PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 273/X
RECOMENDA AO GOVERNO UM PROGRAMA DE APOIO ÀS
MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
As micro, pequenas e médias empresas portuguesas representam
99,6% do tecido empresarial português, mais de dois milhões de
postos de trabalho, cerca de 75% do emprego, e um volume de
negócios superior a 163 mil milhões de euros, mais de 56,8% do
total nacional.
A sua importância é cada vez maior e, todas as orientações
comunitárias, bem como as politicas dos países mais desenvolvidos
apontam para estratégias que incrementem um espírito
empreendedor, de aposta na inovação, de criação de redes de
empresas que permitam mais geração de riqueza e disseminação
por todo o território, evitando assim a desertificação e o
alastramento dos indicadores de interioridade.
Esta é uma realidade reconhecida expressamente na Carta
Europeia das Pequenas Empresas, para cuja aplicação faltam
respostas nas políticas do Governo.
Comparando as micro, pequenas e médias empresas nacionais
com as suas congéneres europeias, identifica-se um conjunto de
realidades que limitam a sua competitividade e Portugal não pode
ficar de fora desta dinâmica, sob pena de não encontrar o caminho
do crescimento e da geração de riqueza que nos aproxime das
médias comunitárias e que nos permita recuperar o atraso,
crescendo mais que a Europa.
Infelizmente estas empresas têm sido subestimadas e em muitos
casos é desvalorizado o seu papel económico e social.
O Governo tem que acordar para a necessidade de fazer uma
aposta séria nestes segmentos empresariais, acordar desta letargia
de três anos, dar indicadores fortes para a economia e que adopte
politicas que invertam o perigoso caminho de destruir e desvalorizar
o que é pequeno.
Ainda recentemente, o senhor Presidente da República, afirmava na
inauguração de uma nova unidade industrial que “ Portugal não se
afirmará internacionalmente e não se desenvolverá se ficar à
espera que as pequenas e medias empresas desapareçam “ e “ é
com elas que terá que recuperar um lugar entre os países mais
ricos da Europa comunitária “.
Portugal tem que ter uma politica coerente, com sentido da
realidade, com uma abordagem abrangente a favor das micro e
pequenas e médias empresas, tirando partido da capacidade dos
portugueses, das potencialidades dos diferentes territórios, com o
objectivo de criar mais emprego e crescimento económico em todo
o território, designadamente do interior.
É indiscutível a necessidade de criação de instrumentos
diferenciadores para as micro, pequenas e médias empresas, para
que haja um efectivo desenvolvimento regional e económico
sustentado.
Assim, é fundamental:
a) Estabilizar as relações do Estado com as micro, pequenas
e médias empresas, designadamente pagando as suas
dívidas a tempo e horas , e estancando a descapitalização
das mesmas, permitindo assim criar um ambiente favorável ao
seu desenvolvimento. Esta atitude terá que se estender aos
domínios da desburocratização e simplificação legislativa, da
melhoria das relações contratuais, bem como da redução
gradual da carga fiscal.
Logo à cabeça, os sistemáticos atrasos dos pagamentos do
Estado às empresas, estima-se que rondem os 3 mil milhões
de euros, mais de 1,5% do PIB.
Para a normalização desta situação, que seria uma medida de
fundo com forte impacto no crescimento da economia e na
capitalização das empresas, devia o Governo promover uma
emissão de divida pública que lhe permitisse regularizar a
situação das dívidas existentes à data.
Para o futuro o Governo deve assumir alguns princípios:
o Que o Decreto Lei nº. 32/ 2003, de 17 de Fevereiro, se
aplique na plenitude, fixando-se um prazo de 45 dias
como limite razoável aos pagamentos;
o Findo este prazo, haverá lugar ao débito de juros
generalizado a todas as instituições do Estado, ao mesmo
tempo que será possível titular a dívida, permitindo-se
antecipações de pagamentos junto da Banca;
o Em situações de dívidas fiscais, as empresas poderão
usar os créditos sobre o Estado para efectuarem
compensações fiscais;
o Estabelecer a obrigatoriedade de o IVA resultante de
vendas ao Estado ser pago pelas empresas só após boa
cobrança.
b) Promover politicas activas de reforço de capitais
próprios e estabilização dos meios de financiamento
nas empresas e promover um espírito empreendedor.
