Grupo Parlamentar
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 13/XII/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO A SUSPENSÃO DA PRIVATIZAÇÃO DA REN -
REDES ENERGÉTICAS NACIONAIS, SGPS, S. A.
A REN - Redes Energéticas Nacionais SA, é um das empresas que o Estado prevê
privatizar no âmbito do Programa de Governo. A REN é a actual concessionária da
exploração da Rede Nacional de Transporte de Energia Eléctrica (RNT) e da Rede
Nacional de Transporte de Gás Natural (RNTGN). O Estado detém 51,1% do capital
social da empresa, pelo que a alienação de parte dessa participação resultará sempre na
perda da maioria do capital.
A REN é responsável, também, pela gestão técnica global do Sistema Eléctrico Nacional
(SEN) e do Sistema Nacional de Gás Nacional (SNGN). A REN é uma empresa estratégica
para o país. Este reconhecimento foi feito inclusive pelo anterior Governo, em 2007,
onde prometeu que “o Estado terá sempre uma maioria do capital”.
O papel de gestão das redes de energia nacionais (electricidade e gás) coloca a REN num
ponto fundamental da coesão territorial do país e na manutenção da própria soberania
nacional. A REN representa um monopólio público estratégico e, por isso, não deverá
sair da esfera pública. A manutenção da maioria pública do capital da REN é
fundamental para salvaguarda dos interesses dos portugueses.
A REN tem aliado ao planeamento, construção, operação e manutenção das redes de gás
e electricidade, um desempenho económico positivo que permitiu ao Estado um encaixe
financeiro de 134 milhões de euros relativo ao ano de 2009. Contudo, como seria de
esperar, o grande enfoque da gestão da REN deverá ser dado ao investimento na
construção e manutenção das infraestruturas. Esta será uma das primeiras funções a ser
negativamente atingida pela privatização da REN. Uma empresa privada terá sempre
como prioridade a distribuição de dividendos pelos accionistas, resultando numa
diminuição do investimento em infra-estruturas e consequente diminuição da qualidade
do serviço prestado. Esta realidade será particularmente visível nas zonas menos
populosas, agudizando as componentes de interioridade e colocando em causa a coesão
territorial. Por outro lado, esta procura pelo lucro resultará num aumento dos preços
que os portugueses terão de pagar, agudizando a enorme pressão financeira que os
portugueses enfrentam.
A análise mais aprofundada do resultado das privatizações anteriores, permite ainda
identificarmos que esse processo resultou numa clara fuga de capitais para o estrangeiro
por via da distribuição de dividendos. Assim, para além da perda de receita por parte do
Estado com a privatização da REN, o resultado será também um agudizar da situação
financeira do país. Adicionalmente, um dos efeitos mais visíveis ao nível dos processos e
privatização de empresas nacionais, para além da fuga de capitais, tem sido a
transferência dos centros de decisão para o estrangeiro, com consequências ao nível da
prossecução dos interesses estratégicos da política económica nacional.
A privatização da REN colocará o Estado e o país dependentes de interesses accionistas
que colocarão o lucro como objectivo máximo. Ao deterem na sua posse estes
monopólios naturais, os privados poderão realizar a gestão em função das suas
necessidades financeiras, ficando o Estado refém desta política.
A situação social do país é também um entrave à privatização da REN, dado que, olhando
para outros processos de privatização no passado, a consequência foi a realização de
inúmeros despedimentos. Essa seria uma política irresponsável, numa altura em que
Portugal apresenta uma taxa de desemprego absolutamente assustadora, com mais de
700 000 homens e mulheres desempregados.
Por último, a crise económica que o país atravessa e o período de especulação financeira
desvalorizaram as empresas portuguesas. As empresas públicas não foram excepção.
Este é, por isso, um período ainda mais negativo para quaisquer privatizações. O alcance
do encaixe financeiro a realizar pelo Estado com as privatizações ficará sempre aquém
do real valor destas empresas.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe à Assembleia da República que recomende ao
Governo que:
O Governo suspenda a privatização da REN - Redes Energéticas Nacionais SGPS, S. A.
prevista no Programa de Governo e no memorando de entendimento estabelecido coma
Comissão Europeia, o FMI e o BCE.
Palácio de São Bento, 3 de janeiro de 2024.
Os Deputados e as Deputadas do Bloco de Esquerda,
---
Publicação — DAR II série A — 55-56 — 20/07/2011
55 | II Série A - Número: 010 | 20 de Julho de 2011
acção agudiza a situação financeira do País. Adicionalmente, um dos efeitos mais visíveis ao nível dos processos e privatização de empresas nacionais, para além da fuga de capitais, tem sido a transferência dos centros de decisão para o estrangeiro, com consequências ao nível da prossecução dos interesses estratégicos da política económica nacional. Os CTT cumpriram também um papel fundamental ao permitirem o financiamento do estado através da comercialização dos Certificados de Aforro. Este instrumento de dívida assume hoje um papel fundamental ao permitir o financiamento público que tem sido objecto de uma enorme especulação internacional. Se os Certificados de Aforro não foram um objectivo para os Governos recentes, esta alteração financeira parece restaurar a sua relevância. Este motivo, por si só, revela um reforço da importância dos CTT enquanto empresa pública, capaz de relançar a confiança dos portugueses nos Certificados de Aforro.
