PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº 192/XII
RECOMENDA AO GOVERNO A SUSPENSÃO IMEDIATA DE TODOS AS
DELIBERAÇÕES E AÇÕES QUE AMEACEM A LINHA FERROVIÁRIA DO TUA
E PROPÕE A CRIAÇÃO DE UM GRUPO DE TRABALHO QUE AVALIE AS
POTENCIALIDADES DA LINHA PARA O DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO
A crescente adesão e simpatia que a preservação e valorização da Linha e do Vale do Tua, há
muito defendida pelos Verdes, tem colhido em todo o país, e para além fronteiras, não pode
continuar a ser ignorada pela Assembleia da República e pelo Governo.
Tem-se gerado um amplo movimento em defesa desta causa, que deu origem a várias
iniciativas de grande relevo, como duas petições entregues no Parlamento, assinadas por mais
de 10.000 cidadãos; um requerimento dirigido ao IGESPAR, em 2010, subscrito por nomes
relevantes da vida cultural portuguesa, o qual solicitava a classificação da Linha do Tua como
Património de Interesse Nacional; bem como inúmeras outras iniciativas públicas. Este amplo
movimento tem de ser encarado pelos responsáveis políticos deste país como um contributo
muito positivo de democracia participativa. Os argumentos e as propostas, avançadas pelos
defensores da Linha e do Vale do Tua, representam um potencial credível e sustentado para
o desenvolvimento daquela região e do país, que merece ser analisado e avaliado de forma
séria e isenta de pressões e sem a sobreposição de qualquer outro interesse que não o do
interesse colectivo.
Estas manifestações em defesa da Linha e do Vale do Tua são a expressão de uma crescente
identificação dos cidadãos com o seu património, neste caso concreto com o património
ferroviário que consigo transporta uma memória social riquíssima, e também de uma
crescente sensibilidade para com a paisagem demonstrando a emergência de uma consciência
coletiva que assume que a preservação e a valorização do património natural/cultural
constituem um potencial de desenvolvimento endógeno enorme para a região e para o país,
que não pode continuar a ser desperdiçado, muito menos num momento de crise como o que
estamos a atravessar. Estas manifestações traduzem, ainda, o repúdio dos portugueses pelo
abandono a que as populações do interior estão votadas, nomeadamente em Trás-os-Montes,
abandono esse agravado pelo encerramento compulsivo dos serviços públicos. Uma realidade
muito bem retratada no documentário “Pare, Escute, Olhe”, do realizador Jorge Pelicano, onde
ficou demonstrada a importância que a Linha do Tua assume ainda hoje para a mobilidade das
populações do Vale, bem como as suas atrações e potencialidades turísticas. Por fim, esta
defesa da Linha do Tua encontra sólidos argumentos nos desafios energéticos e ambientais do
presente e do futuro, que levam a colocar o transporte ferroviário na primeira linha das
respostas para a mobilidade e a arquivar as barragens como respostas energéticas do século
passado.
A obra-prima de engenharia que representa a centenária Linha Ferroviária do Tua, a qual
comemora 125 anos, tem um valor patrimonial reconhecido. No parecer dado pela Direção
Geral de Cultura do Norte ao pedido de abertura do procedimento de classificação, considera-
se que a Linha do Tua “constitui um monumento ao trabalho coletivo de decisores políticos,
projectistas e operários, e um testemunho do esforço de construção da rede ferroviária
nacional (esforço de modernização) que mobilizou o país com particular intensidade no final
do século XIX. Para além deste valor patrimonial, grande parte dos 54 Km de Linha, que ligam
Foz Tua a Mirandela, estão incluídos na área classificada do Alto Douro Vinhateiro e na sua
zona de proteção, estando por isso sujeitos às regras da classificação da UNESCO. A este valor
patrimonial temos que acrescentar a vista ímpar sobre a beleza avassaladora do Vale com a
sua fragas, a sua riqueza e diversidade biológicas e, ainda, a exclusividade e a emoção que ela
proporciona aos viajantes, o acesso a zonas ricas em águas termais, as aldeias e percursos
fabulosos que ela permite descobrir, as águas bravas do rio excelentes para desportos de
natureza. Tudo isto, associado à atração que as tradições locais, os produtos regionais (maçãs,
laranjas, figos, amêndoas, vinho, azeite, alheiras, etc) e a gastronomia transmontana
constituem, deveria ser visto como uma proposta turística única e de excelência potenciadora
de desenvolvimento local. Uma proposta que tem feito sucesso noutros países.