É fundamental garantir às micro, pequenas e médias
empresas melhor acesso aos capitais próprios e aos
financiamentos através de empréstimos, permitindo-lhes
assim explorar plenamente o seu potencial.
É também necessário encorajar o investimento em capital
de risco, interessando e estimulando a criação de fundos
privados e não concentrando este instrumento nas mãos
do Estado.
O Estado, enquanto operador relevante no mercado de
capital de risco, deve privilegiar a gestão dos fundos
públicos destinados ao investimento em PME por
gestores privados com reconhecida competência,
relativamente à tentação de participar directamente nas
empresas destinatárias dos investimentos.
Simultaneamente, os diferentes instrumentos existentes
do Estado devem ser agrupados e recentrados no apoio
aos sectores menos contemplados pela iniciativa privada,
com efeito compensador e de alavanca à oferta de capital
de risco privado.
No domínio do recurso à garantia mútua, instrumento a
privilegiar, é fundamental que a garantia não retire
competitividade à empresa, nomeadamente, através da
fixação de um tecto máximo na taxa a aplicar à mesma.
Importa também estimular o sistema bancário a
estabelecer parcerias mais estáveis com as empresas e
incentivar o financiamento à inovação, promovendo o
microcrédito e os financiamentos “mezzanine” (combinam
empréstimos e fundos próprios) bem como um quadro
fiscal de choque para novos empreendedores e aqueles
que os financiam, designadamente através do micro
capital de risco e “business angels”.
Por outro lado, o incentivo do espírito empresarial
promove-se junto dos jovens e do mundo empresarial,
com programas de formação adequados para gestores de
micro e pequenas empresas.
Fomentar o espírito empreendedor nas escolas e nas
universidades é outro caminho, promovendo junto destas
a criação de uma disciplina de empreendedorismo em
todos os cursos superiores e em todos os cursos
técnicos, bem como no ensino secundário, no sentido de
preparar e motivar para projectos empresariais quem
entra na vida activa.
c) Promover o desenvolvimento da economia com uma
forte aposta no crescimento qualitativo e quantitativo
das exportações.
O tecido industrial não está a modernizar-se tanto como
se esperava. Desde 2001 que as exportações de
produtos sofisticados( alta tecnologia ) representam
apenas 11% do comércio industrial ( exportações em
2007 ). Portugal passou da produção de baixa tecnologia
para a faixa média baixa, mas é pouco.
Nos últimos dois anos o Portugal tecnológico estagnou.
Entre 2001 e 2006, as exportações de alta qualidade
industrial aumentaram em média 4,7%, ligeiramente
acima do total das vendas industriais ao exterior ( 4, 2% ).
Mas pela primeira vez, entre 2006 e 2007 a expansão
deste tipo de vendas ficou abaixo do desempenho das
exportações, o que encontra justificação no baixo
investimento empresarial.
Entre 2001 e 2006, o peso dos produtos com baixo teor
tecnológico baixou de 44,6% para 35,3% do total das
exportações, uma redução anual de quase 2%; mas de
2006 a 2007, não se verificou uma redução significativa
desta parcela. Mais um dado a confirmar que o tecido
industrial português não evoluiu.
Desde 2001 que o peso da venda de alta tecnologia não
varia na composição das exportações e a indústria
portuguesa não consegue dar saltos tecnológicos de
topo. Nem conseguirá com estas politicas.
Nos últimos dois anos a indústria interrompeu a
modernização, devido à falta de focalização por parte do
governo. O atraso do QREN não é alheio a esta situação.
Por outro lado, Portugal não tem conseguido incrementar
as quotas de mercado nos países seus principais clientes
e nalguns casos não consegue consolidar a presença.
Nas politicas do Governo nada se encontra que estimule
a evolução nestas situações e as empresas portuguesas
partem em desigualdade de apoios relativamente às
empresas suas concorrentes.
O apoio tem que ser dado de forma a aumentar a
capacidade de as empresas gerarem cash-flows que
permitam balancear a recuperação do investimento e
suportem a exploração.
As empresas portuguesas têm que ser capazes de
ultrapassar os Pirinéus, temos que as estimular e temos
que as saber apoiar, porque se tudo é mais difícil para
nós do que para os outros não há o ambiente propício
para avançar.
