PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 8/XVI/1.ª
Exposição de Motivos
A proposta de Lei das Grandes Opções para 2024-2028 (Lei das Grandes Opções) apresentada
pelo XXIV Governo Constitucional corresponde às Grandes Opções de política económica,
social, ambiental e territorial para os anos de 2024 a 2028, enquadram-se nas estratégias de
desenvolvimento da sociedade e da economia portuguesas e de consolidação das contas públicas,
apresentadas no Programa do XXIV Governo Constitucional, tendo presente o contexto da
conjuntura nacional e internacional, nomeadamente a evolução económica e social do período pós-
inflacionista, a tendência esperada de redução das taxas de juro e os crescentes conflitos bélicos
em diversas regiões do Mundo, como sejam na Ucrânia e no Médio Oriente.
As Grandes Opções 2024-2028 correspondem às orientações e escolhas fundamentais de política
pública económica, social, ambiental e territorial até 2028, as quais estão assentes em seis desafios
estratégicos: um país mais justo e solidário; um país mais rico, inovador e competitivo; um país
com um Estado mais eficiente; um país mais democrático, aberto e transparente; um país mais
verde e sustentável e um país mais global e humanista.
Estes seis desafios estratégicos, convergentes com a Estratégia Portugal 2030, as recomendações
da União Europeia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, no contexto
económico e social do país e o seu enquadramento internacional, correspondem às principais
dimensões de intervenção que estruturam a implementação de um universo de medidas de política
pública focadas em consolidar e fortalecer as condições económicas e sociais no sentido de tornar
Portugal um país melhor, economicamente mais competitivo, territorialmente mais coeso e
socialmente mais justo. Importa ressalvar que, embora com uma perspetiva de horizonte
geracional, as Grandes Opções 2024-2028 não deixam de ser marcadas por um sentido de urgência
e pela necessidade de realizar mudanças a breve trecho, compaginando medidas de efeito imediato
com outras de maior fôlego e alcance mais vasto.
A implementação das Grandes Opções 2024-2028 exige um conjunto ambicioso de medidas de
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política e de investimentos cujas fontes de financiamento se repartem entre Orçamento do Estado
e o quadro europeu de instrumentos de financiamento, designadamente, o PT 2020, em fase de
encerramento, a iniciativa de Assistência de Recuperação para a Coesão e os Territórios da Europa
(REACT UE), o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), e o PT 2030, que materializa o
ciclo de programação de fundos europeus para o período 2021-2027.
Mais se destaca que houve uma preocupação de definir as Grandes Opções à luz do novo
enquadramento de governação económica e orçamental aplicável aos Estados-Membros da União
Europeia, que entrou em vigor no dia 30 de abril de 2024, na sequência de a Comissão ter proposto,
em abril de 2023, uma reforma mais ambiciosa e abrangente das regras de governação económica
da União Europeia.
A fim de dar cumprimento ao disposto do artigo 92.º da Constituição e da alínea a) do artigo 2.º
da Lei n.º 108/91, de 17 de agosto, na sua redação atual, a presente proposta de Lei das Grandes
Opções foi objeto de parecer do Conselho Económico e Social.
Assim:
Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 32.º da Lei de Enquadramento Orçamental, aprovada
em anexo à Lei n.º 151/2015, de 11 de setembro, na sua redação atual, e da alínea d) do n.º 1 do
artigo 197.º da Constituição, o Governo apresenta à Assembleia da República a seguinte proposta
de lei:
Artigo 1.º
Objeto
É aprovada a Lei das Grandes Opções para 2024-2028 em matéria de planeamento e da
programação orçamental plurianual (Lei das Grandes Opções), que integra as medidas de política
e de investimentos que contribuem para as concretizar.
Artigo 2.º
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Enquadramento estratégico
As Grandes Opções para 2024-2028 enquadram-se nas estratégias de desenvolvimento da
sociedade e da economia portuguesas e de consolidação das contas públicas apresentadas no
Programa do XXIV Governo Constitucional tendo presente a conjuntura nacional e internacional,
nomeadamente a evolução do período pós-inflacionista, tendência esperada de redução das taxas
de juro e os crescentes conflitos bélicos em diversas regiões do Mundo, como sejam na Ucrânia e
no Médio Oriente.
Artigo 3.º
Âmbito
1 - A Lei das Grandes Opções integra:
a) A identificação e planeamento das opções de política económica, que constam do
anexo I à presente lei e da qual faz parte integrante;
b) A programação orçamental plurianual para os subsetores da administração central e
segurança social, que consta do anexo II à presente lei e da qual faz parte integrante.
2 - A Lei das Grandes Opções integra um conjunto de compromissos assentes em seis desafios
estratégicos:
a) Um país mais justo e solidário;
b) Um país mais rico, inovador e competitivo;
c) Um país com um estado mais eficiente;
d) Um país mais democrático, aberto e transparente;
e) Um país mais verde e sustentável;
f) Um país mais global e humanista.
Artigo 4.º
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Enquadramento orçamental
As prioridades de investimento constantes da Lei das Grandes Opções são compatibilizadas no
âmbito do Orçamento do Estado para 2025.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 25 de junho de 2024
O Primeiro-Ministro
O Ministro de Estado e das Finanças
O Ministro Adjunto e da Coesão Territorial
O Ministro dos Assuntos Parlamentares
ANEXO I
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[a que se refere a alínea a) do n.º 1 do artigo 3.º]
Grandes Opções 2024-2028
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ÍNDICE
1. Introdução ......................................................................................................................................11
1.1. Opções de política económica, social, ambiental e territorial .....................................18
1.2. Alinhamento com a Estratégia Portugal 2030, as recomendações da União
Europeia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU .................................31
3. Um país mais justo e solidário ...................................................................................................39
3.1. Um país com futuro para os jovens e para as crianças .................................................48
3.1.1. Natalidade e bem-estar ..............................................................................................................49
3.1.2. Apoiar os jovens .......................................................................................................................50
3.1.3. Desporto e atividade física...........................................................................................................51
3.2. Um país que promove a igualdade, valoriza o trabalho e protege as pessoas ..........52
3.2.1. Emprego e trabalho dignos, dinâmicos e competitivos.........................................................................54
3.2.2. Longevidade e intergeracionalidade................................................................................................55
3.2.3. Segurança Social e apoios sociais...................................................................................................56
3.2.4. Combate à pobreza....................................................................................................................57
3.2.5. Igualdade, diversidade, inclusão e combate a todas as formas de discriminação e violência..........................57
4. Um país mais rico, inovador e competitivo ............................................................................59
4.1. Um país com melhores salários, menos impostos, mais economia .............................69
4.1.1. Valorização dos salários, redução de IRS e retenção e captação de talento.............................................72
4.1.2. Transformar custos de contexto em oportunidades.............................................................................73
4.1.3. Internacionalização das empresas e atração de investimento estrangeiro .................................................75
4.1.4. Financiamento e crescimento empresarial........................................................................................76
4.1.5. Inovação, empreendedorismo e digitalização.....................................................................................78
4.1.6. Indústria, turismo, comércio, serviços e consumidores.........................................................................79
4.1.7. Mar .......................................................................................................................................80
4.1.8. Fundos Europeus......................................................................................................................82
4.2. Um país de educação, de cultura e de ciência para inovar ...........................................83
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4.2.1. Educação e formação .................................................................................................................84
4.2.2. Ciência, ensino superior e inovação................................................................................................85
4.2.3. Cultura...................................................................................................................................86
5. Um país com um Estado mais eficiente ...................................................................................89
5.1. Um país com equilíbrio económico e orçamental ..........................................................96
5.1.1. Equilíbrio orçamental e redução da dívida......................................................................................97
5.1.2. Reforma das finanças públicas e do Estado.....................................................................................97
5.1.3. Setor Empresarial do Estado ......................................................................................................98
5.1.4 Administração pública................................................................................................................99
5.2. Um país com serviços públicos de excelência ...............................................................100
5.2.1. Saúde de qualidade para todos...................................................................................................102
5.2.2. Reforma da organização, governação e prestação do setor público .......................................................103
5.2.3. Capacitação da administração pública .........................................................................................104
5.2.4. Modernização, simplificação e desburocratização do Estado .............................................................105
6. Um país mais democrático, aberto e transparente ...............................................................107
6.1. Transparência e combate à corrupção ............................................................................113
6.2. Justiça ....................................................................................................................................114
6.3. Comunicação social e combate à desinformação ..........................................................115
6.4. Segurança e proteção civil .................................................................................................116
6.5. Regiões Autónomas: insularidade, solidariedade e autonomia regional ..................119
7. Um país mais verde e sustentável ............................................................................................120
7.1. Um país de desenvolvimento sustentável e de transição climática ...........................133
7.1.1. Ambiente ..............................................................................................................................136
7.1.2. Uma transição energética competitiva e sustentável..........................................................................144
7.1.3. Agricultura, floresta e pescas .....................................................................................................146
7.1.4. Coesão territorial e descentralização ............................................................................................148
7.2. Um país com melhores infraestruturas e habitação para todos .................................150
7.2.1. Mobilidade, infraestruturas e comunicações...................................................................................151
7.2.2. Habitação: reformas para resolver a crise .....................................................................................154
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8. Um país mais global e humanista ............................................................................................156
8.1. Política Externa ...................................................................................................................163
8.2. Comunidades portuguesas e lusofonia ............................................................................167
8.3. Valorização da diáspora .....................................................................................................170
8.4 Migrações ...............................................................................................................................171
8.5. Defesa nacional ....................................................................................................................174
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Indicadores de contexto referentes à situação nacional ................................................. 13
Quadro 2 - Programação plurianual para financiamento das medidas de política pública das GO
2024-2028................................................................................................................................................... 28
Quadro 3 - Fontes de financiamento das medidas de política pública das GO 2024-2028........... 28
Quadro 4 - Alinhamento das agendas temáticas da Estratégia Portugal 2030 com os desafios
estratégicos das Grandes Opções 2024-2028 ....................................................................................... 33
Quadro 5 - Alinhamento das Recomendações Específicas por País dirigidas a Portugal com os
desafios estratégicos das Grandes Opções 2024-2028 ........................................................................ 35
Quadro 6 - Alinhamento das medidas dos desafios estratégicos das Grandes Opções 2024-2028
com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.............................................. 38
Quadro 7 - Indicadores de contexto associados ao desafio estratégico "Um país mais justo e
solidário" .................................................................................................................................................... 42
Quadro 8 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais justo e solidário"
..................................................................................................................................................................... 43
Quadro 9 - Instrumentos de planeamento associados ao desafio estratégico "Um país mais justo
e solidário" ................................................................................................................................................. 44
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Quadro 10 - Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país
mais justo e solidário" .............................................................................................................................. 48
Quadro 11 - Indicadores de contexto associados ao desafio estratégico "Um país mais rico,
inovador e competitivo"........................................................................................................................... 62
Quadro 12 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais rico, inovador e
competitivo" .............................................................................................................................................. 65
Quadro 13 - Instrumentos de planeamento associados ao desafio estratégico "Um país mais rico,
inovador e competitivo"........................................................................................................................... 66
Quadro 14 - Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país
mais rico, inovador e competitivo"......................................................................................................... 69
Quadro 15 - Indicadores de contexto associados ao desafio estratégico "Um país com um Estado
mais eficiente" ........................................................................................................................................... 91
Quadro 16 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país com um Estado mais
eficiente"..................................................................................................................................................... 92
Quadro 17 - Instrumentos de planeamento associados ao desafio estratégico "Um país com um
Estado mais eficiente".............................................................................................................................. 94
Quadro 18 – Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país
mais democrático, aberto e transparente" ............................................................................................. 95
Quadro 19 - Indicadores de contexto associados ao desafio estratégico "Um país mais
democrático, aberto e transparente" .................................................................................................... 110
Quadro 20 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais democrático,
aberto e transparente" ............................................................................................................................ 111
Quadro 21 - Instrumentos de planeamento associados ao desafio estratégico "Um país mais
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democrático, aberto e transparente" .................................................................................................... 111
Quadro 22 – Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país
mais democrático, aberto e transparente" ........................................................................................... 113
Quadro 23 - Indicadores de contexto associados ao desafio estratégico "Um país mais verde e
sustentável" .............................................................................................................................................. 124
Quadro 24 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais verde e
sustentável" .............................................................................................................................................. 125
Quadro 25 - Instrumentos de planeamento associados ao desafio estratégico "Um país mais
verde e sustentável" ................................................................................................................................ 128
Quadro 26 – Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país
mais verde e sustentável" ....................................................................................................................... 133
Quadro 27 - Indicadores de contexto associados ao desafio estratégico "Um país mais global e
humanista" ............................................................................................................................................... 159
Quadro 28 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais global e
humanista" ............................................................................................................................................... 160
Quadro 29 - Instrumentos de planeamento associados ao desafio estratégico "Um país mais
global e humanista"................................................................................................................................. 161
Quadro 30 - Programação dos investimentos associados ao desafio estratégico "Um país mais
global e humanista " ............................................................................................................................... 163
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1. Introdução
As Grandes Opções 2024-2028 correspondem às orientações e escolhas fundamentais de
política pública económica, social, ambiental e territorial até 2028, as quais estão assentes em
seis desafios estratégicos:
Um país mais justo e solidário;
Um país mais rico, inovador e competitivo;
Um país com um Estado mais eficiente;
Um país mais democrático, aberto e transparente;
Um país mais verde e sustentável;
Um país mais global e humanista.
Um país mais justo e solidário visa a proteção dos mais vulneráveis, o combate às
desigualdades sociais e territoriais, a garantia de acesso e da qualidade dos serviços públicos
e a promoção da coesão social, enquanto cria condições para a fixação dos jovens.
Um país mais rico, inovador e competitivo compreende a aposta na educação, na ciência, na
tecnologia e na cultura, o estímulo à criatividade e ao empreendedorismo, a valorização do
tecido produtivo nacional e o reforço da sua capacidade exportadora e da sua integração nas
cadeias de valor globais.
Um país com um Estado mais eficiente visa um complexo institucional público mais
qualificado, assente no mérito e competitivo, capaz de prestar às pessoas e às empresas
serviços públicos mais acessíveis e com melhor qualidade, aptos a gerar maior igualdade de
oportunidades.
Um país mais democrático, aberto e transparente pretende fortalecer o Estado de Direito,
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garantir o cumprimento da Constituição e da lei, assegurar o funcionamento regular das
instituições, incluindo o combate à corrupção, promover a ética e a responsabilidade na vida
pública e incentivar o escrutínio dos cidadãos, assim como modos mais e ficazes de
participação cívica.
Um país mais verde e sustentável assume o compromisso de cumprir o Acordo de Paris sobre
as alterações climáticas, atua no quadro da estratégia ambiental e climática da União Europeia,
promove a descarbonização e a transição para uma economia circular, preserva os recursos
naturais, reforça o papel estratégico do setor agroflorestal e das pescas e aposta na mobilidade
sustentável, nomeadamente promovendo a transferência modal para a ferrovia, e na
eficiência energética. Assume ainda como prioridade a gestão, armazenamento e distribuição
eficiente de água.
Um país mais global e humanista assenta na defesa do projeto europeu e do multilateralismo,
no aprofundamento das relações com os países de língua portuguesa e com as comunidades
portuguesas no estrangeiro, na promoção de uma política de imigração regulada, humanista,
flexível na sua execução, e orientada para as necessidades do mercado de trabalho, na
dinamização da cooperação para o desenvolvimento e da ajuda humanitária e numa
contribuição efetiva para a paz e a segurança internacionais.
No conjunto, estes seis desafios estratégicos correspondem às dimensões de intervenção
fulcral que estruturam a implementação de um universo de medidas de política pública
focadas em consolidar e fortalecer as condições para fazer de Portugal um país melhor.
Importa ressalvar que, embora com uma perspetiva de horizonte geracional, as Grandes
Opções 2024-2028 não deixam de ser marcadas por um sentido de urgência e pela
necessidade de realizar mudanças a breve trecho, compaginando medidas de efeito imediato
com outras de maior fôlego e alcance mais vasto.
O Quadro 1 expõe uma seleção de indicadores referentes à situação nacional e que, de modo
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sintético, informam sobre a base na qual foram feitas as escolhas e estabelecidas as
prioridades de política económica, social, ambiental e territorial para o período de 2024 a
2028.
Quadro 1 - Indicadores de contexto1 referentes à situação nacional
1 Os indicadores de contexto fornecem informação agregada e atualizada de natureza diversa – social, económica,
ambiental, territorial ou outra –, relevante para enquadrar e fundamentar as principais orientações contidas nestas
Grandes Opções, resultando de uma seleção dos indicadores de contexto referentes aos vários desafios estratégicos.
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Como referido, as Grandes Opções 2024-2028 não pretendem responder somente a
problemas e desafios imediatos. Consideram igualmente o futuro (médio e longo-prazo) e
acautelam medidas de política pública focadas nos problemas, desafios e oportunidades que
se antecipam, considerando o que se estima serem as megatendências e o impacto que terão
sobre o país.
Megatendências e impactos em Portugal
As megatendências são processos de transformação a longo prazo com âmbito alargado e
impacto profundo, observáveis no presente e que continuarão a exercer a sua influência
durante décadas. Podem ser de natureza social, económica, ambiental, política, tecnológica
ou combinar várias destas vertentes. No âmbito da equipa multissetorial de prospetiva da
Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública (RePLAN), foi
identificado um conjunto de nove megatendências globais com impacto em Portugal.
Agravamento das alterações climáticas
O aumento de temperatura de 1,5º C face ao período pré-industrial será muito provavelmente
atingido antes do final da presente década, contrariando a meta estabelecida no Acordo de
Paris, e poderá ser acompanhado de fenómenos climáticos extremos que causarão danos
económicos e colocarão em causa a segurança das populações.
Impactos em Portugal: períodos de seca prolongada cada vez mais frequentes – a par de
outros fenómenos extremos - com aumento da probabilidade de falhas na produção agrícola,
de maior volatilidade dos preços dos alimentos e da dependência alimentar face ao exterior.
A subida do nível do mar pressionará as zonas costeiras onde se concentra a maioria da
população e muita da atividade económica. As ondas de calor representarão um risco para a
saúde humana.
Pressão crescente sobre os recursos naturais
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Proposta de Lei n.º
A procura global dos recursos naturais poderá duplicar até 2060. A procura alimentar global
irá crescer até 2050 e a produção de calorias terá de aumentar 56%, o que implicará mais 593
mil hectares de terra cultivada. Até 2050, o consumo final de energia a nível global poderá
aumentar 0,7% ao ano.
Impactos em Portugal: maior conflito pelo uso da água entre as utilizações humana,
energética e agrícola. Será assumido um papel cada vez mais destacado nas negociações com
Espanha sobre a partilha de recursos hídricos. Portugal poderá encontrar oportunidades de
desenvolvimento económico, se aprofundar a aposta na promoção da economia circular e
explorar os recursos minerais e marinhos sob a sua jurisdição de forma adequada.
Diversificação e mudança dos modelos económicos
As escolhas entre a integração física e virtual, ou a fragmentação e o isolamento, moldarão o
curso da globalização nos próximos anos. A globalização dificilmente será revertida, mas
poderá passar a operar numa dinâmica de maior variedade de modelos económicos que
estarão, simultaneamente, em cooperação e competição entre si.
Impactos em Portugal: o país tem uma economia integrada nos circuitos da globalização e
sujeita às dinâmicas de integração/fragmentação. A aplicação do conceito de autonomia
estratégica aberta e a reconfiguração dos fundos europeus poderão ter impactos profundos.
Um reforço da autonomia poderá implicar uma recuperação das atividades mineira e
industrial em território nacional num quadro de sustentabilidade.
Evoluções demográficas divergentes
O crescimento populacional, em simultâneo com o envelhecimento, será desigual entre
regiões. A população mundial deverá atingir um máximo de 10 mil milhões de pessoas até
2050, iniciando então uma fase decrescente. O envelhecimento será uma das transformações
mais significativas do século XXI, com profundos impactos sociais.
Impactos em Portugal: estima-se que em 2050 haverá 297,2 pessoas idosas por cada 100
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Proposta de Lei n.º
jovens. O envelhecimento da população levará a uma maior procura de serviços de saúde,
mas também pode ter efeitos socioeconómicos negativos por via da diminuição da população
ativa e da crescente pressão sobre os sistemas de segurança social. A população portuguesa
será mais diversa étnica e culturalmente e haverá um reforço da língua portuguesa no mundo
fruto do crescimento populacional nos países africanos de língua oficial portuguesa.
Um mundo mais urbano
Em 2050, 68% da população mundial viverá em cidades. As cidades tendem a proporcionar
uma melhor utilização de recursos e mais oportunidades, apesar de serem mais afetadas por
problemas como a habitação precária ou a degradação ambiental. As cidades serão o palco e
os atores de muitas das dinâmicas que moldarão o século XXI.
Impactos em Portugal: a tendência de urbanização é concomitante com a litoralização e é
previsível que os dois fenómenos se mantenham ao longo das próximas décadas. A
acumulação de pessoas na faixa litoral, por um lado, criará externalidades positivas e, por
outro lado, acentuará os obstáculos à coesão territorial e ao desenvolvimento equilibrado do
país.
Um mundo mais digital
Haverá uma evolução exponencial do volume de dados, do desenvolvimento da internet das
coisas e da inteligência artificial (IA). A análise de dados para a tomada de decisões
estratégicas só será possível com algoritmos cada vez mais sofisticados. Disseminar-se-á o
emprego relacionado com os dados e as tecnologias digitais, exigindo uma atualização
constante das competências dos trabalhadores.
Impactos em Portugal: o país acompanha as tendências de desenvolvimento das economias
e sociedade digitais e tem potencial para se destacar em áreas como a IA, a cibersegurança,
as energias renováveis e a mobilidade sustentável. No entanto, existem também desafios,
como a capacitação digital da população, a inclusão digital das áreas mais remotas, o combate
à desinformação e os ciberataques.
Aceleração do desenvolvimento tecnológico
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Proposta de Lei n.º
A aceleração do desenvolvimento tecnológico prolongar-se-á pelas próximas décadas. Novos
materiais, sistemas de fabricação inteligente e tecnologias digitais poderão causar avanços e
disrupções de largo espetro nos custos, nas cadeias de abastecimento, no mercado de
trabalho, no emprego e na descarbonização.
Impactos em Portugal: novas tecnologias criarão produtos, processos e empregos, mas a
procura global de talentos poderá incentivar a emigração de pessoas qualificadas. O domínio
marítimo de Portugal será vital para o país acelerar o conhecimento dos oceanos e para a
sustentabilidade. A tecnologia moldará a autonomia estratégica e a competitividade do país.
Um mundo multipolar
O centro de gravidade da economia mundial deslocar-se-á mais para Este e para Sul, com o
crescimento de países como China, Índia, Brasil e outros. Numa configuração geopolítica
mais fluída, alguns destes novos atores tentarão defender militarmente os seus interesses. A
UE poderá ter dificuldades políticas neste novo cenário mundial devido aos seus mecanismos
de tomada de decisão e a conflitos internos.
Impactos em Portugal: o país está integrado no bloco UE-OTAN, sendo decisiva a evolução
futura desse bloco. Portugal poderá alavancar o seu domínio marítimo e a localização
atlântica, a CPLP ou a sua a inserção nas rotas internacionais de mercadorias e de dados,
procurando ter uma voz ativa nas decisões do bloco e ajustando-se melhor às suas evoluções
futuras.
Novos desafios à democracia
A persistência das desigualdades e a influência de atores não estatais capazes de rivalizar com
os Estados serão um desafio à democracia. A própria resposta das democracias a ameaças
internas e externas poderão conduzir a tentativas de limitar os direitos fundamentais. Tais
desafios ao Estado de direito poderão ainda dificultar a gestão política do bloco UE-OTAN.
Impactos em Portugal: o combate às desigualdades será crucial para a vitalidade da
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Proposta de Lei n.º
democracia e a confiança nas instituições. As redes sociais poderão catalisar ativismos
políticos e sociais, mas também propagar desinformação e ódio. Num contexto europeu de
conflito, Portugal deve enfrentar os desafios e consolidar-se como uma voz cada vez mais
ativa na sua resolução.
1.1. Opções de política económica, social, ambiental e territorial
Os principais objetivos estratégicos e as medidas mais relevantes e respetivas fontes de
financiamento das Grandes Opções 2024-2028 são apresentados de forma sumária abaixo,
sendo mais detalhados nos capítulos seguintes.
Um país mais justo e solidário
Um dos objetivos fundamentais das políticas públicas até 2028 é a criação de condições e
oportunidades para que os jovens possam concretizar os seus projetos de vida em Portugal.
Tal implica uma estratégia transversal e concertada, de largo espectro, capaz de suster a
tendência de emigração, principalmente dos mais jovens e qualificados. Essa estratégia deve
garantir também a renovação das gerações e a vitalidade do país, concretizada numa série de
medidas que vão desde a promoção da natalidade, ao aumento da proteção à primeira
infância, ao alívio fiscal sobre o rendimento do trabalho, até à mitigação das dificuldades de
acesso à habitação por parte dos jovens.
Sendo a criação de condições para a permanência em território nacional do segmento jovem
da população ativa um dos desígnios principais, outro é o reforço dos dispositivos de apoio
e proteção da população mais idosa, tendencialmente mais vulnerável e exposta a riscos como
a doença, a pobreza, a exclusão social e a discriminação, que tentem a gerar isolamento e
participação limitada na comunidade.
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Proposta de Lei n.º
Neste sentido, além de medidas apostadas em colocar a longevidade como prioridade,
nomeadamente por via da promoção do envelhecimento ativo e do envelhecimento digno,
de modo a aumentar de 8 para 12 anos a expetativa de vida saudável aos 65 anos de idade,
relevam-se medidas de apoio à família, com enfoque especial na proteção de pessoas
dependentes.
Em termos de trabalho e emprego, Portugal é sistematicamente apontado como um país sem
grande produtividade e com salários baixos. Não obstante a trajetória de aumento do salário
mínimo – que se pretende manter, de modo a atingir, em 2028, o valor de 1 000 euros –, é
fundamental pugnar para que, com contribuição do processo de concertação social e com
base em ganhos de produtividade, o valor do salário médio possa cifrar-se, em 2030, em
1 750 euros.
Justifica ainda destaque a alteração dos termos de acesso ao complemento solidário para
idosos (CSI), incluindo o reforço gradual do seu valor numa trajetória orientada para que, em
2028, os reformados em situações de maior fragilidade possam receber um valor de
referência garantido de 820 euros, tendo como objetivo a equiparação ao valor do salário
mínimo nacional, na legislatura seguinte.
Sem prejuízo das medidas de reforma a estudar e implementar, o sistema de Segurança Social
nacional deve proporcionar uma rede de proteção caracterizada pela clareza, previsibilidade
e sustentabilidade em relação às contribuições e aos benefícios, que não perpetue a pobreza,
não constitua desincentivo ao trabalho e à valorização profissional e não impeça ou limite o
envelhecimento ativo. Neste quadro, deve ser reconhecido o papel das instituições do setor
social e privado, as quais urge dignificar e reforçar.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Um país mais rico, inovador e competitivo
A produtividade de Portugal é baixa, importando por isso promover medidas que estimulem
o crescimento económico, a criação de emprego quali ficado, a inovação, o incremento do
registo de patentes tecnológicas, a reindustrialização, a competitividade, a internacionalização
e as exportações com maior valor acrescentado. Têm papel relevante nesse processo as
medidas de política pública com incidência na educação, na ciência e na cultura, que servem
tanto para criar condições propícias à criatividade e à inovação, quanto para melhorar as
condições de vida e potenciar as oportunidades das pessoas.
Sendo uma economia aberta, a economia portuguesa encontra-se exposta ao contexto
internacional e às contingências e incertezas daí decorrentes, nomeadamente em relação à
evolução das principais economias, como a europeia, a norte-americana e a chinesa; ao
sucesso do controlo da inflação e das taxas de juro; às novas regras orçamentais europeias e
aos seus impactos; à possibilidade de agravamento dos conflitos internacionais existentes ou
do surgimento de novos; à reorganização das cadeias de fornecimento; ao acesso limitado a
matérias-primas críticas; ao aumento do custo da energia; e à evolução tecnológica.
A par destes fatores e incertezas, existem especi ficidades nacionais que obstam ao
desenvolvimento económico, como, por exemplo, a carga fiscal elevada, os custos e a
tramitação morosa dos processos burocráticos que obrigam à utilização de recursos
significativos em atividades não produtivas.
De modo a garantir o desenvolvimento e o crescimento económico do país, é necessário
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Proposta de Lei n.º
reduzir os custos unitários de produção, eliminar os obstáculos ao aumento da produtividade
– nomeadamente por via da redução do IRC em dois pontos percentuais ao ano, passando
dos atuais 21% para os 15% em três anos – e promover a revitalização da indústria, dos
serviços de suporte, do turismo, do comércio, dos serviços e da economia do mar. Para tal
importa reforçar o investimento, criando uma rede de colaboração e interdependência para
as exportações, procurando novos mercados e mercados em expansão, acedendo a
oportunidades para ganhos de dimensão do tecido empresarial e fomentando uma maior
capacidade competitiva em mercado aberto.
Um país com um Estado mais eficiente
A construção de um Estado que possa prestar serviços públicos mais acessíveis e de melhor
qualidade, aptos a gerar igualdade de oportunidades, passa por uma gestão prudente e
eficiente das finanças públicas, do Setor Empresarial do Estado e da administração pública.
O equilíbrio orçamental e a redução da dívida pública, condições essenciais a isso, têm de
estar assentes numa economia com maior produtividade e competitividade, geradora de mais
crescimento. Isso exige a adequação da organização, do funcionamento e da política de
recursos humanos da administração pública, de modo a capacitar os serviços públicos a
responderem com eficácia e eficiência aos desafios futuros. Exige também a implementação
de prática de gestão modernas, garantindo coerência entre as políticas de emprego público,
carreiras, remunerações, condições de trabalho, proteção social, desenvolvimento
profissional e avaliação de desempenho dos trabalhadores.
As persistentes assimetrias no acesso aos serviços públicos não dignificam o Estado,
devendo, por isso, ser corrigidas. A desconcentração, a descentralização e a autonomia das
entidades da administração pública contribuem para a criação de uma administração mais
próxima e eficiente, que possibilite, por um lado, a garantia de acesso a serviços públicos
essenciais de qualidade e, por outro lado, uma gestão e provisão de serviços adaptada às
necessidades regionais e locais, promovendo uma distribuição mais equitativa e justa dos
recursos do Estado.
As dificuldades de acesso a cuidados de saúde, acentuada nos últimos anos, exige e justifica
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Proposta de Lei n.º
também uma intervenção pública determinada. É necessário cumprir a garantia
constitucional de acesso universal a cuidados de saúde, utilizando, para o efeito, todos os
meios públicos, privados e sociais. É também fundamental motivar e apoiar os profissionais
de saúde, diminuir a carga de doenças, adaptar as respostas do sistema ao envelhecimento
demográfico, reforçar a autonomia das instituições com práticas de gestão modernas e
promover a partilha de responsabilidades para um autocuidado mais ativo e autónomo das
pessoas e comunidades.
Um país mais democrático, aberto e transparente
É primordial vigiar e preservar a integridade das instituições e dos agentes públicos, o que
exige, além de uma cultura de serviço público e de transparência, um quadro de regulação de
condutas eficaz e a mobilização dos recursos suficientes para o combate à corrupção e à
criminalidade conexa. A par disso revela-se importante proceder a reformas na justiça,
sobretudo para anular ou atenuar a morosidade processual e os custos daí decorrentes,
inclusive em termos de confiança nas instituições democráticas. Importa, por exemplo,
reforçar e simplificar os procedimentos de resolução alternativa de litígios e alterar o
paradigma dos regimes de insolvência e de recuperação de empresas.
Com relevo para a confiança dos cidadãos no regime democrático e nas instituições que o
concretizam, destaca-se igualmente o robustecimento e a qualificação do espaço público, no
sentido em que o exercício da cidadania implica cidadãos informados. Para tanto é
fundamental não só promover a independência, a responsabilidade, a credibilidade e a
sustentabilidade dos órgãos de comunicação social convencionais, mas também combater a
desinformação e a proliferação de notícias falsas, fenómenos facilitados pela centralidade das
redes sociais nos processos de circulação de informação e de comunicação.
Outra dimensão decisiva é a segurança, a proteção de pessoas e bens. Há desafios
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Proposta de Lei n.º
significativos neste plano. Não estão em causa apenas a defesa e manutenção da ordem
pública e o combate às diversas formas de criminalidade, missão das forças de segurança.
Estão em causa também a prevenção, a proteção e o socorro, providos pelos serviços da
proteção civil, nomeadamente nos casos relativos à gestão de riscos, a acidentes ou
catástrofes. A este nível, com a digitalização crescente de registos e formas de comunicação,
a cibersegurança é outro domínio que exige atenção redobrada, sendo fundamental apostar
em sistemas de gestão da segurança de informação e dados, para proteger as pessoas e as
empresas, mas também os órgãos e os serviços do Estado.
Um país mais verde e sustentável
Alguns dos maiores desafios colocados a Portugal e ao mundo são os relacionados com a
perda de biodiversidade e a resposta às alterações climáticas. Neste sentido, o país precisa de
uma nova geração de políticas de ambiente e de energia para conseguir proteger e valorizar
os seus recursos naturais, assegurando melhor qualidade de vida às comunidades,
promovendo ao mesmo tempo a criação de riqueza, a competitividade económica e o
equilíbrio com os mais diversos setores de atividade, nomeadamente a agricultura.
Além das medidas focadas no uso sustentável dos recursos, na gestão e no tratamento de
resíduos, na promoção da economia circular, no planeamento, ordenamento e proteção
territorial e de gestão ambiental, destacam-se medidas com incidência sobre os recursos
naturais, orientadas para a conservação da natureza, da promoção da biodiversidade e para o
uso eficiente da água, por exemplo através da redução das perdas de água nas redes de
abastecimento público e de rega, da modernização do setor e implementação do Plano
Estratégico “Água que Une”. Neste contexto, um dos objetivos mais relevantes é apostar no
regadio como fonte de desenvolvimento económico e de adaptação climática.
Importa realçar o papel estratégico do setor agroflorestal e piscatório, que para além de
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Proposta de Lei n.º
constituir um forte aliado no que respeita à sustentabilidade ambiental, é ainda determinante
no processo de coesão territorial e de desenvolvimento rural e na contribuição direta e
indireta para a sustentabilidade económica.
Fulcrais são também as medidas de transição energética, com o propósito estratégico tanto
da neutralidade carbónica, quanto de diminuição da dependência energética face ao exterior,
fazendo com que os ganhos ambientais deste processo sejam acompanhados por benefícios
e proveitos para os cidadãos e para a economia do país.
Relacionada com o princípio de um desenvolvimento mais sustentável estão também as
infraestruturas, elemento determinante da localização das pessoas e das atividades
económicas, por um lado, e das condições de mobilidade e dos tipos de fluxos de pessoas e
bens que são possíveis, por outro lado. Quanto a isto, os transportes e a sua integração modal
têm papel destacado. Por isso, releva-se aqui o investimento na modernização e na construção
de infraestruturas associadas aos diversos tipos de transporte, tal como a construção de
ligações de alta velocidade, a iniciar-se com a maior brevidade possível, assim como a
eletrificação da rede ferroviária nacional, os estudos para a terceira travessia do Tejo, o
aumento da capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, a construção do novo aeroporto
de Lisboa, bem como a necessária beneficiação da infraestrutura rodoviária que potencie a
intermodalidade.
A dificuldade de acesso a habitação, acentuada nos últimos anos e a afetar em especial os
jovens, exige e justifica também uma intervenção pública determinada. Nesta dimensão,
impõem-se medidas de efeito imediato conjugadas com medidas de fundo, que vão desde o
apoio a arrendatários em situação vulnerável ou a jovens para aquisição de habitação própria
permanente até à promoção do aumento da oferta habitacional e à estabilização do mercado
de arrendamento.
