Inquérito Parlamentar n.º 6/XVI/1.ª
Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão financeira e à tutela política da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML)
Exposição de Motivos
A situação financeira da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) tem sido
objeto de amplo debate, uma vez que se tornou do conhecimento público a existência de
desequilíbrios orçamentais que colocam em causa o normal funcionamento da instituição, tal
como identificado no Plano de Atividades e Orçamento relativo ao ano de 2024, onde se
reconhece a degradação financeira e no qual até se prevê uma provável rutura de tesouraria,
dada a existência de um défice de 25 milhões de euros e a necessidade de um reforço entre
55 e 65 milhões para satisfazer compromissos inadiáveis, nomeadamente despesas com
pessoal.
As ameaças à sustentabilidade financeira são elencadas no Plano de Atividades e
Orçamento de 2024, no qual se pode ler que “foram identificadas previsões excessivas nos orçamentos
de receitas, como vendas de imóveis de valor elevado, que permitiam inscrever excessivas dotações de despesas
sem cobertura em disponibilidade reais”. De acordo com uma análise do jornal Eco, “Em 2021, as
receitas ficaram 14% abaixo do orçamentado e em 2022 17%”1.
Se, por um lado, existe um problema relacionado com a receita, verifica-se, por outro,
uma dificuldade ao nível da despesa que é de salientar, uma vez que, de acordo com o último
Relatório de Gestão e Contas público, relativo ao ano de 2022, a SCML empregava 6.080
trabalhadores e no Orçamento para o ano de 2024 previa uma despesa com pessoal na ordem
dos 163 milhões de euros. Isto numa estrutura em que, entre 2017 e 2022, durante o mandato
do Provedor Edmundo Martinho, foram contratados mais de mil trabalhadores. As despesas
com pessoal da SCML representam assim 63% do total de receitas anuais, o que só por si é
revelador da pouca margem orçamental restante para o desenvolvimento da sua missão
1 https://eco.sapo.pt/2024/05/08/os-sete-pecados-na-gestao-da-santa-casa-da-misericordia-de-lisboa/
social. Ademais, é necessário esclarecer e analisar a gestão política de uma instituição que
chegou a possuir 484 cargos de chefia e onde, de acordo com a ex-Vice-Provedora Ana
Vitória Azevedo existiriam chefes sem equipa.
Ainda no Plano de Atividades e Orçamento de 2024 são elencadas como uma ameaça
à sustentabilidade financeira as garantias prestadas ao Hospital da Cruz Vermelha - Sociedade
Gestora Hospitalar e à Santa Casa Global no valor de 13,8 e 14,1 milhões de euros
respetivamente, assim como as atuais participações na área da saúde que, na opinião da Mesa
da SCML, não são “sustentadas em avaliações e estratégias racionais, claras e sustentáveis”.
As críticas às participações da SCML na área da saúde constam igualmente da carta
de demissão de Ana Vitória Azevedo. Nela, a ex-Vice-Provedora realça que são diversos os
problemas que “concorreram para a aceleração da degradação financeira da SCML, nomeadamente os
vários investimentos que, por razões de ordem política, a Santa Casa se viu obrigada a fazer, designadamente
a Fundação Ricardo Espírito Santo, Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa e Clínica Oriental de Chelas”.
Ana Vitória Azevedo sublinha na sua carta de demissão que razões de ordem política
fundamentaram estes investimentos, que se têm revelado manifestamente prejudiciais para a
saúde financeira da instituição, pelo que tais negócios devem ser escrutinados pela
Assembleia da República e avaliados do ponto de vista político, financeiro, legal e do
interesse público.
Os investimentos financeiros avultados da SCML vieram reforçar a urgência e a
necessidade de diversificação de receitas para que seja possível uma melhoria da situação
financeira. De facto, a principal fonte de receita, os jogos sociais, representam 80% do total
arrecadado pela instituição, espelhando, portanto, a enorme dependência de uma rubrica que
tem vindo a decrescer fruto das apostas digitais e da evolução do jogo online.
