PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 92/XI (1.ª)
Que rejeita o Programa de Estabilidade e Crescimento para o Período
2010 – 2013 e recomenda ao Governo que adopte uma política orientada
para a defesa do interesse nacional, o crescimento económico e a
convergência real, o combate ao desemprego e à pobreza, a qualidade
dos serviços públicos, a justiça e equidade fiscais, o combate ao
endividamento externo e o controlo das contas públicas
1.Enquadramento
O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que o Governo apresentou
para o período 2010 a 2013 foi elaborado em estrita obediência aos valores
nominais de défice orçamental (3%) e de dívida pública (60%) impostos no
designado Pacto de Estabilidade. Não espanta, por isso, que o PEC não tenha
em conta a realidade da actual conjuntura económica e social, não atenda às
condições próprias e às dificuldades específicas do País, à sua dependência
externa, ao baixo nível relativo da riqueza produzida, às nossas debilidades
infra-estruturais ou às insuficiências nacionais no plano das qualificações e
competências.
Não espanta, por isso também, que o PEC apresentado pelo Governo, apesar
de se intitular de “crescimento”, não apresente uma visão estratégica para o
crescimento económico do País, não configure uma estratégia de
desenvolvimento sustentável nem sequer tenha entre os seus objectivos
mínimos o de retomar o processo de convergência real com a média
comunitária, da qual, (com a excepção de 2009, ano de generalizada recessão
económica), Portugal diverge desde o início do século.
No seu Programa de Estabilidade e Crescimento, o Governo coloca os
interesses do País, dos trabalhadores e da esmagadora maioria dos
portugueses, das micro pequenas e médias empresas na completa
dependência da redução, a qualquer preço, do défice orçamental para valores
inferiores a 3%.
Em vez de apresentar um PEC que, (partindo do crescimento económico e do
investimento, do combate ao desemprego, do reforço da capacidade produtiva
instalada, da substituição de importações por produção própria, da valorização
e qualificação dos portugueses, do crescimento do poder de compra de
salários e pensões, do combate à evasão fiscal e da introdução de importantes
ganhos no plano da equidade e justiça fiscal), tivesse como consequência final
o natural crescimento das receitas e a desejável consolidação das contas
públicas, nomeadamente valores adequados do défice orçamental e da dívida
pública, o Governo faz exactamente o contrário.
Assim, para o Governo e para o seu PEC, o controle do défice orçamental e da
dívida pública constituem-se como objectivos/obsessões em si mesmos. Para o
PEC nada importa, o preocupante nível do desemprego, a destruição massiva
de emprego público e consequente degradação de serviços públicos, a
sistemática e generalizada perda de poder de compra dos trabalhadores e
funcionários públicos, a situação cada vez mais difícil de centenas de milhares
de reformados e pensionistas, a existência de níveis crescentes e
insustentáveis de pobreza, incontornáveis consequências de cortes
sistemáticos no investimento público e de políticas económicas que têm
destruído capacidades produtivas, fazendo disparar importações, o défice da
balança comercial e a nossa dependência externa.
Um Governo que apresenta um Programa, dito de “estabilidade e crescimento”,
e prevê que nos próximos 4 anos quase um em cada dez portugueses em
idade activa estará desempregado – “9,8% em 2010, 9,8% em 2011, 9,5% em
2012 e 9,3% em 2013” – está na realidade a anunciar o desastre económico e
social do País.
O PEC constitui, por tudo isto, uma rendição sem condições aos ditames dos
mercados financeiros/agências de rating e uma subserviência vergonhosa aos
recados de Bruxelas, comandados pelo grande capital europeu e pelo
Directório das grandes potências.
Por tudo isto também, o Programa de Estabilidade e Crescimento tem, mesmo
junto daqueles a quem quer servir, credibilidade diminuta! Será difícil alguém
acreditar que possa ser possível passar de 9,3% de défice em 2009 para 2,8%
em 2013!
Mas se a credibilidade do PEC está longe do recomendável, mesmo junto dos
designados especialistas, a sua credibilidade é zero junto dos trabalhadores e
do povo português, que não deixarão de se opor e lutar com todas as suas
forças contra o desastre social que na verdade tal Programa anuncia!
É por isto mesmo que o PCP tem dito, justificadamente, que este PEC, ao
invés de assegurar estabilidade e crescimento para Portugal, é uma autêntico
programa de instabilidade social e de estagnação ou recessão económica.
