Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://parlamento.bloco.org/
Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 529/XVI/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO O REFORÇO DOS MEIOS PARA O COMBATE
À EXPLORAÇÃO DE IMIGRANTES E AO TRÁFICO DE SERES HUMANOS
A exploração de imigrantes, assim como o tráfico de seres humanos e a angariação de mão
de obra através de práticas criminosas, representam uma grave violação dos direitos
humanos e uma afronta à dignidade das vítimas envolvidas. Em Portugal, o fenómeno do
tráfico de seres humanos e a exploração laboral de imigrantes vulneráveis, muitas vezes
através de redes criminosas organizadas, constitui um problema complexo que exige
respostas adequadas e coordenadas por parte das autoridades competentes.
Para tanto contribui, também, a política deste Governo ao revogar o procedimento de
manifestação de interesse. Com efeito, e conforme o Bloco de Esquerda vem vindo a
defender, a regularização dos imigrantes é a melhor forma de os proteger contra os
abusos de que são vítimas, de impedir a sobreexploração e o trabalho forçado, de
combater as redes de tráfico de pessoas e de favorecer a economia formal do nosso país.
Estas redes, que operam à margem da lei, exploram a vulnerabilidade de indivíduos em
situação de precariedade, pelo que cabe ao Estado atuar, nomeadamente através do
fortalecimento das suas capacidades investigativas e de intervenção.
O Bloco de Esquerda, no seu compromisso com a promoção e defesa dos direitos
humanos, considera essencial que o Estado intensifique os esforços no combate a estas
redes criminosas, proporcionando à Polícia Judiciária (PJ) os meios necessários para uma
atuação mais eficaz. A PJ tem demonstrado ter um papel fundamental na investigação e
combate a estas práticas ilícitas. No entanto, a crescente sofisticação das redes de tráfico
e a sua capacidade de adaptação aos avanços tecnológicos exigem um reforço significativo
de recursos e capacidades para uma resposta à altura da gravidade do fenómeno.
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://parlamento.bloco.org/
O tráfico de seres humanos e a angariação de mão de obra através de práticas de
exploração laboral envolvem, frequentemente, formas de trabalho forçado, condições de
vida indignas e práticas de coação psicológica e física, em que as vítimas são forçadas a
viver e trabalhar em situações de total subordinação. Estes crimes afetam, em particular,
imigrantes em situação de vulnerabilidade, que, devido à sua condição de irregularidade
ou à falta de rede de apoio social, acabam por ser alvos fáceis de redes criminosas que os
exploram e abusam da sua fragilidade.
Para combater este fenómeno, é imprescindível dotar a Polícia Judiciária dos meios
materiais, humanos e tecnológicos adequados para o combate a estas formas de
exploração. Desde logo, a intensificação do trabalho de investigação e desmantelamento
das redes criminosas deve ser acompanhada de uma formação contínua dos agentes da
PJ, de modo a garantir que estejam preparados para lidar com as especificidades e a
complexidade dos crimes relacionados com o tráfico de seres humanos e a exploração
laboral. É também essencial garantir que a Polícia Judiciária disponha de equipamentos
de investigação de ponta, incluindo sistemas de monitorização e análise de dados, que
permitam uma atuação mais célere e eficiente na identificação e desarticulação das redes
de tráfico.
Para além disso, o reforço dos meios da Polícia Judiciária não pode ser dissociado de uma
abordagem integral e coordenada com outras entidades e serviços públicos,
nomeadamente a Autoridade para as Condições de Trabalho, a AIMA, bem como
organizações da sociedade civil especializadas no apoio a vítimas de tráfico e exploração
laboral. A cooperação entre estas instituições é essencial para garantir que as vítimas
sejam rapidamente protegidas e assistidas, ao mesmo tempo que as redes criminosas são
desmanteladas e responsabilizadas.
A exploração laboral de imigrantes e o tráfico de seres humanos não constitui apenas uma
ameaça à segurança pública, mas antes uma grave violação de direitos humanos que exige
uma intervenção determinada, mas humanista, por parte do Estado.