No mínimo é necessário facilitar através de processos
idênticos à economia espanhola ou francesa, por
exemplo, premiando-se quem foi empreendedor e quem
procurou projectar a criação de riqueza num espaço
económico alargado e global.
d) O Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN)
é a última oportunidade para a modernização da
economia portuguesa, pelo que deve ser aplicado
com rigor, estimulando o crescimento económico.
É um lugar comum afirmá-lo, mas o QREN é a última
oportunidade para a modernização da economia
portuguesa e para incrementar o seu crescimento,
devendo ser apoiados os projectos que acrescentem mais
valor.
Se estamos de acordo que se focalizem os programas
nos domínios da investigação e desenvolvimento
tecnológico, visando o aumento da competitividade,
aposta na inovação, qualificação e internacionalização
das PME’s e promoção do empreendedorismo, estranha-
se que não haja um programa exclusivo para micro e
pequenas empresas, bem como um programa claro que
vise a dinamização do comércio de proximidade nos
pólos urbanos.
Discordamos também da abertura de vários concursos ao
longo do ano. Programas no âmbito da modernização,
inovação, internacionalização e qualificação das
empresas, bem como da promoção do
empreendedorismo, deveriam estar permanentemente
abertos, estimulando a rapidez de resposta.
É fundamental uma boa divulgação para que os principais
agentes se possam posicionar e que se aprovem os
melhores projectos. A rede do Governo é manifestamente
insuficiente para o pleno esclarecimento dos portugueses,
pelo que se deve estimular a criação de uma rede de
informação sobre o QREN que integre Associações
Empresariais, de Desenvolvimento, Autarquias, etc., de
forma a garantir a existência de um serviço de
proximidade em cada Concelho do País.
Para que não surjam problemas de pagamento do Estado
aos promotores, como no final do ano de 2007, no âmbito
do Programa Operacional da Economia, propõe-se que
se apliquem as regras do Decreto Lei 32/ 2003, de 17 de
Fevereiro, referente a atrasos de pagamentos, a todas as
situações de pagamentos de incentivos.
e) O desenvolvimento equilibrado do País só se faz
combatendo a desertificação e promovendo um novo
dinamismo dos Pólos Urbanos , assente numa boa
politica de urbanismo e no desenvolvimento de um
comércio de proximidade dinâmico e competitivo; neste
contexto, não podemos ver morrer as regiões
transfronteiriças.
O comércio de proximidade está desqualificado, os pólos
urbanos estão desertificados, as poucas pessoas que ali
habitam são idosos e os prédios estão em más
condições. Urge promover uma politica de qualificação
dos pólos urbanos que permita um repovoamento destes
centros, a sua qualificação urbanística, a atractividade
que leve as pessoas a frequentarem estes espaços com
uma nova dinâmica de centros comerciais de ar livre,
numa interacção entre comerciantes, associações
empresariais e autarquias locais.
f) O tecido das micro e das pequenas e médias empresas
só se incrementa e promove com medidas concretas e
activas que promovam uma mentalidade empreendedora e
estimulem a proliferação e consolidação do tecido
empresarial.
No domínio da Inovação , o Estado deve incentivar a
criação nas micro, pequenas e médias empresas de
núcleos de investigação, desenvolvimento e inovação,
dirigindo os apoios financeiros à investigação e inovação
para dentro das próprias empresas. Esta medida deve
traduzir-se na duplicação, em dois anos, dos apoios
financeiros para a criação de núcleos de inovação nas
PME – NITECs e sua inserção no sistema cientifico e
tecnológico.
Criar, no âmbito do IAPMEI, a figura do “Gestor de
Cliente para as micro e PME’s” , interlocutor único para
tratamento dos assuntos das empresas com o Estado. O
objectivo é o de simplificar a relação do Estado com as
empresas, evitando que estas tenham de recorrer a um
número vasto de organismos para tratar dos seus
assuntos com o Estado.
No âmbito das Compras do Estado, propomos a criação
de Registo Nacional de Fornecedores . O objectivo é
eliminar o excesso de burocracia nas compras públicas,
designadamente a exigência às empresas, constante e
permanente, de certidões e mais documentos emitidos
pelo próprio Estado, muitos dos quais só podem ser
utilizados uma única vez.