2. O reforço das velhas “receitas” orçamentais
O Programa de Estabilidade e Crescimento propõe um congelamento dos
salários reais que se irá transformar num permanente corte salarial, com
perdas sucessivas de poder de compra impostas por taxas de inflação
sistemática e intencionalmente subestimadas, repetindo e agravando tudo o
que aliás já ocorreu na última década, com a isolada excepção do ano eleitoral
de 2009. O que o PEC propõe para os trabalhadores da Administração Pública
funcionará, como sempre tem acontecido, como referencial para os
trabalhadores do sector privado. Aliás, o PEC não se limita a impor um
congelamento salarial para a Administração Pública, recomenda igualmente o
mesmo tipo de contenção salarial para o sector privado.
Depois do aumento da penalização do valor das reformas antecipadas e dos
prejuízos resultantes das novas formas de cálculo do valor das pensões na
Administração Pública, impostos no Orçamento do Estado para 2010 com a
cumplicidade do PSD e do CDS-PP, o Programa de Estabilidade e
Crescimento anuncia agora o aumento da idade da reforma da Administração
Pública, dos 62,5 anos para os 65 anos, rompendo mais uma vez acordos
assinados e levando milhares de trabalhadores a antecipar a sua saída da vida
activa para não serem ainda mais penalizados.
O Programa de Estabilidade e Crescimento anuncia a continuação das políticas
de destruição do emprego no sector público, que inevitavelmente se traduzirá
em mais acentuada degradação e encarecimento dos serviços públicos, até
que, não tendo estes a possibilidade de servir a população, se venha a impor a
“falsa necessidade” de privatizar funções essenciais do Estado, como há muito
reclamam PSD e o CDS. O Governo insiste na aplicação da regra da
substituição de dois trabalhadores por apenas uma nova admissão, mas admite
desde já agravar ainda mais a situação, passando para uma regra de três
saídas por cada nova entrada.
O P.E.C vai impor novos e dramáticos cortes nas prestações sociais, sejam
estas resultantes de regimes não contributivos ou tendo por base contribuições
normais para a Segurança Social. Prestações como o abono de família ou o
complemento solidário para idosos vão permanecer congeladas até 2013, o
subsídio social de desemprego vai sofrer cortes brutais, tal como as verbas do
rendimento social de inserção, sem qualquer atenção ou consideração pela
real evolução dos níveis de pobreza. Cedendo totalmente ao
populismo mais reaccionário, o Governo do PS quer fixar no PEC tectos
financeiros para o exercício de direitos sociais, como se, por exemplo, fosse
aceitável ou legítimo que alguém não pudesse receber uma dada prestação
social a que tem direito só por já ter sido ultrapassado em dada altura do ano o
respectivo tecto financeiro. Estão igualmente anunciados congelamentos ou
cortes nas prestações sociais que têm por base os descontos directos para a
Segurança Social, que poderão atingir o subsídio de doença e de doença
profissional, o subsídio de maternidade e de paternidade, as pensões de
invalidez e de velhice, para além das alterações anunciadas no PEC do valor e
das condições de acesso ou manutenção do subsídio de desemprego,
cinicamente anunciadas como “visando promover um mais rápido regresso à
vida activa”.
O Programa de Estabilidade e Crescimento anuncia novos cortes no
investimento público, e, esclarecendo que apenas se fará um adiamento de 2
anos no calendário na Alta Velocidade (Lisboa/Porto e Porto/Vigo), é de
concluir que eles vão ocorrer com os investimentos públicos de pequena e
média dimensão de proximidade, com repercussão no crescimento do emprego
mais positiva e segura. Independentemente da sua natureza e localização, é
absolutamente preocupante para o futuro do País e para a superação dos
défices nacionais, sejam eles nas infra-estruturas ou nas qualificações dos
recursos humanos, que este Governo e o seu PEC pretendam colocar o peso
do investimento público na economia ao nível mais baixo desde pelo menos
1977, (de 2,7% do PIB em 2009 até 2% do PIB em 2013), último ano com
dados acessíveis sobre esta matéria. Esta preocupação estende-se aos níveis
de execução das verbas do QREN que, não obstante apresentarem hoje níveis
quase indigentes, podem vir a ser definitivamente comprometidas pela
exiguidade de disponibilidades financeiras destinadas a assegurar os
indispensáveis valores de comparticipação nacional, facto que é ainda
agravado no PEC com o anúncio de endividamento líquido nulo na
administração local e regional.
