PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº 3/XI
RECOMENDA A SUSPENSÃO DA AVALIAÇÃO DOS DOCENTES DO
ENSINO PÚBLICO NÃO SUPERIOR
A educação, como direito fundamental e constitucionalmente consagrado e como um
dos pilares mais importantes da democracia portuguesa, merece um lugar de destaque
na actividade política nacional. Constituindo o ensino uma das actividades mais nobres
da nossa sociedade, parte fundamental da formação dos cidadãos de amanhã,
compreende-se que o sistema de ensino esteja permanentemente em análise e sob o
olhar, não apenas dos seus actores directos, designadamente os docentes, e dos seus
primeiros interessados, os alunos e suas famílias, mas também dos mais diferentes
sectores da sociedade.
A avaliação aparece assim como algo que, naturalmente, deve fazer parte deste sistema
por forma a acompanhar, permanentemente, os seus efeitos, a sua adequação e eficácia,
nos objectivos que prossegue, e adaptação à realidade do universo escolar e da
sociedade em permanente mutação.
São por de mais conhecidas as muitas insuficiências do nosso sistema de educação e das
nossas escolas que apresentam dificuldades em dar a resposta mais adequada a cada
aluno, a cada turma a cada problema concreto que enfrenta. Falta de condições materiais
em muitas das nossas escolas, quer a nível dos edifícios (com buracos em telhados,
tectos, soalhos e paredes, portas e janelas partidas, má iluminação, deficiências
térmicas, etc.), quer a nível do equipamento (mobiliário, material de escritório,
fotocopiadoras, etc.) quer mesmo a nível de consumíveis (papel de escrita e fotocópias,
papel higiénico, materiais de limpeza, etc.), mas também, e talvez hoje mais do que
nunca, falta de “meios humanos” como são hoje chamados os professores,
administrativos e funcionários de apoio à função docente.
Por isso mesmo, a avaliação da escola pública como um todo (e não um ranking das
escolas) e do ensino faz falta, deve existir e ser transparente e participada, tendo
contudo a noção que esta avaliação implica a correspondente responsabilização por
parte do poder político de dar resposta às necessidades e novas dinâmicas que essa
mesma avaliação vier a revelar.
Contudo, não é esse o caminho que se está a trilhar. Se a real intenção e preocupação
fosse melhorar o actual sistema de ensino, esse seria o caminho a seguir em matéria de
avaliação, mas não foi essa a opção do anterior Governo. O sistema de avaliação de
desempenho docente, que esteve sempre sob fortes críticas de cerca de 2/3 da classe
docente, como ficou demonstrado em duas grandes manifestações nacionais no mesmo
ano, é um modelo de avaliação centrado apenas no professor (esquecendo tudo o mais
que faz o sucesso ou o insucesso da escola pública) cuja única preocupação e finalidade
é impedir a progressão na carreira de milhares de profissionais dedicados que fazem da
escola pública uma realidade todos os dias.
A verdade é que será, provavelmente, na área das pessoas e dos meios humanos,
designadamente a nível de docentes, que a situação de carência é hoje mais complexa
(designadamente quando aumenta o número de alunos e diminui o de professores e
quando a sobrecarga burocrática e administrativa consome o tempo destes últimos que
deveria ser dedicado a preparar o trabalho e as aulas) e onde se encontram as maiores
debilidades para que a escola possa cumprir a sua importantíssima missão: ensinar!
Infelizmente o anterior Governo encetou ao longo da anterior legislatura um processo de
reforma profunda que colocou a tónica num ataque sem precedentes a toda a classe
docente com o único objectivo de reduzir a despesa (fundamentalmente assente nos
meios humanos, simplesmente porque é com pessoas que se constrói a educação!) do
Ministério da Educação. Para tanto aumentou a idade da reforma, deixando de
reconhecer as especificidades da função docente, partiu a carreira docente em dois
(criando a nova categoria dos professores titulares) e criou um sistema de avaliação de
desempenho e de quotas que visa unicamente impedir a progressão, de forma injusta e
quantas vezes absolutamente aleatória, de muitos professores independentemente do seu
trabalho, esforço, ou mérito próprios.
Este sistema de avaliação de desempenho, incrivelmente burocrático, injusto nos seus
princípios, alheio às necessidades educativas dos alunos e das escolas e anti-
pedagógico, que culpabiliza os professores pelo insucesso escolar (que tem sempre
causas bem mais vastas, anteriores e complexas), que impede os professores de se
centrarem no que é importante – o processo de ensino -, indissociavelmente ligada a
outras reformas de ataque à gestão democrática nas escolas e de instrumentalização e de
governamentalização das escolas e do trabalho dos professores, veio, além do mais,
criar uma profunda, extremamente negativa e improdutiva instabilidade no meio
escolar, com óbvios prejuízos para os alunos e para a qualidade do ensino.
