociais, colocaria em causa a execução orçamental do lado da despesa em
subsídios de desemprego.
Por considerar que face à quebra da economia era fundamental manter alguma
competitividade neste sector estratégico para a economia portuguesa - seja para a
dinâmica do mercado interno, seja para a redução do défice externo -, o Partido Socialista
apresentou, em sede da discussão na especialidade do Orçamento do Estado/2012,
propostas com neutralidade orçamental para impedir este aumento de 77% do IVA na
restauração.
Ao longo dos últimos seis meses, o Partido Socialista tem continuado a prestar uma
atenção muito especial a esta questão, ouvindo os actores económicos no terreno e
seguindo a evolução do execução da receita fiscal. Recorde-se que no Orçamento de
Estado/2012 o Governo espera que a receita de IVA em 2012 aumentasse 13,6% face ao
montante arrecadado em 2011, valor que foi revisto em baixa para 11,6% no Orçamento de
Estado Retificativo/2012 apresentado no final de março passado. Ora, no fim do primeiro
quadrimestre do ano, a receita de IVA está abaixo 3,5% do montante coletado em período
homologo de 2011 - e se é verdade que a receita do IVA não reflete ainda os efeitos
resultantes da reestruturação das taxas introduzida no Orçamento de Estado/2012, as
indicações disponíveis no terreno vão no sentido de que o efeito de recuperação da receita
ficará muito aquém da meta estimada.
As associações do sector, assim como outros agentes económicos e sociais, têm vindo a
alertar para a possibilidade de insolvência e encerramento de milhares de empresas de
restauração acelerar durante o presente mês de maio, sobretudo depois do passado dia 15,
quando as empresas foram chamadas a liquidar o IVA. A AHRESP estima que o número de
postos de trabalho perdidos pode ascender aos 23 mil por consequência direta do aumento
do IVA, e que esse valor pode chegar aos 47 mil no final do ano de 2012.
Os últimos números do INE demonstram a vaga de destruição de emprego em curso: no
último trimestre foram destruídos cerca de 15900 empregos líquidos no sector de
alojamento e restauração face ao último trimestre do ano passado, tendo sido destruídos
33000 num espaço de um ano. O impacto da asfixia fiscal coloca sob enorme incerteza o
cumprimento das metas da receita fiscal, mas produz uma consequência incontornável:
uma imparável vaga de insolvências e de desemprego que representa destruição de
capacidade do tecido produtivo.
Recentemente, Governo já disse de forma muito clara não ter sido capaz de antever nem
ser ainda capaz de explicar a evolução que tem tido o desemprego nos dois últimos
trimestres – uma incapacidade de compreensão em tudo semelhante àquela que
demonstrou ao ter sido incapaz de antever o impacto brutalmente recessivo de uma
medida para o qual o Partido Socialista sempre alertou.
Infelizmente, o Governo também não parece compreender que qualquer “agenda de
transformação estrutural da economia”, que afirma ser o seu objetivo último, deveria ter
como sempre prioridade proteger as empresas neste momento mais recessivo do mercado -
dando espaço para uma reestruturação ordenada - e, não, inversamente, acelerar a espiral
das insolvências, que só produzem depreciação de capital e o desperdício de capital
humano.
Isto, claro, já para não falar na automática subida dos gastos com o subsídio de
desemprego, que não deixará de colocar em causa a execução orçamental pelo lado da
despesa. Recorde-se que em Outubro, no Orçamento de Estado/2012, o Governo esperava
gastar em 2012 menos 0,1% em despesa com subsídio de desemprego do que em 2011; no
Orçamento de Estado Retificativo/2012 o Governo já admitia que a despesa subiria 5,7%.
Ora, no fim do primeiro quadrimestre de 2012, a despesa com o subsidio de desemprego é
mais alta 21,4% do que no período homologo de 2011, e face à dinâmica de destruição de
emprego em curso na economia portuguesa, é praticamente impossível que a meta do
Governo possa vir a ser cumprida.