Desenvolver um “Portal de Procurement“ em que
obrigatoriamente sejam registadas todas as
consultas/concursos e compras/contratações da
Administração Central, Autarquias Locais e Empresas
Públicas. O objectivo é o de assegurar maior
transparência, mais informação e melhor concorrência,
factores essenciais para todas as empresas, mas de
forma especial para as micro e PME’s.
No âmbito da reestruturação das compras do Estado, há
que conciliar agilização e poupança com o envolvimento
das micro e pequenas empresas.
Assim, à semelhança do que se passa em países, como
os Estado Unidos, que são a economia liberal por
excelência, implantar um programa que permita reservar
20% dos contratos públicos para as micro e PME’s.
Nestes termos, a Assembleia da República resolve, ao abrigo
do disposto no n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da
República Portuguesa, recomendar ao Governo as seguintes
medidas:
1. Que o Estado regularize as dívidas com as empresas
portuguesas, através da emissão de dívida pública, introduzindo
liquidez nas empresas e na economia, dinamizando-a.
2. Que o Decreto Lei 32/ 2003, de 17 de Fevereiro, seja
plenamente aplicado nas relações entre o Estado e as empresas,
no que aos fornecimentos de bens e serviços diz respeito,
fixando-se em 45 dias o prazo normal de pagamentos do Estado,
passando-se, após este prazo, a praticar a aplicação da taxa de
juro prevista no diploma, sendo que actualmente é de 11,2% ao
ano.
3. Transformar as dívidas do Estado às empresas em títulos, após
o prazo limite de pagamento dessas dívidas, podendo estes
títulos ser negociados pelas empresas com terceiros.
4. Permitir que as dividas não regularizadas pelo Estado, decorrido
um ano após o vencimento, possam ser usadas pelas empresas
como compensação das suas obrigações fiscais.
5. Estabelecer a obrigatoriedade do IVA resultante de serviços
prestados ao Estado ser apenas pago pelas empresas, após boa
cobrança.
6. Encorajar o investimento em capital de risco interessando e
estimulando a criação de fundos privados e não concentrando
este instrumento nas mãos do Estado.
7. Incrementar o recurso à garantia mútua e, para que a garantia
não retire competitividade à empresa, fixar tecto máximo de 1%
na taxa a aplicar à mesma.
8. Promover o microcrédito e os financiamentos mezzanine, que
combinam empréstimos e fundos próprios, junto do sistema
financeiro.
9. Criar um quadro fiscal de choque, com redução de IRC nos
primeiros 10 anos, para jovens empreendedores, bem como
isenção de custas na criação de novas empresas oriundas de
incubadoras.
10. Incentivar o espírito empresarial junto dos jovens e do mundo
empresarial, com programas de formação adequados para
gestores de micro e pequenas empresas.
11. Criação da disciplina obrigatória de empreendedorismo em
todos os cursos superiores e em todos os cursos técnicos, bem
como no ensino secundário, no sentido de preparar e motivar
para projectos empresariais quem entra na vida activa.
12. Criar medidas fiscais de discriminação positiva, nomeadamente
a redução no IRC para os que crescerem acima da média do
crescimento das exportações dos Países e definição de
objectivos de quotas de mercado em alguns Países com
envolvimento das empresas e incentivos fiscais.
13. Criar um programa que premeie a utilização de conhecimento
desenvolvido em universidades portuguesas no exterior.
14. Não penalizar as empresas que invistam no exterior por
aquisição, possibilitando a recuperação do capital em tempo
alargado e tratar de forma igual o “good-will”.
15. No âmbito do QREN, criar um programa exclusivo para micro e
pequenas empresas, bem como um programa claro que vise a
dinamização do comércio de proximidade nos pólos urbanos.
16. Alterar as regras do QREN para que no âmbito da
modernização, inovação, internacionalização e qualificação das
empresas, bem como promoção do empreendedorismo, as
medidas estejam permanentemente abertas e não funcionem
por tranches, fixando-se 60 dias para aprovação dos projectos.
17. Criação de uma rede de informação sobre o QREN que integre
Associações Empresariais, de Desenvolvimento e Autarquias,
de forma a garantir a existência de um serviço de proximidade
em cada Concelho do País.