O Governo do Partido Socialista não pode continuar, sob pena de uma ruptura social de
consequências graves, a impor unilateralmente uma via que já perdeu toda a
credibilidade e deve, o quanto antes voltar à mesa das negociações com os
representantes da classe docente, mormente as estruturas sindicais, mas de forma
disponível e não na postura irredutível que tem assumido, surda e arrogante, de quem
ouve mas não escuta, fazendo do calendário de reuniões de negociação um mero pró-
forma sem quaisquer consequências práticas.
De resto, foi esta justamente (a avaliação de docentes) uma das matérias que o
secretário- geral do PS, na última campanha eleitoral, assumiu como erro cometido pelo
Governo, reconhecendo a falta de diálogo existente e reconhecendo que, se voltasse
atrás, seria uma das questões em que agiria de forma diversa. É tempo, pois de corrigir
erros.
A escola pública e democrática precisa de outra postura, precisa de um acto de
responsabilidade, seriedade e coragem, que se suspenda o actual modelo de avaliação
para que se impeça a perpetuação de um erro grave e com consequências desastrosas.
Assim, o Partido Ecologista “Os Verdes” propõe que a Assembleia da República
delibere, nos termos do nº5 do Artº.166º da Constituição da República Portuguesa,
recomendar ao Governo:
1. A imediata suspensão do sistema de avaliação do desempenho do pessoal
docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário
regulamentada pelo Decreto Regulamentar nº2/2008 de 10-01;
2. A implementação de uma solução transitória que garanta que nenhum
educador ou professor será prejudicado nos seus direitos profissionais,
designadamente na progressão na carreira;
3. Que encete o processo de negociação com os sindicatos a fim de alterar o
actual modelo de avaliação de desempenho dos docentes.
Assembleia da República, 20 de Outubro de 2009.
Os Deputados,
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Publicação — DAR II série A — 92-93 — 12/11/2009
92 | II Série A - Número: 004 | 12 de Novembro de 2009
Básico e Secundário — Decreto-Lei n.º 15/2007 de 19 de Janeiro —, no prazo máximo de 45 dias a partir da aprovação de presente projecto de resolução; 2 — Uma revisão do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores do Ensino Básico e Secundário no sentido de atender a uma visão global da carreira mais equilibrada, ponderando os efeitos do modelo de avaliação credível a definir até final do presente ano lectivo.
Palácio de São Bento, 15 de Outubro de 2009.
Os Deputados e as Deputadas do BE: Ana Drago — Fernando Rosas — Rita Calvário — Cecília Honório — Helena Pinto — Francisco Louçã — Luís Fazenda — Pedro Soares — Mariana Aiveca — José Gusmão — Catarina Martins — Heitor Sousa — José Manuel Pureza — João Semedo — José Moura Soeiro — Pedro Filipe Soares.
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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 3/XI (1.ª) RECOMENDA A SUSPENSÃO DA AVALIAÇÃO DOS DOCENTES DO ENSINO PÚBLICO NÃO SUPERIOR
A educação, como direito fundamental e constitucionalmente consagrado e como um dos pilares mais importantes da democracia portuguesa, merece um lugar de destaque na actividade política nacional.
Constituindo o ensino uma das actividades mais nobres da nossa sociedade, parte fundamental da formação dos cidadãos de amanhã, compreende-se que o sistema de ensino esteja permanentemente em análise e sob o olhar não apenas dos seus actores directos, designadamente os docentes, e dos seus primeiros interessados, os alunos e suas famílias, mas também dos mais diferentes sectores da sociedade.
A avaliação aparece, assim, como algo que, naturalmente, deve fazer parte deste sistema por forma a acompanhar, permanentemente, os seus efeitos, a sua adequação e eficácia, nos objectivos que prossegue, e adaptação à realidade do universo escolar e da sociedade em permanente mutação.
