PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projecto de Resolução nº 4/XII-1ª
PELA RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA E PELO DESENVOLVIMENTO
DA PRODUÇÃO NACIONAL
Confrontado com a forte ofensiva especulativa em torno da dívida pública portuguesa, com o
processo de extorsão de recursos nacionais, com uma dramática situação social e económica,
com o garrote imposto pelo conjunto de credores e com uma política de submissão do país aos
seus interesses, o PCP, a 5 de Abril de 2011 avançou com a proposta de se iniciar um processo
de imediata renegociação da dívida pública. Um processo que articulado com um conjunto de
outras medidas em defesa dos interesses nacionais, constituí uma resposta patriótica e de
esquerda ao rumo de desastre nacional que estava a ser imposto.
Recusando esta saída para os problemas da dívida pública e do financiamento do país, PS, PSD
e CDS optaram pela persistência na defesa dos interesses dos grupos económicos e
financeiros, abrindo as portas a uma intervenção externa do FMI, do BCE e da UE que, pelo seu
processo e conteúdo, constitui um programa ilegítimo de submissão e agressão ao povo e ao
país que o novo Governo PSD/CDS se prepara para aplicar.
À medida que o tempo passa a exigência da renegociação imediata da dívida pública
portuguesa, que o PCP foi pioneiro a propor, seja pelas condições em que o país se encontra,
seja pelas consequências que a aplicação do programa da Troika comporta para o povo e para
o país (incluindo na capacidade de Portugal fazer face aos seus compromissos externos e
necessidades de financiamento), ganha redobrada actualidade e apoios de diversos
quadrantes. Neste sentido, o PCP, dando seguimento ao compromisso assumido com o povo
português no decorrer da campanha eleitoral, apresenta formalmente na Assembleia da
República uma proposta de renegociação da dívida pública articulada com outras medidas
visando o crescimento económico, a criação de emprego, a defesa dos interesses e da
soberania nacional.
Um país endividado – consequência inevitável de uma política de abdicação dos interesses
nacionais
Como há muito o PCP vem denunciando, o endividamento externo líquido do país é uma das
consequências mais visíveis da política de desastre nacional que PS, PSD e CDS impuseram nos
últimos 35 anos. Um endividamento líquido público e privado, que assume hoje a colossal
dimensão de mais de 107.4% do PIB e que é no fundamental consequência de um processo de
desindustrialização, de abandono do aparelho produtivo, de privatizações, de financeirização
da economia, de submissão às imposições da UE e ao grande capital nacional e estrangeiro.
Um processo que, tendo estas causas estruturais, que radicam na natureza do capitalismo e do
processo de integração na UE, se acentuou de forma exponencial por via da adesão ao euro e
mais recentemente, da accão que, no quadro do agravamento da crise do capitalismo, a partir
de 2008 transferiu para os Estados e para os povos prejuízos colossais do sector financeiro.
Situacao que foi ainda acompanhada por uma criminosa espiral especulativa, com o disparar
das taxas de juro cobradas aos Estados, que a par dos programas ditos de austeridade
conduziram a um dramático agravamento da situação social e económica do nosso país.
Uma dívida que resultou e se agravou, não por causa de um povo “a viver acima das suas
possibilidades”, mas por causa de um processo de aprofundamento da dependência externa e
de subordinação aos grupos económicos e financeiros. Com o endividamento do país
ganharam aqueles que nos impuseram a liquidação do aparelho produtivo – de que são
exemplos a França e a Alemanha - e a quem passámos a comprar aquilo que o país deixou
entretanto de produzir; ganharam os banqueiros, a quem o Estado limpou prejuízos (como no
BPP e no BPN) e adiantou garantias, transformando dívida privada em dívida pública,
distribuindo depois os respectivos sacrifícios pelos trabalhadores e o povo; ganharam e
ganham os bancos da Alemanha, da Inglaterra, da Espanha, da França e também de Portugal,
que de forma escandalosa se financiaram junto do BCE a taxas de juro pouco superiores a 1%,
para depois adquirirem dívida pública cobrando 6%, 7% e até 8% ao Estado Português.
Uma dívida que nas suas diferentes dimensões e responsabilidades, e no processo que lhe
esteve na origem – destruição do aparelho produtivo; especulação e agiotagem; transferência
de dívida do grande capital para o Estado responsabilizando o povo português por ela;
inaceitável aproveitamento das crescentes fragilidades e dependência do país - tem uma
componente opaca e ilegítima que necessita de ser apurada, para que se avalie de facto o que
é da responsabilidade do Estado português.