O Governo já não vai a tempo de recuperar as empresas e o emprego destruído, mas vai
ainda a tempo de corrigir parcialmente o erro grosseiro que cometeu ao aprovar o
aumento do IVA de 13% para 23% para a restauração, contra os protestos e avisos de todos
os actores políticos e económicos que têm, é hoje certo, da economia portuguesa uma
visão bem mais realista e menos ideológica do que o Governo.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Partido Socialista propõe à Assembleia da República que recomende ao
Governo que:
Proceda à reposição da taxa do IVA de 13% na prestação de serviços de
alimentação e bebidas.
Palácio de São Bento, XX de maio de 2012.
Os Deputados do Partido Socialista,
Hortense Martins
José Junqueiro
Carlos Zorrinho
Basílio Horta
Eduardo Cabrita
João Galamba
Pedro Silva Pereira
Filipe Neto Brandão
Ana Paula Vitorino
Idália Serrão
Pedro Marques
Miguel Freitas
Fernando Jesus
Glória Araújo
Rui Paulo Figueiredo
Pedro Nuno Santos
Miguel Laranjeiro
Sónia Fertuzinhos
Luísa Salgueiro
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Publicação — DAR II série A — 73-74 — 30/05/2012
73 | II Série A - Número: 187 | 30 de Maio de 2012
Governo: 1 – A integração na plataforma da TDT dos diversos canais da RTP previstos na atual concessão de Serviço Público de Televisão, tornando-os acessíveis a todos os cidadãos em sinal aberto e sem condicionamentos.
2 – O alargamento da cobertura territorial da TDT por emissão terrestre, para um nível não inferior ao da emissão analógica da RTP1 que se verificava antes do início do seu desligamento.
Assembleia da República, 25 de maio de 2012.
Os Deputados do PCP: Bruno Dias – Bernardino Soares – Miguel Tiago – Francisco Lopes – Rita Rato – João Oliveira – João Ramos.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 345/XII (1.ª) RECOMENDA AO GOVERNO A REPOSIÇÃO DA TAXA DO IVA DE 13% NO SETOR DA RESTAURAÇÃO
Desde o momento em que foi tornado público que o Governo iria propor, no Orçamento do Estado para 2012, o aumento do IVA de 13% para 23% para o setor da restauração – indo além do que ficara contratualizado no Memorando de Entendimento de 17 de maio de 2011, que impunha a solução mais penalizadora para o setor – que o Partido Socialista tem chamado a atenção para o efeito contraproducente que esta medida iria produzir: por um lado, a quebra no consumo das famílias, que dispõem hoje de menos rendimento disponível iria reduzir a receita fiscal de IVA esperada pelo Governo – por outro, levaria a uma cascata de insolvências e à destruição em massa de postos de trabalho, que, para além das terríveis consequências sociais, colocaria em causa a execução orçamental do lado da despesa em subsídios de desemprego.
Por considerar que face à quebra da economia era fundamental manter alguma competitividade neste sector estratégico para a economia portuguesa – seja para a dinâmica do mercado interno, seja para a redução do défice externo –, o Partido Socialista apresentou, em sede da discussão na especialidade do Orçamento do Estado/2012, propostas com neutralidade orçamental para impedir este aumento de 77% do IVA na restauração.
Ao longo dos últimos seis meses, o Partido Socialista tem continuado a prestar uma atenção muito especial a esta questão, ouvindo os atores económicos no terreno e seguindo a evolução da execução da receita fiscal.
Recorde-se que no Orçamento do Estado/2012 o Governo espera que a receita de IVA em 2012 aumentasse 13,6% face ao montante arrecadado em 2011, valor que foi revisto em baixa para 11,6% no Orçamento do Estado Retificativo/2012 apresentado no final de março passado. Ora, no fim do primeiro quadrimestre do ano, a receita de IVA está abaixo 3,5% do montante coletado em período homólogo de 2011 – e se é verdade que a receita do IVA não reflete ainda os efeitos resultantes da reestruturação das taxas introduzida no Orçamento de Estado/2012, as indicações disponíveis no terreno vão no sentido de que o efeito de recuperação da receita ficará muito aquém da meta estimada.