Por estas razões, o Bloco de Esquerda apresenta o presente Projeto com vista ao reforço
de meios da Polícia Judiciária no combate à exploração de imigrantes e no
desmantelamento das redes ligadas ao tráfico de seres humanos e à angariação de mão
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://parlamento.bloco.org/
de obra, protegendo aqueles que mais necessitam de apoio e garantindo que as redes
criminosas que operam à margem da lei sejam eficazmente desmanteladas.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao
Governo:
1) O reforço significativo dos meios humanos, materiais e tecnológicos da Polícia
Judiciária (PJ) para o combate à exploração de imigrantes e ao tráfico de seres humanos,
com especial enfoque na angariação de mão de obra por meios ilícitos.
2) O aprofundamento da formação dos agentes da Polícia Judiciária e dos demais
órgãos de polícia criminal, de forma a garantir uma resposta eficaz às especificidades e
complexidade do tráfico de seres humanos, com particular atenção à exploração laboral e
ao recrutamento forçado de imigrantes.
3) O reforço do investimento em equipamentos tecnológicos avançados para a
investigação, incluindo sistemas de monitorização e análise de dados, que permitam à
Polícia Judiciária atuar com maior rapidez e precisão na identificação e desarticulação das
redes de tráfico e exploração.
4) O reforço dos mecanismos de apoio integral às vítimas de tráfico e exploração
laboral, incluindo assistência médica, psicológica e jurídica, e garantir-lhes condições
adequadas para a reintegração social e laboral.
5) Robustecer a cooperação estreita entre a Polícia Judiciária, a Autoridade para as
Condições de Trabalho, a AIMA, as forças e serviços de segurança, com organizações não
governamentais e associações de apoio a imigrantes com o objetivo de desenvolver uma
resposta humanista, coordenada e eficaz.
Assembleia da República, 10 de janeiro de 2024.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Fabian Figueiredo; Joana Mortágua; Isabel Pires; José Soeiro; Mariana Mortágua
---
Publicação — DAR II série A — 96-98 — 10/01/2025
II SÉRIE-A — NÚMERO 157
desistem da função devido às más condições de trabalho.
Para além disso, verifica-se que no ano de 2024 houve mais de 400 oficiais de justiça que se aposentaram,
o que, atendendo à regra imposta pelo Governo de «uma entrada por cada saída» na função pública, irá
agravar ainda mais a carência de recursos humanos nesta área da justiça.
É, portanto, urgente um plano de ingresso que permita a absorção de novos oficiais de justiça,
nomeadamente através da revisão da carreira e da criação de condições que tornem a profissão mais atrativa.
A revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça, em negociação há anos, continua sem uma solução
definitiva. Impõe-se um novo estatuto profissional, que reconheça a especificidade da carreira e as condições
de trabalho únicas dos oficiais de justiça e que reveja as progressões na carreira de forma justa e equitativa,
através de uma calendarização plurianual, com promoções regulares às categorias superiores. Além disso, a
integração do suplemento de recuperação processual no vencimento é uma medida essencial para garantir
uma justa retribuição pelo trabalho efetivamente prestado.
Adicionalmente, é necessário que se implemente um mecanismo adequado para compensar o trabalho
suplementar e a disponibilidade permanente dos oficiais de justiça, seja através de uma revisão do regime de
aposentação, seja através de medidas que compensem a sobrecarga de trabalho a que os profissionais são
sujeitos.
É, assim, imperativo garantir a melhoria das condições de trabalho dos oficiais de justiça, procedendo à
integração do suplemento de recuperação processual, à criação de um plano de ingresso urgente e à revisão
do Estatuto dos Funcionários de Justiça, com vista à valorização da carreira e ao reconhecimento dos direitos
dos profissionais que desempenham uma função essencial à administração da justiça em Portugal.