Programa de submissão e agressão externa – O caminho para o desastre
O programa de submissão e agressão externa que está em curso e que tem associado um
empréstimo de 78 mil milhões de euros, negociado pelo Governo PS e subscrito pelo PSD e
CDS/PP (que agora no governo se preparam para o concretizar), não constitui uma solução
para os problemas do país, antes um factor do seu dramático agravamento.
Um programa a todos os níveis inaceitável quer pelo conjunto de medidas que pretende impor
– agravamento da exploração dos trabalhadores, diminuição dos rendimentos da população,
aumento generalizado de impostos e dos preços, cortes nos serviços e investimento público,
privatizações, apoios para a banca e grupos económicos - quer porque é insustentável do
ponto de vista económico, face às taxas de juro e prazos previstos (que envolverão mais de 30
mil milhões de euros a suportar em apenas 7 anos) e às suas consequências na economia
portuguesa, implicando uma prolongada recessão económica, o disparar do desemprego para
níveis insustentáveis e a não resolução da própria questão da dívida pública.
Um programa que apenas serve os interesses dos grandes credores da dívida pública – bancos
espanhóis, alemães, franceses, holandeses, e o sector financeiro português – com o seu
pagamento e recapitalização dos bancos suportado pelos cortes nos rendimentos directos
(salários) e indirectos (prestações sociais e serviços públicos) dos trabalhadores e do povo.
Um programa que viola a independência e soberania nacionais, que acentuará a dependência
e fragilidades estruturais do País designadamente com as privatizações, o desmantelamento
de estruturas e serviços do Estado e com a imposição da perda de importantes instrumentos
de política pública económica. Um programa que em confronto com a Constituição da
República, colocará em causa a soberania e o regime democrático aí consagrados.
Um programa que PSD, CDS e PS assumiram com a Troika para agora liquidarem direitos e
conquistas democráticas e concretizarem velhas aspirações dos grupos económicos nacionais
como a alteração da legislação laboral e da própria Constituicão da República. Um programa
que é assumido no quadro da União Europeia, ao mesmo tempo que esta, por via do BCE,
eleva as taxas de juro e promove uma política de valorização do Euro que é desastrosa para o
nosso país.
Um programa em tudo semelhante ao que foi aplicado na Grécia e na Irlanda – na linha de
processos de autêntica recolonização - com as consequências que são hoje visíveis na situação
de recessão e estrangulamento económico, rapina dos seus recursos, perda de soberania,
agravamento vertiginoso da pobreza e do desemprego e que é, já hoje, insuficiente para
responder aos interesses do grande capital, estando em curso “novas medidas de austeridade”
e processos de reestruturação das próprias dívidas em condições inaceitáveis para os
respectivos povos.
Renegociar a dívida pública, defender a produção nacional – no rumo patriótico e de
esquerda que o país precisa
O caminho da renegociação da dívida pública e de defesa da produção nacional não é uma
solução fácil, livre de dificuldades e constrangimentos, mas é aquela que, em vez de defender
os interesses do capital, assume o compromisso com as necessidades dos trabalhadores do
povo e do país.
Longe de constituir uma medida isolada, a renegociação da dívida pública nos seus prazos,
juros e montantes, é a opção por um caminho que tem na defesa da produção nacional, na
diminuição da dependência externa, na elevação dos salários e das pensões, no equilíbrio
sustentado das contas públicas, na promoção do emprego, na acção convergente com outros
países, na diversificação das fontes de financiamento, uma opção de ruptura e mudança com o
actual rumo.
Não sendo um caminho isento de dificuldades, a renegociação da dívida deve ser encetada
com urgência e constitui um imperativo nacional a ser concretizado sob controlo do Estado
Português e não por iniciativa e conveniências dos credores internacionais. A renegociação da
dívida, feita de imediato e por iniciativa nacional, não iludindo constrangimentos afasta,
porém, o País, o povo e os trabalhadores das terríveis consequências de novos e ainda mais
destruidores programas de austeridade associados a planos de reestruturação da dívida feitos
à medida dos interesses da especulação financeira.
Uma decisão, esta sim, inevitável, tanto mais útil quanto se realize – como defendemos - antes
do rasto de destruição que as “medidas de austeridade” provocam; uma decisão inevitável que
as grandes potencias da União Europeia, o BCE e o FMI querem adiar para dar tempo à banca
europeia à alienação das dívidas de países como Portugal. Um processo de renegociação que
terá inevitavelmente de envolver custos também para os credores e que não recusa o debate
que está em curso em torno das consequências da integração no Euro e na União Económica e
Monetária.