A identificada necessidade de diversificação de fontes de receita fundamentou a
tomada de decisões estratégicas ao longo dos anos, tais como a entrada no mercado das
apostas hípicas, nos NFT e na internacionalização dos jogos sociais, sem que, contudo, estes
investimentos se tenham traduzido num retorno suficiente para equilibrar a contabilidade da
instituição.
No que respeita ao processo de internacionalização dos jogos sociais, a SCML já
reconheceu perdas de 53 milhões e não exclui que este valor possa aumentar em face de
incumprimentos contratuais ou da execução de garantias financeiras emitidas sob a forma de
cartas de conforto à SCG e às suas subsidiárias.
A necessidade de aferir corretamente as responsabilidades políticas e legais
relacionadas com o negócio da internacionalização dos jogos sociais levou a SCML, por
iniciativa da Provedora Ana Jorge, a contratar uma auditoria forense à BDO, mas também
esta adjudicação parece assumir contornos pouco claros, sendo visada e contestada pelos
antigos administradores da SCG, ouvidos em comissão parlamentar, por aparentemente a
auditora ter sido beneficiada aquando da adjudicação por ajuste direto no valor de
168.480,00€, ao qual acresce IVA.
Todavia, ainda sem estar finalizada a referida auditoria, em novembro de 2023, os
gestores da SCG Francisco Pessoa e Costa e Ricardo Gonçalves foram destituídos por,
presumivelmente, terem sido detetadas irregularidades no estabelecimento das parcerias
comerciais da Santa Casa Global Brasil. Concomitantemente, a gestão da Provedora Ana
Jorge, tal como descrito no Plano de Atividades e Orçamento de 2024, suspendeu parte das
operações de internacionalização, o que pode ter originado incumprimentos contratuais
passíveis de agravarem a situação financeira da SCML, os quais importa averiguar em sede
de Comissão Parlamentar de Inquérito.
Após diversas audições parlamentares, fica patente que existem divergências quanto
à extensão das autorizações concedidas pela tutela governamental, bem como ao grau de
detalhe da informação partilhada entre Mesa, Provedoria e tutela, o que é manifestamente
inaceitável numa instituição que se encontra sob a alçada do Executivo e que presta um
relevante serviço público.
Importa notar que das audições realizadas na Comissão de Trabalho, Segurança
Social e Inclusão resultam fundadas suspeitas de má gestão que não se encerram no processo
de internacionalização.
Na audição parlamentar no dia 08 de maio de 2024, o antigo provedor Edmundo
Martinho afirmou ter convidado o filho, a quem identificava “particular aptidão para as questões
tecnológicas”, a fazer uma apresentação, a título meramente gratuito, à Mesa da SCML, sobre a
questão da blockchain, das criptomoedas e dos NFT, tendo igualmente confirmado a
contratação da empresa Utrust, sem especificar os detalhes do contrato ou quais os serviços
prestados pela empresa.
Sucede que, naquilo que o ex-Provedor Edmundo Martinho apelidou de uma
“coincidência das coincidências”, o filho trabalhava na empresa Utrust, que seria, segundo afirmou,
a única “exchange” autorizada pelo regulador em Portugal.
Contudo, tal não corresponde à verdade, uma vez que, à data, já existiriam outras três
empresas – “ exchanges” – autorizadas a operar no mercado português e a negociar
criptomoedas por moeda corrente 2. As certezas que aparentam existir são de que o
investimento da SCML no negócio das NFT resultou num prejuízo de 500 mil euros,
conforme relatado em diversos órgãos de comunicação social.3
A internacionalização dos jogos sociais e a aposta na venda de arte digital sob a forma
de NFT não foram as únicas tentativas goradas de alargar as fontes de receita da SCML que
resultaram em prejuízo para a instituição. Já há quase dez anos, a SCML iniciou o estudo de
mercado para a disponibilização de apostas hípicas, num país sem qualquer tradição cultural
ou histórica relacionada com apostas em corridas de cavalos. Segundo o jornal Público4, foram
investidos 8,4 milhões de euros num projeto que não saiu da gaveta e que ainda hoje em dia
é, alegadamente, responsável por uma despesa mensal de dois mil euros gastos na guarda do
material publicitário adquirido para a promoção das apostas hípicas aquando do seu eventual,
mas nunca concretizado, lançamento.