Um país mais global e humanista
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Proposta de Lei n.º
A política externa do Estado português é determinante para a a firmação da soberania
nacional e do posicionamento do país no continente europeu e no mundo. São quatro os
eixos essenciais da política externa: empenho ativo na construção europeia; aprofundamento
e robustecimento do espaço lusófono; intensificação da cooperação transatlântica; defesa do
multilateralismo. Tais eixos decorrem do compromisso nacional com a União Europeia (UE),
a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Organização do Tratado Atlântico
Norte (OTAN) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Neste âmbito têm também
destaque as medidas de valorização da diáspora portuguesa e de intensificação das relações
com as comunidades de cidadãos nacionais a residir no estrangeiro, de modo a preservar a
sua ligação ao país, às suas história e cultura, garantindo serviços de apoio aos emigrantes e
estimulando o seu regresso.
É de sublinhar a relevância da imigração para o país, dadas as necessidades demográficas,
sociais e económicas, para além das considerações humanistas e de solidariedade. Nesse
sentido destaca-se a promoção de uma política de imigração regulada, humanista, flexível na
sua execução, e orientada para as necessidades do mercado de trabalho, que também permita
garantir a melhoria das condições de acolhimento.
No quadro da Defesa Nacional, é fundamental manter e reforçar a participação portuguesa
em missões internacionais com Forças Nacionais Destacadas (FDN) e Elementos Nacionais
Destacados (END), no âmbito da OTAN, da ONU e da UE. Além disto, importa promover
uma indústria de defesa competitiva, reforçando o investimento, garantindo a aplicação da
Lei de Programação Militar (LPM) e envolvendo o tecido empresarial que compõe a base
tecnológica e industrial de defesa no processo de reequipamento das Forças Armadas
(FFAA).
É de particular relevo dignificar as carreiras militares, encetando um processo de negociação
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Proposta de Lei n.º
para a melhoria das condições salariais e reforçando os incentivos aos militares contratados,
de forma a garantir a retenção e o recrutamento de voluntários necessários para atingir os
efetivos autorizados. Importa ainda assegurar a justiça para com os antigos combatentes,
avaliando a natureza e aumentando os apoios que lhes são concedidos.
Fontes de financiamento das Grandes Opções 2024-2028
As Grandes Opções 2024-2028 concretizam-se num conjunto de medidas de política pública
cujas fontes de financiamento abrangem fundos nacionais e europeus.
Assim, as medidas incluídas nas Grandes Opções 2024-2028 incluem:
Fontes de financiamento nacionais, das quais se destacam o Orçamento do Estado,
o Orçamento da Segurança Social, entre outras fontes, como o Fundo Ambiental
(FA) – que concentra num único fundo vários recursos financeiros para ter maior
capacidade e adaptabilidade aos desafios que se apresentam em termos ambientais –
e o Fundo de Inovação, Tecnologia e Economia Circular (FITEC);
Fontes de financiamento europeias, destacando-se:
o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) — A decorrer até 2026, visa a
implementação de um conjunto de reformas e de investimentos que
impulsionarão o país para a convergência europeia em termos de crescimento
económico;
o Acordo de Parceria Portugal 2030 (PT2030) — Agrupa cinco fundos
europeus, os fundos associados à política de coesão - Fundo Europeu de
Desenvolvimento Regional (FEDER), o Fundo de Coesão (FC), o Fundo
Social Europeu+ (FSE+) e o Fundo de Transição Justa (FTJ) - e o Fundo
Europeu dos Assuntos Marítimos Pescas e Aquicultura (FEAMPA), relativos
ao Acordo de Parceria estabelecido entre Portugal e a Comissão Europeia
para o período de 2021 a 2027;
o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum — Estes englobam o Fundo
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Proposta de Lei n.º
Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) e o Fundo Europeu Agrícola de
Desenvolvimento Rural (FEADER) para o período 2021-2027;
o Outros fundos europeus a que Portugal acede, com destaque para:
Mecanismo Interligar a Europa para os transportes, energia e digital
(MIE) que apoia o desenvolvimento de redes transeuropeias de alto
desempenho, sustentáveis e interligadas de forma eficiente;
Horizonte Europa (HE) que financia a investigação, a inovação e
facilita a colaboração entre os Estados-Membros;
Programa «Europa Digital»;
InvestEU que visa estimular o investimento, apoiar a inovação e as
pequenas empresas;
Programa Ambiente e Ação Climática (LIFE) que visa o
desenvolvimento sustentável e a concretização de objetivos e metas
estabelecidas pela UE no domínio de ambiente e ação climática;
Fundo para o Asilo, a Migração e Integração (FAMI) que contribui
para uma gestão eficaz dos fluxos migratórios e para a definição de
uma abordagem comum em matéria de asilo e migração na UE;
Fundo para a Segurança Interna;
Instrumento de Apoio Financeiro à Gestão das Fronteiras e à Política
de vistos, criado no âmbito do Fundo de Gestão Integrada das
Fronteiras;
Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu - EEA
Grants Portugal.
O Quadro 2 reporta a programação plurianual do financiamento relativo às medidas e aos
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Proposta de Lei n.º
investimentos previstos para cada um dos desafios estratégicos que compõem as Grandes
Opções 2024-2028.
Quadro 2 - Programação plurianual para financiamento das medidas de política pública das GO 2024-
O Quadro 3 2 evidencia o contributo de várias fontes de financiamento, designadamente o
PRR e o PT2030, para cada um dos desafios estratégicos referidos.
Quadro 3 - Fontes de financiamento das medidas de política pública das GO 2024-2028
2 As fontes de financiamento nacionais incluem valores da Contrapartida Pública Nacional (CPN) e do Fundo Ambiental;
as outras fontes europeias incluem valores associados ao PEPAC, MIE e FEAMPA.
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Proposta de Lei n.º
Nota Metodológica
O Quadro de programação plurianual para financiamento das medidas de política pública
contempla a projeção de execução dos investimentos previstos no Programa de Recuperação
e Resiliência (PRR), em outras fontes europeias previstas no âmbito do Quadro Financeiro
Plurianual (QFP 2021-2027) – nomeadamente os fundos da Política de Coesão, acordados
através do Portugal 2030 (PT2030), os fundos da Política Agrícola Comum, enquadrados no
PEPAC, do FEAMPA, através do Programa Mar 2030 e investimentos previstos no
Mecanismo Interligar Europa (MIE) – e contempla ainda medidas de política financiadas
através de fontes de financiamento nacionais, incluindo as contrapartidas públicas nacionais
(CPN) dos fundos europeus ou o Fundo Ambiental (FA). As projeções de execução para o
PRR e para o PT2030 foram elaboradas tendo em consideração a diferente natureza destes
instrumentos e o respetivo estágio de execução.
As medidas de política financiadas pelo PRR incluem as previsões de pagamento a
beneficiários diretos e finais para o período de referência das Grandes Opções, entre 2024 e
2028, pelo que não são considerados os montantes já transferidos em 2021-2023 para esses
beneficiários. Estes dois pressupostos explicam as diferenças entre os valores reportados no
Quadro e os valores globais inscritos no PRR. A abordagem metodológica seguida para a
previsão de pagamentos a beneficiários diretos e finais não é compatível com uma
comparação direta com o cronograma de montantes contratados com beneficiários diretos e
beneficiários intermediários.
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Proposta de Lei n.º
Em particular, nos fundos programados ao abrigo do Quadro Financeiro Plurianual da União
Europeia 2021-2027, o exercício previsional de execução dos fundos considera também o
horizonte temporal das Grandes Opções, pelo que os montantes apresentados ao longo do
documento não são diretamente comparáveis com os montantes constantes nos documentos
de programação conhecidos, cuja execução se prolonga em regra até 2029.
No caso dos fundos da Política da Coesão, a abordagem seguida considera a previsão de
execução para o período 2024 a 2028, no âmbito do Quadro Plurianal de Programação
Orçamental. A correspondência aos desafios estratégicos foi elaborada a partir das tipologias
de ação que integram os objetivos específicos, traduzidos pelos ponderadores, aplicados
quando foi necessário repartir as verbas associadas a um objetivo específico por vários
desafios estratégicos.
Os montantes relativos ao PT2030 apenas consideram o financiamento através do FEDER,
FSE+, Fundo de Coesão e Fundo para uma Transição Justa (FTJ), pelo que não incluem os
fundos dirigidos especificamente à Agricultura e Pescas (FEAMPA), nem ao Asilo e
Migrações (FAMI).
É considerada uma estimativa para a Comparticipação Pública Nacional (CPN) dos fundos
incluídos no PT2030 e no PEPAC, bem como de outros fundos europeus como o
Mecanismo Interligar Europa, quando aplicável.
No caso do Fundo Ambiental (FA), o exercício teve como base os dados para o ano de 2024
para a receita e despesa orçamentada, tendo sido projetada em primeiro lugar a receita. A
despesa foi projetada de forma a o seu total fosse sempre igual ao total da receita.
Importa dar nota de que os exercícios de projeção foram realizados com base na informação
disponível à data. Não obstante, são exercícios inerentemente dinâmicos, uma vez que estão
sujeitos a atualizações decorrentes não só de alterações à programação, mas também do
próprio perfil de execução efetivamente verificado.
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Proposta de Lei n.º
Regista-se que se optou por uma metodologia de classificação única. Ou seja, cada item, ou
medida de política pública, e seu respetivo financiamento foram alocados a um único desafio
estratégico. Nos casos em que uma dada medida ou item contribua para mais do que um
desafio foi aplicado um ponderador de forma a repartir o financiamento por esses desafios.
Esta metodologia impacta na diferença de valores agregados, nomeadamente a que se
observa entre os dois desafios estratégicos “Um país mais democrático, aberto e
transparente” e “Um país mais global e humanista” e os restantes desafios. Esta diferença
explica-se principalmente pelo caráter transversal das medidas consignadas a estes desafios
(em áreas como a justiça, o combate à corrupção, a segurança e a proteção civil, a defesa
nacional e a política externa), além de se centrarem, sobretudo, em intervenções de natureza
administrativa e de reformas legislativas. Adicionalmente, note-se, o desafio "Um país mais
verde e sustentável” concentra a maior parte do financiamento, dado que, além das medidas
relativas à transição energética e ambiental, inclui os investimentos avultados em
infraestruturas, mobilidade, habitação e agricultura.
1.2. Alinhamento com a Estratégia Portugal 2030, as recomendações da
União Europeia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU
As Grandes Opções 2024-2028 assumem uma orientação convergente com a Estratégia
Portugal 2030. Conforme pode ser verificado no
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Quadro 4, a generalidade das medidas de política pública preconizadas para os diversos
desafios estratégicos concorre igualmente, de modo direto ou indireto e com intensidade
menor ou maior, para os objetivos expressos nas agendas temáticas daquela Estratégia.
Refira-se ainda que a Estratégica Portugal 2030 é um instrumento de planeamento que
enquadra o desenho dos instrumentos de apoio ao desenvolvimento económico e social do
país, nomeadamente a aplicação dos fundos europeus. Neste sentido, os desafios estratégicos
aqui elencados têm uma relação próxima com dois outros instrumentos de planeamento
essenciais, o Plano de Recuperação e Resiliência – com dotação global (após atualização da
reprogramação) de 22,2 mil milhões de euros e período de execução até 2026 – e o Acordo
de Parceria Portugal 2030 – com dotação global de aproximadamente 23 mil milhões de euros
e período de execução até 2029 –, este implementado por via de doze programas – quatro
de âmbito temático, sete de âmbito regional, um de assistência técnica –, a que acrescem os
Programas de Cooperação Territorial Europeia em que o país participa.
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Proposta de Lei n.º
Quadro 4 - Alinhamento das agendas temáticas da Estratégia Portugal 2030 com os desafios estratégicos
das Grandes Opções 2024-2028
Agendas temáticas da
Estratégia Portugal 2030
Desafios estratégicos
Um país mais justo e
solidário
Um país mais rico,
inovador e competitivo
Um país com um Estado
mais eficiente
Um país mais
democrático, aberto e
transparente
Um país mais verde e
sustentável
Um país mais global e
humanista
As pessoas primeiro: um
melhor equilíbrio
demográfico, maior
inclusão, menos
desigualdade
●●● ●● ●● ● ●● ●
Digitalização, inovação e
qualificações como
motores do
desenvolvimento
●● ●●● ●●● ● ●● ●
Transição climática e
sustentabilidade dos
recursos
●● ● ●●● ●
Um país competitivo
externamente e coeso
internamente
●● ●●● ●● ●● ●●●
●●● Contributo muito relevante | ●● Contributo relevante | ● Contributo
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Proposta de Lei n.º
É também relevante observar – ver Quadro 5 – de que modo as orientações e as medidas de
política pública associadas aos diferentes desafios estratégicos estão alinhadas com as
Recomendações Específicas por País (REP) dirigidas a Portugal para 2024, emitidas no
âmbito do Semestre Europeu e do processo de coordenação e governança económica da
União Europeia, que terá, agora, nova configuração. As REP consideradas foram
apresentadas pela Comissão Europeia a 19 de junho e que carecem ainda de aprovação pelo
Conselho da UE. Note-se que as REP apresentadas abaixo são uma versão sintetizada da
versão original3.
3 COM(2024) 622 final https://commission.europa.eu/document/download/97267980-f10e-4587-984f-
9d70e768b8bc_en?filename=com_2024_622_1_en.pdf
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Proposta de Lei n.º
Quadro 5 - Alinhamento das Recomendações Específicas por País dirigidas a Portugal com os desafios
estratégicos das Grandes Opções 2024-2028
Recomendações Específicas por País dirigidas
a Portugal (2024)
Desafios estratégicos
Um país mais justo e
solidário
Um país mais rico,
inovador e competitivo
Um país com um
Estado mais eficiente
Um país mais
democrático, aberto e
Um país mais verde e
sustentável
Um país mais global e
humanista
REP 1
Submeter atempadamente o Plano
Orçamental-Estrutural Nacional de
Médio Prazo.
Limitar o crescimento das despesas
líquidas em 2025.
Descontinuar as medidas de apoio
energético de emergência.
Melhorar a eficácia do sistema
fiscal, e reforçar sustentabilidade a
da segurança social.
●●● ●●● ●●● ●●
REP 2
Reforçar a capacidade
administrativa para melhor
absorver fundos europeus e manter
impulso na implementação de
reformas.
● ●●● ●● ●● ●●
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Proposta de Lei n.º
Acelerar a execução dos programas
da política de coesão.
Reforçar as medidas de mitigação
dos riscos das alterações climáticas,
no quadro da revisão intercalar da
política da coesão.
REP 3 Melhorar a gestão dos recursos
hídricos.
● ● ●●● ●
REP 4
Reforçar a capacidade da rede de
transmissão e distribuição de
eletricidade.
●● ● ●●●
●●● Contributo muito relevante | ●● Contributo relevante | ● Contributo
O Quadro 6 espelha o resultado agregado do alinhamento das medidas de política mais
relevantes, enunciadas em cada um dos desafios estratégicos, com os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS), em termos do seu potencial contributo para a
concretização das respetivas metas definidas na Agenda 2030 da ONU.
O universo das medidas de política identificas contribui para os 17 ODS e a maioria está
alinhada com pelo menos uma das metas dos ODS. Apenas 39 medidas não se alinham com
qualquer meta dos 17 ODS. O desafio estratégico “Um país mais verde e sustentável” é o
desafio que apresenta um contributo para um maior número de ODS (15 dos 17), sendo de
destacar os ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e o ODS 13 (Ação Climática)
com um maior número de medidas alinhadas.
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Proposta de Lei n.º
De realçar que os ODS 8 e ODS 16 são os mais impactados, de forma transversal por todos
os desafios estratégicos, seguidos dos ODS 3 (Saúde de Qualidade) e ODS 17 (Parcerias para
a Implementação dos Objetivos). Em contrapartida, constata-se que há um conjunto de ODS
cujo contributo para a prossecução das suas metas advém de medidas de políticas inscritas
apenas em um desafio estratégico (ODS 2; ODS 5; ODS 6; ODS 7 e ODS 13).
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Proposta de Lei n.º
Quadro 6 - Alinhamento das medidas dos desafios estratégicos das Grandes Opções 2024-2028 com os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
3. Um país mais justo e solidário
O desafio estratégico de tornar Portugal “Um país mais justo e solidário” traduz a visão e as
prioridades de política pública que combatem as desigualdades económicas, sociais e territoriais,
criando para isso, oportunidades que permitam perspetivar um futuro para as crianças e jovens,
valorizando o trabalho, promovendo a igualdade e protegendo as pessoas, em particular, as mais
vulneráveis e idosas para que tenham mais e melhor acesso a serviços públicos de qualidade.
No âmbito deste desafio estratégico constituem-se como objetivos estratégicos: uma política
integrada, que espelhe a realidade dos jovens, os seus anseios e a suas preocupações e lhes dê a
possibilidade de ficarem em Portugal; uma política de aumento da natalidade e de preparação de
respostas de adaptação ao envelhecimento demográfico que acompanhem o aumento da
longevidade e a mudança de perfil das pessoas idosas no futuro; e a melhoria da qualidade de vida
dos cidadãos, através de benefícios sociais, educacionais, económicos e de saúde pelo aumento das
atividades física e desportiva da população.
Este desafio comporta também a retoma do diálogo no quadro da concertação social; o
alargamento das matérias de intervenção da negociação coletiva à relação jurídica e tipologia do
emprego, aos mecanismos de mobilidade, aos períodos experimentais, ao tempo de trabalho e a
aspetos relativos à extinção dos vínculos laborais; e o início de um processo negocial sobre matérias
de segurança e saúde no trabalho com vista ao estabelecimento de um acordo que dê suporte a
uma estratégia plurianual nesta área.
Sob o mesmo campo de ação, destacam-se ainda a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida
dos portugueses através de políticas de promoção do envelhecimento ativo, do envelhecimento
digno e de apoio à família, nomeadamente na proteção das crianças e de outras pessoas
dependentes, e o combate à pobreza, sobretudo pelo reforço do complemento solidário para
idosos (CSI), garantindo que os reformados em situações mais vulneráveis podem viver com
dignidade.
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Proposta de Lei n.º
“Um país mais justo e solidário” exige igualmente do sistema de segurança social o compromisso
de ser mais simples e previsível na sua relação com os beneficiários, mais transparente e eficiente,
mas também mais justo, mais inclusivo e universal, que responda às preocupações das pessoas, que
seja uma rede de segurança e estável, caracterizado pela sustentabilidade em relação às
contribuições e aos benefícios, que não perpetue a pobreza, e que dê uma resposta efetiva às
situações economicamente mais frágeis, retirando da pobreza os reformados e os trabalhadores
com menores rendimentos.
Este desafio estratégico contempla ainda no centro das políticas públicas, como objetivos
estratégicos, a inclusão e a promoção da igualdade, o combate às discriminações em razão do
género, da etnia, da raça, da religião ou da orientação sexual, a inclusão de pessoas com deficiência
baseada nos princípios da não segregação e não exclusão, considerando a transversalidade de todas
as suas dimensões para eliminar os preconceitos sociais ou familiares enfrentados e criando
condições de vida para o desenvolvimento do seu potencial e capacidades.
As medidas de política que se destacam como mais relevantes neste desafio estratégico são as
seguintes:
Adotar o IRS Jovem de forma duradoura e estrutural, o que implica uma redução
de 2/3 nas taxas atualmente aplicáveis, com uma taxa máxima de apenas 15%,
dirigindo esta medida a todos os jovens até aos 35 anos, com exceção do último
escalão de rendimentos (medida também referida no capítulo 4 e subcapítulo 4.1.1.);
Isentar de contribuições e impostos os prémios de produtividade por desempenho
no valor de até 6% da remuneração base anual (correspondendo, dessa forma, a um
15.º mês, quando aplicado);
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Reforçar gradualmente o valor do CSI numa trajetória orientada para que em 2028
os reformados em situações de maior fragilidade possam ter um valor de referência
garantido de 820 euros, e tendo como objetivo a equiparação ao valor do salário
mínimo nacional, na legislatura seguinte. Inclui ainda a eliminação dos rendimentos
dos filhos para efeitos de exclusão do CSI por parte das pessoas idosas;
Aumentar o salário mínimo nacional para 1 000 euros em 2028;
Duplicar a consignação de IRS das famílias a favor de instituições sociais de 0,5%
para 1%, de forma a aumentar a liberdade de escolha dos portugueses e a reforçar
o financiamento do setor social;
Prevenir e reduzir a violência doméstica e de género e melhorar e reforçar a rede de
apoios às vítimas;
Atualizar a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto e rever a legislação
estruturante.
No Quadro 7 apresentam-se os indicadores de contexto associados a este desafio estratégico “um
país mais justo e solidário”, que de modo sumário e panorâmico ilustram a situação atual e sua
evolução. Desses indicadores de contexto salienta-se a queda da taxa de natalidade bruta e o
aumento do número de emigrantes permanentes no último ano em que há registo (2022), após a
diminuição acentuada no período pós-troika. A generalidade dos restantes indicadores apresenta
uma evolução positiva.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Quadro 7 - Indicadores de contexto4 associados ao desafio estratégico "Um país mais justo e solidário"
O Quadro 8 apresenta algumas metas estratégicas presentes nas Grandes Opções 2024-2028, para
este desafio, nomeadamente, alcançar o top 10 do ranking de felicidade medido pelo World
Hapiness Report do Active Ageing Index e AgeWatch Index e elevar a expetativa de vida saudável
aos 65 anos de 8 para 12 anos. O mesmo, apresenta ainda, as metas estratégicas dos instrumentos
de planeamento (IP), classificados como tal até ao final de 2023, que também estão relacionados
com este desafio estratégico.
4 Os indicadores de contexto fornecem informação agregada e atualizada de natureza diversa – social, económica, ambiental,
territorial ou outra –, relevante para enquadrar e fundamentar as principais orientações contidas neste desafio estratégico.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Quadro 8 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais justo e solidário"
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Grandes Opções 2024-
Alcançar o top 10 do ranking de felicidade medido
pelo World Hapiness Report do Active Ageing Index
e AgeWatch Index
Grandes Opções 2024-
A expetativa de vida saudável aos 65 anos passar de
8 para 12 anos
Estratégia Nacional de
Combate à Pobreza 2021-
Reduzir a taxa de pobreza monetária para o conjunto
da população para 10%, o que representa uma
redução de 660 mil pessoas em situação de pobreza
Estratégia Nacional de
Combate à Pobreza 2021-
Reduzir para metade a pobreza monetária no grupo
das crianças, o que representa uma redução de 170
mil crianças em situação de pobreza
Estratégia Nacional de
Combate à Pobreza 2021-
Reduzir para metade a taxa de pobreza monetária
dos trabalhadores pobres, o que representa uma
redução de 230 mil trabalhadores em situação de
pobreza
Estratégia Nacional de
Combate à Pobreza 2021-
Reduzir a disparidade da taxa de pobreza dos
diferentes territórios até ao máximo de 3 pontos
percentuais em relação à taxa média nacional
Estratégia Nacional de
Combate à Pobreza 2021-
Aproximação do indicador de privação material
infantil à média europeia, em pontos percentuais
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Estratégia Nacional de
Luta contra o Cancro 2021-
Reduzir a prevalência de inatividade física da
população portuguesa com 15 anos ou mais,
estimada em 48,1% em 2019, em pelo menos 10%,
até 2030
No Quadro 9 apresentam-se os instrumentos de planeamento que se relacionam com o desafio
estratégico, e que estão adotados, para rever ou para elaborar, em concordância com o que é
referido nestas Grandes Opções 2024-2028. É referido também o tipo de avaliação a que os IP
adotados estão sujeitos, quando os mesmos a preveem.
Mencionam-se como planos a elaborar, o Plano Estratégico Nacional para a Natalidade e a
Longevidade, o Plano Estratégico para a Atividade Física e Desporto, o Plano Estratégico
Plurianual para a Segurança e Saúde no Trabalho, o Plano Estratégico de Retenção em Portugal
dos Jovens Estrangeiros que Vieram Estudar nas Universidades e Politécnicos Portugueses e o
Plano Estratégico de Inclusão para as Pessoas com Doenças Degenerativas. A estes juntam-se o
Plano de Ação Nacional de Atração de Jovens Portugueses que Abandonaram o País, o Plano de
Ação Nacional de Formação para Cuidadores Informais e o Plano de Ação Nacional de Apoio aos
Jovens com Deficiência na Transição da Escola para o Mercado de Trabalho.
Após a publicação da lista dos instrumentos de planeamento, é de relevar a aprovação da Estratégia
Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2025-2030, através da
Resolução do Conselho de Ministros n.º 61/2024, de 2 de abril.
Quadro 9 - Instrumentos de planeamento5 associados ao desafio estratégico "Um país mais justo e solidário"
5 Disponível em https://www.planapp.gov.pt/lista-de-instrumentos-de-planeamento-2023/.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Designação6 Situação
Avaliação
prevista7
Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 Adotado
Intercalar e
final
Plano de Ação da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza
2022-2025
Adotado
Intercalar e
final
Pessoas 2030 - Programa Temático Demografia,
Qualificações e Inclusão
Adotado
Intercalar e
final
II Plano Nacional para a Juventude (II PNJ) Adotado ----
Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação
2018-2030 “Portugal + Igual” (ENIND)
Adotado
Intercalar e
final
Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade8 Adotado
Em momento
não definido
Planos de Ação da Estratégia Nacional para a Igualdade e a
Não Discriminação 2018-2030 “Portugal + Igual”
Adotado Final
Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação
2021-2025 (PNCRD)
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia de Promoção da Acessibilidade e Inclusão nos
Museus, Monumentos e Palácios 2021-2025
Adotado Final
6 As designações para os instrumentos propostos estão alinhadas com a Taxonomia dos Instrumentos de Planeamento e com o
Glossário do Ciclo de Políticas Públicas, em desenvolvimento no âmbito da RePLAN - Rede de Serviços de Planeamento e
Prospetiva da Administração Pública.
7 A classificação relativa à avaliação considera a referência explícita no próprio diploma que estabelece/aprova o Instrumento de
Planeamento (IP). Consideram-se excluídas atividades de monitorização e acompanhamento estritamente focadas no progresso
ou execução do IP. Nas referências a avaliações de impacto, assume-se como pressuposto que são avaliações finais em relação
�� vigência do IP. Tendo por base os Artigos 44.º e 45.º do Regulamento (UE) 2021/1060 do Parlamento Europeu e do Conselho,
que estabelece disposições comuns relativas aos Fundos Europeus, assume-se que os Programas Operacionais financiados
por Fundos Europeus preveem avaliações intercalares e finais.
8 Apesar do IP pertencer à Área Governativa da Defesa Nacional, surge na sequência dos IP associados ao processo de
planeamento dos Planos de Ação da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação 2018-2030 “Portugal + Igual”.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Designação6 Situação
Avaliação
prevista7
Programa Regressar Adotado ----
Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com
Deficiência 2021-2025 (ENIPD)
Adotado Final
Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em
Situação de Sem-Abrigo: Prevenção, Intervenção e
Acompanhamento (ENIPSSA 2017-2024)
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional para os Direitos da Criança 2021-2024
(ENDC)
Adotado ----
Plano de Ação da Garantia para a Infância 2022-2030 Adotado ----
Plano de Ação do Envelhecimento Ativo e Saudável 2023-
Adotado ----
Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, da
Saúde e do Bem-Estar
Adotado ----
Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física
(PNPAF)
Adotado ----
Programa Nacional para a Saúde Mental A rever ----
Plano Estratégico Nacional para a Natalidade e Longevidade A elaborar ----
Plano de Ação Nacional de Atração de Jovens Portugueses
que Abandonaram o País
A elaborar ----
Plano Estratégico para a Atividade Física e Desporto A elaborar ----
Plano Estratégico Plurianual de Segurança e Saúde no
Trabalho
A elaborar ----
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Designação6 Situação
Avaliação
prevista7
Plano de Ação Nacional de Formação para Cuidadores
Informais
A elaborar ----
Plano Estratégico de Retenção em Portugal dos Jovens
Estrangeiros que Vieram Estudar nas Universidades e
Institutos Politécnicos Portugueses
A elaborar ----
Plano de Ação Nacional de Apoio aos Jovens com
Deficiência na Transição da Escola para o Mercado de
Trabalho
A elaborar ----
Plano Estratégico de Inclusão para Pessoas com Doenças
Degenerativas
A elaborar ----
O Quadro 10 ilustra os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública
associadas a este desafio estratégico.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Quadro 10 - Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país mais justo e
solidário"
O desafio estratégico “Um país mais justo e solidário” desdobra-se em dois domínios de política:
“Um país com futuro para os jovens e para as crianças”, um, “Um país que promove a igualdade,
valoriza o trabalho e protege as pessoas”, outro.
3.1. Um país com futuro para os jovens e para as crianças
O domínio de política “Um país com futuro para os jovens e para as crianças” define as opções
de política pública que colocam a natalidade como prioridade, que visam reter os jovens em
Portugal e ajudar os que estão fora do país a regressar, além das que incentivam à prática de
desporto e de atividade física regular como meio de prevenção de doenças e de melhorar o bem-
estar dos cidadãos.
Contribuem para este domínio de política vários objetivos estratégicos. Salientam-se neste âmbito
uma política integrada que espelhe a realidade dos jovens, os seus anseios e a suas preocupações e
lhes dê a possibilidade de permanecer em Portugal; o alargamento da oferta de habitação, bem
como o reforço do funcionamento do mercado de arrendamento que promovam a emancipação
dos jovens portugueses e a flexibilidade laboral (horários, teletrabalho, licenças parentais),
permitindo que os pais ajustem os horários para melhor conciliar as responsabilidades familiares e
profissionais.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Estendem-se também à retenção dos jovens em Portugal através da promoção de uma abordagem
específica com as ordens profissionais e as associações representativas; à aposta na promoção da
saúde mental, identificada como uma das maiores preocupações dos jovens portugueses; à garantia
da democratização da educação, através do ensino universal, obrigatório e gratuito, e ao direito à
igualdade de oportunidades de acesso a uma educação de elevada qualidade, entre outros objetivos
educacionais relacionados com este domínio, apresentados com maior detalhe na secção 4.2.1.
Este domínio de política também inclui a promoção e ao aumento dos índices de prática
desportiva, em termos de frequência e de qualidade para toda a população, tendo em conta os seus
benefícios sociais; a diminuição da diferença na prática de atividade física e desportiva entre
homens e mulheres; a diminuição do nível de obesidade infantil e excesso de peso; e a aproximação
do investimento direto no desporto e dos indicadores de prática desportiva, da média dos países
da União Europeia.
O domínio “Um país com futuro para os jovens e para as crianças” abrange três áreas de política:
“Natalidade e bem-estar”; “Apoiar os jovens”; e “Desporto e atividade física”.
3.1.1. Natalidade e bem-estar
Esta área de política contempla medidas que fomentam a natalidade e respondem de forma
articulada às diferentes necessidades ao longo do ciclo de vida das crianças e dos seus progenitores.
As medidas de política a destacar neste âmbito são as seguintes:
Definir um plano estratégico nacional para a natalidade e longevidade;
Garantir o acesso universal e gratuito às creches e ao pré-escolar, mobilizando os
setores público, social e privado.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Nesta área de política são também relevantes, o compromisso social e político com a demografia
e a longevidade, mobilizando o trabalho conjunto entre os serviços sociais e de saúde, entre os
setores público, social, solidário e privado, desde a administração central à administração
autárquica; e a facilitação e agilização dos processos de adoção, reduzindo a burocracia e
oferecendo apoio para as famílias que optam por adotar.
3.1.2. Apoiar os jovens
Esta área de política refere-se às medidas que visam auxiliar os jovens a construir em Portugal o
seu projeto de vida. Neste âmbito destacam-se as seguintes:
Adotar o IRS Jovem de forma duradoura e estrutural, o que implica uma redução
de 2/3 nas taxas atualmente aplicáveis, com uma taxa máxima de apenas 15%,
dirigindo esta medida a todos os jovens até aos 35 anos, com exceção do último
escalão de rendimentos (também referida no subcapítulo 4.1.1.);
Criar um plano de ação nacional de atração de jovens portugueses que abandonaram
o país nos últimos anos;
Reforçar a oferta de camas no ensino superior, seja por via de residências estudantis,
seja por via do aproveitamento da capacidade instalada existente nos setores público,
privado e social;
Reformular os critérios de elegibilidade para estágios profissionais apoiados, de
modo a reforçar esta resposta, nomeadamente a ligação com a empregabilidade
direta dos jovens por parte das empresas e os níveis das bolsas praticadas e ainda
melhorar a regulação dos estágios não apoiados, de modo a prevenir abusos;
Isentar os jovens de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis
(IMT) e de Imposto de Selo (também referida no subcapítulo 7.2.2);
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Viabilizar o financiamento bancário da totalidade do preço da aquisição da primeira
casa por jovens através de uma garantia pública (também referida no subcapítulo
7.2.2).
3.1.3. Desporto e atividade física
Esta área de política abrange as medidas que visam melhorar a prática desportiva em idade escolar
até ao ensino superior, bem como a atividade física da população em geral. As medidas que se
integram entre as demais nesta área de política são as seguintes:
Atualizar a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto e rever a legislação
estruturante;
Elaborar um plano estratégico para a atividade física e desporto, com um novo
modelo de coordenação de políticas de bem-estar/saúde;
Apresentar um novo modelo de coordenação de políticas de bem-estar/saúde e
qualidade de vida associados ao desporto;
Ativar a Comissão Intersetorial para a Promoção da Atividade Física, com o objetivo
de elaborar, operacionalizar e monitorizar um plano de ação nacional para a
atividade física;
Alargar a representação no Conselho Nacional do Desporto ao Conselho Nacional
de Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto, à Sociedade
Portuguesa de Educação Física, de modo a reforçar o papel da disciplina e dos
docentes de educação física no debate das políticas públicas para o desporto.
Esta área de política também comporta como objetivos a elaboração de uma carta nacional das
instalações desportivas e o reforço do compromisso com a integridade no desporto.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
3. 2. Um país que promove a igualdade, valoriza o trabalho e protege as pessoas
O domínio de política “Um país que promove a igualdade, valoriza o trabalho e protege as pessoas”
define as opções de política pública que colocam o emprego e o trabalho como prioridade em
termos de dignidade, dinamismo e competitividade, que dão relevância à longevidade e à
intergeracionalidade em conjunto com o sistema de segurança social e apoios sociais, que
combatem a pobreza, que priorizam as políticas de igualdade, migração, diversidade, inclusão, e de
combate a discriminação.
Contribuem para este domínio de política diversos objetivos estratégicos. São de destacar: o
aumento do salário médio para 1 750 euros, em 2030, com base em ganhos de produtividade e no
diálogo social; o aumento das oportunidades de trabalho para os jovens, garantindo a retenção de
talento em Portugal com condições atrativas pelo regime fiscal e pela diversificação dos modelos
de trabalho; a flexibilização da transição entre emprego, requalificação e reforma; e a revisitação
da agenda do trabalho digno, de incentivo ao trabalho e ao emprego, em todas as suas formas, e
de aumento da produtividade.
É de referir a promoção da igualdade entre mulheres e homens no trabalho e no emprego; a adoção
de medidas de fomento do papel do pai na família pela flexibilização dos regimes de tempo e de
local de trabalho como os horários flexíveis, o teletrabalho e as licenças parentais; o reforço da
legislação sobre quotas de acesso das mulheres a cargos dirigentes e a cargos de gestão, com vista
a favorecer a liderança feminina no trabalho e na profissão.
Este domínio comporta também a restruturação do sistema de formação profissional; a reforma
do modelo atual de formação profissional de natureza pública e do serviço público de emprego; e
a qualificação da formação profissional de nível superior, através do ajuste de ofertas orientadas
para as competências valorizadas pela (r)evolução tecnológica em curso.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Engloba de igual maneira, a garantia de que as empresas e as organizações desenvolvem uma
cultura de intergeracionalidade de trabalhadores, retendo os seniores para a transmissão de saber-
fazer e experiência às equipas; o reforço das medidas de apoio à natalidade, nomeadamente as
medidas fiscais com inclusão dos trabalhadores independentes; a revisitação do regime jurídico do
acolhimento familiar; e o apoio ao setor social e solidário para fazer face à descentralização das
competências da área social do Estado para as autarquias locais.