Apesar de ainda recentes, longe parecem estar os tempos de campanha
eleitoral em que o Primeiro-Ministro anunciava um “futuro radioso” feito de
obras públicas, grandes e pequenas, marca distintiva de diferenciação entre a
esquerda, (supostamente a sua), e a direita.
O Programa de Estabilidade e Crescimento anuncia um plano de privatizações
até 2013 envolvendo receitas estimadas em seis mil milhões de euros,
referindo a intenção de alienar 17 empresas de capital total ou parcialmente
público. Deste modo, o Governo e o seu PEC vão para lá de tudo o que algum
dia tinham admitido na REN, EDP, GALP, TAP INAPA e ANA, juntando agora
os CTT, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o BPN, empresas sob tutela
da CGD, (como as Seguradoras Império/Bonança e Fidelidade/Mundial), a CP
Carga e a EMEF, parte substancial de empresas que o Estado detém na área
da Defesa (Edisoft, software de equipamentos de defesa, EID, sistemas de
comunicações militares, e a Empordef Tecnologias de Informação), propondo a
eliminação de qualquer resquício da presença do Estado em empresas -
algumas delas monopólios naturais – estruturantes do território e estratégicas
para o País, cujo domínio vai seguramente ser entregue ao capital estrangeiro.
O Programa de Estabilidade e Crescimento anuncia desde já,
(independentemente do que suceda aos valores da inflação ou do que seja
adequado ou imprescindível para ajudar a competitividade das pequenas
empresas e a subsistência das famílias), generalizados e inaceitáveis
aumentos de preços nos transportes, dificultando assim a mobilidade de
pessoas e de mercadorias. A anunciada introdução de portagens em várias
SCUTs, (para além da A28, da A41 e da A29, ligações para Norte, Este e Sul
do Porto, que o Governo quer portajar já em 2010), a par da anunciada
diminuição dos valores, (já de si escandalosamente insuficientes), das
indemnizações compensatórias a atribuir a empresas públicas de transporte
pelo serviço público que prestam às populações, vai determinar
inexoravelmente um agravamento dos preços dos transportes públicos e dos
encargos empresariais com as deslocações que se irão reflectir em
agravamentos significativos do custo de vida.
O Programa de Estabilidade e Crescimento, que à semelhança do que sucedeu
no OE/2010, vai ter seguramente o apoio global ou parcial da direita
parlamentar, (não obstante algum estardalhaço mediático), penaliza fortemente
os trabalhadores, os reformados, as micro, pequenas e médias empresas, os
sectores produtivos e serviços públicos essenciais, na saúde, na educação, na
segurança social, na justiça!
O Programa de Estabilidade e Crescimento e o Governo falam de “distribuição
equitativa do esforço de consolidação orçamental”. Para isso, o Governo
recorre mais uma vez ao anúncio da “tributação das mais-valias mobiliárias”
que consta do Programa de Governo do PS há cerca de uma década. Este
anúncio é feito poucos dias depois do Governo ter recusado, pela enésima vez,
a proposta do PCP para a respectiva inscrição no OE/2010, não fixando
qualquer data para a sua concretização e depois de ter sido já objecto de uma
advertência do Ministro das Finanças, que “só permitirá a sua introdução
quando (e se) os mercados o permitirem”!
O que se anuncia para os mais ricos e poderosos é a introdução de um novo
escalão do IRS (de 45%), verdadeira “peninha no chapéu” de quem não toca
de facto e em profundidade nos rendimentos e lucros do grande capital! É que
o Governo não diz uma única palavra neste PEC sobre a tributação em IRC
dos grandes grupos financeiros e empresariais, não avança uma só medida
para eliminar benefícios fiscais ou conter deduções à colecta em sede de IRC,
não propõe rigorosamente nada sobre a introdução de uma qualquer taxa,
extraordinária que fosse, aplicável aos lucros imensos do sector bancário e
financeiro e de alguns grupos económicos.