Além dos acontecimentos supramencionados, a Mesa da SCML encontra-se neste
momento em gestão, dado que a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social,
Maria do Rosário Palma Ramalho, exonerou toda a Mesa da SCML, incluindo a sua atual
2 https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/edmundo-martinho-diz-que-empresa-onde-trabalhava-o-seu-filho-era-
a-unica-em-portugal-autorizada-a-fazer-transacoes-de-criptomoeadas/
3 https://www.jornaldenegocios.pt/mercados/criptoativos/detalhe/santa-casa-investiu-meio-milhao-em-nft-
mas-o-negocio-fracassou
4 https://www.publico.pt/2023/11/26/sociedade/noticia/apostas-hipicas-custaram-84-milhoes-santa-casa-
governo-meteu-projecto-gaveta-2071527
Provedora, Ana Jorge, alegadamente pela recusa de apresentação de um plano de
reestruturação para a instituição, que tinha sido solicitado pela tutela a 12 de abril de 2024.
Considerando que a SCML é uma pessoa coletiva de direito privado e utilidade
pública administrativa, nos termos dos respetivos estatutos, com tutela exercida pelo
membro do Governo que superintende a área da Segurança Social, é da maior relevância que
sejam prestados à Assembleia da República e aos portugueses todos os esclarecimentos não
só sobre a internacionalização dos jogos Santa Casa, o papel de cada um dos intervenientes
nesse processo e apuramento de responsabilidades pelas perdas financeiras provocadas na
SCML devido à operação da SCG (e empresas subsidiárias), mas também sobre as eventuais
motivações e interferências políticas no conjunto de acontecimentos acima descritos.
Além destes, importa também averiguar a fundo a relação entre a Provedoria, a Mesa
da SCML e tutela política e ministerial e escalpelizar de que forma a aparente permeabilidade
da SCML, das suas subsidiárias e das instituições de saúde que lhe pertencem a decisões
aparentemente influenciadas por motivações partidárias - da política de investimentos à
gestão dos quadros de pessoal - contribuiu para, na última década, beliscar a sustentabilidade
financeira da SCML. De igual modo, urge investigar como é que ao longo dos últimos anos
foram assumidas responsabilidades financeiras e contratuais que colocam em risco a
operação da instituição, tal como reconhecido nos documentos oficiais da própria SCML.
Por todos estes fatores impõe-se a constituição, por parte da Assembleia da República, de
uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Assim, os Deputados abaixo-assinados requerem, ao abrigo do disposto na alínea a)
do n.º 1 do artigo 2.º da Lei n.º 5/93, de 1 de março, a constituição imediata e obrigatória de
uma Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão financeira e à tutela política da Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa (SCML), que permita cumprir os seus objetivos, não ultrapassando
os 90 dias, com o seguinte objeto:
1. Apurar as responsabilidades políticas, contratuais, legais e financeiras relativas à atual
situação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e aos atos de administração que a
trouxeram até à referida situação, nomeadamente:
a. Avaliar o exercício e as responsabilidades das tutelas políticas envolvidas
na SCML e suas subsidiárias desde o projeto de investimento nas apostas
hípicas até à efetiva internacionalização dos jogos sociais;
b. Escrutinar a responsabilidade política dos diversos Provedores e dos
membros das respetivas administrações da SCML e suas subsidiárias;
c. Clarificar e escrutinar as decisões dos vários investimentos realizados ao
longo do últimos 10 (dez) anos, a avaliação de risco desses investimentos,
o acompanhamento jurídico e financeiro e a fiscalização que estes
mereceram ao longo deste período;
d. Escalpelizar as decisões de gestão no processo de internacionalização dos
jogos sociais e que constituíram um risco para a sustentabilidade financeira
da SCML;
e. Esclarecer quais serão, no total, os encargos para a SCML e para o Estado
português dos investimentos realizados pela SCML (e suas subsidiárias) na
última década.