Por entender que é tempo de tratar com justiça quem nela trabalha, o Bloco de Esquerda apresenta o
presente projeto de resolução, assim conferindo a devida centralidade aos direitos e à dignidade profissional
dos oficiais de justiça.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco
de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1) Proceda à integração do suplemento de recuperação processual no vencimento dos oficiais de justiça,
sem perda salarial;
2) Defina um regime de progressão na carreira dos oficiais de justiça, com promoções regulares às
categorias superiores;
3) Proceda à criação de um regime de aposentação especial para os oficiais de justiça e que preveja a
aposentação sem penalizações aos 60 anos de idade e 40 anos de serviço;
4) Implemente um plano plurianual de ingresso para suprir as necessidades do quadro de oficiais de
justiça;
5) Proceda à criação de mecanismos de compensação pelo trabalho suplementar e pela disponibilidade
permanente dos oficiais de justiça.
Assembleia da República, 10 de janeiro de 2025.
As Deputadas e os Deputados do BE: Fabian Figueiredo — Joana Mortágua — Isabel Pires — José Moura
Soeiro — Mariana Mortágua.
———
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 529/XVI/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO O REFORÇO DOS MEIOS PARA O COMBATE À EXPLORAÇÃO DE
IMIGRANTES E AO TRÁFICO DE SERES HUMANOS
A exploração de imigrantes, assim como o tráfico de seres humanos e a angariação de mão de obra
através de práticas criminosas representam uma grave violação dos direitos humanos e uma afronta à
---
Apreciação — DAR I série — 86-102 — 25/01/2025
I SÉRIE — NÚMERO 80
e que muitas vezes estas pessoas, além de serem funcionários falsos destas lojas e destas empresas, dormem
nesses espaços comerciais amontoados, ao serviço dessas mesmas redes.
E por isso, Sr.as e Srs. Deputados, o Partido Socialista até pode já ter percebido a asneira que fez. O
Secretário-Geral pode já ter recebido os resultados das sondagens e dos focus groups e ter percebido que o
País, ao contrário do Partido Socialista, há muito tempo percebeu o que se passa com a imigração e há muito
tempo que se indignou e não aceita aquilo que está a acontecer.
Mas o que nós queremos é mesmo resolver os problemas. Foi para isso que o Governo, em primeiro lugar,
acabou com as manifestações de interesse, porque, e neste momento cito aquilo que disse o Secretário-Geral
do Partido Socialista, estas promoviam o «efeito de chamada».
Mas tenho de dizer aqui uma coisa: nós dissemos, desde a primeira hora, que esse efeito de chamada existia,
e fomos várias vezes ofendidos,…
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Muito bem!
O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP) — … chamados de tudo, porque estávamos a falar de algo que era
falso, que não existia efeito de chamada e que estávamos, entre outras coisas, a ser racistas.
E, portanto, o Partido Socialista pode ser oportunista nas declarações do Secretário-Geral, mas se quer ser
minimamente levado a sério, tem de pedir desculpa a todos aqueles que ofendeu durante todos estes anos,…
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Muito bem!
O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP) — … àqueles que alertaram para o problema, que disseram que
esta imigração descontrolada era inaceitável, que os imigrantes eram vítimas de redes de tráfico.
Não, não éramos racistas, não éramos xenófobos; estávamos a ver o problema. Os senhores viram com
anos de atraso e se querem ser minimamente levados a sério, peçam desculpa, porque efetivamente o problema
existia por vossa causa. Esta é a altura de começar a resolver, e um dos caminhos é acabar já com as lojas de
fachada.
Aplausos do PSD.
Entretanto, reassumiu a presidência o Presidente, José Pedro Aguiar-Branco.
O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Fabian Figueiredo, por 4 minutos.
O Sr. Fabian Figueiredo (BE): — Sr. Presidente: As redes de tráfico e a sobre-exploração laboral combatem-
se com meios adequados para as polícias e com meios adequados para a investigação, meios modernos,
recursos humanos, entidades administrativas apetrechadas com os meios de que precisam, nomeadamente a
AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) ou a ACT; não se combatem certamente com estigmas.