18. Que se apliquem as regras do Decreto Lei 32/ 2003, de 17 de
Fevereiro, referente a atrasos de pagamentos, a todas as
situações de pagamentos de incentivos no âmbito do QREN.
19. Que se promova uma politica integrada de qualificação dos
pólos urbanos e criação de um plano de acção, que permita um
repovoamento destes centros, a sua qualificação urbanística e
a sua atractividade, que leve as pessoas a frequentarem estes
espaços com uma nova dinâmica de centros comerciais de ar
livre, numa interacção entre comerciantes, associações
empresariais e autarquias locais.
20. Que se promova a paridade fiscal nas regiões transfronteiriças.
Enquanto tal não acontecer, devem ser criados mecanismos de
compensação face às graves disparidades fiscais.
21. Aplicação de uma taxa reduzida de incentivo à fixação de
investimento no interior do País por cinco anos, para novas
empresas e para as que já existam; simultaneamente,
aprovação de um Mapa de aplicação que permita um efectivo
resultado da medida.
22. Criação de fundos de micro crédito para estimular a
modernização dos estabelecimentos comerciais nos pólos
urbanos e nos centros comerciais de ar livre.
23. Concentrar todas as verbas do QREN, bem como do fundo de
modernização do comércio, na criação e dinamização dos
centros comerciais de ar livre.
24. Incentivar a criação nas micro, pequenas e médias empresas
de núcleos de investigação, desenvolvimento e inovação,
dirigindo os apoios financeiros à investigação e inovação para
dentro das próprias empresas. Esta medida deve traduzir-se na
duplicação, em dois anos, dos apoios financeiros para a criação
de núcleos de inovação nas PME – NITECs e sua inserção no
sistema cientifico e tecnológico.
25. Criar, no âmbito do IAPMEI, a figura do “Gestor de Cliente para
as micro e PME’s“, interlocutor único para tratamento dos
assuntos das empresas com o Estado.
26. Desenvolver um “Portal de Procurement“ em que
obrigatoriamente sejam registadas todas as
consultas/concursos e compras/contratações da Administração
Central, Autarquias Locais e Empresas Públicas. O objectivo é
o de assegurar maior transparência, mais informação e melhor
concorrência, factores essenciais para todas as empresas, mas
de forma especial para as micro e PME’s.
27. Estabelecer um programa que assegure que 20% das compras
do Estado serão efectuadas a micro e pequenas empresas.
28. Possibilitar às micro, pequenas e médias empresas a
solicitação gratuita de desenvolvimento e investigação de
processos e produtos junto das instituições, universidades e
laboratórios do Estado, através de uma apreciação prévia do
mérito do projecto.
29. Promover um canal de comunicação estreito e eficaz entre as
instituições, universidades e os laboratórios do Estado e as
empresas, de forma a potenciar a aplicação das inovações que
resultem das actividades de investigação corrente.
Assembleia da República, 18 de Fevereiro de 2008
Os Deputados,
---
Publicação — DAR II série A — 32-36 — 21/02/2008
32 | II Série A - Número: 059 | 21 de Fevereiro de 2008
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 272/X (3.ª) REAVALIAÇÃO DO PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE
Em três anos a tão propalada reforma dos serviços de saúde em Portugal resumiu-se, na prática, ao imprudente encerramento de dezenas de serviços de urgência, de maternidades e de serviços de atendimento permanente dos centros de saúde, sem que os novos meios alternativos estivessem testados e efectivamente implantados no terreno.
O denominador comum desta política de tábua rasa é o de que os encerramentos se localizam, na sua esmagadora maioria, nas zonas economicamente mais desfavorecidas do País, incidem sobre as populações mais envelhecidas e atingem as regiões demograficamente mais dispersas e, por isso, com menos acesso a cuidados de saúde.
O maior pecado desta política de encerramentos, promovida pelo governo do Partido Socialista, é a evidente inexistência ou clara insuficiência de alternativas credíveis que pudessem obviar aos prejuízos que as populações sempre sofreriam com o encerramento dos serviços de saúde que, até há pouco tempo, as serviam.
