Projeto de Resolução n.º 596/XVI/1.ª
Recomenda ao Governo que garanta o alargamento da Rede Nacional de
Cuidados Continuados Integrados e a melhoria da sua capacidade de resposta
Exposição de Motivos
Por via do Decreto-Lei nº 101/2006, de 6 de junho, o Governo criou a Rede Nacional de
Cuidados Continuados Integrados, com o objetivo primordial de prestar cuidados de
saúde e de apoio social de forma continuada e integrada a pessoas que,
independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência , e garantiu
que tais cuidados se centram na recuperação global da pessoa com garantia da sua
autonomia.
Recentemente o Tribunal de Contas realizou uma auditoria à Rede Nacional de Cuidados
Continuados Integrados, publicada por via do Relatório n.º 16/2024 , no qual concluiu
que no âmbito desta rede se registaram menos 4.774 lugares de internamento e menos
52 equipas de apoio domiciliário do que o previsto, que existiam 1.804 utentes a
aguardar vaga nas diferentes tipologias da Rede, 2.267 utentes cujos proc essos de
referenciação ainda se encontravam em fase de validação , e se revela que houve um
aumento da pressão sobre a capacidade de resposta da Rede, em resultado do
crescimento de 28,5% no número de utentes referenciados , bem como assimetrias
regionais nos tempos de acesso às diferentes tipologias. De acordo com o Tribunal de
Contas a falta de resposta da Rede é a principal causa de internamentos inapropriados
nos hospitais, que têm vindo a contratar cada vez mais camas de retaguarda ao setor
privado e soc ial, cujo gasto médio por diária de internamento (111,98 €) tem sido
superior ao preço das diárias de internamento na Rede.
Ciente do potencial de poupança associado ao alargamento Rede Nacional de Cuidados
Continuados Integrados e à melhoria da sua capac idade de resposta , com a presente
iniciativa o PAN pretende que o Governo proceda à a tualização dos valores dos apoios
a pagar às Unidades de Cuidados Continuados Integrados.
Por outro lado, procurando implementar as recomendações do Tribunal de Contas, o
PAN propões que o Governo e mpreenda uma avaliação e revisão do modelo de
funcionamento e financiamento da Rede (reiterando o compromisso assumido pelos
vários governos com o setor social e solidário e garantindo a valorização da qualidade
dos cuidados pre stados e dos resultados alcançados ), promova a definição de tempos
máximos de resposta garantidos no acesso a cuidados continuados integrados , e
assegure a redução dos tempos de acesso a cuidados continuados integrados e a
eliminação das assimetrias regionais existentes.
Nestes termos, a abaixo assinada Deputada Única do PESSOAS -ANIMAIS-NATUREZA,
ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, propõe que a
Assembleia da República adote a seguinte Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição
da República Portuguesa, recomendar ao Governo que tendo em vista o alargamento
da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e a melhoria da sua capacidade
de resposta:
I. Proceda à urgente atualização dos valores dos apoios a pagar às Unidades
de Cuidados Continuados Integrados;
II. Empreenda uma avaliação e revisão do modelo de funcionamento e
financiamento da Rede, reiterando o compromisso assumido pelos vários
governos com o setor social e solidário e garantindo a valorização da
qualidade dos cuidados prestados e dos resultados alcançados;
III. Promova a definição de tempos máximos de resposta garantidos no acesso
a cuidados continuados integrados , com garantia de condições para o seu
cumprimento; e
IV. Assegure a redução dos tempos de acesso a cuidados continuados
integrados e a eliminação das assimetrias regionais existentes.
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 24 de janeiro de 2025
A Deputada,
Inês de Sousa Real
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Publicação — DAR II série A — 54-55 — 24/01/2025
II SÉRIE-A — NÚMERO 167
carruagens, o que criou dificuldades e até impedimentos por parte de quem pretende ter acesso a esta linha
ferroviária.
Concretizando, os comboios que garantem a ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal, que antes passavam
de hora em hora ou de 30 em 30 minutos, passaram a ter um intervalo de passagem de 20 minutos, o que, tendo
em conta o descrito no parágrafo anterior, teve como consequência que muitos utentes não conseguissem ou
tenham tido grandes dificuldades em chegar aos seus locais de trabalho4.
Os passageiros da Fertagus alegam que, desde dezembro, quando entraram em vigor os novos horários, os
comboios que partem de Setúbal enchem rapidamente, deixando passageiros de fora, particularmente na
estação do Pragal.
Sendo que a Fertagus, para além de admitir a existência de dificuldades na adaptação a estes novos horários,
invoca que é necessário dar tempo aos passageiros para se adaptarem aos novos horários, não descurando a
possibilidade de aumentar os comboios caso as contagens de utilização assim o justifiquem.
