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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 398/XVI/1ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE DECLARE ISRAEL KATZ, MINISTRO
DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DE ISRAEL, PERSONA NON GRATA EM
PORTUGAL
Israel Katz, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Estado de Israel, decidiu recorrer às
redes sociais no dia 2 de outubro para declarar António Guterres, Secretário-Geral das
Nações Unidas, persona non grata, banindo a sua entrada no país.
Na mesma publicação, Katz acusa António Guterres de não ter condenado nem o ataque
do Irão nem o ataque do Hamas e, citamos, “dar apoio a terroristas, violadores e
assassinos”.
Estas afirmações são obviamente falsas. António Guterres condenou o ataque do Hamas
de 7 de outubro de 2023 e condenou o recente ataque com mísseis do Irão contra Israel.
Tudo isso é facilmente verificável numa curta pesquisa pelos discursos e publicações do
Secretário-Geral das Nações Unidas. O problema de Katz é que António Guterres não tem
fechado os olhos às inúmeras atrocidades perpetradas pelo Estado de Israel, pelo seu
exército e colonos.
De facto, desde o primeiro momento que António Guterres tem sido uma voz corajosa na
defesa da paz e na denúncia de crimes contra a humanidade que todos os dias acontecem
por ações de Israel no território palestiniano e em todo o Médio Oriente.
A invasão terrestre da Faixa de Gaza obrigou à deslocação de mais de um milhão de
palestinianos e a ONU não deixou de assinalar a imensa crise humanitária que daí adviria.
Depois de Israel obrigar à deslocação massiva de palestinianos em Gaza acabou por
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ordenar o bombardeamento sistemático de zonas que classificou de seguras. E a ONU, seja
pelas suas agências no terreno, seja pela voz do Secretário-Geral, não se silenciou perante
o terror. Quando Israel decidiu bloquear a entrada de ajuda humanitária em Gaza,
condenando a população palestiniana à fome, à sede e à doença, Guterres esteve na
fronteira com Rafah para exigir a entrada dos camiões humanitários. Quando Israel
começou, desavergonhada e despudoradamente, a bombardear hospitais, caravanas de
ambulâncias e centros de saúde, a ONU e a OMS denunciaram a situação e disseram ao
mundo que as instalações de saúde não podem ser alvos militares. Fizeram o mesmo
quando se seguiram os bombardeamentos a campos de refugiados, escolas e outras
instalações geridas pela ONU.
António Guterres não se silenciou perante o assassinato de dezenas de milhares de
palestinianos, como não se silenciou perante o assassinato de dezenas de trabalhadores
humanitários. Exigiu que Israel parasse a agressão e colocou em cima da mesa a existência
de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade. Perante o infanticídio e os
sistemáticos ataques a escolas e campos de refugiados, o Secretário-Geral da ONU decidiu
colocar as Forças de Defesa de Israel (assim como o Hamas e a Jihad Islâmica) na lista
mundial de responsáveis por crimes contra crianças.
Ao contrário de outros líderes, António Guterres não tem fechado os olhos ao genocídio
em Gaza, à promoção da violência colonial na Cisjordânia ou à abertura de novas frentes
de ataque, nomeadamente contra o Líbano e a sua população civil. Pelo contrário, tem
criticado a impunidade com que Israel tem agido, mesmo quando é clara a violação do
direito internacional e os inúmeros crimes contra a humanidade.
Estas posições do Secretário-Geral da ONU, que são intervenções pelo cessar-fogo, pela
paz e pela condenação das agressões que vitimam milhares de civis, é que incomodam
Israel Katz e o Governo de Netanyahu.
Não é o facto de Guterres não ter uma palavra sobre o Hamas ou sobre o Irão, porque tem.
É o facto de António Guterres não fechar os olhos ao genocídio e não querer permitir que
os crimes de Israel fiquem impunes. Isso é que levou à deplorável decisão de declarar o
secretário-geral da ONU persona non grata por Israel. Uma decisão, aliás, condenada um
pouco por todo o mundo: o Conselho de Segurança da ONU, onde se encontram os Estados
Unidos da América, declarou de imediato apoio a Guterres, assim como o Alto
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Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, que
criticou ainda o “número inaceitável de vítimas entre o pessoal humanitário” da ONU em
Gaza. Outros países como o Brasil também manifestaram a sua solidariedade com
Guterres e condenaram Israel.
