Publicação — DAR II série — 3108-3113 — 01/06/1984
II SÉRIE — NÚMERO 129
PROJECTO DE LEI N.° 357/111
aprova medidas tenoentk a organizar a resposta do estado democrático a calamidade dos salários em atraso.
1 — E inadmissível que num Estado democrático haja quem trabalhe e não receba.
Ê inadmissível que os órgãos de soberania com competência para dar resposta legal a tal situação assistam inertes ao alastramento do cancro dos salários em atraso.
Por isso, o Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português apresentou em 8 de Junho de 1983 o projecto de lei n.° 14/111, rejeitado pela coligação governamental.
Por isso, em 16 de Fevereiro de 1984 interpelámos o Governo sobre a situação dramática dos trabalhadores que viam acumular os débitos do patronato. A interpelação comprovou que a situação se agravava.
Ainda em Fevereiro de 1984 vimos não admitido pela Mesa da Assembleia da República o projecto de lei n.° 286/III, que retomava a temática do projecto de lei n.° 14/111, rejeição que a coligação governamental, esgrimindo débeis argumentos formais e sem qualquer consistência jurídicõ-constí tucional, veio a confirmar. ,
Em 1 de Março de 1984 apresentámos os projectos de lei n.os 294/IH, 295/III, 296/HI e 297/III, que, na sua globalidade, visavam debelar o flagelo social dos salários em atraso.
Os projectos de lei n.m 296/III e 297/III não tiveram melhor sorte que o projecto de lei n.° 286/III. Ainda com base em argumentos meramente formais, inconsistentes, de resto, os deputados eleitos recusaram a admissão dos mesmos, tomando sobre si a grave responsabilidade de rejeitar medidas que contribuiriam para debelar o flagelo que mina os alicerces da sociedade democrática.
Em 18 de Abril de 1984 a Assembleia da República recusou o pedido de urgência que apresentámos para o projecto de lei n.° 295/III, que visava a criminalização de violações do direito laboral. ,
Ao longo de todos os debates, propiciados pelas iniciativas legislativas do Partido Comunista Português, os números reais evidenciaram uma situação dramática, que nenhuma bancada do Parlamento pôde deixar de reconhecer.
Mas, apesar disso, o que fez a coligação governamental até hoje para repor a legalidade democrática, para resolver os problemas dos salários em atraso?
2 — O Ministério do Trabalho acabou por ver-se obrigado a mandar efectuar um relatório para apuramento da situação, rendendo-se à evidência de que, de facto, a situação não era apenas problema das entidades patronais (como o afirmaram membros do Governo), mas dizia respeito ao próprio Estado.
Um estudo feito pela CGTP/Intersindical revela que os dados apresentados pelo Ministério do Trabalho estão incompletos. Em 31 de Dezembro de 1983 eram 150 000 os trabalhadores com salários em atraso, isto em termos de apuramento não exaustivo, segundo revela o relatório da central sindical.
Para o Ministério do Trabalho, em 31 de Janeiro de 1984 eram 92 274 (em 633 empresas) os trabalhadores com salários em atraso.
O relatório não consegue esconder o agravamento progressivo da situação, agravamento que se evidenciou ainda mais nos meses posteriores ao da apresentação do relatório.
E, apesar de tudo, o que fizeram os órgãos de soberania competentes para pôr cobro à «doença» que mina a democracia? Nada!
3 — O Partido Socialista, nas jornadas parlamentares, anunciou que o seu grupo parlamentar iria apresentar na Assembleia da República um projecto sobre a situação de atraso no pagamento de salários.
A isto se referem as conclusões das jornadas no ponto A, n.° 8, alínea d).
As jornadas terminaram em 15 de Abril, e até hoje nenhum projecto deu entrada na Mesa da Assembleia.
Os jornais noticiaram em tempos que o Ministro de Estado Almeida Santos já teria elaborado um diploma sobre esta questão.
Informam-nos dais divergências do Sr. Ministro do Trabalho.
O Conselho de Concertação Social não se concertou nem se consertou.
Até hoje nada foi apresentado para discussão, nada foi aprovado.
4 — Chegam-nos notícias constantes do agravamento da situação dos trabalhadores.
São crianças que desmaiam nas escolas com fome.
São crianças sem rendimento escolar por falta de meios de subsistência.
São crianças que abandonam o ensino escolar por falta dos necessários meios económicos.
São crianças que vêem «morrer» diariamente as suas capacidades físicas e intelectuais.
São mulheres que defrontam dramáticas situações familiares por falta de pão.
