Projeto de Resolução n.º 773/XVI
Recomenda ao Governo que realize um debate público e alargado tendo em vista um
plano de requalificação e fruição cole? va da Praça do Comércio
Exposição de Mo? vos
A Praça do Comércio , situada no coração de Lisboa, constitui um dos espaços urbanos
mais significativos da história de Portugal. Construída após o Terramoto de 1755no local
onde se implantara o Terreiro do Paço a partir do século XVI , tornou-se o expoente
máximo da Lisboa pombalina, exprimindo a resiliência de uma cidade que se ergueu das
ruínas e se afirmou como centro político, económico e cultural.
Local privilegiado da vida da cidade desde a transferência do centro da vida polític a e
administrativa para o Paço da Ribeira, o então denominado Terreiro do Paço estrutura-
se nos séculos seguintes em torno da proximidade à sede do poder real e das novas
instituições que ali também vão encontrando a sua sede a partir do século XVI, entre as
quais avultam a Casa da Índia ou a Casa da Suplicação , beneficiando da proximidade à
Ribeira das Naus e da abertura ao Rio Tejo.
A relevância d o Terreiro do Paço e d a Praça do Comércio advém não só da sua
monumentalidade arquitetónica, antes e depois de 1755, mas também do facto de ter
acolhido, ao longo de séculos, organismos de soberania e instituições -chave da
Administração Pública, realçando o seu papel simbólico na representação do poder de
Estado. Paralelamente, este local tem sido cenário de aco ntecimentos marcantes para
a história e cultura nacionais, como a aclamação de D. João IV após a restauração da
independência, em dezembro de 1640, o regicídio, em fevereiro de 1908, o
desembarque dos Deputados eleitos pelo Porto que desencadeou a Revoluçã o de
Setembro em 1836, ou a presença marcante de Fernando Pessoa, e tantos outros, no
Martinho da Arcada, assumindo-se como espaço de reunião, manifestação e celebração
popular, como demonstra o seu papel simbólico no 25 de Abril.
É precisamente por encarnar este simbolismo histórico e cultural coletivo que se afigura
indispensável proteger a sua vocação de fruição pública, assegurando, desde logo, que
não existirão cedências a tentações de rentabilizações de curto prazo, que demasiadas
vezes conduzem a processos de alienação ou oneração de património que deve
permanecer acessível a todos.
O atual momento, em particular o processo de reforma da Administração Pública que
prevê a saída dos Ministérios do edificado do Terreiro do Paço para o designado
“Campus XXI”, representa uma oportunidade ímpar de pensar coletivamente o destino
deste local.
Se, por um lado, esta transferência pode permitir uma reorganização mais eficiente dos
serviços do Estado, por outro, levanta questões sobre o futuro do património edificado
que deixará de ter uso ministerial. Tal transição, se não for conduzida de forma planeada
e participada, pode acarretar o risco de serem tomadas decisões avulsas e sem a visão
integrada que se exige.
Desta forma, o Grupo Parlamentar do Partido S ocialista sublinha a necessidade de
assegurar que a Praça do Comércio permaneça e se desenvolva enquanto um local de
fruição coletiva, acessível a toda a população e potenciador de dinâmicas cívicas,
culturais e artísticas. Num período em que Lisboa assist e a fenómenos de gentrificação
e massificação turística, urge combater a tendência para transformar lugares históricos
em meras montras destinadas a um consumo efémero.
A Baixa Lisboeta, e a Praça do Comércio em particular, devem constituir-se como polos
vivos de cidadania, possibilitando encontros intergeracionais e culturais que possam
contribuir para o robustecimento do tecido social.
O desafio reside, assim, em harmonizar a vocação cultural, patrimonial e turística da
praça com a exigência de garantir o interesse público e de salvaguardar o usufruto pela
população que mora e trabalha em Lisboa.
Neste sentido, impõe -se o desenvolvimento de uma estratégia integrada, na qual o
Governo, a Câmara Municipal de Lisboa, as instituições académicas, culturais,
associativas e a sociedade em geral trabalhem conjuntamente.
