ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Projecto de Lei n.º 523/IX
Elevação da Vila de Trancoso à Categoria de Cidade
I.
Razões de Natureza Histórica, Cultural e Arquitectónica
1. Da Formação Territorial
Não é possível escrever sobre a história de Trancoso, quanto à sua evolução
demográfica, económica, social e política, sem nos debruçarmos, primeiramente, sobre
as características físicas do território, onde, por milénios, tem vivido uma população
que, em circunstância alguma, deixou de com ele identificar-se, mesmo nos dias mais
recentes, em que as altas tecnologias e o próprio progresso da vida humana parecem
contradizer essa simbiose telúrica.
Assente numa zona planáltica, variando entre os 500 e 900 metros (elevações
pouco sensíveis a alteração, em comparação com muitos outros territórios), o concelho é
atravessado pelos rios Távora, Mussueime e Teja, embora esse dispositivo hidrográfico
não lhe ofereça a riqueza aquícola que poderia tornar a terra agricolamente fértil. Isso,
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porém, não impediu que Trancoso, por muitos e muitos séculos, registasse um
desenvolvimento económico à base do comércio e dos serviços que constituem o seu
principal factor de crescimento, sob o ponto de vista populacional.
Quer isto dizer que o concelho ou a área que, mais ou menos, sempre o
demarcou, nunca deixou de apresentar-se com uma certa vitalidade populacional,
mesmo em épocas em que o ermamento, por força de guerras, destruições e outras
catástrofes influentes, se verificava por todo o país e, designadamente, na região beirã, a
de maior densidade habitacional depois da zona entre Douro e Minho.
Pina Manique e Albuquerque, na sua descrição da zona de Trancoso, afirma que
é terra de águias, com vales de erosão intercalados a majestosa altura. Também refere
que se trata de uma região climática de quatro áreas distintas – a granítica sub-
montanhosa, com carácter ecológico de transição; a natural, de tipo agrário
mediterrâneo-subatlântica; a zona agrária subatlântica e zona da «terra fria», respeitante
às maiores altitudes e, por conseguinte, com uma tipificação, quanto à agricultura, onde
a florestação e as moles e imensas de pedra empobrecem o solo e dificultam a fixação
das populações.
Falar de pré-história é, entretanto, muito difícil, dado que os estudos
arqueológicos nunca foram feitos com a profundidade requerida para se determinar a
forma como surge o povoamento desta região trancosana. É evidente que datará de
épocas muito longínquas, certamente dos períodos bastante anteriores à Idade da Pedra,
o aparecimento do homem neste território. A existência de referências ao paleolítico,
mesolítico e neolítico em concelho vizinhos é um dado auxiliar para se poder inscrever
também Trancoso na zona de «habitat» desses povoados.
A constituição física do território, a abundância de elevações, a extensão das
zonas graníticas e uma vasta e forte arborização hão-de ter contribuído para que todo o
território trancosano apresentasse, apesar de tudo quanto se sabe, alguma aspereza para
a vivência humana, no que ajudava certamente a presença das espécies selvagens mais
vigorosas e temidas pelo homem, obrigando-o a encerrar-se nas fortalezas naturais,
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tanto quanto possível e a procurar uma utilização do solo em circunstâncias seguras, ou
seja, assomando a zonas defensáveis ou protegidas para obter o seu sustento.
Não é sem razão que Aquilino Ribeiro terá chamado à região de Trancoso «a
terra de cem lobos e um homem».
A dificuldade, pois, em certificar-se que o povoamento de Trancoso remontará a
uma determinada era da pré-história, pelo menos com comprovação indiscutível, leva-
nos a abordar, por conseguinte, e apenas uma existência em relação ao período do
castrejo, em que os topónimos são elos condutores de boa fiabilidade.
2. Da Antiguidade
O povoamento em Trancoso terá começado no século XIX A.C.. A comprová-lo
a existência de um primitivo castro pastoril, posteriormente defensivo, provavelmente
situado no mesmo local onde mais tarde se havia de erguer o castelo.
Em 301 A. C. chegam os invasores romanos, aproveitam e ampliam o castro,
dada a sua posição estratégica, o que lhes permitiu uma permanência bastante
demorada, até ao ano 409 da nossa era (século V A.C.).
Existem 2 hipóteses sobre as origens da vila:
- Túrdulos,
- Um enviado da Etiópia e do Egipto, de seu nome Tarracon.
Da segunda hipótese terá resultado o nome de Trancoso: Tarracon - Taroncon –
Trancoso.
Outros falam que o nome de Trancoso terá resultado do vocábulo arcaico
Troncoso, derivado do sítio onde existem muitos troncos ou florestas (Trancoso, nos
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seus primórdios, estava rodeada de densas florestas e ainda hoje é viveiro de árvores de
grande porte).
O nome só aparece documentado pela primeira vez no século X no testamento
de D. Chamoa (ou D. Flâmula ou D. Chama), filha do conde D. Rodrigo, com doação
do castelo e dos bens que aqui detinha, uma vez que estava na posse de toda a região a
sul do Douro, herdada em 960.
Antes dos romanos estiveram em Trancoso os cartagineses que permaneceram
por 300 anos. Seguiram-se os romanos e nesta altura fizeram-se grandes obras.
Em 585 da era cristã apareceram os Visigodos que se mantiveram durante século
e meio. Depois Trancoso passou para as mãos de Tarik, de Musa e para Afonso I de
Leão (esta passagem de testemunho fazia com que Trancoso sofresse com a brutalidade
dos assaltos).
Em 811, aparece um árabe de nome Ali-Benir, que conquista a região mas acaba
por morrer no ano seguinte numa batalha travada entre cristãos e árabes em Vale de
Mouro. Depois desta conquista, os cristãos chamaram seu o castelo que no ano de 930
lhes foi novamente retirado por outro árabe, de nome Almançor.
Dão-se sucessivas lutas entre cristãos e árabes. Onde houvesse um cristão e um
muçulmano não podia haver paz. Os moradores de Trancoso só tinham total
independência se pagassem um certo tributo aos mouros.
Em 939, Ramiro II de Leão derrotou os mouros e tratou de povoar a zona com os
seus, de que se ocupou sua sobrinha D. Flâmula, a qual tratou de fazer testamento destas
e outras terras ao Mosteiro de Guimarães. Almançor não queria saber nada de doações e
regressou para retomar o que já tinha conquistado, em 985, sem se preocupar com a
legalidade do documento de D. Flâmula. Para um conquistador, os registos faziam-se ao
poder das armas.
Igual opinião tinha Fernando Magno, senhor de Leão e Castela, entrando em luta
com os ocupantes e tomando, para si, Trancoso e tudo o que aqui vivia no ano de 1033
(tudo à excepção dos seguidores de Mafoma). Tal como tinha feito D. Flâmula, Fernado
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Magno doou Trancoso ao senhorio de um tal Sizenando, na altura conde de Coimbra e
com mais vagar do que ele para ir colhendo o fruto do trabalho dos habitantes desta
terra. Deste senhorio passou, por herança, para D. Garcia, cuja posse durou até 1037,
passando esta no ano de 1065 a fazer parte do reino da Galiza, então governada por D.
Garcia.
Trancoso torna a passar de mãos com a entrega do condado a D. Henrique, como
dote de D. Teresa, em 1097. À morte de D. Henrique, a sua esposa D. Teresa entregou
Trancoso a um rico homem, que era cunhado de D. Afonso Henriques, de seu nome
Fernão Mendes, de Bragança.
Não se esqueceram os mouros desta terra, daí a tentarem recuperar em 1139,
valendo-se dos exércitos de Albucazan, rei de Badajoz. Este conseguiu pôr cerco à vila,
mas viu-se privado de a tomar. Os moradores já não podiam ver, nem pintados, os
sarracenos. E tinham razões para isso, dado que nesse mesmo ano, após a derrota
sofrida em Ourique, os mouros de Omar puseram cerco a Trancoso.
É deste cerco que a lenda atribui o feito de João Tição da Fonseca, homem de
armas cristão, que resolveu furar o bloqueio e acometer sozinho o acampamento dos
sitiantes, de onde roubou um pendão. Regressado à fortaleza de Trancoso com o
estandarte na mão, viu fecharem-se as portas do castelo (os de dentro, na escuridão,
tomaram-no por um invasor) e foi trucidado pelos que o perseguiam. A este cerco não
resistiram os sitiados, nem resistiram as fortes muralhas, totalmente arrasadas pelos
infiéis.
Foi num estado lamentável que D. Afonso Henriques encontrou Trancoso,
quando aqui se deslocou para a resgatar dos árabes. Depois desta vitória, e como
promessa por ter recebido as graças de vencer os inimigos, D. Afonso Henriques
determinou-se a cumprir o voto de mandar construir um mosteiro em Tarouca, de
invocação de S. João Baptista. Só a partir desta vitória de Trancoso é que o grande
guerreiro usou, pela primeira vez, o título de Rei de Portugal.
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Volvidos 20 anos, os mouros saltaram de Andaluzia para, de novo, destruírem a
vila e os seus moradores. Encontrava-se o rei em Beja, de onde arrancou furioso sobre
os persistentes invasores, dando-lhes a derrota que eles mereciam, isto em 1160 (nesta
altura fala-se na lenda da estrela do brasão).
Depois D. Afonso Henriques entrega a vila à Ordem dos Templários, que a
administram até à sua extinção, no século XIV.
3. Desde a Reconquista
Trancoso, no século XIII, começa a ter uma importância grande. Tornara-se um
local de intensa actividade comercial, por força da periódica reunião de feirantes, de que
iria resultar, ainda nesse século, por decisão de D. Afonso III, a criação da sua feira
franca. Essa mesma importância, que, como referimos, lhe vinha desde o tempo de D.
Afonso Henriques, para quem a sua conquista representava uma acção fundamental para
a fixação do território até aí subtraído aos mouros, atribuindo o direito de foral à dita
terra, com todos os privilégios e regalias. Deste documento ignora-se a data, mas é em
1217 que D. Afonso II, neto daquele monarca, também por carta régia, confirma tais
privilégios e regalias.