A função social dos CTT também é reconhecida. Para muitos portugueses os CTT, para além dos serviços postais, funcionam como uma pequena entidade financeira de proximidade, onde têm acesso às suas pensões e reformas. Esta proximidade ficará em causa se a privatização for executada.
A situação social do País é também um entrave às privatizações, dado que o processo de privatizações passado também resultou numa onda de despedimentos. Essa seria uma política irresponsável numa altura em que Portugal apresenta uma taxa de desemprego absolutamente assustadora, com mais de 700 000 homens e mulheres desempregados. A privatização dos CTT, pela sua rede de balcões distribuída por todo o território nacional, resultaria num acréscimo relevante de desempregados. Este resultado é ainda agudizado pelo facto dos despedimentos decorrerem do encerramento dos balcões em zonas do interior, zonas essas que já são as mais fustigadas pelo desemprego.
O serviço postal é reconhecidamente um dos pilares fundamentais de um país. Assim sendo, este serviço deve ser claramente assumido pelo Estado.
Por último, a crise económica que o País atravessa e o período de especulação financeira desvalorizaram as empresas portuguesas. As empresas públicas não foram excepção. Este é, por isso, um período ainda mais negativo para quaisquer privatizações. O alcance do encaixe financeiro a realizar pelo Estado com as privatizações ficará sempre aquém do real valor destas empresas.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe à Assembleia da República que recomende ao Governo que: O Governo suspenda a privatização dos CTT — Correios de Portugal, SA, prevista no Programa de Governo e no memorando de entendimento estabelecido coma Comissão Europeia, o FMI e o BCE.
Assembleia da República, 26 de Julho de 2011.
Os Deputados e as Deputadas do Bloco de Esquerda: Pedro Filipe Soares — Catarina Martins — Luís Fazenda — Francisco Louçã — Mariana Aiveca — Cecília Honório — João Semedo — Rita Calvário.
———
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 13/XII (1.ª) RECOMENDA AO GOVERNO A SUSPENSÃO DA PRIVATIZAÇÃO DA REN – REDES ENERGÉTICAS NACIONAIS, SGPS, SA
A REN — Redes Energéticas Nacionais, SA, é um das empresas que o Estado prevê privatizar no âmbito do Programa de Governo. A REN é a actual concessionária da exploração da Rede Nacional de Transporte de Energia Eléctrica (RNT) e da Rede Nacional de Transporte de Gás Natural (RNTGN). O Estado detém 51,1% do capital social da empresa, pelo que a alienação de parte dessa participação resultará sempre na perda da maioria do capital.
A REN é responsável, também, pela gestão técnica global do Sistema Eléctrico Nacional (SEN) e do Sistema Nacional de Gás Nacional (SNGN). A REN é uma empresa estratégica para o País. Este
---
Votação Deliberação — DAR I série — 30/07/2011
Sábado, 30 de Julho de 2011 I Série — Número 10
XII LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2011-2012)
REUNIÃOPLENÁRIADE29DEJULHODE 2011
Presidente: Ex.ma Sr.ª Maria da Assunção Andrade Esteves
Secretários: Ex.mos
Srs. Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco Rosa Maria da Silva Bastos de Horta Albernaz Abel Lima Baptista
S U M Á R I O
A Sr.ª Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas
e 8 minutos. Deu-se conta da entrada na Mesa das propostas de lei
n.os
4 a 8/XII (1.ª), da apreciação parlamentar n.º 2/XII (1.ª), dos projectos de lei n.
os 23/XII (1.ª) e 25 a 27/XII (1.ª), dos
projectos de resolução n.os
38 a 40/XII (1.ª) e do voto n.º
8/XII (1.ª). A Câmara procedeu às eleições das delegações
permanentes da Assembleia da República para a
Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (APOSCE), a Assembleia Parlamentar da NATO (APNATO), a Assembleia
Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), a Assembleia Parlamentar do Mediterrâneo (APM), a Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica (APEM), a Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (AP-CPLP), o Fórum Parlamentar Ibero-Americano (FPIA) e a União Interparlamentar (UIP).
Ao abrigo da alínea a) do n.º 2 do artigo 224.º do
Regimento, procedeu-se a um debate com o Sr. Primeiro-Ministro (Pedro Passos Coelho) sobre os 30 dias do Programa do Governo.
Após o Sr. Primeiro-Ministro ter proferido uma intervenção inicial, respondeu às perguntas formuladas pelos Srs. Deputados António José Seguro (PS), Jerónimo
de Sousa (PCP), Francisco Louçã (BE), Heloísa Apolónia (Os Verdes), Nuno Magalhães (CDS-PP) e Luís Montenegro (PSD), tendo ainda interpelado a Mesa o Sr. Deputado
António Braga (PS). Foram aprovados os votos n.
os 8/XII (1.ª) — De
condenação e pesar pelos atentados na Noruega (Presidente da AR, PSD, PS, CDS-PP, PCP, BE e Os
Abrir texto oficial