O investimento na mobilidade ferroviária e os exemplos de sucesso de valorização turística de
linhas com estas características, levados a cabo em Espanha, em França e na Suiça, têm
atravessado fronteiras e levado muitas pessoas a questionar as opções das entidades públicas
portuguesas que têm promovido o abandono e o desperdício de todo este potencial. Uma
atitude que é tanto mais questionada, quanto o discurso oficial repetido desde 2006 justifica o
abandono com a insustentabilidade financeira gerada pela “baixa procura”. Vendo o exemplo
dos nossos vizinhos espanhóis, o que ninguém entende é por que razão não se faz nada para
aumentar a “procura”, quando existem todas as condições para isso. É ainda de realçar que a
procurar turística destes ramais do Douro, nomeadamente a Linha do Tua, sobretudo no
verão, não ser tão baixa como a CP afirma, o que é até verificável no acidente ocorrido a 22 de
Agosto de 2008, dado que a automotora ia lotada.
E foi com base neste argumento, de “baixa procura”, sustentado em dados forjados à medida
de decisões políticas preestabelecidas e numa visão meramente contabilista da “falta de
sustentabilidade”, que o Plano Estratégico de Transportes (PET), aprovado recentemente pelo
Governo, determinou a desativação das vias de bitola métrica, os ramais da Linha do Douro.
Tudo isto sem nunca ter sido questionada nem avaliada a política de gestão que levou à
degradação do serviço e à perda de passageiros; a falta de conforto das carruagens, a
desadequação dos horários às necessidades, à não articulação dos horários destes ramais com
os horários da Linha do Douro e da restante Rede Nacional para reduzir tempos de espera, o
estado deplorável de abandono das estações e dos acessos às mesmas, o abandono do
património ferroviário, material circulante, entre outros exemplos que aqui poderiam ser
descritos. Este abandono e esta incúria de gestão, no caso da Linha do Tua, segundo os
relatórios oficiais dos acidentes ocorridos, estão na origem das quatro mortes ocorridas e de
cinco acidentes em dois anos. Acidentes que serviram de argumento e pretexto para a decisão
de desativação “provisória” destas três linhas (Corgo, Tua, Tâmega) e que agora o PET
determinou como definitiva.
Para além das decisões contidas no PET, há outra ameaça que paira sobre a Linha do Tua, uma
ameaça irreversível que ditará a morte da Linha: a Barragem de Foz Tua. A construção da
barragem levará à submersão do Vale e de perto de 20 Kms de Linha, numa das zonas de
maior beleza paisagística, levará à descontinuidade do serviço ferroviário pela separação dos
restantes 34 quilómetros que fazem a ligação a Mirandela, da linha do Douro e da Rede
Ferroviária Nacional tornando-a disfuncional, tanto para a mobilidade como para o turismo.
A construção da Barragem de Foz Tua não levará só à morte da Linha e do Vale do Tua, ela põe
também seriamente em causa a segurança da navegabilidade do Douro, facto que as
entidades oficiais e a EDP têm tentado esconder, constituindo uma séria ameaça para o
turismo fluvial, actividade que tem vindo a crescer, mesmo em tempo de crise. Para além
disso, constitui uma séria ameaça à preservação da classificação de Património da
Humanidade, concedida pela UNESCO, ao Alto Douro Vinhateiro como foi claramente expresso
no relatório conclusivo da missão levada acabo pelo ICOMOS (organismo consultivo, de
carácter científico) a pedido da UNESCO, na sequência dos diversos alertas lançados pelo PEV,
que os classificou de “severos e irreversíveis” e “impossíveis de minimizar”, tal como os Verdes
sempre disseram.
