Projeto-Resolução n.º 419/XVI/1.ª
Recomenda ao Governo a Valorização da Carreira Farmacêutica e Carreira Especial
Farmacêutica no Serviço Nacional de Saúde
Exposição de motivos
A profissão de Farmacêutico em Portugal tem uma longa e notável história, com um
papel de grande relevância ao serviço da sociedade e, mais especificamente, da
Saúde Pública. Desde a criação da Sociedade Farmacêutica Lusitana, em 1835, até à
constituição da Ordem dos Farmacêuticos, em 1972, a profissão tem desempenhado
um papel fundamental na gestão, qualidade e segurança dos medicamentos.
Nos hospitais, e antes de 1980, os Farmacêuticos, juntamente com os Médicos e
Administradores, eram os únicos licenciados com responsabilidades diretamente
ligadas à gestão de medicamentos e análises clínicas,funções essenciais no que toca
ao tratamento dos doentes. Posteriormente, e com o aparecimento de outros
licenciados nos hospitais, foi criada a carreira dos Técnicos Super iores de Saúde,
carreira onde foram colocados os Farmacêuticos, acedendo-se à mesma através do
estágio de carreira.
No entanto, a falta de vagas levou os hospitais a contratar Farmacêuticos fora da
carreira. Aliás, passados mais de 7 anos da criação da nova Carreira Farmacêutica e
Carreira Especial Farmacêutica, em 2017, a contratação de Farmacêuticos através da
Carreira de Técnico Superior continua a acontecer.
Quanto ao papel dos Farmacêuticos, especificamente no SNS, os Farmacêuticos
hospitalares asseguram a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos,
gerindo, aproximadamente, 25% do Orçamento do Estado para a saúde.Mas apesar
destas enormes responsabilidades, a tabela salarial destes profissionais não é
atualizada desde 1999. Um exercício comparativo com países do nosso entorno
(Espanha e França) demonstra que o vencimento dos Farmacêuticos é idêntico ao
dos médicos, o que manifestamente não acontece em Portugal.
Por outro lado, a escassez destes profissionais no SNS constitui outro grave problema
que urge debelar . Segundo um questionário efetuado pela Ordem dos
Farmacêuticos aos Diretores dos Serviços Farmacêuticos Hospitalares, seria
necessária a contratação de mais 300 Farmacêuticos para garantir o funcionamento
adequado dos serviços, isto é, mais 30% do que os atuais 1 .000 Farmacêuticos que
estão ao serviço do SNS.
No mesmo sentido de todas estas preocupações e injustiças para com estes
profissionais, existem receios quanto à capacidade do SNS para integrar na Carreira
Farmacêutica e Carreira Especial Farmacêutica do SNS os profissionais que concluam
a Residência Farmacêutica. A Residência Farmacêutica é o regime jurídico que regula
a formação especializada dos Farmacêuticos, com o objetivo de lhes conferir o título
de especialista nas áreas de Análises Clínicas, Farmácia Hospitalar e Genética
Humana. A preocupação centra-se no facto de, apesar da formação especializada, o
número de vagas anuais poder ser insuficiente para a plena integração destes
profissionais no SNS.
Todos estes fatores, em particular a carência de recursos humanos e materiais,
aliados ao aumento constante das atividades desenvolvidas nos Serviços
Farmacêuticos, têm levado um número significativo de Farmacêuticos hospitalares
do SNS a submeter declarações de exclusão de responsabilidade. Estes profissionais
consideram que as condições atuais, tanto em termos materiais como de pessoal,
são insuficientes para garantir a prestação de cuidados de saúde de qualidade aos
utentes.
Assim, pelo exposto e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentalmente
aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar do Partido CHEGA recomendam ao
Governo que:
Reveja a tabela salarial da Carreira Farmacêutica e Carreira Especial
Farmacêutica, que não sofre alterações desde 1999, e coloque estes
profissionais na posição remuneratória da nova tabela salarial , tendo em
conta o número de anos de serviço, proporcionando, assim, condições e
dignidade à profissão e cont ribuindo para a retenção dos profissionais no
SNS;
Estabeleça um plano de contratação de recursos humanos Farmacêuticos
que permita o cumprimento das atividades desenvolvidas nos Serviços
Farmacêuticos Hospitalares e nos Serviços de Patologia Clínica, garantindo a
contratação de Farmacêuticos para a Carreira Farmacêutica e Carreira
Especial Farmacêutica;
Impeça a contratação de Farmacêuticos através da Carreira de Técnico
Superior, assegurando que tod as as contratações sejam feitas dentro da
estrutura da atual Carreira Farmacêutica e Carreira Especial Farmacêutica;
Invista na qualidade de instalações, equipamentos e materiais essenciais para
o desempenho da atividade farmacêutica nas unidades hospital ares,
garantindo um ambiente tecnicamente adequado e seguro para a prática
profissional;
Mantenha a política de abertura anual de vagas para acesso à Residência
Farmacêutica, que permitam dar resposta às necessidades do SNS;
Inicie os procedimentos neces sários para, a partir de 2027, assegurar o
número de vagas anuais suficientes para a integração na Carreira
Farmacêutica e Carreira Especial Farmacêutica do SNS, dos Farmacêuticos
residentes que concluam a Residência Farmacêutica.
