PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 472/XI-2ª
Rejeita o Programa de Estabilidade e Crescimento até 2014 apresentado pelo
Governo e propõe uma política alternativa de desenvolvimento
económico e social
Quando em 1997 foi adoptado o Pacto de Estabilidade e Crescimento, no contexto da
instituição da União Económica e Monetária, o PCP assumiu desde logo uma posição
fortemente crítica, tendo em conta que se tratava de um instrumento assente numa
opção exclusiva da defesa da estabilidade dos preços - em especial através de uma
política de contenção dos salários - e na imposição de uma política orçamental
caracterizada pela imposição de um limite máximo fixo para o défice (cujo valor aliás
nunca foi fundamentado) que, sendo igual para todos os Estados, ignorava as
características de cada economia e as necessidades sociais e de desenvolvimento de
cada povo.
O decurso dos anos veio a provar que o Pacto, bem como os sucessivos Programas
de Estabilidade e Crescimento que concretizaram a sua aplicação, não só foi
altamente prejudicial a economias como a portuguesa, como se traduziu num
instrumento de avanço das privatizações, de transferência crescente de recursos
públicos para o sector privado e em geral de avanço de políticas de direita, incluindo
no plano dos direitos dos trabalhadores e dos direitos sociais.
Sendo evidente a necessidade de considerar o equilíbrio das contas públicas como um
elemento necessário ao nível da política orçamental, isso não pode traduzir-se na
subordinação das necessidades económicas e sociais do país a critérios artificiais de
défice. O equilíbrio das contas públicas atinge-se sim, pelo aumento de recursos
decorrente do crescimento económico, que se traduza em criação de riqueza e
diminuição do desemprego.
Ao longo dos anos os vários PEC tiveram no fundamental o apoio de PS, PSD e CDS,
descontadas as votações divergentes meramente tácticas e sem pôr nunca em causa
o apoio político aos sucessivos documentos. Houve mesmo vários momentos de
subscrição ou votação conjunta de resoluções de apoio. No fundamental, tal como
agora acontece, não há diferenças fundamentais entre PS, PSD e CDS no apoio a
estas medidas.
É essa mesma orientação política que preside à revisão do Programa de Estabilidade
e Crescimento (PEC) até 2013 agora apresentado pelo Governo PS.
A revisão do PEC agora apresentada, nada tem de estabilidade e crescimento para o
nosso país. Antes se trata de um instrumento cujas medidas, se aplicadas, agravariam
ainda mais a dramática situação económica e social em que o país se encontra,
aumentando a sua dependência, o seu atraso e as desigualdades sociais e na
distribuição da riqueza. Não se encontra no documento entregue pelo Governo sequer
uma medida visando o crescimento económico, a criação de emprego, a diminuição
das desigualdades sociais, ou uma maior justiça na distribuição da riqueza.
Acrescentando ou aprofundando medidas para além das já inscritas no documento
apresentado em 2010, o PEC agora apresentado pelo Governo é constituído por um
conjunto de orientações, impostas pelo grande capital e pelas potências dominantes
da União Europeia, fortemente lesivas do interesse nacional. Nos PEC apresentados
em 2010, apoiados pelo PS e pelo PSD, incluíam-se graves orientações, entretanto
em aplicação, como o corte salarial, a diminuição real das pensões e reformas a par
do aumento real da idade de reforma, a destruição de emprego público e a restrição
dos meios disponíveis para os serviços públicos, o corte de prestações sociais como o
abono de família, o subsídio social de desemprego e outras ou um programa de
privatizações em larga escala de empresas públicas essenciais.
O PEC agora apresentado acentua o irresponsável garrote orçamental já antes
previsto, apontando para um défice de 4,6% em 2011, 3% em 2012 e 2% em 2013,
objectivos totalmente contrários à necessidade de crescimento económico e
diminuição do desemprego no nosso país. O PEC agora apresentado não resolverá,
antes agravará, o conjunto dos problemas nacionais.