Em 1270, D. Afonso III cede por 600 libras anuais os seus direitos sobre
Trancoso, o que mostra, com evidência, o valor já assumido pela povoação.
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É, porém, com a escolha de Trancoso para lugar do seu casamento com D.
Isabel de Aragão, que D. Dinis confirmará a importância assumida por esta terra
na era de Duzentos. Depois do famoso enlace das duas régias figuras, em 1282, que
trouxe à região trancosana centenas de componentes das duas comitivas e que nela
permaneceram por mais de sessenta dias, jamais a Vila de Trancoso deixou de crescer
em prestígio e grandeza. É também o próprio rei, que a elegera para palco do seu real
casamento, quem vai lançar as bases do grande povoado em que haveria de tornar-se,
mercê dessas atenções e dos muitos mais privilégios concedidos por este e outros
monarcas.
A Vila, até 1297, circunscrevia-se a uma área de, no máximo, cem metros em
redor do castelo. Verificando, todavia, que a sua população se expandia extramuros, D.
Dinis decide-se a ampliar-lhe as muralhas, abrigando na nova cerca casas e terras que
rodeavam a fortificação. Esta notável obra de reestruturação do burgo medievo
encontra-se à vista de quem o visitar. São as actuais muralhas, que vão de um a outro
extremo do castelo e que contêm todo o tecido urbano da chamada vila velha, e onde se
rasgam ainda as Portas de El-rei e do Prado, além de outras mais, a marca da visão
desse extraordinário soberano português para o justo dimensionamento de Trancoso,
que esta terra atingia, sob o ponto de vista militar, social e económico no contexto do
território nacional. Essa preocupação do nosso monarca transparece na importante
medida tomada em relação à sua feira franca, que ele, em 1306, manda passar a mensal,
em vez de anual e fixando a sua duração em três dias.
4. De D. Dinis à Era de Quinhentos
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Temos referido que as dificuldades documentais para uma criteriosa, diremos
mesmo, rigorosa avaliação do evoluir da malha urbana de Trancoso, apenas nos
possibilitam alguma especulação, embora baseada no processamento de idêntica
evolução em outros lugares dotados de fontes informativas.
Assim, sob a acção do monarca de grande génio que foi D. Dinis, a Vila, que
possuía dimensões muito restritas e confinadas à área envolvente do castelo (das
desaparecidas Portas de S. João à Porta do Carvalho ou de João Tição), vai ver-se
acrescentada de uma boa fatia de território e ter o seu limite fixado, como dissemos, no
sentido poente-sul-norte, até onde são hoje as Portas de El-rei e do Prado, da época
dinisiana.
Esta ampliação, assaz importante e necessária, permite-lhe ainda conseguir duas
contribuições fundamentais para o seu futuro dimensionamento: a da formação do vasto
bairro judaico e o traçado da famosa via – Rua Direita, depois da Corredoura e
presentemente de Dr. Fernandes Vaz -, que há-de demarcar – e até dividir – todo o
característico traçado do burgo medieval, no final de Quatrocentos e, mesmo, nos
séculos seguintes.
Trancoso, pela própria posição do Castelo – que tinha de manter uma quota de
sobre-elevação – nunca apresentou uma cércea geral de altas proporções, podendo, dos
muros de ronda da fortificação, dominar-se todo o centro urbano edificado no espaço
interior. Ainda hoje os edifícios mais importantes não ultrapassam os três pisos – rés do
chão, primeiro e segundo andar -, questão que nem sequer se punha na era de
Quinhentos.
Uma das mais acentuadas provas da constante nivelação e volumetria da referida
malha urbana, no séc. XV e XVI, é a característica de todo o bairro judaico que,
iniciado às Portas de S. João, no reinado de D. Afonso IV, se estenderia, nas duas
centúrias seguintes, até às Portas de El-rei e, por conseguinte, em toda a zona lateral
direita da Rua Dr. Fernandes Vaz. Este mesmo bairro, constituído por algumas centenas
de pequenas habitações, apresentava-se, na generalidade, com um nível que não
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ultrapassava o primeiro andar e um volume muito idêntico, casa a casa. Eram as
chamadas casa de «porta larga» e «porta estreita», que actualmente mostram alguma
transfiguração, mas que se identificam por essa forma de construção. Essa unidade
arquitectónica estaria na base de uma imposta severidade, quer na vivência, quer na
instalação dos membros da comunidade judaica que, a partir da expulsão da sua maioria
por D. Manuel, ficaram conhecidos por «cristãos-novos».
Falando ainda da malha urbana do restante burgo quinhentista, poderemos
assegurar que a outra parte, habitada pelos chamados cristãos velhos, não terá assumido
notórias diferenciações no que toca à volumetria dos seus edifícios.
Muitos dos edifícios do bairro judaico, apesar de grandemente alterados, tem, na
sua fachada, sinais evidentes da sua fundação na época de Quinhentos. Uma delas é o
quebrar das quinas das pedras das ombreiras e das torças. Esta singular característica
permite, por outro lado, avaliar a extensão que atingiu o referido bairro, cujo número de
membros habitantes deveria somar, pelo menos, metade da população de todo o burgo.
Apenas, por curiosidade, diremos que uma avaliação dessas afirmações é
possível através do compulsar dos processos da Inquisição dos «cristãos-novos» de
Trancoso, na Torre do Tombo e que cita o Dr. Lopes Correia, no seu livro «Trancoso»,
entre os anos 1567/1771.
Não existem elementos que nos possam ser, na verdade, de suficiente ajuda para
analisarmos um século de arquitectura – o século XVII. Dessa época, resta-nos somente
um edifício em arcaria, logo a seguir às Portas de El-rei e que, tal como as demais
construções, não se agigantou em altura, mantendo, entretanto, uma certa imponência
para o tempo e para o geral de edificação em Trancoso.
O que não poderemos, todavia, é esquecer que o surto de crescimento
económico, que os Descobrimentos trouxeram ao país, também teve influência em
Trancoso e, de facto, na era de Quinhentos regista-se uma apreciável desenvoltura da
arquitectura e serão os comerciantes, através da sua actividade e consequente riqueza,
quem imprimirão à Vila e à vida trancosenses um processo e um ritmo de crescimento
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notórios. Aliás, acontece um pouco por todo o país, em especial, nas terras onde o
mercantilismo se acentua e evidencia, por força da Expansão.
5. Setecentos, Oitocentos e Novecentos
- Época de Fundamental Transformação
Um dos muitos inquéritos mandados efectuar em diversas fases da vida nacional
que mais elementos nos pode fornecer sobre a constituição urbana de Trancoso, é aquele
que teve lugar no século XVIII, mais propriamente no segundo quartel de Setecentos e
que foi dirigido a todos os responsáveis das paróquias do nosso território continental.
Nele se pedia aos párocos, então homens de grande valimento e capacidade, pela
sua própria importância local e formação intelectual, que dessem das áreas onde
exerciam funções a maior e mais ampla descrição. Foi-lhes mesmo fixada uma norma,
constituída por um questionário, através do qual se possibilitava ao inquirido prestar o
rigoroso conhecimento da situação da zona referenciada e ao inquiridor saber de
pormenores que, de outra maneira, lhe era impraticável conhecer. Muito dos referidos
párocos apresentaram, nas suas respostas, um manancial riquíssimo de informação, é
certo que, por vezes, prolixo e redundante, mas que dava – e dá, portanto – uma ideia
bem real da amplitude das suas paróquias, com todo o cortejo de tradições e histórias,
configuradas pelas figuras míticas, profanas ou sagradas, monumentos e sítios, que
caracterizavam a larga malha urbana edificada e habitada.
Porém, curiosamente, nenhuma das respostas dos párocos trancosenses nos dá
do Centro Histórico pormenores totalmente elucidativos da sua constituição
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arquitectónica, como seria desejável. Mas algumas respostas quase nos levam a tirar
ilações.
Veja-se, por exemplo, a resposta do pároco de S. Pedro, que a dado passo, diz:
«Os fogos desta minha freguesia são hoje trinta e hum porque os moradores de toda a
villa apenas passarãm de duzentos, sendo que tem decente espaço para acomodar como
algum dia acomodava mais outo Centos moradores». Desta descrição se vê que,
segundo aquele eclesiástico, a paróquia de S. Pedro possuía condições para ser bem
numerosa, portanto, com casas suficientes para uma população muito mais ampla do
que a existente então, o que significava, por outro lado, que se registava uma acentuada
deserção e essa resultava, sem dúvida, da diminuição da população do bairro judaico.
Tomemos atenção, agora, ao que nos relata, no mesmo inquérito, o pároco de S.
Tiago, paróquia extinta: «Esta villa he muito abundante de Aguas, porque é raríssima a
Caza, que nam tenha hum, dois e tres possos: No meio della está hua torre quadrada em
bastante altura, onde está o relógio, e antigamente era Cadeya, junto della estava a Caza
da Camera, que se queymou com o Cartorio, rezão porque hoje se ignorão as
antiguidades e privilégios desta Villa...»
Raríssimas casas seriam aquelas que não teriam «hum, dois tres possos...». Água
suficiente e necessária, portanto, para uma população vasta.
No incêndio referido, ocorrido certamente por essa altura, desapareceu grande
parte da documentação através da qual, certamente hoje, seria possível conhecer muito
mais do que no presente podemos saber de Trancoso, inclusive da evolução da vida,
social, comercial e arquitectónica.
Diz ainda este mesmo pároco: «De dentro desta Villa se não vê a povoação
Algua, po que os muros que A cercão impedem a vista, mas indo Ao Castelo para o
Norte se veem as Villas de Moreyra e Marialva, etc...» A impossibilidade de observar-
se o que quer que fosse o interior da malha urbana para fora dos muros comprova o que
temos dito de que toda a construção não se sobrelevava e era a um nível em altura muito
generalizado, de casas que não ultrapassavam o primeiro andar e, por conseguinte, de
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porte pequeno, ou médio, havendo um ou outro palacete, dos muitos nobres que
habitavam Trancoso, com maior porte, mas também relativamente baixos para
permitirem visualizar o espaço exterior.