Este entendimento é mesmo partilhado pela própria Comissão Técnica de Reestruturação dos Serviços de Urgência, cujos membros têm colocado, principalmente desde o final de 2007, crescentes reservas à política governamental, a qual acusam de não ter feito preceder os encerramentos da criação de alternativas adequadas, além de não ter efectuado os exigíveis investimentos financeiros nas próprias urgências hospitalares.
A recente remodelação governamental exige que a reforma, precipitada e desumanamente efectuada pelo anterior Ministro da Saúde, seja agora sustida, reavaliada e mesmo corrigida nos erros grosseiros que contém.
As declarações do Primeiro-Ministro, garantindo que «não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas», bem como as da actual Ministra da Saúde, que considerava, ainda no passado mês de Janeiro, que «o encerramento das urgências sem estarem implementadas no terreno alternativas válidas era um erro» e que «é importante um ponto de ordem nesta confusão toda», permitem concluir que o Governo reconhece não ter executado uma política de saúde correcta até ao presente.
De entre tantos exemplos possíveis, como o da Anadia ou de Alijó, o caso do distrito da Guarda é também paradigmático acerca do modo de como a reforma dos serviços públicos de saúde não deve e não pode ser efectuada.
Na verdade, não podem, em caso algum, ser encerrados serviços de saúde nesse distrito do interior sem terem previamente sido criadas as necessárias unidades de saúde familiar e sem que antes esteja em funcionamento o novo hospital da Guarda, cuja construção, aliás, tem sido sucessivamente prometida e repetidamente adiada, sem pingo de vergonha, pelo actual executivo socialista.
Assim, a Assembleia da República resolve recomendar ao Governo, que:
1 — Suspenda, com efeitos imediatos, a imprudente política de encerramentos de serviços de urgência hospitalares e de Serviços de Atendimento Permanente dos centros de saúde; 2 — Reavalie a política de reestruturação das urgências hospitalares, bem como a reforma dos cuidados de saúde primários, em especial na parte que respeita aos cuidados não programados, nomeadamente no que concerne a um necessário planeamento e a uma calendarização da efectiva colocação prévia, no terreno, dos novos meios e dos novos estabelecimentos já programados; 3 — Promova a imediata reabertura dos serviços de urgência hospitalares e dos Serviços de Atendimento Permanente dos centros de saúde cujo encerramento não tenha sido precedido da colocação, em efectividade, das devidas alternativas, designadamente em termos de meios de transporte e de equipamentos e recursos humanos e técnicos; 4 — Aprove um programa nacional de reestruturação dos serviços prestadores de cuidados de saúde integrados no Serviço Nacional de Saúde que contemple os cuidados hospitalares e os cuidados primários e que defina, igualmente, uma rede nacional de transporte de doentes e sinistrados.
Palácio de São Bento, 15 de Fevereiro de 2008.
Os Deputados do PSD: Ana Manso — Helena Lopes da Costa.
———
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 273/X (3.ª) RECOMENDA AO GOVERNO UM PROGRAMA DE APOIO ÀS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
As micro, pequenas e médias empresas portuguesas representam 99,6% do tecido empresarial português, mais de dois milhões de postos de trabalho, cerca de 75% do emprego, e um volume de negócios superior a 163 mil milhões de euros, mais de 56,8% do total nacional.
---
Apreciação — DAR I série — 54-67 — 29/02/2008
54 | I Série - Número: 053 | 29 de Fevereiro de 2008
Srs. Deputados, peço a todos 1 minuto de silêncio, em memória de Joaquim Pinto de Andrade e de Gentil Viana.
A Câmara guardou, de pé, 1 minuto de silêncio.
Vamos, agora, votar o projecto de resolução n.º 259/X — Suspensão do processo de encerramentos de serviços de atendimento permanente, urgências, maternidades e outras valências (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e votos a favor do PSD, do CDS-PP, do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita.
Passamos à votação do projecto de resolução n.º 269/X — Recomenda ao Governo a suspensão do encerramento de serviços de saúde e uma orientação para o processo de requalificação das urgências hospitalares e da rede de socorro pré-hospitalar (BE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e votos a favor do PSD, do CDS-PP, do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita.
Vamos, agora, proceder à votação do projecto de resolução n.º 272/X — Reavaliação do processo de reestruturação de serviços de saúde (PSD).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e votos a favor do PSD, do CDS-PP, do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita.