Avança com a facilitação dos despedimentos, quer pela via da brutal redução das
indemnizações devidas aos trabalhadores, incluindo para os contratos já existentes,
quer pela via da facilitação dos procedimentos que a eles conduzem, designadamente
no plano administrativo e do sistema judicial, medidas que se repercutiriam na
diminuição do valor dos salários e remunerações. Prossegue a par disso o ataque à
contratação colectiva e o alargamento da precariedade dos vínculos laborais.
Adiciona mais cortes aos orçamentos dos serviços e das empresas públicas, o que
significará um agravamento ainda maior das dificuldades do seu funcionamento e até
em muitos casos a sua paralisação efectiva, com dramáticos prejuízos para as
populações, como acontece por exemplo já hoje e cada vez mais na área da saúde.
Consagra a continuação de encerramento de escolas e unidades de saúde, bem como
a diminuição dos transportes públicos.
Avança com o objectivo de novos cortes nas prestações sociais, bem como no
subsídio de desemprego, já totalmente congeladas por um lado e por outro retiradas
ou diminuídas a milhões de portugueses pela aplicação da chamada “condição de
recursos”, desguarnecendo os sectores socialmente mais fragilizados da sociedade e
contribuindo decisivamente para o aumento drástico da pobreza e da exclusão social.
Prolonga o congelamento já em vigor do IAS e perspectiva o corte e a diminuição real
das pensões, incluindo as pensões mínimas. Prevê nova diminuição nas
comparticipações e nos apoios na área da saúde.
Penaliza ainda mais o investimento público, reduzindo as verbas a aplicar na
administração central, no sector empresarial do Estado, nas autarquias e nas regiões,
fomentando ao mesmo tempo a política de privatizações e “concessões”.
Inscreve o agravamento dos impostos sobre o trabalho e sobre as pensões, bem como
o agravamento do IVA em bens alimentares e outros essenciais.
Prevê a liberalização das rendas, a facilitação dos despejos e a “expulsão” dos
inquilinos.
Assume como objectivo a completa liberalização e privatização de diversos sectores,
aplicando as orientações neo-liberais da União Europeia e deixando-os à mercê dos
grandes grupos económicos, com sérios prejuízos para as populações, como
comprovam as situações em que esta política já avançou.
Não só deixa intocáveis os que existem, como considera atribuir ainda mais apoios e
garantias à banca e ao sector financeiro, para além de preparar a entrega ao sector
privado do BPN, já depois de o Estado ter assumido os prejuízos da gestão danosa de
que foi alvo.
Esta revisão do PEC é apresentada no quadro de mais uma ofensiva contra a
soberania nacional em que o Governo, o PSD e o CDS se preparam para aceitar a
perda do controle ou o condicionamento de importantes instrumentos políticos,
económicos e sociais – como é o caso do processo orçamental e do chamado
“semestre europeu” - e para aceitar orientações totalmente contrárias ao interesse
nacional. É neste quadro que se insere o “Pacto para a Competitividade” com as suas
orientações de condicionamento dos salários e diminuição dos direitos dos
trabalhadores, de redução de direitos e despesas com pensões, saúde e prestações
sociais, de imposição legal ou constitucional dos limites para o défice e a dívida
públicos, ou para a redução da margem nacional da política fiscal, designadamente
em relação às empresas.
Entretanto, continua a não haver perspectiva de qualquer intervenção eficaz para
combater a especulação financeira, em concreto no que diz respeito às dívidas
soberanas de alguns países, entre os quais Portugal, mantendo-se o escandaloso
saque de recursos nacionais por via do agravamento dos juros. Aliás as conclusões do
Eurogrupo consagram a subordinação de qualquer apoio aos Estados por parte do
fundo europeu de estabilização financeira, à avaliação e às regras do FMI.
