Projecto de Resolução N.º 34/XII/1.ª
Recomenda ao Governo a manutenção da ligação ferroviária entre o Porto e Vigo, bem como a
modernização da linha e do material circulante
Exposição de Motivos
A Administração da CP – Comboios de Portugal, EP. veio anunciar, no passado dia 10 de Julho, a manutenção
da ligação ferroviária entre o Porto e Vigo, contrariando a decisão previamente tomada de pôr termo a 98 anos
de serviço ferroviário internacional entre as capitais económicas da Região Norte de Portugal e da Galiza.
Tal decisão de supressão, tomada tendo em consideração não estarem reunidas as condições para a
continuidade de exploração, atento o prejuízo anual de mais de 232 000 euros que o transporte anual de cerca
de 15 000 passageiros não era capaz de compensar, só veio a ser anulada por a (também empresa pública)
RENFE – Red Nacional de Ferrocarriles Españoles ter decidido suportar os custos do serviço em território
espanhol, e, dessa forma, permitir a manutenção da ligação ferroviária nos 130 km que separam as cidades do
Porto e de Vigo.
Ora, dúvidas houvesse sobre a importância estrutural daquela ligação ferroviária, um estudo encomendado
pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e desenvolvido pela Escola de Economia
da Universidade do Minho e pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, subordinado ao tema
Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto – Vigo na Euroregião Norte de Portugal – Galiza
(Julho de 2008), veio esclarecê-las, através de uma rigorosa avaliação em termos socioeconómicos e de
desenvolvimento regional do impacte expectável, no Norte de Portugal, dos investimentos na ligação
ferroviária entre as cidades do Porto e de Vigo.
O aludido estudo, salientando que a Região Norte de Portugal tem registado um assinalável dinamismo
demográfico, caracterizando-se por uma estrutura etária bastante jovem (de que tem resultado a emergência e
a afirmação de espaços urbanos com dinâmicas próprias, que importa valorizar no contexto ibérico), veio
apontar a necessária alteração do modelo de transportes daquela região, nomeadamente através da promoção
do transporte público (aqui se enquadrando o transporte ferroviário), da interconexão com as redes de
transporte público locais e regionais (incluindo transfronteiriças) e da melhoria da complementaridade entre
o transporte público e transporte privado (numa lógica de melhoria do transporte de mercadorias, até na
decorrência da existência do grande Porto de Leixões, porta atlântica de toda aquela Região), concluindo que a
melhoria da ligação ferroviária entre o Porto e Vigo, permitirá:
a) uma crescente integração da Região Norte de Portugal com a Galiza, nomeadamente ao nível
económico, empresarial, social, cultural ou, mesmo, educativo;
b) atingir um considerável potencial de cooperação entre os principais portos da euroregião;
c) um forte crescimento do número de passageiros do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, provenientes
do Sul da Galiza, a par da decorrente complementaridade tácita entre os aeroportos da Galiza e o
segundo maior aeroporto nacional;
d) a geração de benefícios sociais agregados estimados em mais de 615 milhões de euros;
e) a obtenção de um volume de receitas operacionais suficiente para garantir os custos de
modernização da aludida ligação ferroviária;
f) a obtenção de um significativo impacte sobre a economia portuguesa durante a fase de construção de
uma nova linha mista, com um valor estimado de 5 000 milhões de euros no produto e com a geração
de mais de 20 000 postos de trabalho, directos e indirectos;
g) um crescimento do potencial de mobilidade da população, nomeadamente num raio de 3 horas de
distância;
h) o grande contributo para a consolidação de um corredor especialmente dedicado ao transporte de
mercadorias na região do Noroeste ibérico;
A modernização da linha – que se encontra suspensa atento o actual cenário de restrições orçamentais – tem
vindo a ser reclamada pelos autarcas da Região Norte e da Galiza, reunidos no Eixo Atlântico, tendo os mesmos
procurado já sensibilizar os Governos de Portugal e Espanha para a necessidade de melhorar a mobilidade de
pessoas e bens entre aquelas regiões, crucial para o reforço da sua competitividade e coesão territoriais, para a
sua integração nos espaços ibérico, europeu, atlântico e global, e, logicamente, para a promoção do
desenvolvimento policêntrico dos territórios – prioridades, aliás, referidas na Iniciativa Norte 2015.
