Grupo Parlamentar
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 543/XI/2.ª
RECOMENDA AO GOVERNO A SALVAGUARDA DO ACESSO AO ENSINO
DA MÚSICA
O Ministério da Educação está a denunciar unilateralmente os Contratos Patrocínio
assinados com as escolas que garantem o Ensino Vocacional e Especializado da Música
nas suas diversas modalidades, com efeitos no presente ano lectivo e sem que seja claro
qual a estratégia do Governo para o sector.
A reforma do ensino artístico lançada 2008, sob a tutela de Maria de Lurdes Rodrigues,
propunha-se a democratizar o acesso ao ensino artístico especializado, caracterizando
as actuais escolas públicas de ensino artístico, a rede de conservatórios, como
desadequadas, elitistas e fechadas rejeitando, em particular, o debate que foi suscitado
pelas posições e pelas críticas assumidas por várias escolas de ensino especializado da
música, bem como por pais e alunos dessa mesmas escolas.
O Ministério da Educação afirmou, por diversas vezes, não querer destruir o ensino
especializado da música. De facto, e como alertaram pais, professores e alunos, o
anunciado fim do regime supletivo (forma maioritária de frequência do ensino
especializado da música) conduziria a que muitas das modalidades de formação de
músicos profissionais se tornassem impraticáveis.
O Bloco de Esquerda sempre contestou esta reforma e defendeu a opção pelo reforço do
ensino da música na Escola Pública, alertando para os riscos de destruição da única área
do ensino artístico, o ensino da música, minimamente implantado em Portugal. Segundo
documentos da Agência Nacional para a Qualificação, IP, tornados públicos ainda em
2008, o governo propunha por um lado restringir a oferta pública, impossibilitando o
ingresso de alunos fora da idade escolar e, por outro lado, criar “condições para que as
escolas privadas venham, através de contratos de patrocínio ou de associação, a suprir
as carências da oferta do ensino da música e da dança, na região onde estão inseridas”.
Sucede agora que, na sequência da estagnação da oferta pública de ensino artístico e
sabendo também que a rede de conservatórios públicos está longe de cobrir todo o país,
o governo decidiu rasgar os contratos já fechados com a rede privada de Escolas e
Conservatórios do Ensino Especializado da Música, colocando definitivamente em risco
o ensino da música no nosso país.
As alterações anunciadas nos últimos dias não só contrariam as promessas de
democratização no acesso ao ensino artístico especializado como colocam em causa a
continuidade do acesso ao ensino da música. Por um lado, a maioria das associações que
formam a rede de escolas privadas de ensino especializado de música funciona sem
margem orçamental para se adaptarem a alterações abruptas do seu principal meio de
financiamento, pelo que esta alteração pode determinar o seu encerramento. Por outro
lado, a decisão de financiar o ensino da música através do POPH, um programa se
destina à qualificação da população activa, aparece tão ridícula quanto grave, já que não
só confunde ensino da música com formação profissional como coloca o ensino da
música dependente de um programa que termina em 2013 e, como tal, sem
possibilidade de sobrevivência a prazo.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República
recomende ao Governo que:
1. Cumpra os Contratos de Patrocínio para Ensino Vocacional e Especializado da
Música no ano lectivo de 2010/2011;
2. Não proceda a qualquer alteração ao funcionamento e financiamento do
Ensino Vocacional e Especializado da Música sem assegurar os prazos e
mecanismos necessários à garantia de continuidade no acesso ao ensino da
música.
Assembleia da República, 29 de Março de 2009.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Publicação — DAR II série A — 141-142 — 30/03/2011
141 | II Série A - Número: 116 | 30 de Março de 2011
Assembleia da República, 29 de Março de 2011 As Deputadas e os Deputados do BE: João Semedo — José Manuel Pureza — Mariana Aiveca — Cecília Honório — Jorge Duarte Costa — Pedro Soares — Helena Pinto — Luís Fazenda — Catarina Martins — José Moura Soeiro — José Gusmão — Rita Calvário — Pedro Filipe Soares — Francisco Louçã — Heitor Sousa — Ana Drago.
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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 543/XI (2.ª) RECOMENDA AO GOVERNO A SALVAGUARDA DO ACESSO AO ENSINO DA MÚSICA
O Ministério da Educação está a denunciar unilateralmente os contratos de patrocínio assinados com as escolas que garantem o ensino vocacional e especializado da música nas suas diversas modalidades, com efeitos no presente ano lectivo e sem que seja claro qual a estratégia do Governo para o sector.
A reforma do ensino artístico lançada 2008, sob a tutela de Maria de Lurdes Rodrigues, propunha-se a democratizar o acesso ao ensino artístico especializado, caracterizando as actuais escolas públicas de ensino artístico, a rede de conservatórios, como desadequadas, elitistas e fechadas, rejeitando, em particular, o debate que foi suscitado pelas posições e pelas críticas assumidas por várias escolas de ensino especializado da música, bem como por pais e alunos dessa mesmas escolas.
O Ministério da Educação afirmou, por diversas vezes, não querer destruir o ensino especializado da música. De facto, e como alertaram pais, professores e alunos, o anunciado fim do regime supletivo (forma maioritária de frequência do ensino especializado da música) conduziria a que muitas das modalidades de formação de músicos profissionais se tornassem impraticáveis.
O Bloco de Esquerda sempre contestou esta reforma e defendeu a opção pelo reforço do ensino da música na escola pública, alertando para os riscos de destruição da única área do ensino artístico, o ensino da música, minimamente implantado em Portugal. Segundo documentos da Agência Nacional para a Qualificação, IP, tornados públicos ainda em 2008, o Governo propunha, por um lado, restringir a oferta pública, impossibilitando o ingresso de alunos fora da idade escolar e, por outro, criar «condições para que as escolas privadas venham, através de contratos de patrocínio ou de associação, a suprir as carências da oferta do ensino da música e da dança, na região onde estão inseridas».
Sucede agora que, na sequência da estagnação da oferta pública de ensino artístico e sabendo também que a rede de conservatórios públicos está longe de cobrir todo o País, o Governo decidiu rasgar os contratos já fechados com a rede privada de escolas e conservatórios do ensino especializado da música, colocando definitivamente em risco o ensino da música no nosso país.
As alterações anunciadas nos últimos dias não só contrariam as promessas de democratização no acesso ao ensino artístico especializado, como colocam em causa a continuidade do acesso ao ensino da música. Por um lado, a maioria das associações que formam a rede de escolas privadas de ensino especializado de música funciona sem margem orçamental para se adaptarem a alterações abruptas do seu principal meio de financiamento, pelo que esta alteração pode determinar o seu encerramento. Por outro, a decisão de financiar o ensino da música através do POPH, um programa se destina à qualificação da população activa, aparece tão ridícula quanto grave, já que não só confunde ensino da música com formação profissional como coloca o ensino da música dependente de um programa que termina em 2013 e, como tal, sem possibilidade de sobrevivência a prazo.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1 — Cumpra os contratos de patrocínio para o ensino vocacional e especializado da música no ano lectivo de 2010/2011; 2 — Não proceda a qualquer alteração ao funcionamento e financiamento do ensino vocacional e especializado da música sem assegurar os prazos e mecanismos necessários à garantia de continuidade no acesso ao ensino da música.