São mulheres que dão à luz envoltas em desgostos e ansiedade.
São homens que se suicidam.
E que faz o Governo?
Aumenta os preços, aumenta os preços, aumenta mesmo o preço do pão.
5 — A Assembleia da República não pode continuar a demitir-se das suas responsabilidades.
Não pode continuar a fechar os olhos à realidade brutal da miséria que se instalou na casa de dezenas de milhar de trabalhadores.
A Assembleia da República não pode continuar a usar argumentos meramente formais para recusar iniciativas legislativas que visam resolver uma situação real e dramática, uma situação que se tornou o pão nosso de cada dia de uma parte significativa dos portugueses.
O Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português, tendo em conta a situação descrita, apresenta de novo um projecto de lei para resolução do problema dos salários em atraso.
A sua perspectiva é, no fundamental, a de projectos já apresentados; as soluções concretas comportam as distensões constitucionalmente necessárias.
Nele se propõem medidas tendentes à elaboração de um programa de emergência, à instituição de um subsídio reembolsável para os trabalhadores afectados, à garantia do seu direito à habitação, bem como me-
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Discussão generalidade — DAR I série — 16/11/1984
I Série -Numere 14 Sexta-feira, 16 de Novembro de 1984
DIÁRIO
da Assembleia da República
III LEGISLATURA
2.ª SESSÃO LEGISLATIVA
REUNIÃO PLENÁRIA DE 15 DE NOVEMBRO DE 1984
Presidente: Exmo. Sr. Fernando Monteiro do Amaral
Secretários: Exmos. Srs. Leonel de Sousa Fadigas
José Mário de Lemos Damião
José Manuel Maia Nunes de Almeida
Manuel António de Almeida de Azevedo e Vasconcelos
SUMÁRIO. - O Sr Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas e 40 minutos.
Após discussão na generalidade, foi rejeitado o projecto de Lei n º 357/III que aprova medidas tendentes a organizar a resposta do Estado democrático à calamidade dos salários em atraso, apresentado pelo PCP
Intervieram no debate, a diverso título, além do Sr Ministro do Trabalho e da Segurança Social, os Srs Deputados Jerónimo de Sousa (PCP) - que procedeu à apresentação do projecto de lei -, Jorge Lacão (PS), João Corregedor da Fonseca (MDP/CDE), António Gonzalez (Indep ), Soares Cruz (CDS), Carlos Brito (PCP), Lopes Cardoso, Hasse Ferreira e César Oliveira (UEDS), Vítor Hugo Sequeira e Marcelo Curto (PS), João Amaral, Ilda Figueiredo, Maria Odete Santos e Manuel Lopes (PCP), Raúl de Castro (MDP/CDE), João Rodrigues (PCP), Fradinho Lopes (PS), João Paulo (PCP), Arménio dos Santos (PSD), Rúben Raposo (ASDI), Oliveira Costa (PSD), João Duarte Fernandes (PS), Narana Coissoró (CDS), Abel Lopes de Almeida (CDS) e Manuel António dos Santos (PSD)
O Sr. Presidente encerrou a sessão eram 20 horas e 35 minutos.
O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, temos quórum, pelo que declaro aberta a sessão.
Eram 10 horas e 40 minutos.
Estavam presentes os seguintes Srs. Deputados:
Partido Socialista (PS):
Abílio Henrique Nazaré Conceição.
Acácio Manuel de Frias Barreiros.
Agostinho de Jesus Domingues.
Almerindo da Silva Marques.
Américo Albino da Silva Salteiro.
António da Costa.
António Domingues Azevedo.
António Frederico Vieira de Moura.
António José Santos Meira.
Beatriz Almeida Cal Brandão.
Bento Gonçalves da Cruz.
Carlos Augusto Coelho Pires.
Carlos Cardoso Lage.
Edmundo Pedro.
Ferdinando Lourenço Gouveia.
Fernando Fradinho Lopes.
Francisco Augusto Sá Morais Rodrigues.
Francisco Igrejas Caeiro.
Francisco Lima Monteiro.
Francisco Manuel Marcelo Curto.
Frederico Augusto Handel de Oliveira.
Gaspar Miranda Teixeira.
Gil da Conceição Palmeiro Romão.
Henrique Aureliano Vieira Gomes.
Hermínio Martins de Oliveira.
João de Almeida Eliseu.
João Luís Duarte Fernandes.
João do Nascimento Gama Guerra.
Joaquim José Catanho de Menezes.
Joel Maria da Silva Ferro.
Jorge Alberto Santos Correia.