Aliás, quem tiver observado os espectaculares desenhos que Duarte Darmas,
escudeiro do rei D. Manuel I, nos deixou no seu famoso «Livro das fortalezas», do séc.
XVI, verificará que as casas por ele mostradas como pertencentes à malha urbana do
interior das fortificações eram quase todas sempre iguais, o que nos leva a concluir que
a sua estrutura arquitectónica foi, pelo menos até ao séc. XVI, de pequena volumetria e
de generalizado nível de altura.
Contudo, são os séc. XVII, XVIII e XIX que nos permitem falar sobre uma
transformação arquitectónica, sob os pontos de vista de construção e de arte, quer nos
edifícios civis, quer nos religiosos. Aliás, basta percorrer a Vila, no espaço intramuros e
observar a aplicação dos estilos maneirista e barroco em tantas das suas edificações. São
disso exemplo, construções como as igrejas de Santa Maria e de S. Pedro e a
Misericórdia, também. O solar dos Garcês, o conhecido palácio Ducal, antiga residência
dos Viscondes de Trancoso e a Casa do Arcos, ao lado da igreja paroquial de S. Pedro.
Curiosamente, a volumetria não se equaciona com o porte em altura, o que nos leva a
concluir, definitivamente, que sempre houve um nivelamento que caracterizou a malha
urbana que não o enriqueceu com sumptuosidade e esplendor de alguns outros Centros
Históricos conhecidos, mas que lhe permite valorizar a unidade dos seu conjunto,
apenas pontuado, portanto, aqui e além, por um edifício de maior dimensão, o que, em
contrapartida, valoriza o antiquíssimo burgo trancosense.
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6. Trancoso Histórico – Cronologia
Terra de gente ilustre, como Gonçalo Vasques Coutinho, famoso alcaide do séc.
XIV e vencedor da Batalha de S. Marcos (29 de Maio de 1385), Gonçalo Anes
«Bandarra», o célebre sapateiro-profeta, Gonçalo Fernandes Trancoso, o primeiro
contista português, nascido no séc. XVI, também, P.e de Lucena, Madre Francisca da
Conceição, etc., Trancoso tem sido rememorada através de numerosos escritos, na
imprensa de todo o país e em obras literárias e de investigação.
Uma breve cronologia dos mais destacados acontecimentos da sua história e uma breve
relação do seu património complementam as notas introdutórias sobre o concelho de
Trancoso.
900 – Nesta centúria, em ano não fixado, o nome de Trancoso aparece num documento
coevo, o testamento de D. Chamôa (D. Flâmula), filha do conde D. Rodrigo, que era
senhora de toda a região a sul do Douro.
1059 – Trancoso, com muitos outros castelos vizinhos, é libertado do poder dos árabes,
depois de várias vicissitudes e durante as lutas entre estes e os cristãos, comandados por
D. Fernando I «O Magno» de Leão.
1148 – Por Bula de 8 de Setembro, o Papa Eugénio III confirma ao Arcebispo de Braga,
D. João Peculiar, a posse, entre outras terras, do território de Trancoso.
1160 – D. Afonso Henriques desbarata uma nova invasão árabe e reconquista
definitivamente o castelo de Trancoso, que recebe as mais importantes obras até então,
prosseguidas por D. Sancho I, depois da morte de seu pai. Pertenceu à Ordem do
Templo, pelo que ficou conhecido por castelo dos Templários.
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1198 – O alcaide de Trancoso toma parte no célebre combate de Ervas Tenras, contra os
leoneses.
1217 – D. Afonso II confirma o foral de Trancoso, dado por D. Afonso Henriques em
ano não preciso.
1270 – D. Afonso III cede por 600 libras anuais os seus direitos em Trancoso.
1282 – Casa nesta Vila o Rei D. Dinis com a princesa D. Isabel de Aragão, mais tarde,
Rainha Santa, a quem o régio marido doa o senhorio desses domínios.
1297 – D. Dinís visita uma vez mais Trancoso, para assistir às obras de ampliação da
muralha da vila e da reconstrução do castelo.
1306 – O mesmo soberano concede a Trancoso o direito de mudança da sua feira franca,
instituída por seu pai, D. Afonso III, para a periodicidade mensal, em vez de anual e
com a duração de três dias.
1364 – Os judeus de Trancoso apresentam queixa a D. Pedro I sobre as arbitrariedades
cometidas contra eles pelos cavaleiros que a visitavam, aboletando-se nas suas casa sem
pagar. Nesse tempo, o aluguer de casas, durante a feira, rendia tanto como no ano
inteiro.
1385 – A 29 de Maio, trava-se a Batalha de S. Marcos (Trancoso), entre as forças
portuguesas e castelhanas. As primeiras eram constituídas por elementos de Trancoso,
Celorico da Beira, Linhares, e Ferreira de Aves, sob o comando do Alcaide Gonçalo
Vasques Coutinho. A vitória coube aos nossos guerreiros e tornou-se um sério aviso a
D. João I de Castela, pretendente ao trono de Portugal.
1391 – D. João I, por carta régia de 12 de Janeiro, confirma os foros, privilégios e
liberdades de Trancoso.
1441 – O Regente D. Pedro encarrega D. Fernando Vasques Coutinho, seu alcaide-mor,
de importantes obras no castelo de Trancoso.
1496 – Data mais provável do nascimento do profeta-sapateiro, Gonçalo Anes
Bandarra, autor das famosas «Trovas», que correram o mundo.
1510 – A 1 de Junho, D. Manuel concede Foral Novo a Trancoso.
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1530 – O infante D. Fernando, filho de D. João III, por casamento de D. Guiomar
Coutinho, herdeira dos senhorios de Trancoso, é designado Alcaide desta Vila.
1534 – Por morte do infante, Trancoso passa para os bens da coroa.
1543 – Os judeus de Trancoso sofrem grande perseguição, depois de terem ampliado a
sua comunidade, com a vinda, no ano de 1481, de numerosos refugiados de Castela,
expulsos pelos reis católicos.
1546 – D. João de Mascarenhas é nomeado Alcaide de Trancoso.
1550 – Nasce em Trancoso o jesuíta João de Lucena, autor de uma obra sobre a vida de
S. Francisco Xavier.
1550 – Presume-se que também tenha sido o ano de nascimento de Gonçalo Fernandes
Trancoso, o célebre contista português.
1556 - Ano provável da morte de Gonçalo Anes «Bandarra»», o famoso sapateiro-
profeta, que tem o seu túmulo na Igreja de S. Pedro, desta Vila. Neste mesmo ano
começa a construção da Fonte Nova, monumento de grande beleza, ainda hoje muito
bem conservado.
1640 – Há na vila grandes festejos pela restauração da Independência de Portugal e, a
partir de então, as gentes de Trancoso participam activamente nas lutas contra os
castelhanos, que não aceitam esse facto e desencadeiam uma guerra extensa, só
concluída no reinado de D. Pedro II.
1704 – Trancoso toma igualmente parte activa na guerra da sucessão e o exército do
Marquês das Minas vem abastecer-se à vila.
1768 – A Inquisição proíbe as Trovas do Bandarra e manda picar a inscrição do se
túmulo.
1808 – Tropas francesas, que invadiram Portugal, chegam a Trancoso, sendo expulsas
mais tarde.
1810 – O General Beresford, comandante dos exércitos anglo-portugueses que
combatem os invasores franceses, sob a chefia de Massena, general de Napoleão
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Bonaparte, estabelece um quartel general em Trancoso, cujo edifício ainda hoje existe.
Aquele oficial inglês foi, depois, agraciado com o título de Conde de Trancoso.
1820 – A maioria da população de Trancoso adere à Revolução Liberal.
1838 – É extinto o Convento de Santo António, dos Frades Franciscanos.
1842 – A Câmara Municipal de Trancoso jura a Carta Constitucional.
1850 – É construído, no interior do Castelo, o Teatro de Santa Bárbara, demolido nos
anos quarenta deste século.
1861 – Aparece o primeiro jornal de Trancoso - «O Magriço».
1917 – Conclusão das obras dos actuais Paços do Concelho.
1918 – A epidemia conhecida pela «pneumónica» atinge duramente Trancoso.
7. Trancoso – Monumental
7.1 Património Classificado
Castelo - Desde meados do séc. X que a região dos extremos ou estremadura estava
pontilhada de castelos e penelas, como se pode comprovar pelo documento em que D.
Flâmula doa os castelos e penelas ao mosteiro de Guimarães, entre eles os castelos de
Trancoso, Moreira de Rei e Terrenho. O mais notável é o de Trancoso em que a Torre
de Menagem é testemunho único no país, pela sua estrutura tronco-cónica de origem
moçárabe, base da torre que constituía o castelo de D. Flâmula. O castelo tem cinco
torres quadrangulares, a torre de menagem tem a porta em forma de arco de ferradura e
as principais obras de fortificação foram levadas a cabo entre os séc. X e XIII, quando
foi centro de duros combates. D. Afonso Henriques tomou-o em 1139 mas suportou
diversos ataques muçulmanos até 1155. Está classificado como Monumento Nacional
por Dec. Lei n.º 7586 de 08/07/21.
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Muralhas - Em 1140 e 1160 reconstruíram-se as muralhas exteriores. Para manter os
seus defensores, o rei atribuiu-lhe o foral por volta do ano 1173 e doou a terra à Ordem
dos Templários, a qual pertenceu até à sua extinção, no princípio do séc. XIV. A
fortificação contava com uma cerca de muralhas de 1 Km de circunferência, apoiada em
15 torres, sob as quais, ou a seu lado, se abriam 4 portas: as d’El-Rei, a de S.João, as do
Prado e a do Carvalho; a estas juntavam-se 3 postigos: o Olhinho do Sol, o Boeirinho e
a Porta da Traição. Sendo uma vila de fronteira nunca se descuraram as suas
fortificações. D.Dinis ordenou diversas reformas no conjunto amuralhado e D. João I
reforçou-o durante as guerras com Castela. Por volta de 1530, D. João II mandou
acrescentar-lhe novas torres do lado norte. Estão classificadas como Monumento
Nacional por Dec. Lei n.º 7586 de 08/07/21.