Noutro plano, porém, o PEC propõe aquele que pode ser o maior agravamento
da carga fiscal das últimas décadas e que se irá traduzir numa nova
penalização de centenas de milhares de portugueses de rendimentos médios e
da generalidade dos reformados que irão todos pagar mais de IRS. O PEC
propõe o congelamento por muitos e muitos anos, bem para além de 2013, do
valor da dedução específica para a determinação da matéria colectável em
IRS, hoje fixada em 72% do salário mínimo nacional vezes doze, (até que o
valor actual - 419,22 € - do Indexante de Apoios Sociais, que o PEC congela
até 2013, atinja o valor do salário mínimo nacional de 2010 – 475 €).
Esta medida vai penalizar por igual todos os escalões do IRS, sendo que os
efeitos mais injustos vão objectivamente recair sobre os rendimentos dos
escalões inferiores, incluindo os dois primeiros que o Governo tem anunciado,
faltando à verdade, não irem ser afectados pelas medidas de agravamento da
carga fiscal incluídas no PEC. Outro tanto irá igualmente suceder com as
pensões superiores a 1608 euros mensais que irão sofrer um agravamento da
carga fiscal pela redução, também anunciado, da respectiva dedução
específica. Para além deste injusto agravamento da carga fiscal, o PEC impõe
a limitação das deduções à colecta com despesas de saúde, educação e
habitação, o que, pelos escalões de rendimento abrangidos, se vai traduzir
numa nova penalização de milhares de portugueses de rendimentos médios.
3.O PEC não pode hipotecar o futuro do País
O Programa de Estabilidade e Crescimento não responde ao principal défice
estrutural da economia portuguesa, o brutal nível do endividamento externo e
ao principal problema da economia nacional, o brutal e crescente nível de
desemprego.
Como se pode responder a estas questões, travando/contraindo o crescimento
do produto nacional?
Qual será o resultado, inevitável, dos cortes no investimento e despesa pública,
e das restrições no mercado interno provocadas por congelamentos/reduções
salariais e pelos cortes nas prestações sociais?
Qual será o resultado da impotência do Estado pela perda das alavancas que
lhe restam em empresas fornecedoras de bens e serviços essenciais, quer
para as populações, quer como factores de produção no centro da
competitividade do tecido económico?
Qual será o resultado da perda de receitas fiscais decorrentes da anemia
económica, e da perda de receitas não fiscais (dividendos…) pela futura não
participação nos resultados das empresas privatizadas?
Como se pode combater o desemprego com perspectivas de crescimento
económico que, quando muito, atingirão um valor de 1,7% do PIB lá para o ano
de 2013?
É extraordinário que quem envolveu o País numa densa e enredada teia de
dependências e estrangulamentos, institucionais, económicos e financeiros
com a integração capitalista europeia e particularmente com a moeda
única/euro, agora pretenda fazer recair toda a carga de custos da difícil
situação actual sobre os portugueses, à margem da União Europeia! A União
Económica e Monetária, com a moeda única/euro, foi anunciada como o
“guarda-chuva” da economia portuguesa e do Estado português,
resguardando-os, através de uma moeda forte e a solidariedade da zona Euro,
da especulação dos mercados financeiros! Verificamos que, de facto, é essa
âncora a arrastar agora a economia nacional para o naufrágio, pois são as
suas imposições que produzem o PEC, e sem que a nossa presença na Zona
Euro se traduza em qualquer barreira aos movimentos especulativos contra o
Estado e a economia nacional!
A resposta, como o PCP insistentemente tem afirmado, exige uma profunda
ruptura com as políticas de direita responsáveis pela difícil situação que o País
vive. As políticas que conduziram o País ao estado de desemprego, às
profundas desigualdades, às dívidas, aos défices e às dependências. No
quadro da ruptura com políticas de desvalorização do trabalho, de
favorecimento dos monopólios e grupos económicos e financeiros, de
subestimação e desprotecção do mercado interno e de empolamento do papel
do capital estrangeiro e das exportações, a resposta aos principais problemas
económicos e sociais do País, nomeadamente a consolidação das contas
públicas e o desemprego, exige colocar antes o crescimento económico como
objecto central, a par da defesa dos sectores produtivos nacionais, como
motores de um decidido combate ao desemprego.