E não têm sido só os autarcas quem tem feito ouvir a sua voz: um conjunto de outras entidades, como a
Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo, têm vindo a alertar para a necessidade de
proceder aos prementes investimentos de modernização daquela ligação ferroviária como alternativa às
antigas SCUT, atento o facto de nelas ter sido introduzido o pagamento de portagens – o que contribuiu para
que a actividade económica da Região Norte de Portugal e da Galiza tivesse caído já cerca de 20%.
A própria Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal apontou a introdução de portagens das
ex-SCUT como responsável pela quebra de passageiros oriundos da Galiza no Aeroporto Sá Carneiro, que
ronda já os 74%, cifrando-se em menos de 200 000 passageiros. Ora, a melhoria da ligação ferroviária entre a
Galiza e o Norte de Portugal permitirá captar esses passageiros, e, quiçá, justificar até o aumento da
capacidade do aeroporto nortenho.
Nesta medida, atendendo à especial conjuntura socioeconómica da Região Norte, nomeadamente a escassez de
oportunidades económicas derivadas do actual processo de ajustamento estrutural do tecido produtivo e
empresarial, e as limitações actuais ao nível do poder de compra, e considerando que o especial empenho do
Governo para esta questão poderá contribuir para a urgente abertura económica do Norte de Portugal
(permitindo, entre outros, o aumento do peso relativo do comércio internacional), ao abrigo das disposições
legais e regimentais aplicáveis, os Deputados abaixo assinados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista
propõem que a Assembleia da República, nos termos do disposto na alínea b) do artigo 156.º da Constituição
da República Portuguesa, adopte a seguinte Resolução:
Recomendar ao Governo a manutenção da ligação ferroviária entre as cidades do Porto e de Vigo, bem
como a modernização da linha e do material circulante, contribuindo para a melhoria das condições de
mobilidade de pessoas e bens na Euroregião do Norte de Portugal e da Galiza.
Palácio de São Bento, 22 de Julho de 2011
Os Deputados,
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Entrada — DAR II série A — 67-68 — 27/07/2011
67 | II Série A - Número: 013 | 27 de Julho de 2011
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República portuguesa, recomendar ao Governo: 1. Lançar uma campanha publicitária sobre as vantagens de consumir produtos agrícolas e alimentares produzidos em Portugal, constituindo uma marca própria à semelhança do que se vem fazendo para promover as exportações nacionais.
2. Estimular e promover o consumo de produtos alimentares nacionais, dando o Estado o exemplo, através da aquisição preferencial de alimentos produzidos em Portugal nas suas estruturas tanto a nível nacional como regional, salvaguardando as regras de concorrência comunitárias.
Palácio de São Bento, 21 de Julho de 2011.
Os Deputados do PSD: Luís Montenegro — Pedro Lynce — Adão Silva — Carlos Abreu Amorim — Nuno Encarnação — Paulo Batista Santos — Pedro do Ó Ramos — Emídio Guerreiro — Carina Oliveira — Arménio Santos — Nuno Serra — Luís Menezes — Teresa Leal Coelho — Francisca Almeida — Ulisses Pereira — Pedro Saraiva.
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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 34/XII (1.ª) RECOMENDA AO GOVERNO A MANUTENÇÃO DA LIGAÇÃO FERROVIÁRIA ENTRE O PORTO E VIGO, BEM COMO A MODERNIZAÇÃO DA LINHA E DO MATERIAL CIRCULANTE
Exposição de motivos
A Administração da CP — Comboios de Portugal, EP, veio anunciar, no passado dia 10 de Julho, a manutenção da ligação ferroviária entre o Porto e Vigo, contrariando a decisão previamente tomada de pôr termo a 98 anos de serviço ferroviário internacional entre as capitais económicas da Região Norte de Portugal e da Galiza.
Tal decisão de supressão, tomada tendo em consideração não estarem reunidas as condições para a continuidade de exploração, atento o prejuízo anual de mais de 232 000 euros que o transporte anual de cerca de 15 000 passageiros não era capaz de compensar, só veio a ser anulada por a (também empresa pública) RENFE Red Nacional de Ferrocarriles Españoles ter decidido suportar os custos do serviço em território espanhol, e, dessa forma, permitir a manutenção da ligação ferroviária nos 130 km que separam as cidades do Porto e de Vigo.