Um processo de renegociação que, ao contrário do rumo de desastre que os partidos do pacto
de submissão e agressão querem impor, não só assume o pagamento da dívida e o
cumprimento dos compromissos legítimos, como o quer compatível com uma estratégia
sustentável de estabilização financeira, só possível através da concretização de políticas de
crescimento económico, de reforço do investimento produtivo, de criação de emprego e de
promoção do equilíbrio das contas públicas.
Assim, a Assembleia da República recomenda ao Governo:
1. Renegociação imediata da dívida pública com os credores do Estado português que deve
ser formalmente solicitada pelo Governo no prazo máximo de trinta dias e que deve
assegurar as seguintes condições:
(i) A realização prévia de uma avaliação formal, completa e rigorosa da dimensão da dívida,
identificando a sua origem e processo, bem como, a natureza e tipo de credores, e a
determinação da sua previsível evolução, com e sem renegociação, a levar a efeito, no prazo
máximo de quinze dias, pelo Ministério das Finanças em conjunto com o Banco de Portugal,
com a apresentação dos resultados à Assembleia da República;
(ii) Um serviço da dívida que, pela renegociação dos seus montantes, prazos e taxas de juro,
seja compatível com um crescimento económico pelo menos da ordem dos 3%, admitindo
para o efeito a determinação de um período de carência a definir e a indexação do valor dos
juros a pagar anualmente com esse serviço da dívida, a uma percentagem das exportações
anuais previamente fixada;
(iii) A salvaguarda da parte da dívida dos pequenos aforradores - certificados de aforro e
certificados do Tesouro - (dívida dita não transaccionável) e daquela que está na posse do
sector público administrativo e empresarial do Estado, que não será assim objecto da
renegociação, assegurando-lhes o cumprimento das condições contratadas;
(iv) A garantia da liquidez do Estado português na assumpção dos seus compromissos e
obrigações de curto prazo, através de soluções como a transformação de títulos detidos por
instituições públicas aplicados no estrangeiro em obrigações e títulos de dívida.
(v) No âmbito do empréstimo do FMI e da UE, recusando qualquer tipo de ingerências ou
imposições políticas, a reconsideração dos prazos, das taxas de juro e dos montantes.
2. Ofensiva diplomática e negocial:
Uma forte iniciativa política do Estado português que recuse a submissão do país aos
interesses das grandes potências da UE e do grande capital e afirme a defesa intransigente dos
interesses e da soberania nacional com:
(i) A intervenção junto de outros países que enfrentam problemas similares da dívida pública –
Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica, etc. – visando uma acção convergente neste processo
destinada a barrar a actual espiral especulativa e a construir uma resposta de fundo à situação
de estrangulamento económico e social dos seus países
(ii) a revisão dos estatutos e objectivos do BCE e a assumpção de um papel mais activo do BEI
no apoio ao investimento público;
(iii) a substituição do Pacto de Estabilidade e Crescimento e da Estratégia 2020 por um
programa para o Emprego e o Progresso, com a adopção de medidas que visem o crescimento
económico, a criação de emprego e a melhoria dos salários;
(iv) o questionamento do processo e das consequências para os povos que envolvem o Euro e
a União Económica e Monetária e a política seguida pelo Banco Central Europeu.
3. Diversificação das fontes de financiamento:
Uma política activa de “renacionalização” e de diversificação externa das fontes de
financiamento que inclua:
i) a emissão de dívida pública junto do retalho português, adequadamente remunerada a
curto, médio e longo prazo, retomando no prazo máximo de trinta dias uma reforçada política
de emissão de Certificados de Aforro e do Tesouro, através da criação de condições mais
atractivas à sua aquisição por parte das famílias e que possa incluir a criação de outros
instrumentos vocacionados para a captação de poupança nacional;
ii) o desenvolvimento de relações bilaterais internacionais, na procura de formas mais
vantajosas de financiamento, associada a uma política de diversificação também das relações
comerciais, mutuamente vantajosas, com outros países designadamente de África, Ásia e
América Latina.