Além dos objetivos estratégicos já referidos relevam o incentivo ao trabalho e à valorização
profissional, corrigindo as regras de retirada dos apoios sociais que não impeçam ou limitem o
envelhecimento ativo, e o reforço da sustentabilidade das instituições de segurança social,
garantindo uma gestão eficiente dos recursos.
De igual modo, neste domínio incluem-se: a análise e discussão pública quer dos desafios, quer das
respostas para a Segurança Social, com a finalidade de construir soluções que funcionem e
preservem a sua sustentabilidade num quadro de equidade intergeracional; a distribuição dos
apoios da Segurança Social com mais justiça e maior equidade, tendo atenção às pessoas idosas, às
pessoas em risco de pobreza e aos trabalhadores com rendimentos insuficientes, para lhes
assegurar um nível de vida digno; e a dignificação e o reforço das instituições de ação social, para
que a sua relação com os poderes públicos e as pessoas seja mais clara e previsível.
Estão incluídos também a criação de um modelo remunerativo solidário que simplifique e agregue
os apoios sociais atuais, e atribua a cada agregado familiar o valor total das prestações sociais
recebidas à data, com a garantia de que não constitui um desincentivo ao regresso ao mercado de
trabalho mas, reforce o seu acesso e combata a exclusão; e a adoção de medidas de convergência
entre os direitos à proteção social dos trabalhadores independentes e economicamente
dependentes com o regime dos trabalhadores por conta de outrem, no que diz respeito à proteção
no desemprego, doença, maternidade, paternidade e reforma.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Este domínio de política abrange, ainda, a redução da disparidade salarial entre homens e mulheres
para trabalho igual; a apresentação de uma lei de bases para a deficiência e inclusão; o fomento da
educação inclusiva desde idade precoce; o incremento de vantagens fiscais para as empresas que
contratem pessoas com deficiência acima da quota legal; a adoção de um programa estratégico de
inclusão para pessoas com doenças degenerativas; e a avaliação do enquadramento jurídico
existente e a sua eventual revisão em termos de resposta ao assédio sexual, à ciberperseguição, ao
ciberassédio, ao incitamento à violência e ao ódio online.
Além dos já apresentados são também objetivos estratégicos deste domínio: a prevenção e o
combate a todas as formas de discriminação contra todas e quaisquer minorias através de
campanhas de sensibilização; a prevenção e o combate da violência doméstica contra pessoas
idosas e mulheres; a promoção de iniciativas de conciliação entre a vida profissional, familiar e
pessoal; e a prevenção e o combate à discriminação e à violência em razão da orientação sexual,
identidade e expressão de género e características sexuais, e o combate ao bullying e à exclusão social
contra pessoas LGBTI+, em particular contra crianças e jovens.
O domínio de política “Um país que promove a igualdade, valoriza o trabalho e protege as pessoas”
compreende cinco áreas de política: “Emprego e trabalho dignos, dinâmicos e competitivos”;
“Longevidade e intergeracionalidade”; “Segurança Social e apoios sociais”; “Combate à pobreza”;
e “Igualdade, diversidade, inclusão e combate a todas as formas de discriminação e violência”.
3.2.1. Emprego e trabalho dignos, dinâmicos e competitivos
Esta área de política concorre com políticas orientadas para o setor empresarial que é dominado
por microempresas, que respondem aos desafios da Economia 4.0, designadamente em termos de
inovação e formação profissional e que valorizam a parceria da concertação social para a sua
formulação.
Nesta área de política estão previstas as seguintes medidas:
Aumentar o salário mínimo nacional para 1 000 euros em 2028;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Isentar de contribuições e impostos os prémios de produtividade por desempenho
no valor de até 6% da remuneração base anual (correspondendo, dessa forma, a um
15.º mês, quando aplicado);
Desenhar programas de upskilling e reskilling específicos consoante as necessidades
de mercado identificadas, incluindo a possibilidade de mudança de carreira.
No quadro desta área de política pretende-se também promover o desenvolvimento de programas
de formação e qualificação de trabalhadores, técnicos e dirigentes das organizações do setor social
e solidário, em articulação com os diferentes ramos do setor e aproveitando a capacidade instalada,
designadamente no Instituto de Emprego e Formação Profissional e do centro protocolar
constituído para o efeito.
3.2.2. Longevidade e intergeracionalidade
Esta área agrega as políticas de resposta e adaptação social à longevidade da população portuguesa,
em que a esperança de vida à nascença foi estimada em 81 anos para o triénio 2020-2022, e as que
salientam as vantagens da intergeracionalidade nas empresas, em particular, e na sociedade, em
geral.
Nesta área de política estão previstas as seguintes medidas:
Reforçar gradualmente o valor do CSI para que em 2028 os reformados em
situações de maior fragilidade possam ter um valor de referência garantido de 820
euros, e tendo como objetivo a equiparação ao valor do salário mínimo nacional, na
legislatura seguinte. Inclui ainda a eliminação dos rendimentos dos filhos para
efeitos de exclusão do CSI por parte das pessoas idosas;
Adotar um estatuto para a pessoa idosa, conseguindo prever um conjunto
sistematizado de direitos e promover ações proativas visando um envelhecimento
ativo, respeitado e valorizado por toda a sociedade;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Promover cidades amigas do envelhecimento, em que os edifícios e espaços
exteriores, os transportes e a mobilidade, a habitação e a participação social são
desenhadas e pensadas numa lógica de promoção da intergeracionalidade;
Criar o programa de saúde prioritário para as demências.
Além disto, enquanto medida a equacionar, ir-se-á:
Estudar a introdução de mecanismos de reforma parcial que facilitem a transição
entre a vida ativa e a de pensionista;
Nesta área de política são ainda relevantes: a valorização do e o apoio ao cuidador informal, ao
ampliar e incentivar o acesso ao estatuto do cuidador informal, pela redução da burocracia no
processo e pelo reforço das condições de apoio, acompanhamento e descanso do cuidador; e o
desenvolvimento e divulgação do plano nacional de formação para cuidadores informais.
3.2.3. Segurança Social e apoios sociais
Esta área de política define as políticas da Segurança Social que visam torná-la numa rede de
segurança, estável e simples para todos os contribuintes e beneficiários, bem como tornar mais
justa e equitativa a distribuição dos apoios sociais.
Estão previstas as seguintes medidas a destacar das demais:
Criar a conta-corrente do contribuinte-beneficiário, enquanto instrumento que
permitirá aos cidadãos ter informação fidedigna sobre o historial das suas
contribuições para esquemas públicos de Segurança Social;
Preparar uma lei de financiamento do setor social;
Duplicar a consignação de IRS das famílias a favor de instituições sociais de 0,5%
para 1%, de forma a aumentar a liberdade de escolha das portuguesas e dos
portugueses e a reforçar o financiamento do setor social.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Neste âmbito, incluem-se outros objetivos, nomeadamente: a contabilização dos vários apoios
dispersos (incluindo em espécie) e o registo de todos os movimentos e direitos relativos às medidas
relacionadas com o mercado de trabalho e aos direitos constituídos relativos à pensão de reforma;
e a implementação de maior fluidez no sistema de segurança social para que ninguém fique
desprotegido pela sua ineficiência operacional.
3.2.4. Combate à pobreza
Nesta área de política, tal como já foi referido no subcapítulo 3.2.2, salientam-se as políticas de
aumento do complemento solidário para idosos e de melhoria do acesso a prestações sociais,
procurando beneficiar quem delas necessita.
3.2.5. Igualdade, diversidade, inclusão e combate a todas as formas de discriminação e
violência
Esta área de política abarca medidas que vão desde a promoção da igualdade para todos os
cidadãos, de forma que Portugal possa melhorar a 15.ª posição que ocupa no índice da igualdade
de género do Instituto Europeu para a Igualdade de Género, passando pela implementação da
estratégia de mainstreaming de género em todas as áreas de política, até ao combate a todas as formas
de violência e a todos os tipos de discriminação.
Aqui são de destacar as seguintes medidas:
Reforçar os mecanismos de fiscalização da desigualdade salarial entre homens e
mulheres;
Rever o enquadramento legal atualmente existente em matéria de paridade entre
homens e mulheres nos órgãos de administração de empresas públicas e sociedades
cotadas, bem como nos cargos dirigentes da administração pública;
Prevenir e reduzir a violência doméstica e de género e melhorar e reforçar a rede de
apoios às vítimas;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Transpor a diretiva relativa ao combate à violência contra as mulheres e à violência
doméstica, e rever a legislação existente com vista a um tratamento mais equitativo
das vítimas de diversas formas de violência;
Reforçar a resposta de salas de apoio à vítima nas esquadras da Polícia de Segurança
Pública e postos da Guarda Nacional Republicana para acolhimento de casos de
maus-tratos a crianças e vítimas de violência doméstica.
Nesta área de política salienta-se ainda a promoção de ações dirigidas a raparigas, de modo a
incentivá-las à prossecução de estudos e carreiras na área das engenharias e das tecnologias,
diminuindo as clivagens entre homens e mulheres no setor.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
4. Um país mais rico, inovador e competitivo
O desafio estratégico “Um país mais rico, inovador e competitivo” visa o investimento na
educação, na ciência, na tecnologia e na cultura, o estímulo à criatividade e ao empreendedorismo,
valorizando o tecido produtivo nacional, e o reforço da capacidade exportadora e a sua integração
nas cadeias de valor globais. Para esta visão, delineiam-se um conjunto de objetivos estratégicos e
medidas quanto aos rendimentos, aos diversos setores da atividade económica, bem como à
educação, à ciência e à cultura.
Em particular, definem-se como principais objetivos estratégicos a realização de reformas
estruturais que acelerem a produtividade, viabilizando o aumento dos salários; baixar a elevada
carga fiscal sobre o trabalho (o IRS); e estimular um mercado de trabalho dinâmico que melhore a
eficiência na afetação de recursos humanos, combata a pobreza e a precariedade, através da
promoção do investimento em capital humano. No âmbito do mercado de trabalho, pretende-se
também garantir o aumento do salário mínimo nacional, em linha com a inflação e considerando
os ganhos de produtividade, como regra geral.
Paralelamente, promover-se-á uma maior abertura da economia ao exterior, densi ficando e
qualificando as cadeias de valor nacionais e atraindo parceiros e fornecedores especializados para
integrar em propostas de valor robustas, potenciando igualmente o aumento do valor acrescentado
das exportações de base industrial. Pretende-se ainda a firmar Portugal na primeira linha da
inovação, da transformação digital e do desenvolvimento de soluções que permitam servir a
sociedade e abrir novos mercados às empresas. No setor do turismo dar-se-á início ao processo de
criação de uma nova agenda que assegure a sua sustentabilidade económica, ambiental, social e
cultural. E, na economia do mar, criar, desenvolver e aprofundar as condições necessárias para a
gestão integrada, sustentada e sustentável do Mar e dos seus respetivos usos. Nestas áreas, traça-
se ainda como objetivo estratégico garantir a previsibilidade na utilização dos fundos, assegurando
que o Estado honra os prazos contratualmente definidos.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Na Educação, definem-se como objetivos estratégicos a modernização do sistema de ensino,
valorizando a carreira de professor e construindo, em diálogo com os diretores e professores, um
novo modelo de autonomia e gestão das escolas, que robusteça a autonomia financeira, pedagógica
e de gestão de recursos humanos. Para a concretização da universalização do ensino, alargar-se-á a
oferta pública e sem custos para as famílias de creche e de pré-escolar. No ensino superior, visa-se
como objetivos estratégicos fortalecer a autonomia das instituições de ensino superior, bem como
avaliar e rever os instrumentos legislativos fundamentais do ensino superior, incluindo a Lei de
Bases do Sistema Educativo e o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES).
Adicionalmente, pretende-se criar um círculo virtuoso em que o investimento em educação, cultura
e ciência aumenta o potencial de criação de riqueza do país, gerando novos e melhores empregos,
com melhores salários, travando a saída de jovens para o estrangeiro e induzindo desenvolvimento
económico. Neste contexto, fortalecer-se-á o ecossistema de inovação, utilizando os sistemas de
incentivos públicos para investimento em I&D. No âmbito da cultura, têm-se como objetivos
estratégicos o reforço do financiamento que garantirá a sua representatividade nos diversos
territórios do país, desburocratizando e flexibilizando estruturas e modelos de gestão, bem como
promovendo a democratização do acesso e a internacionalização.
Para alcançar estes objetivos estratégicos, elencam-se de seguida algumas das principais medidas
previstas para este desafio:
Redução do IRS para os contribuintes até ao 8.º escalão, através da redução de taxas
marginais entre 0,5 e 3 pontos percentuais face a 2023, com enfoque na classe média;
Adoção do IRS jovem de forma duradora e estrutural, com uma redução de dois
terços nas taxas de 2023, tendo uma taxa máxima de 15% aplicada a todos os jovens
até aos 35 anos, com exceção do último escalão de rendimentos (medida também
referida no capítulo 3 e no subcapítulo 3.1.2.);
Isenção de contribuição e impostos sobre os prémios de desempenho até ao limite
equivalente de um vencimento mensal;
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Proposta de Lei n.º
Reduzir as taxas de IRC, começando com a redução gradual de 2 pontos percentuais
por ano, enquadrada na transposição para a ordem jurídica nacional dos trabalhos
em curso, ao nível da OCDE e UE, relativas à garantia de um nível mínimo mundial
de tributação para os grupos de empresas multinacionais e grandes grupos nacionais
na União, que se destina a assegurar a tributação efetiva dos lucros a uma taxa de
15%;
Iniciar a recuperação integral do tempo de serviço congelado dos professores, a ser
implementada, à razão de 25% ao ano;
Criar uma Estratégia Digital Nacional, com uma visão, objetivos, indicadores e
prazos claros, e um orçamento e uma estrutura de governação específicos,
envolvendo todas as partes interessadas relevantes dos setores público, privado e da
sociedade civil;
Estabelecer o prazo de 60 dias para análise de candidaturas a fundos europeus e de
30 dias para pedidos de pagamento;
Revisão da carreira e do regime de avaliação de docente;
Implementar o A+A, “Aprender Mais Agora”, um plano de recuperação da
aprendizagem que realmente permita aos alunos construir um caminho de sucesso
escolar. O A+A incluirá recursos adequados para o apoio aos alunos nas escolas, a
capacitação de docentes para implementar um sistema de tutorias, assim como o
reforço de créditos horários e o investimento em recursos educativos digitais de
apoio ao estudo;
Reorganizar as agências de financiamento como organismos independentes do
Governo, visando a autonomia da Ciência e Inovação;
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Proposta de Lei n.º
Celebrar contratos-programa com as Fundações e instituições culturais do
Ministério da Cultura, que recebem subvenções públicas, com enfoque no serviço
educativo/ensino artístico, através de residências artísticas e bolsas de curta duração;
Assegurar, até ao final da legislatura, a gratuitidade do acesso a museus e
monumentos nacionais, bem como centros de ciência, para jovens até aos 25 anos;
Mapear a totalidade do território, auscultando os diversos intervenientes para definir
estratégias culturais de desenvolvimento promotoras de coesão social e territorial a
nível local e sub-regional, que incluem o apoio a estruturas e a revisão do regime de
apoio às orquestras regionais, bem como definir uma estratégia nacional para apoiar
e estimular projetos de inventariação, criação, circulação e mediação artística;
No Quadro 11 Error! Bookmark not defined. é apresentada a evolução de alguns indicadores de
contexto relevantes para este desafio estratégico. Não obstante uma evolução genericamente
positiva, é de destacar a subida dos custos de contexto.
Quadro 11 Error! Bookmark not defined.- Indicadores de contexto9 associados ao desafio estratégico "Um
9 Os indicadores de contexto fornecem informação agregada e atualizada de natureza diversa – social, económica, ambiental,
territorial ou outra –, relevante para enquadrar e fundamentar as principais orientações contidas neste desafio estratégico.
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Proposta de Lei n.º
país mais rico, inovador e competitivo"
As principais metas estratégicas dos instrumentos de planeamento relacionados com este desafio
são apresentadas no
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Proposta de Lei n.º
Quadro 11. Definem-se ainda como metas nas Grandes Opções 2024-2028, no âmbito da ciência
e do ensino superior e no horizonte desta legislatura, a aproximação: ao valor de 3% do PIB de
investimento (público e privado) em Ciência e Inovação; a uma percentagem acima de 50% de
adultos entre os 25-34 anos com diploma de ensino superior; a uma percentagem de estudantes e
recém-diplomados a beneficiar da exposição à aprendizagem em contexto laboral de cerca de 65%.
No setor da Cultura, estabelece-se como meta aumentar em 50% o valor atribuído à cultura no
Orçamento do Estado, ao longo dos próximos quatro anos.
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Proposta de Lei n.º
Quadro 11 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais rico, inovador e competitivo"
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Grandes Opções 2024-
Aproximação ao valor de 3% do PIB de
investimento (público e privado) em Investigação e
Desenvolvimento;
Grandes Opções 2024-
Aproximação a uma percentagem acima de 50% de
adultos entre os 25-34 anos com diploma de ensino
superior;
Grandes Opções 2024-
Aproximação a uma percentagem de estudantes e
recém-diplomados a bene ficiar da exposição à
aprendizagem em contexto laboral de cerca de 65%
Grandes Opções 2024-
Aumentar em 50% o valor atribuído à Cultura no
Orçamento do Estado
Programa
Internacionalizar 2030
Exportações: 53% do PIB I Valores de partida 2019:
44% PIB
Estratégia Turismo 2027
(ET2027)
Crescer em valor e crescer mais que os nossos
principais concorrentes. Atingir 26 mil milhões € de
receitas, o que representa um crescimento de 14 mil
milhões € de 2017 a 2027, traduzindo-se numa Taxa
de Variação Média Anual de 7%
Estratégia Nacional para o
Mar 2021-2030
Aumentar o contributo da economia do mar para
7% do VAB da economia nacional
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Proposta de Lei n.º
No Quadro 12 são apresentados os instrumentos de planeamento em vigor associados a este
desafio estratégico. Neste quadro registam-se igualmente os principais instrumentos de
planeamento e outros instrumentos de política pública cuja elaboração ou revisão está prevista no
horizonte da legislatura, como o Programa de apoio à internacionalização das empresas
portuguesas, o Programa de Ação de Apoio à Concentração e Fusão de Empresas Exportadoras,
o Programa Capitalizar +, o Plano Estratégico Digital Nacional, o Programa A+A, “Aprender Mais
Agora” e o Programa de Ação de Apoio à Investigação Científica e à Inovação no e com o Setor
Empresarial.
Quadro 12 - Instrumentos de planeamento10 associados ao desafio estratégico "Um país mais rico, inovador e
competitivo"
Designação11 Situação
Avaliação
prevista12
Pessoas 2030 - Programa Temático Demografia,
Qualificações e Inclusão
Adotado
Intercalar e
final
Programa Internacionalizar 2030 Adotado ----
Programa de Ação de Apoio à Internacionalização das
Empresas Portuguesas
A elaborar ----
Programa de Ação de Apoio à Concentração e Fusão de
Empresas Exportadoras
A elaborar ----
Programa “Portugal sou Eu” A rever ----
Programa “Marca Portugal” A rever ----
10 Ver nota do Quadro 9.
11 Ver nota do Quadro 9.
12 Ver nota do Quadro 9.
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Designação11 Situação
Avaliação
prevista12
Programa Capitalizar + A elaborar ----
Compete 2030 - Programa Temático Inovação e Transição
Digital
Adotado
Intercalar e
final
Plano Estratégico Digital Nacional A elaborar ----
FITEC (Fundo de Inovação, Tecnologia e Economia
Circular)
Adotado ----
Estratégia Nacional para uma Especialização Inteligente
Adotado
Intercalar e
final
CITec - Programa Capacitar a Indústria Portuguesa Adotado Final
Estratégia Nacional para os Semicondutores Adotado
Em momento
não definido
Agenda para a Competitividade do Comércio e Serviços
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Turismo 2027 Adotado Intercalar
Plano Reativar o Turismo | Construir o Futuro Adotado Intercalar
Portugal Espaço 2030 Adotado ----
Mar 2030 Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 Adotado
Em momento
não definido
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Proposta de Lei n.º
Designação11 Situação
Avaliação
prevista12
Plano de ação da Estratégia Nacional para o Mar 2021-
Adotado
Em momento
não definido
Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de
Portos Comerciais do Continente
Adotado
Em momento
não definido
Programa de Assistência Técnica 2030 Adotado
Intercalar e
final
Plano 23|24 Escola+, plano de recuperação de
aprendizagens
Adotado Final
Programa A+A, “Aprender Mais Agora” A elaborar ----
Plano Nacional de Leitura 2027 Adotado ----
Programa ERASMUS+ INTERIOR A elaborar ----
Programa «Saber-Fazer» / Estratégia nacional para as artes
e ofícios tradicionais para os anos de 2021-2024
Adotado Final
Programa de Ação de Apoio à Investigação Científica e à
Inovação no e com o Setor Empresarial
A elaborar ----
Programa de Ação de Apoio ao Registo de Patentes e de
Outra Propriedade Intelectual das Empresas Portuguesas a
Nível Internacional
A elaborar ----
Plano Nacional de Cinema 2021-2030 Adotado ----
Plano Estratégico do Cinema e do Audiovisual (2024-2028) Adotado
Intercalar e
final
Plano Nacional das Artes 2019-2024 (PNA) Adotado Final
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Proposta de Lei n.º
O Quadro 13 ilustra os valores do financiamento plurianual das medidas de política associadas a
este desafio estratégico.
Quadro 13 - Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país mais rico,
inovador e competitivo"
Este desafio estratégico é composto por dois domínios de política: “Um País com melhores
salários, menos impostos, mais economia” e “Um país de educação, de cultura e de ciência para
inovar”.
4.1. Um país com melhores salários, menos impostos, mais economia
O domínio “Um país com melhores salários, menos impostos, mais economia” tem como especial
enfoque o desenvolvimento da economia portuguesa, visando alcançar o crescimento da
produtividade, a criação de emprego qualificado e sustentável, o incremento do registo de patente
tecnológicas, a reindustrialização, a internacionalização e as exportações com maior valor
acrescentado, assegurando o aumento das receitas do Estado e o equilíbrio da balança externa,
promovendo os princípios de ESG (Ambiente, Social e Governança). Adicionalmente, existem
especificidades em Portugal que são obstáculos ao desenvolvimento económico, tais como a carga
fiscal elevada que desincentiva o trabalho e limita a acumulação de capital necessária para que as
empresas possam investir mais e crescer, e a carga burocrática que as obriga a aplicar recursos em
atividades não produtivas. A aceleração do crescimento económico em Portugal bene ficia com a
revitalização da Indústria e dos respetivos serviços de suporte, assim como do turismo, do
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Proposta de Lei n.º
comércio, dos serviços, e da economia do mar, reforçando o investimento e eliminando os
obstáculos ao aumento da produtividade. Neste âmbito, os fundos europeus, tanto ao nível do
PRR como do PT2030, devem desempenhar um papel dinamizador do país, potenciando a sua
produtividade e competitividade, e contribuindo para a redução das assimetrias regionais, setoriais
e sociais.
Em particular, definem-se como principais objetivos estratégicos a realização de reformas
estruturais que acelerem a produtividade, viabilizando o aumento dos salários; baixar a elevada
carga fiscal sobre o trabalho (o IRS); e estimular um mercado de trabalho dinâmico que melhore a
eficiência na afetação de recursos humanos, combata a pobreza e a precariedade, através da
promoção do investimento em capital humano gerador de aumentos de produtividade, que
dignifique o emprego, e seja aberto à diversidade de equilíbrios concertados entre trabalhadores e
empregadores. Neste âmbito, pretende-se garantir que o somatório dos apoios integrados no
regime não contributivo não constitui um desincentivo no regresso ao mercado de trabalho. Este
domínio tem também como objetivo estratégico garantir o aumento do salário mínimo nacional
em linha com a inflação mais os ganhos de produtividade, como regra geral. Para este objetivo
concorre a medida, já referida no capítulo 3, de aumento do salário mínimo nacional para 1 000
euros em 2028.
Paralelamente, promover-se-á uma maior abertura da economia ao exterior (quer no reforço da
sua internacionalização, quer no aumento do peso das exportações no PIB, quer na maior atração
de investimento externo estruturante, quer na eliminação ou redução dos custos de contexto que
bloqueiam um crescimento sustentável), densi ficando as cadeias de valor nacionais e atraindo
parceiros e fornecedores especializados para integrar em propostas de valor robustas. No contexto
das exportações, define-se também como objetivo estratégico potenciar o aumento do valor
acrescentado das exportações de base industrial (estimulando a capacitação tecnológica própria
nas empresas de base industrial, quer individual quer num trabalho em rede através dos Centros
de Tecnologia e Inovação bem como o ganho de escala e dimensão das empresas com medidas
que promovam este objetivo; e estendendo as cadeias de valor das fileiras industriais desde as
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Proposta de Lei n.º
matérias-primas até à venda ao consumidor com marca nacional). Neste quadro, pretende-se
igualmente incentivar as empresas já instaladas no nosso país a aumentarem a sua dimensão; a
terem um peso crescente na estrutura da cadeia de valor das empresas-mãe no quadro das suas
opções de crescimento regional e global; e a desenvolverem parcerias com empresas de raiz
portuguesa com potencial de expansão.
Firma-se igualmente como objetivo estratégico afirmar Portugal na primeira linha da inovação, da
transformação digital e do desenvolvimento de soluções que permitam servir a sociedade e as
empresas, investindo na formação e na qualificação dos recursos humanos em IA, e apoiar a
investigação, a inovação e o empreendedorismo em IA e estimular a adoção e a utilização da IA
nos setores público e privado.
No setor do turismo dar-se-á início ao processo de criação de uma nova agenda para o turismo,
que assegure a sua sustentabilidade económica, ambiental, social e cultural, bem como a definição
de novas metas, num espírito de cooperação com todos os parceiros que potencie a
competitividade de Portugal. E, na economia do mar, criar, desenvolver e aprofundar as condições
necessárias para a gestão integrada, sustentada e sustentável do mar e dos seus respetivos usos,
com uma visão integrada de cluster e de fileira, bem como pugnar pelo reconhecimento dos direitos
soberanos, exclusivos e inerentes de Portugal sobre a totalidade da sua plataforma continental além
das 200 milhas.
Neste domínio, traça-se ainda como objetivo estratégico garantir a previsibilidade na utilização dos
fundos, assegurando que o Estado honra os prazos contratualmente definidos.
Este domínio é composto pelas oito áreas de política seguintes: “Valorização dos salários, redução
de IRS e retenção e captação de talento”; “Transformar custos de contexto em oportunidades”;
“Internacionalização das empresas e atração de investimento estrangeiro”; “Financiamento e
crescimento empresarial”; “Inovação, Empreendedorismo e Digitalização”; “Indústria, Turismo,
Comércio, Serviços e Consumidores”; “Mar”; e “Fundos Europeus”.
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Proposta de Lei n.º
4.1.1. Valorização dos salários, redução de IRS e retenção e captação de talento
Os rendimentos do trabalho líquidos não chegam a 60% da média europeia, e o salário mínimo
está cada vez mais próximo do salário médio. Embora os níveis de desemprego sejam moderados,
os níveis de rendimentos baixos perpetuam uma muito elevada pobreza na população empregada
(12,2%), a taxa de desemprego jovem permanece elevada e superior à da média dos países da UE
(atingiu 23% nos jovens até aos 24 anos), e muitos dos jovens com formação superior trabalham
em profissões que não exigem esse nível de escolaridade (de 16,6% em 2011, para 22,4% em 2022).
A sustentada e geral melhoria dos salários depende do aumento da produtividade da economia,
sem a qual os incrementos dos salários mínimos conduzirão a uma compressão do diferencial face
aos salários médios e medianos.
Para a prossecução destes objetivos estratégicos, serão adotadas, entre outras, as seguintes medidas:
Redução do IRS para os contribuintes até ao 8.º escalão, através da redução de taxas
marginais entre 0,5 e 3 pontos percentuais face a 2023, com enfoque na classe média;
Adoção do IRS jovem de forma duradora e estrutural, com uma redução de dois
terços nas taxas de 2023, tendo uma taxa máxima de 15% aplicada a todos os jovens
até aos 35 anos, com exceção do último escalão de rendimentos (medida também
referida no subcapítulo 3.1.2);
Isenção de contribuição e impostos sobre os prémios de desempenho até ao limite
equivalente de um vencimento mensal;
Obrigação legal de atualização dos escalões e tabelas de retenção em linha com a
inflação e o crescimento da produtividade.
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Proposta de Lei n.º
Neste âmbito, é ainda de destacar a intenção de procurar, com realismo e justiça social, melhorar
a progressividade e coerência do IRS, sobretudo através da redução dos limiares dos escalões de
IRS e da introdução de uma noção sintética de rendimento sujeito a IRS. E, simultaneamente,
recuperar o atraso ainda existente nas quali ficações da população ativa e preparar e requali ficar a
força de trabalho nacional para as transformações tecnológicas em perspetiva, promover a
formação e qualificação dos gestores e melhorar as práticas de gestão de forma a melhorar as
condições de trabalho e estimular um melhor desempenho dos trabalhadores, bem como uma
maior produtividade das empresas. Neste contexto, pretende-se ainda dar um novo impulso para
a concertação social, procurando a convergência entre empresários e trabalhadores em torno do
objetivo de aumentar a produtividade.
4.1.2. Transformar custos de contexto em oportunidades
Um mercado de bens e serviços mais concorrencial e dinâmico é fundamental para proporcionar
aos consumidores e às empresas maior qualidade a preços mais baixos. Esta área de política procura
dar respostas às especi ficidades que são obstáculos ao desenvolvimento económico, tais como a
carga fiscal existente que limita a acumulação de capital necessária para que as empresas possam
investir mais e crescer, e a carga burocrática que as obriga a aplicar recursos em atividades não
produtivas.
Nesta área, serão implementadas, entre outras, as seguintes medidas:
Reduzir as taxas de IRC, começando com a redução gradual de 2 pontos percentuais
por ano, enquadrada na transposição para a ordem jurídica nacional dos trabalhos
em curso, ao nível da OCDE e da UE, relativas à garantia de um nível mínimo
mundial de tributação para os grupos de empresas multinacionais e grandes grupos
nacionais na união, que se destina a assegurar a tributação efetiva dos lucros a uma
taxa de 15%;
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Proposta de Lei n.º
Promover a eliminação, de forma gradual, da progressividade da derrama estadual
e da derrama municipal em sede de IRC, assegurando no caso da última a
compensação através do Orçamento do Estado da perda de receita para os
municípios;
Promover a competitividade da economia portuguesa, através da redução dos custos
de cumprimento das obrigações fiscais, de uma forte simplificação fiscal, do reforço
da estabilidade tributária e de uma reformulação da justiça tributária;
Aplicar princípios de only once , para que entidades públicas não solicitem
documentos e informações que estão na posse de outras entidades públicas.
Além das medidas anteriores, equaciona-se a possibilidade de implementação de outras, como:
Rever o regime dos avales pessoais exigidos pelas instituições financeiras e que na
prática destroem a responsabilidade limitada das empresas (e/ou a sua capacidade
de financiamento e tomada de risco), como sucede em outros países europeus.
Neste âmbito, salienta-se igualmente a necessidade de proceder a uma simplificação do IRC com
vista a potenciar a atração de investimento e os ganhos de escala, e de proceder ao levantamento
e subsequente eliminação ou redução significativa das barreiras e constrangimentos à atividade
económica, com o apoio das associações setoriais (priorizando os setores já identificados por
colocarem maiores barreiras à entrada e à concorrência, designadamente: os transportes, incluindo
ferrovia, a energia e as comunicações). Adicionalmente, fazer avaliações regulares da execução dos
mecanismos de simplificação de licenciamento existentes (por exemplo, licenciamento urbanístico)
e futuros.
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Proposta de Lei n.º
4.1.3. Internacionalização das empresas e atração de investimento estrangeiro
Em Portugal, existem cerca de 50 mil empresas exportadoras (num universo de várias centenas de
milhar), mas pouco mais de 20 mil o fazem regularmente e com um volume signi ficativo. É
fundamental que as empresas dos setores transacionáveis, como a indústria, agricultura ou turismo,
ganhem dimensão e aumentem a sua presença em novos mercados e que consigam integrar-se em
cadeias de valor global, contribuindo para a internacionalização da economia e para o crescimento
da produtividade.
Em particular, serão adotadas as seguintes medidas:
Criar na AICEP mais Unidades Especializadas de captação de investimento direto
estrangeiro, com a missão de identificar a nível internacional empresas com planos
de investimento passíveis de serem feitos em Portugal (modelo semelhante ao que
permitiu a captação da Autoeuropa, entre outros investimentos relevantes para
Portugal);
Organizar a revisão dos estatutos da AICEP e a de finição de um novo modelo de
financiamento para dar sustentabilidade, estabilidade e previsibilidade à gestão da
Agência, dotando-a de maior capacidade para captação de investimento direto
estrangeiro, com a missão de identificar a nível internacional empresas com planos
de investimento passíveis de serem feitos em Portugal;
Criação de um regime de “Validação prévia de Investimento” para atrair
investimento privado, sobretudo Investimento Direto Estrangeiro, incluindo através
de um regime fiscal e de incentivos;
Flexibilizar mais a aplicação e utilização dos diferentes instrumentos de apoio à
capitalização e à recapitalização.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Além das medidas anteriores, equaciona-se a possibilidade de implementação de outras, como:
Rever as técnicas de screening de mercados e de empresas com potencial para investir;
Estudar um programa específico (com medidas fiscais e não-fiscais) para a captação
de grandes projetos industriais e aproveitamento do movimento global de
reorganização das cadeias de valor e nearshoring.
Nesta área de política, regista-se ainda a necessidade de desenvolver um Programa de apoio à
internacionalização das empresas portuguesas, um programa de apoio à concentração e fusão de
empresas exportadoras, e reforçar os programas “Portugal sou Eu” e “Marca Portugal”. Ainda no
plano da internacionalização, pretende-se reforçar a Rede Externa da AICEP , possibilitando a
cobertura de novos mercados, o reforço da espessura das suas equipas e orçamentos de promoção
nos mercados prioritários e o aumento de analistas com especialização setorial na captação de
investimento externo. E, adicionalmente, visar novas atividades e novos grupos empresariais ainda
sem presença no nosso país em setores de futuro, e posicionar Portugal como uma “plataforma”
de “expansão internacional” para investidores.
4.1.4. Financiamento e crescimento empresarial
A concentração do financiamento empresarial sob a forma de crédito bancário encerra riscos e
não é característica de economias na fronteira da inovação, caracterizadas por empresas com
projetos disruptivos, com risco, e em que os investidores exigem direitos de controlo. Este
paradigma contribui também para a dificuldade de as empresas crescerem, de se capitalizarem, de
atingirem escala, dimensão, de se internacionalizarem, e de exportarem. Em contextos de
aumentos de taxas de juro, contribui ainda para maior di ficuldade no acesso a financiamento em
todos os estágios de maturidade das empresas. O capital público não é su ficiente para fazer face
aos desa fios que a economia atravessa, sendo necessário mobilizar investidores nacionais e
estrangeiros a apostarem na economia portuguesa.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Nesta área, serão implementadas, entre outras, as seguintes medidas:
Reforçar as linhas de crédito à exportação, tendo em vista a expansão e aumento
das exportações das empresas portuguesas para novos mercados de produtos de
valor acrescentado;
Lançar o Programa Capitalizar +, de apoio à transição geracional e à valorização de
ativos empresariais, com quatro dimensões de intervenção: reforço continuado dos
mecanismos de tratamento fiscal privilegiado do reforço de capitais em relação ao
financiamento por capitais alheios; revisão do contrato de mandato do Banco
Português de Fomento visando adequar os instrumentos de acesso ao capital e quase
capital às necessidades das empresas; programa de transição geracional das
empresas familiares; e programa dirigido a ganhos de escala, fusões e aquisições e à
recuperação de ativos;
Simplificar e tornar mais atrativo o regime fiscal associado a operações de
reestruturação e fusão empresarial.