Pelourinho - Monumento de granito, pertence ao período manuelino. O elegante fuste
oitavado, assente em quatro degraus, termina num capitel de remate em gaiola com
colunelos adoçados. A cúpula, em forma de pirâmide, é rematada por uma cruz de cristo
de ferro. Está classificada como Monumento Nacional por Dec. Lei de 16/06/1910.
Planalto da Batalha de São Marcos - A Ministra da Cultura, Dr.ª Maria João Bustorff,
homologou em Outubro de 2004, a classificação como Monumento Nacional do Campo
da Batalha de São Marcos, local onde teve lugar a famosa batalha de 29 de Maio de
1385.
Igreja de N. Srª da Fresta - Primitivamente da invocação de Santa Maria do Sepulcro,
é um edifício de estrutura românica do séc. XII ao qual foram acrescentadas no séc.
XVII a fachada e a torre barrocas. O interior é de uma só nave, cujas paredes são
decoradas por duas pinturas a fresco, bastante deterioradas. No fresco mais antigo, de
pintura monocromática vermelha, é ainda possível vislumbrar o Anjo da Anunciação. O
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mais recente, provavelmente do séc. XVI, representa a adoração dos reis magos. Está
classificada como Imóvel de Interesse Público por Dec. Lei n.º 33587 de 27/03/44.
Capela de Stª Luzia - É um templo de estilo românico de transição, provavelmente do
séc. XIII. Na fachada admira-se um portal de volta plena que pertenceu ao desaparecido
Convento de Santa Clara e foi para aqui transferido em 1820. Uma cachorrada disposta
ao longo da cornija percorre todo o exterior da cabeceira. O interior é de uma só nave,
terminando numa abside triangular. Classificado como Imóvel de Interesse Público por
Dec. Lei n.º 39175 de 17/04/53.
Sepulturas antropomórficas - Conjunto de sepulturas escavadas na rocha do tipo
antropomórfico, formando uma importante necrópole da Alta Idade Média.
Classificadas como Imóvel de Interesse Público por Dec. Lei n.º 95178 de 12/09/78.
Via antiga do Sintrão – Situa-se numa anexa da freguesia de Santa Maria de Trancoso
e está classificada com Imóvel de Interesse Público por Dec. Lei n.º 67/97 de 31 de
Dezembro.
Palácio Ducal - De finais do séc. XVIII. O facto de este palácio ser conhecido
correntemente por Palácio Ducal apesar dos moradores terem o título de Visconde,
deve-se possivelmente ao facto do 2º Visconde Bartolomeu Menezes ser casado em
segundas núpcias com a Duquesa de Pozen, esta é a única referência a duques no
palácio. Classificado como Imóvel de Interesse Concelhio, tem projecto aprovado e em
curso para ser transformado em hotel de quatro estrelas.
Centro Histórico de Trancoso e zona de protecção – Portaria n.º 578/93 de 5 de
Junho.
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7.2 Património Arquitectónico
Igreja de Stª Maria - Matriz, pertencente outrora à Colegiada de Guimarães. Raiz
românica. Reconstrução em 1784 e 1788.
Igreja de S. Pedro - Restaurada entre 1720 e 1728, tem fachada de cantaria com
pórtico singelo e frontão de volutas. A torre, barroca, com zimbório e pináculos foi
construida a partir de 1755. No interior são dignos de nota os altares, também barrocos,
uma imagem de Pietá e, como pormenor histórico curioso, a pedra tumular da sepultura
de Gonçalo Anes, o Bandarra, célebre sapateiro e poeta popular, autor das trovas que
profetizavam o regresso de D. Sebastião.
Igreja da Misericórdia - O actual templo deve datar de 1747. A porta principal é
encimada pelo escudo real. O altar-mor é em estilo filipino. Presume-se que esta igreja
tenha demorado 45 anos a ser construída. A antiga Misericórdia possuía neste local um
oratório com duas portas grandes onde se celebravam actos de culto, uma casa de
despacho e uma sacristia.
Capela de Stª Eufémia - É um monumento setecentista, de planta hexagonal com um
pontão sobrepujante no alçada principal e encimado por uma cruz. Foi construído em
1776 por um dos frades franciscanos do convento, sendo as obras custeadas com
esmolas da população. Está bem conservada e encontra-se no campo da feira, ladeada
por frondosas árvores.
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Capela de S. Bartolomeu - Templo reconstruído sobre um anteriormente existente. A
reconstrução de 1778 é em memória dos esponsais de D. Dinis e Isabel de Aragão. É
um templo sobrepujado por uma cruz e com seis pináculos nos recortes dos cunhais,
com base hexagonal. O frontão é belo e tem na parede sul uma lápide em azulejos,
evocativa do casamento real.
Capela do Sr. da Calçada - À saída das Portas de S. João (demolida), em frente do
cruzeiro do Sr. do Loreto, está situada a capela com torre sineira e cruz encimando a
fachada e outro crucifixo do lado oposto, no remate do telhado. É um pequeno templo
em granito.
Convento dos Frades Franciscanos - A sua fundação é do séc. XVI. O portal de
colunas caneladas, ao gosto toscano, tem os capitéis reduzidos ao ábaco. A arquitrave
remata com pirâmides e bolas.
Quartel do General Beresford - Casa do séc. XIV, com alpendre sustentado por
colunas, foi quartel-general durante a campanha que opôs as forças anglo-lusas contra
os invasores franceses. Foi quartel-general de Beresford, conde de Trancoso e
comandante chefe das tropas anglo-lusas.
Cruzeiro do Sr. da Boa Morte - É um cruzeiro coberto com abóboda assente sobre
quatro colunas, o qual foi mandado cobrir em 1729 pelo Padre Matias Alvares, ajudado
pelo povo, situava-se em frente das Portas do Prado até ser colocado mais para norte,
por motivo de obras no local. O crucifixo é em granito.
Fonte Nova - Erguida em 1589, é uma curiosa construção de estrutura clássica em
forma de templete grego sustentado por colunas dóricas.
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8. As Grandes Figuras de Trancoso
São muitas as personalidades históricas que estão ligadas à História de Trancoso.
Vale a pena conhecer alguns breves pormenores de umas quantas, que nos ocorreu
destacar. Outras mais ficarão por citar, embora a sua importante contribuição para o
desenvolvimento social, económico, histórico e cultural do concelho, através dos
tempos.
D. Afonso Henriques
Não poderá deixar de ser a primeira figura histórica ligada a Trancoso, já que a este
nosso rei se deve a sua conquista aos árabes e no seu reinado se realizaram as
importantes obras de reconstrução do castelo, bem como o reforço das muralhas que
abrigavam a pequena povoação de então. Por vitória sobre os sarracenos, terá D. Afonso
Henriques mandado construir o Mosteiro de São João de Tarouca.
D. Afonso II
Este outro monarca deve ficar indissoluvelmente ligado à história de Trancoso, pois é
no seu reinado, também, que um acontecimento importante se assinala: a concessão do
foral, em Outubro de 1217, confirmando aquele que D. Afonso Henriques lhe outorgara
e de que se desconhece a data.
D. Sancho II
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Está este rei igualmente na lista das figuras históricas ligadas a Trancoso, embora, na
altura, Moreira de Rei não pertencesse ainda à área administrativa trancosana. Todavia
presentemente, os acontecimentos históricos a nomear terão de incluir o seu nome, visto
que a referida povoação e o seu rico património cultural constituem notável contributo
para a vida passada, presente e futura de Trancoso.
D. Afonso III
Por carta de Lisboa, de 12 de Setembro de 1270, o sucessor de D. Sancho II, cede pelo
preço de 600 libras anuais os direitos que o seu rico homem deveria receber na vila de
Trancoso e seu termo, importância essa que demonstra a grandeza adquirida pelo
concelho no contexto sócio-económico do país de então.
D. Dinis
Este monarca será, sem sombra de dúvida, a figura régia a privilegiar no historial de
Trancoso, visto que lhe dedicou sempre especial carinho, escolhendo-a para local de seu
casamento com a princesa D. Isabel de Aragão, aquela que viria a ser conhecida por
Rainha Santa. Após esse extraordinário acontecimento, jamais o rei deixou de prestar a
Trancoso a maior atenção, quer usando-a como centro da sua actividade política, quer
preocupando-se com a sua defesa como posição chave na linha de fronteira com
Castela. Em 15 de Abril de 1306, não só confirma a carta de feira dada por D. Afonso
III, em 8 de Agosto de 1273, então com carácter anual mas também determina que passe
a efectuar-se mensalmente e durante três dias, verificando-se, assim, a sua importância.
E era tão forte a influência deste concelho junto de D. Dinis, que na contenda com
Sabugal, por causa da duração dos seus certames, o monarca dá razão a Trancoso e por
carta de 27 de Janeiro de 1314, são confirmados todos os privilégios da sua feira e a
proibição de nenhuma outra localidade realizar a sua enquanto enquanto durasse a de
Trancoso.
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Gonçalo Vasques Coutinho
Alcaide-mor de Trancoso, figura destacada da vida portuguesa do século XIV, foi o
grande vencedor da Batalha de São Marcos, ocorrida a 29 de Maio de 1385, a qual
constituiu um sério aviso ao rei de Castela, D. João I, nas suas pretensões ao trono
português e confirmado na Batalha de Aljubarrota, onde, de facto, se esfumaram os
sonhos castelhanos.
O Magriço
De seu nome completo Álvaro Gonçalves Coutinho, era filho de Gonçalo Vasques
Coutinho, alcaide-mor da Vila de Trancoso e herói da Batalha de S. Marcos.
Nasceu na Vila de Trancoso, presumidamente nos meados ou terceiro quartel do século
XIV.