Posto tudo isto e tendo em conta a tentativa de Israel de intimidar e condicionar as ações
da ONU e do seu secretário-geral; tendo em conta que essa tentativa é totalmente baseada
em mentiras; tendo em conta a reiterada agressão de Israel contra populações civis e
contra o direito internacional e tendo ainda em conta que António Guterres é cidadão
português e ex-primeiro ministro do nosso país, Portugal deve comunicar a Israel que não
aceita este tipo de manobras de quem quer agir em total impunidade para os seus crimes.
Como consequência, o Governo português, e caso Israel não recue na sua decisão em
relação a António Guterres, deve declarar Israel Katz, Ministro dos Negócios Estrangeiros
do Governo de Israel, persona non grata.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do
Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
Declare Israel Katz, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Israel, persona non
grata.
Assembleia da República, 16 de outubro de 2024
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Marisa Matias; Fabian Figueiredo; Joana Mortágua;
José Soeiro; Mariana Mortágua
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Publicação — DAR II série A — 45-46 — 16/10/2024
16 DE OUTUBRO DE 2024
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 398/XVI/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE DECLARE ISRAEL KATZ, MINISTRO DOS NEGÓCIOS
ESTRANGEIROS DE ISRAEL, PERSONA NON GRATA EM PORTUGAL
Israel Katz, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Estado de Israel, decidiu recorrer às redes sociais no dia
2 de outubro para declarar António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, persona non grata, banindo
a sua entrada no país.
Na mesma publicação, Katz acusa António Guterres de não ter condenado nem o ataque do Irão nem o
ataque do Hamas e, citamos, «dar apoio a terroristas, violadores e assassinos».
Estas afirmações são obviamente falsas. António Guterres condenou o ataque do Hamas de 7 de outubro de
2023 e condenou o recente ataque com mísseis do Irão contra Israel. Tudo isso é facilmente verificável numa
curta pesquisa pelos discursos e publicações do Secretário-Geral das Nações Unidas. O problema de Katz é
que António Guterres não tem fechado os olhos às inúmeras atrocidades perpetradas pelo Estado de Israel,
pelo seu exército e colonos.
De facto, desde o primeiro momento que António Guterres tem sido uma voz corajosa na defesa da paz e na
denúncia de crimes contra a humanidade que todos os dias acontecem por ações de Israel no território
palestiniano e em todo o Médio Oriente.
A invasão terrestre da Faixa de Gaza obrigou à deslocação de mais de 1 milhão de palestinianos e a ONU
não deixou de assinalar a imensa crise humanitária que daí adviria. Depois de Israel obrigar à deslocação
massiva de palestinianos em Gaza acabou por ordenar o bombardeamento sistemático de zonas que classificou
de seguras. E a ONU, seja pelas suas agências no terreno, seja pela voz do Secretário-Geral, não se silenciou
perante o terror. Quando Israel decidiu bloquear a entrada de ajuda humanitária em Gaza, condenando a
população palestiniana à fome, à sede e à doença, Guterres esteve na fronteira com Rafah para exigir a entrada
dos camiões humanitários. Quando Israel começou, desavergonhada e despudoradamente, a bombardear
hospitais, caravanas de ambulâncias e centros de saúde, a ONU e a OMS denunciaram a situação e disseram
ao mundo que as instalações de saúde não podem ser alvos militares. Fizeram o mesmo quando se seguiram
os bombardeamentos a campos de refugiados, escolas e outras instalações geridas pela ONU.
António Guterres não se silenciou perante o assassinato de dezenas de milhares de palestinianos, como não
se silenciou perante o assassinato de dezenas de trabalhadores humanitários. Exigiu que Israel parasse a
agressão e colocou em cima da mesa a existência de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.
Perante o infanticídio e os sistemáticos ataques a escolas e campos de refugiados, o Secretário-Geral da ONU
decidiu colocar as forças de defesa de Israel (assim como o Hamas e a Jihad islâmica) na lista mundial de
responsáveis por crimes contra crianças.
Ao contrário de outros líderes, António Guterres não tem fechado os olhos ao genocídio em Gaza, à
promoção da violência colonial na Cisjordânia ou à abertura de novas frentes de ataque, nomeadamente contra
o Líbano e a sua população civil. Pelo contrário, tem criticado a impunidade com que Israel tem agido, mesmo
quando é clara a violação do direito internacional e os inúmeros crimes contra a humanidade.
