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Projecto de Resolução nº 538/X
Recomenda ao Governo a adopção de novas medidas sociais
I
Portugal vive hoje uma situação de crise económica, mas também de crise
social. O agravamento dos fenómenos de exclusão social tem sido uma
realidade dos últimos anos.
Os dados publicados pelo INE sobre o risco de pobreza em Portugal são a
infeliz confirmação desta realidade.
A taxa de risco de pobreza, que nos anos de 2003 a 2005 se reduziu de 20%
para 18% estagnou em 2006. 18% dos portugueses vivem com menos de
€379 por mês. Os idosos continuam a ser o grupo social mais exposto à
pobreza.
A criação do Complemento Solidário de Idosos, não se questionado em teoria
na prática revelou-se insuficiente para combater a desigualdade e pobreza
mais profunda. Sobretudo, ficou muito aquém das promessas feitas pela actual
maioria.
A este fenómeno de pobreza associada à velhice junta-se um novo fenómeno
de exclusão face ao crescimento do desemprego, à subida do endividamento
das famílias e, noutros casos, face à rotura dos laços familiares.
O desemprego tem vindo sistematicamente a crescer nos últimos anos,
atingindo valores a que não eram vistos desde a década de 80. Pela primeira
vez, temos taxas de desemprego superiores às dos nossos parceiros
europeus. Ao mesmo tempo, voltamos a assistir à emigração de portugueses,
quer trabalhadores qualificados, quer trabalhadores indiferenciados, para o
estrangeiro, com especial relevância no caso dos trabalhadores que
semanalmente se deslocam para Espanha para trabalhar na construção civil.
Podemos apresentar vários factores para este atraso. Mas não podemos
esquecer que a responsabilidade primeira é sempre de quem governa, de
quem toma as opções e estabelece prioridades.
O PS que tanto gosta de falar da sua consciência social fica marcado – diz-nos
a frieza dos números – como o Governo em que o combate à pobreza e
desigualdades estagna, em que a situação de vida dos que são mais pobres e
mais desfavorecidos se agrava.
De 2003 a 2005 a primeira prioridade da política social da anterior maioria foi
aumentar as pensões mínimas de reforma, permitindo que quem na altura
recebia menos de €189 fosse aumentado em cerca de €35 em 2 anos. Pouco,
dirão alguns; mas bem acima dos €13 de aumento que o PS concedeu em
igual período de tempo.
Foi aliás com um Governo do PS que, pela primeira vez, as pensões mínimas
aumentaram numa percentagem inferior à do valor da inflação, como sucedeu
em 2008.
É por isso de integral justiça fazer um aumento extraordinário das pensões
mínimas, das pensões sociais e das pensões do regime especial dos
trabalhadores rurais. E até do ponto de vista económico a mesma faz sentido,
considerando que a taxa de propensão para o consumo neste sector da
população é maior, o que significa uma injecção real de liquidez na economia.
Entre a pensão mínima, as pensões sociais, as pensões de invalidez e a
própria pensão abaixo do limiar de pobreza (€379), existem mais de 2 milhões
de Portugueses que, com a nova fórmula de calculo das pensões, tiveram este
ano um aumento de 2,4% , o que não compensa a perda de poder de compra
sucessiva nesta legislatura.
II
Mas existem hoje novos fenómenos de pobreza que não nos podem deixar
indiferentes. Os “novos pobres” são em muitos casos trabalhadores,
portugueses que trabalham 8 horas por dia, 40 horas por semana e que vivem
apenas do seu salário, sem receber qualquer prestação social. Dizem os
mesmos dados que 10% dos portugueses que trabalham estão em risco de
privação.
O desemprego, especialmente nos casos dos trabalhadores menos
qualificados e mais velhos, continua a ser um dos maiores factores de risco
para a pobreza.
Também os menores apresentam taxas de risco de pobreza superiores à
média nacional.
Ao mesmo tempo, aumenta o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. 20%
dos portugueses concentram em si 80% da riqueza nacional.
A mobilidade social, factor distintivo das sociedades que valorizam a ética e o
valor do trabalho, está em risco.
Podemos apresentar vários factores para este atraso. A baixa taxa de
qualificação dos trabalhadores, o défice de actualização no tecido empresarial,
as altas taxas de abandono escolar, o laxismo de um sistema de educação que
não ensina para o mérito e resposta profissional, a baixa taxa de produtividade,
a obesidade de um Estado que gasta metade da riqueza que é produzida no
País.
Os pequenos indicadores que vamos tendo são muito preocupantes. Um
sistema de ensino em que quem falta e não se esforça é tratado de forma igual
a quem trabalha e quer ir mais longe, um sistema fiscal que tributa quem tem
pensões a partir de €470, são exemplos de medidas injustas e sinais no
sentido errado. O próprio facto do Estado discriminar nos apoios que dá
relativamente à construção de equipamentos sociais, torna-se um factor de
dificuldade acrescida para muitas instituições sociais que são o primeiro auxílio
a famílias em necessidade.
É urgente uma ideia condutora, um desígnio, uma esperança, que faça também
da redução da pobreza um objectivo nacional.