Este cavaleiro fez parte da famosa expedição a Inglaterra, tendo acompanhado outros 11
companheiros naquela que foi imortalizada saga dos Doze de Inglaterra, referida por
Camões em “Os Lusíadas”.
D. João I
Este monarca não pode ser esquecido pelos fastos trancosanos, já que, em 12 de Janeiro
de 1391, por certo em reconhecimento da sua fidelidade na causa da Independência,
confirma a Trancoso todos os foros, privilégios e liberdades, acto de grande importância
histórica, inequivocamente.
Gil Vicente
O aparecimento, no seu «Auto da Mofia Medes» do nome de Trancoso é, também,
motivo para ligar o fundador do Teatro Português a esta terra. A famosa personagem
refere-se-lhe, de modo evidente:
«Vou-se à feira de Trancoso,
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Logo, nome de Jesu
...............................................»
Padre João de Lucena
Notável jesuíta, que nasce em Trancoso em 27 de Dezembro de 1549. Exerceu o
mestrado em Évora e Roma e foi um dos maiores pregadores do seu tempo. Escreveu a
«História da Vida do Padre Francisco de Xavier, e do que fizeram na Índia os mais
religiosos da Companhia de Jesus», obra que foi traduzida em italiano, espanhol e latim,
sendo considerada uma das mais clássicas da literatura portuguesa.
Gonçalo Anes Bandarra
Este famoso sapateiro-profeta de Trancoso pode ser considerado uma das maiores
figuras portuguesas de todos os tempos, já porque as suas «Trovas» são universalmente
conhecidas e investigadas, já por se tornar num símbolo de uma época historicamente
dramática para Portugal.
Gonçalo Fernandes Trancoso
É, sem sombra de dúvida, o primeiro grande contista português, nascido em Trancoso,
no século XVI e pertencente à famosa escola de Boccacio. Os seus «Contos de Proveito
e Exemplo» são uma obra marcante na literatura portuguesa e, talvez, aquela que mais
edições teve.
Padre António de Almeida
Outro grande missionário jesuíta nascido em Trancoso, ainda no século XVI, cuja acção
foi verdadeiramente notável. As suas cartas sobre as coisas da China, para o Padre
Duarte de Sande, foram publicadas em italiano e espanhol e são tidas como brilhantes
peças sobre a vida do oriente.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Afonso de Lucena
Nascido em Trancoso, licenciou-se em Direito Civil na Universidade de Coimbra e
vivia ainda no ano de 1611, segundo se pode saber. Foi Jurisconsulto de nomeada e
secretário e procurador da Duquesa de Bragança, D. Catarina, cujos direitos ao trono
defendeu, tenazmente, através de uma famosa alegação, dirigida ao rei-cardeal D.
Henrique, em 1579.
Francisco de Lucena
Filho de Afonso de Lucena e também natural de Trancoso, foi Secretário de Estado de
D. João VI. Por razões políticas, em especial, por haver a suspeita que seu pai havia
atraiçoado a Casa de Bragança, revelando segredos de D. Catarina e por ele próprio ter
sido secretário de mercês, juntamente com Miguel de Vasconcelos, acabou por cair em
desgraça, acusado finalmente, de cumplicidade na conjura contra o monarca. Depois de
um processo duvidoso, é condenado à morte e degolado, em 28 de Abril de 1643. Julga-
se de maior interesse o estudo desta figura, hábil na política e, especialmente, na
diplomacia, cujo prestígio terá sido uma das causas da sua morte violenta.
Constantino de Sampaio
Monge de Cister e prelado notável, que chegou a Arcebispo da Baía, no ano de 1675.
Nascido em Trancoso, doutorou-se em Coimbra e, mercê das suas capacidades, foi
nomeado geral da Ordem, em 1669. Quando se preparava para assumir as suas funções
no Brasil, foi surpreendido pela morte, no Convento do Desterro, em 9 de Março de
1676.
Francisca da Conceição
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Freira e Madre do Convento de Santa Clara, existente em Trancoso, esta trancosense
ilustre viveu nos séculos XVII e XVIII e morreu com cheiro de santidade, como é
costume dizer-se. Deixou atrás de si uma aura tão grande que, em meados do século
XVIII, se publica a obra «Vida e Milagres da Madre Francisca da Conceição», de
autoria do Dr. Manuel Saraiva da Costa. A sua fama era tal, que o Marquês das Minas a
visitaria em 1704, quando, com os seus exércitos, passou por Trancoso.
Simão Cardoso Pacheco
Também este presbítero e mestre em História sagrada e profana, natural de Trancoso,
viria a interessar-se pela figura da Madre Francisca da Conceição e sobre ela escreveria
outra obra ainda mais famosa: «Vida e Milagres da Venerável Madre Francisca da
Conceição, religiosa exemplaríssima no Mosteiro de Santa Clara da Vila de Trancoso».
Francisco Saraiva de Sousa
Presbítero secular, natural de Trancoso, que viveu na primeira metade do século XVII e
se licenciou em Cânones na Universidade de Coimbra. Deixou uma importante obra de
doutrina cristã, que foi publicada várias vezes.
Fernando Mendes
Judeu, nascido nesta Vila, provavelmente nos princípios de 1645 e falecido em Londres,
em 1724. Frequentou a Universidade de Montpellier (em França), onde se doutorou e
ocupou uma cátedra. Foi viver para a capital inglesa, tendo desempenhado as funções de
médico da Côrte e, em especial, de D. Catarina de Bragança, casada com o Carlos II.
Autor de várias obras, entre elas, «Studium Apollinari», foi, ainda, o preparador da
celebrada «Água de Inglaterra», remédio popular contra o sezonismo, contando com a
colaboração de outro médico português, judeu com ele, Jacob de Castro Sarmento,
residente na mesma cidade. Tornou-se numa das drogas mais receitadas do seu tempo e
objecto depois, de muitas falsificações.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Agostinho de Mendonça Falcão
Natural de Souto Maior, freguesia do concelho de Trancoso, nasceu a 27 de Agosto de
1783 e faleceu em 24 de Janeiro de 1854. Filho do Morgado de Souro Pires, Sebastião
de Mendonça Falcão, formou-se em Cânones e dedicou-se à genealogia. Deixou
impressas as obras «Árvore Genealógica da Família Real Portuguesa», «Bibliografia
Abreviada da História de Portugal» e «Memória Histórica sobre a Vila de Seia», além
de numerosos manuscritos. Serviu no exército português, durante a última invasão
francesa, desempenhou as importantes funções de Superintendente Geral interino, junto
do Marechal Beresford, comandante das tropas anglo-portuguesas.
Bartolomeu da Costa Macedo Giraldes Barba de Meneses
2.º Visconde de Trancoso, nasceu nesta Vila a 6 de Fevereiro de 1842 e morreu em
Lisboa, a 19 de Maio de 1900. Moço-fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de
Cristo, foi membro da Comissão Central do 1.º Dezembro de 1640, Director da Real
Associação de Agricultura Portuguesa e abastado proprietário. Possuía, no país vizinho,
os senhorios de Carabaña, Orusco e Valdilecha. Devido a questões várias, perdeu quase
todos os seus bens, num processo que se arrastou, pelos tribunais, por mais de quarenta
anos. Escreveu um opúsculo anti-ibérico, «Apontamentos da dominação castelhana em
Portugal». Deixou um importante discurso, pronunciado em 1871, numa sessão
comemorativa da Restauração de 1640. Casou em Lisboa, em primeiras núpcias, com
D. Bárbara Camila Vicência José de Noronha, filha dos 10.ºs Condes dos Arcos e,
depois, em segundas núpcias, com a Princesa Maria Cristina Isabel de Bourbon,
Duquesa de Poze, no ano de 1876. Esta senhora era filha do Príncipe Inácio Vesceslaw,
Conde de Gurouski, herdeiro do trono da Polónia e da Infanta D. Isabel, cunhada da
Rainha D. Isabel II de Espanha.
Pelo facto de este 2.º Visconde de Trancoso haver casado com uma Duquesa, o solar
condal onde viviam, quando visitavam a Vila, passou a ser conhecido por Palácio
Ducal. É, como temos afirmado, o mais importante edifício do Centro Histórico.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Eduarda Lapa
Maria Eduarda Lapa de Sousa Caldeira nasceu em Trancoso, no dia 15 de Outubro de
1895.
Estabeleceu em Coimbra, os primeiros contactos com a pintura e com o s pintores, e foi
lá que realizou a sua primeira exposição individual. Realizou outras exposições
individuais no Porto, Açores, Madeira e no Rio de Janeiro, Brasil.
Ficou reconhecida como a “pintora das flores”. Ganhou prémios nas modalidades
plásticas do óleo e pastel e foi-lhe atribuída a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa
(em 1944) e na modalidade de pastel (1948) e de óleo (1954), 2 medalhas de Honra da
Sociedade Nacional de Belas-Artes, entre muitas outras. Em 1950 foi agraciada como
Oficial da Ordem de Santiago.
Dedicou-se à pintura de paisagem, quer na sua terra de Trancoso, quer na cidade da
Guarda.
Foi Eduarda Lapa um dos elementos que estiveram na base da fundação do Museu da
Guarda, onde, aliás lhe foi prestada a devida homenagem, em parceria com a Câmara
Municipal de Trancoso.
A sua obra está representada não só em várias câmaras municipais e em inúmeros
museus do país, mas também no estrangeiro onde estão representadas várias colecções.
Eduarda Lapa veio a falecer, na sua residência, em Lisboa, a 9 de Setembro de 1976.
De 24 de Junho a 24 de Agosto, de 1997, na galeria de exposições temporárias do
museu da Guarda, esteve patente ao público uma exposição de parte da obra da genial
pintora trancosense, sendo então apresentada uma publicação sobre a vida e a obra de
Eduarda Lapa, editada pela Câmara Municipal de Trancoso.
9. Trancoso Heróico - Os Factos e a História
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
9.1 Forais de Trancoso
Foral de D. Afonso Henriques (século XII)
O Foral de Trancoso dado por Afonso Henriques é um dos documentos mais
importantes da história do concelho. Foi dado no momento em que o Rei julgou dever
premiar o concelho e a vila mártir das guerras entre Cristãos e Mouros.