2. Escrutinar o papel e a relação das diferentes tutelas políticas com a SCML e clarificar
a intervenção dos XIX, XX, XXI, XXII, XXIII e XXIV Governos Constitucionais
sobre a gestão política e financeira da SCML, designadamente no que respeita aos
procedimentos para autorizações de investimentos, à partilha de informação entre
os executivos e as sucessivas Mesas e aos mecanismos de controlo jurídico e
financeiro dos diversos atos de gestão da SCML e das suas subsidiárias.
Palácio de São Bento, 16 de maio de 2024
Os Deputados da Iniciativa Liberal,
Mariana Leitão
Bernardo Blanco
Carlos Guimarães Pinto
Joana Cordeiro
Mário Amorim Lopes
Patrícia Gilvaz
Rodrigo Saraiva
Rui Rocha
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Publicação — DAR II série B — 8-11 — 07/06/2024
II SÉRIE-B — NÚMERO 13
● Calcular os custos para o erário público;
● Investigar a existência de outros casos semelhantes num passado recente.
Palácio de São Bento, 16 de maio de 2024.
Os Deputados do CH: Felicidade Vital — Vanessa Barata — João Ribeiro — Armando Grave — Pedro
Pinto.
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INQUÉRITO PARLAMENTAR N.º 6/XVI/1.ª
COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO À GESTÃO FINANCEIRA E À TUTELA POLÍTICA DA
SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA (SCML)
Exposição de motivos
A situação financeira da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) tem sido objeto de amplo debate,
uma vez que se tornou do conhecimento público a existência de desequilíbrios orçamentais que colocam em
causa o normal funcionamento da instituição, tal como identificado no Plano de Atividades e Orçamento
relativo ao ano de 2024, onde se reconhece a degradação financeira e no qual até se prevê uma provável
rutura de tesouraria, dada a existência de um défice de 25 milhões de euros e a necessidade de um reforço
entre 55 e 65 milhões para satisfazer compromissos inadiáveis, nomeadamente despesas com pessoal.
As ameaças à sustentabilidade financeira são elencadas no Plano de Atividades e Orçamento de 2024, no
qual se pode ler que «foram identificadas previsões excessivas nos orçamentos de receitas, como vendas de
imóveis de valor elevado, que permitiam inscrever excessivas dotações de despesas sem cobertura em
disponibilidade reais». De acordo com uma análise do jornal Eco, «Em 2021, as receitas ficaram 14 % abaixo
do orçamentado e em 2022 a 17 %»1.
Se, por um lado, existe um problema relacionado com a receita, verifica-se, por outro, uma dificuldade ao
nível da despesa que é de salientar, uma vez que, de acordo com o último Relatório de Gestão e Contas
público, relativo ao ano de 2022, a SCML empregava 6080 trabalhadores e no orçamento para o ano de 2024
previa uma despesa com pessoal na ordem dos 163 milhões de euros. Isto numa estrutura em que, entre 2017
e 2022, durante o mandato do Provedor Edmundo Martinho, foram contratados mais de mil trabalhadores. As
despesas com pessoal da SCML representam assim 63 % do total de receitas anuais, o que só por si é
revelador da pouca margem orçamental restante para o desenvolvimento da sua missão social. Ademais, é
necessário esclarecer e analisar a gestão política de uma instituição que chegou a possuir 484 cargos de
chefia e onde, de acordo com a ex-Vice-Provedora Ana Vitória Azevedo existiriam chefes sem equipa.
