Projeto de Resolução n.º 784/XVI/1.ª
Contra a austeridade bélica: defender a Europa é também proteger
o Estado Social e a transição ecológica
Exposição de motivos:
Os recentes desenvolvimentos na geopolítica internacional, em particular, o posicionamento
dos Estados Unidos da América sobre um eventual acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia,
sem o envolvimento da Ucrânia e da UE nas negociações, ou as pretensões de Donald Trump
de anexar a Gronelândia, o Canadá ou o Canal do Panamá acentuam as necessidades de
um reforço da capacidade de defesa da UE, nomeadamente num cenário em que a NATO
deixe de existir.
Importa garantir, no entanto, que o aumento de investimento em defesa que se prevê que
muitos países europeus venham a assumir perante e ste novo contexto internacional e
geopolítico não seja feito às custas do modelo social europeu e da transição ecológica e
energética de que precisamos para proteger o planeta, modernizar a economia europeia e,
ao mesmo tempo, aumentar a nossa independência face a regimes autocráticos também ao
nível de recursos materiais.
O aumento de investimento em defesa que se prevê não pode colocar peso adicional nas
contas públicas dos países europeus ao ponto de colidir com os critérios de Maastricht e de
abrir ca minho a discursos austeritários profundamente prejudiciais para a Europa,
prejudicando o bem-estar social e económico, dando ainda mais fôlego a discursos populistas
e radicais e pondo assim ainda mais em causa a segurança das pessoas que vivem na
Europa.
Tal como evidenciado pelo relatório «Unidos estamos mais seguros - fortalecer a preparação
e a prontidão civis e de defesa da Europa»1, ou relatório Niinistö, é preciso uma transformação
fundamental na estratégia de segurança e defesa da UE, nomeadamente através do
investimento coletivo na capacidade de resposta a ameaças híbridas ou na capacidade de
resiliência das infraestruturas sociais e militares a cenários de crise.
Acresce que a resposta de defesa da UE não pode estar apenas na capacidade e autonomia
de cada Estado-membro, mas também estar numa cooperação estratégica a nível europeu e
sem que se comprometam os valores fundamentais da UE, nomeadamente ao nível do
investimento e reforço do estado social ou da transição energética.
O cenário atual exige reflexão aprofundada ao nível comunitário mas também exige a
apresentação de propostas destemidas, e o LIVRE entende que Portugal deve estar na linha
da frente destas reflexões e decisões internacionais, assumindo o seu compromisso com o
futuro da democracia e estabilidade da Europa.
Pelo que propõe que o Governo apresente, junto da UE, propostas para que o aumento de
investimento em defesa e segurança não contribua para onerar excessivamente as contas
públicas dos países da Europa, salvaguardando que estas despesas não possam ser
contabilizadas para os limites máximos de Maastricht 2 de dívida pública e/ou de défice
público, de maneira a proteger os direitos e o bem-estar das pessoas na Europa e para que
não se abra ainda mais a porta a discursos e políticas que desvirtuam os compromissos da
UE com o Estado Social, com os Direitos Humanos e com o combate às alterações climáticas.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do LIVRE propõe à Assembleia da República que, através do presente
Projeto de Resolução, delibere recomendar ao Governo que:
1. Afirme a importância do reforço do pilar social europeu e dos investimentos em curso,
quer pela UE quer pelos respetivos Estados-membro, no que concerne ao combate à
crise ecológica e à transição energética, posicionando-se firmemente no sentido de
garantir que os investimentos em reforço de capacidade militar não põem em causa
avanços no Estado Social dos países da UE nem o combate às alterações climáticas;
2. Defenda, nas instituições europeias pertinentes, mecanismos para que os
investimentos em modernização de infraestrutura militar e reforço de capacidades de
1 Safer together: A path towards a fully prepared Union - European Commission
2 O quadro da UE para as políticas orçamentais | Fichas temáticas sobre a União Europeia | Parlamento Europeu
segurança e defesa europeias, nomeadamente emissão de dívida conjunta através
dos chamados “eurobonds” e que as regras orçamentais europeias sejam
flexibilizadas nesta fase
Assembleia da República, 3 de março de 2025
A Deputada e os Deputados do LIVRE
Isabel Mendes Lopes
Jorge Pinto
Paulo Muacho
Rui Tavares
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Publicação — DAR II série A — 103-104 — 03/03/2025
3 DE MARÇO DE 2025
Assim, o desígnio de aprofundar e reforçar a defesa europeia, reafirmado em 2022 com o intuito de
proteger a Europa e dotá-la de autonomia militar estratégica, pode e deve ser concretizado através da criação
de uma comunidade europeia de defesa, pelo que se afigura como imperativo o desenvolvimento deste
mecanismo de defesa europeu, na medida em que aportaria aos seus Estados-Membros um canal de
cooperação estreita, acrescido de uma base tecnológica que a fortaleça e tenha a capacidade de salvaguardar
os países face a conflitos militares em curso ou futuros. Tendo em conta o cenário de hostilidade ou falhanço
de outros fóruns internacionais, e a crescente globalização de crises e necessidades de cooperação
extracomunitárias, uma solução como a comunidade europeia de defesa deve proporcionar também a
celebração de acordos bilaterais com países terceiros, como, por exemplo, o Reino Unido, a Noruega, o
Canadá ou o Brasil.