Com data desconhecida por não ter sido lavrada no diploma, porventura depois de 1154
e não depois de 1173, o foral de D. Afonso Henriques a Trancoso teve como finalidade
o repovoamento.
Sendo Trancoso uma localidade estratégica no que diz respeito à passagem da
Beira para o Vale do Douro. Nascia pois Portugal quando Trancoso já tinha derramado
o seu sangue em diversas batalhas, contra os Mouros. Afonso Henriques vendo a
necessidade de repovoar, reconstruir e constituir um núcleo de popular nesta vila deu-
lhes um foral com amplas regalias e direitos pouco vulgares.
Este foral foi reconfirmado por D. Afonso II sem referir todavia a data do
primeiro.
D. Afonso II (Outubro de 1217)
Confirmação do Foral anterior com muitos e bons privilégios para os moradores.
D. João I (12 de Janeiro de 1391)
Novos privilégios para os moradores de Trancoso.
Foral de D. Manuel I (1 de Junho de 1510)
Novo Foral a Trancoso que trata essencialmente da recolha de rendas e direitos.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
9.2 A Judiaria de Trancoso
Foi no reinado de D. Afonso IV que uma colónia de judeus se instalou em
Trancoso.
Esta colónia teve privilégios dados por D. Pedro I e D. Fernando, confirmados
por D. Duarte e renovados mais tarde por cartas de D. Afonso V e D. João II.
Bairro próprio, porém, só veio a ter a partir de 1361, em cumprimento do
deliberado nas Cortes de Elvas, situado a nascente da Vila, onde hoje é possível
encontrar muitas casas de rés-do-chão e 1 andar, com a sua porta larga, a do comércio,
ao lado da porta estreita que dá acesso à habitação. Em muitas delas encontra-se ainda
gravada na ombreira da porta uma cruz, sinal da conversão do seu proprietário ao
cristianismo.
A presença da colónia judaica foi sempre um sinal de prosperidade em Trancoso.
Os livros da Chancelaria dos monarcas portugueses anteriores à extinção e
proibição do judaísmo em 1497, mencionam a comuna dos judeus de Trancoso em
várias ocasiões.
O monarca D. João II (1481-1498) a pedido da comunidade judaica de Trancoso
autorizou a ampliação da sinagoga da Vila.
Na visitação à Beira, levada a efeito por Marcos Teixeira, abrangendo Trancoso,
o Visitador, de 29 de Novembro a 8 de Dezembro de 1579, recolheu na Vila quarenta e
quatro de pendências de práticas heréticas de cristãos –novos.
As referências bibliográficas a esta experiência podem ser encontradas em
Herculano “Inquisição, vol. III; Lopes Correia; Elias Lipiner “Gonçalo Anes Bandarra e
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
os Cristãos Novos”; Bivar Guerra “Inventário dos Processos da Inquisição” e vários
livros das Chancelarias de D. Pedro I, D. Afonso V e D. João II; Ferro Tavares, Maria
José Tavares - Os Judeus em Portugal; José Marques - “Relações de D. Afonso V e D.
João II com a comuna judaica de Trancoso.
9.3 A Feira de São Bartolomeu
Esta feira foi fundada em 8 de Agosto de 1273, por carta régia de D. Afonso III,
a qual se iniciava com a autorização para “poderem fazer uma feira que em cada um ano
se faz e a qual começará oito dias antes da festa de São Bartolomeu e durará quinze dias
com o privilégio aos que a ela vierem”.
É uma feira de grande nomeada em todo o país e, sem dúvida, uma das mais
antigas. A carta de D. Afonso III sobre a feira de Trancoso serviu de base para a
instituição de outras feiras francas, como as de Castelo Branco (1390), Sertã (1390),
Amarante, Coimbra e Pinhel – 1391, Viseu (1392), Barcelos, Chaves entre muitas
outras que tiveram a de Trancoso por paradigma.
Só com o aparecimento da feira do tipo da de Tomar, em 1420 é que a de Trancoso
deixou de ser modelo de feiras francas. Era tão importante que os nossos reis lhe
concediam protecção especial, chegando a proibir a realização de feiras nas
proximidades de Trancoso.
Reveste-se de particular interesse a carta outorgada pelo Rei D. Fernando e
datada de 1375, em que se estabelecia que todos os que viessem à feira deveriam
aposentar-se obrigatoriamente na vila e não no seu termo por forma a que os lavradores
pudessem nela participar.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Era uma feira tão concorrida que os judeus de Trancoso diziam que o aluguer
das suas casas, durante o tempo da feira, lhes rendia tanto como durante todo o ano. Foi
a maior feira de gado do país. Ainda hoje é costume, os caseiros pagarem as rendas aos
senhorios das terras, pela feira de São Bartolomeu.
Gil Vicente referiu-se à Feira de Trancoso num dos seus autos, pondo na boca da
endiabrada Mofina Mendes:
Vou-me à feira de Trancoso
Logo, nome de Jesu,
E farei dinheiro grosso.
Do que este azeite render
Comprarei ovos de pata,
Que he coisa mais barata
Qu’eu de lá posso trazer.
Foi confirmada, no ano de 1306, por D. Dinis que substituiu a sua periodicidade
anual por realizações mensais e com duração de 3 dias (os 3 últimos dias de cada mês).
Foi então fundada a Feira Franca.
Os feirantes não pagavam imposto em Trancoso. Era garantida a segurança dos
feirantes nas viagens. Era proibida a cobrança de dívidas aos feirantes em Trancoso.
Quem atacasse feirantes ou cidadãos que se dirigiam ou que vinham da feira de
Trancoso, durante a viagem, eram condenados à morte. Estavam proibidas as feiras nos
concelhos próximos durante esses dias.
A feira passou a ser semanal a partir de 1459, mantendo-se até hoje.
Anteriormente realizava-se aos domingos, depois passou para os sábados e, só em 1974
é que passa para as Sextas feiras.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
9.4 A Batalha de São Marcos
A Batalha de Trancoso ou de S. Marcos como vulgarmente se chama, travou-se
a 29 de Maio de 1385 e não a 25 de Abril, convicção que se manteve durante muitos
anos.
Todavia, apesar da importante, erudita e conclusiva afirmação do Prof. Doutor
Salvador Dias Arnaut, proferida em 1985, o acontecimento vale por si e não pelo dia em
que se deu.
Quando Carmen Batle, no seu estudo sobre a batalha, revelou ter encontrado, ou
melhor dito, existir no Museu Mars de Barcelona – como nos comunica aquele mesmo
investigador – uma lápide no túmulo de um dos capitães mortos nesse mesmo lugar,
onde se lê, conclusivamente, que o militar castelhano sucumbira em tal luta a 29 de
Maio de 1385, estavam desfeitas as dúvidas e comprovadas as teorias, que desde o
cronista Fernão Lopes, a tantos outros historiadores até ao eminente medievalista
Salvador Dias Arnaut, sustentavam esta data.
A Batalha de Trancoso foi uma das mais importantes, travadas na Guerra da
Sucessão na crise de 1383-1385 que se seguiu à morte do Rei D. Fernando I.
Na sequência das Cortes de Coimbra em Abril de 1385, que proclamara D. João
I rei de Portugal, D. João rei de Castela invadiu Portugal, fazendo entrar parte de seu
exército com o objectivo de cercar Lisboa e outra parte numa manobra de diversão,
entrou por Viseu, aproveitando o facto de o exército português estar no Norte do País.
Os castelhanos foram completamente derrotados em Trancoso, sendo os
portugueses capitaneados pelo Alcaide de Trancoso, Gonçalo Vasques Coutinho pai do
célebre Magriço, com a ajuda de outros alcaides de importantes praças da Beira.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Ao todo estiveram envolvidos na batalha de Trancoso mais de 5.000 homens de
armas.
O desfecho da batalha de Trancoso fez voltar atrás, o grosso exército Castelhano
o que permitiu que o exército Português pudesse recuperar e esperar os castelhanos em
Aljubarrota.
Por proposta do Exército Português e da Fundação Batalha de Aljubarrota, com
o parecer do IPPAR, foi classificado como Monumento Nacional o Planalto da Batalha
de Trancoso, por decreto do corrente ano, o que evidencia a importância histórica deste
notável e épico combate em Trancoso.
9.5 Gonçalo Anes Bandarra
Escreveu Fernando Pessoa:
“Sonhava, anónimo e disperso
O Império por deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E Plebeu como Jesus Cristo.
Não foi Santo nem Herói,
Mas Deus sagrou com seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português mas Portugal.”
“A Mensagem”
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
De seu nome Gonçalo Anes, Bandarra por alcunha, terá nascido em Trancoso
nos inícios do século XVI, ou mesmo em 1500.
Da fama deste “Nostradamus” português possuímos uma gravura do século
XVII publicada na 1.ª edição de 1603 das Trovas, levadas ao prelo por D. João de
Castro.
Conhece-se a assinatura do Profeta nos autos do Santo Ofício e por esta finada
instituição de martírio, todos os passos do sapateiro e profeta entre 1538 e 1541.
Bandarra faleceu em Trancoso, onde foi sepultado, estando o seu túmulo na
Igreja de S. Pedro em Trancoso.
Crítico de Costumes, poeta, profeta, Bandarra foi lido, temido e perseguido pela
Inquisição.
Bandarra profetizou em termos bíblicos o Quinto Império, interpretado e
comentado pelo Padre António Vieira e Fernando Pessoa.
O Padre António Vieira viria a escrever: “Bandarra foi verdadeiro profeta, pois
profetizou e escreveu tantos anos antes tantas cousas, tão exactas, tão miúdas e tão
particulares, que vemos todos cumpridas com os nossos olhos”.
Uma dessas profecias diz respeito ao próprio, judiciosa e relevante:
“Em dois sítios me achareis,
Por desgraça, ou por ventura:
Os ossos na sepultura,
A alma, nestes papéis.”