O “valor universal excepcional” reconhecido ao Alto Douro Vinhateiro pela Unesco, ao
atribuir-lhe o título de Património da Humanidade, e a “integralidade e a autenticidade” desta
paisagem cultural fruto da relação ancestral e harmoniosa entre o Homem e a natureza,
exigida pela Convenção do Património Mundial, está ameaçada pela descaracterização da
paisagem que a barragem irá provocar e que nenhuma “maquilhagem”, por mais hábil que
seja o artista, poderá evitar.
A obtenção deste título, fruto do esforço de todos os que sonharam e trabalharam para a
candidatura, foi sem dúvida uma grande honra e uma mais-valia com um enorme potencial
para o desenvolvimento da região e do país que não pode ser agora desperdiçado.
Importa, no entanto, não esquecer que a obtenção deste reconhecimento pela UNESCO,
confere responsabilidades e vincula-nos a compromissos. Responsabilidades para o Estado
português, responsabilidades para as entidades tutelares, responsabilidades para os que
lutaram por este título, responsabilidades para a região e os seus legais representantes,
responsabilidades para todos os portugueses que tanto se orgulharam com o título.
Responsabilidades e compromissos que as entidades oficiais (CCDRN, Estrutura de Missão do
Douro, Comissão Nacional da Unesco, Ministério da Cultura, Governo e demais entidades que
se mantiveram num silêncio cúmplice) não souberam honrar, nomeadamente aquando da
violação dos deveres de informação e auscultação que têm perante a Unesco, e foram
negando a localização e os impactos da barragem na área classificada e na sua zona de
proteção, ou, ainda, quando deixaram os interesses particulares (os dos acionistas privados da
EDP e só eles) sobreporem-se aos interesses regionais e nacionais, deixando avançar as obras
violando procedimentos legais, nomeadamente o cumprimento dos compromissos da DIA
(Declaração de Impacto Ambiental) e do Programa de Concurso. Ou, também, quando se
empenharam, sem pudor e com fins politiqueiros de sobrevivência, em negociar com a EDP o
“preço certo” da destruição irreversível deste valioso património, virando costas ao que a
natureza levou séculos a construir e que o homem bordou com engenho e muito suor.
Os Verdes estão convictos que, se a barragem de Foz Tua avançar, ela irá abrir um precedente
que, à semelhança de uma ferida exposta, irá infetar, alastrar e gangrenar a Classificação
ditando a sua morte.
Ainda vamos a tempo de parar a barragem. Mais que nunca é importante relembrar Foz Côa
(os trabalhos estavam bem mais avançados), e recordar que o potencial aberto
(nomeadamente ao nível do turismo histórico-cultural e natural) pela corajosa decisão de
então será ampliado ou atrofiado pela decisão que se tomar em relação à Barragem do Tua.
Ainda vamos a tempo de preservar aquele património único e a relação simbiótica constituída
pelo Vale e a Linha do Tua e de preservar a paisagem do Alto Douro Vinhateiro, fazendo destas
paisagens, unidas pelos rios, um valioso potencial de desenvolvimento para a região e para o
país.
São necessárias decisões que vão ao encontro da preservação desta Classificação e do
interesse regional e nacional.
É com base nestes pressupostos enunciados que os Deputados do Grupo Parlamentar Os
Verdes, abaixo assinados, propõem, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais
aplicáveis, o seguinte Projeto de Resolução:
A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, delibera recomendar ao Governo que:
1. Suspenda de imediato as obras de construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de
Foz Tua e assegure que se reponha a zona do Alto Douro Vinhateiro já afetada.