O Sr. Jorge Almeida (PS): — Sr. Presidente, peço desculpa, permite-me o uso da palavra?
O Sr. Presidente: — Tem a palavra, Sr. Deputado.
O Sr. Jorge Almeida (PS): — Sr. Presidente, quero apenas anunciar que, relativamente à votação destes três projectos de resolução, irei apresentar, na Mesa, uma declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Mota Soares.
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Sr. Presidente, no mesmo sentido, relativamente a estes três projectos de resolução, o Grupo Parlamentar do CDS-PP apresentará também, na Mesa, uma declaração de voto por escrito.
O Sr. Presidente: — A Mesa regista a indicação, Sr. Deputado.
Peço, agora, à Sr.ª Secretária que nos dê conta de diplomas que, entretanto, deram entrada na Mesa.
A Sr.ª Secretária (Celeste Correia): — Sr. Presidente e Srs. Deputados, deram entrada na Mesa, e foram admitidos, o projecto de lei n.º 468/X — Altera o regime jurídico de acesso às pensões de invalidez e velhice pelos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio, SA (PSD) e o projecto de resolução n.º 280/X — Recomenda ao Governo adoptar medidas que visem a protecção dos produtores e produtos tradicionais (PSD).
O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos retomar a ordem de trabalhos de hoje, com a apreciação conjunta dos projectos de resolução n.os 262/X — Recomenda ao Governo a criação de um sistema de dinamização de parcerias e de apoio à gestão das PME no âmbito do QREN (PS), 273/X — Recomenda ao
---
Votação Deliberação — DAR I série — 34-34 — 08/03/2008
34 | I Série - Número: 057 | 8 de Março de 2008
Exerceu funções docentes na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, foi Director do Centro de Estudos de História do Atlântico, membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian e exerceu funções docentes na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
A sua bibliografia inclui monografias históricas de cariz económico e sociocultural, edições críticas, análise de temas literários, estudos sobre figuras que se destacaram na evolução das ideias e da cultura — como Cesário Verde, António Nobre, Fernando Pessoa, Antero de Quental, António Sérgio, Vieira de Almeida e Sampaio Bruno — e obras de introdução às disciplinas filosóficas.
Apesar do seu destaque como historiador, a sua primeira obra foi uma edição, em 1945, das cartas de Pessoa ao poeta madeirense Armando Cortes Rodrigues, colaborador da revista Orpheu.
Uma figura verdadeiramente marcante e incontornável da cultura portuguesa do século XX.
É uma perda para história, para as letras e para a cultura portuguesas. A sua obra assegurará, contudo, a certeza que o seu contributo perdurará por muitas e muitas gerações.
A Assembleia da República, neste momento de pesar, presta a homenagem devida ao Prof. Joel Serrão e endereça aos seus familiares as mais sentidas condolências.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
A Câmara aguardou, de pé, 1 minuto de silêncio.
O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar o projecto de resolução n.º 281/X — Deslocação do Presidente da República a Moçambique (Presidente da AR).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos agora votar o projecto de resolução n.º 262/X — Recomenda ao Governo a criação de um sistema de dinamização de parcerias e apoio à gestão das PME no âmbito do QREN (PS).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS e do PSD e abstenções do CDS-PP, do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita.
Vamos agora votar o projecto de resolução n.º 273/X — Recomenda ao Governo um programa de apoio às micro, pequenas e médias empresas (PSD).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, votos a favor do PSD e do CDS-PP e abstenções do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita.
Vamos votar o projecto de resolução n.º 274/X — Responder à difícil situação das micro, pequenas e médias empresas com o QREN e outras políticas (PCP).
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, votos a favor do PCP, do BE, de Os Verdes e de 1 Deputada não inscrita e abstenções do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Agostinho Lopes.
O Sr. Agostinho Lopes (PCP): — Sr. Presidente, é para dizer que, em relação às votações em que nos abstivemos, vamos apresentar uma declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Assim ficará registado.
Vamos agora, votar, na generalidade, a proposta de lei n.º 179/X — Primeira alteração à Lei n.º 93/99, de 14 de Julho, que regula a aplicação de medidas para protecção de testemunhas em processo penal.
Abrir texto oficial