Bandarra chegou a prever que D. João ou “D. Fuan”, será esse “novo rei
alevantado», aclamado em finais dos “anos quarenta”. De facto D. João IV seria
aclamado em 1640, com coroação no Terreiro do Paço. Nessa época o retrato de
Bandarra foi então exposto na Sé de Lisboa.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
As principais referências bibliográficas são: As Trovas de D. João de Castro; A
Mensagem de Fernando Pessoa; Oliveira Martins “História de Portugal”; Lopes Correia
“Monografia”; Hermani Cidade “Padre António Vieira”.
9.6 A Guerra Peninsular
Depois da Guerra de Rossilhão e da Campanha de 1801, Napoleão tentou invadir
Portugal por 3 vezes entre 1807 e 1813.
Para combater as invasões francesas, Trancoso mobilizou–se com a ajuda dos
aliados de Portugal.
Em Março de 1808 começaram a chegar as primeiras tropas e no ano seguinte
chegava a Trancoso o General Beresford para comandar as tropas portuguesas.
Aqui estabeleceram o Quartel General, um edifício ainda hoje existente e
utilizaram o edifício dos Paços do Concelho para hospital militar.
A 16 de Setembro de 1809 entraram na vila os soldados franceses do General
Vey, tendo encontrado enorme resistência.
O general Wesley chegou a Trancoso no dia 19 de Janeiro de 1810 tendo sido
recebido entusiasticamente.
Depois da derrota do Buçaco, Marsena tenta conquistar Lisboa em 27 de
Setembro de 1818, o General Silvestre Pinto de Albuquerque, impedido de reconquistar
Almeida, recuou para Trancoso em quase 5000 horas, permanecendo na Vila durante
um mês.
O general William Can Beresford foi agraciado com o título de Conde de
Trancoso.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
9.7 A Comarca de Trancoso
Trancoso chegou a constituir uma das maiores comarcas do País.
Em 1836 a comarca de Trancoso abrangia os concelhos de Aguiar da Beira,
Almendra, Castelo Rodrigo, Freixo de Numão, Marialva, Meda, Penedono, São João da
Pesqueira, Pinhel, Trevões e Vila Nova de Foz Côa.
Como é possível observar pelos mapas das comarcas no início do séc. XIX,
publicados na “História de Portugal” da responsabilidade do Prof. José Mattoso Vol. 4 e
Vol. 5 da Editorial Estampa, a comarca de Trancoso abrangia um conjunto significativo
de municípios confrontando directamente com Viseu, Guarda e Moncorvo e Vila Real.
Com a queda do regime absolutista viu-se reduzida aos julgados da Pesqueira,
Figueira, Pinhel, Celorico da Beira, Fornos e Aguiar da Beira.
Posteriormente noutra reforma judicial viu-se reduzido aos julgados de Figueira,
Pinhel e Aguiar da Beira.
Actualmente, na última reforma, ficou reduzida a comarca de Trancoso ao
próprio concelho e ao de Aguiar da Beira.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
II
Trancoso – Estrutura Física e Demográfica
Trancoso localiza-se numa região de montanha entre a Serra da Estrela e o rio
douro, a cerca de 80 Km da principal fronteira com Espanha (Salamanca).
O Município pertence à Nut III da Beira Interior Norte e à divisão administrativa
do distrito da Guarda.
A estrutura física da sua morfologia é predominantemente granítica.
A Vila de Trancoso, sede de Município, situa-se num vasto e alto planalto, com
cerca de 900 m de altitude média, nas proximidades da margem direita do rio Távora,
localizando-se acerca de 45 Km NNO da cidade da Guarda.
A superfície do concelho de Trancoso é de 364.54 Km e a sua população é de
cerca de 11.000 habitantes.
A Vila de Trancoso compreende duas freguesias, S. Pedro e Sta. Maria, sendo a
sua área de 51.8 Km2 de extensão.
O aglomerado populacional da Vila de Trancoso é contíguo às freguesias de
Fiães, Torres, Souto Maior e Tamanhos, representando no seu conjunto 3440 eleitores.
Os habitantes das duas freguesias da Vila de Trancoso são 3106 e no conjunto da
área urbana das freguesias contíguas supra referidas é de 4054 habitantes.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
De harmonia com os indicadores demográficos e de desenvolvimento, dos
últimos censos de 2001, Trancoso verificou o 3.º melhor resultado demográfico do
conjunto dos 14 concelhos do distrito da Guarda e a 2.ª maior taxa de crescimento
urbano, logo a seguir ao concelho da Guarda.
A Vila de Trancoso no conjunto das suas duas freguesias urbanas de S. Pedro e
Sta. Maria, obteve um crescimento demográfico, nos últimos censos de 2001, superior a
50%, o que reflecte bem a atractabilidade do seu tecido social e económico.
III
Trancoso – Estrutura Urbana
A Vila de Trancoso cresceu em torno do seu centro histórico, ainda hoje,
circunscrito por uma muralha dinisina envolvente e completa.
A evolução do seu tecido urbano consolidou-se de forma planeada e contínua,
apresentando uma imagem integrada e harmoniosa.
Nos últimos anos desenvolveram-se exponencialmente novos loteamentos
urbanos, bem como a construção em propriedade horizontal.
Na Vila de Trancoso estão hoje construídos cerca de 260 fogos em propriedade
horizontal, predominando, porém, as habitações unifamiliares isoladas ou em banda
contínua.
A Vila de Trancoso possui uma vasta arborização na sua zona urbana, de que se
destaca o Parque Municipal com mais de um século de existência e com ricas e raras
espécies florestais, bem como, existem várias zonas verdes e jardins públicos.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
A Vila de Trancoso tem um conjunto assinalável de novos e modernos
equipamentos culturais, desportivos e sociais, que permitem o desenvolvimento de
políticas continuadas de animação cultural e desportiva e a sua divulgação em agenda
cultural mensal, só comparável à cidade da Guarda.
A Vila de Trancoso é ainda, sede de várias infraestruturas de âmbito sub-
regional, de que se destaca: GAT de Trancoso, a ADL Raia Histórica, bem como de
outros serviços adiante identificados.
A Vila de Trancoso está completamente infraestruturada, pavimentada,
arborizada e com um nível de equipamentos e mobiliário urbano que lhe confere um
muito qualificado aspecto urbano.
A nível arquitectónico tem existido grande preocupação em entregar a grandes
arquitectos nacionais, as obras de requalificação mais importantes, como acontece com
o Arq. Gonçalo Byrne, autor de 4 grandes obras de equipamentos colectivos e arranjos
urbanísticos, para além de ser responsável pela intervenção projectada para o Centro
Histórico de Trancoso a implementar nos próximos 2 anos.
IV
Trancoso – Equipamentos Colectivos
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
1. Educação
Jardim de Infância (pré-primário) público – 64 crianças
Infantário e creche (Santa Casa da Misericórdia) – 120 crianças
Creche (Santa Casa da Misericórdia) – 12 crianças
Escolas E B 1+2+3 Ciclos de Trancoso – 441 alunos
Escola Secundária com 3º Ciclo de Trancoso – 416 alunos
Escola Profissional de Trancoso – 390 alunos
2 Residências de estudantes
ATL do Centro Paroquial
Ludoteca Municipal
2. Segurança Social
Centro de Dia – 15 utentes
Lar de Idosos Dr. Álvaro de Carvalho – 60 utentes
Lar de Idosos Costa Lima – 55 utentes
Lar de Acamados Santa Casa da Misericórdia – 35 utentes
Projecto de Luta Contra a Pobreza
Centro local de Segurança Social
Projecto SIM – Trancoso
3. Saúde
Centro de Saúde com atendimento permanente
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Clínica de S. Bartolomeu
Unidade de Apoio Integrado (UAI) – 12 camas
3 Farmácias
2 Laboratórios de análises clínicas
1 Clínica de fisioterapia (em construção)
5 Consultórios de medicina dentária
3 Consultórios de clínica geral
4 Consultórios de oftalmologia
4. Justiça
Palácio da Justiça (Comarca de Trancoso que abrange o Concelho de
Aguiar da Beira)
Conservatória dos Registos
Notariado
11 Advogados
5. Segurança Interna
Posto da G.N.R
6. Protecção Civil
Bombeiros Voluntários de Trancoso (90 efectivos)
Serviço Municipal de Protecção Civil
7. Desporto
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Campo de futebol vedado e com bancada
3 Polivalentes descobertos
1 Piscina coberta
2 Pavilhões gimnosdesportivos (Escola Secundária e Escola EB 2 e 3)
Pavilhão Multiusos (piso desportivo, bancada e 5 balneários)
Parques infantis
2 Campos de ténis
8. Cultura
Auditório e teatro no Convento dos Frades – 155 lugares
Cinema – 152 lugares
Auditório da A.C.R.T. – 170 lugares
Auditório do Pavilhão Multiusos – 88 lugares
Biblioteca e Centro Multimédia (Centro Cultural)
Biblioteca itnerante
Museus (em construção)
Centro “Internet”
Arquivo Municipal
9. Turismo
Posto de Turismo com funcionamento contínuo
Hotel Turismo de Trancoso (Abrir em Março de 2005) – 4 estrelas, 54
quartos e 4 suites
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Hotel do Palácio Ducal (em construção) – Hotel de 4 estrelas com 29
quartos
Residencial D. Dinís – 30 quartos
Residencial Vale a Pena – 25 quartos
Residencial São Bartolomeu – 20 quartos
Cooperativa de animação turística (central de reservas e agencia de
viagens)
Restaurante Área Benta
Restaurante Marisqueira “Queda de Água”
Restaurante Brasão
Restaurante Taco Dourado
Restaurante “O Museu”
Restaurante “São Marcos”
Restaurante “O Marquês”
Restaurante “Os Venâncios”
Restaurante Alfa
Restaurante Bandarra
Bar Água Benta
Bar Impóculis
Blue Bar
Discoteca “Armazém 13”
10. Parques e Jardins
Parque Municipal desde séc. XIX com raras e preciosas espécies
florestais
Jardim Publico do Bairro S. dos Aflitos
Jardim junto ao Palácio Ducal
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Áreas verdes em toda a extensão da muralha e outras
11. Administração Pública e Outros Serviços
Câmara Municipal
Junta de Freguesia de Santa Maria
Junta de Freguesia de São Pedro
Repartição de Finanças
Tesouraria
G.A.T. de Trancoso (Concelhos da Mêda, Pinhel, Figueira de Castelo
Rodrigo, Aguiar da Beira e Trancoso)
A.D.L. “Raia Histórica” (Concelhos de Mêda, Pinhel, Figueira de
Castelo Rodrigo, Almeida e Trancoso)
Tribunal Judicial
Conservatórios e Notariados
Administração Florestal
Serviços do Ministério da Agricultura
Serviço local de Segurança Social
C.T.T.’s
7 Agências bancárias
2 Residências de Estudantes
Empresa Municipal – “Trancoso – Eventos”
A.R.A. (Associação Regional da Beira Interior de Arqueólogos)
2 Clínicas veterinárias
V
Trancoso – Sociedade Civil e Movimento Associativo
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
A Sociedade Civil de Trancoso organiza-se em vários movimentos associativos,
de grande dinâmica social e cultural.