Ainda no Plano de Atividades e Orçamento de 2024 são elencadas como uma ameaça à sustentabilidade
financeira as garantias prestadas ao Hospital da Cruz Vermelha – Sociedade Gestora Hospitalar e à Santa
Casa Global no valor de 13,8 e 14,1 milhões de euros respetivamente, assim como as atuais participações na
área da saúde que, na opinião da Mesa da SCML, não são «sustentadas em avaliações e estratégias
racionais, claras e sustentáveis».
As críticas às participações da SCML na área da saúde constam igualmente da carta de demissão de Ana
Vitória Azevedo. Nela, a ex-Vice-Provedora realça que são diversos os problemas que «concorreram para a
aceleração da degradação financeira da SCML, nomeadamente os vários investimentos que, por razões de
ordem política, a Santa Casa se viu obrigada a fazer, designadamente a Fundação Ricardo Espírito Santo,
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa e Clínica Oriental de Chelas».
Ana Vitória Azevedo sublinha na sua carta de demissão que razões de ordem política fundamentaram
1 https://eco.sapo.pt/2024/05/08/os-sete-pecados-na-gestao-da-santa-casa-da-misericordia-de-lisboa/
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Apreciação — DAR I série — 4-19 — 21/06/2024
I SÉRIE — NÚMERO 27
(L) e António Pedro de Carvalho Morais Soares (CDS-PP), e, como suplentes, os candidatos Francisco Maria
Gonçalves Lopes Figueira (PSD), Filipe Arrais Lima Bacelar (PS) e Natércia das Neves Rodrigues Lopes (L).
Relativamente à eleição para o Conselho Superior do Ministério Público, num universo de 221 Deputados
votantes, a Lista A obteve 177 votos a favor, tendo-se registado 38 votos brancos e 6 votos nulos. Nestes termos,
e face ao resultado obtido, declaram-se eleitos, como efetivos, os candidatos Sofia Galvão (PSD), Orlando
Massarico (PSD), Vânia Gonçalves Álvares (PS), Paulo Rui da Costa Valério (PS) e José Carlos Lourinho Soares
Machado (CH), e, como suplente, o candidato Pedro Miguel Ramos Almeida (PS).
Relativamente à eleição para Presidente do Conselho Económico e Social, num universo de 223 Deputados
votantes, o candidato obteve 148 votos, tendo-se registado 70 votos brancos e 5 votos nulos. Nestes termos, e
face ao resultado obtido, declara-se não eleito o candidato Luís Miguel Pais Antunes (PSD).
Relativamente à eleição para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários, num universo de
223 Deputados votantes, a lista A obteve 164 votos, tendo-se registado 55 votos brancos e 4 votos nulos. Nestes
termos, e face ao resultado obtido, declaram-se eleitos, como efetivos, os candidatos Fernando Licínio Lopes
Martins (PSD) e Rui Manuel Tavares Lanceiro (PS), e, como suplentes, os candidatos Pedro Miguel Neves de
Sousa (PSD) e Raquel Helena Veiga Saraiva Franco Moniz (PS).
Por fim, relativamente à eleição para o Conselho Pedagógico do Centro de Estudos Judiciários, num universo
de 223 Deputados votantes, a candidata obteve 152 votos, tendo-se registado 65 votos brancos e 6 votos nulos.
Nestes termos, e face ao resultado obtido, declara-se eleita a candidata Susana Antas Videira (PSD).
É tudo, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Vamos então dar início aos nossos trabalhos, entrando no primeiro ponto da ordem do
dia, que consiste na apreciação conjunta dos Inquéritos Parlamentares n.os 5/XVI/1.ª (CH) — Comissão
parlamentar de inquérito para averiguação da gestão, transparência de funções e conduta dos anteriores
responsáveis envolvidos nos desequilíbrios de contas e funcionamento da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa, 6/XVI/1.ª (IL) — Comissão parlamentar de inquérito à gestão financeira e à tutela política da Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa (SCML) e 7/XVI/1.ª (BE) — Comissão eventual de inquérito parlamentar à gestão
estratégica e financeira da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Pedia aos Srs. Deputados para serem, o mais possível, rigorosos na gestão do tempo, sabendo que há
15 segundos de tolerância, que podem ser sempre aproveitados para terminar aquilo que têm para dizer.