Estas posições do Secretário-Geral da ONU, que são intervenções pelo cessar-fogo, pela paz e pela
condenação das agressões que vitimam milhares de civis, é que incomodam Israel Katz e o Governo de
Netanyahu.
Não é o facto de Guterres não ter uma palavra sobre o Hamas ou sobre o Irão, porque tem. É o facto de
António Guterres não fechar os olhos ao genocídio e não querer permitir que os crimes de Israel fiquem impunes.
Isso é que levou à deplorável decisão de declarar o Secretário-Geral da ONU persona non grata por Israel. Uma
decisão, aliás, condenada um pouco por todo o mundo: o Conselho de Segurança da ONU, onde se encontram
os Estados Unidos da América, declarou de imediato apoio a Guterres, assim como o Alto Representante da
União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, que criticou ainda o «número inaceitável de
vítimas entre o pessoal humanitário» da ONU em Gaza. Outros países como o Brasil também manifestaram a
sua solidariedade com Guterres e condenaram Israel.
Posto tudo isto e tendo em conta a tentativa de Israel de intimidar e condicionar as ações da ONU e do seu
Secretário-Geral; tendo em conta que essa tentativa é totalmente baseada em mentiras; tendo em conta a
reiterada agressão de Israel contra populações civis e contra o direito internacional e tendo ainda em conta que
António Guterres é cidadão português e ex-Primeiro-Ministro do nosso País, Portugal deve comunicar a Israel
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Votação Deliberação — DAR I série — 80-81 — 26/10/2024
I SÉRIE — NÚMERO 55
A Sr.ª Isabel Mendes Lopes (L): — Para anunciar que entregaremos uma declaração de voto escrita sobre
esta votação, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 384/XVI/1.ª (BE) — Apoio às mulheres
do Irão e à sua luta pela liberdade.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PS, do CH, da IL, do BE, do PCP, do L e do PAN
e as abstenções do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Deputado Miguel Guimarães pediu a palavra para que efeito?
O Sr. Miguel Guimarães (PSD): — Para anunciar que será apresentada uma declaração de voto escrita
sobre esta matéria.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Fica registado, Sr. Deputado.
O Sr. Deputado Pedro Delgado Alves pediu a palavra para que efeito?
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — É para uma interpelação à Mesa, Sr.ª Presidente, para que, por favor,
durante as votações, procurasse apelar aos Srs. Deputados que proferem insultos em direção às bancadas —
designadamente, o Sr. Deputado Pedro Frazão — para que se abstivessem de o fazer, por respeito à Câmara
e ao processo de votação.
Aplausos do PS, do BE, do PCP e do L.
Protestos do CH.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — O Sr. Deputado Pedro Pinto pede a palavra para que efeito?
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Não para entrar em teatros do Sr. Deputado Pedro Delgado Alves, mas para
dizer que o Chega vai apresentar uma declaração de voto escrita sobre o Projeto de Resolução n.º 384/XVI/1.ª,
do Bloco de Esquerda.
Aplausos do CH.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Sobre a interpelação à Mesa do Sr. Deputado Pedro Delgado Alves,
quero apenas dizer que a Mesa assume que todas as Sr.as e todos os Srs. Deputados sabem que não podem e
não devem proferir insultos aos Srs. Deputados, seja no momento das votações, seja noutro momento qualquer.
Vamos prosseguir com a votação do Projeto de Resolução n.º 379/XVI/1.ª (IL) — Recomenda que o Governo
continue a apoiar a Ucrânia na sua defesa contra a agressão russa e reforce os esforços diplomáticos,
económicos e militares em coordenação com os seus parceiros internacionais.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do PS, do CH, da IL, do L, do CDS-PP e
do PAN, o voto contra do PCP e a abstenção do BE.
O Sr. Deputado Fabian Figueiredo pede a palavra para que efeito?
O Sr. Fabian Figueiredo (BE): — É para anunciar uma declaração de voto escrita sobre a votação que
acabámos de realizar.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Fica registado, Sr. Deputado.
Segue-se a votação do Projeto de Resolução n.º 398/XVI/1.ª (BE) — Recomenda ao Governo que declare
Israel Katz, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, persona non grata em Portugal.
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