Projeto de Resolução n.º 555/XVI/1.ª
Recomenda ao Governo que dê prioridade à melhoria das condições
dos estabelecimentos prisionais
Exposição de motivos:
No passado dia 31 de dezembro, o Governo anunciou a conclusão da auditoria à segurança
e vigilância dos estabelecimentos prisionais portugueses ordenada pela Ministra da Justiça
na sequência da fuga do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus.1
De acordo com a informação publicada pelo Governo, foram identificadas falhas significativas
no equipamento e infraestruturas, na organização e nos recursos humanos. O Governo
anunciou também ter solicitado à Direção -Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
(DGRSP) que priorize e calendarize as intervenções necessárias e que apresente relatórios
de execução. À Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) foi ordenada a realização de
uma nova inspeção no último trimestre deste ano e a entrega do correspondente relatório até
31 de dezembro de 2025.
As matérias identificadas na comunicação do Governo são vastas e diretamente relevantes
para a atuação da Assembleia da República, tanto no que respeita à sua competência
legislativa, como fiscalizadora. Como tal, impõe-se que os resultados da auditoria da IGSJ e
da definição de prioridades realizada pela DGRSP sejam partilhados com a Assembleia da
República, mediante definição do grau de reserva considerado adequado atenta a natureza
sensível da informação em causa.
1 Disponível em: https://tinyurl.com/3f2bavms.
Infelizmente, a auditoria solicitada pela Ministra da Justiça incidiu apenas sobre a segurança
dos estabelecimentos prisionais. Tal decisão é particularmente desadequada tendo em conta
os sucessivos alertas dirigidos ao Estado Português relativamente às condições materiais,
humanas e regulamentares de tais infraestruturas, que comportam significativos riscos tanto
para os direitos dos reclusos e reclusas e das pessoas que lá trabalham.
A decisão de setembro do Comité de Ministros do Conselho da Europa no âmbito da
supervisão da implementação do acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos no
processo Petrescu contra Portugal2 voltou a sinalizar, com preocupação, que, em dezembro
de 2023, quase metade dos estabelecimentos prisionais portugueses operava na sua
capacidade máxima ou acima da sua capacidade máxima, referindo-se ainda a falta de uma
estratégia abrangente que identifique e solucione as causas deste problema.
Os problemas de sobrelotação e de falta de condições materiais dos estabelecimentos
prisionais têm vindo a ser sinalizados reiteradamente pela Provedora de Justiça,
designadamente através dos relatórios do Mecanismo de Prevenção da Tortura (MNP). No
mais recente relatório identificam-se, designadamente: situações de homologação da lotação
oficial superior à capacidade efetiva do estabelecimento, sobrelotação, problemas de
privacidade e de salubridade de instalações sanitárias e balneários, humidade e infiltrações
graves, condições climatéricas desadequadas e infestações.3
É urgente resolver estes problemas e assegurar plenamente os direitos dos reclusos e
reclusas e de todas as pessoas que trabalham nos estabelecimentos prisionais.
Para o fazer, é essencial fazer um mapeamento exaustivo das necessidades de intervenção
existentes assente numa abordagem que vá além da segurança e que permita o adequado
planeamento financeiro e logístico. Na elaboração desse mapeamento, devem ser tidas em
conta, designadamente: (i) as Regras Penitenciárias Europeias;4 (ii) as Regras Mínimas das
Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos (Regras de Nelson Mandela);5 (iii) as Regras
das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Reclusas e Medidas Não Privativas da
Liberdade para Mulheres Infratoras (Regras de Bangkok);6 (iv) análises e recomendações da
Provedoria de Justiça e do Mecanismo Nacional de Prevenção; (v) análises e recomendações
de entidades europeias e internacionais relevantes.
2 Disponível em: https://tinyurl.com/mrdmayv3.
3 Disponível em: https://tinyurl.com/yt63tmu2.
4 Disponíveis em: https://tinyurl.com/6t83254s.
5 Disponíveis em: https://tinyurl.com/4xw87why.
6 Disponíveis em: https://tinyurl.com/yawp6e2f.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do LIVRE propõe à Assembleia da República que, através do presente
Projeto de Resolução, delibere recomendar ao Governo que:
1 – Remeta à Assembleia da República, definindo o grau de reserva adequado atenta a
natureza sensível da informação em causa, o relatório final da auditoria da Inspeção-Geral
dos Serviços de Justiça e a definição de prioridades de intervenção realizada pela Direção-
Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.
2 – Elabore, na sequência desse relatório, um mapeamento exaustivo e mais abrangente das
necessidades de intervenção em estabelecimentos prisionais para assegurar que as suas
condições materiais, humanas e regulamentares respeitam os padrões nacionais, europeus
e internacionais aplicáveis.
Assembleia da República, 10 de janeiro de 2025
As Deputadas e os Deputados do LIVRE
Isabel Mendes Lopes
Filipa Pinto
Paulo Muacho
Rui Tavares
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Publicação — DAR II série A — 135-137 — 10/01/2025
10 DE JANEIRO DE 2025
experiência também indica que modelos como a Estratégia de Saúde da Família, no Brasil, baseados numa
resposta reforçada da rede de cuidados de saúde primários, resultaram num maior acesso aos serviços de
saúde, redução de internamentos evitáveis e diminuição da mortalidade materna e infantil7.