Além das medidas anteriores, equaciona-se a possibilidade de implementação de outras, como:
Linha de coinvestimento para start-ups e capital de risco: Criação de um fundo para
investimento híbridos de capital (títulos convertíveis) disponíveis para fundos de
capital de risco, aceleradoras, business angels e corporate ventures que pretendam reforçar
o capital e assegurar uma almofada financeira para empresas em carteira, muitas
vezes impossibilitadas de aceder ao crédito bancário em condições acessíveis;
Ponderar formar alternativas de financiamento e capturar as melhores práticas
internacionais de sucesso.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Neste âmbito regista-se ainda a necessidade de cooperação com o grupo Banco Europeu de
Investimento (BEI), permitindo a renovação e criação de novas parcerias para que as empresas
portuguesas e o próprio Estado beneficiem de uma maior fatia de recursos europeus geridos pelo
BEI com condições de financiamento mais favoráveis e de mais longo prazo. Adicionalmente,
pretende-se iniciar esforços junto da Comissão Europeia de forma a ampliar o regime de IVA de
Caixa existente para valores acima dos atuais 500 000 euros de faturação.
4.1.5. Inovação, empreendedorismo e digitalização
A revolução digital constitui uma grande oportunidade para Portugal transformar a sua economia,
incrementando os níveis de produtividade e competitividade e eliminando os tradicionais bloqueios
que condicionam a escala e a capacidade de abertura a novos mercados das nossas empresas. A
massificação das aplicações de IA e o advento da computação quântica convocam-nos para uma
ação de emergência para afirmar Portugal na primeira linha da inovação, da transformação digital
e do desenvolvimento de soluções que permitam servir o país e abrir novos mercados às nossas
empresas. A IA pode contribuir para o desenvolvimento sustentável, para a competitividade da
economia, para a inclusão social e para a qualidade de vida dos cidadãos. No entanto, a IA também
apresenta desa fios e riscos, que exigem uma abordagem ética, legal e socialmente responsável.
Reconhece-se a sua importância estratégica, enquanto oportunidade económica, mas assume-se a
necessidade de uma regulação inteligente e eficaz.
Em particular, serão adotadas as seguintes medidas:
Criar uma Estratégia Digital Nacional, com uma visão, objetivos, indicadores e
prazos claros, e um orçamento e uma estrutura de governação específicos,
envolvendo todas as partes interessadas relevantes dos setores público, privado e da
sociedade civil;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Incentivar investimentos em tecnologias digitais que promovam a criação de
emprego em setores que carecem de elevado nível de formação e competências
especializadas, garantindo a formação e requalificação de trabalhadores e a
adaptação da organização do trabalho às novas tecnologias;
Constituir uma bolsa de apoios de doutorandos nas empresas, assegurando
cruzamento com as TestBeds e Digital Innovation Hubs.
Além das medidas anteriores, equaciona-se a possibilidade de implementação de outras, como:
Acompanhar e aprofundar o Livro de Reclamações, hoje disponível nos formatos
físico, eletrónico e móvel, como instrumento crucial da política pública de defesa
do consumidor, assegurando que o mesmo constitui uma base para a indemnização
e não apenas para aplicação de eventual coima.
Nesta área, pretende-se ainda promover o desenvolvimento de testes de tecnologias digitais
avançadas no que respeita a novos produtos.
4.1.6. Indústria, turismo, comércio, serviços e consumidores
A aceleração do crescimento económico em Portugal bene ficia com a revitalização da indústria e
dos respetivos serviços de suporte, assim como do turismo, do comércio e dos serviços. Com
efeito, os setores do turismo e serviços são fundamentais para a economia nacional. Portugal tem
algumas empresas industriais altamente produtivas no contexto mundial e pode criar condições
para ter muitas mais.
Nesta área, serão implementadas, entre outras, as seguintes medidas:
Concretizar a Agenda do Turismo para o Interior;
Iniciar o processo de revisão da Lei n.º 33/2013 no quadro de consolidação e
autonomia das Entidades Regionais de Turismo, face ao processo de assunção de
novas competências pelas comunidades intermunicipais, resultante do processo de
descentralização em matéria da promoção turística;
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Proposta de Lei n.º
Aumentar o recurso a meios alternativos de resolução de litígios de consumo.
Neste âmbito, destaca-se a importância de revitalizar a Indústria e os serviços de suporte:
reforçando o investimento; eliminando os obstáculos ao aumento da produtividade; promovendo
uma rede de colaboração e interdependência para as exportações; procurando novos mercados de
rápido crescimento; acedendo a novas oportunidades para o ganho de dimensão do tecido
empresarial; reduzindo os custos unitários de produção; e fomentando uma maior capacidade
competitiva em mercado aberto. Adicionalmente, pretende-se apoiar a internacionalização dos
setores do comércio e serviços através das redes de delegações da AICEP em conjunto com a
Rede das Câmaras de Comércio e os elementos do Conselho da Diáspora.
No setor do Turismo, procura-se ainda identificar necessidades de infraestrutura turística,
promovendo o seu investimento público e privado, incluindo as áreas necessitadas de alojamento
e infraestrutura de transportes e lançar programas de apoio à satisfação dessas necessidades.
4.1.7. Mar
A Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 é orientada por uma visão que “assenta em promover
um oceano saudável para potenciar o desenvolvimento azul sustentável, o bem-estar dos
portugueses e afirmar Portugal como líder na governação do oceano, apoiado no conhecimento
científico”.
Assim, define um conjunto de metas entre as quais como metas um aumento do contributo da
economia do mar para o PIB e para as exportações, classificar 30% das áreas marinhas nacionais,
aprovando os respetivos planos de gestão e conservação, e operacionalizar plenamente o
ordenamento e gestão do espaço marítimo nacional.
Neste âmbito, visa-se desenvolver a economia do mar de modo sustentado, sustentável e com visão
integrada de cluster e de fileira. Deste modo, nesta área, serão adotadas as seguintes medidas:
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Rever o quadro regulatório do turismo marítimo, no sentido de colmatar falhas e
potenciar um melhor desenvolvimento setor, em particular o quadro dedicado às
atividades marítimo-turísticas;
Retomar a Conta Satélite do Mar, recolhendo, analisando e publicando dados
atualizados sobre a Economia do Mar;
Aumentar o investimento nas infraestruturas base necessárias à facilitação e
estímulo de acesso ao Mar e nas regiões ribeirinhas das embarcações de pequeno
porte e artes de pesca;
Conclusão e avaliação do Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo
e aprovação de Planos de Afetação, no sentido de preservar o equilíbrio e a
renovação das espécies marinhas, e compatibilizar os diferentes usos e atividades.
Pretende-se, ainda, criar um modelo de governança para as áreas marinhas protegidas, que garanta
a devida orientação, coerência e articulação entre as diferentes instituições com competências na
sua classificação, gestão, monitorização e fiscalização.
Serão garantidos os meios necessários para apoiar cientificamente a proposta portuguesa junto da
Comissão de Limites da Plataforma Continental, das Nações Unidas, para melhor sustentar o
reconhecimento dos direitos soberanos, exclusivos e inerentes de Portugal sobre a totalidade da
sua plataforma continental além das 200 milhas.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
4.1.8. Fundos Europeus
Os Fundos Europeus terão o seu foco em projetos que permitam à economia promover a criação
de riqueza, que potenciem as vantagens competitivas nacionais e que elevem o valor acrescentado
da economia portuguesa e que promovam as exportações, assente em critérios de seleção claros,
uma aplicação transparente e fiscalização rigorosa. Para o efeito, o foco na gestão dos fundos
europeus passará por eliminar redundâncias entre os vários programas, reduzir atrasos na sua
implementação e alocar os recursos financeiros a projetos de elevada qualidade. No âmbito do
Estado e demais subsetores da administração pública, será dada primazia às despesas em
investimentos em substituição de despesas correntes. Em particular, serão adotadas as seguintes
medidas:
Estabelecer o prazo de 60 dias para análise de candidaturas e de 30 dias para pedidos
de pagamento, à exceção dos apoios no âmbito do PEPAC;
Reforçar os recursos humanos na EMRP: contratação de novos elementos para a
Estrutura de Missão Recuperar Portugal; criação de uma bolsa de técnicos, de forma
a ultrapassar acréscimos de trabalho do PRR, que se verifica nos beneficiários
diretos do PRR;
Promover a colaboração com as Instituições de Ensino Superior e recorrer a
soluções de IA para acelerar a análise de candidaturas e pedidos de pagamento, quer
no PRR, quer no PT2030 e no PEPAC;
Reforço da coordenação técnica entre as várias áreas governativas para articulação
dos trabalhos conducentes à concretização da execução do PRR e do PT2030;
Aumentar a transparência das decisões de atribuição de fundos, ampliando os
instrumentos de divulgação, bem como reforçar os meios de fiscalização e
mecanismos de controlo da correta aplicação dos fundos europeus, alargando canais
de denúncia e reforçando as fiscalizações no local;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Aumentar a previsibilidade da abertura de concursos para cofinanciamento de
investimentos com fundos europeus.
No âmbito desta área de política, procura-se igualmente reforçar os recursos humanos e
tecnológicos para cumprir atempadamente o PRR, e garantir a máxima eficiência na utilização dos
fundos, vincando uma orientação para os resultados. Adicionalmente, pretende-se promover
soluções de cedência gratuita de liquidez, que poderão envolver a banca comercial ou o BPF, para
eliminação dos atrasos acumulados na disponibilização de fundos já aprovados.
4.2. Um país de educação, de cultura e de ciência para inovar
O Estado tem responsabilidades em garantir não apenas a democratização da educação através de
um ensino universal, obrigatório e gratuito, como também em assegurar o direito à igualdade de
oportunidades de acesso a uma educação de elevada qualidade, que permita aos alunos ter êxito
escolar ao longo dos diferentes níveis educativos. Adicionalmente, o investimento em capital
humano, na cultura e em ciência são geradores de inovação que origina as respostas a problemas
como a crise climática, a demografia ou a pobreza. É também o investimento em capital humano,
na cultura e na ciência que permite a inovação geradora de riqueza económica.
Este domínio tem como objetivos estratégicos modernizar o sistema de ensino, valorizando a
carreira de professor e construindo, em diálogo com os diretores e professores, um novo modelo
de autonomia e gestão das escolas, que robusteça a autonomia financeira, pedagógica e de gestão
de recursos humanos das escolas. Para a concretização da universalização do ensino, alargar-se-á a
oferta pública e sem custos para as famílias de creche e de pré-escolar, seja aumentando a
capacidade da oferta do Estado, seja contratualizando com o setor social, particular e cooperativo,
seja promovendo soluções transitórias, em articulação com as autarquias locais e a sociedade civil,
nos contextos onde a oferta instalada não seja suficiente para suprir a procura de vagas.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
No Ensino Superior, visa-se como objetivos estratégicos fortalecer a autonomia das instituições
de ensino superior, e avaliar e rever os instrumentos legislativos fundamentais do ensino superior,
incluindo a Lei de Bases do Sistema Educativo e o Regime Jurídico das Instituições de Ensino
Superior (RJIES).
Adicionalmente, pretende-se criar um círculo virtuoso em que o investimento em educação, cultura
e ciência aumenta o potencial de criação de riqueza do país – gerando novos e melhores empregos,
com melhores salários, travando a saída de jovens para o estrangeiro e induzindo desenvolvimento
económico – e estimular a ligação entre as instituições de ensino superior e de investigação e as
empresas. Neste âmbito, fortalecer-se-á o ecossistema de inovação, utilizando os sistemas de
incentivos públicos para investimento em I&D para promover uma intensa partilha de
conhecimento e difusão de inovação entre as instituições do sistema científico e tecnológico, as
empresas, entidades públicas e organizações sociais, numa articulação próxima entre o MECI, o
Ministério da Economia e outros ministérios setoriais.
No âmbito da cultura, pretende-se reforçar o financiamento que garantirá a sua representatividade
nos diversos territórios do país, desburocratizando e flexibilizando estruturas e modelos de gestão,
bem como promovendo a democratização do acesso e a internacionalização.
Este domínio desdobra-se em três áreas de política, designadamente: “Educação e Formação”,
“Ciência, Ensino Superior e Inovação” e “Cultura”.
4.2.1. Educação e formação
A degradação da aprendizagem, o elevado número de alunos sem aulas a pelo menos uma
disciplina por períodos prolongados, o conflito e a instabilidade social nas escolas e a escassez de
professores constituem um cenário que gera enorme preocupação a toda a comunidade educativa
e que não pode ser ignorada pelos agentes políticos. Esta degradação afeta sobretudo as famílias
mais desfavorecidas, pondo em causa o direito constitucional à igualdade de oportunidades. A
escassez de professores prejudica o funcionamento das escolas e a aprendizagem dos alunos,
colocando em causa os elevados investimentos das famílias e do Estado, e as expectativas geradas
em relação à educação, sendo, por isso, essencial tomar medidas para a revalorização da carreira
docente.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Para a prossecução destes objetivos estratégicos, serão adotadas, entre outras, as seguintes medidas:
Iniciar a recuperação integral do tempo de serviço congelado dos professores, a ser
implementada, à razão de 25% ao ano;
Revisão da carreira e do regime de avaliação de docente;
Implementar o A+A, “Aprender Mais Agora”, um plano de recuperação da
aprendizagem que realmente permita aos alunos construir um caminho de sucesso
escolar. O A+A incluirá recursos adequados para o apoio aos alunos nas escolas, a
capacitação de docentes para implementar um sistema de tutorias, assim como o
reforço de créditos horários e o investimento em recursos educativos digitais de
apoio ao estudo.
Neste âmbito, procura-se igualmente alargar o âmbito e promover maiores níveis de transparência
e de acesso público aos dados estatísticos de monitorização do sistema educativo e melhorar o
sistema de transferência de competências para as autarquias locais, articuladamente com as escolas.
Pretende-se também contribuir para a revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo de 1986,
alinhando-a com os desafios do século XXI.
4.2.2. Ciência, ensino superior e inovação
A ciência e o ensino superior são dois eixos fundamentais para o futuro do país, mas a sua missão
só será concretizada invertendo a trajetória de desinvestimento, combatendo a desvalorização das
carreiras e revertendo a degradação das infraestruturas. A definição da oferta educativa deve estar
atenta às necessidades da sociedade e da economia. As parcerias entre o sistema cientí fico e
tecnológico e as organizações sociais e económicas promovem a difusão e valorização do
conhecimento. Neste sentido, é importante criar um círculo virtuoso em que o investimento em
educação, cultura e ciência aumenta o potencial de criação de riqueza do país, gerando novos e
melhores empregos, com melhores salários, travando a saída dos nossos jovens para o estrangeiro
e induzindo desenvolvimento económico. Os princípios orientadores relativamente ao ensino
superior deverão ser: efetividade e equidade no acesso; liberdade e desenvolvimento pessoal;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
diversidade das instituições; e adequação da oferta formativa às necessidades da sociedade e da
economia. A autonomia das IES deverá ser reforçada para garantir a estabilidade e previsibilidade
dos recursos financeiros necessários à implementação de estratégias de médio e longo prazo.
Nesta área, serão implementadas, entre outras, as seguintes medidas:
Reorganizar as agências de financiamento como organismos independentes do
Governo, visando a autonomia da C&I;
Desburocratizar as relações institucionais entre o ministério da tutela, a DGES, a
FCT, a A3ES e outras;
Adequar e reforçar os programas de bolsas de estudo e apoios financeiros à real
situação socioeconómica dos estudantes e a capacidade de resposta de serviços de
apoio psicológico e de saúde mental das IES;
Avaliar o reforço dos incentivos fiscais para empresas que investem em programas
de I&D em parceria com as IES;
Dinamizar um programa de apoio ao registo de patentes e de outra propriedade
intelectual das empresas portuguesas a nível internacional – Europa, EUA, Ásia.
Neste âmbito, destaca-se ainda a necessidade de preservar e aprofundar uma sólida oferta de
Ensino Superior, distribuída por instituições públicas, instituições particulares e cooperativas, bem
como entre os subsistemas universitário e politécnico. Neste contexto, salienta-se o objetivo de
incentivar a cooperação e parcerias entre as instituições do Ensino Superior e de investigação,
empresas, instituições sociais e autarquias locais. Ademais, pretende-se promover iniciativas de
reforço da empregabilidade dos jovens, através da aposta na formação e especialização profissional
em tecnologias e aplicações digitais, em linha com as necessidades crescentes do mercado de
trabalho, contribuindo para atrair e reter o talento jovem. Simultaneamente, procurar-se-á ainda
fomentar a atratividade dos curricula nas áreas CTEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e
Matemática).
4.2.3. Cultura
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Pela sua natureza estruturante e transversal, a cultura estará presente nas diferentes áreas
governativas, em permanente articulação e atualização – da língua portuguesa ao ensino artístico,
do património cultural à criação contemporânea, da desburocratização e da descentralização à
inovação e internacionalização, da gestão do quotidiano à construção pela paz. A cultura em
Portugal defronta-se com diversos problemas, entre os quais o subfinanciamento enraizado, a visão
centralista e as baixas taxas de participação. É necessário agir sobre estes fatores, reforçando o
financiamento, garantindo a representatividade da Cultura nos diversos territórios do país,
desburocratizando e flexibilizando estruturas e modelos de gestão, bem como promovendo a
democratização do acesso e a internacionalização.
Nesta área, serão implementadas, entre outras, as seguintes medidas:
Celebrar contratos-programa com as fundações e instituições culturais do
Ministério da Cultura, que recebem subvenções públicas, com enfoque no serviço
educativo/ensino artístico, através de residências artísticas e bolsas de curta duração;
Assegurar, até ao final da legislatura, a gratuitidade do acesso a museus e
monumentos nacionais, bem como centros de ciência, para jovens até aos 25 anos;
Mapear a totalidade do território, auscultando os diversos intervenientes para definir
estratégias culturais de desenvolvimento promotoras de coesão social e territorial a
nível local e sub-regional, que incluem o apoio a estruturas e a revisão do regime de
apoio às orquestras regionais, bem como definir uma estratégia nacional para apoiar
e estimular projetos de inventariação, criação, circulação e mediação artística;
Rever modelos de gestão e legislação, de forma a garantir o funcionamento das
instituições e das diversas instâncias patrimoniais, permitindo designadamente
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
assegurar medidas de salvaguarda do património, como a inventariação, a
classificação, a monitorização, a conservação e o restauro, a prevenção de riscos,
envolvendo as comunidades locais, as organizações da sociedade civil, as empresas
e as instituições internacionais;
Preparar e consensualizar, com a devida antecedência, os programas de celebração
de datas com elevado significado histórico nacional, em particular, entre outros, a
celebração dos 500 Anos de Luís Vaz de Camões, os 100 Anos de Carlos Paredes e,
ainda durante a legislatura, dos 900 Anos da batalha de São Mamede (1128),
referência fundadora da nacionalidade.
Adicionalmente, procurar-se-á assegurar o bom funcionamento das instituições patrimoniais em
todo o território, especialmente dos museus, monumentos e palácios (promovendo a diversificação
e a inclusão dos públicos, garantindo que as atividades culturais chegam a todos os segmentos da
população), bem como proteger e valorizar todo o património português, sem exceção, definindo
políticas de aquisição, circulação e permuta de obras de arte e de acervos museológicos, e criando
uma estrutura de reforço de segurança e de monitorização permanente do património classificado
como Património Mundial (Listas da UNESCO).
Pretende-se ainda apoiar e criar programas de estímulo ao acesso de crianças e jovens em idade
escolar mediante a oferta cultural das entidades de âmbito local, regional e nacional, e promover a
ida de artistas à escola, aproximando a comunidade artística da comunidade educativa. Ademais,
salienta-se a necessidade de criar um programa nacional de apoio a estruturas de programação,
residência, incubação e criação artística independentes. Por último, procura-se assumir a língua
portuguesa como um património de valor identitário e global, no contexto de uma estratégia
nacional e internacional, em articulação com o Instituto Camões, para a sua promoção.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
5. Um país com um Estado mais eficiente
O desafio estratégico “Um país com um Estado mais eficiente” visa transformar o Estado e o seu
funcionamento. Um Estado que possa prestar aos cidadãos serviços públicos mais acessíveis e de
melhor qualidade, aptos a gerar verdadeira igualdade de oportunidades.
Este desafio abrange uma série de objetivos estratégicos fundamentais. Em primeiro lugar, garantir
o equilíbrio orçamental e a redução da dívida é essencial para assegurar a sustentabilidade financeira
do país. Em simultâneo, é necessário adequar a organização, o funcionamento e a política de
recursos humanos da administração pública para capacitar os serviços públicos a responder de
forma eficaz aos desafios futuros, num contexto de imprevisibilidade, complexidade e incerteza.
Isso inclui a implementação de práticas modernas de gestão, garantindo coerência entre as políticas
de emprego público, carreiras, remunerações, condições de trabalho, proteção social,
desenvolvimento profissional e avaliação de desempenho dos trabalhadores.
É também reconhecida a necessidade de corrigir as assimetrias existentes no acesso aos serviços
públicos, promovendo uma distribuição mais equitativa e justa dos recursos do Estado. Pretende-
se que a desconcentração, descentralização e autonomia das estruturas da administração pública
contribuam para a criação de uma administração mais próxima e eficiente, que possibilite, por um
lado, a garantia de acesso a serviços públicos essenciais de qualidade a todas as populações,
independentemente da localização e, por outro, uma gestão e provisão de serviços adaptada às
necessidades regionais e locais.
Na área da saúde, em particular, reconhece-se a importância de cumprir a garantia constitucional
de acesso universal a cuidados de saúde, utilizando, para o efeito, todos os meios públicos, privados
e sociais. Reconhece-se também a necessidade de motivar e apoiar os profissionais de saúde,
diminuir a carga de doenças, adaptar as respostas do sistema ao envelhecimento demográfico,
reforçar a autonomia das instituições com práticas de gestão avançadas e promover a partilha de
responsabilidades para um autocuidado mais ativo e autónomo das pessoas e comunidades.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Para responder a este desafio e atingir os objetivos estratégicos enunciados, está prevista a
implementação de diversas medidas. Entre estas, cumpre destacar as seguintes, consideradas mais
relevantes:
Concentrar as entidades da Administração Central num único local, promovendo a partilha
de recursos e serviços (medida financiada pelo PRR);
Desenvolver os Centros de competências de excelência de apoio ao Governo que
agreguem ou coordenem os vários recursos e gabinetes de estudos e prospetiva, de
avaliação de políticas públicas, e serviços especializados como os jurídicos e de compras
públicas, com vista a substituir a abundante e onerosa contratação de serviços técnicos
externos;
Aumentar a interconexão de dados entre a Autoridade Tributária, Segurança Social e
Instituto de Registos e Notariado, nomeadamente no registo de agregados, estado civil e
morada, passando a ser o único canal de comunicação de dados;
Assegurar que em todas as empresas relevantes o reporte inclui as obrigações de serviço
público e as compensações que a empresa recebe do Estado para o cumprir, bem como
informação de natureza não-financeira (e.g. ambiental, social e governança), em
cumprimento com os princípios e requisitos da Diretiva de Reporte Corporativo de
Sustentabilidade e na linha dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030
da ONU;
Propor o Plano de Emergência do SNS e o seu modelo de implementação, nos primeiros
60 dias do mandato;
Definir um Plano Plurianual de Investimentos para o SNS, que visa modernizar
tecnologicamente as suas unidades, qualificar as suas infraestruturas, com o objetivo de
reforçar a capacidade de resposta do SNS nas suas valências fundamentais e contribuir para
a motivação dos profissionais e humanização dos cuidados de saúde;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Criar um Ecossistema Nacional de Dados em Saúde, implementar o Registo de Saúde
Eletrónico (RSE) suportada numa política de Digital e IA, sustentada, incrementando o
acesso aos meios digitais, potenciando, nomeadamente, a teleconsulta.
Quadro 14 inclui um conjunto de indicadores de contexto que ilustram de modo sumário e
panorâmico a situação atual e a evolução da situação no âmbito deste desafio estratégico. Como se
pode observar, a evolução tem sido maioritariamente positiva, exceto na percentagem de utentes
com médico de família, que tem vindo a diminuir em todas as regiões do país.
Quadro 14 - Indicadores de contexto13 associados ao desafio estratégico "Um país com um Estado mais eficiente"
13 Os indicadores de contexto fornecem informação agregada e atualizada de natureza diversa – social, económica, ambiental,
territorial ou outra –, relevante para enquadrar e fundamentar as principais orientações contidas neste desafio estratégico.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Nos instrumentos de planeamento com relevância para este desafio, encontram-se como metas
estratégicas as expostas no Quadro 15.
Quadro 15 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país com um Estado mais eficiente"
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Estratégia para a
Transformação Digital na
Administração Pública
100% de conjuntos de dados, de elevado valor UE,
abertos disponíveis para reutilização e valorização
pela sociedade através do dados.gov.pt de elevado
valor EU
Plano Nacional de Saúde
Reduzir a taxa de mortalidade padronizada
prematura (inferior a 75 anos) — valor a alcançar por
100 000 habitantes, por: Todas as causas de morte
[HM: 315,0; H: 458,0; M: 196,4]
Plano Nacional para a
Segurança dos Doentes
2021-2026 (PNSD 2021-
2026)
95% de instituições prestadoras de cuidados de
saúde com planos de formação anuais
multiprofissionais na área da segurança do doente
Programa Nacional de
Promoção de Saúde Oral
2021-2025
Percentagem de utilização de cheques-dentista e
referenciação para HO aos 10 anos: 62%
Estratégia Nacional de
Luta contra o Cancro 2021-
Alcançar uma proporção de cobertura geográfica
(por Unidade Funcional de cuidados de saúde
primários) de 100%, para os Programas de rastreio
do cancro da mama, cancro do colo do útero e
cancro do cólon e reto.
Alcançar uma proporção de cobertura populacional
superior a 95% nos Programas de rastreio do cancro
da mama, cancro do colo do útero e cancro do cólon
e reto.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Garantir o acesso, em tempo útil, a cirurgia
oncológica nos tempos máximos de resposta
garantida no SNS, para toda a população elegível
O Quadro 16 elenca os instrumentos de planeamento considerados relevantes para este desafio.
Além daqueles que se encontram em vigor, importa referir que está proposta a elaboração dos
planos estratégicos de Saúde Oral e de Saúde Mental Comunitária e ainda do Plano Estratégico
Matricial de Desburocratização e Modernização da Administração Pública e de Infraestruturas
Públicas.
Quadro 16 - Instrumentos de planeamento14 associados ao desafio estratégico "Um país com um Estado mais
eficiente"
Designação15 Situação
Avaliação
prevista16
Estratégia para a Inovação e Modernização do Estado e da
Administração Pública
Adotado ----
Estratégia para a Transformação Digital na Administração
Pública
Adotado ----
Plano Nacional de Saúde (PNS) Adotado
Intercalar e
final
14 Ver nota do Quadro 9.
15 Ver nota do Quadro 9.
16 Ver nota do Quadro 9.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026 Adotado
Intercalar e
final
Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos
Aditivos e das Dependências 2030
Adotado
Intercalar e
final
Programa Nacional para a Diabetes Adotado Intercalar
Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral 2021-2025 Adotado Intercalar
Plano de Contingência Saúde Sazonal - Módulo Inverno
Adotado Final
Plano de Contingência Saúde Sazonal - Módulo Verão 2022 Adotado Final
Plano Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças
Transmitidas por Vetores
Adotado ----
Estratégia Nacional de Luta contra o Cancro 2021-2030 Adotado ----
Plano Estratégico de Saúde Oral A elaborar ----
Plano Estratégico de Saúde Mental Comunitária A elaborar ----
Plano Estratégico Matricial de Desburocratização e
Modernização da Administração Pública e de
Infraestruturas Públicas
A elaborar ----
No Quadro 17 seguinte está exposto o financiamento das medidas de política associadas a este
desafio estratégico.
Quadro 17 – Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país mais
democrático, aberto e transparente"
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Este desafio estratégico é composto por dois domínios: “Um país com equilíbrio económico e
orçamental” e “Um país com serviços públicos de excelência”.
5.1. Um país com equilíbrio económico e orçamental
O domínio “Um país com equilíbrio económico e orçamental” tem como especial enfoque a boa
governação, centrada na gestão prudente e eficiente das finanças públicas, das empresas do Estado
e da administração pública em geral, onde o equilíbrio orçamental e a redução da dívida pública
são encarados como condições fundamentais para um desenvolvimento económico e social
sustentável. Este domínio encerra a visão de que a boa governação permitirá garantir o equilíbrio
orçamental e a redução da dívida e, simultaneamente, promover o crescimento económico e a
competitividade da economia. Isso, por sua vez, permitirá reduzir a carga fiscal, sobretudo das
famílias e das empresas, e, em simultâneo, ter recursos para provisionar serviços públicos de
qualidade, dignificando o estatuto e as carreiras dos respetivos prestadores.
Em particular, definem-se como principais objetivos estratégicos, garantir o equilíbrio orçamental
e a redução da dívida, adequar a organização, funcionamento e política de recursos humanos da
administração pública no sentido de capacitar os serviços públicos para que estes possam
responder adequadamente aos desafios futuros que se avizinham, num contexto de
imprevisibilidade, complexidade e incerteza, e assegurar coerência entre as políticas, aos vários
níveis da administração pública, especialmente no que respeita aos vínculos de emprego público,
carreiras, remunerações, condições de trabalho, proteção social, desenvolvimento profissional,
avaliação do desempenho dos trabalhadores, relações coletivas de trabalho, entre outras,
valorizando o papel dos parceiros sociais e a prática de diálogo social.
Este domínio desdobra-se em quatro áreas de política, designadamente: “Equilíbrio orçamental e
redução da dívida”; “Setor Empresarial do Estado”; “Reforma das finanças públicas e do Estado”;
e “Administração pública”.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
5.1.1. Equilíbrio orçamental e redução da dívida
O equilíbrio orçamental e a redução da dívida pública são essenciais para garantir a sustentabilidade
financeira. Um controlo rigoroso das despesas e a gestão prudente da dívida permitem ao país
enfrentar desafios económicos e sociais com maior segurança. A manutenção do equilíbrio
orçamental, quando alicerçada numa economia mais produtiva e competitiva, que gere mais
crescimento económico, permite, simultaneamente, reduzir a carga fiscal sobre famílias e empresas
e disponibilizar recursos para provisionar serviços públicos de qualidade e dignificar o estatuto e
as carreiras dos seus prestadores.
A estratégia do Governo para promover uma economia mais produtiva e competitiva, garantindo
o equilíbrio orçamental e a redução da dívida, envolve uma série de medidas que, dada a
transversalidade desta área de política, estão inseridas nos capítulos 3 e 4. Medidas relevantes como
a redução do IRS até ao 8.º escalão, a alteração do IRS jovem e a redução da taxa de IRC dos atuais
21% para os 15% e ainda medidas como a isenção dos prémios de desempenho, a atualização
obrigatória dos escalões e tabelas de retenção em linha com a inflação e o crescimento da
produtividade, assim como o fomento da poupança através da criação de contas poupanças isentas
de impostos.
Destaca-se ainda, para promover uma economia mais produtiva e competitiva, a seguinte medida:
Garantir o pagamento de faturas a 30 dias pelo Estado.
5.1.2. Reforma das finanças públicas e do Estado
Um Estado moderno deve ser capaz de garantir simultaneamente a eficiência da despesa pública e
a qualidade dos serviços prestados. Isto pressupõe a utilização de instrumentos de gestão
modernos e a otimização das estruturas e procedimentos administrativos.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
A reforma das finanças públicas e do Estado é essencial para assegurar a melhoria dos serviços
públicos e o equilíbrio orçamental. Esta reforma visa tornar o Estado mais eficiente, através da
reorganização de funções e eliminação de estruturas redundantes, por um lado, e dotar o setor
público de instrumentos de gestão modernos, promovendo simultaneamente a eficiência da
despesa pública e a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos, por outro. Para o efeito,
considera-se necessária e adequada a adoção das seguintes medidas:
Elaborar um quadro de referência orçamental de médio prazo;
Criar um portal da transparência orçamental;
Implementar o SNC-AP e a orçamentação por programas.
Pretende-se, ainda, reformar a Autoridade Tributária, para reforçar o equilíbrio da relação com os
contribuintes e reduzir os custos de contexto associados à função fiscal, reorganizando
determinadas funções e extinguindo estruturas redundantes ou duplicadas; e reformar o processo
orçamental.
5.1.3. Setor Empresarial do Estado
O Setor Empresarial do Estado desempenha um papel fundamental na economia. A gestão
eficiente e transparente dessas empresas é crucial para assegurar que estas contribuem
positivamente para o desenvolvimento económico e social. Um Setor Empresarial do Estado bem
gerido, que respeite os princípios da boa governação e prestação de contas, pode promover a
inovação, competitividade e crescimento sustentável, oferecendo serviços de qualidade e apoio ao
desenvolvimento nacional.
O universo das empresas públicas é composto pelo setor empresarial do Estado, o setor
empresarial regional e o setor empresarial local, cada um com características e objetivos distintos.
Pretende-se que estes setores sejam eficientes e produzam os melhores resultados e, portanto, é
necessário a implementação de medidas para melhorar a sua eficiência e transparência, garantir a
prestação de contas devida, e assegurar a não interferência política na gestão das empresas. De
entre estas, destacam-se como medidas mais relevantes as seguintes:
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Assegurar que em todas as empresas relevantes o reporte inclui as obrigações de
serviço público e as compensações que a empresa recebe do Estado para o cumprir,
bem como informação de natureza não-financeira (e.g. ambiental, social e
governança), em cumprimento com os princípios e requisitos da Diretiva de
Reporte Corporativo de Sustentabilidade e na linha dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU;
Assegurar a publicação do Relatório sobre o Cumprimento das Práticas de Bom
Governo da UTAM;
Introduzir critérios objetivos de avaliação da administração, incluindo o
desempenho e responsabilização na obrigação de prestação do serviço público.
Neste âmbito, cumpre ainda destacar, como objetivo, acelerar a implementação da legislação
introduzida em 2013, em particular no que diz respeito à publicação e aprovação dos instrumentos
de gestão, permitindo um reforço de prestação de contas do setor público, e que sejam feitas
recomendações à gestão das empresas de forma mais eficiente e rever a governação e os
instrumentos de gestão, reforçando a prestação de contas do setor público, com clara separação
das competências de propriedade, gestão e regulação. Adicionalmente, pretende-se avaliar o papel
desempenhado pelo Banco Português de Fomento no ecossistema institucional responsável pela
política económica nacional
5.1.4 Administração pública
A administração pública é o pilar central da implementação das políticas públicas e da provisão de
serviços aos cidadãos. Melhorar a sua organização e funcionamento é essencial para garantir que
ela responde adequadamente às necessidades dos cidadãos e aos desafios futuros e que os serviços
públicos são prestados com qualidade e eficácia.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Reconhece-se a necessidade de, simultaneamente, reestruturar a organização e o funcionamento
da administração pública e implementar políticas de recursos humanos que capacitem os serviços
públicos para enfrentar futuros desafios num ambiente imprevisível, complexo e incerto.
Reconhece-se também a necessidade de assegurar a coerência entre as políticas em todos os níveis
da administração pública, cobrindo diversas áreas como vínculos de emprego, carreiras, salários,
condições de trabalho, proteção social, desenvolvimento profissional, avaliação de desempenho e
relações coletivas de trabalho, e, ao mesmo tempo, valorizar a contribuição dos parceiros sociais e
o diálogo social.
Procurando responder aos desafios e atingir os objetivos enunciados, destacam-se as seguintes
medidas:
Concentrar as entidades da administração central num único local, promovendo a
partilha de recursos e serviços;
Desenvolver um modelo efetivo de medição de resultados e de satisfação pelos seus
utilizadores que permita a avaliação do Sistema e do Serviço Nacional de Saúde.