Vou dar a palavra ao Sr. Deputado André Ventura, do Grupo Parlamentar do Chega, para uma intervenção.
O Sr. André Ventura (CH): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: O que nos traz aqui hoje é o caos em que a
Santa Casa tem sido gerida nos últimos anos em Portugal. A Santa Casa da Misericórdia é o exemplo de tudo
o que está errado em Portugal: excesso de dinheiro público, gestão partidária, caos e promiscuidade nas
nomeações, um enorme polvo de nomeações, de perdas de dinheiro, de prejuízo, que só prejudica uma
entidade, a mesma prejudicada há 50 anos, o povo português — a mesma prejudicada há 50 anos, o povo
português.
Aplausos do CH.
O negócio da internacionalização da Santa Casa fez soar os alarmes pelo País inteiro. Nesta
internacionalização, dirigentes, mormente ligados ao Partido Socialista, apostaram numa gestão da Santa Casa
a colocar milhões de euros em Moçambique, no Peru e no Brasil. Este investimento, não obstante todo o dinheiro
recebido pela entidade em nome de nós, os portugueses, teve zero retorno até ao dia de hoje. Ou seja, é uma
Santa Casa de misericórdia não para quem precisa de misericórdia, não para quem precisa de apoio, mas para
os mesmos de sempre continuarem a encher os bolsos à custa do dinheiro dos contribuintes portugueses.
Aplausos do CH.
O caso do Brasil é paradigmático: mais de 20 milhões de euros investidos através de um investimento que
seria fortíssimo, que teria um retorno elevadíssimo, e que até hoje trouxe zero de receita. Quando olhamos para
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Votação Deliberação — DAR I série — 81-81 — 22/06/2024
22 DE JUNHO DE 2024
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa deste projeto de voto.
Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.
Passamos à votação do Projeto de Resolução n.º 158/XVI/1.ª (PAR) — Deslocação do Presidente da
República à Alemanha.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Votamos agora o Inquérito Parlamentar n.º 5/XVI/1.ª (CH) — Comissão parlamentar de inquérito para
averiguação da gestão, transparência de funções e conduta dos anteriores responsáveis envolvidos nos
desequilíbrios de contas e funcionamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do CH, da IL, do BE, do CDS-PP e do PAN,
os votos contra do PS e as abstenções do PCP e do L.
O Sr. Hugo Soares (PSD): — É impressão minha ou o Partido Socialista chumbou a tua, ó Pedro?
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Passamos à votação do Inquérito Parlamentar n.º 6/XVI/1.ª (IL) —
Comissão parlamentar de inquérito à gestão financeira e à tutela política da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa (SCML).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Segue-se a votação do Inquérito Parlamentar n.º 7/XVI/1.ª (BE) — Comissão eventual de inquérito
parlamentar à gestão estratégica e financeira da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Votamos agora o Projeto de Resolução n.º 68/XVI/1.ª (PSD) — Constituição de uma comissão eventual de
acompanhamento da execução do PRR e do PT2030.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do CH, da IL, do CDS-PP e do PAN e os
votos contra do PS, do BE, do PCP e do L.
Sr.ª Deputada Isabel Mendes Lopes, faça favor.
A Sr.ª Isabel Mendes Lopes (L): — Sr.ª Presidente, é para anunciar a apresentação de uma declaração de
voto escrita relativamente a esta votação.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Obrigada, Sr.ª Deputada.
Passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 65/XVI/1.ª (PSD) — Criação de grupo de
trabalho para revisão do subsídio social de mobilidade garantindo a manutenção dos direitos consagrados dos
residentes nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do PS, da IL, do BE, do L, do CDS-PP e
do PAN e as abstenções do CH e do PCP.
O Sr. Hugo Soares (PSD): — O Chega é contra o subsídio social de mobilidade? Como é que os senhores
não votam a favor? Eu não percebo!
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