Em Portugal, a reforma dos cuidados de saúde primários trouxe avanços importantes e estudos nacionais
indicam que as unidades de saúde familiar (USF) têm contribuído significativamente para a melhoria do
acesso e da qualidade dos serviços prestados, mas são ainda insuficientes para responder às necessidades
crescentes da população8. Esta realidade é evidenciada pelo elevado número de atendimentos nos serviços
de urgências, que chegam a 6 milhões por ano9. A tendência hospitalocêntrica do Serviço Nacional de Saúde
é contraproducente, pois desvia recursos e atenção dos cuidados de saúde primários, que deveriam ser a
verdadeira porta de entrada para o SNS.
O reforço da rede de cuidados de saúde primários é assim essencial para melhorar o acesso aos serviços
e garantir uma abordagem mais personalizada, baseada na prevenção e nos cuidados de proximidade. Esta
estratégia permite tratar as pessoas mais perto das suas comunidades, adaptando as respostas às suas
necessidades, reduzindo custos e promovendo melhores resultados em saúde10.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Livre
propõe à Assembleia da República que, através do presente projeto de resolução, delibere recomendar ao
Governo que:
1. Reforce a rede de cuidados de saúde primários através da ampliação da cobertura geográfica dos
centros de saúde e das unidades locais de saúde, bem como da sua modernização, especialmente em zonas
carenciadas e territórios de baixa densidade.
2. Contrate profissionais para reforçar a rede de cuidados de saúde primários e as suas equipas
multidisciplinares, garantindo médicos de família suficientes para reduzir o número de utentes sem
acompanhamento, avaliando a criação de incentivos financeiros e logísticos para atrair profissionais para
zonas de menor densidade populacional.
3. Priorize a medicina de prevenção, lançando campanhas nacionais de promoção da literacia na saúde e
prevenção da doença, integradas nos cuidados de saúde primários.
4. Avalie o impacto das medidas descritas nos números anteriores através de estudos regulares para
monitorizar a eficácia do reforço dos cuidados de saúde primários na redução da pressão sobre os hospitais
centrais.
Assembleia da República, 10 de janeiro de 2025.
Os Deputados do L: Isabel Mendes Lopes — Filipa Pinto — Paulo Muacho — Rui Tavares.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 555/XVI/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE DÊ PRIORIDADE À MELHORIA DAS CONDIÇÕES DOS
ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS
Exposição de motivos
No passado dia 31 de dezembro, o Governo anunciou a conclusão da auditoria à segurança e vigilância
dos estabelecimentos prisionais portugueses ordenada pela Ministra da Justiça na sequência da fuga do
7 https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude?t. 8 https://www.ers.pt/media/gkoju4i2/sumario-executivopt-estudo-csp.pdf?t. 9 https://observador.pt/opiniao/que-servicos-de-urgencia-queremos-no-sns/. 10 https://docs.bvsalud.org/biblioref/2023/01/1412008/40_rr_depros_promocao_saude_sistemas_publicos.pdf?t.
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Apreciação — DAR I série — 11-24 — 25/01/2025
25 DE JANEIRO DE 2025
562/XVI/1.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo a instalação de inibidores de sinal nos estabelecimentos
prisionais.
Dou a palavra à Sr.ª Deputada Andreia Neto, do PSD, para uma primeira intervenção. Dispõe de 7 minutos.
A Sr.ª Andreia Neto (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A recente fuga ocorrida no
Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus colocou, uma vez mais, em evidência a necessidade de
implementar medidas adicionais que obstaculizem a utilização, que é proibida, de telemóveis por parte da
população prisional.
Nessa fuga, a utilização de telemóveis com acesso à internet e a redes sociais revela bem que de pouco vale
a proibição legal de utilização, posse ou detenção de telemóveis no interior das prisões, exigindo-se, por isso,
soluções mais robustas e eficazes no sentido de garantir e salvaguardar a segurança no espaço prisional.
Infelizmente, proliferam centenas de telemóveis no interior dos estabelecimentos prisionais — basta recordar
o elevado número de apreensões de telemóveis nas nossas prisões. Segundo o Relatório Anual de Segurança
Interna de 2023, foram apreendidos, nesse ano, no nosso sistema prisional, 1792 telemóveis, mais 248 do que
no ano de 2022.
Por outro lado, notícias recentes relatam que só no Estabelecimento Prisional do Montijo, no mês de outubro
de 2024, foi apreendida uma dezena de telemóveis, alguns dos quais arremessados da rua para o interior da
cadeia. Já no mês anterior, tinham sido apreendidos nove telemóveis no Estabelecimento Prisional do Linhó.
Estes são apenas alguns exemplos ilustrativos do que se passa a este respeito.