Pretende-se, ainda, melhorar as políticas de reforma funcional e orgânica que se encontram em
curso, alinhando-as com os princípios e orientações do Programa de Governo, com vista a reforçar
a missão e a resposta da administração pública, por um lado, adequando o custo respetivo, por
outro. Além disso, procurar-se-á adequar a organização, funcionamento e política de recursos
humanos da AP no sentido de capacitar os serviços públicos para que estes possam responder
adequadamente aos desafios futuros que se avizinham, num contexto de imprevisibilidade,
complexidade e incerteza.
5.2. Um país com serviços públicos de excelência
O domínio “Um país com serviços públicos de excelência” visa transformar o Estado e a
administração pública, em particular, numa organização qualificada, meritocrática, transparente e
competitiva, que responda às necessidades dos cidadãos através da prestação de serviços de
excelência, de forma eficiente, acessível e equitativa.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Esta transformação é concretizada através da reforma da organização, governação e prestação de
serviços no setor público, envolvendo, a desconcentração e descentralização organizacional e
autonomia na gestão, a qualificação dos recursos humanos e a resolução das carências mais
prementes de um conjunto de profissões essenciais dentro do Estado. Inclui também a
implementação de práticas modernas de gestão, garantindo coerência entre as políticas de emprego
público, carreiras, remunerações, condições de trabalho, proteção social, desenvolvimento
profissional e avaliação de desempenho dos trabalhadores. Além disso, valoriza o papel dos
parceiros sociais, promovendo o diálogo social, e foca-se na modernização, simplificação e
desburocratização do Estado, visando tornar os processos administrativos mais ágeis e acessíveis,
eliminando barreiras burocráticas e promovendo uma administração pública mais inovadora e
centrada no cidadão.
Outro pilar fundamental deste domínio é a saúde, que tem como objetivo estratégico principal a
garantia de acesso universal e de qualidade aos cuidados de saúde, cumprindo o preceito
constitucional, através de uma articulação eficaz entre os setores público, privado e social. Derivam
deste outros objetivos estratégicos, nomeadamente, a motivação e apoio aos profissionais de saúde,
a redução da carga de doença e a promoção do autocuidado, prioritárias para melhorar a qualidade
de vida dos cidadãos. Visa-se também a correção das assimetrias regionais na prestação de cuidados
de saúde, a adaptação às necessidades decorrentes do envelhecimento da população e o reforço da
autonomia das instituições de saúde através de um modelo de gestão descentralizada, sustentado
em princípios de sustentabilidade económico-financeira e de melhores práticas de gestão
orçamental e de recursos humanos.
Este domínio desdobra-se em quatro áreas de política, designadamente: “Saúde de qualidade para
todos”; “Reforma da organização, governação e prestação do setor público”; “Capacitação da
administração pública”; e “Modernização, simplificação e desburocratização do Estado”.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
5.2.1. Saúde de qualidade para todos
Portugal vive um contexto desafiador no setor da saúde, caracterizado pelo acelerado
envelhecimento da população e pela diminuição dos nascimentos. Este desequilíbrio etário,
juntamente com o sedentarismo, práticas alimentares pouco saudáveis, o stress quotidiano e o
consumo de tabaco e álcool, afeta profundamente o perfil de saúde e de doença no país. Além
disso, as desigualdades em saúde e as disparidades regionais realçam a influência da condição
socioeconómica no estado de saúde dos cidadãos. A pandemia veio evidenciar e intensificar ainda
mais estes problemas e disparidades, colocando uma enorme pressão sobre o sistema de saúde.
Para dar resposta a estes problemas, reconhece-se e reafirma-se, em primeiro lugar, a garantia de
acesso universal a cuidados de saúde. Esta garantia é assegurada mediante a utilização coordenada
de meios públicos, privados e sociais, promovendo um sistema de saúde que valoriza a eficiência e
a qualidade na resposta aos cidadãos. Para assegurar o acesso a cuidados de saúde aos cidadãos,
propõe-se a implementação das seguintes medidas, consideradas, entre muitas outras, mais
relevantes:
Propor o Plano de Emergência do SNS e o seu modelo de implementação, nos
primeiros 60 dias do mandato;
Definir um Plano Plurianual de Investimentos para o SNS, que visa modernizar
tecnologicamente as suas unidades, qualificar as suas infraestruturas, com o objetivo
de reforçar a capacidade de resposta do SNS nas suas valências fundamentais e
contribuir para a motivação dos profissionais e humanização dos cuidados de saúde;
Criar um Ecossistema Nacional de Dados em Saúde, implementar o Registo de
Saúde Eletrónico (RSE) suportada numa política de Digital e IA, sustentada,
incrementando o acesso aos meios digitais, potenciando, nomeadamente, a
teleconsulta;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Avaliar, o modelo de gestão e o desempenho das Unidades Locais de Saúde (ULS),
com particular destaque para as que integram hospitais universitários e concretizar
Sistemas Locais de Saúde flexíveis com participação de entidades públicas, privadas
e sociais;
Impulsionar um cluster de inovação em saúde capacitado para o reforço da inovação
clínica como fator determinante da transformação da saúde. Desenvolver e acelerar
os Centros Académicos Clínicos em projetos de I&D+I com impacto nos
resultados de saúde dos doentes e na conceção/validação e produção industrial de
bens e produtos.
Por fim, salienta-se igualmente a necessidade de criar o Plano de Motivação dos Profissionais de
Saúde, de forma a valorizar autonomamente todos os recursos humanos envolvidos na prestação
dos cuidados de saúde às pessoas, em especial no SNS. Este plano versará sobre as diferentes
carreiras dos profissionais de saúde e não deixará de contemplar a sua progressão e formação ao
longo da vida. Adicionalmente, pretende-se assegurar a Consulta no Médico de Família em tempo
útil até ao final de 2025 e fortalecer a rede pública de apoio à Fertilidade e Procriação Medicamente
Assistida de acordo com um plano plurianual e para o período do mandato.
5.2.2. Reforma da organização, governação e prestação do setor público
A organização e governação do setor público influenciam diretamente a qualidade do serviço
prestado aos cidadãos. Organizações grandes e complexas são muitas vezes ineficazes na
identificação e atendimento de necessidades regionais e/ou locais, por falta de proximidade aos
cidadãos. Nesse sentido, a aplicação do princípio da subsidiariedade é fundamental. A aplicação do
mesmo exige, inevitavelmente, a desconcentração e descentralização dos serviços. Estas, por sua
vez, exigem uma governação regional e/ou local com autonomia, que possibilite que as decisões
sejam tomadas mais perto de quem será afetado por elas, melhorando a responsividade e a eficácia.
Em paralelo, é necessária uma governação central coordenadora, para alinhar esforços e garantir
uma gestão coerente e integrada.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Reconhece-se, portanto, a necessidade de reformar a organização, governação e prestação de
serviços do setor público em Portugal. A concretização destas reformas é efetuada mediante a
implementação de diversas medidas, das quais se destacam as seguintes:
Desenvolver os centros de competências de excelência de apoio ao Governo que
agreguem ou coordenem os vários recursos e gabinetes de estudos e prospetiva, de
avaliação de políticas públicas, e serviços especializados como os jurídicos e de
compras públicas, com vocação de substituir a abundante e onerosa contratação de
serviços técnicos externos;
Criar uma task force de eliminação de burocracias desnecessárias em diálogo com
cidadãos e empresas;
Criar uma Rede Pública de Gestores dos Clientes Empresariais, que seja também
um Balcão ou Ponto Único, com interface também digital (e-balcão), baseado no
conceito de one-stop-shop, onde os investidores e empresários podem tratar de todos
os temas relacionados com a empresa: laborais, licenças, fiscalidade, segurança
social, entre outros.
Nesta área de política, regista-se ainda a necessidade de consolidar e dar novo impulso ao processo
descentralizador, promovendo a descentralização e a modernização da gestão autárquica e
reforçando a subsidiariedade na organização vertical da administração central do Estado.
5.2.3. Capacitação da administração pública
Uma administração pública eficaz e eficiente pressupõe a disponibilidade de recursos humanos
competentes, capacitados e motivados. Investir na capacitação dos trabalhadores em funções
públicas é fundamental para melhorar a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos e aumentar
a eficiência administrativa. A formação contínua, o desenvolvimento de competências e a
motivação dos trabalhadores são essenciais para enfrentar os desafios complexos e dinâmicos da
governação moderna. Além disso, promover uma cultura de meritocracia e valorização profissional
contribui para a retenção de recursos humanos e para a criação de um ambiente de trabalho capaz
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
de motivar e inovar. A capacitação da administração pública é, portanto, um pilar essencial para
construir uma administração pública resiliente, adaptável e capaz de responder às necessidades da
sociedade.
Capacitar a administração pública envolve várias medidas, das quais, merecem destaque as
seguintes:
Definir uma política de recursos humanos de médio prazo para cada entidade e
implementação de planos individuais de desenvolvimento de carreira para os
trabalhadores em funções públicas;
Modernizar os sistemas de atualização e progressões das carreiras gerais, visando a
criação do suplemento remuneratório de desempenho.
Neste âmbito, pretende-se ainda, aplicar critérios transparentes e reforçar a imparcialidade nos
processos de recrutamento para cargos públicos, de forma a atestar que a escolha dos candidatos
é objetiva e de acordo com as suas qualificações, e de forma a promover um sistema baseado no
mérito como forma de captar e reter bons profissionais e melhorar o funcionamento das entidades
públicas. Além disso, reconhece-se a necessidade de, por um lado, melhorar as condições de
trabalho, apostando na simplificação dos processos, recorrendo à tecnologia para maximizar o
desempenho global dos serviços e, por outro, resolver as carências mais dramáticas de um conjunto
de profissões essenciais dentro do Estado, assumindo-se a necessidade de esforços especiais para
compensar o desincentivo e desvalorização (material e profissional).
5.2.4. Modernização, simplificação e desburocratização do Estado
Um Estado moderno caracteriza-se, em grande medida, pela utilização de tecnologias e
metodologias de trabalho avançadas e pela desburocratização e simplificação administrativas. A
modernização, simplificação e desburocratização do Estado são elementos-chave para tornar a
administração pública mais eficiente e acessível, facilitando a interação entre o Estado e os
cidadãos, promovendo a transparência e aumentando a confiança dos cidadãos nas instituições.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Para modernizar, simplificar e desburocratizar o Estado, propõe-se a implementação das seguintes
medidas:
Elaborar um novo programa matricial de desburocratização e modernização da
administração pública e de infraestruturas públicas, que visa promover eficiência
interna, bem como eliminar redundâncias e passos inúteis na relação da
administração pública com o cidadão e com a empresa;
Criar gabinetes especializados em inovação dentro das instituições públicas,
atribuindo-lhes a responsabilidade de identificar e implementar práticas inovadoras
na gestão, tramitação processual e melhoria da prestação de serviços;
Aumentar a interconexão de dados entre a Autoridade Tributária, Segurança Social
e Instituto de Registos e Notariado, nomeadamente no registo de agregados, estado
civil e morada, passando a ser o único canal de comunicação de dados.
Reconhece-se ainda a necessidade de revitalizar e agilizar o Portal Único de Serviços Digitais,
otimizando a sua eficácia e as suas várias potencialidades, pondo fim à profusão desarticulada de
serviços, e acelerando a transição digital, centrada no cidadão e na empresa e, adicionalmente,
reforçar amplamente a interoperabilidade administrativa, quer no domínio interno, quer no plano
europeu, promovendo a interação para fins comuns, a partilha de informações e o intercâmbio de
dados, com o propósito último de facilitar as tarefas dos cidadãos e das empresas.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
6. Um país mais democrático, aberto e transparente
O desafio estratégico “Um país mais democrático, aberto e transparente” visa fortalecer o Estado
de direito, garantir o cumprimento da constituição e da lei, assegurar o funcionamento regular das
instituições, a ordem pública e a segurança de pessoas e bens, uma justiça eficaz e eficiente e o
combate à corrupção. Visa ainda, promover a ética e a responsabilidade na vida pública e incentivar
o escrutínio dos cidadãos mais bem informados e modos de participação cívica mais eficazes, assim
como reconhecer a especificidade das regiões autónomas, nomeadamente a insularidade que as
caracteriza, e o aprofundamento da autonomia regional.
No âmbito deste desafio estratégico, destacam-se como objetivos estratégicos, em termos de justiça
e de mobilização contra a corrupção, democratizar a reforma da justiça, para que a mesma seja
implementada com e ficácia, e promover a integridade e a transparência na governação, a
responsabilidade política e o combate à corrupção em todas as suas formas, com vista a fortalecer
a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. Outro desses objetivos é a prossecução de
uma justiça que funcione de forma célere, eficaz e transparente, essencial para garantir a confiança
dos cidadãos, dos investidores e dos agentes económicos, bem como para prevenir e combater a
corrupção, a fraude e a evasão fiscal.
De igual modo, para a comunicação social e o combate à desinformação, propõe-se a defesa da
verdade, da transparência, da pluralidade e da responsabilidade no espaço público, sendo
necessário responder aos efeitos nocivos provocados pelas notícias falsas, proteger os direitos e os
deveres dos cidadãos e os meios de comunicação social e promover a educação e a literacia
mediática. A par disto, justifica destaque o propósito de garantir a pluralidade, a independência e a
sustentabilidade da comunicação social, em benefício de uma cidadania informada, aumentando o
nível de confiança dos cidadãos nas instituições democráticas, nos media e nos agentes políticos.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Em termos de segurança e proteção civil, além do reforço da confiança dos cidadãos nas forças de
segurança, outro propósito maior é promover um processo de dignificação das carreiras e de
valorização profissional e remuneratória de quem serve nas forças de segurança, estimulando e
impulsionando as adequadas motivações e procurando recuperar a atratividade das carreiras de
segurança. Há ainda a aposta na inversão da trajetória de abrandamento da convergência com a
média europeia em termos de sinistralidade rodoviária e em garantir serviços de proteção civil
eficazes, que contribuam para a segurança e o bem-estar das comunidades.
Por fim, no quadro deste desafio, outro objetivo estratégico é o cumprimento dos compromissos
nacionais de financiamento dos investimentos públicos nas regiões autónomas e a exploração de
possibilidades adicionais.
Para a prossecução do elenco de objetivos estratégicos apontado destacam-se várias medidas mais
relevantes, nomeadamente:
Regulamentar o lobbying: definindo os conceitos, os princípios, os procedimentos, e
as sanções aplicáveis à atividade de influência junto dos decisores públicos, criando
um registo obrigatório e público de lobistas e de entidades representadas;
Implementar a “Pegada Legislativa do Governo”, através da publicação no seu
portal na internet, de modo acessível, das várias etapas de cada processo legislativo
e regulamentar do executivo;
Propor medidas urgentes para a jurisdição administrativa e fiscal, elaboradas a partir
de contributos já existentes, com vista a implementação imediata;
Alterar a legislação processual penal no sentido de combater a formação dos
chamados megaprocessos, que entorpecem a ação dos tribunais e se arrastam,
frustrando a aplicação de uma justiça eficaz e célere;
Reformar os regimes de insolvência, com alteração de paradigma nos regimes de
insolvência e recuperação de empresas;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Criar um Plano de Ação para os Media, de forma a dar resposta aos problemas
estruturais e conjunturais decorrentes das profundas mudanças tecnológicas, da
configuração da nova oferta de conteúdos, da crise nas cadeias de produção e da
violação de direitos de consumidores e empresas;
Rever a Lei de Imprensa, ouvindo as empresas do setor, de forma a corrigir o seu
anacronismo face às profundas transformações da sociedade e do impacto das
plataformas digitais.
O Quadro 18 inclui um conjunto de indicadores de contexto que ilustram de modo sumário e
panorâmico a situação atual e a evolução da situação no âmbito deste desafio estratégico. Destaca-
se a falta de progresso no tempo para resolução processual nas diversas instâncias judiciais.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Quadro 18 - Indicadores de contexto17 associados ao desafio estratégico "Um país mais democrático, aberto e
transparente"
17 Os indicadores de contexto fornecem informação agregada e atualizada de natureza diversa – social, económica, ambiental,
territorial ou outra –, relevante para enquadrar e fundamentar as principais orientações contidas neste desafio estratégico.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Nos instrumentos de planeamento com relevância para este desafio estratégico, encontra-se como
meta estratégica a exposta no Quadro 19. Está relacionada com a proteção civil e estabelece que,
até 2030, os incêndios de dimensão maior – superior a 500 ha de área ardida – devem corresponder
a menos de 0,3% do total de incêndios.
Quadro 19 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais democrático, aberto e
transparente"
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Plano Nacional de Gestão
Integrada de Fogos Rurais
2020-2030
Incêndios com mais de 500 ha abaixo de 0,3% do
total de incêndios
Quadro 20 elenca os instrumentos de planeamento com relevância para este desafio estratégico.
Além daqueles que foram adotados, importa relevar que está proposta a revisão da Estratégia
Nacional de Segurança do Ciberespaço 2019-2023, assim como está proposta a elaboração do
Plano de Ação para os Media, do Plano Estratégico Nacional de Educação e de Literacia Mediática
e do Plano Estratégico Plurianual de Investimento para Reequipamento dos Corpos de Bombeiros.
Quadro 20 - Instrumentos de planeamento18 associados ao desafio estratégico "Um país mais democrático, aberto e
18 Ver nota do Quadro 9.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
transparente"
Designação19 Situação
Avaliação
prevista20
Estratégia Nacional de Anticorrupção 2020-2024 Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional Antifraude no âmbito da Prevenção e
Combate à Fraude na aplicação dos Fundos do Orçamento
da União Europeia para o período de 2023-2027
Adotado
Intercalar e
final
Plano de Ação para os Media A elaborar ----
Plano Estratégico Nacional de Educação e de Literacia
Mediática
A elaborar ----
Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Integrada de Segurança Urbana Adotado
Em momento
não definido
Estratégia Nacional de Segurança do Ciberespaço 2019-2023 A rever
Intercalar e
final
Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva
Adotado ----
Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais 2020-
Adotado
Intercalar e
final
19 Ver nota do Quadro 9.
20 Ver nota do Quadro 9.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Programa Nacional de Ação do PNGIFR Adotado Intercalar
Plano Estratégico Plurianual de Investimento para
Reequipamento dos Corpos de Bombeiros
A elaborar ----
No Quadro 21 está exposto o financiamento das medidas de política associadas a este desafio
estratégico.
Quadro 21 – Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país mais
democrático, aberto e transparente"
Este desafio estratégico desdobra-se em cinco áreas de política: “Transparência e combate à
corrupção”; “Justiça”; “Comunicação social e combate à desinformação”; “Segurança e proteção
civil”; “Regiões autónomas: insularidade, solidariedade e autonomia regional”.
6.1. Transparência e combate à corrupção
A falta de transparência e a corrupção têm custos elevados para o regular funcionamento das
instituições democráticas, para a economia, para a coesão social e para a credibilidade internacional
do país. A corrupção afeta a qualidade da democracia, a eficiência da gestão pública, a equidade da
distribuição de recursos e a confiança dos cidadãos nas instituições. Além disso mina os valores da
integridade, da responsabilidade, da transparência e da participação.
De modo a anular ou mitigar os efeitos decorrentes da falta de transparência e da corrupção, no
âmbito desta área de política considera-se necessário e adequado um leque de medidas de
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
prevenção, repressão e educação, nomeadamente as seguintes:
Regulamentar o lobbying: definindo os conceitos, os princípios, os procedimentos, e
as sanções aplicáveis à atividade de influência junto dos decisores públicos, criando
um registo obrigatório e público de lobistas e de entidades representadas;
Implementar a “Pegada Legislativa do Governo”, através da publicação no seu
portal na internet, de modo acessível, das várias etapas de cada processo legislativo
e regulamentar do executivo.
No quadro desta área de política pretende-se ainda reformar os mecanismos institucionais e
processuais e as regras substanciais relacionados com o combate à corrupção e apostar na
transformação digital da justiça, com recurso a novas tecnologias que permitam aumentar a
transparência e reduzir a burocracia.
6.2. Justiça
A função judicial é um elemento constitutivo do Estado e um pilar fundamental da soberania. Não
por acaso a democracia implica, entre outras condições, a forma do Estado de direito. Neste
sentido, considerando que a democracia e a qualidade da democracia dependem do modo como
funciona a justiça, importa notar que nesta área de política o país enfrenta problemas e desafios de
ordem vária, nomeadamente a complexidade e a morosidade da resolução dos processos judiciais,
a falta de recursos humanos e materiais nos tribunais e nos serviços associados, a insu ficiência de
meios alternativos de resolução de litígios, o custo e as desigualdades no acesso à justiça e a
articulação deficiente entre os vários intervenientes no sistema de justiça.
Com vista a concretizar a reforma da justiça nas diversas dimensões – jurisdição administrativa e
fiscal, celeridade processual; justiça económica; valorização de carreiras; funcionamento do sistema
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
prisional; acesso à justiça e funcionamento dos tribunais –, serão implementadas, entre outras, as
medidas seguintes:
Reformar a jurisdição administrativa e fiscal, a partir dos contributos já existentes;
Alterar a legislação processual penal no sentido de combater a formação dos
chamados megaprocessos;
Reformar os regimes de insolvência, com alteração de paradigma nos regimes de
insolvência e recuperação de empresas.
Nesta área de política pretende-se ainda combater a morosidade da justiça e promover uma cultura
de eficiência nos tribunais, nomeadamente através da adoção de medidas relativas à celeridade e de
gestão processual; melhorar as condições de acesso à justiça e o funcionamento dos tribunais;
facilitar a recuperação extrajudicial das empresas, com a instituição de um procedimento de
mediação extrajudicial entre credores e devedores; valorizar as carreiras, motivar e atrair os diversos
agentes na justiça; introduzir melhorias no sistema prisional.
6.3. Comunicação social e combate à desinformação
Tanto a qualidade das relações e interações sociais quanto a qualidade e a sustentabilidade da
democracia estão associadas intimamente ao modo como está estruturado o espaço público e
como os diversos agentes intervêm. Em resultado das mudanças da estrutura e do funcionamento
desse espaço – em que as novas tecnologias de informação e comunicação têm um papel cada vez
mais relevante –, o setor dos media enfrenta desafios de ordem vária, que vão desde a necessidade
de garantir a liberdade de expressão, a liberdade de informar e o pluralismo e de combater a
desinformação e as notícias falsas até à sustentabilidade das empresas de comunicação social e a
estabilidade socioprofissional de quem aí trabalha.
De entre as medidas a prosseguir no âmbito desta área de política, algumas são as seguintes:
Criar um Plano de Ação para os Media, de forma a dar resposta aos problemas
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Proposta de Lei n.º
estruturais e conjunturais decorrentes das profundas mudanças tecnológicas, da
configuração da nova oferta de conteúdos, da crise nas cadeias de produção e da
violação de direitos de consumidores e empresas;
Rever a Lei de Imprensa, ouvindo as empresas do setor, de forma a corrigir o seu
anacronismo face às profundas transformações da sociedade e do impacto das
plataformas digitais;
Encorajar os meios de comunicação regionais e locais;
Reforçar o papel, a independência e a e ficácia da regulação e supervisão e reforçar
o papel da Entidade Reguladora para a Comunicação Social na fiscalização e na
sanção de práticas de desinformação e de manipulação da informação;
Manter a posição maioritária do Estado na Agência Lusa, contribuindo para um
serviço público de informação de rigor, seriedade e qualidade;
Desenvolver uma estratégia nacional de educação e de literacia mediática, que
promova o desenvolvimento de competências críticas, analíticas e criativas dos
cidadãos, em relação aos meios de comunicação e à informação.
Em termos de comunicação e de combate à desinformação, pretende-se também salvaguardar o
papel e a missão do serviço público de rádio, televisão e multimédia, garantindo a sua
independência e transparência.
6.4. Segurança e proteção civil
A segurança interna é uma das missões cruciais da ação do Estado, por ser uma das vias pelas quais
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
se asseguram os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos. A promoção da segurança dos
cidadãos é uma prioridade para o Governo e um dos principais ativos estratégicos da República
Portuguesa, constituindo uma vantagem competitiva do ponto de vista económico.
No entanto, importa sublinhar que, embora Portugal seja reconhecido como país estável e destino
seguro, o contexto internacional atual (associado à evolução dos contextos sociais, culturais e
económicos das comunidades) comporta desafios novos e acrescidos em matéria de segurança
interna, reforçando a importância das entidades responsáveis por esta matéria. Assim, importa
criar práticas compatíveis tanto com a prevenção e o combate às ameaças à segurança interna,
quanto com a defesa dos direitos humanos, combatendo sentimentos de racismo e de xenofobia.
As condições e circunstâncias exigentes em que as forças de segurança atuam impõem um
investimento público em meios técnicos, capacidade operacional, ferramentas jurídicas, formação
e uma aposta na digni ficação das carreiras respetivas. Para o efeito, destacamos: a valorização
profissional, incluindo a valorização remuneratória; a conciliação da vida profissional com a vida
pessoal e familiar, potenciando os apoios aos profissionais que se encontram deslocados; bem
como o apoio em questões ligadas à saúde mental.
A par da função de segurança, compete ao Estado também garantir serviços de proteção civil
eficazes, que contribuam para o bem-estar das comunidades, adequando os dispositivos de
prevenção e socorro aos riscos e às necessidades específicas dos diversos tipos de territórios.
Nesta área de política, que compreende o investimento em segurança e a valorização de forças e
serviços de segurança, a cibersegurança e a proteção civil, está prevista a implementação de diversas
medidas, nomeadamente:
Proceder à dignificação das carreiras;
Rever o modelo organizativo das forças de segurança, adequando-a à nova realidade
territorial;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Executar o quadro plurianual de investimentos nas forças de segurança,
nomeadamente em equipamentos (e.g. novos equipamentos, como body cameras ou
sistemas de videovigilância), formação (incluindo em direitos fundamentais),
especialização e instalações, reforçando, nomeadamente, a execução dos
investimentos financiados por Fundos Europeus ( e.g. PRR e Portugal 2030) e
apostando na transição digital das FS;
Melhorar as condições de acolhimento das vítimas e denunciantes de crimes,
designadamente nos casos de violência doméstica, de violência sexual, de violência
contra menores ou contra idosos (medida também referida no subcapítulo 3.2.5);
Dotar o Centro Nacional de Cibersegurança de recursos adequados às necessidades
presentes e futuras (desde logo, combater o cibercrime e as ameaças híbridas) e
reforçar a sua cooperação com o Serviço de Informações de Segurança;
Implementar, de forma progressiva, em todos os corpos de bombeiros, a
profissionalização da primeira intervenção, garantindo o socorro de emergência 24
horas durante todos os dias do ano;
Adotar um modelo de contratualização plurianual com as entidades detentoras de
Corpos de Bombeiros, através de contratos-programa, bem como de um plano de
regularização das dívidas aos Corpos de Bombeiros, garantindo um prazo de
pagamento de 30 dias;
Implementar um Plano Estratégico Plurianual de Investimento para Reequipamento
dos Corpos de Bombeiros;
Implementar a estratégia nacional de combate à sinistralidade rodoviária.
No âmbito desta área de política, no que se refere à segurança interna, pretende-se ainda promover
uma maior cooperação e articulação entre as forças e os serviços de segurança, assim como
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
reorganizar a distribuição dos agentes para as tarefas mais adequadas, indo ao encontro de um
novo modelo administrativo que liberte um número maior de agentes de tarefas redundantes. Para
o efeito, será garantido:
O policiamento de proximidade e de visibilidade, com necessário aumento de
efetivos, viaturas caracterizadas e fardamentos;
A análise e tratamento céleres das queixas dos cidadãos, possibilitando um
tratamento mais rápido dos processos de investigação.
6.5. Regiões Autónomas: insularidade, solidariedade e autonomia regional
As regiões autónomas dos Açores e da Madeira são parte fundamental, distintiva e enriquecedora
de Portugal. O seu caráter insular e ultraperiférico coloca desafios significativos em termos de
governação, equidade e integração no conjunto nacional, a que importa dar resposta respeitando
os princípios da autonomia regional e da coesão territorial.
Cumprindo este propósito, nesta área de política está prevista a implementação das medidas
seguintes:
Atualizar a lei de finanças regionais;
Atualizar a repartição de competências designadamente sobre o espaço marítimo;
Atualizar algumas das condições de prestação de serviços públicos no território das
regiões autónomas.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
7. Um país mais verde e sustentável
Portugal assumiu como compromisso o cumprimento o Acordo de Paris em matéria de alterações
climáticas, em linha com a estratégia ambiental e climática da União Europeia (UE). Por
conseguinte, está empenhado em promover a descarbonização e a transição para uma economia
circular, através da aposta na preservação e na valorização dos recursos naturais, na mobilidade
sustentável, nas energias renováveis e na eficiência energética. Porque o desenvolvimento do país
tem que ser sustentável, há que adotar uma nova geração de políticas de ambiente e de energia que
assegurem melhor qualidade de vida às populações e, ao mesmo tempo, promovam a criação de
riqueza, a competitividade económica e o equilíbrio com os mais diversos setores de atividade. A
transição energética e a descarbonização não são apenas necessidades civilizacionais, são também
importantes oportunidades económicas e sociais para Portugal.
No âmbito deste desafio, avultam como objetivos estratégicos a compatibilização da
competitividade com a prossecução dos objetivos ambientais e climáticos, a proteção e a
valorização dos recursos naturais e o aproveitamento das possibilidades criadas pelo Pacto
Ecológico Europeu para construir uma sociedade mais justa, próspera e sustentável. Atingir a
neutralidade carbónica até 2050 –idealmente até 2045 – requer colaboração de todos os agentes
económicos. Por isso é de reforçar a aposta na aceleração de uma transição energética competitiva
e sustentável, acompanhada de benefícios efetivos para os cidadãos e a economia, aproveitando a
plena vigência dos pacotes legislativos para a segurança do abastecimento e de eficiência energética.
Importa igualmente fazer da gestão sustentável da água uma prioridade estratégica, apostando na
eficiência hídrica (e.g., no setor do abastecimento urbano, reduzir as perdas reais e a quantidade de
água não faturada, definida como a percentagem de água entrada no sistema que não é faturada
aos utilizadores), na modernização do setor e na aposta no regadio como fonte de desenvolvimento
económico e de adaptação climática. Realça-se também como objetivo estratégico a reforma do
setor dos resíduos e a aceleração da economia circular, mobilizando os cidadãos de forma definitiva
para terem um consumo mais sustentável e desenvolverem comportamentos mais ativos no que
diz respeito à prevenção e à separação dos resíduos.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
No horizonte de médio e longo prazo há que garantir a adaptação a tendências como a subida do
nível do mar e a compatibilização dos usos do solo e das atividades económicas para que se
consigam salvaguardar os recursos naturais, ao mesmo tempo que se cria riqueza, emprego e bem-
estar social. Pretende-se ainda dar prioridade à conservação da natureza, dotando as áreas
protegidas de uma gestão eficaz, e à biodiversidade, bom como dotar a governação ambiental de
mais transparência e eficácia.
Neste desafio estratégico destaca-se ainda a importância da retoma da relevância política dos
setores agroflorestal – e do seu contributo para diminuir o risco e a perigosidade de incêndios
rurais – e das pescas, aumentando o rendimento de agricultores, pescadores e produtores florestais,
potenciando a utilização dos fundos europeus e contribuindo para a autonomia estratégica da UE.
No plano da coesão territorial e da descentralização, há que garantir o planeamento territorializado
dos grandes investimentos e infraestruturas no domínio económico, social e natural. O
planeamento do uso do solo será orientado para dar satisfação às prementes necessidades de
habitação, em respeito pelas regras ambientais.
No âmbito da mobilidade e das infraestruturas, considera-se da maior relevância impulsionar o
transporte ferroviário de mercadorias e promover uma nova relação entre o transporte ferroviário
e os passageiros, bem como a adequada intermodalidade e a descarbonização nos demais meios de
transporte.
No que concerne às políticas de habitação salienta-se a importância de mobilizar a sociedade para
um efetivo estímulo à oferta de habitações acessíveis, tanto no mercado de arrendamento como
de aquisição. Importa melhorar o acesso à habitação, garantindo o aumento da oferta, com vista à
criação de cidades que sejam verdadeiramente sustentáveis e que não excluam ninguém.
Para a prossecução dos objetivos estratégicos deste desafio estão previstas medidas relevantes
como:
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Assegurar a revisão dos instrumentos de planeamento, em especial do Plano
Nacional Energia e Clima (PNEC 2030) e da Estratégia Nacional de Adaptação às
Alterações Climáticas (ENAAC);
Criar condições para que projetos no domínio das energias renováveis possam ter
uma concretização célere e efetiva, por via da operacionalização da Estrutura de
Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER 2030);
Desenvolver um Programa de Ação para a Digitalização Integral do Ciclo da Água,
prevendo medidas e investimentos para modernizar a gestão dos recursos hídricos
numa lógica de transformação tecnológica;
Incentivar o investimento privado na agricultura, pescas, florestas e aquicultura;
Elaborar o Plano Estratégico “Água que Une”, cujo objetivo é desenvolver uma
rede de infraestruturas que permita a gerir, armazenar e distribuir de forma eficiente
a água destinada quer à agricultura, quer ao consumo urbano;
Consolidar e dar um novo impulso ao sistema de transferência de competências
para as autarquias locais, nas diversas áreas de descentralização, assegurando meios
financeiros, incentivos, garantia de qualidade, mecanismos de monitorização, coesão
territorial e igualdade de oportunidades;
Garantir a execução dos principais investimentos estratégicos que integram o
Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030);
Dar início com a maior brevidade possível à construção do novo aeroporto de
Lisboa e garantir o aumento da capacidade do Aeroporto Humberto Delgado;
Iniciar com a maior brevidade possível a construção de outras infraestruturas
indispensáveis, nomeadamente a ferrovia e as ligações de alta velocidade;
Iniciar a realização de estudos para a terceira travessia do Tejo;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Assegurar a implementação das medidas que integram a nova Estratégia para a
Habitação, incluindo a revogação de medidas do programa Mais Habitação, tais
como o arrendamento forçado, os congelamentos de rendas, a contribuição
extraordinária sobre o alojamento local e a caducidade das licenças anteriores ao
referido programa.
O Quadro 22 apresenta um conjunto de indicadores de contexto que ilustram de modo sumário e
panorâmico a evolução da situação no âmbito deste desafio estratégico. Verifica-se que a
contribuição das energias renováveis no consumo final bruto de energia por setor tem aumentado
e observa-se uma redução das emissões dos principais gases com efeito de estufa. No entanto, é
de registar a queda da distribuição modal de transporte de passageiros do comboio e autocarro,
destaca-se ainda a relativa estagnação da proporção de superfície regada na superfície agrícola
irrigável.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Quadro 22 - Indicadores de contexto21 associados ao desafio estratégico "Um país mais verde e sustentável"
21 Os indicadores de contexto fornecem informação agregada e atualizada de natureza diversa – social, económica, ambiental,
territorial ou outra –, relevante para enquadrar e fundamentar as principais orientações contidas neste desafio estratégico.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Algumas das principais metas estratégicas dos instrumentos de planeamento relacionados com este
desafio, bem como as que constam nas Grandes Opções, alinhadas com os objetivos estratégicos
estabelecidos, são apresentadas no Quadro 23. Salientam-se as metas referentes à descarbonização
do Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030), em especial as de reduzir em 55% as emissões
de gases com efeito de estufa, por referência às emissões registadas no ano de 2005, e de incorporar
49% de energia de fontes renováveis no consumo final bruto de energia. São também de realçar
as metas relativas à redução de perdas reais de água nos sistemas de abastecimento em baixa e à
redução da produção de resíduos, bem como à linha de costa continental em situação crítica de
erosão. No âmbito do combate à pobreza energética há que reduzir a proporção da população a
viver em agregados sem capacidade para manter a casa adequadamente aquecida. Importa também
reforçar, de modo progressivo, o parque habitacional público, incluindo a habitação com apoio
público, tendo em vista uma aproximação gradual à média europeia. É ainda de destacar a meta de
alcançar preços da energia inferiores aos da média da União Europeia para a indústria e para os
consumidores em geral.