4. Reequilíbrio das contas públicas:
A consolidação das finanças públicas, liberta dos constrangimentos do PEC, tendo como
objectivo a sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazos e a articulação da
gestão orçamental com o crescimento económico e o desenvolvimento social deve ser
concretizada face aos problemas de liquidez da Tesouraria Pública no curto prazo, através de
um conjunto de medidas urgentes, do lado das Despesas e do lado das Receitas, entre as
quais:
(i) a reavaliação do conjunto das PPP, a concluir no prazo máximo de trinta dias, envolvendo o
Ministério das Finanças, os ministérios de tutela, o Tribunal de Contas e o Banco de Portugal,
visando, de acordo com o respectivo apuramento, a renegociação ou a cessação de contratos
que se mostrem ruinosos;
(ii) a extinção imediata do conjunto de entidades ditas reguladoras e a inclusão das suas
missões como responsabilidade de departamentos da Administração Central;
(iii) a não renovação dos contratos de serviços externos de estudos e consultadorias em curso
e a proibição total do seu estabelecimento futuro salvo em casos excepcionais e devidamente
fundamentados;
(iv) a cessação das missões das forças armadas portuguesas destacadas no estrangeiro.
(v) a aplicação de uma taxa efectiva de IRC de 25% ao sector financeiro, e a introdução, até
final de Julho, de uma mais justa tributação do património, da taxação em IRC das mais valias
bolsistas alcançadas pelas SGPS, a criação de um imposto sobre as transacções financeiras
registadas em bolsa e a tributação dos capitais colocados em off-shores.
5. Aumento da produção nacional, contendo as importações e fazendo crescer as
exportações:
Uma política de defesa e promoção da produção nacional, produzindo cada vez mais para
dever cada vez menos, com um vasto programa de substituição de importações por produção
em Portugal que implica, entre outras medidas:
(i) o reforço do investimento público virado para o crescimento económico com uma aposta
efectiva na agricultura e nas pescas, a par de um programa de industrialização do país;
(ii) a valorização do mercado interno com o aumento dos salários (incluindo do SMN no plano
imediato para 500€ e das pensões em 25€) e dos rendimentos da população (repondo
prestações sociais entretanto retiradas como o abono de família) a par do combate à
precariedade e ao desemprego;
(iii) a adopção de um quadro de emergência de controlo da entrada de mercadorias em
Portugal e de apoio às exportações.
(iv) a obrigatoriedade de incorporação de uma percentagem de produção nacional nos
produtos vendidos no sector da grande distribuição.
(v) o apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPME) com imposição de preços máximos
dos factores de produção (crédito, seguros, energia, telecomunicações, portagens, etc) e a
disponibilização de financiamento público renegociando o PRODER, o PROMAR e o QREN nos
próximos 60 dias;
(vi) a defesa e reforço do sector empresarial do Estado nos sectores básicos e estratégicos da
economia e a adopção de uma política onde as empresas e instituições públicas – no plano dos
seus investimentos, consumos, parcerias, etc. – privilegiem o aparelho produtivo nacional.
Assembleia da República, 21 de Junho de 2011
Os Deputados,
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Publicação — DAR II série A — 42-46 — 20/07/2011
42 | II Série A - Número: 010 | 20 de Julho de 2011
A renegociação é necessária para evitar a precipitação da bancarrota ou a ameaça da saída da zona euro, que acentuaria a recessão e agravaria a transferência de rendimento do trabalho para o capital que resulta das medidas dos memorandos.
De facto, o juro atribuído a estes créditos é excessivo e impagável, e os prazos são demasiado curtos. O resultado destes contratos será não unicamente a recessão prolongada, o que é aceite e antecipado pelos próprios credores e por quem no Estado português assinou o acordo, mas também a incapacidade de satisfazer as responsabilidades do Estado no futuro imediato, dada a recessão e o aumento do endividamento.
Para salvar a economia e para pagar o que é devido, a renegociação é o único plano razoável para a economia portuguesa.
Essa renegociação deve ser feita no imediato. Se for adiada, as condições serão sempre piores porque a economia portuguesa estará já em recessão prolongada ou em depressão, o que implica menos receitas fiscais, mais despesas ou mais cortes sociais e portanto mais dificuldades para as pessoas.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República recomenda ao Governo que:
1. Proceda a uma renegociação da taxa de juro e dos prazos do empréstimo contraído, de modo a que essas condições sejam, pelo menos, equiparáveis à de outros contratos estabelecidos em condições semelhantes e nunca mais prejudiciais; 2. Negoceie com as instâncias credoras uma condição de tecto para os pagamentos do serviço da dívida de modo a permitir um investimento público que, direccionado para a promoção da criação de emprego, qualificação dos serviços públicos e o apoio a exportações ou substituição de importações, constitua o estímulo necessário para a recuperação da economia de modo a evitar a bancarrota.