2. Suspenda as determinações previstas no Plano Estratégico de Transportes (PET),
relativas à desactivação das Linhas do Corgo, Tua e Tâmega.
3. Crie um Grupo de Trabalho que faça uma avaliação isenta das potencialidades de
exploração das Linhas do Tua, do Corgo, do Tâmega e do Douro, em articulação com a
restante rede ferroviária nacional e ainda com a rede ferroviária espanhola, tanto na
ligação a Puebla de Sanábria, como também por via de Barca d´Alva, dando
cumprimento ao Protocolo assinado com as autoridades Espanholas em 2009.
4. Este Grupo de Trabalho, para além de representantes das entidades directamente
envolvidas, inclua técnicos e personalidades da área da cultura e do ambiente,
nomeadamente representantes das ONG que estão envolvidos na defesa da Linha e do
Vale do Tua e representantes dos trabalhadores ferroviários, através das organizações
sindicais.
5. A avaliação prevista no ponto 3, inclua audições públicas em todos os concelhos do
Vale do Tua.
6. Anule o despacho que determinou o arquivamento do procedimento de classificação
da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional, proferido a 4 de Novembro
de 2010 pelo diretor do IGESPAR, a que se refere o Anúncio nº 10853/2010 publicado
no Diário da República, 2º Série, nº 219 de 11 de Novembro de 2010, para que seja
realizada uma avaliação séria e tecnicamente sustentada da pretensão dos
subscritores do pedido de classificação.
Palácio de S. Bento, 20 de Janeiro de 2012
Os deputados
Heloísa Apolónia José Luís Ferreira
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Publicação — DAR II série A — 90-93 — 25/01/2012
90 | II Série A - Número: 105 | 25 de Janeiro de 2012
de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
Proceda à requalificação e reabilitação da Linha do Tua, procedendo, nomeadamente: 1. À reabertura do processo de classificação da Linha do Tua como Monumento Nacional; 2. Ao desenvolvimento de um programa de investimento e de intervenção para a requalificação da linha ferroviária do Tua, no troço entre Foz Tua e Mirandela (Carvalhais); 3. À reabilitação da ligação ferroviária a Bragança; 4. Ao estudo da viabilidade da extensão da linha ferroviária entre Bragança e Puebla de Sanábria, permitindo a ligação com a rede ferroviária espanhola.
Assembleia da República, 20 de janeiro de 2012.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda: Catarina Martins — Luís Fazenda — Mariana Aiveca — Pedro Filipe Soares — Cecília Honório — João Semedo — Ana Drago — Francisco Louçã.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 192/XII (1.ª) RECOMENDA AO GOVERNO A SUSPENSÃO IMEDIATA DE TODAS AS DELIBERAÇÕES E AÇÕES QUE AMEACEM A LINHA FERROVIÁRIA DO TUA E PROPÕE A CRIAÇÃO DE UM GRUPO DE TRABALHO QUE AVALIE AS POTENCIALIDADES DA LINHA PARA O DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO
A crescente adesão e simpatia que a preservação e valorização da Linha e do Vale do Tua, há muito defendida pelos Verdes, tem colhido em todo o País, e para além fronteiras, não pode continuar a ser ignorada pela Assembleia da República e pelo Governo.
Tem-se gerado um amplo movimento em defesa desta causa, que deu origem a várias iniciativas de grande relevo, como duas petições entregues no Parlamento, assinadas por mais de 10.000 cidadãos — um requerimento dirigido ao IGESPAR, em 2010, subscrito por nomes relevantes da vida cultural portuguesa, o qual solicitava a classificação da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional — bem como inúmeras outras iniciativas públicas. Este amplo movimento tem de ser encarado pelos responsáveis políticos deste país como um contributo muito positivo de democracia participativa. Os argumentos e as propostas, avançadas pelos defensores da Linha e do Vale do Tua, representam um potencial credível e sustentado para o desenvolvimento daquela região e do país, que merece ser analisado e avaliado de forma séria e isenta de pressões e sem a sobreposição de qualquer outro interesse que não o do interesse colectivo.