Quadro 23 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais verde e sustentável"
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Plano Estratégico para o
Abastecimento de Água e
Gestão de Águas Residuais
e Pluviais 2030
(PENSAARP 2030)
Perdas reais de água em baixa não superiores a 90
l/(ramal.dia) em zonas urbanas e a 3 m 3/(km.dia)
em zonas rurais
Plano Nacional de Gestão
de Resíduos 2030 (PNGR
2030)
Reduzir a produção de resíduos, de modo que em
2030 se produzam 13,6 Mt, ou seja, menos 2,3 Mt
do que o produzido em 2018 (15,9 Mt)
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Programa de Ação para a
Adaptação às Alterações
Climáticas (P-3AC)
Linha de costa continental em situação crítica de
erosão - 10% (2030)
2020, 2030
Plano Nacional Energia e
Clima (PNEC 2030)
Reduzir 55% as emissões de gases com efeito de
estufa, por referência às emissões registadas no ano
de 2005
Plano Nacional Energia e
Clima (PNEC 2030)
Incorporar 49% de energia de fontes renováveis no
consumo final bruto de energia
Grandes Opções 2024-
Alcançar preços da energia inferiores aos da média
da União Europeia para a indústria e consumidores
em geral
Estratégia Nacional de
Longo Prazo para o
Combate à Pobreza
Energética 2023-2050
População a viver em agregados sem capacidade
para manter a casa adequadamente aquecida: 10%
em 2030, 5% em 2040 e <1% em 2050 (17,5% em
2020)
2030, 2040,
Agenda de Inovação para a
Agricultura 2020-2030
"Terra futura"
Aumentar o valor da produção agroalimentar em
15%
Estratégia Nacional para as
Florestas (ENF)
Aumentar a resiliência da floresta aos incêndios
florestais, de modo que a média móvel de 10 anos
de povoamentos florestais ardidos face à área total
de floresta – a calcular anualmente no período 2018
a 2030 – não seja superior a 0,8%
2018-2030
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Estratégia Nacional para a
Mobilidade Ativa Ciclável
(ENMAC) 2020-2030
Quota modal de viagens em bicicleta no território
nacional de 3% em 2025 e de 7,5% em 2030
2025, 2030
Programa Nacional de
Habitação (2022-2026)
Reforço progressivo do parque habitacional público
(incluindo a habitação com apoio público), de 2%
para 5%, tendo em vista uma aproximação gradual
à média europeia
No Quadro 24 são apresentados os instrumentos de planeamento em vigor associados a este
desafio estratégico. É também feita referência aos principais instrumentos de planeamento cuja
revisão ou elaboração está prevista no horizonte da legislatura. Entre os instrumentos de
planeamento a elaborar são de destacar o Plano Estratégico “Água que Une”, o Plano de Ação
para a Economia Circular 2023-2027 (PAEC II), o Plano Estratégico para os Biorresíduos, o Plano
de Ação para Resiliência do Litoral 2025-2040, o Plano Nacional de Restauro da Natureza, o Plano
de Ação Nacional para o Lixo Marinho, o Plano de Ação Nacional para Combate à Acidificação
do Oceano, o Programa de Modernização da Avaliação de Impacte Ambiental (AIA 2.0) e o Plano
de Ação para a Digitalização Integral do Ciclo da Água. Prevê-se ainda a revisão do Plano Nacional
da Água (para o horizonte temporal 2025-2040), da Estratégia Nacional de Conservação da
Natureza e Biodiversidade (ENCNB 2030), da Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações
Climáticas (ENAAC) e do Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030). Após a disponibilização
do documento “Instrumentos de Planeamento 2023: Lista e Nota Metodológica” 22 foram
publicados outros instrumentos associados a este desafio estratégico, tais como o Plano de Ação
para o Biometano 2024 -2040 e o Programa de Incentivo ao Transporte Público Coletivo de
Passageiros (Incentiva+TP).
22 Disponível em https://www.planapp.gov.pt/lista-de-instrumentos-de-planeamento-2023/
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Quadro 24 - Instrumentos de planeamento23 associados ao desafio estratégico "Um país mais verde e sustentável"
Designação24 Situação
Avaliação
prevista25
Plano Nacional da Água A rever ----
Plano Estratégico para o Abastecimento de Água e Gestão
de Águas Residuais e Pluviais 2030 (PENSAARP 2030)
Adotado ----
Plano Estratégico “Água que Une” A elaborar ----
Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e
Agroindustriais 2030 (ENEAPAI 2030) – Tomo I
Adotado
Intercalar e
final
Plano de Ação para a Digitalização Integral do Ciclo da Água A elaborar ----
Plano de Ação para a Bioeconomia Sustentável - Horizonte
Adotado
Intercalar e
final
Plano de Ação para a Economia Circular 2023-2027 (PAEC
II)
A elaborar ----
Plano Nacional de Gestão de Resíduos 2030 (PNGR 2030) Adotado
Intercalar e
final
Fundo de Inovação, Tecnologia e Economia Circular
(FITEC)
Adotado ----
Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos 2030 (PERSU
2030)
Adotado
Intercalar e
final
23 Ver nota do Quadro 9.
24 Ver nota do Quadro 9.
25 Ver nota do Quadro 9.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Designação24 Situação
Avaliação
prevista25
Plano Estratégico para os Resíduos Não Urbanos 2030
(PERNU 2030)
Adotado
Intercalar e
final
Plano Estratégico para os Biorresíduos A elaborar ----
Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona
Costeira (ENGIZC)
Adotado ----
Plano de Ação para Resiliência do Litoral 2025-2040 A elaborar ----
Programa de Restauro e Revitalização de Zonas Estuarinas
(Programa FOZ)
A elaborar ----
Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e
Biodiversidade 2030 (ENCNB 2030)
A rever
Intercalar e
final
Plano Nacional de Restauro da Natureza A elaborar ----
Plano de Ação Nacional para o Lixo Marinho A elaborar ----
Plano de Ação Nacional para Combate à Acidificação do
Oceano
A elaborar ----
Programa Nacional da Política de Ordenamento do
Território (PNPOT)
Adotado ----
Política Nacional de Arquitetura e Paisagem Adotado ----
Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas
2030 (ECO360)
Adotado
Intercalar e
final
Programa de Modernização da Avaliação de Impacte
Ambiental (AIA 2.0)
A elaborar ----
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Designação24 Situação
Avaliação
prevista25
Sustentável 2030 - Programa Temático para a Ação
Climática e Sustentabilidade
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas
(ENAAC)
A rever
Intercalar e
final
Programa de Ação para a Adaptação às Alterações
Climáticas (P-3AC)
Adotado ----
Roteiro para a Neutralidade Carbónica (RNC 2050) Adotado ----
Estratégia da Defesa Nacional para o Ambiente, Segurança
e Alterações Climáticas
Adotado ----
Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação
2014-2024 (PANCD)
Adotado
Em momento
não definido
Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios
(ELPRE)
Adotado ----
Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) Adotado
Intercalar e
final
Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030) A rever ----
Plano Estratégico Nacional de Armazenamento de Energia A elaborar ----
Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à
Pobreza Energética 2023-2050
Adotado Intercalar
Plano Nacional para o Radão Adotado
Intercalar e
final
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Designação24 Situação
Avaliação
prevista25
Estratégia Industrial para as Energias Renováveis Oceânicas
(EI-ERO)
Adotado ----
Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC
2023-2027)
Adotado
Intercalar e
final
Plano de Armazenamento e Abastecimento Eficiente de
Água para a Agricultura
A elaborar -----
Estratégia Nacional para programas operacionais
sustentáveis de organizações de produtores de frutas e
produtos hortícolas
Adotado ----
Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030 “Terra
futura”
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de
Cereais (ENPPC)
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB) Adotado Intercalar
Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar
(ENCDA)
Adotado ----
Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
(ENSANP)
Adotado
Em momento
não definido
Estratégia Nacional para as Florestas (ENF) Adotado Intercalar
Mar 2030 Adotado
Intercalar e
final
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Designação24 Situação
Avaliação
prevista25
Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 (ENM 2021-
2030)
Adotado
Em momento
não definido
Plano de Ação da Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 Adotado
Em momento
não definido
Plano Estratégico da Pequena Pesca Adotado Final
Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de
Portos Comerciais do Continente
Adotado
Em momento
não definido
Programa de Valorização do Interior (PVI) Adotado -
Estratégia Nacional para os Territórios Inteligentes (ENTI) Adotado
Em momento
não definido
Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030) Adotado ----
Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa 2020-2030
(ciclável + pedonal)
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Pedonal 2020-
Adotado
Intercalar e
final
Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-
Adotado
Intercalar e
final
Programa Nacional de Habitação (2022-2026) Adotado Intercalar
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
No Quadro 25 é apresentado o financiamento das medidas de política associadas a este desafio
estratégico.
Quadro 25 – Financiamento das medidas de política associadas ao desafio estratégico "Um país mais verde e
sustentável"
Este desafio estratégico compreende dois domínios de política: “Um país de desenvolvimento
sustentável e de transição climática” e “Um país com melhores infraestruturas e habitação para
todos”.
7.1. Um país de desenvolvimento sustentável e de transição climática
Reconhece-se a necessidade de adotar uma nova geração de políticas de ambiente e energia para
garantir melhor qualidade de vida às populações, promovendo ao mesmo tempo a criação de
riqueza, a competitividade económica e o equilíbrio com os diversos setores de atividade. Apesar
da atenção que tem vindo a ser dada à temática, importa transformar o discurso sobre as alterações
climáticas numa prioridade efetiva – com aplicação do disposto na Lei de Bases do Clima –, tal
como no que respeita à economia circular. É fundamental proceder-se à transposição e rápida
implementação das diretivas e regulamentos europeus decorrentes do Pacto Ecológico Europeu,
que constituem a base para serem cumpridas as metas europeias estabelecidas para 2030. A
mitigação das emissões dos gases com efeito de estufa é também essencial, havendo que apostar,
a este nível, na área dos transportes, em especial na ferrovia.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Como referido anteriormente, os principais objetivos estratégicos deste desafio passam pela
proteção e valorização dos recursos naturais do país, pelo aproveitamento das possibilidades
criadas pelo Pacto Ecológico Europeu, de forma a construir uma sociedade mais justa, próspera e
sustentável, e preparar o caminho para a neutralidade carbónica até 2050, de preferência até 2045,
em articulação com os vários setores de atividade económica. A transição energética deverá ser
competitiva e sustentável, aproveitando a plena vigência dos pacotes legislativos para a segurança
do abastecimento e de eficiência energética. A aposta passa por colocar as pessoas no centro da
transição energética – as famílias e as empresas –, fazendo com que os ganhos ambientais deste
processo sejam acompanhados por benefícios efetivos para os cidadãos e para a economia.
Pretende-se ainda garantir que Portugal tenha uma participação empenhada no quadro da
Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas e no que respeita aos demais
compromissos internacionais assumidos, incluindo quanto ao aumento da proporção de energia
renovável no consumo final bruto de energia, e no quadro da cooperação internacional, com
especial atenção a África e à América Latina.
Face à tendência de redução da disponibilidade hídrica e à ocorrência mais frequente de situações
de seca relacionadas com a intensificação dos impactos das alterações climáticas, há que apostar
na eficiência hídrica e na modernização do setor da água.
Num contexto crescente de escassez de recursos, importa reformar o setor dos resíduos e acelerar
a implementação da economia circular, envidando esforços para mobilizar os cidadãos no sentido
de um consumo mais sustentável e de comportamentos mais ativos no que diz respeito à prevenção
e à separação dos resíduos, assim como para mobilizar as empresas no sentido da redução do
desperdício e da integração de matérias-primas secundárias no ciclo produtivo.
Importa também assegurar, no horizonte de médio e longo prazo, a adaptação a tendências como
a subida do nível do mar e a compatibilização dos usos do solo e das atividades económicas, para
que se consigam salvaguardar os recursos naturais e a segurança de pessoas e bens, ao mesmo
tempo que se cria riqueza, emprego e bem-estar social. Há que concretizar uma mudança de
paradigma ao nível das intervenções, visando a resiliência do litoral.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
É importante também dar uma prioridade efetiva à conservação da natureza e ao combate à perda
de biodiversidade, também ao nível da cooperação internacional, em especial no quadro da
Convenção das Nações Unidas para a Diversidade Biológica. Há que dotar a governação ambiental
de maior transparência e eficácia, sobressaindo neste âmbito a necessidade de o país enfrentar a
degradação ecológica e os problemas acumulados.
É igualmente de salientar a retoma da relevância política dos setores agroflorestal – e do seu
contributo para reduzir o risco e a perigosidade de incêndios rurais – e das pescas. Nestes setores
será prosseguida uma aposta na conciliação e na compatibilização da competitividade com os
objetivos ambientais e climáticos, potenciando a utilização dos fundos da Política Agrícola Comum
(PAC), do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA), do
PRR e do PT2030 e de programas europeus como o Horizonte Europa e o InvestEU, contribuindo
para a autonomia estratégica da União Europeia através do reforço da competitividade da
agricultura, da floresta e das pescas.
Há que reforçar a eficiência hídrica na agricultura e apostar no regadio como fonte de
desenvolvimento económico e de adaptação climática, promovendo elevados padrões de segurança
alimentar, garantindo a aplicação da legislação em matéria de fitossanidade, de segurança dos
géneros alimentícios e dos alimentos para animais, de saúde e bem-estar dos animais, bem como
verificar a observância dos requisitos pelos produtores e operadores em todas as fases da produção,
transformação e distribuição.
No que concerne à coesão territorial e descentralização, salienta-se a necessidade de planeamento
territorializado dos grandes investimentos e infraestruturas, nos domínios económico, social e
ambiental, assim como a consolidação dos processos de descentralização em curso. O planeamento
do uso do solo deverá ir ao encontro das necessidades prementes em termos de habitação, em
respeito pelas regras ambientais.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
O domínio de política “Um país de desenvolvimento sustentável e de transição climática” abrange
um conjunto diversificado de áreas de política: “Ambiente” (declinada em várias áreas de
intervenção), “Transição energética e descarbonização”, “Agricultura, floresta e pescas” e “Coesão
territorial e descentralização”.
7.1.1. Ambiente
Nesta área de política são abordadas matérias ligadas a temáticas ambientais diversas, como
recursos hídricos, resíduos e economia circular, proteção do litoral, conservação da natureza e
biodiversidade, bem-estar animal, ordenamento do território e planeamento ambiental, governação
ambiental, Fundo Ambiental e à necessidade de dar um novo impulso às políticas de ação climática.
Água, um recurso cada vez mais estratégico
Os problemas ambientais e climáticos têm consequências na disponibilidade e na qualidade da
água. Deste modo, a gestão sustentável da água, enquanto recurso cada vez mais estratégico e
crítico, é uma prioridade. Face à tendência estrutural de redução das disponibilidades hídricas,
superficiais e subterrâneas, e à ocorrência, cada vez mais frequente e intensa, de situações de seca
relacionadas com a aceleração dos impactos das alterações climáticas, irão desenvolver-se soluções,
em várias áreas de intervenção, para garantir uma gestão mais sustentável da água em Portugal.
Para enfrentar as importantes necessidades de investimento, em especial ao nível da reabilitação de
infraestruturas, há que envolver autarcas, empresas e a academia, no sentido de encontrar os
recursos e as soluções inovadoras necessárias, tendo em conta as especificidades de cada região.
Importa fazer da gestão sustentável da água uma prioridade estratégica.
Para prosseguir o conjunto de objetivos associados a esta área de intervenção ir-se-á,
nomeadamente:
Elaborar o Plano Estratégico “Água que Une”, cujo objetivo é desenvolver uma
rede de infraestruturas que permita a gerir, armazenar e distribuir de forma eficiente
a água;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Desenvolver um Programa de Ação para a Digitalização Integral do Ciclo da Água
prevendo medidas e investimentos para modernizar a gestão dos recursos hídricos
numa lógica de transformação tecnológica;
Promover uma reforma legislativa, incluindo a revisão da Lei da Água e de diplomas
setoriais conexos;
Desenvolver programas específicos para reduzir as perdas reais de água nas redes
de abastecimento;
Desenvolver programas específicos para aumentar a utilização de águas residuais
tratadas.
No que diz respeito a medidas a equacionar ou que serão ponderadas ou estudadas, é de salientar:
A avaliação de novas necessidades de dessalinização, procurando mitigar os custos
económicos do preço da água através de medidas conexas no âmbito energético.
Na área da gestão dos recursos hídricos são ainda de destacar a necessidade de acelerar a
implementação dos Planos Regionais de Eficiência Hídrica e do Plano Estratégico para o
Abastecimento de Água e Gestão de Águas Residuais e Pluviais 2030 (PENSAARP 2030), a
importância de incentivar as infraestruturas verdes e o aproveitamento de águas pluviais e de
concretizar obras e soluções específicas em cada região de modo a assegurar a resiliência
hidrogeológica e garantir que não falta água às populações e aos setores económicos.
Reformar o setor dos resíduos e acelerar a economia circular
A gestão dos resíduos é outra das frentes fundamentais da política ambiental. Este setor tornou-
se mais complexo e as metas europeias são exigentes.
Para alcançar os objetivos desta área de intervenção está previsto um conjunto de medidas, tais
como:
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Implementar uma política regenerativa na gestão de resíduos em prol de uma
economia circular;
Implementar o funcionamento de novos fluxos específicos de resíduos em linha
com o princípio da responsabilidade alargada do produtor;
Atualizar o Plano Estratégico para os Biorresíduos e criar condições para que a
recolha seletiva e sua valorização seja operacionalizada em todo o território nacional.
Assume-se igualmente a importância de promover a redução de resíduos e o aumento do tempo
de vida útil dos produtos, bem como a reintrodução dos resíduos nas cadeias de valor, quer sob a
forma de matérias-primas secundárias quer sob a forma de energia. Importa também promover o
direito à fabricação e à reparação, aumentando o ciclo de vida dos produtos, apoiando os negócios
de reparação, incluindo os cooperativos como os repair cafés.
Proteção do litoral, efetivar uma mudança de paradigma
Num cenário em que os fenómenos climáticos extremos agravam os problemas de erosão costeira,
de ordenamento do território e de degradação dos ecossistemas, a política de proteção do litoral
requer intervenções estruturais e investimentos continuados. Estamos confrontados com o desafio
de garantir, no horizonte de médio e longo prazo, a adaptação a tendências como a subida do nível
do mar, com implicações significativas na ocupação do litoral, atendendo ao dinamismo da zona
costeira e à necessidade de considerar estes processos numa perspetiva de longo prazo.
Para a prossecução do conjunto de objetivos associados a esta área de intervenção ir-se-á,
nomeadamente:
Criar o Programa de Ação para Resiliência do Litoral 2025-2040, prevendo
intervenções estruturais e investimentos continuados num contexto em que se
intensificam os fenómenos climáticos extremos;
Criar um Programa de Restauro e Revitalização de Zonas Estuarinas destinado a
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Proposta de Lei n.º
intervenções integradas de adaptação às alterações climáticas, regeneração urbana,
mobilidade sustentável e valorização territorial (Programa FOZ);
Concluir os Programas da Orla Costeira (POC) em falta e avaliar os progressos dos
Planos de Execução dos POC em vigor para assegurar a sua efetiva implementação.
No que concerne à proteção do litoral destaca-se ainda a relevância de acelerar a operacionalização
de medidas que visam a mitigação dos riscos para pessoas e bens.
Conservação da natureza e biodiversidade: uma prioridade efetiva
Portugal possui mais de 20% do seu território classificado ao abrigo de objetivos de conservação
da natureza. Acresce ainda a expansão da rede de áreas marinhas protegidas que contribuem para
a proteção da biodiversidade e dos recursos naturais até aos limites da plataforma continental
estendida. Para tal é necessário assegurar a sua gestão efetiva, o que implica recursos humanos e
financeiros adequados. Existem ameaças que se têm vindo a intensificar, seja por via das alterações
climáticas e do agravamento do risco de incêndio, seja no quadro da expansão urbana e de
atividades económicas que conflituam com a conservação dos valores naturais.
Para alcançar os objetivos desta área de intervenção está prevista a implementação de medidas
como as seguintes:
Avaliar a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030,
identificando necessidades de revisão e atualização;
Concluir a elaboração dos Programas Especiais de Áreas Protegidas;
Promover a recuperação de áreas classificadas como Monumento Natural, bem
como da Rede Nacional de Geoparques e dos sítios de interesse geológico;
Apostar na valorização dos serviços dos ecossistemas e na implementação de novos
instrumentos neste domínio;
Elaborar o Plano Nacional de Restauro da Natureza, acautelando as especificidades
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Proposta de Lei n.º
nacionais e as atividades implicadas, a redução de riscos induzidos e a necessidade
de investimentos que remunerem de forma equilibrada os proprietários pelos
serviços prestados pelos ecossistemas.
Neste âmbito salienta-se também a importância de assegurar os objetivos de conservação da
natureza e de compatibilização com outras atividades em função da sensibilidade ecológica de cada
território e de introduzir reformas que contribuam para resolver problemas e dificuldades que
inibem a concretização dos objetivos subjacentes à criação das áreas protegidas. Importa ainda
criar condições para um efetivo restauro ecológico de áreas degradadas, de forma racional e
equilibrada, integrando as preocupações dos cidadãos e dos agentes que desenvolvem as suas
atividades económicas no território.
Adicionalmente, no sentido de assegurar o bom estado ambiental das águas marinhas na área sob
jurisdição nacional, pretende-se executar as medidas definidas pelo Plano de Ação Nacional para
o Lixo Marinho e pelo Plano de Ação Nacional para Combate à Acidificação do Oceano, a serem
aprovados no período de referência 2024-2028.
Bem-estar animal
O bem-estar animal é uma preocupação crescente da sociedade a que há que corresponder com
medidas concretas que penalizem os maus-tratos e o abandono de animais de companhia. Neste
contexto, importa desenvolver uma nova geração de políticas que assegurem respostas efetivas
para os problemas que existem.
Nesta área de intervenção ir-se-á:
Colocar um maior foco nas políticas de proximidade no apoio ao bem-estar animal,
assegurando condições para que a administração local e outras entidades possam ter
uma ação mais eficaz, dispondo dos recursos adequados;
Rever, clarificar e reforçar a legislação que penaliza o abandono e os maus-tratos a
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animais de companhia;
Desenvolver uma campanha nacional de sensibilização contra o abandono de
animais que seja mais eficaz na indução de comportamentos responsáveis.
Ordenamento do território e planeamento ambiental
As várias políticas setoriais de ambiente e energia compreendem uma importante dimensão
territorial, seja ao nível da gestão dos recursos hídricos, da conservação da natureza, da proteção
costeira ou da transição energética. É em sede de instrumentos de planeamento às várias escalas –
nacional, regional e local – que se articulam os diversos usos do solo e as atividades económicas,
no sentido de compatibilizar a salvaguarda dos recursos naturais com o crescimento económico e
a melhoria da qualidade de vida das populações.
No âmbito desta área de intervenção está prevista a implementação de medidas tais como:
Assegurar que a revisão dos Programas Regionais de Ordenamento do Território
(PROT) contribui efetivamente para um desenvolvimento regional sustentável face
às preocupações ambientais;
Incentivar novos projetos e iniciativas na área da inteligência territorial,
contribuindo para uma gestão mais sustentável dos recursos naturais e para a
prevenção de riscos;
Avaliar o sistema de planeamento em vigor, fazendo um ponto de situação da
aplicabilidade dos diversos instrumentos e regimes ligados ao ordenamento do
território e ao planeamento ambiental e garantindo que aspetos como a adaptação
às alterações climáticas e a proteção dos recursos naturais são devidamente
salvaguardados e integrados nos planos territoriais.
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Proposta de Lei n.º
Governação ambiental, maior transparência e eficácia
No quadro da governação ambiental importa inovar, digitalizar e agilizar os procedimentos de
licenciamento ambiental, reforçando a sua transparência e fiscalização.
Para a prossecução do conjunto de objetivos associados a esta área de intervenção ir-se-á:
Criar o Programa de Modernização da Avaliação de Impacte Ambiental – AIA 2.0,
enquanto instrumento de apoio aos procedimentos administrativos, com recurso a
tecnologias de inteligência artificial para maior transparência e celeridade das
decisões;
Implementar um Portal Único do Licenciamento com vista a assegurar a total
transparência e integridade dos processos de licenciamento, com a sua digitalização
integral;
Premiar os municípios que mais contribuem para o cumprimento dos objetivos
ambientais de Portugal.
Neste âmbito, destaca-se ainda a importância de promover as compras públicas circulares e
ecológicas, num processo que seja conjugado com critérios económicos, de vincular toda a
administração pública, central e local, à inclusão de critérios ambientais equivalentes aos
estabelecidos no quadro do Pacto Ecológico Europeu e do Regulamento da Taxonomia nos seus
procedimentos de aquisição, e de dar um novo impulso à Reforma da Fiscalidade Verde,
identificando novas medidas e abordagens que contribuam para um uso mais eficiente e sustentável
dos recursos.
Fundo Ambiental – reforço da transparência de um instrumento essencial às políticas ambientais
A criação do Fundo Ambiental em 2016 – que resultou da extinção de diversos outros fundos pré-
existentes – e a sua escala financeira trouxeram vantagens ao nível da gestão integrada e da
execução de verbas. Todavia, para melhorar a sua operacionalização, é crucial proceder a um
conjunto de alterações.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Nesta área de intervenção está prevista a implementação de medidas como:
Rever e reforçar os critérios de afetação de receitas e de controlo, monitorização e
avaliação dos resultados, de forma a garantir uma maior eficácia;
Dar maior visibilidade aos concursos lançados, bem como à divulgação de
benefícios e de resultados;
Analisar as conclusões da auditoria realizada às contas do Fundo Ambiental pelo
Tribunal de Contas e adotar as devidas recomendações.
Neste âmbito, salienta-se ainda a necessidade de credibilizar a gestão do Fundo Ambiental e de
assegurar que este é devidamente aplicado nas políticas públicas de ambiente, de ação climática e
de uso eficiente dos recursos, reforçando a sua competência e transparência.
Maior impulso às políticas de ação climática
A Lei de Bases do Clima veio estabelecer um novo referencial político e estratégico para as políticas
nacionais de ação climática. Contudo, estão ainda por regulamentar e implementar diversos aspetos
desta lei, o que coloca em risco a sua aplicação efetiva. O combate às alterações climáticas exige
concertação, inovação e compromisso no longo prazo, mas também uma adequada ponderação
das opções a tomar ao nível da transição energética. As políticas de ação climática assumem uma
lógica transversal e multissetorial, devendo garantir-se a devida articulação seja ao nível do
ambiente e da transição energética, mas também em setores como os dos transportes,
infraestruturas, habitação, agricultura, indústria, saúde, educação ou proteção civil. As apostas na
sustentabilidade, no combate às alterações climáticas, na transição energética e na descarbonização
são, portanto, fundamentais para o futuro do país.
Nesta área de intervenção ir-se-á, designadamente:
Assegurar a revisão dos instrumentos de planeamento, em especial do Plano
Nacional Energia e Clima (PNEC 2030) e da Estratégia Nacional de Adaptação às
Alterações Climáticas (ENAAC);
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Proposta de Lei n.º
Regulamentar e implementar diversos aspetos da Lei de Bases do Clima;
Dinamizar iniciativas no âmbito da sensibilização ambiental e da cidadania ativa que
contribuam para um maior envolvimento das gerações mais jovens no combate às
alterações climáticas.
No quadro da necessidade de conferir um novo fôlego às políticas de ação climática destaca-se
ainda a importância de garantir que a generalidade dos municípios dispõe de Planos Municipais de
Ação Climática (PMAC) e de reforçar as medidas no âmbito da descarbonização e da redução de
emissões em setores-chave, dando especial atenção aos transportes, habitação e indústria, bem
como de criar condições e maiores incentivos à transição energética.
7.1.2. Uma transição energética competitiva e sustentável
A energia terá de ser encarada simultaneamente como um custo, um desafio e uma oportunidade
económica para as empresas nacionais. O desenvolvimento da produção energética deve obedecer
a critérios de racionalidade no aproveitamento dos recursos nacionais, apostando em ofertas
maduras e economicamente eficientes e assentes em conhecimento técnico, e visando o
cumprimento dos compromissos assumidos no quadro da transição energética. A adoção de
medidas de combate às alterações climáticas alavanca, com investimentos significativos, os
incentivos a ̀ transição das empresas para modelos sustentáveis e fontes de energia limpa,
estimulando a prossecução de compromissos de neutralidade carbónica e promovendo a criação
de emprego. A descarbonização da economia e da sociedade será, deste modo, um fator decisivo
de competitividade num futuro próximo.
Nesta área de política está prevista a implementação de medidas como:
Criar condições para que projetos no domínio das energias renováveis possam ter
uma concretização célere e efetiva, por via da operacionalização da Estrutura de
Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER 2030);
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Apostar na dinamização e estabilização das regras dos mercados de longo prazo da
eletricidade e do gás e alinhar o âmbito do mercado regulado com as melhores
práticas europeias;
Apostar fortemente em eficiência energética, reforçando os programas de apoio
dirigidos à habitação;
Rever e reforçar a execução dos financiamentos ao abrigo do PRR e do PT2030
para intensificar os investimentos que contribuíam para a sustentabilidade e a
segurança energética nacional;
Incrementar a transição energética através da aposta na eólica offshore.
No quadro da transição energética e da descarbonização importa ainda reforçar as capacidades de
produção e de armazenamento de energia, seja ao nível da eletricidade ou dos gases renováveis,
como o biometano e o hidrogénio, por via de leilões. Constitui ainda prioridade estimular o
conceito de consumidor-produtor, desburocratizando e acelerando o licenciamento das formas de
produção descentralizada, incluindo Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC), Unidades
de Pequena Produção (UPP), Comunidades de Energia Renovável e Unidades de Autoconsumo
Coletivo, bem como de partilha de energia, de forma a garantir, a médio e a longo prazos, custos
de energia mais baixos. É de salientar também a importância de estimular a inovação tecnológica
e a digitalização de processos, redes e sistemas de energia, assegurando a sua flexibilidade e
resiliência.
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Proposta de Lei n.º
7.1.3. Agricultura, floresta e pescas
É proposto um maior investimento no setor agrícola e florestal, retomando o período de
crescimento registado entre 2011 e 2015 (o maior das últimas duas décadas), no qual a agricultura
se assumiu como um setor muito relevante no processo de recuperação económica do país.
Pretende-se ainda que o ministério que tutela a agricultura retome gradualmente as estruturas que
perdeu e que se acelere o ritmo de investimento dos fundos europeus. Importa também melhorar
a comunicação com o setor e, por sua vez, a imagem deste junto da sociedade, reforçando o seu
papel fundamental na produção de alimentos e de externalidades positivas com contributo para a
sustentabilidade económica, social e ambiental.
Para a prossecução do conjunto de objetivos associados a esta área de política ir-se-á,
designadamente:
Incentivar o investimento privado na agricultura, floresta, pescas e aquicultura;
Criar o Estatuto do Jovem Pescador enquanto agente de descarbonização, da
digitalização e da preservação da biodiversidade marinha;
Elaborar o Plano Estratégico “Água que Une”, com o objetivo de desenvolver uma
rede de infraestruturas que permita a gerir, armazenar e distribuir de forma eficiente
a água, nomeadamente a destinada à agricultura (medida também referida no
subcapítulo 7.1.1);
Reprogramar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC 2023-2027),
para melhorar o rendimento dos produtores, simplificar os procedimentos para os
beneficiários e aumentar a previsibilidade;
Desenvolver novos instrumentos financeiros para fomentar o investimento no setor
agroflorestal, pescas e aquacultura;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Reforçar as ações de internacionalização de produtos agrícolas nacionais,
nomeadamente do vinho, em mercados externos, evidenciando a qualidade dos
mesmos;
Reforçar as ações de formação profissional tendo em conta as necessidades e
especificidades do território, qualificando e atraindo a mão de obra para os setores.
No que concerne a medidas a equacionar, ir-se-á:
Estudar a criação de um fundo mutualista e a disponibilização de um seguro de
colheita.
No âmbito desta área de política é de sublinhar a necessidade de melhorar o rendimento dos
agricultores, dos pescadores e dos produtores florestais e de retomar a confiança e a previsibilidade
no setor da agricultura, nomeadamente no âmbito do Pedido Único da Política Agrícola Comum
(PAC) e de promover as sinergias e complementaridades entre os fundos da Política de Coesão, da
PAC e da Política Comum das Pescas (PCP). Importa, por isso, potenciar a utilização dos fundos
da PAC, do Fundo Ambiental, do PT2030, do MAR2030 e de programas europeus, como o
Horizonte Europa e o InvestEU, assim como fortalecer o papel das organizações de produtores
florestais na extensão florestal através do estabelecimento de contratos programa.
Além disto, há que adotar uma comunicação que promova a valorização dos setores da agricultura,
floresta e pescas e do papel que estes desempenham na sustentabilidade económica, ambiental e
social. E é fundamental investir na investigação e na inovação do setor agroflorestal e piscatório,
bem como na simplificação e desburocratização de todos os processos.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
De modo a promover a renovação geracional dos setores agroflorestal e piscatório, releva também
a aposta na isenção de contribuições para a Segurança Social durante os primeiros três anos de
instalação para jovens agricultores e pescadores; na isenção de IRS/IRC (conforme a situação) nos
apoios da PAC e da PCP ao investimento e nos apoios à exploração até ao fim do vínculo contratual
da candidatura à instalação de jovens agricultores e arranque de atividade dos jovens pescadores;
na criação de linhas de crédito de longo prazo, com juros bonificados, para a aquisição de terrenos
agrícolas por jovens agricultores, associado a um plano empresarial de investimento; na promoção
de programas de acompanhamento e aconselhamento ao jovem agricultor, pescador e produtor
florestal.
Destaca-se ainda a importância de reforçar as relações dos agentes económicos no setor
agroalimentar, promovendo o equilíbrio na distribuição na cadeia de valor, bem como de
robustecer o papel das organizações de produtores e das cooperativas, de forma a aumentar o
rendimento dos produtores. É importante promover a redução do défice da balança comercial do
setor agroalimentar, através do aumento das exportações e da substituição de importações por
produção nacional, o aumento do grau de autoaprovisionamento, visando o incremento do valor
acrescentado bruto (VAB). De referir também a importância da aposta na atração e qualificação
de mão de obra para trabalhar nas diversas fileiras e na adoção de medidas educativas e de
comunicação para atrair jovens para o setor agroflorestal e das pescas.
7.1.4. Coesão territorial e descentralização
A coesão territorial e a descentralização são pilares fundamentais no relacionamento da
Administração Central com as autarquias locais e as entidades intermunicipais. A descentralização
deve avançar nas áreas preferenciais identificadas desde 2013 e sublinhadas em 2018, em particular
ao nível dos cuidados de saúde primários, da educação até ao nível secundário e da ação social,
retomando a opção de descentralizar a efetiva responsabilidade pela gestão e prestação do serviço
público. Neste sentido, considera-se necessário diferenciar positivamente os territórios com menor
capacidade de captação de receita.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Para alcançar os objetivos para esta área de política preconiza-se um conjunto de medidas de entre
as quais se destacam:
Consolidar e dar um novo impulso ao sistema de transferência de competências
para as autarquias locais, nas diversas áreas de descentralização, assegurando meios
financeiros, incentivos, garantia de qualidade, mecanismos de monitorização, coesão
territorial e igualdade de oportunidades;
Avaliar e rever o Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades
Intermunicipais, tendo em conta o reforço das suas competências próprias;
Alargar a Cooperação Técnica e Financeira para a prossecução de projetos de
grande relevância para o desenvolvimento regional e local;
Implementar o Programa Mais Freguesias que capacite as juntas de freguesia e
permita a valorização das infraestruturas e equipamentos sob a sua
responsabilidade;
Valorizar os territórios de baixa densidade, designadamente através da requalificação
da cobertura com internet fixa e móvel de alta velocidade;
Avaliar e rever a Lei de Bases Gerais da Política Pública de Solos, de Ordenamento
do Território e Urbanismo e o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão
Territorial;
Avaliar a execução da Agenda para o Território – PNPOT –, concluir a revisão e
elaboração dos Programas Regionais de Ordenamento do Território e garantir a
conclusão dos procedimentos de alteração ou revisão dos Planos Diretores
Municipais; Fomentar a aprovação de planos estratégicos de desenvolvimento local.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Neste âmbito destaca-se ainda a importância de garantir uma maior participação das autarquias
locais e suas associações na definição de políticas públicas de base local, bem como de assegurar
celeridade nos processos de aprovação e revisão dos diferentes instrumentos de planeamento
territorial, incluindo os regimes de salvaguarda. De sublinhar também a necessidade de serem
criadas condições de operacionalidade para os programas de gestão ou transformação da paisagem.