As associações do sector, assim como outros agentes económicos e sociais, têm vindo a alertar para a possibilidade de insolvência e encerramento de milhares de empresas de restauração acelerar durante o presente mês de maio, sobretudo depois do passado dia 15, quando as empresas foram chamadas a liquidar o IVA. A AHRESP estima que o número de postos de trabalho perdidos pode ascender aos 23 mil por consequência direta do aumento do IVA, e que esse valor pode chegar aos 47 mil no final do ano de 2012.
Os últimos números do INE demonstram a vaga de destruição de emprego em curso: no último trimestre foram destruídos cerca de 15 900 empregos líquidos no sector de alojamento e restauração face ao último trimestre do ano passado, tendo sido destruídos 33 000 num espaço de um ano. O impacto da asfixia fiscal coloca sob enorme incerteza o cumprimento das metas da receita fiscal, mas produz uma consequência incontornável: uma imparável vaga de insolvências e de desemprego que representa destruição de
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Apreciação — DAR I série — 18-28 — 09/06/2012
I SÉRIE — NÚMERO 119
previnam o incumprimento para o futuro? O Partido Socialista tem respostas para prevenir o incumprimento
futuro da classe média, respostas, essas, que, de alguma maneira, impedem o incumprimento e ajudam as
famílias a cumprir com as suas prestações à banca.
Outro aspeto: quanto às famílias que estão numa situação mais complicada, que perderam a casa, que
perderam o emprego, queremos respostas tão limitadas, tão limitadas, que quase nenhum português tenha
oportunidade de ver a sua situação dramática incluída nas nossas soluções, como é o caso, em concreto, da
proposta do PSD da dação em cumprimento, ou queremos, de alguma maneira, respostas mais abrangentes
que permitam dar solução aos milhares de problemas dramáticos das famílias portuguesas?! O Partido
Socialista quer encontrar respostas para mais pessoas do que o PSD e, se quiserem comparar as duas
propostas, isto é absolutamente claro.
O Partido Socialista nada tem contra estruturarmos um processo de renegociação, como o Sr. Deputado
Adolfo Mesquita Nunes agora referiu ou como referiu, há pouco, o PSD, assim como nada tem contra a
obrigatoriedade de a banca apresentar propostas, nomeadamente de reestruturação do capital, de
arrendamento, de permuta, ou contra alterarmos a ordem das penhoras. Somos favoráveis a essas medidas,
mas entendemos que é fundamental encontrar respostas para os problemas das pessoas e não fingir que
encontramos.
Volto a dizer que o entendimento que poderá existir no Parlamento — e era importante que a Assembleia
da República conseguisse gerar entendimento em relação a estas matérias — dependerá muito da
disponibilidade que existe da parte da maioria, nomeadamente do PSD, para rever alguns dos limites que tem,
que, no entender do PS, são demasiado restritivos!
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Queira concluir, Sr. Deputado.
O Sr. Duarte Cordeiro (PS): — Quanto ao resto, da nossa parte, demonstramos bastante abertura para
aceitar o que foi proposto pelas outras bancadas e que não está incluído nas propostas do PS.
Porém, é fundamental ter um período de carência que não fique limitado para desempregados e para os
próximos três anos; é fundamental que as pessoas não fiquem com dívidas depois de entregarem a casa,
especialmente as pessoas que estão desempregadas! Mas também nas outras formulações é fundamental
encontrarmos respostas que vão ao encontro da classe média. É essa a nossa preocupação e é com esse
espírito que estaremos no debate de especialidade.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Sr.as
e Srs. Deputados, fica assim concluído o debate deste ponto da
nossa ordem de trabalhos de hoje.
Vamos prosseguir com a discussão, na generalidade, dos projetos de lei n.os
235/XII (1.ª) — Repõe a taxa
do IVA nos serviços de alimentação e bebidas em 13% (PCP) e 241/XII (1.ª) — Repõe a taxa do IVA, no setor
da restauração, a 13% (BE) conjuntamente com o projeto de resolução n.º 345/XII (1.ª) — Recomenda ao
Governo a reposição da taxa do IVA de 13% no setor da restauração (PS).