Face ao expendido, entende o Livre que é de superior interesse nacional e, portanto, europeu, que o
Governo de Portugal promova junto das instituições europeias a criação de um mecanismo para a defesa da
Europa, uma comunidade europeia de defesa, com o objetivo de responder aos desafios militares atuais e
prospetivos da Europa, preparando-a para cenários de crise alargados, incluindo guerras e ataques híbridos.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Livre
propõe à Assembleia da República que, através do presente projeto de resolução, delibere recomendar ao
Governo que:
1 – Promova, junto das competentes instituições europeias, a criação de uma comunidade europeia de
defesa;
2 – Reforce a necessidade de um mecanismo de cooperação supranacional focado numa estratégia militar
coordenada para a União Europeia, incluindo através do reforço da sua capacidade de defesa alinhado com a
aposta na tecnologia de ponta.
Assembleia da República, 3 de março de 2025.
A Deputada e os Deputados do L: Isabel Mendes Lopes — Jorge Pinto — Paulo Muacho — Rui Tavares.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 784/XVI/1.ª
CONTRA A AUSTERIDADE BÉLICA: DEFENDER A EUROPA É TAMBÉM PROTEGER O ESTADO
SOCIAL E A TRANSIÇÃO ECOLÓGICA
Exposição de motivos
Os recentes desenvolvimentos na geopolítica internacional, em particular, o posicionamento dos Estados
Unidos da América sobre um eventual acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, sem o envolvimento da
Ucrânia e da UE nas negociações, ou as pretensões de Donald Trump de anexar a Gronelândia, o Canadá ou
o Canal do Panamá acentuam as necessidades de um reforço da capacidade de defesa da UE,
nomeadamente num cenário em que a NATO deixe de existir.
Importa garantir, no entanto, que o aumento de investimento em defesa que se prevê que muitos países
europeus venham a assumir perante este novo contexto internacional e geopolítico não seja feito às custas do
modelo social europeu e da transição ecológica e energética de que precisamos para proteger o planeta,
modernizar a economia europeia e, ao mesmo tempo, aumentar a nossa independência face a regimes
autocráticos também ao nível de recursos materiais.
O aumento de investimento em defesa que se prevê não pode colocar peso adicional nas contas públicas
dos países europeus ao ponto de colidir com os critérios de Maastricht e de abrir caminho a discursos
austeritários profundamente prejudiciais para a Europa, prejudicando o bem-estar social e económico, dando
ainda mais fôlego a discursos populistas e radicais e pondo assim ainda mais em causa a segurança das
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Apreciação — DAR I série — 7-50 — 14/03/2025
14 DE MARÇO DE 2025
que vos diga, que, de alguns que ele pudesse escolher, gostava muito que fosse o «puto», como ele sempre
me chamou, a poder fazê-la.
Hoje, o País perdeu um dos seus melhores, o PSD perdeu um dos seus grandes, eu perdi um grande amigo.
Aplausos gerais, de pé.
O Sr. Presidente (Rodrigo Saraiva): — Entremos, então, na ordem de trabalhos de hoje, que, embora seja
longa, tem vários pontos e quase todos eles são sem tempos. Só o primeiro ponto é que tem tempos atribuídos
para debate e consiste numa fixação da ordem do dia, requerida pelo Grupo Parlamentar do Livre, sobre o tema
«Europa, segurança e democracia», em que serão discutidos conjuntamente os Projetos de Resolução
n.º 783/XVI/1.ª (L) — Recomenda ao Governo que defenda, junto da União Europeia, a criação de uma
comunidade europeia de defesa, 785/XVI/1.ª (L) — Recomenda ao Governo que defenda, junto da União
Europeia, a utilização de ativos russos no apoio à Ucrânia, 784/XVI/1.ª (L) — Contra a austeridade bélica:
defender a Europa é também proteger o Estado social e a transição ecológica, 726/XVI/1.ª (L) — Recomenda a
realização de um estudo sobre a resistência do sistema jurídico português contra um choque autoritário e contra
a subversão democrática, 727/XVI/1.ª (L) — Recomenda ao Governo que Portugal adira ao Conselho do Ártico
como observador, 794/XVI/1.ª (BE) — Recomenda ao Governo que defenda uma política europeia promotora
da paz, da segurança e da defesa coletivas, do fortalecimento do Estado social e da transição climática justa e
798/XVI/1.ª (PAN) — Pela ajuda à Ucrânia no combate aos crimes humanitários e ambientais perpetrados pela
Rússia.
Para a apresentação das iniciativas legislativas do Livre, tendo até 26 minutos, tem a palavra o Sr. Deputado
Rui Tavares.