O Grupo Parlamentar do Partido Socialista, atento a estes desafios, defende que a saída
dos ministérios deve ser acompanhada de um amplo debate público e de um plano de
requalificação orientado para o interesse coletivo, prevenindo riscos de comercialização
excessiva e garantindo a relação entre o espaço público e a comunidade.
Só assim, aliando preservação patrimonial, participação cidadã e desenvolvimento
sustentável, se poderá honra r a história secular desta praça e projetá -la como espaço
onde se cruza o passado, o presente e o futuro.
Assim, nos termos das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, as
Deputadas e os Deputados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, a baixo-
assinados, apresentam o seguinte Projeto de Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do disposto do n.º 5 do ar?go 166.º da
Cons?tuição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:
1. Desenvolva, em articulação com a Câmara Muni cipal de Lisboa, um plano de
requalificação para o edificado do Terreiro do Paço, assegurando a manutenção do
uso público dos edifícios, a valorização cultural e histórica do espaço, e a promoção
da participação cívica e de atividades de interesse coletivo.
2. Garanta a realização de um debate público alargado, envolvendo as populações
locais, organizações culturais, movimentos sociais, instituições académicas e outras
entidades relevantes, de forma a recolher contributos para o futuro da Praça do
Comércio.
Palácio de São Bento, 28 de fevereiro de 2025
As Deputadas e os Deputados,
Alexandra Leitão
Rui Tavares
Edite Estrela
Maria Begonha
Pedro Delgado Alves
Mara lagriminha
Isabel Mendes Lopes
Ana Paula Bernardes
André Rijo
Carlos Pereira
Clarisse Campos
Davide Amado
Pedro Sousa
Pedro Vaz
Ricardo Lima
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Publicação — DAR II série A — 92-93 — 28/02/2025
II SÉRIE-A — NÚMERO 191
significativo na defesa dos interesses das crianças.
Nestes termos, o Grupo Parlamentar do CDS-PP, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais
aplicáveis, propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
i) Promova a melhoria das condições de vida das crianças em acolhimento residencial;
ii) Continue a incentivar o acolhimento familiar;
iii) Divulgue, a cada semestre, os resultados da campanha de acolhimento familiar;
iv) Agilize a possibilidade de as famílias de acolhimento serem candidatas à adoção das mesmas crianças.
Palácio de São Bento, 28 de fevereiro de 2025.
Os Deputados do CDS-PP: Paulo Núncio — João Pinho de Almeida.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 773/XVI/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE REALIZE UM DEBATE PÚBLICO E ALARGADO TENDO EM VISTA
UM PLANO DE REQUALIFICAÇÃO E FRUIÇÃO COLETIVA DA PRAÇA DO COMÉRCIO
Exposição de motivos
A Praça do Comércio, situada no coração de Lisboa, constitui um dos espaços urbanos mais significativos
da história de Portugal. Construída após o terramoto de 1755 no local onde se implantara o Terreiro do Paço a
partir do Século XVI, tornou-se o expoente máximo da Lisboa pombalina, exprimindo a resiliência de uma cidade
que se ergueu das ruínas e se afirmou como centro político, económico e cultural.
Local privilegiado da vida da cidade desde a transferência do centro da vida política e administrativa para o
Paço da Ribeira, o então denominado Terreiro do Paço estrutura-se nos séculos seguintes em torno da
proximidade à sede do poder real e das novas instituições que ali também vão encontrando a sua sede a partir
do Século XVI, entre as quais avultam a Casa da Índia ou a Casa da Suplicação, beneficiando da proximidade
à Ribeira das Naus e da abertura ao rio Tejo.