Palácio de São Bento, 22 de outubro de 2024
Os Deputados do CHEGA,
Pedro Pinto - Rui Cristina - Marta Silva - Felicidade Alcântara - Sandra Ribeiro
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Publicação — DAR II série A — 6-7 — 22/10/2024
II SÉRIE-A — NÚMERO 118
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 419/XVI/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO A VALORIZAÇÃO DA CARREIRA FARMACÊUTICA E CARREIRA
ESPECIAL FARMACÊUTICA NO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE
Exposição de motivos
A profissão de farmacêutico em Portugal tem uma longa e notável história, com um papel de grande relevância ao serviço da sociedade e, mais especificamente, da saúde pública. Desde a criação da Sociedade Farmacêutica Lusitana, em 1835, até à constituição da Ordem dos Farmacêuticos, em 1972, a profissão tem desempenhado um papel fundamental na gestão, qualidade e segurança dos medicamentos.
Nos hospitais, e antes de 1980, os farmacêuticos, juntamente com os médicos e administradores, eram os únicos licenciados com responsabilidades diretamente ligadas à gestão de medicamentos e análises clínicas, funções essenciais no que toca ao tratamento dos doentes. Posteriormente, e com o aparecimento de outros licenciados nos hospitais, foi criada a carreira dos técnicos superiores de saúde, carreira onde foram colocados os farmacêuticos, acedendo-se à mesma através do estágio de carreira.
No entanto, a falta de vagas levou os hospitais a contratar farmacêuticos fora da carreira. Aliás, passados mais de 7 anos da criação da nova carreira farmacêutica e carreira especial farmacêutica, em 2017, a contratação de farmacêuticos através da carreira de técnico superior continua a acontecer.
Quanto ao papel dos farmacêuticos, especificamente no SNS, os farmacêuticos hospitalares asseguram a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos, gerindo, aproximadamente, 25 % do Orçamento do Estado para a saúde. Mas, apesar destas enormes responsabilidades, a tabela salarial destes profissionais não é atualizada desde 1999. Um exercício comparativo com países do nosso entorno (Espanha e França) demonstra que o vencimento dos farmacêuticos é idêntico ao dos médicos, o que manifestamente não acontece em Portugal.
Por outro lado, a escassez destes profissionais no SNS constitui outro grave problema que urge debelar. Segundo um questionário efetuado pela Ordem dos Farmacêuticos aos diretores dos serviços farmacêuticos hospitalares, seria necessária a contratação de mais 300 farmacêuticos para garantir o funcionamento adequado dos serviços, isto é, mais 30 % do que os atuais 1000 farmacêuticos que estão ao serviço do SNS.
No mesmo sentido de todas estas preocupações e injustiças para com estes profissionais, existem receios quanto à capacidade do SNS para integrar na carreira farmacêutica e carreira especial farmacêutica do SNS os profissionais que concluam a residência farmacêutica. A residência farmacêutica é o regime jurídico que regula a formação especializada dos farmacêuticos, com o objetivo de lhes conferir o título de especialista nas áreas de análises clínicas, farmácia hospitalar e genética humana. A preocupação centra-se no facto de, apesar da formação especializada, o número de vagas anuais poder ser insuficiente para a plena integração destes profissionais no SNS.
Todos estes fatores, em particular a carência de recursos humanos e materiais, aliados ao aumento constante das atividades desenvolvidas nos serviços farmacêuticos, têm levado um número significativo de farmacêuticos hospitalares do SNS a submeter declarações de exclusão de responsabilidade. Estes profissionais consideram que as condições atuais, tanto em termos materiais como de pessoal, são insuficientes para garantir a prestação de cuidados de saúde de qualidade aos utentes.
Assim, pelo exposto e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentalmente aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar do partido Chega recomendam ao Governo que:
• Reveja a tabela salarial da carreira farmacêutica e carreira especial farmacêutica, que não sofre
alterações desde 1999, e coloque estes profissionais na posição remuneratória da nova tabela salarial, tendo em conta o número de anos de serviço, proporcionando, assim, condições e dignidade à profissão e contribuindo para a retenção dos profissionais no SNS;
• Estabeleça um plano de contratação de recursos humanos farmacêuticos que permita o cumprimento das atividades desenvolvidas nos serviços farmacêuticos hospitalares e nos serviços de patologia clínica, garantindo a contratação de farmacêuticos para a carreira farmacêutica e carreira especial farmacêutica;