Sr.as e Srs. Deputados, esta é uma realidade que tem de ser eficazmente combatida. A colocação de
inibidores de sinal nos estabelecimentos prisionais constitui, pois, uma medida eficiente para pôr cobro a esta
situação. A Sr.ª Ministra da Justiça manifestou até, em sede de discussão na especialidade do Orçamento do
Estado, abertura para a instalação destes equipamentos nas prisões portuguesas.
O novo Diretor-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais também é recetivo a esta medida, ao ponto até de,
no seu discurso de tomada de posse, ter afirmado que iria iniciar imediatamente um processo para a colocação
dos inibidores de sinal em alguns estabelecimentos prisionais, em função das necessidades mais prementes.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, acresce que a colocação de inibidores de sinal no perímetro das
cadeias é uma medida há muito reivindicada pelos guardas prisionais, que todos os dias cumprem com enorme
profissionalismo a exigente missão de manter a segurança no sistema prisional.
Assim, o Grupo Parlamentar do PSD apresenta a esta Assembleia a vontade de que se inicie um processo
para a colocação destes inibidores de sinal nos estabelecimentos prisionais, que limite as comunicações não
autorizadas dos reclusos com o exterior, contribuindo dessa forma para a salvaguarda da segurança no espaço
prisional.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente: — A Sr.ª Deputada tem um pedido de esclarecimento do Sr. Deputado Nuno Gabriel, do
Chega, que tem 2 minutos para o formular.
Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Nuno Gabriel (CH): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr.ª Deputada Andreia Neto, há poucas
semanas, uma auditoria aos 49 estabelecimentos prisionais apontou várias falhas e deficiências, que a ninguém
espantam, que agora são públicas e estão compiladas num único documento.
Passo a elencar algumas delas: torres de vigia inexistentes ou não operacionais; falta de guardas prisionais
e de condições de operacionalidade para estes profissionais; deficiência nos circuitos de videovigilância e falta
dos mesmos; viaturas celulares a caminho dos 30 anos de idade; inexistência de sensores de movimento; falta
de sistemas que impeçam o arremesso de objetos para o interior dos estabelecimentos prisionais.
Veja-se o caso do Estabelecimento Prisional do Montijo: conforme os vídeos que pudemos ver, qualquer
pessoa que ali passa envia para lá o que quiser — drogas e afins.
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Muito bem!
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Votação na generalidade — DAR I série — 69-69 — 25/01/2025
25 DE JANEIRO DE 2025
Submetido à votação, foi rejeitado, com o voto contra do PSD, os votos a favor do CH, da IL, do CDS-PP e
do Deputado não inscrito Miguel Arruda e as abstenções do PS, do BE, do PCP, do L e do PAN.
Votamos de seguida, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 525/XVI/1.ª (BE) — Recomenda a
conclusão do programa de alargamento da instalação de telefones fixos nos espaços de alojamento dos
estabelecimentos prisionais.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do CH, do CDS-PP e do Deputado não
inscrito Miguel Arruda, os votos a favor do PS, do BE, do PCP, do L e do PAN e a abstenção da IL.
Procedemos agora à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 555/XVI/1.ª (L) — Recomenda
ao Governo que dê prioridade à melhoria das condições dos estabelecimentos prisionais.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do CH, do CDS-PP e do Deputado não
inscrito Miguel Arruda e os votos a favor do PS, da IL, do BE, do PCP, do L e do PAN.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 562/XVI/1.ª (CDS-PP) — Recomenda ao
Governo a instalação de inibidores de sinal nos estabelecimentos prisionais.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do CH, da IL, do PCP, do CDS-PP e do
Deputado não inscrito Miguel Arruda e as abstenções do PS, do BE, do L e do PAN.
Este projeto de resolução baixa à 1.ª Comissão.
Passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 325/XVI/1.ª (CH) — Altera o regime jurídico que
estabelece a atividade de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados
(TVDE).
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PS, da IL, do BE e do L, os votos a favor do CH
e do Deputado não inscrito Miguel Arruda e as abstenções do PSD, do PCP, do CDS-PP e do PAN.
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Que vergonha!
O Sr. Presidente: — Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 63/XVI/1.ª (PCP) — Suspende a
atribuição de licenças de TVDE até à conclusão do processo de avaliação e revisão do regime legal vigente.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do PS, do CH, da IL, do CDS-PP, do PAN
e do Deputado não inscrito Miguel Arruda e os votos a favor do BE, do PCP e do L.
Relativamente ao Projeto de Lei n.º 434/XVI/1.ª (PSD) — Procede à alteração da Lei n.º 45/2018, de 10 de
agosto, que estabelece o regime jurídico da atividade de transporte individual e remunerado de passageiros em
veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TVDE), temos agora para votação um requerimento
do proponente de baixa à Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação, sem votação, por 30 dias.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Prosseguimos para a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 122/XVI/1.ª (BE) — Direitos
para os estafetas das plataformas digitais e para os motoristas de TVDE, revisão da Lei n.º 45/2018 e regulação
da atividade, com maior justiça e transparência para quem trabalha nestes setores.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do PS, da IL e do CDS-PP, os votos a favor
do BE, do PCP, do L e do PAN e as abstenções do CH e do Deputado não inscrito Miguel Arruda.
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