Para apresentar o projeto de lei do PCP, tem a palavra o Sr. Deputado Agostinho Lopes.
O Sr. Agostinho Lopes (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: A apresentação do projeto de lei
do PCP para a reposição da tava do IVA na restauração em 13% foi feita no dia 16 de maio, em declaração
política que então proferi.
Hoje, poderia acrescentar mais uns dados dramáticos sobre o número de restaurantes encerrados, de
trabalhadores despedidos, de vidas desfeitas, mais uns argumentos sem contraditório possível, ou invocar a
entrega, na quarta-feira, de uma petição com 34 000 assinaturas, mas não o vou fazer. Vou, sim, reapresentar
o projeto de lei pela voz dos atingidos pelo «fogo» do IVA a 23%, conjugado com a brutal perda de poder de
compra dos portugueses, tudo isto imposto pelo pacto de agressão subscrito pelo PSD, pelo CDS e pelo PS,
pela decisão da troica e pelo Orçamento do Governo PSD/CDS.
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!
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Votação Deliberação — DAR I série — 09/06/2012
Sábado,9dejunhode2012 ISérie — Número119
XII LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2011-2012)
REUNIÃOPLENÁRIADE8DEJUNHODE2012
Presidente: Ex.ma Sr.ª Maria da Assunção Andrade Esteves
Secretários: Ex.mos
Srs. Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco Abel Lima Baptista
SUMÁRIO
A Sr.ª Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas
e 6 minutos. Procedeu-se ao debate conjunto dos projetos de lei n.
os
222/XII (1.ª) — Cria um regime excecional e transitório de extinção de obrigações decorrentes de crédito à habitação em situações de redução substancial do rendimento do agregado familiar (PS), 223/XII (1.ª) — Segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 158/2002, de 2 de julho, permitindo o reembolso do valor de planos poupança para pagamento de prestações de crédito à habitação (PS), 224/XII (1.ª) — Décima alteração ao Decreto-Lei n.º 349/98, de 11 de novembro, introduzindo mecanismos adicionais de proteção dos devedores no contratos de crédito para aquisição de habitação própria e permanente (PS), 225/XII (1ª) — Altera o Código de Processo Civil, modificando as regras aplicáveis à determinação do valor base da venda de imóveis em processo de execução (PS), 237/XII (1.ª) — Cria um regime extraordinário de proteção de devedores de crédito à habitação em situação económica muito difícil (PSD), 238/XII (1.ª) — Cria salvaguardas para os mutuários de crédito à habitação, procedendo à décima alteração ao
Decreto-Lei n.º 349/98, de 11 de novembro (PSD), 240/XII (1.ª) — Cria um processo excecional de suspensão das penhoras e vendas coercivas das casas de habitação (BE), 242/XII (1.ª) — Estabelece mecanismos de proteção aos devedores nos contratos de crédito à habitação (Décima alteração ao Decreto-Lei nº. 349/98, de 11 de novembro) (Os Verdes), 243/XII (1.ª) — Medidas para garantir a manutenção da habitação (PCP), 245/XII (1.ª) — Procede à décima alteração ao Decreto-Lei n.º 349/98, de 11 de novembro, introduzindo mecanismos de reequilíbrio contratual entre as partes (CDS-PP), 246/XII (1.ª) — Altera o Código de Processo Civil, modificando as regras relativas à ordem de realização da penhora e à determinação do valor de base da venda de imóveis em processo de execução (CDS-PP), 247/XII (1.ª) — Cria um regime extraordinário de reestruturação de dívidas emergentes de créditos para a aquisição ou construção de habitação própria permanente (CDS-PP), 248/XII (1.ª) — Introduz medidas adicionais de proteção dos mutuários de crédito à habitação (BE), na generalidade, e dos projetos de resolução n.
os 308/XII (1.ª)
— Recomenda ao Governo a criação de um Fundo de
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