A aplicação das regras do Pacto de Estabilidade e crescimento e dos subsequentes
Programas, contribuíram para a degradação das condições de vida da população
portuguesa, para cercear direitos e aumentar as desigualdades, bem como para
acentuar as debilidades da nossa economia, em divergência há mais de uma década
com a média da União Europeia, debilitando o aparelho produtivo e aumentando a
dependência externa.
A alternativa que se coloca ao país, não é entre este PEC e o FMI. A alternativa que
se coloca é entre as políticas de desastre nacional que nos conduziram à actual
situação e uma ruptura e uma mudança na vida política nacional, que abra caminho a
uma política patriótica e de esquerda que dê resposta aos problemas dos
trabalhadores, do povo e do país.
Assim, tendo em conta as disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, a
Assembleia da República resolve:
A. Rejeitar o Programa de Estabilidade e Crescimento, revisto para o período até
2013, que o Governo apresentou à Assembleia da República;
B. Recomendar ao Governo a adopção de uma política patriótica e de esquerda
de acordo com os seguintes princípios e orientações políticas e orçamentais:
a) Promover uma justa redistribuição da riqueza nacional produzida,
designadamente através do aumento dos salários e das pensões e reformas,
revertendo os cortes já efectuados e rejeitando novas restrições, contribuindo assim
para o aumento do poder de compra, para o combate à pobreza e para a dinamização
da procura interna, factor essencial do crescimento económico;
b) Concretizar de imediato o aumento do salário mínimo nacional para 500€,
apontando um objectivo de crescimento para, pelo menos, 600€ em 2013;
c) Garantir o aumento das pensões e reformas, designadamente um aumento
mínimo para as mais baixas de pelo menos 25€;
d) Defender e reforçar a produção nacional , o apoio ao investimento em fileiras
estratégicas para o desenvolvimento económico e para o combate à nossa
dependência externa, seja no plano agro-alimentar, seja na vertente industrial ou
energética;
e) Promover políticas activas de crédito e fiscais que sustentem a actividade das
micro e pequenas empresas;
f) Dinamizar o investimento público, nomeadamente de pequena e média dimensão
e de proximidade, os investimentos reprodutivos, de suporte à competitividade e em
I&D, e o desenvolvimento da despesa social, nomeadamente na educação, saúde e
protecção social;
g) Reforçar o financiamento de autarquias e regiões, de forma a permitir um maior
apoio às populações e tendo em conta a importância acrescida da actividade do Poder
Local e das Regiões Autónomas para o desenvolvimento local e regional e em
particular para a criação de emprego e para as micro e pequenas empresas;
h) Acelerar a aplicação dos fundos comunitários, recuperando os enormes atrasos
na execução do QREN, PRODER e PROMAR, procedendo a uma profunda revisão
regulamentar dos diversos programas (simplificação, celeridade na apreciação, na
contratação e nos pagamentos) e garantindo que estes recursos públicos disponíveis
possam ser mais e melhor utilizados pelos sectores produtivos e nomeadamente pelas
micro e pequenas empresas;
i) Propor a alteração urgente das regras das comparticipações nacionais para
projectos financiados com fundos comunitários, garantindo uma redução
significativa destas contrapartidas, (do Estado e dos agentes económicos), pelo menos
durante o tempo de execução dos programas de consolidação orçamental, permitindo
assim condições para uma efectiva absorção de fundos comunitários e para uma
plena execução do QREN;
j) Defender um forte sector empresarial do Estado, dinâmico e eficiente, pondo fim
ao processo de privatizações anunciado ou em curso, às chamadas parcerias público-
privadas, travando e revertendo concessões ao sector privado e reafirmando o
interesse nacional do controlo público em sectores estratégicos, designadamente o
sector financeiro;
l) Defender e reforçar os serviços públicos , garantindo o seu financiamento
adequado e o reforço dos recursos humanos disponíveis rejeitando a progressiva
diminuição do número de trabalhadores, travando e revertendo o processo de
sucessivos encerramentos, designadamente na saúde e na educação.