Pelo que ficou dito, e tendo em conta as disposições regimentais e
constitucionais aplicáveis, a Assembleia da República resolve:
A. Rejeitar o Programa de Estabilidade e Crescimento para o período de
2010 a 2013 que o Governo apresentou à Assembleia da República;
B. Recomendar ao Governo a adopção de uma nova política de acordo
com os seguintes princípios e orientações políticas e orçamentais:
a) Promover uma melhor e mais justa redistribuição da riqueza nacional
produzida, através do aumento dos salários e pensões mais baixos,
contribuindo para o aumento do poder de compra, para o combate
consequente à pobreza e para a dinamização da procura interna, factor
essencial do crescimento económico;
b) Garantir, neste contexto, a existência de um objectivo de crescimento do
salário mínimo nacional para, pelo menos, 600€ em 2013 e o aumento das
pensões mais baixas em pelo menos 25€;
c) Defender e reforçar a produção nacional , o apoio ao investimento em
fileiras estratégicas para o desenvolvimento económico e para o combate à
nossa dependência externa, seja no plano agro-alimentar, seja na vertente
industrial ou energética, e promovendo políticas activas de crédito e fiscais
que sustentem a actividade das micro e pequenas empresas;
d) Dinamizar o investimento público , nomeadamente de pequena e média
dimensão e de proximidade, os investimentos reprodutivos, de suporte à
competitividade e em I&D, e o desenvolvimento da despesa social,
nomeadamente na educação, saúde e protecção social;
e) Acelerar a aplicação dos fundos comunitários, recuperando os enormes
atrasos na execução do QREN, PRODER e PROMAR e uma profunda revisão
regulamentar dos diversos programas (simplificação, celeridade na apreciação,
na contratação e nos pagamentos) de aplicação dos fundos comunitários que
permita que os meios públicos disponíveis possam finalmente ser mais e
melhor utilizados pelos sectores produtivos e nomeadamente pelas micro e
pequenas empresas;
f) Defender um forte sector empresarial do Estado, dinâmico e eficiente,
pondo fim ao processo de privatizações anunciado ou em curso, às chamadas
parcerias público-privadas e reafirmando o interesse nacional do controlo
público em sectores estratégicos, em especial o sector financeiro;
g) Combater eficazmente o desemprego e assegurar um efectivo apoio
aos desempregados, combatendo a precariedade, defendendo o emprego
público e a prestação de serviços públicos gerais e universais às populações, e
alargando o acesso ao subsídio de desemprego;
h) Aprovar uma outra política fiscal, que alargue a base tributária, combata a
economia paralela, a fraude e a evasão fiscal, que tribute de imediato todas as
mais-valias, que reduza benefícios fiscais em sede de IRC e elimine totalmente
os que são usados pela banca e pelo sector financeiro, (incluindo as
respectivas dependências ou agências no off-shore da Madeira), que elimine
benefícios fiscais para as acções resultantes de privatizações, que crie taxas
suplementares (mais 10% da taxa nominal de IRC durante os próximos 3 anos)
sobre os lucros acima de 50 milhões de euros dos grupos económicos e
financeiros, que crie uma tributação especial sobre riqueza e patrimónios
elevados, nomeadamente mobiliários. Uma política fiscal que, em síntese,
determine um esforço suplementar aos detentores da riqueza e patrimónios no
País, que aumente a carga fiscal sobre os enormes lucros obtidos – mesmo em
tempos de crise - pelas grandes empresas e grupos empresariais e que,
simultaneamente, não agrave nem os impostos nem a carga fiscal sobre a
generalidade dos portugueses que trabalham por conta de outrem, muito
menos sobre a generalidade dos reformados e pensionistas;
i) Congelar e/ou reduzir preços e custos de bens e serviços essenciais na
banca, seguros, energia, telecomunicações e transportes (portagens e bilhetes
ou títulos, incluindo passes sociais), assegurando a competitividade da
generalidade das MPMES, designadamente do sector exportador, e da
capacidade aquisitiva das famílias.