O CDS traz-nos hoje um projeto de resolução para acabar com as lojas de fachada, que já são, aliás, um
crime na lei portuguesa, por isso é que o projeto de resolução não adianta nenhuma solução, não faz nenhuma
recomendação concreta, alimenta apenas a retórica, porque não tem nada para apresentar. Aliás, vale a pena
ler a exposição de motivos, que confunde tudo, que faz um retrato da Baixa de Lisboa, que, sendo verdade, não
se descobriria porque é que atrai tanto os turistas, porque na caricatura que o CDS faz da cidade de Lisboa, da
Baixa, seria uma gigantesca barbearia ou seria uma gigantesca loja de bugigangas.
Por isso, é importante que aqui, na Assembleia da República, façamos o debate sobre imigração com base
na realidade.
Não deixa de ser curioso que, na mesma semana em que o Governo traz aqui uma autorização legislativa
para permitir que seja contratada mais mão-de-obra imigrante no setor das pescas, um dos partidos que vota a
favor dessa mesma autorização legislativa, que facilita a imigração, apresente este projeto de resolução.
É que o único efeito de chamada que existe em Portugal é a necessidade que a economia portuguesa tem
de contratar mais mão-de-obra imigrante, como, aliás, reconheceu o Sr. Ministro da Agricultura ali mesmo, da
tribuna, reconheceu a bancada do CDS, reconheceu a bancada do PSD…
---
Votação na generalidade — DAR I série — 71-71, 74-74 — 01/02/2025
1 DE FEVEREIRO DE 2025
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do CH e do CDS-PP, os votos a favor da IL,
do BE, do PCP, do L e do PAN e a abstenção do PS.
Vamos passar à votação do Projeto de Resolução n.º 522/XVI/1.ª (BE) — Atualização do cálculo de remição
de pensões devido em caso de acidente de trabalho ou doença profissional.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, da IL, do BE, do PCP, do L e do PAN e as
abstenções do PSD, do PS e do CDS-PP.
Prosseguimos com a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 438/XVI/1.ª (CDS-PP) —
Recomenda ao Governo que tome medidas para combater as «empresas e lojas de fachada».
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do CH, da IL e do CDS-PP, os votos contra
do BE, do PCP e do L e as abstenções do PS e do PAN.
Este projeto de resolução baixa à 1.ª Comissão.
Passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 529/XVI/1.ª (BE)—Recomenda ao
Governo o reforço dos meios para o combate à exploração de imigrantes e ao tráfico de seres humanos.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do CDS-PP, os votos a favor da IL, do BE,
do PCP, do L e do PAN e as abstenções do PS e do CH.
Segue-se a votação, na generalidade, da Proposta de Lei n.º 43/XVI/1.ª (GOV) — Procede à transposição
da Diretiva (UE) 2022/2041, relativa a salários mínimos adequados na UE, alterando o Código do Trabalho e a
Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas.
Submetida à votação, foi aprovada, com os votos a favor do PSD, do PS, do CH, da IL, do BE, do L, do CDS-
PP e do PAN e o voto contra do PCP.
A proposta de lei baixa à 10.ª Comissão.
Prosseguimos, com a votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 449/XVI/1.ª (L) —Cria um valor de
referência para os rácios salariais a observar no setor público.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, da IL e do CDS-PP, os votos a favor do CH,
do BE e do L e as abstenções do PS, do PCP e do PAN.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 455/XVI/1.ª (L) —Prorroga a vigência das
convenções coletivas de trabalho até à sua substituição por outra convenção.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP, os votos a favor da IL,
do BE, do PCP, do L e do PAN e a abstenção do CH.
Votamos um requerimento, apresentado pelo Livre, solicitando a baixa à Comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, sem votação, por 90 dias, do Projeto de Lei n.º 341/XVI/1.ª (L)
— Regulamenta o Estatuto do Apátrida, o procedimento para a sua determinação e o procedimento especial de
obtenção da nacionalidade.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, registando-se a ausência do Deputado não inscrito
Miguel Arruda.
Abrir texto oficial