São por de mais conhecidas as muitas insuficiências do nosso sistema de educação e das nossas escolas que apresentam dificuldades em dar a resposta mais adequada a cada aluno, a cada turma a cada problema concreto que enfrenta. Falta de condições materiais em muitas das nossas escolas, quer a nível dos edifícios (com buracos em telhados, tectos, soalhos e paredes, portas e janelas partidas, má iluminação, deficiências térmicas, etc.), quer a nível do equipamento (mobiliário, material de escritório, fotocopiadoras, etc.), quer mesmo a nível de consumíveis (papel de escrita e fotocópias, papel higiénico, materiais de limpeza, etc.), mas também, e talvez hoje mais do que nunca, falta de «meios humanos» como são hoje chamados os professores, administrativos e funcionários de apoio à função docente.
Por isso mesmo, a avaliação da escola pública como um todo (e não um ranking das escolas) e do ensino faz falta, deve existir e ser transparente e participada, tendo, contudo, a noção de que esta avaliação implica a correspondente responsabilização por parte do poder político de dar resposta às necessidades e novas dinâmicas que essa mesma avaliação vier a revelar.
Contudo, não é esse o caminho que se está a trilhar. Se a real intenção e preocupação fosse melhorar o actual sistema de ensino, esse seria o caminho a seguir em matéria de avaliação, mas não foi essa a opção do anterior governo. O sistema de avaliação de desempenho docente, que esteve sempre sob fortes críticas de cerca de 2/3 da classe docente, como ficou demonstrado em duas grandes manifestações nacionais no mesmo ano, é um modelo de avaliação centrado apenas no professor (esquecendo tudo o mais que faz o sucesso ou o insucesso da escola pública) cuja única preocupação e finalidade é impedir a progressão na carreira de milhares de profissionais dedicados que fazem da escola pública uma realidade todos os dias.
A verdade é que será, provavelmente, na área das pessoas e dos meios humanos, designadamente a nível de docentes, que a situação de carência é hoje mais complexa (designadamente quando aumenta o número de alunos e diminui o de professores e quando a sobrecarga burocrática e administrativa consome o tempo destes últimos que deveria ser dedicado a preparar o trabalho e as aulas) e onde se encontram as maiores debilidades para que a escola possa cumprir a sua importantíssima missão: ensinar!
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Apreciação — DAR I série — 11-69 — 20/11/2009
11 | I Série - Número: 006 | 20 de Novembro de 2009
Temos consciência disso, mas há outro aspecto muito mais importante: a forma de criar emprego, neste momento, em Portugal é com investimento público. Numa altura em que as exportações estão a cair, numa altura em que o consumo privado cai, numa altura em que o investimento privado cai, só com o investimento público se consegue criar emprego. E não é com um investimento público qualquer, é com investimento público que valorize as qualificações. É nisso em que estamos empenhados e é esse o nosso rumo.
Não percebo como é que os senhores continuam a negar que este é o rumo evidente para a economia portuguesa a curto prazo.
Sr.ª Deputada Rita Rato, temos consciência de que as qualificações são importantes para o combate à precariedade, temos absoluta consciência de que um jovem mais qualificado está menos tempo numa situação de precariedade, pelo que algumas das alterações ao Código do Trabalho vêm, no nosso entender, responder exactamente à situação da precariedade: tornou-se mais caro o contrato a prazo; tornou-se mais barato o contrato sem termo; alterou-se o ónus de prova no que diz respeito à prova de existência de contrato de trabalho, protegendo assim o trabalhador. Temos de dar espaço para que estas medidas tenham implementação, mas digo-vos que da parte do Partido Socialista continuaremos empenhados e disponíveis para avaliar propostas.
Infelizmente, o tom destes debates não é um tom de convergência. Foi o tom que trouxemos hoje e que continuaremos a trazer à Assembleia da República.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Sr.as e Srs. Deputados, vamos passar à apreciação conjunta, na generalidade, dos projectos de lei n.os 2/XI (1.ª) — Determina as condições da revisão do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário e as condições da sua realização (PCP), 13/XI (1.ª) — Suspende o processo de avaliação de desempenho de educadores de infância e professores do ensino básico e secundário e cria uma unidade de missão para a elaboração de um novo modelo de avaliação (BE) e 36/XI (1.ª) — Suspensão do modelo de avaliação do desempenho do pessoal docente (CDS-PP), bem como dos projectos de resolução n.os 2/XI (1.ª) — Recomenda ao Governo a abertura imediata do processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente com vista à extinção da divisão entre professores titulares e professores (BE), 3/XI (1.ª) — Recomenda a suspensão da avaliação dos docentes do ensino público não superior (Os Verdes), 9/XI (1.ª) — Sobre a suspensão da avaliação do desempenho do pessoal docente e consequente alteração dos mecanismos de avaliação (CDS-PP), 12/XI (1.ª) — Sobre alteração do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário (CDS-PP) e 14/XI (1.ª) — Recomenda que, no âmbito do processo negocial em curso e no prazo de trinta dias, seja revogada a divisão da carreira docente nas categorias hierarquizadas de «Professor» e «Professor titular» e seja concretizado um novo regime de avaliação do desempenho dos docentes (PSD).