Ora, dúvidas houvesse sobre a importância estrutural daquela ligação ferroviária, um estudo encomendado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e desenvolvido pela Escola de Economia da Universidade do Minho e pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, subordinado ao tema ―Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto/Vigo na Euroregião Norte de Portugal — Galiza‖ (Julho de 2008), veio esclarecê-las, através de uma rigorosa avaliação em termos socioeconómicos e de desenvolvimento regional do impacte expectável, no Norte de Portugal, dos investimentos na ligação ferroviária entre as cidades do Porto e de Vigo.
O aludido estudo, salientando que a Região Norte de Portugal tem registado um assinalável dinamismo demográfico, caracterizando-se por uma estrutura etária bastante jovem (de que tem resultado a emergência e a afirmação de espaços urbanos com dinâmicas próprias, que importa valorizar no contexto ibérico), veio apontar a necessária alteração do modelo de transportes daquela região, nomeadamente através da promoção do transporte público (aqui se enquadrando o transporte ferroviário), da interconexão com as redes de transporte público locais e regionais (incluindo transfronteiriças) e da melhoria da complementaridade entre o transporte público e transporte privado (numa lógica de melhoria do transporte de mercadorias, até na decorrência da existência do grande Porto de Leixões, porta atlântica de toda aquela Região), concluindo que a melhoria da ligação ferroviária entre o Porto e Vigo, permitirá:
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Votação Deliberação — DAR I série — 54-54 — 17/09/2011
I SÉRIE — NÚMERO 20
Srs. Deputados, passamos agora à votação, na generalidade, do projecto de lei n.º 30/XII (1.ª) —
Clarificação das situações em que uma autorização de um medicamento para uso humano pode ser
indeferida, suspensa, revogada ou alterada (BE).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PCP, do BE e de Os Verdes e abstenções do
PSD, do PS e do CDS-PP.
O diploma baixa à 9.ª Comissão.
Votamos proceder à votação, na generalidade, da proposta de lei n.º 14/XII (1.ª) — Transfere competências
dos governos civis e dos governadores civis para outras entidades da Administração Pública em matérias de
reserva de competência legislativa da Assembleia da República.
Submetida à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD, do CDS-PP e do BE, votos contra do PS e
abstenções do PCP e de Os Verdes.
O diploma baixa à 1.ª Comissão.
Srs. Deputados, segue-se a votação do projecto de resolução n.º 73/XII (1.ª) — Pela defesa dos CTT
Correios de Portugal, pela manutenção do seu carácter totalmente público e pela melhoria da qualidade do
serviço público postal (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP, votos a favor do PCP,
do BE e de Os Verdes e abstenções dos Deputados do PS Inês de Medeiros ePedro Delgado Alves.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Sr.ª Presidente, peço a palavra.
A Sr.ª Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado?
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Sr.ª Presidente, é para anunciar que eu e a Deputada Inês de
Medeiros, entregaremos na Mesa uma declaração de voto escrita relativamente a esta votação.
A Sr.ª Presidente: — Obrigada, Sr. Deputado.
Srs. Deputados, vamos votar o projecto de resolução n.º 63/XII (1.ª) — Auditoria externa à dívida da Região
Autónoma da Madeira (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PCP, do BE e
de Os Verdes e a abstenção do PS.
O Sr. José Junqueiro (PS): — Peço a palavra, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. José Junqueiro (PS): — Sr.ª Presidente, é para anunciar que o Grupo Parlamentar do Partido
Socialista apresentará na Mesa uma declaração de voto sobre esta votação.
A Sr.ª Presidente: — Obrigada, Sr. Deputado.
Segue-se a votação do projecto de resolução n.º 34/XII (1.ª) — Recomenda ao Governo a manutenção da
ligação ferroviária entre o Porto e Vigo, bem como a modernização da linha e do material circulante (PS).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PS, do PCP e
de Os Verdes e a abstenção do BE.
O Sr. Jorge Paulo Oliveira (PSD): — Peço a palavra, Sr.ª Presidente.
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