O Sr. Rui Tavares (L): — Sr. Presidente, Caras e Caros Colegas, Caros Concidadãos nas galerias: A política
trata, como acabámos de ver, de tudo o que é humano, do que nos dá alegria, do que nos dá tristeza, dos temas
que são mais fáceis, dos temas que são mais difíceis, dos debates nos quais nos empenhamos, das coisas de
que gostamos, mas também dos debates que não gostaríamos nunca de ter de fazer.
Vimos aqui, ainda há momentos, que a morte já entrou hoje neste Hemiciclo sem ser convidada, sem
querermos que ela aqui estivesse, quando falámos de alguém que serviu nesta Casa.
Infelizmente, o debate que trazemos aqui hoje, que o Livre marcou como debate potestativo ainda antes de
o País viver uma crise política, é um debate que também tem muitos elementos nos quais não gostaríamos de
ter de falar, de enfrentar.
Passa-se isto porque a guerra voltou ao nosso continente europeu e o Livre, que é um partido de paz,
europeísta, que preza a paz no continente europeu e que sabe o esforço, o trabalho e a imaginação que foram
precisos para conseguir construir uma Europa de paz nas últimas décadas, ao contrário do que se passou
durante toda a sua história, é um partido que não gostaria — como muitos e muitas de vocês, certamente — de
estar a fazer um debate sobre guerra na Europa.
No entanto, temos de o fazer por três razões.
A primeira é porque Portugal nunca esteve imune à história da Europa, seja na I Guerra Mundial, na qual
participámos, seja na II Guerra Mundial, durante a qual recebemos muitos refugiados, seja quando houve uma
guerra civil na vizinha Espanha. Em tantos momentos da nossa história, Portugal nunca pôde fazer de conta
que a Europa não existia, nunca se pôde isolar no seu canto e esquecer o que se passava à sua volta.
O Sr. Paulo Muacho (L): — Muito bem!
O Sr. Rui Tavares (L): — Mas a segunda razão é que nós todos, portuguesas e portugueses, somos
europeus. Portanto, nunca nos podemos inibir de participar nos grandes debates de que é feita a Europa, nunca
nos podemos inibir de tomar iniciativa, nunca nos podemos inibir de dinamizar o debate, até de o liderar. Sim,
também aqui em Portugal nasceram muitas das ideias de que é feita a Europa, e não devemos ficar sozinhos a
um canto à espera de que alguém faça os debates por nós.
Aplausos do L.
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Votação na generalidade — DAR I série — 56-56 — 14/03/2025
I SÉRIE — NÚMERO 101
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda sempre se manifestou contrário aos tratados europeus que
instituem regras orçamentais que contraem e limitam o investimento público. Essa austeridade orçamental é a
causa do declínio das condições de vida das populações na União Europeia, da falta de capacidade de resposta
dos serviços públicos, da degradação da infraestrutura e da incapacidade produtiva. Essas regras são também
uma das causas pela deterioração da confiança na democracia e pelo ascenso de políticas e políticos do
ressentimento fascista.
Essa contração do investimento público foi o grande problema da União Europeia e que a deixa incapaz
agora de responder aos desafios que se colocam, nomeadamente na paz e mesmo na produção militar.
A proposta do Grupo Parlamentar do Livre mantém as regras orçamentais de contração do investimento
público em todas as áreas essenciais à vida humana ao mesmo tempo que cria uma via verde excecional para
a despesa militar, a única a ficar sem regras orçamentais. A proposta em causa constitui a criação de uma
economia de guerra, mantendo o atual sacrifício dos salários e serviços públicos nos Estados-Membros.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda defende a cooperação ativa para a paz, assim como a
cooperação militar e de defesa entre Estados-Membros da União Europeia. Mas em momento algum pode
aceitar as regras orçamentais restritivas que pioram a vida dos cidadãos e cidadãs europeias.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo — Isabel Pires — Joana Mortágua
— Mariana Mortágua — Marisa Matias.
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Relativa ao Projeto de Lei n.º 503/XVI/1.ª:
O PCP votou favoravelmente a proposta de elevação da vila de Mogadouro à categoria de cidade,
respeitando a vontade dos órgãos do poder local democrático, contudo não pode deixar de denunciar que esta
elevação não resolve, por si só, os graves problemas que Mogadouro, tal como outras regiões do interior do
País, enfrentam. A falta de serviços públicos, um Serviço Nacional de Saúde desadequado à realidade deste
concelho, transportes insuficientes para uma efetiva mobilidade dos mogadourenses. O progressivo
despovoamento de Mogadouro, da sede de concelho e das áreas rurais, só poderá ser revertido com uma outra
política, uma política bem diferente daquela que tem sido defendida e aplicada pelos promotores desta proposta.
O Deputado do PCP, Alfredo Maia.
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Nota: A declaração de voto anunciada pela Deputado do L Isabel Mendes Lopes não foi entregue no prazo
previsto no n.º 4 do artigo 87.º do Regimento da Assembleia da República.
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Presenças e faltas dos Deputados à reunião plenária.
A DIVISÃO DE REDAÇÃO.
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