Estas manifestações em defesa da Linha e do Vale do Tua são a expressão de uma crescente identificação dos cidadãos com o seu património, neste caso concreto com o património ferroviário que consigo transporta uma memória social riquíssima, e também de uma crescente sensibilidade para com a paisagem demonstrando a emergência de uma consciência coletiva que assume que a preservação e a valorização do património natural/cultural constituem um potencial de desenvolvimento endógeno enorme para a região e para o país, que não pode continuar a ser desperdiçado, muito menos num momento de crise como o que estamos a atravessar. Estas manifestações traduzem, ainda, o repúdio dos portugueses pelo abandono a que as populações do interior estão votadas, nomeadamente em Trás-os-Montes, abandono esse agravado pelo encerramento compulsivo dos serviços públicos. Uma realidade muito bem retratada no documentário ―Pare, Escute, Olhe‖, do realizador Jorge Pelicano, onde ficou demonstrada a importància que a Linha do Tua assume ainda hoje para a mobilidade das populações do Vale, bem como as suas atrações e potencialidades turísticas. Por fim, esta defesa da Linha do Tua encontra sólidos argumentos nos desafios energéticos e ambientais do presente e do futuro, que levam a colocar o transporte ferroviário na primeira linha das respostas para a mobilidade e a arquivar as barragens como respostas energéticas do século passado.
A obra-prima de engenharia que representa a centenária Linha Ferroviária do Tua, a qual comemora 125 anos, tem um valor patrimonial reconhecido. No parecer dado pela Direção-Geral de Cultura do Norte ao
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Apreciação — DAR I série — 40-47 — 27/01/2012
I SÉRIE — NÚMERO 64
A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, passando ao último ponto da ordem do dia, vamos apreciar, em
conjunto, a petição n.º 119/XI (2.ª) — Apresentada por Graciela de Lurdes Azevedo Ferreira Nunes e outros,
solicitando à Assembleia da República que a linha do Tua seja restaurada e reaberta à circulação, e os
projetos de resolução n.os
191/XII (1.ª) — Recomenda a requalificação da linha ferroviária
Tua/Mirandela/Bragança (BE) e 192/XII (1.ª) — Recomenda ao Governo a suspensão imediata de todas as
deliberações e ações que ameacem a linha ferroviária do Tua e propõe a criação de um grupo de trabalho que
avalie as potencialidades da linha para o desenvolvimento da região (Os Verdes), dispondo cada grupo
parlamentar e o Governo de 2 minutos.
Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Catarina Martins.
A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Começo por saudar os peticionários em
defesa da preservação da linha do Tua. Todos os que se juntam nesta batalha, que teve já vários passos —
esta não é a primeira petição feita —, mostram que a preservação da linha do Tua é uma exigência para as
populações que serve e é uma exigência do País, de toda a população. Preservar a linha do Tua é preservar
património, mas é também proteger e dinamizar a economia.
Sabemos que, infelizmente, a linha do Tua tem sido tudo menos pensada enquanto instrumento de
desenvolvimento, que é, de toda uma região. Pelo contrário, as opções dos governos têm sido completamente
subalternizadas aos interesses da EDP e da barragem de Foz Tua. Aliás, lembramos o episódio triste e
caricato que foi a abertura do processo de classificação da linha ferroviária do Tua enquanto monumento
nacional, para ser logo a seguir encerrado por pressão precisamente da EDP.
Portanto, o que estamos aqui hoje a debater é a necessidade de preservar esta linha como monumento
que é, mas não só de preservar a linha olhando para o passando mas, sim, olhando para o futuro. Por isso,
acompanhando as exigências dos peticionários, o Bloco de Esquerda apresenta um projeto de resolução que
recomenda a reabertura do processo de classificação da linha do Tua como monumento nacional — porque o
património é, de facto, importante, é a nossa História e a nossa memória —, mas recomenda também que se
proceda ao desenvolvimento de um programa de investimento e de intervenção para a requalificação da linha
férrea do Tua no troço entre Foz Tua e Mirandela e para que seja reabilitada a ligação ferroviária a Bragança.