Para fazer a apresentação do projecto de lei n.º 2/XI (1.ª), tem a palavra o Sr. Deputado Miguel Tiago.
O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Estamos hoje, finalmente, perante a possibilidade real e decisiva de iniciar o caminho da pacificação das escolas, da sua valorização e da dignificação da profissão docente. Momento decisivo que só surge como resultado de uma luta persistente dos professores portugueses e pela intervenção do PCP, ao decidir apresentar no primeiro dia de trabalhos parlamentares o projecto de lei que pode, de facto, resolver os problemas mais agudos que hoje são sentidos nas escolas.
A política do anterior governo, marcada pela prepotência e arrogância, mas também por um profundo ataque às características mais fundamentais da Lei de Bases do Sistema Educativo, teve impactos brutais na qualidade do ensino, no ambiente escolar e até, mais directamente, na vida dos professores. Professores que, convocados pela necessidade de levantar uma escola para todos os portugueses depois da revolução democrática de Abril e que, na verdade, a edificaram com o seu próprio esforço e empenho, foram confrontados agora com uma política de afronta, de humilhação e de desvalorização.
Desde o primeiro dia, o PCP demonstrou a sua solidariedade para com a luta desses professores, pois essa é também a luta pela defesa da escola pública, democrática e de qualidade.
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Votação Deliberação — DAR I série — 21/11/2009
Sábado, 21 de Novembro de 2009 I Série — Número 7
XI LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2009-2010)
REUNIÃO PLENÁRIA DE 20 DE NOVEMBRO DE 2009
Presidente: Ex.mo Sr. Jaime José Matos da Gama
Secretários: Ex.mos Srs. Maria Celeste Lopes da Silva Correia
Paulo Jorge Frazão Batista dos Santos
Abel Lima Baptista
Pedro Filipe Gomes Soares
SUMÁRIO O Sr. Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas e 8 minutos.
Deu-se conta da entrada na Mesa da proposta de lei n.º 1/XI (1.ª), dos projectos de lei n.os 48 a 61/XI (1.ª) e da apreciação parlamentar n.º 25/XI (1.ª).
A Câmara procedeu à eleição de membros para o Conselho de Estado e para o Conselho Superior de Defesa Nacional.
Foi apreciado o Decreto-Lei n.º 270/2009, de 30 de Setembro, que procede à Nona Alteração ao Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de Abril, à Terceira Alteração ao DecretoLei n.º 20/2006, de 31 de Janeiro, e à Primeira Alteração ao Decreto-Lei n.º 104/2008, de 24 de Junho [apreciações parlamentares n.os 1/XI (1.ª) (PCP) e 3/XI (1.ª) (BE)].
Intervieram no debate, além do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação (Alexandre Ventura), os Srs. Deputados João Oliveira (PCP), Ana Drago (BE), Emídio Guerreiro (PSD), José Manuel Rodrigues (CDS-PP), Bravo Nico (PS) e Miguel Tiago (PCP).
Procedeu-se à discussão, conjunta e na generalidade, dos projectos de lei n.os 10/XI (1.ª) — Revoga o artigo 148.º da Lei do Orçamento do Estado para 2007, a Lei n.º 53A/2006, de 29 de Dezembro, que cria as taxas moderadoras para o acesso à cirurgia de ambulatório e ao internamento, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) (BE), que foi aprovado, 35/XI (1.ª) — Revoga as taxas moderadoras no internamento e em cirurgias em ambulatório, aplicadas no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (PSD), que foi aprovado, 45/XI (1.ª) — Revoga as taxas moderadoras que não dependem da vontade dos utentes (PCP), que foi rejeitado, e 47/XI (1.ª) — Isenção total de taxas moderadoras nas cirurgias de ambulatório e nos internamentos (CDS-PP), que foi aprovado. Intervieram no debate, a diverso título, incluindo interpelações à Mesa, além do Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares (Jorge Lacão) e do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Saúde (Manuel Pizarro), os Srs. Deputados Pedro Mota Soares (CDS-PP), Bernardino Soares (PCP), João Semedo (BE), Clara Carneiro (PSD), Teresa Caeiro (CDS-PP), Defensor Moura (PS) e Maria José Nogueira Pinto (PSD).
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