m) Combater eficazmente o desemprego e assegurar um efectivo apoio aos
desempregados, defendendo o emprego público e a prestação de serviços públicos
gerais e universais às populações, e alargando o acesso ao subsídio de desemprego;
n) Combater a precariedade laboral, seja pela forma de contratos a prazo, trabalho
temporário, falsos recibos verdes ou outra forma, garantindo que a um posto de
trabalho permanente corresponde um vínculo permanente;
o) Devolver o acesso às prestações sociais àqueles que delas devem beneficiar,
revertendo o sucessivo corte e retirada de direitos que tem sido aplicado e garantindo
o direito individual a estes apoios;
p) Concretizar uma outra política fiscal, que aumente a tributação sobre os
principais detentores da riqueza e sobre os enormes lucros obtidos pelas grandes
empresas e grupos económicos, bem como sobre as elevadas remunerações dos
seus gestores, em vez do agravamento dos impostos sobre os trabalhadores, os
pensionistas e os reformados ; que alargue a base tributária, combata a economia
paralela, a fraude e a evasão fiscal, que tribute de imediato todas as mais-valias, que
reduza benefícios fiscais em sede de IRC e elimine totalmente os que são usados pela
banca e pelo sector financeiro, (incluindo as respectivas dependências ou agências no
off-shore da Madeira), que crie taxas suplementares sobre os lucros acima de 50
milhões de euros dos grupos económicos e financeiros, que crie uma tributação
especial sobre riqueza, bens de luxo e patrimónios elevados, nomeadamente
mobiliários, que crie um novo imposto sobre transacções bolsistas e transferências
financeiras para off-shores.
q) Garantir preços e custos de bens e serviços essenciais na banca, seguros,
energia, telecomunicações e transportes (portagens e bilhetes ou títulos, incluindo
passes sociais), que assegurem a competitividade da generalidade das micro,
pequenas e médias empresas, designadamente do sector exportador, e da
capacidade aquisitiva das famílias.
r) Reforçar as condições para a promoção da poupança interna como elemento de
redução da dependência externa, facilitando as condições de acesso aos instrumentos
da dívida pública para faixas mais largas da população, designadamente ao nível da
subscrição mínima, bem como melhorando as condições de atractividade para os
aforradores nacionais;
s) Adoptar as medidas de poupança em áreas da despesa pública que não
beneficiam o interesse colectivo, impondo designadamente o limite da remuneração
do Presidente da República a todas as remunerações no sector público, incluindo o
sector empresarial do Estado, eliminando estruturas desnecessárias, designadamente
as criadas para enfraquecer serviços e sectores públicos e para preparar
privatizações, e travando a crescente transferência de recursos públicos para o sector
privado;
t) Adoptar uma iniciativa política do Estado Português junto da União Europeia
que imponha a consideração solidária dos problemas que igualmente afectam outros
Estados-membros, que vise uma estratégia para o crescimento económico e o
emprego conforme com os objectivos comunitários de convergência e coesão
económica e social;
u) Promover a suspensão do Pacto de Estabilidade e Crescimento e a sua
revisão, dando lugar a um novo documento em que os processos de consolidação
das finanças públicas dos Estados-membros sejam instrumentais de políticas de
desenvolvimento económico e social, tenham em atenção a conjuntura económica e
os estádios de desenvolvimento e as necessidades específicas de cada.
v) Definir e propor um novo calendário comunitário para o Programa de
Estabilidade e Crescimento ajustado às necessidades específicas de cada país ,
tendo em conta que percursos e situações diferenciadas devem determinar
programações diversas, objectivos diferentes e tempos de duração próprios, seguindo
e reforçando, neste aspecto, o que já hoje está aliás adoptado ou se anuncia para
alguns Estados-membros, relativamente aos respectivos programas de estabilidade.
x) Adoptar medidas comunitárias extraordinárias e específicas para as trocas
comerciais externas, que permitam a países como Portugal, com problemas graves
de endividamento externo e com riqueza produzida inferior à média comunitária,
penalizar transitoriamente as importações e apoiar de forma acrescida as respectivas
exportações.