Pelo exposto, a Assembleia da República, nos termos da alínea b) do artigo
156.º da Constituição da República Portuguesa, delibera recomendar ao
Governo que adopte as medidas necessárias para alcançar os seguintes
objectivos:
a) Retirar as pensões mínimas, as pensões sociais, as pensões do regime
especial dos trabalhadores rurais e as pensões abaixo da taxa de
pobreza da nova fórmula de cálculo das pensões permitindo, mesmo em
anos de crise, um aumento acima da taxa de inflação;
b) Aumentar extraordinariamente, no ano de 2009, as pensões mínimas, as
pensões sociais e as pensões do regime especial dos trabalhadores
rurais;
c) Revisão do regime de IRS para a tributação de pensões de reforma;
d) Redireccionar os apoios sociais para os grupos de maior risco: idosos,
desempregados e jovens em situação de exclusão social;
e) Reformulação, com alargamento de montantes e extensão de valências,
num dos apoios do Estado à construção, recuperação e requalificação
de equipamentos sociais de combate à pobreza e exclusão;
f) Majoração extraordinária, pelo menos ao longo de 2009, do montante do
Subsidio de Desemprego nos casos em que, no mesmo agregado
familiar, ambos os cônjuges, ou pessoas que vivam em união de facto,
estejam no desemprego;
g) Majoração extraordinária, pelo menos ao longo do ano de 2009, do
montante do Subsidio de Desemprego nos casos em que os
beneficiários da prestação de subsídio de desemprego tenham filhos
portadores de deficiência ou doença crónica, independentemente da
idade, a cargo, desde que o agregado familiar não aufira outros
rendimentos de trabalho;
h) Majoração extraordinária, pelo menos ao longo do ano de 2009, do
período de concessão de prestações de Subsidio de Desemprego;
i) Redução, pelo menos ao longo de 2009, dos prazos de garantia para
concessão de Subsidio de Desemprego dos actuais 450 dias nos últimos
24 meses para 270 dias de trabalho nos últimos 36 meses;
j) Aumento do período de concessão do Subsidio de Desemprego para
jovens com menos de 30 anos para um mínimo 360 dias (contra os
actuais 270 dias da Lei).
Palácio de S. Bento, 13 de Julho de 2009.
Os Deputados,
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Publicação — DAR II série A — 83-85 — 23/07/2009
83 | II Série A - Número: 164 | 23 de Julho de 2009
g) Determine políticas de dividendos específicas, de modo a evitar a utilização da CGD pelo poder político nomeadamente através da excessiva apropriação de resultados com eventuais reflexos na capitalização do banco.
Palácio de S. Bento, 15 de Julho de 2009.
Os Deputados do CDS-PP: Pedro Mota Soares — João Rebelo — Nuno Magalhães — Abel Baptista — Telmo Correia — Hélder Amaral.
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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 538/X (4.ª) RECOMENDA AO GOVERNO A ADOPÇÃO DE NOVAS MEDIDAS SOCIAIS
I
Portugal vive hoje uma situação de crise económica, mas também de crise social. O agravamento dos fenómenos de exclusão social tem sido uma realidade dos últimos anos.
Os dados publicados pelo INE sobre o risco de pobreza em Portugal são a infeliz confirmação desta realidade.
A taxa de risco de pobreza, que nos anos de 2003 a 2005 se reduziu de 20% para 18% estagnou em 2006.
18% dos portugueses vivem com menos de €379 por mês. Os idosos continuam a ser o grupo social mais exposto à pobreza.
A criação do Complemento Solidário de Idosos, não se questionado em teoria na prática revelou-se insuficiente para combater a desigualdade e pobreza mais profunda. Sobretudo, ficou muito aquém das promessas feitas pela actual maioria.
A este fenómeno de pobreza associada à velhice junta-se um novo fenómeno de exclusão face ao crescimento do desemprego, à subida do endividamento das famílias e, noutros casos, face à rotura dos laços familiares.
O desemprego tem vindo sistematicamente a crescer nos últimos anos, atingindo valores a que não eram vistos desde a década de 80. Pela primeira vez, temos taxas de desemprego superiores às dos nossos parceiros europeus. Ao mesmo tempo, voltamos a assistir à emigração de portugueses, quer trabalhadores qualificados, quer trabalhadores indiferenciados, para o estrangeiro, com especial relevância no caso dos trabalhadores que semanalmente se deslocam para Espanha para trabalhar na construção civil.
Podemos apresentar vários factores para este atraso. Mas não podemos esquecer que a responsabilidade primeira é sempre de quem governa, de quem toma as opções e estabelece prioridades.
O PS que tanto gosta de falar da sua consciência social fica marcado – diz-nos a frieza dos números – como o Governo em que o combate à pobreza e desigualdades estagna, em que a situação de vida dos que são mais pobres e mais desfavorecidos se agrava.
De 2003 a 2005 a primeira prioridade da política social da anterior maioria foi aumentar as pensões mínimas de reforma, permitindo que quem na altura recebia menos de €189 fosse aumentado em cerca de €35 em 2 anos. Pouco, dirão alguns; mas bem acima dos €13 de aumento que o PS concedeu em igual período de tempo.
Foi, aliás, com um Governo do PS que, pela primeira vez, as pensões mínimas aumentaram numa percentagem inferior à do valor da inflação, como sucedeu em 2008.
É por isso de integral justiça fazer um aumento extraordinário das pensões mínimas, das pensões sociais e das pensões do regime especial dos trabalhadores rurais. E até do ponto de vista económico a mesma faz sentido, considerando que a taxa de propensão para o consumo neste sector da população é maior, o que significa uma injecção real de liquidez na economia.
Entre a pensão mínima, as pensões sociais, as pensões de invalidez e a própria pensão abaixo do limiar de pobreza (€379), existem mais de 2 milhões de Portugueses que, com a nova fórmula de calculo das pensões, tiveram este ano um aumento de 2,4% , o que não compensa a perda de poder de compra sucessiva nesta legislatura.