Assembleia da República, 20 de Junho de 2011.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda: Francisco Louçã — Luís Fazenda — João Semedo — Mariana Aiveca — Cecília Honório — Catarina Martins — Pedro Filipe Soares — Rita Calvário.
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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 4/XII (1.ª) PELA RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA E PELO DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO NACIONAL
Confrontado com a forte ofensiva especulativa em torno da dívida pública portuguesa, com o processo de extorsão de recursos nacionais, com uma dramática situação social e económica, com o garrote imposto pelo conjunto de credores e com uma política de submissão do País aos seus interesses, o PCP, a 5 de Abril de 2011 avançou com a proposta de se iniciar um processo de imediata renegociação da dívida pública. Um processo que articulado com um conjunto de outras medidas em defesa dos interesses nacionais, constituí uma resposta patriótica e de esquerda ao rumo de desastre nacional que estava a ser imposto.
Recusando esta saída para os problemas da dívida pública e do financiamento do País, PS, PSD e CDS optaram pela persistência na defesa dos interesses dos grupos económicos e financeiros, abrindo as portas a uma intervenção externa do FMI, do BCE e da UE que, pelo seu processo e conteúdo, constitui um programa ilegítimo de submissão e agressão ao povo e ao País que o novo Governo PSD/CDS se prepara para aplicar.
À medida que o tempo passa a exigência da renegociação imediata da dívida pública portuguesa, que o PCP foi pioneiro a propor, seja pelas condições em que o País se encontra, seja pelas consequências que a aplicação do programa da Troika comporta para o povo e para o País (incluindo na capacidade de Portugal fazer face aos seus compromissos externos e necessidades de financiamento), ganha redobrada actualidade e apoios de diversos quadrantes. Neste sentido, o PCP, dando seguimento ao compromisso assumido com o povo português no decorrer da campanha eleitoral, apresenta formalmente na Assembleia da República uma proposta de renegociação da dívida pública articulada com outras medidas visando o crescimento económico, a criação de emprego, a defesa dos interesses e da soberania nacional.
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Apreciação — DAR I série — 21/07/2011
Quinta-feira, 21 de Julho de 2011 I Série — Número 5
XII LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2011-2012)
REUNIÃOPLENÁRIADE20DEJULHODE 2011
Presidente: Ex.ma Sr.ª Maria da Assunção Andrade Esteves
Secretários: Ex.mos
Srs. Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco Rosa Maria da Silva Bastos de Horta Albernaz Abel Lima Baptista
S U M Á R I O
A Sr.ª Presidente declarou aberta a sessão às 15 horas
e 8 minutos. Deu-se conta da entrada na Mesa da proposta de lei n.º
1/XII (1.ª), dos projectos de lei n.os
1 a 16/XII (1.ª) e dos projectos de resolução n.
os 2 a 5 e 7 a 27/XII (1.ª).
Foram aprovados cinco pareceres da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, três autorizando Deputados do PS, do CDS-PP e do PSD a prestarem depoimento em tribunal e dois relativos à substituição de dois Deputados do PSD.
O Sr. Deputado Luís Montenegro (PSD) procedeu à leitura do voto n.º 2/XII (1.ª) — De pesar pelo falecimento da Deputada do PSD Maria José Nogueira Pinto (PSD, PS e CDS-PP), que foi aprovado, após o que a Câmara guardou,
de pé, 1 minuto de silêncio. Foi discutido, tendo sido rejeitado, o projecto de
resolução n.º 4/XII (1.ª) — Pela renegociação da dívida pública e pelo desenvolvimento da produção nacional (PCP), sobre o qual intervieram, a diverso título, os Srs. Deputados Agostinho Lopes (PCP), Cristóvão Crespo (PSD), Hortense Martins (PS), José Luís Ferreira (Os Verdes), Paulo Batista Santos (PSD), João Galamba (PS), João Semedo (BE), Honório Novo (PCP), Fernando Medina (PS), Adolfo Mesquita Nunes e João Pinho de Almeida (CDS-PP), Paulo Sá (PCP), Pedro Filipe Soares (BE), Bernardino Soares (PCP) e Cecília Honório (BE).
A Sr.ª Presidente encerrou a sessão eram 17 horas e 11 minutos.
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