Além disto, importa desenvolver os mecanismos de execução e conservação do cadastro predial,
em articulação com o Balcão Único do Prédio. Importa também implementar a Base de Dados
Nacional de Cartografia, que permita a disponibilização de uma cobertura nacional de informação
geoespacial que possa ser utilizada para múltiplos fins, e, complementarmente, promover a
melhoria na interoperabilidade dos sistemas de informação de base territorial, facilitando o acesso
ao cidadão do conhecimento sobre direitos, deveres e restrições que impendem sobre o território.
7.2. Um país com melhores infraestruturas e habitação para todos
Cerca de metade da população portuguesa vive nos grandes centros urbanos, concentrada em
aproximadamente 5% do território nacional. O crescimento urbano e de concentração
populacional pressiona a procura por transportes públicos de passageiros e cria a necessidade de
modernização de infraestruturas, apoiada por uma abordagem multimodal e pela digitalização. Esta
procura por transportes públicos de passageiros não foi acompanhada por um aumento da oferta
e atratividade de modos de transporte de alta capacidade.
Tal como mencionado anteriormente, como objetivos estratégicos neste domínio de política
importa realçar, no âmbito da mobilidade e dos transportes, a aposta num novo impulso ao nível
do transporte ferroviário de mercadorias e na promoção de uma nova relação entre o transporte
ferroviário e os passageiros, bem como a promoção de melhores práticas de planeamento,
designadamente através do apoio ao desenvolvimento de planos de mobilidade urbana sustentável,
e, bem assim, a promoção da melhoria das infraestruturas que permitem a intermodalidade.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
No que respeita às políticas de habitação, é fundamental garantir o aumento da oferta habitacional,
tanto no mercado de arrendamento como no de aquisição, com vista à criação de cidades que
sejam verdadeiramente sustentáveis e que não excluam ninguém.
Pretende-se que as cidades promovam o bem-estar de todos os seus habitantes e permitam a
revitalização e não gentrificação dos bairros e comunidades, apostem na educação, na inovação e
em soluções que consigam proporcionar habitação a preços acessíveis, em especial para os jovens,
e que permitam acolher novos residentes. Os espaços urbanos devem promover uma maior
interação, integração social e facilidade na prestação de serviços de assistência e de cuidados
continuados à população sénior, e estimular a criação de uma rede de transportes mais sustentável
que desbloqueie novas áreas do território.
No âmbito das comunicações é ainda de salientar a defesa do caráter público e universal do serviço
postal moderno, garantindo a sua qualidade, eficiência e sustentabilidade.
O domínio de política “Um país com melhores infraestruturas e habitação para todos” engloba
temáticas como a mobilidade, as infraestruturas (nomeadamente ferroviárias, portuárias e de
transporte aéreo, redes elétricas e de gás) e comunicações, e as políticas de habitação.
7.2.1. Mobilidade, infraestruturas e comunicações
Observa-se em Portugal, de uma forma geral, um baixo nível de utilização do transporte público
e uma falta de capacidade de oferta. Importa, assim, agir em diversas frentes, tais como a
sustentabilidade dos modelos de financiamento do transporte público e ao nível da renovação das
frotas, independentemente dos modos. As infraestruturas (e.g., rodoviárias, ferroviárias,
aeroportuárias e portuárias, redes de abastecimento de eletricidade e gás, redes de comunicações)
são fundamentais para o desenvolvimento do país.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
O setor ferroviário, ao nível do transporte de passageiros e de mercadorias, enquanto sistema
central da política de mobilidade urbana e interurbana, constitui-se como um fator estruturante do
território e é fundamental para os objetivos de descarbonização. O sistema portuário e o transporte
marítimo nacionais também estão em período de mudança de paradigma, com enfoque na
digitalização e na sustentabilidade. O setor da aviação, sendo vital na perspetiva da coesão territorial
nacional e europeia, também requer um esforço de mudança significativo, tendo em vista a sua
descarbonização, nomeadamente através da utilização de combustíveis sustentáveis. No que se
refere às comunicações, e em particular aos serviços postais, essenciais para a população e um
importante fator de coesão social e territorial, o Estado deve garantir, que seja assegurada pelos
prestadores a prestação do Serviço Postal, em plena concorrência, de forma eficiente e sustentável.
No que respeita ao sector das comunicações eletrónicas, o Estado deve ainda garantir o acesso de
toda a população a redes de capacidade muito elevada (Gigabit), tendo como propósito assegurar
a cobertura de todo o território nacional, garantindo a cobertura de todos os agregados familiares
por redes Gigabit até 2030, sendo consideradas como prioritárias as áreas de baixa densidade
populacional, favorecendo a coesão territorial e a valorização dos territórios do interior, bem como
criar condições para que as famílias com baixos rendimentos ou com necessidades sociais especiais,
acedam a serviços de Internet em banda larga, fixa ou móvel.
Para a prossecução do conjunto de objetivos associados a esta área de política ir-se-á,
nomeadamente:
Garantir a execução dos principais investimentos estratégicos que integram o
Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030);
Dar início com a maior brevidade possível à construção do novo aeroporto de
Lisboa e garantir o aumento da capacidade do Aeroporto Humberto Delgado;
Iniciar com a maior brevidade possível a construção de outras infraestruturas
indispensáveis, nomeadamente a ferrovia e o TGV (alta velocidade);
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Iniciar a realização de estudos para a terceira travessia do Tejo;
Eliminar custos de contexto, no âmbito do transporte ferroviário de mercadorias,
nomeadamente, limitações na formação de pessoal e das condições de operação.
No que diz respeito a medidas a equacionar ou que serão ponderadas ou estudadas, são de salientar:
A avaliação da criação de incentivos à conversão energética para veículos de
transporte de passageiros;
A eventual necessidade de revisão de forma articulada entre os Governos da
República e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira em termos do
transporte marítimo de passageiros e mercadorias;
A Avaliação do modelo em vigor da Tarifa Social de Internet;
A promoção do acesso e utilização dos combustíveis sustentáveis para a aviação.
Neste âmbito, é também de destacar a importância de adotar mecanismos de incentivo à
modernização e interoperabilidade do transporte ferroviário de mercadorias. É essencial aumentar
a oferta de transporte público com reforço da frota, nomeadamente verde, e as frequências, bem
como aprofundar a tendência de gratuitidade do transporte público de passageiros para residentes,
e acompanhá-la de indicadores de eficiência e eficácia. Salienta-se, ainda, a necessidade de
implementação da transformação digital e o apoio à transição energética dos portos, com recurso
a fundos europeus e em parceria com os privados, e de assegurar um regime de transporte marítimo
de passageiros e mercadorias na cabotagem nacional, e em particular no que reporta a obrigações
de serviço público, importando a análise da sua adequação ao momento presente. No quadro do
setor da aviação e aeroportuário é também de salientar o aumento da capacidade e eficiência, tanto
na vertente de passageiros como na vertente de carga (infraestruturas, serviços de navegação aérea,
carga e conetividade). Importa também garantir a acessibilidade a infraestruturas de serviços
digitais em todo o território em condições de elevada qualidade e segurança, promovendo a
inovação e a sustentabilidade destes serviços.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
7.2.2. Habitação: reformas para resolver a crise
Face ao desafio da habitação importa mobilizar a sociedade para um efetivo estímulo à oferta de
habitações acessíveis, tanto no mercado de arrendamento como no de aquisição, no sentido de
garantir o aumento da oferta habitacional. Sem esquecer os jovens, o grupo da população
tendencialmente mais prejudicado pelas dificuldades de acesso à habitação, com impactos
significativos a nível demográfico, e na emigração dos mais qualificados.
De modo a alcançar o conjunto de objetivos associados a esta área de política ir-se-á,
designadamente:
Assegurar a implementação das medidas que integram a nova Estratégia para a
Habitação, incluindo a revogação de medidas do programa Mais Habitação, tais
como o arrendamento forçado, os congelamentos de rendas, a contribuição
extraordinária sobre o alojamento local e a caducidade das licenças anteriores ao
referido programa;
Disponibilizar apoios públicos e estímulos transitórios para fazer face às situações
mais prementes de carência e falta de acessibilidade habitacional;
Criar um programa de parcerias público-privadas para a construção e reabilitação
em larga escala, quer para habitação geral quer para alojamento de estudantes ou de
profissionais deslocados;
Aplicar o IVA à taxa mínima de 6% nas obras e serviços de construção e
reabilitação;
Isentar os jovens de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis
(IMT) e de Imposto de Selo (medida também referida no subcapítulo 3.1.2);
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º
Viabilizar o financiamento bancário da totalidade do preço da aquisição da primeira
casa por jovens através de uma garantia pública (medida também referida no
subcapítulo 3.1.2).
No que concerne a medidas a equacionar ou que serão ponderadas ou estudadas, destaca-se:
Desenvolvimento do mecanismo de seguro de renda e a criação de incentivos à
adoção, incluindo dedutibilidade do prémio de seguro ao rendimento tributável do
arrendamento.
Neste contexto, é de salientar a necessidade de criar um clima de confiança e de segurança para
que os alojamentos aptos para habitação sejam colocados no mercado de arrendamento. Importa
estimular a oferta habitacional privada com a adoção de diversas medidas de incentivo, garantir o
aumento da oferta habitacional pública para apoio a famílias e indivíduos em situação mais
vulnerável, mediante a mobilização do stock habitacional existente ou nova construção, e garantir
o aumento da oferta habitacional cooperativa, em articulação com o terceiro setor.
Criar condições para o aumento da oferta habitacional através da facilitação de processos de
densificação e da reclassificação de solos rústicos em zonas de fluência de espaços urbanos,
rentabilizando a infraestrutura existente e os aglomerados rurais, em especial nos municípios
ameaçados pela perda de população, criando condições de habitação temporária, acessível e a
custos controlados.
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8. Um país mais global e humanista
O desafio estratégico “Um país mais global e humanista” assenta na defesa do projeto
europeu e do multilateralismo, no aprofundamento das relações com os países de língua
portuguesa e com as comunidades portuguesas no estrangeiro, na promoção de uma política
de imigração regulada e humanista, na intensificação das relações transatlânticas, na
dinamização da cooperação para o desenvolvimento e da ajuda humanitária e numa
contribuição efetiva para a paz e a segurança internacionais, reconhecendo a importância de
se dotar Portugal de Forças Armadas (FFAA) capacitadas, com plataformas nos vários ramos
militares capazes de assegurar o elenco de missões para as quais estão acometidas, nas
fronteiras nacionais e internacionais.
Quanto à área da política externa, sobressaem os objetivos estratégicos de afirmar a
importância do projeto europeu e reforçar a contribuição portuguesa na construção europeia,
de aprofundar e robustecer o espaço lusófono e as relações com os países de língua
portuguesa, de intensificar as relações transatlânticas, de defender o multilateralismo e de
reforçar o papel de Portugal nas organizações internacionais. Tais objetivos decorrem
naturalmente do compromisso consensual e irrenunciável de Portugal com a União Europeia
(UE), Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Organização do Tratado do
Atlântico Norte (OTAN) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
Destacam-se, desde logo, na área da política externa, as seguintes medidas emblemáticas:
Promover a candidatura de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações
Unidas, no biénio 2027- 2028;
Promover a candidatura da língua portuguesa como língua oficial da ONU, no
horizonte até 2030.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Relativamente à política de migrações, reconhecendo que o país precisa e está disponível para
acolher imigrantes, é de salientar o objetivo estratégico de promover uma política de
imigração regulada, humanista, flexível na sua execução, orientada para as necessidades do
mercado de trabalho, sem deixar de ter em consideração também os benefícios demográficos
e sociais. Ao mesmo tempo, irão ser reforçadas e melhoradas as condições que garantam um
acolhimento digno.
No que concerne à política de defesa nacional, sobressam os objetivos estratégicos de
coordenar e sincronizar os ciclos de planeamento de efetivos, de investimento, de
orçamentos, de treino e aprontamento de forças, em linha com o planeamento do seu
emprego, procurando reforçar os incentivos para os militares contratados, reforçar as
capacidades de ciberdefesa, envolver as empresas portuguesas em consórcios de investigação,
desenvolvimento e produção nas áreas da defesa, potenciando as encomendas de
equipamentos e de material realizadas pelas Forças Armadas, e promover a justiça para os
antigos combatentes, dignificando e respeitando a sua condição e a sua memória.
Para a prossecução do conjunto de objetivos estratégicos associados a este desafio, destacam-
se as seguintes medidas mais relevantes:
Promover a candidatura de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU
no biénio 2027-2028;
Promover a candidatura da língua portuguesa como língua oficial da ONU, no
horizonte até 2030;
Revisão do regime das autorizações de residência para que se baseiem em
contratos de trabalho previamente celebrados ou através de um visto de
procura de trabalho, extinguindo o designado procedimento das
Manifestações de Interesse (artigos 88º e 89º, nos respetivos números 2 e
outros, da Lei nº 23/2007, de 04 de julho);
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Avaliar a reestruturação da Agência para a Integração, Migrações e Asilo
(AIMA), de forma a corrigir falhas legais, operacionais e de conflito de
competências, priorizando a criação de um Processo Urgente de Resolução
dos cerca de 400 mil processos/pedidos pendentes;
Manter e reforçar a participação em missões internacionais com Forças
Nacionais Destacadas (FND) e Elementos Nacionais Destacados (END), no
âmbito das organizações internacionais OTAN, ONU e UE;
Dignificação das carreiras, promovendo a valorização dos militares, encetando
um processo de negociação para a melhoria significativa das condições
salariais em geral, de forma a garantir a retenção e o recrutamento de
voluntários necessários para atingir os efetivos autorizados;
Projeção de soluções de aproveitamento de património edificado,
nomeadamente para efeitos de rentabilização, nos termos da Lei de
Infraestruturas Militares (LIM), e respostas ao défice de alojamento em meio
militar;
Promover uma indústria de defesa competitiva a nível europeu e internacional,
reforçando o investimento, garantindo a aplicação da Lei de Programação
Militar (LMP) e os recursos existentes, contemplando igualmente o
investimento em capacidades de ciberdefesa, reequipamentos, materiais e
modernização das instalações militares;
Avaliar a natureza e o aumento dos apoios que são concedidos aos antigos
combatentes;
Reconhecimento/levantamento e salvaguarda do património subaquático,
nomeadamente pela participação da Marinha.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
O Quadro 26 inclui um conjunto de indicadores de contexto que ilustram de modo sumário
e panorâmico a sua evolução no âmbito deste desafio estratégico. De destacar a evolução dos
indicadores relacionados com os objetivos económicos e climáticos que Portugal, e a sua
diplomacia, partilha com a UE e, no que refere ao reforço do espaço lusófono, a progressão
das trocas comerciais e de investimento entre Portugal e os países da CPLP . Como aspeto
negativo, na área da Defesa, é de sublinhar a redução do número de efetivos das FFAA.
Quadro 26 - Indicadores de contexto26 associados ao desafio estratégico "Um país mais global e
humanista"
26 Os indicadores de contexto fornecem informação agregada e atualizada de natureza diversa – social, económica,
ambiental, territorial ou outra –, relevante para enquadrar e fundamentar as principais orientações contidas neste
desafio estratégico.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Estas Grandes Opções assumem como meta estratégica atingir 2% de despesa do PIB em
Defesa até 2030. Nos instrumentos de planeamento com relevância para este desafio,
identificam-se como meta estratégicas as expostas no Quadro 27, em particular a constante
no Programa Internacionalizar 2030 de alcançar 53% de exportações no PIB até 2030.
Quadro 27 - Metas estratégicas associadas ao desafio estratégico "Um país mais global e humanista"
Instrumento de
Planeamento
Meta Estratégica
Horizonte
Temporal
Grandes Opções 2024-
2% do PIB em Defesa 2030
Programa
Internacionalizar 2030
Exportações: 53% do PIB 2030
No Quadro 28 são apresentados os instrumentos de planeamento em vigor associados a este
desafio estratégico. Na área da política externa, vale a pena destacar a importância do
Programa Internacional 2030, assim como da própria Estratégia da Cooperação Portuguesa
para o Desenvolvimento 2030. Na área das migrações destaca-se o Plano Nacional de
Implementação do Pacto Global das Migrações. Na área da defesa, destacam-se a Estratégia
da Cooperação Portuguesa para o Desenvolvimento 2030 e a Estratégia Nacional de
Ciberdefesa. De referir, ainda, a existência de importantes instrumentos de enquadramento
aos processos de planeamento como o Conceito Estratégico de Defesa Nacional e a Lei de
Programação Militar.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Quadro 28 - Instrumentos de planeamento27 associados ao desafio estratégico "Um país mais global e
humanista"
Designação28 Situação Avaliação prevista29
Programa Internacionalizar
Adotado ----
Estratégia da Cooperação
Portuguesa para o
Desenvolvimento 2030
Adotado Intercalar e final
Fundo para o Asilo, a
Migração e a Integração -
FAMI 2030
Adotado Intercalar e final
Plano Nacional de
Implementação do Pacto
Global das Migrações
Adotado ----
Plano de ação nacional de
atração de jovens
portugueses que
abandonaram o país
A elaborar ----
Programa Regressar Adotado ----
Plano Estratégico de atração,
acolhimento e integração de
imigrantes
A elaborar ----
27 Ver nota do Quadro 9.
28 Ver nota do Quadro 9.
29 Ver nota do Quadro 9.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Estratégia de
Desenvolvimento da Base
Tecnológica e Industrial de
Defesa 2023 -2033
Adotado Intercalar e final
Estratégia Nacional de
Ciberdefesa
Adotado ----
Estratégia da Defesa
Nacional para o Ambiente,
Segurança e Alterações
Climáticas
Adotado ----
Plano Setorial da Defesa
Nacional para a Igualdade
Adotado Em momento não definido
Conceito Estratégico de
Defesa Nacional
A rever ----
Plano de Ação para a
Profissionalização do
Serviço Militar
Adotado ----
Roteiro de Formação e
Educação Estratégica para a
Segurança e Defesa Nacional
A elaborar ----
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
No Quadro 29 é apresentada a programação dos investimentos associados a este desafio
estratégico.
Quadro 29 - Programação dos investimentos associados ao desafio estratégico "Um país mais global e
humanista "
Este desafio desdobra-se em cinco áreas de política: “Política externa”; “Comunidades
portuguesas e lusofonia”; “Migrações”; “Valorização da diáspora” e “Defesa Nacional”.
8.1. Política Externa
Portugal, a Europa e o mundo enfrentam enormes desafios. Diante de um contexto
geopolítico em acelerada mudança e de reformulação das linhas orientadoras da globalização
económica das últimas décadas, a política externa do Estado português é determinante tanto
para a afirmação da soberania do país e do seu posicionamento europeu e mundial, como
para a vida quotidiana dos cidadãos, para a sua segurança, a sua liberdade, e o seu bem-estar.
Portugal assume assim como objetivos estratégicos, em primeira linha, afirmar a importância
do projeto europeu e reforçar a contribuição portuguesa na construção europeia, aprofundar
e robustecer o espaço lusófono e as relações com os países de língua portuguesa, intensificar
as relações transatlânticas, defender o multilateralismo e reforçar o papel de Portugal nas
organizações internacionais, continuando a afirmar Portugal como um porta-estandarte dos
valores do humanismo, da democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos à escala
universal. Neste domínio, assume-se como prioridade promover as candidaturas de Portugal
para o Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 2027- 2028, e da língua
portuguesa como língua oficial da ONU, no horizonte até 2030.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Num contexto europeu de maior insegurança, decorrente do conflito armado em curso
contra a Ucrânia, Portugal, no quadro da UE e da NATO, continuará a apoiar a Ucrânia, a
nível humanitário, político, financeiro e militar, na defesa contra a agressão da Federação
Russa, nos planos e esforços de reconstrução e no processo de alargamento da UE em curso.
No que respeita ao conflito no Médio Oriente, Portugal continuará a pugnar pela adoção da
solução dos dois Estados, reconhecendo a Israel o direito à legítima defesa contra o
terrorismo, reclamando a libertação de todos os reféns, e a defender o estrito respeito pelas
regras de direito humanitário internacional, bem como um cessar-fogo imediato que permita
a distribuição de ajuda humanitária plena, e o estabelecimento de negociações com vista a
uma paz duradoura, que passará pela autodeterminação do povo palestiniano.
Portugal é, por essência, um país atlântico. Nesse sentido, Portugal procurará reforçar os
laços com a comunidade atlântica, quer no Atlântico Norte, quer no Atlântico Sul,
aprofundando a relação com o Reino Unido, os Estados Unidos e o Canadá, e desenvolvendo
a ligação aos países da África e da América Latina, com especial destaque para os países de
língua oficial portuguesa. Procurar-se-á capitalizar a nossa dimensão atlântica também no
seio da UE, para posicionar Portugal como um interlocutor central no diálogo, na construção
da paz e na circulação de pessoas e mercadorias entre a Europa e os restantes continentes.
Esta posição atlântica será articulada com um acompanhamento muito próximo e estratégico
das relações com a Ásia e o Pacífico, designadamente com a China e a Índia, tendo em
consideração as dinâmicas da economia internacional e a permanente avaliação dos riscos
geopolíticos. A diversificação das relações com outros atores, a nível mundial, será também
privilegiada.
Ainda no âmbito da política externa portuguesa, sublinha-se também o objetivo de promover
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
a importância da NATO e potenciar Portugal como ponte de ligação transatlântica entre os
parceiros europeus e os parceiros americanos da NATO. Neste contexto, importará
consolidar a capacidade dissuasora e de defesa coletiva dos Estados-membros, não apenas
no leste, mas também no flanco sul, adotar as medidas efetivas de vigilância e cooperação
internacional e assegurar a segurança e a sustentabilidade do espaço atlântico, bem como
aproximar os cidadãos da Aliança Atlântica e fomentar uma compreensão mais ampla das
ações desenvolvidas no âmbito da mesma.
Para a concretização do objetivo de reforçar a contribuição portuguesa na construção
europeia, Portugal contribuirá ativamente na discussão e concretização dos objetivos da
Agenda Estratégica da União Europeia, com destaque para as negociações relativas ao
Quadro Financeiro Plurianual para o período pós 2027, incluindo os aspetos relativos ao
estabelecimento de novos recursos próprios e formas inovadoras de financiar as políticas e
objetivos da UE.
Portugal continuará a apoiar a defesa da Ucrânia, na linha das diretrizes europeias, assim
como contribuirá para aprofundar a Política Externa e de Segurança Comum da UE, em
parceria com a NATO.
Portugal acompanhará e apoiará o processo de um novo alargamento da UE, à Ucrânia,
Moldávia, países dos Balcãs Ocidentais e Geórgia, e contribuirá para o processo de reforma
institucional e financeira da União Europeia, explorando ao máximo o potencial existente no
Tratado de Lisboa.
Ainda no contexto europeu, Portugal irá estabelecer e fomentar o diálogo e ação concertada
com Estados-membros com interesses comuns, seja no quadro já existente do grupo de
países mediterrânicos e do grupo de países da coesão, seja criando o grupo dos países médios
e o grupo de países atlânticos médios e pequenos.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Portugal procurará também estabelecer-se como uma ponte estratégica entre a União
Europeia e o Reino Unido, aproveitando as ligações históricas entre os dois países, para
promover a cooperação económica, cultural e estratégica entre ambas as partes.
Numa época de transição ecológica, serão desenvolvidas as ações necessárias para cumprir
os objetivos da política climática e de transição energética da UE, no âmbito do Pacto
Ecológico Europeu, incluindo através do reforço das interligações energéticas e, em especial,
as elétricas, de Portugal e da Península Ibérica ao resto da Europa.
Reafirma-se o objetivo do Governo português de assegurar a boa aplicação do Direito da
União Europeia, nomeadamente através do estabelecimento de procedimentos que visem a
atempada e correta transposição de Diretivas e a boa execução dos Regulamentos. Portugal
apoiará uma política europeia de migração eficaz, humanitária e segura, no âmbito do pacto
para migração e asilo e da reforma do Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA).A
contribuição portuguesa para a construção europeia passará também por pugnar pela
conclusão dos pilares da União Económica e Monetária, em particular pela criação de um
sistema de garantia de depósitos no âmbito da União Bancária e a União do mercado de
capitais, pelo aprofundamento do Mercado Único dos Serviços para assegurar a sua livre
circulação dentro da União, e pela boa execução da estratégia digital da UE, incluindo no
domínio da Inteligência Artificial. Portugal agirá ainda pela valorização do tema Oceanos nas
diferentes políticas da União Europeia.
No âmbito da autonomia estratégica aberta, a ação do Governo irá contribuir para uma maior
diversificação de parceiros, que permita aumentar a resiliência do nosso tecido empresarial,
com particular enfoque nas Pequenas e Médias Empresas.
No que se refere ao aprofundar e robustecer do espaço lusófono e da relevância
geoestratégica de Portugal, sublinha-se o objetivo de reforçar o papel da diplomacia na defesa
dos interesses de Portugal no mundo, com especial destaque para os países de língua oficial
portuguesa, com o objetivo de consolidar a lusofonia como um espaço de cooperação
económica, de solidariedade política e desenvolvimento integrado e sustentável.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Neste contexto, o Governo assume o objetivo de promover o alargamento geográfico da
influência e da ação da CPLP com base nos laços históricos e culturais da língua portuguesa
em diversos pontos do globo, aumentar o volume de comércio entre os países lusófonos,
promovendo parcerias económicas e diversificação das relações comerciais, de prosseguir a
execução da política pública de cooperação, reforçando o compromisso político de
cooperação internacional para o desenvolvimento.
No âmbito do multilateralismo e do reforço do papel de Portugal nas organizações
internacionais, assume-se também o objetivo de participar ativamente nos trabalhos do G20,
ao longo do ano de presidência brasileira, procurando valorizar a presença portuguesa nesta
plataforma internacional. Serão ainda promovidas as candidaturas de portugueses a cargos
nas organizações internacionais e valorizadas e apoiadas as suas respetivas progressões de
carreiras.
Por último, valorizar-se-á a carreira diplomática, em todas as suas dimensões, incluindo a
dinamização da vertente de diplomacia económica, bem como dos respetivos funcionários
da rede diplomática e consular.
8.2. Comunidades portuguesas e lusofonia
As comunidades portuguesas e a lusofonia devem ser reconhecidas como uma dimensão
própria da nossa política externa. Trata-se de um pilar que assegura a singularidade nacional
e distingue Portugal dos restantes Estados-Membros da UE.
A CPLP tem um papel crucial para a promoção da cooperação no espaço lusófono, na ajuda
ao desenvolvimento e na diplomacia cultural, sendo o meio natural de fortalecimento das
relações bilaterais e multilaterais.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Irá continuar-se o investimento no reforço dos vínculos entre Portugal e as suas
comunidades da diáspora. Serão também acompanhadas as circunstâncias e condições de
vida das comunidades de portugueses no estrangeiro, sinalizando aquelas que enfrentam
maiores dificuldades ou risco. Para tal concorrerá o reforço da rede diplomática e consular,
através do investimento nos recursos humanos e meios tecnológicos, bem como a abertura
de novas embaixadas e postos consulares na Europa e fora da Europa, dando resposta ao
crescimento da diáspora e reforçando a ligação efetiva entre a diáspora e o tecido económico
e empresarial português.
As medidas a destacar relativas a esta área de política são:
Contribuir para uma maior credibilização do Conselho das Comunidades
Portuguesas e para o fomento dos níveis de participação política dos
portugueses residentes no estrangeiro;
Estudar a reorganização do atual modelo de agendamento de atos consulares,
ao mesmo tempo que se procurará aproveitar as potencialidades do Consulado
Virtual, da Chave Móvel Digital e das Permanências Consulares;
Valorizar a carreira diplomática em todas as suas dimensões, incluindo a
dinamização da vertente de diplomacia económica, bem como dos respetivos
trabalhadores da rede diplomática e consular;
No âmbito do Acordo sobre a Mobilidade da CPLP implementar as melhorias
necessárias aos procedimentos, garantindo verdadeiro humanismo e
celeridade administrativa.
No âmbito do espaço da lusofonia, Portugal continuará a contribuir para o reforço do papel
da CPLP nas diferentes dimensões: política, diplomática, social e económica. O objetivo
passa pela consolidação da identidade lusófona e o reforço da cooperação. Irá promover um
alinhamento global e apoio recíproco em candidaturas internacionais, incluindo o
desenvolvimento de uma estratégia comum para que o português seja reconhecido como
língua oficial da ONU até 2030.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Ainda no que se refere à língua portuguesa, promover-se-á a sua difusão no mundo e
interesse de novos públicos, estimulando a promoção e o ensino do português nos sistemas
educacionais dos países lusófonos. Incentivar-se-ão intercâmbios académicos, aumentando
o número de estudantes lusófonos matriculados em universidades portuguesas; promover-
se-á a política de bolsas de estudo da cooperação beneficiando os principais países parceiros
da nossa cooperação e alargando, se possível a outras geografias, contribuindo dessa forma
para a capacitação de quadros qualificados; e criar-se-ão programas conjuntos que fortaleçam
a língua como ferramenta de comunicação e expressão, nomeadamente através da
disponibilização de oferta na área do ensino à distância em diferentes áreas do saber, por
meio da utilização de uma plataforma tecnológica em contexto web.
No âmbito da Estratégia da Cooperação Portuguesa 2030, o Estado português procurará
alinhar esforços no sentido de promover o desenvolvimento sustentável nos países
lusófonos, compartilhando experiências, recursos e conhecimento especializado para
abordar desafios comuns, como combate à pobreza, a educação, o desenvolvimento humano
e a boa governação, em observância dos princípios orientadores do respeito pelos direitos
humanos , da promoção e consolidação da paz e segurança, da democracia e do Estado de
direito, da igualdade de género, a capacitação e direitos das mulheres e meninas, e da proteção
do ambiente e combate às alterações climáticas num quadro de promoção da
sustentabilidade.
Quanto à área cultural, procurar-se-á implementar programas profícuos e duráveis de
diplomacia cultural, facilitando intercâmbios artísticos, literários e educacionais entre os
países lusófonos.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
8.3. Valorização da diáspora
Portugal enfrenta uma crise demográfica. Também por esse facto, importa manter uma
relação de forte proximidade com a diáspora, como forma de garantir um vínculo
fundamental entre o país e os seus cidadãos que vivem no estrageiro, que são fundamentais
no apoio às gerações de pais e avós que ficaram em Portugal.
A experiência internacional da diáspora dá origem a aprendizagens muito úteis ao país. Ideias
novas, formas de trabalhar e implementar processos que os portugueses residentes no
estrangeiro trazem no regresso podem ser formas muito eficazes de aumentar a
produtividade e os salários nacionais. O regresso de portugueses qualificados tenderá a
promover o empreendedorismo, a inovação e a potenciar sinergias produtivas com os
nacionais residentes.
As medidas a destacar relativas a esta área de política são:
Criar um serviço de apoio ao emigrante (com presença online) com o objetivo
de promover a informação e assim a integração mais próxima das redes de
emigração portuguesa na vida nacional;
Apostar no desenvolvimento da rede de Gabinetes de Apoio ao Emigrante
(Gabinetes de Apoio ao Emigrante 2.0) e fomentar a criação dos Conselhos
da Diáspora junto dos Municípios e dos Governos Regionais dos Açores e da
Madeira. Ainda neste domínio, o Governo apostará na melhoria de condições
do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora, do Plano Nacional de Apoio
ao Investidor da Diáspora e do Programa Regressar;
Recuperar os Encontros para a participação, do Programa de formação de
dirigentes associativos, das ações destinadas à Mulher Migrante, do Programa
“Talentos Culturais” e da ligação à rede de Câmaras e Associações
Empresarias no Exterior.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Nesta área de política, também se reconhece como essencial reforçar os recursos da rede
consular e câmaras de comércio, dando resposta ao crescimento da diáspora e reforçando a
ligação efetiva entre esta e o tecido económico e empresarial português. Concorrendo para
este objetivo, ir-se-á adaptar, agilizar e desburocratizar os processos notariais e de registos
formalizados na rede consular. Nesse contexto, continuar-se-á também a valorizar, dignificar
e rentabilizar o património do Ministério dos Negócios Estrangeiros, promovendo projetos
relativos à melhoria das condições de habitabilidade e das condições de trabalho dos serviços
internos e periféricos externos.
Agir-se-á no sentido de promover a ligação com associações de emigrantes e incentivar a
criação de redes internacionais. Assim como de recolher informação sobre os destinos, as
qualificações e as expectativas profissionais dos emigrantes que deixam Portugal –
temporária ou permanentemente –, por forma a garantir o permanente ajuste da ligação de
Portugal à diáspora.
Incentivar-se-á ainda a realização de um Fórum Anual da Emigração em Portugal para
promover a participação da diáspora com o objetivo de dar conhecimento aos emigrantes
portugueses de oportunidades de investimento, negócio e emprego em Portugal.
8.4 Migrações
A área das migrações engloba as políticas integradas e colaborativas que visam cumprir, com
humanismo e eficácia, os compromissos éticos e sociais de Portugal, respondendo às
necessidades demográficas e económicas do país. A escolha é por promover uma política de
imigração regulada, humanista, flexível na sua execução, e orientada para as necessidades do
mercado de trabalho.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Com a revisão das regras de entrada fronteiriças, Portugal deixará de ser a exceção e volta a
estar em linha com a generalidade dos países europeus pertencentes ao Espaço Schengen. O
compromisso é resolver os estrangulamentos no procedimento de regularização de
imigrantes que tem deixado milhares de pessoas com as suas vidas em suspenso, tendo
criado, inclusive, um efeito indesejado de chamada; reparar os problemas encontrados nos
sistemas de informação que precisam de intervenções urgentes; recuperar o sério atraso na
implementação dos sistemas europeus de controlo de fronteiras, melhorar as condições de
acolhimento que são limitadas para a procura que existe e assegurar condições para uma
plena integração das comunidades migrantes, combatendo todas as formas de discriminação.
As ações a desenvolver, passam por um conjunto de iniciativas, umas estruturais outras mais
cirúrgicas. É de relevar o Plano de Ação para as Migrações, orientado para uma resposta de
emergência no curto-prazo, composto por 41 medidas enquadradas em quatro eixos
fundamentais: 1) imigração regulada, 2) reorganização institucional, 3) atração de talento
estrangeiro e 4) integração mais humana, envolvendo as autarquias e fortalecendo a sociedade
civil na gestão da diversidade e de acompanhamento ao longo das diferentes fases do
processo migratório e de asilo.
Incluídas neste plano de ação e para além dele são de destacar as seguintes medidas nesta
área de política:
Avaliar a reestruturação da Agência para a Integração, Migrações e Asilo
(AIMA), de forma a corrigir falhas legais, operacionais e de conflito de
competências, priorizando a criação de um Processo Urgente de Resolução
dos cerca de 400 mil processos/pedidos pendentes;
Revisão do regime das autorizações de residência para que se baseiem em
contratos de trabalho previamente celebrados ou através de um visto de
procura de trabalho, extinguindo o designado procedimento das
Manifestações de Interesse (artigos 88º e 89º, nos respetivos números 2 e
outros, da Lei nº 23/2007, de 04 de julho);
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Adoção de intervenções urgentes nas infraestruturas, sistemas informáticos e
bases de dados do controlo de fronteiras existentes e recuperação do sério
atraso na implementação dos novos sistemas de controlo de fronteiras de
entrada e saída (fronteiras inteligentes) e o Sistema Europeu de Informação e
Autorização de Viagem – ETIAS (European Travel Information and
Authorisation System);
Construir novos Centros de Instalação Temporária (CIT) e aumento da
capacidade dos espaços existentes;
Criar uma equipa multi-forças de fiscalização para combater abusos
relacionados com permanência ilegal, tráfico de seres humanos, auxílio à
imigração ilegal, exploração laboral e violação de direitos humanos dentro do
território nacional;
Criar a Unidade de Estrangeiros e Fronteiras (UEF) na PSP , atribuindo-lhe as
competências do controlo de fronteiras, de retorno (hoje na AIMA) e de
fiscalização em território nacional.