A relevância do Terreiro do Paço e da Praça do Comércio advém não só da sua monumentalidade
arquitetónica, antes e depois de 1755, mas também do facto de ter acolhido, ao longo de séculos, organismos
de soberania e instituições-chave da Administração Pública, realçando o seu papel simbólico na representação
do poder do Estado. Paralelamente, este local tem sido cenário de acontecimentos marcantes para a história e
cultura nacionais, como a aclamação de D. João IV após a restauração da independência, em dezembro de
1640, o regicídio, em fevereiro de 1908, o desembarque dos Deputados eleitos pelo Porto que desencadeou a
Revolução de Setembro, em 1836, ou a presença marcante de Fernando Pessoa, e tantos outros, no Martinho
da Arcada, assumindo-se como espaço de reunião, manifestação e celebração popular, como demonstra o seu
papel simbólico no 25 de Abril.
É precisamente por encarnar este simbolismo histórico e cultural coletivo que se afigura indispensável
proteger a sua vocação de fruição pública, assegurando, desde logo, que não existirão cedências a tentações
de rentabilizações de curto prazo, que demasiadas vezes conduzem a processos de alienação ou oneração de
património que deve permanecer acessível a todos.
O atual momento, em particular o processo de reforma da Administração Pública, que prevê a saída dos
ministérios do edificado do Terreiro do Paço para o designado «Campus XXI», representa uma oportunidade
ímpar de pensar coletivamente o destino deste local.
Se, por um lado, esta transferência pode permitir uma reorganização mais eficiente dos serviços do Estado,
por outro, levanta questões sobre o futuro do património edificado que deixará de ter uso ministerial. Tal
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Votação na generalidade — DAR I série — 15-15 — 15/03/2025
15 DE MARÇO DE 2025
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PS e do PAN, os votos contra da IL, do BE e do
L e as abstenções do PSD, do CH, do PCP e do CDS-PP.
A Sr.ª Deputada Isabel Mendes Lopes pede a palavra. Para que efeito, Sr.ª Deputada?
A Sr.ª Isabel Mendes Lopes (L): — Sr. Presidente, é para dizer que vamos apresentar uma declaração de
voto escrita.
O Sr. Presidente: — De seguida, vamos votar o Projeto de Resolução n.º 776/XVI/1.ª (PS) — Recomenda
ao Governo a adoção de medidas de combate à pobreza energética.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PS, do CH, do BE, do L e do PAN e as
abstenções do PSD, da IL, do PCP e do CDS-PP.
Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 640/XVI/1.ª (CH) — Recomenda ao Governo a
criação de um plano de valorização cultural e cívica da Praça do Comércio, em Lisboa, preservando o seu
simbolismo histórico e a sua identidade cultural.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do PS, os votos a favor do CH, do BE e
do PAN e as abstenções da IL, do PCP, do L e do CDS-PP.
Agora, passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 773/XVI/1.ª (PS, L) — Recomenda
ao Governo que realize um debate público e alargado tendo em vista um plano de requalificação e fruição
coletiva da Praça do Comércio.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do CH, os votos a favor do PS, do BE,
do PCP, do L e do PAN e as abstenções da IL e do CDS-PP.
Passamos, de seguida, à votação do Projeto de Resolução n.º 224/XVI/1.ª (L) — Recomenda a que o
Governo se comprometa com a proteção da Reserva Integral das Ilhas Selvagens em cumprimento com a
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do CH, do PCP e do CDS-PP e os votos a
favor do PS, da IL, do BE, do L e do PAN.
Seguimos agora para a votação do Projeto de Resolução n.º 259/XVI/1.ª (PAN) — Pela rejeição do projeto
de ampliação da Mina de Alvarrões e pela proteção da Serra da Estrela.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do CH e do CDS-PP e os votos a favor
do PS, do BE, do PCP, do L e do PAN e a abstenção da IL.
Vamos agora votar o Projeto de Resolução n.º 756/XVI/1.ª (PAN) — Pela realização de avaliação de impacte
ambiental à expansão do Aeródromo Municipal de Cascais.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PS, da IL, do BE, do PCP, do L e do PAN e as
abstenções do PSD, do CH e do CDS-PP.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 383/XVI/1.ª (PAN) — Alarga as garantias de
proteção e apoio às vítimas de violência doméstica, procedendo à alteração de diversos diplomas.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PS, do CH, do BE, do PCP, do L e do PAN e as
abstenções do PSD, da IL e do CDS-PP.
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