Decorrente destas ocorrências, a Fertagus, em finais de janeiro, reajustou as circulações realizadas com
comboios simples e duplos nas horas de ponta, explicitando que «na sequência da monitorização que tem sido
efetuada aos crescimentos de procura e utilização dos novos horários», que entraram em vigor a 15 de
dezembro5.
Apesar deste reajuste a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) pediu informações à Fertagus,
decorrente das várias queixas provenientes dos utentes dos comboios que circulam entre Setúbal e Lisboa, que
em comunicado explicita que «solicitou informações sobre quais as medidas concretas que foram adotadas pela
Fertagus para mitigar esta situação, designadamente ao nível da comunicação e informação prestada aos
passageiros, bem como medidas que estejam a ser equacionadas para assegurar a adequação da oferta à
procura em condições de segurança e qualidade»6.
Acrescenta ainda que «Rececionados os esclarecimentos por parte da Fertagus, referentes,
designadamente, à reformulação da oferta, a AMT analisará a informação prestada e, caso se justifique, agirá
em conformidade no sentido de assegurar o cumprimento contratual e garantir os direitos dos passageiros».
Pelo exposto, verifica-se que estas alterações nos horários, implementadas após o início do novo contrato
de concessão, ao estarem a provocar graves transtornos a todos os que utilizam os comboios inerentes a este
serviço ferroviário, exigem urgentes esclarecimentos por parte da administração central.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do Chega recomendam ao Governo que garanta a adequada capacidade de resposta da Fertagus,
face às reclamações que derivam das recentes alterações do serviço ferroviário desta concessionária.
Palácio de São Bento, 24 de janeiro de 2025.
Os Deputados do CH: Pedro Pinto — Filipe Melo — Carlos Barbosa — Eduardo Teixeira — Marta Martins da
Silva — Rita Matias — Patrícia Carvalho — Nuno Gabriel — Daniel Teixeira.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 596/XVI/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE GARANTA O ALARGAMENTO DA REDE NACIONAL DE
CUIDADOS CONTINUADOS INTEGRADOS E A MELHORIA DA SUA CAPACIDADE DE RESPOSTA
Exposição de motivos
Por via do Decreto-Lei n.º 101/2006, de 6 de junho, o Governo criou a Rede Nacional de Cuidados
4 Queixas na Fertagus: reforço no «comboio da ponte» é insuficiente para passageiros – SIC Notícias 5 Fertagus reajusta comboios para melhor responder à procura no Pragal 6 Comunicados
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Apreciação — DAR I série — 65-79 — 14/02/2025
14 DE FEVEREIRO DE 2025
O Sr. Jorge Pinto (L): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: A sessão já vai longa, não tomarei muito tempo. Começo por dizer que uma das nossas principais funções enquanto Deputados é a de proteger os mais fracos
dos nossos concidadãos, e este debate de hoje trata muito disso também.
Trata-se — e eu dei um exemplo bem real e muitos mais há, infelizmente — de dar um bocadinho mais de
força àqueles que estão numa situação muito precária, numa situação muito exposta e que têm perante si, em
primeiro lugar, bancos, bancos estes que, lavando as suas mãos, vendem as dívidas a fundos de investimento,
retirando uma cara, retirando um nome, retirando muitas vezes até um contacto para que essas pessoas possam
tentar renegociar a sua dívida, fazer aquilo que certamente querem, que é estar numa situação de maior
tranquilidade e de maior segurança.
O PSD diz-nos: «Já estamos a trabalhar na transposição, mas não se esqueçam, é complicado, o mercado
secundário da dívida.» Será certamente, mas muito mais complicada é a situação em que muitas famílias estão
por este atraso. Muito mais complicada é a situação das famílias que têm dívidas relativas à sua casa, à casa
onde vivem, à casa onde vive a sua família, e que veem estas casas penhoradas e, no limite, perdem as suas
casas, porque esta venda dos bancos foi feita a entidades predadoras e, como eu disse na minha intervenção
inicial, muitas vezes fora até do sistema bancário, o que retira ainda mais a segurança e os direitos dos nossos
concidadãos.
O debate de hoje é, portanto, muito simples. Trata-se da transposição de uma diretiva, é certo, mas trata-se,
no fundo, de saber uma coisa: se queremos ou não queremos dar mais direitos aos nossos consumidores, se
queremos ou não queremos dar mais direitos aos nossos concidadãos. No Livre queremos e queremos crer que
neste Parlamento as outras forças políticas também o querem.
Aplausos do L.