Em linha com uma imigração mais regulada, esta área de política tem como objetivo instituir
um sistema de atração de capital humano recorrendo a um levantamento de necessidades
que alinhe as carências atuais e futuras de mão-de-obra da economia nacional, o seu perfil de
competências, em estreita articulação com as confederações e associações empresariais. Ir-
se-á também fomentar a aprendizagem da língua portuguesa e o conhecimento da cultura
portuguesa por parte dos imigrantes, tendo em vista a sua melhor integração social,
profissional e cívica, reforçando a oferta, cobertura e frequência do ensino do Português
Língua Não Materna.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Assume-se ainda o objetivo de aproximar o exercício de competências relativas à integração,
cooperando com as autarquias na criação de Centros de Acolhimento
Municipal/Intermunicipal de Emergência para imigrantes, requerentes de asilo e demais
situações de vulnerabilidade, começando pelos territórios sob maior pressão, nas áreas
metropolitanas de Lisboa e do Porto e zonas limítrofes. Serão também dados incentivos e
apoio às entidades da sociedade civil, através da contratualização por resultados, no sentido
de mobilização de recursos privados para a integração dos imigrantes.
8.5. Defesa nacional
As alterações da conjuntura geopolítica global, casos da invasão da Ucrânia pela Rússia em
2022, a instabilidade no Médio Oriente, a afirmação da China como potência de primeira
linha e as incertezas decorrentes das eleições nos Estados Unidos, trazem desafios internos
e internacionais sem precedentes.
Portugal é um dos países-membros fundadores da OTAN, aliança política e militar de
segurança coletiva, sendo que está comprometido em reforçar o vínculo transatlântico. Bem
como a lealdade do país ao sistema e às missões da ONU, aos propósitos e às missões da
UE. Portugal assume o objetivo estratégico de se dotar de FFAA capacitadas e competitivas,
com plataformas nos vários ramos militares capazes de assegurar o elenco de missões para
as quais estão acometidas, nas fronteiras nacionais e internacionais, em terra, mar, ar,
ciberespaço e espaço. Outro objetivo passa pela promoção de uma indústria de defesa
competitiva a nível nacional e europeu.
Caminha-se progressiva e determinadamente para a efetivação do compromisso
internacional de 2% do PIB de gasto com defesa no âmbito da OTAN.
Neste contexto, o investimento na Defesa Nacional, a dignificação das FFAA e a valorização
dos antigos combatentes, a atualização dos incentivos ao recrutamento e retenção de
militares, a capacitação produtiva e tecnológica da indústria militar e a modernização e a
adequação dos equipamentos e instalações estão nas prioridades do Governo.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
As medidas a destacar relativas a esta área de política são:
Manter e reforçar a participação em missões internacionais com FND e END,
no âmbito das organizações internacionais OTAN, ONU e UE;
Dignificação das carreiras, promovendo a valorização dos militares, encetando
um processo de negociação para a melhoria significativa das condições
salariais em geral, de forma a garantir a retenção e o recrutamento de
voluntários necessários para atingir os efetivos autorizados;
Projeção de soluções de aproveitamento de património edificado,
nomeadamente para efeitos de rentabilização, nos termos da LIM, e respostas
ao défice de alojamento em meio militar;
Promover uma indústria de Defesa competitiva a nível europeu e
internacional, reforçando o investimento, garantindo a aplicação da LPM e os
recursos existentes, contemplando igualmente o investimento em capacidades
de ciberdefesa, reequipamentos, materiais e modernização das instalações
militares;
Avaliar a natureza e o aumento dos apoios que são concedidos aos antigos
combatentes;
Reconhecimento/levantamento e salvaguarda do património subaquático,
nomeadamente pela participação da Marinha.
Aperfeiçoamento dos mecanismos de reinserção dos militares na vida civil,
bem como a ponderação do alargamento do apoio social complementar aos
militares em regime de voluntariado, contrato e contrato especial.
Promoção de atividades de produção e de prestação de serviços, formação e
conhecimento associados ao Espaço, em parceria com Países aliados com
experiência neste domínio, como os EUA, o Reino Unido ou outros Países
europeus.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Reforçar a cooperação no domínio da defesa.
Perspetivar uma estratégia integrada de gestão de crises e ameaças híbridas,
interministerial e intersectorial.
Na área da Defesa Nacional, atuando entre a exigência de resultados e os recursos
disponíveis, assume-se ainda o objetivo de equilibrar os agregados de despesa com pessoal,
investimento e operação, de forma a maximizar o produto operacional das FFAA. Assim
como desenvolver esforços para identificar no quadro do processo de planeamento
estratégico militar – Conceito Estratégico Militar (CEM), Missões das Forças Armadas
(MIFA), Sistema de Forças (SF) e Dispositivo de Forças (DIF) – e de refletir, em termos de
prioridades na LPM, a aquisição dos meios essenciais ao cumprimento das missões.
São também prioridades garantir a presença operacional em todo o território nacional, bem
como além-fronteiras onde as FND e END sejam empenhados, no âmbito dos
compromissos internacionais assumidos por Portugal.
O Estado português irá adotar um novo conceito estratégico de Defesa Nacional e
interligações possíveis ao conceito estratégico da OTAN e à bússola estratégica da UE.
Com o objetivo de criação de um ecossistema amigo das empresas do setor da Defesa, serão
implementadas medidas de âmbito fiscal e administrativo nesse sentido.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
ANEXO II
(a que se refere a alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º)
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Publicação — DAR II série A — 12-87 — 02/07/2024
II SÉRIE-A — NÚMERO 56
Artigo 7.º
Entrada em vigor
A presente lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Palácio de São Bento, 2 de julho de 2024.
Os Deputados da IL: Bernardo Blanco — Carlos Guimarães Pinto — Joana Cordeiro — Mariana Leitão —
Mário Amorim Lopes — Patrícia Gilvaz — Rodrigo Saraiva — Rui Rocha.
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PROPOSTA DE LEI N.º 8/XVI/1.ª APROVA AS GRANDES OPÇÕES PARA 2024-2028
Exposição de motivos
A proposta de lei das Grandes Opções para 2024-2028 (Lei das Grandes Opções) apresentada pelo XXIV
Governo Constitucional corresponde às grandes opções de política económica, social, ambiental e territorial
para os anos de 2024 a 2028, enquadram-se nas estratégias de desenvolvimento da sociedade e da economia
portuguesas e de consolidação das contas públicas, apresentadas no Programa do XXIV Governo
Constitucional, tendo presente o contexto da conjuntura nacional e internacional, nomeadamente a evolução
económica e social do período pós-inflacionista, a tendência esperada de redução das taxas de juro e os
crescentes conflitos bélicos em diversas regiões do mundo, como sejam na Ucrânia e no Médio Oriente.
As Grandes Opções 2024-2028 correspondem às orientações e escolhas fundamentais de política pública
económica, social, ambiental e territorial até 2028, as quais estão assentes em seis desafios estratégicos: um
país mais justo e solidário; um país mais rico, inovador e competitivo; um país com um Estado mais eficiente;
um país mais democrático, aberto e transparente; um país mais verde e sustentável e um país mais global e
humanista.
Estes seis desafios estratégicos, convergentes com a Estratégia Portugal 2030, as recomendações da União
Europeia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, no contexto económico e social do País e o
seu enquadramento internacional, correspondem às principais dimensões de intervenção que estruturam a
implementação de um universo de medidas de política pública focadas em consolidar e fortalecer as condições
económicas e sociais no sentido de tornar Portugal um país melhor, economicamente mais competitivo,
territorialmente mais coeso e socialmente mais justo. Importa ressalvar que, embora com uma perspetiva de
horizonte geracional, as Grandes Opções 2024-2028 não deixam de ser marcadas por um sentido de urgência
e pela necessidade de realizar mudanças a breve trecho, compaginando medidas de efeito imediato com outras
de maior fôlego e alcance mais vasto.
A implementação das Grandes Opções 2024-2028 exige um conjunto ambicioso de medidas de política e de
investimentos cujas fontes de financiamento se repartem entre Orçamento do Estado e o quadro europeu de
instrumentos de financiamento, designadamente, o PT 2020, em fase de encerramento, a iniciativa de
Assistência de Recuperação para a Coesão e os Territórios da Europa (REACT UE), o Programa de
Recuperação e Resiliência (PRR), e o PT 2030, que materializa o ciclo de programação de fundos europeus
para o período 2021-2027.
Mais se destaca que houve uma preocupação de definir as Grandes Opções à luz do novo enquadramento
de governação económica e orçamental aplicável aos Estados-Membros da União Europeia, que entrou em
vigor no dia 30 de abril de 2024, na sequência de a Comissão ter proposto, em abril de 2023, uma reforma mais
ambiciosa e abrangente das regras de governação económica da União Europeia.
A fim de dar cumprimento ao disposto do artigo 92.º da Constituição e da alínea a) do artigo 2.º da Lei n.º
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Publicação — DAR II série A — 10-86 — 20/09/2024
II SÉRIE-A — NÚMERO 96
por 5 mil habitantes.
Artigo 6.º
Formação e informação sobre menopausa
1 – As unidades de cuidados na comunidade de cada centro de saúde, em articulação com os serviços de
saúde sexual e reprodutiva previstos no artigo 2.º, organizam formações sobre menopausa destinadas à
comunidade em geral.
2 – As formações previstas no número anterior podem acontecer nas instalações do centro de saúde ou fora
deste e têm como objetivo aumentar a literacia em saúde, nomeadamente o conhecimento sobre menopausa,
seus sintomas e formas de os eliminar ou atenuar, de forma a proporcionar manutenção da qualidade de vida
das mulheres em perimenopausa.
Artigo 7.º
Entrada em vigor
A presente lei entra em vigor com o Orçamento do Estado subsequente ao da sua aprovação.
Assembleia da República, 20 de setembro de 2024.
As Deputadas e os Deputados do BE: Marisa Matias — Joana Mortágua — Fabian Figueiredo — José Moura
Soeiro — Mariana Mortágua.
———
PROPOSTA DE LEI N.º 8/XVI/1.ª (*)
(APROVA AS GRANDES OPÇÕES PARA 2024-2028):
Exposição de motivos
A proposta de lei das Grandes Opções para 2024-2028 (Lei das Grandes Opções) apresentada pelo XXIV
Governo Constitucional corresponde às grandes opções de política económica, social, ambiental e territorial
para os anos de 2024 a 2028, enquadra-se nas estratégias de desenvolvimento da sociedade e da economia
portuguesas e de consolidação das contas públicas, apresentadas no Programa do XXIV Governo
Constitucional, tendo presente o contexto da conjuntura nacional e internacional, nomeadamente a evolução
económica e social do período pós-inflacionista, a tendência esperada de redução das taxas de juro e os
crescentes conflitos bélicos em diversas regiões do mundo, como sejam na Ucrânia e no Médio Oriente.
As Grandes Opções 2024-2028 correspondem às orientações e escolhas fundamentais de política pública
económica, social, ambiental e territorial até 2028, as quais estão assentes em seis desafios estratégicos: um
País mais justo e solidário; um País mais rico, inovador e competitivo; um País com um Estado mais eficiente;
um País mais democrático, aberto e transparente; um País mais verde e sustentável e um País mais global e
humanista.
Estes seis desafios estratégicos, convergentes com a Estratégia Portugal 2030, as recomendações da União
Europeia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, no contexto económico e social do País e o
seu enquadramento internacional, correspondem às principais dimensões de intervenção que estruturam a
implementação de um universo de medidas de política pública focadas em consolidar e fortalecer as condições
económicas e sociais no sentido de tornar Portugal um País melhor, economicamente mais competitivo,
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Baixa comissão distribuição inicial generalidade — DAR II série A — 2-97 — 27/09/2024
II SÉRIE-A — NÚMERO 101
PROPOSTA DE LEI N.º 8/XVI/1.ª
(APROVA AS GRANDES OPÇÕES PARA 2024-2028)
Parecer final da Comissão de Orçamento e Finanças, incluindo pareceres das comissões
especializadas permanentes, do Governo da Região Autónoma dos Açores e das Assembleias
Legislativas das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e do Conselho Económico e Social
Parecer final da Comissão de Orçamento e Finanças
Índice1
Parte I2 – Considerandos
I.1. Apresentação sumária da iniciativa
I.2. Análise jurídica complementar à nota técnica
I.3. Avaliação dos pareceres solicitados
I.4. Avaliação dos contributos resultantes da consulta pública
Parte II – Opiniões dos Deputados e GP
II.1. Opinião do Deputado(a) Relator(a)
II. 2. Posição de outro(a)s Deputado(a)s
II. 3. Posição de grupos parlamentares
Parte III – Conclusões
Parte IV – Nota técnica e outros anexos
IV.1. Nota técnica
IV.2. Outros anexos
PARTE I – Considerandos
I.1. Apresentação sumária da iniciativa
1. Nota Preliminar
O Governo apresentou à Assembleia da Républica a Proposta de Lei n.º 8/XVI/1.ª – Aprova as Grandes
Opções para 2024-2028, no âmbito do seu poder de iniciativa da lei e da sua competência política, em
conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo167.º e na alínea d) do n.º 1 do artigo 197.º da Constituição da
República Portuguesa e no n.º 1 do artigo 119.º e no artigo 172.º do Regimento da Assembleia da República.
A iniciativa deu entrada a 2 de julho do corrente ano, acompanhada da ficha de avaliação prévia de impacto
de género. Admitida a 4 de julho, baixou a todas as comissões parlamentares, para parecer, sendo a
Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (5.ª) a comissão competente.
A iniciativa é subscrita pelo Primeiro-Ministro, pelo Ministro de Estado e das Finanças, conforme disposto
no n.º 2 do artigo 123.º do Regimento e no n.º 2 do artigo 13.º da lei formulário, e ainda pelo Ministro Adjunto e
da Coesão Territorial e pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares. Foi aprovada em Conselho de Ministros a
25 de junho de 2024. A proposta de lei respeita os limites à admissão das iniciativas, previstos no n.º 1 do
artigo 120.º do Regimento, uma vez que parece não infringir a Constituição ou os princípios nela consignados
1 Em conformidade com o disposto no artigo 139.º do Regimento. 2 A elaboração da parte I pode ser dispensada por deliberação da Comissão, sob proposta do relator, se não tiverem sido emitidos pareceres ou recebidos contributos sobre a iniciativa. Nesse caso, pode ser adotada a seguinte formulação: «Parte I – Não tendo sido recebidos pareceres ou contributos escritos sobre esta iniciativa, a Comissão deliberou, sob proposta do relator, nos termos do n.º 3 do artigo 139.º, dispensar a elaboração desta parte, aderindo ao conteúdo da nota técnica, que contempla já uma apresentação sumária da iniciativa e uma análise jurídica do seu objeto.»
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Discussão generalidade — DAR I série — 4-95 — 31/10/2024
I SÉRIE — NÚMERO 56
o diálogo entre agentes políticos e 429/XVI/1.ª (PAR) — Suspensão do prazo de funcionamento da Comissão
Parlamentar de Inquérito à Gestão Estratégica e Financeira e à Tutela Política da Santa Casa da Misericórdia
de Lisboa.
Por fim, deu ainda entrada a Apreciação Parlamentar n.º 3/XVI/1.ª (PS) — Relativa ao Decreto-Lei
n.º 76/2024, de 23 de outubro, que altera o regime jurídico da exploração dos estabelecimentos de alojamento
local, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 128/2014, de 29 de agosto, e revoga medidas no âmbito da habitação.
É tudo, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Cumprimento o Sr. Primeiro-Ministro e os restantes membros do Governo, e aproveito também para dar a conhecer à Câmara que hoje temos a assistir aos nossos trabalhos, nas galerias: um grupo
de 13 autarcas da Póvoa de Lanhoso; um grupo de 26 alunos e professores do Colégio Externato Imaculada
Conceição, da Maia; um grupo de 12 alunos e professores da Escola Secundária de Sacavém; um grupo de 53
alunos e professores da Escola Secundária Vergílio Ferreira, de Lisboa; um grupo de 45 alunos e professores
da Escola Secundária Rainha Dona Leonor, de Lisboa; um grupo de 14 presidentes de juntas de freguesia do
concelho de Guimarães; e um grupo de alunos do Colégio Heliântia, de Vila Nova de Gaia.
Aplausos gerais.
Vamos, então, dar início ao debate conjunto, na generalidade, das Propostas de Lei n.os 8/XVI/1.ª (GOV) —
Aprova as Grandes Opções para 2024-2028 e 26/XVI/1.ª (GOV) — Aprova o Orçamento do Estado para 2025.
Vou dar a palavra ao Sr. Primeiro-Ministro para a sua intervenção inicial, sendo que dispõe de 70 minutos.
Risos.
O Sr. Primeiro-Ministro (Luís Montenegro): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, prometo, desde já, gerir este tempo com o mesmo rigor e responsabilidade com que geriremos o Orçamento do Estado.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: «A pessoa é a medida e o fim de toda a atividade humana. E a política
tem de estar ao serviço da sua inteira realização. Essa é a nova regra, o novo início, a nova meta.» Estas
palavras, de Francisco Sá Carneiro, que o Prof. Cavaco Silva nos recordou há dias, são a linha orientadora
deste Governo e desta proposta de Orçamento do Estado para 2025.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Primeiro-Ministro: — Um Orçamento para recuperar, reformar e relançar Portugal com responsabilidade. Um Orçamento que resulta de um longo processo, com a mais transparente partilha de
informação com o Parlamento de que há memória e uma singular disponibilidade negocial deste Governo.
Isto é, de resto, evidenciado por diversas propostas de partidos políticos representados nesta Câmara terem
sido acolhidas, muitas delas com relevante impacto orçamental, com destaque para a redução das portagens e
o alargamento do IVA (imposto sobre o valor acrescentado) da eletricidade,…
O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Bem lembrado!
O Sr. Pedro Nuno Santos (PS): — Boas medidas!
O Sr. Primeiro-Ministro: — … e, sobretudo, pela acomodação das principais condições apresentadas pelo maior partido da oposição, nomeadamente, no IRS (imposto sobre o rendimento das pessoas singulares) Jovem
e no IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas).
Como os portugueses perceberam, a proposta que apresentámos ao maior partido da oposição, e que
refletimos neste Orçamento do Estado, é um compromisso até ao limite do razoável — aquele limite a partir do
---
Discussão generalidade — DAR I série — 3-142 — 02/11/2024
2 DE NOVEMBRO DE 2024
O Sr. Presidente: — Peço às autoridades para abrirem as portas das galerias a quem desejar assistir aos
nossos trabalhos.
Eram 9 horas e 1 minuto.
Muito bom dia, Sr. Primeiro-Ministro e restantes membros do Governo.
Pedia aos Srs. Deputados o favor de se sentarem. Como devem ter reparado, o Governo já está também na
Assembleia e estamos em condições de poder iniciar os nossos trabalhos.
Pausa.
Srs. Deputados, já temos pessoas a assistir aos nossos trabalhos, já temos o Governo na Sala, já temos
quórum para começar os nossos trabalhos, só falta mesmo termos condições de silêncio para o fazer.
Pausa.
Eu vou repetir: só falta mesmo termos condições de silêncio para podermos começar os nossos trabalhos.
Pausa.
Eu vou elevar um bocadinho mais a voz: só falta mesmo termos condições de silêncio para podermos
começar os nossos trabalhos! Srs. Deputados, está o Governo, e o Sr. Primeiro-Ministro, na Sala e estão
cidadãos nas galerias a assistir. Muito obrigado.
Prosseguimos o debate, na generalidade, das Propostas de Lei n.os 8/XVI/1.ª (GOV) — Aprova as Grandes
Opções para 2024-2028 e 26/XVI/1.ª (GOV) — Aprova o Orçamento do Estado para 2025, e vou dar a palavra
ao Sr. Ministro de Estado e das Finanças, para a sua intervenção inicial, que dispõe de 61 minutos e 35
segundos.
Faça favor, Sr. Ministro.
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças (Joaquim Miranda Sarmento): — Sr. Presidente, Sr.as e
Srs. Deputados: O Orçamento do Estado para 2025 é um Orçamento equilibrado, que melhora a vida dos
portugueses e simplifica a das empresas. É um Orçamento bom para a economia e para o País.
Este é um Orçamento de uma governação que procura ser virtuosa, uma governação focada nas reformas e
medidas estruturais para aumentar a produtividade e competitividade da economia portuguesa, gerando maior
crescimento económico, uma governação que reduz impostos para as famílias e jovens, nomeadamente no IRS
(imposto sobre o rendimento das pessoas singulares), mas também no IMT (imposto municipal sobre as
transmissões onerosas de imóveis) e no imposto do selo, para a compra da primeira casa, bem como no IRC
(imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas), para as empresas.
É uma governação que reforça a dotação orçamental para vários serviços públicos que se encontravam à
beira do colapso ou, pelo menos, em acelerado estado de degradação; que valoriza as carreiras da
Administração Pública, em particular em setores como a educação, as forças de segurança, a defesa e a saúde,
mas também olha para as carreiras gerais, onde estamos a procurar um novo acordo, para o período 2025-
2028, com os sindicatos da função pública.
É uma governação que acelera o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e a utilização de fundos
europeus, promovendo também mais investimento público nacional; que aposta na concertação social,
aumentando o salário mínimo nacional para 870 €, já em 2025, e para 1020 € em 2028, acima do previsto no
Programa do Governo, e com uma previsão de aumento do salário médio para 1890 € até o final da Legislatura.
Para este Governo, a concertação social é uma peça fundamental para as reformas essenciais da economia
portuguesa.
É uma governação virtuosa porque consegue isto tudo com crescimento económico e equilíbrio das contas
públicas.
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Votação na generalidade — DAR I série — 143-144 — 02/11/2024
2 DE NOVEMBRO DE 2024
O Sr. Hugo Soares (PSD): — Sr. Presidente, para distribuição de um documento. E o documento que a
bancada do Grupo Parlamentar do PSD pede para distribuir é o mesmo que o Sr. Deputado André Ventura
apresentou, por uma razão: no melhor pano cai a nódoa, e nada daquilo que aqui agora disse o Deputado André
Ventura foi o que disse da tribuna.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Protestos do CHe contraprotestos do PSD.
O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, tantas vezes falamos em alterações à disciplina de Cidadania que
talvez fosse bom nós darmos aulas práticas que constassem do currículo das escolas, vindo aqui à Assembleia
da República e vendo, em termos de aulas práticas, o que se deve ou não deve fazer quando estão em causa
situações desta natureza. Isto não tem a ver com as interpelações, que foram muito pertinentes e
esclarecedoras, como é óbvio.
Aplausos de Deputados do PSD e de Deputados do PS.
Srs. Deputados, passamos ao período de votações e peço aos serviços que abram o sistema para fazermos
o respetivo registo e a verificação de quórum, a começar por mim próprio.
Pausa.
Já está aberto o sistema para verificação de quórum.
Se houver algum Sr. Deputado que não tenha conseguido registar-se, peço que me indique, para que não o
faça, depois, a meio de uma votação, pois há sempre qualquer coisa que perturba, ainda que involuntariamente,
o período de votações.
Peço a atenção de todos os Srs. Deputados. Penso que não estará ninguém em trânsito.
O Sr. Secretário vai indicar quem está a acompanhar os nossos trabalhos remotamente. Assim, esta questão
fica já esclarecida.
O Sr. Secretário (Jorge Paulo Oliveira): — Sr. Presidente, informo a Câmara que está a participar nos nossos
trabalhos por videoconferência o Sr. Deputado Carlos Pereira, do Grupo Parlamentar do Partido Socialista.
O Sr. Presidente: — Fechando-se o sistema de verificação de quórum, anuncio que estão presentes
228 Srs. Deputados. Portanto, tendo quórum para podermos passar às votações, pedia atenção, serenidade e
calma, para que não haja dúvidas.
Pausa.
O Sr. Filipe Melo (CH): — Pedro, vota contra!
O Sr. Presidente: — Afinal, estão presentes 229 Srs. Deputados. Houve essa indicação, e os serviços farão
o respetivo registo. Sr. Deputado Ricardo Dias Pinto, fica assinalado no sistema em como está presente.
Srs. Deputados, vamos começar por votar, na generalidade, a Proposta de Lei n.º 8/XVI/1.ª (GOV) — Aprova
as Grandes Opções para 2024-2028.
Submetida à votação, foi aprovada, com os votos a favor do PSD e do CDS-PP, os votos contra do CH,
do BE, do PCP, do L e do PAN e as abstenções do PS…
Vozes do CH: — Ah!…
O Sr. Presidente: —… e da IL.
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Baixa comissão especialidade — DAR II S -OE — 23/11/2024
Sábado, 23 de novembro de 2024 II Série-OE — Número 1
XVI LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2024-2025)
COMISSÃO DE ORÇAMENTO E FINANÇAS
Reunião de 22 de novembro de 2024
S U M Á R I O
O Presidente abriu a reunião às 15 horas e 8 minutos.
Foi aprovada, na especialidade, a Proposta de Lei
n.º 8/XVI/1.ª (GOV) — Aprova as Grandes Opções para 2024-
2028.
Deu-se início à votação, na especialidade, da Proposta
de Lei n.º 26/XVI/1.ª (GOV) — Aprova o Orçamento do Estado
para 2025. Foram votados os artigos 2.º a 6.º, 8.º a 44.º e 62.º
a 68.º e propostas de artigos novos.
O Presidente (Paulo Núncio) encerrou a reunião eram
20 horas e 27 minutos.
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Discussão especialidade — DAR I série — 5-69 — 23/11/2024
23 DE NOVEMBRO DE 2024
O Sr. Secretário (Jorge Paulo Oliveira): — Sr. Presidente, é para informar a Câmara de que estão a participar nos nossos trabalhos, por videoconferência, e participaram, obviamente, na votação que antes se efetuou, as
seguintes Sr.as e Srs. Deputados: Ana Oliveira, Liliana Reis, Ricardo Carvalho, Carlos Silva Santiago e Paula
Cardoso, do Grupo Parlamentar do Partido Social-Democrata, e o Sr. Deputado Tiago Barbosa Ribeiro, do
Partido Socialista.
O Sr. Presidente (Rodrigo Saraiva): — Peço aos serviços que também façam os registos do Sr. Deputado Miguel Costa Matos, do Partido Socialista, e Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal.
Vamos, então, proceder ao debate da Proposta de Lei n.º 26/XVI/1.ª — Aprova o Orçamento do Estado para
2025, começando pelo artigo 2.º.
A primeira intervenção é do Sr. Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento. Tem a palavra, dispõe de 120
minutos.
O Sr. Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento (José Maria Brandão de Brito): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Entramos na reta final da discussão e votação do Orçamento do Estado (OE) para o
próximo ano, um momento de extrema relevância para o País e para a vida dos portugueses, pelo que peço que
me permitam que inicie a intervenção realçando algumas das ambições do Governo que este documento
pretende concretizar.
A proposta de Orçamento do Estado para 2025 que o Governo submeteu a este Parlamento constitui a
tradução financeira de um projeto político que tem no seu fulcro o desiderato de projeção da trajetória de
crescimento económico para patamares que possibilitem ganhos rápidos, mas sustentáveis, de prosperidade,
sem desprimorar — pelo contrário, reforçando — o imperativo categórico da promoção da coesão social. A
proposta de lei que hoje começa a ser apreciada, na especialidade, traduz a ambição deste Governo de melhorar
a vida dos portugueses e de simplificar o contexto de atuação das empresas que aqui laboram.
Em suma, este é um OE focado nas reformas estruturais atinentes ao aumento da produtividade e da
competitividade da economia portuguesa, elementos sem os quais Portugal se manterá no torpor em que tem
vivido desde a viragem do século.
É um Orçamento que reduz impostos para as famílias e, em particular, para os trabalhadores mais novos…
O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Isso é mentira!
O Sr. Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento: — … que com o novo regime de IRS (imposto sobre o rendimento das pessoas singulares) deixam de ser discriminados em função do seu grau académico, adquirem
maior previsibilidade na sua vida fiscal, são beneficiados por um maior desagravamento, a que se soma a
isenção de IMT (imposto municipal sobre a transmissão onerosa de imóveis) e de imposto do selo na compra
da primeira habitação.
É um Orçamento que reduz impostos para as empresas, através de medidas como a descida do IRC (imposto
sobre o rendimento das pessoas coletivas) e a adoção progressiva da tributação autónoma, bem como
incentivos à recapitalização das empresas, entre outras.
É um Orçamento que garante mais rendimentos para os pensionistas mais vulneráveis, com o reforço do
complemento solidário para idosos, na senda do objetivo dos 820 € até ao final da Legislatura.
Voz do PSD: — Muito bem!
O Sr. Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento: — É um Orçamento que reforça a dotação orçamental para vários serviços públicos que se encontravam em acelerado estado de degradação.
É um Orçamento que acomoda a tão necessária valorização das carreiras da Administração Pública, em
particular em setores como a saúde, a educação, a segurança e a defesa, sem descurar as carreiras gerais no
âmbito das quais foi conseguido um acordo plurianual com os sindicatos da função pública, que oferece uma
perspetiva de futuro aos nossos funcionários públicos.
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Votação final global — DAR I série — 73-73 — 30/11/2024
30 DE NOVEMBRO DE 2024
O Sr. Ministro das Infraestruturas e Habitação: — Seremos avaliados no momento próprio e — que não subsistam quaisquer dúvidas para nenhuma das Sr.as Deputadas e nenhum dos Srs. Deputados — não
receamos nem recearemos essa avaliação.
Aplausos do PSD e do CDS-PP, de pé.
O Sr. Presidente: — Vamos passar ao ponto da agenda relativo às votações, em votação final global, do Orçamento do Estado para 2025 e das Grandes Opções para 2024-2028.
Peço aos serviços para abrirem o sistema de verificação do quórum e aos Srs. Deputados para fazerem o
favor de se registarem. Quem não o puder fazer que se anuncie, para poder ficar devidamente anotado.
Entretanto, o Sr. Secretário da Mesa vai anunciar quem está a seguir os trabalhos remotamente.
O Sr. Secretário (Jorge Paulo Oliveira): — Sr. Presidente, informo a Câmara de que estão a participar nos nossos trabalhos, por videoconferência, a Sr.ª Deputada Edite Estrela, do Partido Socialista, e a Sr.ª Deputada
Ana Oliveira, do Partido Social Democrata.
Pausa.
O Sr. Presidente: — Algum dos Srs. Deputados teve problemas no registo?
Pausa.
O Sr. Deputado Gonçalo Lage, do PSD, não conseguiu registar-se. Está anotada a sua presença.
Pergunto se mais alguém não conseguiu registar-se.
Pausa.
Vou então considerar encerrado este momento de registo.
Estão presentes 227 Srs. Deputados e Sr.as Deputadas, pelo que temos condições para proceder à votação,
temos quórum para o efeito.
Vamos votar, em votação final global, o texto final, apresentado pela Comissão de Orçamento, Finanças e
Administração Pública, relativo à Proposta de Lei n.º 8/XVI/1.ª (GOV) — Aprova as Grandes Opções para 2024-
2028.
Submetida à votação, foi aprovada, com os votos a favor do PSD e do CDS-PP, os votos contra do CH, do
BE, do PCP, do L e do PAN e as abstenções do PS e da IL.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Protestos do CH.
Votamos agora, em votação final global, a Proposta de Lei n.º 26/XVI/1.ª (GOV) — Aprova o Orçamento do
Estado para 2025.
Submetida à votação, foi aprovada, com os votos a favor do PSD e do CDS-PP, os votos contra do CH, da
IL, do BE, do PCP, do L e do PAN e a abstenção do PS.
Aplausos do PSD e do CDS-PP, de pé.
Os Deputados do CH levantaram-se e exibiram cartazes com a frase «Este Parlamento perdeu a vergonha».
Muito obrigado, Srs. Deputados, e agradeço a presença do Governo, que com certeza deseja sair.
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Requerimento dispensa do prazo previsto Artº 157 RAR — DAR I série — 89-89 — 21/12/2024
21 DE DEZEMBRO DE 2024
O Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata entendeu abster-se na votação do Projeto de Resolução
n.º 446/XVI/1.ª (PS), no qual se «Recomenda a criação da carreira de médico dentista nas entidades públicas
empresariais integradas no Serviço Nacional de Saúde», com fundamento nas razões seguintes:
1. O PSD considera a criação da carreira de médico dentista no âmbito do SNS uma medida relevante e
indispensável para fortalecer a prestação de cuidados de saúde oral aos portugueses, razão pela qual não
discorda do sentido expresso no Projeto de Resolução n.º 446/XVI/1.ª.
2. Não deixa, no entanto, o PSD de registar, até com estranheza, que o Partido Socialista apenas tenha
apelado à criação da referida carreira após ter abandonado as suas responsabilidades governativas, facto que,
ainda assim, não obstaria a um voto favorável.
3. Contudo, o PS pretende que o atual Governo, que iniciou funções há apenas 8 meses, crie a carreira em
questão «no prazo máximo de 120 dias», uma recomendação que não parece, sequer, acompanhada de boa-
fé, considerando que, durante 8 (oito) longos anos, os Governos socialistas não fizeram o que agora esse partido
propõe.
4. Pelas razões expostas, não podia o PSD votar favoravelmente o Projeto de Resolução n.º 446/XVI/1.ª.
As/Os Deputadas/os dos Deputados PSD, Alberto Fonseca — Alberto Machado — Alexandre Poço — Almiro
Moreira — Amílcar Almeida — Ana Gabriela Cabilhas — Ana Oliveira — Ana Santos — Andreia Bernardo —
Andreia Neto — Ângela Almeida — António Alberto Machado — António Rodrigues — Bruno Ventura — Bruno
Vitorino — Carla Barros — Carlos Cação — Carlos Eduardo Reis — Carlos Reis — Carlos Silva Santiago —
Clara de Sousa Alves — Cristóvão Norte — Dinis Faísca — Dulcineia Catarina Moura — Emídio Guerreiro —
Emília Cerqueira — Eva Brás Pinho — Francisco Covelinhas Lopes — Francisco Pimentel — Francisco Sousa
Vieira — Germana Rocha — Gonçalo Lage — Gonçalo Valente — Hugo Carneiro — Hugo Patrício Oliveira —
Hugo Soares — Inês Barroso — Isabel Fernandes — Isaura Morais — João Antunes dos Santos — João Vale
e Azevedo — Joaquim Barbosa — Jorge Paulo Oliveira — José Pedro Aguiar-Branco — Liliana Reis — Luís
Newton — Marco Claudino — Margarida Saavedra — Martim Syder — Maurício Marques — Miguel Guimarães
— Miguel Santos — Nuno Jorge Gonçalves — Ofélia Ramos — Olga Freire — Paula Cardoso — Paula de
Medeiros — Paula Margarido — Paulo Cavaleiro — Paulo Edson Cunha — Paulo Moniz — Paulo Neves —
Pedro Alves — Pedro Coelho — Pedro Neves de Sousa — Pedro Roque — Regina Bastos — Ricardo Araújo
— Ricardo Carvalho — Ricardo Oliveira — Salvador Malheiro — Sandra Pereira — Silvério Regalado — Sofia
Carreira — Sonia dos Reis — Sónia Ramos — Telmo Faria — Teresa Morais.
[Recebida na Divisão de Redação a 21 de dezembro de 2024.]
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Presenças e faltas dos Deputados à reunião plenária.
A DIVISÃO DE REDAÇÃO.
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