Bragança não pode ser o distrito português sem linha férrea, que é o transporte do futuro, como é definido
em todos os documentos, nas diretivas da União Europeia e até nos documentos que os governos vão
esquecendo em cima das secretárias.
Recomendamos também que seja feito o estudo da viabilidade da extensão da linha ferroviária entre
Bragança e Puebla de Sanábria para permitir a ligação à rede ferroviária espanhola.
Temos a certeza de que apostar na linha ferroviária do Tua, apostar na sua preservação e requalificação,
nas ligações do distrito de Bragança ao resto do País e a Espanha é, assim, a forma de desenvolver a região,
é, assim, a forma de criar emprego, é, assim, a forma de dar às populações aquilo que merecem, de dar uma
ideia de desenvolvimento, de proteger a economia do Alto Douro vinhateiro e de proteger toda a economia do
Tua.
Aplausos do BE.
A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra a Sr.ª Deputada Heloísa Apolónia para uma intervenção.
A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: Quero afirmar, nesta
Câmara, que ocorreu hoje um acidente na barragem em construção de Foz Tua, o qual fez três vítimas
mortais, a cujas famílias Os Verdes querem manifestar a sua maior consternação.
Mas, Sr.as
e Srs. Deputados, a morte de pessoas em acidentes que se deram na linha do Tua levaram
prontamente o poder político a suspender — provisoriamente, dizia-se então — a linha ferroviária do Tua.
Agora, esperemos que a mesma prontidão política se dê para que este acidente, que demonstra falta de
segurança na construção da barragem do Tua, implique a suspensão imediata da sua construção.
Protestos do PSD e do CDS-PP.
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Votação Deliberação — DAR I série — 40-40 — 28/01/2012
I SÉRIE — NÚMERO 65
A Sr.ª Presidente: — Faça favor, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Ana Paula Vitorino (PS): — Sr.ª Presidente, quero anunciar que apresentarei à Mesa, por escrito,
uma declaração de voto sobre esta matéria.
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Srs. Deputados, agora, vamos votar o projeto de resolução n.º 192/XII (1.ª) — Recomenda ao Governo a
suspensão imediata de todas as deliberações e ações que ameacem a linha ferroviária do Tua e propõe a
criação de um grupo de trabalho que avalie as potencialidades da linha para o desenvolvimento da região (Os
Verdes).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP e votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes.
Tem a palavra a Sr.ª Deputada Ana Paula Vitorino.
A Sr.ª Ana Paula Vitorino (PS): — Sr.ª Presidente, quero anunciar que também irei apresentar, na Mesa,
uma declaração de voto escrita sobre esta matéria.
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Delgado Alves.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Sr.ª Presidente, quero também anunciar que eu e o Sr. Deputado Rui
Pedro Duarte iremos apresentar, na Mesa, uma declaração de voto escrita sobre esta matéria.
A Sr.ª Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Srs. Deputados, passamos à votação do projeto de resolução n.º 173/XII (1.ª) — Recomenda ao Governo
que, com caráter de urgência, disponibilize o medicamente Tafamidis, sem custos, a todos os doentes que
sofrem de paramiloidose e que dele necessitam (PS).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, votos a favor do PS, do PCP, do BE e de Os
Verdes e a abstenção do CDS-PP.
O Sr. António Braga (PS): — Sr.ª Presidente, peço a palavra.
A Sr.ª Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. António Braga (PS): — Sr.ª Presidente, se os votos são apurados por bancada, o somatório dos
votos da esquerda parlamentar, do PS, do PCP, do BE, e de Os Verdes, mais a abstenção do CDS, permite a
aprovação.