j) Adoptar uma iniciativa política do Estado Português junto da União
Europeia que imponha a consideração solidária dos problemas que igualmente
afectam outros Estados-membros, que vise uma Estratégia para o Crescimento
Económico e o Desenvolvimento Sustentável e integre um verdadeiro Pacto
para o Progresso Social e o Emprego conforme com os objectivos comunitários
de convergência e coesão económica e social;
l) Adoptar as iniciativas tendentes a promover uma revisão do Pacto de
Estabilidade e Crescimento, dando lugar a um novo documento em que os
processos de consolidação das finanças públicas dos Estados-membros sejam
instrumentais de políticas de desenvolvimento económico e social, tenham em
atenção a conjuntura económica e os estádios de desenvolvimento e as
necessidades específicas de cada País, não contabilizando no cálculo dos
défices orçamentais dos que apresentem um PIB nacional inferior à média
comunitária as despesas de investimento reprodutivo e de educação e
formação humana.
m) Definir e propor um novo calendário comunitário para o Programa de
Estabilidade e Crescimento ajustado às necessidades específicas de cada
País, tendo em conta que percursos e situações diferenciadas devem
determinar programações diversas, objectivos diferentes e tempos de duração
próprios, seguindo e reforçando, neste aspecto, o que já hoje está aliás
adoptado ou se anuncia para alguns Estados-membros, relativamente aos
respectivos programas de estabilidade.
n) Propor a alteração urgente das regras das comparticipações nacionais
para projectos financiados com fundos comunitários, garantindo uma
redução significativa destas contrapartidas, (do Estado e dos agentes
económicos), pelo menos durante o tempo de execução dos programas de
consolidação orçamental, permitindo assim condições para uma efectiva
absorção de fundos comunitários e para uma plena execução do QREN;
o) Adoptar medidas comunitárias extraordinárias e específicas para as
trocas comerciais externas , que permitam a Países como Portugal, com
problemas graves de endividamento externo e com riqueza produzida inferior à
média comunitária, penalizar transitoriamente as importações e apoiar de forma
acrescida as respectivas exportações.
Assembleia da República, 24 de Março de 2010
Os Deputados,
BERNARDINO SOARES; ANTÓNIO FILIPE; HONÓRIO NOVO; JORGE
MACHADO; BRUNO DIAS; JOÃO OLIVEIRA; AGOSTINHO LOPES; JOSÉ
SOEIRO; JERÓNIMO DE SOUSA; RITA RATO; PAULA SANTOS;
FRANCISCO LOPES
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Publicação — DAR II série A — 63-68 — 24/03/2010
63 | II Série A - Número: 053 | 24 de Março de 2010
implementação de medidas de apoio ao financiamento da economia e às empresas, nomeadamente às de pequena e média dimensão, bem como aos desempregados e às famílias; Reconhecendo que a manutenção de défices elevados e o agravamento do peso da dívida têm implicações negativas na percepção do risco associado ao financiamento dos países em situação de défice excessivo, podendo implicar custos elevados de financiamento e dificuldades no seu fluxo, comprometendo o desenvolvimento da actividade económica; Constatando que a experiência recente comprova que a consolidação das contas públicas é também indispensável para garantir a sustentabilidade das políticas sociais e dos sistemas públicos de protecção social, bem como para assegurar a capacidade de resposta e de apoio do Estado em situações de crise; Considerando que o Programa de Estabilidade e Crescimento para 2010-2013 adopta uma estratégia de consolidação orçamental, que assenta num cenário macroeconómico prudente; Levando em conta a forma como esta estratégia assume as iniciativas de investimento e demais políticas públicas dirigidas à consolidação da retoma económica e à promoção do emprego, bem como à modernização da economia e do Estado, tendo em vista reforçar as condições estruturais de competitividade e de internacionalização da economia portuguesa; Verificando que a forma francamente positiva como foi recebido o Programa de Estabilidade e Crescimento para 2010-2013 pela generalidade das instituições internacionais indicia que a estratégia escolhida reúne condições para contribuir para o reforço da credibilidade internacional do País e para o reforço da confiança na economia portuguesa; Assim, a Assembleia da República, tendo apreciado o Programa de Estabilidade e Crescimento para 20102013, resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, o seguinte:
1 — Apoiar a consolidação orçamental constante do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para 2010-2013, assumindo a necessidade da redução do défice para 2,8% do PIB até 2013 e do controlo do crescimento da dívida pública, bem como da promoção do crescimento sustentado da economia e do emprego e do reforço das condições estruturais de competitividade e de internacionalização da economia portuguesa.
2 — Reconhecer a prioridade conferida à redução da despesa pública, em particular a despesa corrente.