Jorge Lacão Costa.
Jorge Manuel Aparício Ferreira Miranda.
José de Almeida Valente.
José António Borja dos Reis Borges.
José Augusto Fillol Guimarães.
José Barbosa Mota.
osé da Cunha e Sá.
José Ferreira Pires Gestosa.
José Luís Diogo Preza.
José Manuel Nunes Ambrósio.
José Martins Pires.
José Maximiano Almeida Leitão.
Juvenal Baptista Ribeiro.
Leonel de Sousa Fadigas.
Litério da Cruz Monteiro.
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Votação na generalidade — DAR I série — 16/11/1984
I Série -Numere 14 Sexta-feira, 16 de Novembro de 1984
DIÁRIO
da Assembleia da República
III LEGISLATURA
2.ª SESSÃO LEGISLATIVA
REUNIÃO PLENÁRIA DE 15 DE NOVEMBRO DE 1984
Presidente: Exmo. Sr. Fernando Monteiro do Amaral
Secretários: Exmos. Srs. Leonel de Sousa Fadigas
José Mário de Lemos Damião
José Manuel Maia Nunes de Almeida
Manuel António de Almeida de Azevedo e Vasconcelos
SUMÁRIO. - O Sr Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas e 40 minutos.
Após discussão na generalidade, foi rejeitado o projecto de Lei n º 357/III que aprova medidas tendentes a organizar a resposta do Estado democrático à calamidade dos salários em atraso, apresentado pelo PCP
Intervieram no debate, a diverso título, além do Sr Ministro do Trabalho e da Segurança Social, os Srs Deputados Jerónimo de Sousa (PCP) - que procedeu à apresentação do projecto de lei -, Jorge Lacão (PS), João Corregedor da Fonseca (MDP/CDE), António Gonzalez (Indep ), Soares Cruz (CDS), Carlos Brito (PCP), Lopes Cardoso, Hasse Ferreira e César Oliveira (UEDS), Vítor Hugo Sequeira e Marcelo Curto (PS), João Amaral, Ilda Figueiredo, Maria Odete Santos e Manuel Lopes (PCP), Raúl de Castro (MDP/CDE), João Rodrigues (PCP), Fradinho Lopes (PS), João Paulo (PCP), Arménio dos Santos (PSD), Rúben Raposo (ASDI), Oliveira Costa (PSD), João Duarte Fernandes (PS), Narana Coissoró (CDS), Abel Lopes de Almeida (CDS) e Manuel António dos Santos (PSD)
O Sr. Presidente encerrou a sessão eram 20 horas e 35 minutos.
O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, temos quórum, pelo que declaro aberta a sessão.
Eram 10 horas e 40 minutos.
Estavam presentes os seguintes Srs. Deputados:
Partido Socialista (PS):
Abílio Henrique Nazaré Conceição.
Acácio Manuel de Frias Barreiros.
Agostinho de Jesus Domingues.
Almerindo da Silva Marques.
Américo Albino da Silva Salteiro.
António da Costa.
António Domingues Azevedo.
António Frederico Vieira de Moura.
António José Santos Meira.
Beatriz Almeida Cal Brandão.
Bento Gonçalves da Cruz.
Carlos Augusto Coelho Pires.
Carlos Cardoso Lage.
Edmundo Pedro.
Ferdinando Lourenço Gouveia.
Fernando Fradinho Lopes.
Francisco Augusto Sá Morais Rodrigues.
Francisco Igrejas Caeiro.
Francisco Lima Monteiro.
Francisco Manuel Marcelo Curto.
Frederico Augusto Handel de Oliveira.
Gaspar Miranda Teixeira.
Gil da Conceição Palmeiro Romão.
Henrique Aureliano Vieira Gomes.
Hermínio Martins de Oliveira.
João de Almeida Eliseu.
João Luís Duarte Fernandes.
João do Nascimento Gama Guerra.
Joaquim José Catanho de Menezes.
Joel Maria da Silva Ferro.
Jorge Alberto Santos Correia.
Jorge Lacão Costa.
Jorge Manuel Aparício Ferreira Miranda.
José de Almeida Valente.
José António Borja dos Reis Borges.
José Augusto Fillol Guimarães.
José Barbosa Mota.
osé da Cunha e Sá.
José Ferreira Pires Gestosa.
José Luís Diogo Preza.
José Manuel Nunes Ambrósio.
José Martins Pires.
José Maximiano Almeida Leitão.
Juvenal Baptista Ribeiro.
Leonel de Sousa Fadigas.
Litério da Cruz Monteiro.