A Sr.ª Presidente: — Sr. Deputado, os votos contam-se por Deputados.
O Sr. Secretário vai ler o resultado do apuramento dos votos, por número de Deputados.
Faça favor, Sr. Secretário.
O Sr. Secretário (Abel Baptista): — Sr.ª Presidente, o registo que temos na Mesa é de 188 Deputados
registados eletronicamente, mais 14 Deputados registados por «dedo no ar», o que dá 202 Deputados
presentes.
A distribuição que temos na Mesa (e que poderemos retificar posteriormente) é a de que votaram 95
Deputados do PSD e 23 do CDS-PP. Portanto, o registo de votos do PSD é maior do que total dos votos da
esquerda.
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Publicação — DAR II série A — 12-13 — 17/02/2012
12 | II Série A - Número: 123 | 17 de Fevereiro de 2012
possa ter lugar, por decisão do comandante, na categoria em que o bombeiro em causa se encontrava ao tempo da cessação de funções.
Por outro lado, não parece adequada a idade máxima de 35 anos fixada por lei para o ingresso na carreira de bombeiro voluntário, pelo que o Grupo Parlamentar do PCP propõe o seu alargamento para os 45 anos. Tal solução é compatível com a idade máxima para o exercício de funções (65 anos), permitindo aos bombeiros exercer funções por um período mínimo de 20 anos, e é também compatível com o ingresso no quadro de honra nos termos do artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 247/2007, de 27 de junho.
Nestes termos, O Grupo Parlamentar do PCP apresenta o seguinte projeto de lei:
Artigo 1.º Alteração ao artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 241/2007, de 21 de junho
O n.º 5 do artigo 35.º do Decreto-lei n.º 241/2007, de 21 de Junho, passa a ter a seguinte redação:
«5 — O ingresso na carreira de bombeiro voluntário é feito na categoria de bombeiro de 3.ª, de entre indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos, após aproveitamento em estágio.»
Artigo 2.º Aditamento ao artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 241/2007, de 21 de junho
É aditado ao artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 241/2007, de 21 de junho, um novo n.º 10, com a seguinte redação:
«10 — Os indivíduos que solicitem o reingresso na carreira de bombeiro voluntário podem ser posicionados, por decisão do comandante, na categoria em que se encontravam ao tempo em que interromperam as respetivas funções.»
Assembleia da República, 15 de fevereiro de 2012 Os Deputados do PCP: António Filipe — Bernardino Soares — Jorge Machado — João Ramos — Paulo Sá — Miguel Tiago — Paula Santos — João Oliveira — Bruno Dias.
——— PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 191/XII (1.ª) (RECOMENDA A REQUALIFICAÇÃO DA LINHA FERROVIÁRIA TUA/MIRANDELA/BRAGANÇA)
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 192/XII (1.ª) (RECOMENDA AO GOVERNO A SUSPENSÃO IMEDIATA DE TODAS AS DELIBERAÇÕES E AÇÕES QUE AMEACEM A LINHA FERROVIÁRIA DO TUA E PROPÕE A CRIAÇÃO DE UM GRUPO DE TRABALHO QUE AVALIE AS POTENCIALIDADES DA LINHA PARA O DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO)
Declaração nos termos e para os efeitos do artigo 27.º do Estatuto dos Deputados
São hoje votados o projeto de resolução n.º 191/XII (1.ª), do BE, que recomenda a requalificação da linha ferroviária Tua-Mirandela-Bragança, e o projeto de resolução n.º 192/XII (1.ª), de Os Verdes, que recomenda ao Governo a suspensão imediata de todas as deliberações e ações que ameacem a linha ferroviária do Tua e propõe a criação de um grupo de trabalho que avalie as potencialidades da linha para o desenvolvimento da região.
Os dois projetos de resolução versam, de forma indireta, sobre a construção do aproveitamento hidrelétrico de Foz Tua a cargo da EDP.
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