Assembleia da República, 22 de Março de 2011
Os Deputados,
BERNARDINO SOARES; ANTÓNIO FILIPE; HONÓRIO NOVO; FRANCISCO LOPES;
JOÃO OLIVEIRA; MIGUEL TIAGO; BRUNO DIAS; PAULA SANTOS; JORGE
MACHADO; JERÓNIMO DE SOUSA; RITA RATO; AGOSTINHO LOPES
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Votação Deliberação — DAR I série — 77-78 — 24/03/2011
77 | I Série - Número: 067 | 24 de Março de 2011
Mas é aqui que a agenda da direita entra em colisão frontal com os portugueses, porque o esforço dos portugueses tem um sentido. Esse esforço serve para Portugal superar esta crise, resolver os seus problemas, equilibrar as contas públicas, garantir condições de financiamento da economia e condições de crescimento económico sustentado. Mas o esforço dos portugueses é também para garantir o futuro da protecção social do Estado; é também para garantir a sustentabilidade e a qualidade dos serviços públicos; é também para defender o Serviço Nacional de Saúde e a escola pública. Não é, como quer a direita, para trocar o Estado social por um Estado mínimo, com serviços públicos apenas para pobres e que seriam sempre pobres serviços públicos!
Aplausos do PS.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: termino. É sempre mais fácil deitar abaixo o trabalho dos outros do que apresentar uma alternativa realmente melhor para o futuro de Portugal. Quis esta coligação negativa tirar o tapete ao País e destruir o trabalho de construção de confiança feito pelo Governo junto das instituições europeias. É a sua escolha.
Protestos do PSD.
Quando amanhã o Governo português comparecer na cimeira europeia, não terá boas notícias para dar.
Nem boas notícias para a União Europeia, nem boas notícias para a moeda única, nem boas notícias para Portugal e para os portugueses.
Mas, como é próprio do nosso sistema de governo democrático, o Governo responde politicamente perante a Assembleia da República e não pode deixar de se submeter à vontade do Parlamento, que hoje vai retirarlhe as condições para governar.
O Governo está aqui com a consciência tranquila de quem teve a determinação e a coragem de lançar, tantas vezes sozinho, um ambicioso movimento de reformas, há muito adiadas, para modernizar o País e enfrentar os bloqueios estruturais ao nosso desenvolvimento. Mas mais: o Governo chega também a este dia com a certeza de, em circunstâncias extraordinariamente difíceis, que um dia serão estudadas nos livros de História, de ter lutado, com todas as suas forças, para defender Portugal.
O Governo aguarda, com serenidade, o veredicto que a soma das vontades partidárias ditará nesta Assembleia. Mas, sobretudo, o Governo confia no julgamento dos portugueses. Porque é nos portugueses que temos razões para ter confiança.
Aplausos do PS, de pé.
O Sr. Presidente: — Sr.as e Srs. Deputados, vamos passar às votações.
Antes de mais, vamos proceder à verificação do quórum, accionando o respectivo mecanismo para o registo electrónico de presenças.
Pausa.
Estão presentes 229 Srs. Deputados (97 do PS, 80 do PSD, 21 do CDS-PP, 16 do BE, 13 do PCP e 2 de Os Verdes), pelo que temos quórum de deliberação.
Começamos por votar o projecto de resolução n.º 472/XI (2.ª) — Rejeita o Programa de Estabilidade e Crescimento até 2014 apresentado pelo Governo e propõe uma política alternativa de desenvolvimento económico e social (PCP).