O Sr. Presidente (Rodrigo Saraiva): — Vamos passar ao quinto ponto da ordem de trabalhos, que consiste na discussão dos Projetos de Resolução n.os 572/XVI/1.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo que distribua as
verbas pelas unidades que viram candidaturas aprovadas para a construção de novas camas, por forma a não
perder os fundos por incumprimento das metas e 573/XVI/1.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo que atualize
os valores dos apoios a pagar às unidades de cuidados continuados integrados, juntamente com o Projeto de
Lei n.º 481/XVI/1.ª (CH) — Altera a Lei n.º 52/2012, de 5 de setembro (Lei de Bases dos Cuidados Paliativos),
estabelecendo o número mínimo de camas por milhão de habitantes em unidades de cuidados paliativos, na
generalidade, e com os Projetos de Resolução n.os 596/XVI/1.ª (PAN) — Recomenda ao Governo que garanta
o alargamento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e a melhoria da sua capacidade de
resposta, 602/XVI/1.ª (BE) — Reforço da oferta pública em cuidados continuados integrados, 604/XVI/1.ª (L) —
Recomenda ao Governo a melhoria da capacidade de resposta das consultas ao domicílio através da adoção
de modelos inovadores de prestação de cuidados continuados, 605/XVI/1.ª (L) — Recomenda ao Governo a
expansão da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental e 609/XVI/1.ª (PCP) —
Desenvolvimento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado João Pinho de Almeida, do CDS-PP, que tem até 4
minutos.
O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Os cuidados continuados são uma resposta essencial no apoio à saúde e no apoio social a quem precisa e está numa situação de
dependência que não lhe permite ter autonomia para viver sem esses cuidados.
Acontece que o País definiu uma Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e definiu objetivos
para essa rede, que não cumpriu. O País definiu objetivos que não conseguiu atingir e, principalmente, tem
obrigações para com os cidadãos que também não conseguiu cumprir. Isto é algo que o CDS foi denunciando,
mas que encontrou recentemente eco numa auditoria promovida pelo Tribunal de Contas, que descreve
claramente a situação atual da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
Diz o relatório do Tribunal de Contas que o desenvolvimento da Rede Nacional de Cuidados Continuados
Integrados está aquém das metas de cobertura traçadas quando foi lançado, em 2006, sendo que essa
concretização deveria ter acontecido 10 anos depois, em 2016. Já passaram quase mais de 10 anos da data
para a qual os objetivos foram definidos e continuamos, como País, a não os atingir.
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Votação na generalidade — DAR I série — 50-50 — 15/02/2025
I SÉRIE — NÚMERO 89
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do CDS-PP, os votos a favor do BE,
do PCP, do L e do PAN e as abstenções do PS, do CH, da IL e do Deputado não inscrito Miguel Arruda.
Vamos agora votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 600/XVI/1.ª (PAN) — Recomenda a criação
de mecanismos de proteção e salvaguarda de detentores de créditos não produtivos.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, da IL e do CDS-PP, o voto a favor do PAN
e as abstenções do PS, do CH, do BE, do PCP, do L e do Deputado não inscrito Miguel Arruda.
Vamos passar à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 614/XVI/1.ª (PS) — Recomenda ao
Governo que proceda à transposição da diretiva europeia relativa aos gestores de créditos e aos adquirentes
de créditos e que consagre um direito de preferência nas operações de transferência de crédito.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PS, do BE, do PCP, do L e do PAN, os votos
contra do PSD, da IL e do CDS-PP e as abstenções do CH e do Deputado não inscrito Miguel Arruda.
O projeto de resolução baixa à 5.ª Comissão.
De seguida, vamos votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 572/XVI/1.ª (CDS-PP) — Recomenda
ao Governo que distribua as verbas pelas unidades que viram candidaturas aprovadas para a construção de
novas camas, por forma a não perder os fundos por incumprimento das metas.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do CH, da IL, do BE, do PCP, do L, do CDS-
PP, do PAN e do Deputado não inscrito Miguel Arruda e os votos contra do PS.
O projeto de resolução baixa à 9.ª Comissão.
Vamos passar à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 573/XVI/1.ª (CDS-PP) — Recomenda
ao Governo que atualize os valores dos apoios a pagar às unidades de cuidados continuados integrados.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do CH, da IL, do BE, do PCP, do L, do CDS-
PP, do PAN e do Deputado não inscrito Miguel Arruda e a abstenção do PS.
O projeto de resolução baixa à 9.ª Comissão.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 481/XVI/1.ª (CH) — Altera a Lei n.º 52/2012, de 5
de setembro (Lei de Bases dos Cuidados Paliativos), estabelecendo o número mínimo de camas por milhão de
habitantes em unidades de cuidados paliativos.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do PS e da IL, os votos a favor do CH,
do CDS-PP e do Deputado não inscrito Miguel Arruda e as abstenções do BE, do PCP, do L e do PAN.
Passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 596/XVI/1.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo que garanta o alargamento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e a melhoria da
sua capacidade de resposta.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
O projeto de resolução baixa à 9.ª Comissão.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 602/XVI/1.ª (BE) — Reforço da oferta
pública em cuidados continuados integrados.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, da IL e do CDS-PP, os votos a favor do CH,
do BE, do PCP, do L, do PAN e do Deputado não inscrito Miguel Arruda e a abstenção do PS.
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