3 — Assumir que o esforço de investimento público e de iniciativa pública a realizar deverá ter em consideração a necessidade de assegurar a sustentabilidade da consolidação orçamental e de controlo do endividamento público e privado e contribuir para o reforço do potencial produtivo do País, a sua modernização e a sua competitividade numa perspectiva de crescimento sustentado.
Assembleia da República, 24 de Março de 2010 Os Deputados do PS: Francisco Assis — Ana Catarina Mendonça Mendes — Paula Barros — Afonso Candal — Celeste Correia — Vitalino Canas.
——— PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 92/XI (1.ª) REJEITA O PROGRAMA DE ESTABILIDADE E CRESCIMENTO PARA O PERÍODO 2010 — 2013 E RECOMENDA AO GOVERNO QUE ADOPTE UMA POLÍTICA ORIENTADA PARA A DEFESA DO INTERESSE NACIONAL, O CRESCIMENTO ECONÓMICO E A CONVERGÊNCIA REAL, O COMBATE AO DESEMPREGO E À POBREZA, A QUALIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS, A JUSTIÇA E EQUIDADE FISCAIS, O COMBATE AO ENDIVIDAMENTO EXTERNO E O CONTROLO DAS CONTAS PÚBLICAS
1 — Enquadramento
O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que o Governo apresentou para o período 2010 a 2013 foi elaborado em estrita obediência aos valores nominais de défice orçamental (3%) e de dívida pública (60%) impostos no designado Pacto de Estabilidade. Não espanta, por isso, que o PEC não tenha em conta a realidade da actual conjuntura económica e social, não atenda às condições próprias e às dificuldades
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Votação Deliberação — DAR I série — 48-48 — 26/03/2010
48 | I Série - Número: 039 | 26 de Março de 2010
Tem a palavra o Sr. Deputado Miguel Frasquilho.
O Sr. Miguel Frasquilho (PSD): — Sr. Presidente, gostaria de anunciar que o Grupo Parlamentar do PSD entregará uma declaração de voto sobre esta matéria.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Paulo Mota Pinto.
O Sr. Paulo Mota Pinto (PSD): — Sr. Presidente, queria anunciar que será apresentada uma declaração de voto, sobre esta matéria, subscrita por mim e pelos Srs. Deputados Joaquim Ponte, Nuno Encarnação, Luísa Roseira, Paulo Cavaleiro, Pedro Saraiva, Francisco Almeida, Pacheco Pereira, José Luís Arnaut, Maria José Nogueira Pinto, Luís Rodrigues, Sérgio Vieira, João Figueiredo, Teresa Santos, Fernando Negrão, Matos Rosa e Jorge Costa.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Rodrigues.
O Sr. Pedro Rodrigues (PSD): — Sr. Presidente, é para anunciar que entregarei na Mesa uma declaração de voto em meu nome e de outros Srs. Deputados do Grupo Parlamentar do PSD.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Marques Júnior.
O Sr. Marques Júnior (PS): — Sr. Presidente, queria anunciar que apresentarei uma declaração de voto sobre esta matéria.
O Sr. Presidente: — Não havendo mais inscrições, vamos votar o projecto de resolução n.º 92/XI (1.ª) — Rejeita o Programa de Estabilidade e Crescimento para o Período 2010-2013 e recomenda ao Governo que adopte uma política orientada para a defesa do interesse nacional, o crescimento económico e a convergência real, o combate ao desemprego e à pobreza, a qualidade dos serviços públicos, a justiça e equidade fiscais, o combate ao endividamento externo e o controlo das conta públicas (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do PSD e do CDS-PP e votos a favor do BE, do PCP e de Os Verdes.
Vamos agora passar às votações regimentais.
Vamos votar o projecto de resolução n.º 81/XI (1.ª) — Deslocação do Presidente da República à República Checa (Presidente da AR).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação, na generalidade, do projecto de lei n.º 21/XI (1.ª) — Altera o regime jurídico de acesso às pensões de invalidez e velhice pelos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio, SA (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP, do BE, do PCP e de Os Verdes e votos contra do PS.
O projecto de lei baixou à 11.ª Comissão.
Vamos agora votar o projecto de lei n.º 17/XI (1.ª) — Altera o regime jurídico de acesso às pensões de invalidez e velhice pelos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio, SA (Os Verdes).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP, do BE, do PCP e de Os Verdes e votos contra do PS.
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