O Grupo Parlamentar do CDS-PP solicitou que os pontos A e B do projecto de resolução sejam votados separadamente.
Assim sendo, vamos votar o ponto A do projecto de resolução n.º 472/XI (2.ª), apresentado pelo PCP.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP, do BE, do PCP e de Os Verdes e votos contra do PS.
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Publicação — DAR II série A — 63-67 — 24/03/2011
63 | II Série A - Número: 111 | 24 de Março de 2011
De igual modo, também a utilização de frente e verso do papel é uma medida que permitirá poupar quantidades significativas de papel — na ordem dos 40% — pelo que sempre que possível, os documentos devem ser fotocopiados e impressos em ambos os lados da folha.
Ora, considerando a necessidade e urgência de agir em prol da sustentabilidade e de um consumo responsável, o sector público, nos seus vários serviços, tem particulares responsabilidades na crescente aplicação de boas práticas ambientais nas suas actividades, sendo um modelo de referência junto de outras instituições e cidadãos.
Perante este cenário, é possível e premente evitar e/ou reduzir os impactos ambientais decorrentes das actividades do sector público, através da generalização da implementação de documentos em formato digital, da adopção de papel reciclado e da utilização de frente e verso.
Assim, o Grupo Parlamentar ―Os Verdes‖ propõe, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1 — Adopte medidas com vista à progressiva implementação de documentos em formato digital no sector público, sem quaisquer prejuízos para quem necessite de aceder aos mesmos; 2 — Adopte medidas no sentido da utilização de papel reciclado e à utilização de frente e verso, sempre que o recurso ao formato digital no sector público se mostre desadequado; 3 — Proceda a uma vasta campanha de informação e sensibilização junto dos diversos serviços do sector público, explicando a necessidade e as vantagens da implementação das referidas medidas. Assembleia da República, 21 de Março de 2011.
Os Deputados do Os Verdes: José Luís Ferreira — Heloísa Apolónia.
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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 472/XI (2.ª) REJEITA O PROGRAMA DE ESTABILIDADE E CRESCIMENTO ATÉ 2014 APRESENTADO PELO GOVERNO E PROPÕE UMA POLÍTICA ALTERNATIVA DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL
Quando em 1997 foi adoptado o Pacto de Estabilidade e Crescimento, no contexto da instituição da União Económica e Monetária, o PCP assumiu desde logo uma posição fortemente crítica, tendo em conta que se tratava de um instrumento assente numa opção exclusiva da defesa da estabilidade dos preços — em especial através de uma política de contenção dos salários — e na imposição de uma política orçamental caracterizada pela imposição de um limite máximo fixo para o défice (cujo valor aliás nunca foi fundamentado) que, sendo igual para todos os Estados, ignorava as características de cada economia e as necessidades sociais e de desenvolvimento de cada povo.
O decurso dos anos veio a provar que o Pacto, bem como os sucessivos Programas de Estabilidade e Crescimento que concretizaram a sua aplicação, não só foi altamente prejudicial a economias como a portuguesa, como se traduziu num instrumento de avanço das privatizações, de transferência crescente de recursos públicos para o sector privado e em geral de avanço de políticas de direita, incluindo no plano dos direitos dos trabalhadores e dos direitos sociais.
Sendo evidente a necessidade de considerar o equilíbrio das contas públicas como um elemento necessário ao nível da política orçamental, isso não pode traduzir-se na subordinação das necessidades económicas e sociais do país a critérios artificiais de défice. O equilíbrio das contas públicas atinge-se sim, pelo aumento de recursos decorrente do crescimento económico, que se traduza em criação de riqueza e diminuição do desemprego.
Ao longo dos anos os vários PEC tiveram no fundamental o apoio de PS, PSD e CDS, descontadas as votações divergentes meramente tácticas e sem pôr nunca em causa o apoio político aos sucessivos documentos. Houve mesmo vários momentos de subscrição ou votação conjunta de resoluções de apoio. No
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