Dos mais significativos salientamos:
Santa Casa da Misericórdia de Trancoso (170 trabalhadores)
Centro Social e Paroquial de Trancoso
Associação Cultural e Recreativa de Trancoso
Associação Humanitária do Bombeiros Voluntários de Trancoso
Associação Promotora do Ensino Profissional da Beira Transmontana
Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Trancoso, Aguiar da
Beira e Meda
Grupo Folclórico de Trancoso
Grupo Coral de Santa Casa da Misericórdia
“Pedrinhas da Calçada” (Grupo de Música Popular)
Grupo de Teatro Amador
Casa do Povo de Trancoso
Grupo Desportivo de Trancoso
Cooperativa Rádio Bandarra
Clube Trancosense
Casa do Benfica
Conferência de São Vicente de Paulo
Clube de Caça e Pesca
Club TT (Motard e Todo o Terreno)
Cooperativa Bandarra
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Associação de Protecção da Natureza
Centro de Estudos de Fortificações Militares
O movimento associativo na área do Município de Trancoso, abrange 42
associações que se encontram unidas por um protocolo de cooperação que enquadra
todo o movimento associativo municipal.
A Câmara Municipal de Trancoso, dispõe de um programa de apoio ao
movimento associativo, tendo constituído para o efeito, um Conselho Consultivo das
Associações do Concelho, promovendo anualmente um encontro de associações.
VI
Trancoso – Centro Urbano de Importância Sub-Regional
A Vila de Trancoso quer pela sua localização geográfica, na confluência do
Douro, Trás-os-Montes, Beira Litoral e Beira Interior, quer pela sua centralidade
rodoviária (IP2 e IC 26), quer ainda pela sua tradição comercial, tem sedeado vários
serviços de importância sub-regional de que se destaca:
G.A.T. de Trancoso
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Abrange os concelhos de Mêda, Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo, Aguiar
da Beira e Trancoso
A.D.L. “Raia Histórica”
Associação de Desenvolvimento Local que gere entre outros programas, o
Leader +, a animação das “Aldeias Históricas”, etc., e que abrange Mêda,
Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida e Trancoso
Comarca de Trancoso
Abrange os concelhos de Trancoso e Aguiar da Beira
Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Trancoso, Aguiar da
Beira e Mêda
Escola Profissional de Trancoso
Com alunos de todo o distrito da Guarda e distrito de Viseu, entre outros.
Centro de Inspecção Automóvel
Mercado de Leilão de Gado (de importância regional)
VII
Trancoso – Actividades Económicas
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
O tecido económico de Trancoso é diversificado, predominando os serviços e
um conjunto de pequenas e médias empresas no comércio e na industria, localizadas no
seu maior número na Zona Industrial
No sector dos serviços, caracterizados pela sua diversidade e
complementaridade, salientam-se pela sua importância na geração de emprego, os
serviços de educação, formação profissional e os serviços de acção social.
O sector comercial é de grande tradição, tirando partido da centralidade de
Trancoso e da existência do mercado semanal e das suas feiras de grande afluência e
importância regional.
O mercado semanal de Trancoso realizado todas as sextas-feiras, reúne mais de
600 feirantes, constituindo, por natureza, o maior mercado semanal da região centro.
As principais feiras anuais são: a Feira de Enchidos e dos Sabores em Fevereiro;
Feira de São Bartolomeu em Agosto; Feira de Sana Luzia em Dezembro. A Feira de
São Bartolomeu constitui o principal evento comercial, envolvendo cerca de 500
expositores e cerca de 80.000 visitantes nos oito dias de duração.
Principais empresas:
Chupas e Morrão S.A. (Obras Públicas) – 200 trabalhadores
Santa Casa da Misericórdia (acção social) – 170 trabalhadores
Escola Profissional de Trancoso (educação) – 80 trabalhadores
Lactovil (lacticínios) - 30 trabalhadores
Carnes Rodrigues – 35 trabalhadores
Casa da Prisca – 30 trabalhadores
Santiagos Lda. (comércio e distribuição) – 40 trabalhadores
Servitra (distribuição) – 16 trabalhadores
Imobiliária Trancosense, Lda.
Construtora do Távora, Lda.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Torres e Filhos Lda – Centro de Inspecção Automóvel – 8 trabalhadores
Ecomarché
Fernandes e Santos
Posto de Combustíveis Shell
Posto de Combustíveis Galp
Posto de Combustíveis Etc.
3 Empresas de Transformação – cerca de 30 trabalhadores
Cooperativa Bandarra (sector agrícola)
Trancosauto, Lda.
Conclusão
A Vila de Trancoso pelo exposto reúne os requisitos legais (Lei 11/82 de 2 de
Junho) para ser elevada à categoria de cidade.
Nestes termos e os Deputados abaixo-assinados apresentam o seguinte projecto
de lei:
Artigo Único
A Vila de Trancoso do Concelho de Trancoso é elevada à categoria de cidade.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
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Publicação — DAR II série A — 19-38 — 04/12/2004
0019 | II Série A - Número 021 | 04 de Dezembro de 2004
- Escola EB 2 e 3;
- Posto da GNR;
- Posto médico (dois médicos);
- Julgado de paz;
- Centro de dia;
- Projecto de construção do lar de idosos;
- Creche;
- Infantário;
- ATL;
- Escola do 1.º Ciclo (quatro salas);
- Casa do povo;
- Estação de caminho-de-ferro (CP);
- Caixa de Crédito Agrícola;
- BPI;
- Farmácia;
- Um laboratório de análises clínicas;
- Dois talhos;
- Padaria;
- Albergaria das Naves (três estrelas);
- Residencial Condesso;
- Pensão Popular;
- Restaurante "O Emigrante";
- Restaurante "O Condesso";
- Restaurante da Albergaria;
- Snack;
- Pastelaria Dallas;
- Oito cafés e bares;
- Uma discoteca;
- Jardim do largo do mercado;
- Supermercados;
- Campo de futebol com bancada e vedado;
- Polivalente;
- Pavilhão gimnodesportivo;
- Piscina coberta semi-olímpica (em construção);
- Quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca das Naves;
- Junta de freguesia.
6 - Sociedade civil e movimento associativo
- Centro Social e Paroquial de Vila Franca das Naves;
- Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca das Naves;
- Associação Cultural e Desportiva de Vila Franca das Naves (futebol, andebol e xadrez);
- Núcleo de Shu Ko Kai (artes marciais).
Nestes termos, os Deputados abaixo assinados apresentam o seguinte projecto de lei:
Artigo único
A aldeia de Vila Franca das Naves é elevada à categoria de vila.
Assembleia da República, 23 de Novembro de 2004.
Os Deputados do PSD: Ana Manso - Vasco Valdez - Correia de Jesus - David Justino - Luís Marques Guedes - Natália Carrascalão - Miguel Frasquinho - Francisco José Martins - Vieira de Castro - José Manuel Ribeiro.
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PROJECTO DE LEI N.º 523/IX
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Discussão generalidade — DAR I série — 1323-1328 — 10/12/2004
1323 | I Série - Número 021 | 10 de Dezembro de 2004
de alguma forma as localidades abrangidas pelo diplomas que hoje vão ser votados.
Estou informado que, uma vez que a Sala das Sessões, apesar de ser grande, não é extensível, uma parte das pessoas interessadas neste debate se encontra na Sala do Senado, onde seguem o debate por circuito interno de televisão.
A todos cumprimento.
Previno que o público presente nas galerias não pode manifestar-se. Apenas os Deputados podem usar da palavra e aplaudir, ou não. A festa far-se-á, com certeza, no seu lugar de origem.
Vou agora anunciar os projectos de lei cujos textos finais, apresentados pela Comissão de Poder Local, Ordenamento do Território e Ambiente, vão ser submetidos a discussão na generalidade.
Sobre elevação de povoações a vilas - No distrito de Aveiro: n.os 402/IX - Elevação da freguesia de Pardilhó, no concelho de Estarreja, distrito de Aveiro, à categoria de vila (PSD), 403/IX - Elevação da freguesia de Salreu, no concelho de Estarreja, distrito de Aveiro, à categoria de vila (PSD) e 463/IX - Elevação da povoação da Gafanha da Encarnação, no município de Ílhavo, à categoria de vila (Deputado do PSD Jorge Tadeu Morgado);
No distrito de Braga: n.º 469/IX - Elevação da povoação de Bouro de Santa Maria, no município de Amares, distrito de Braga, à categoria de vila (PSD);
No distrito de Coimbra: n.º 515/IX - Elevação da povoação de Taveiro, no concelho de Coimbra, à categoria de vila (PSD);
No distrito da Guarda: n.os 522/IX (PSD) e 533/IX (PS) - Elevação da aldeia de Vila Franca das Naves, no concelho de Trancoso, à categoria de vila;
No distrito de Leiria: n.º 473/IX - Elevação da povoação de Monte Redondo, no concelho de Leiria, à categoria de vila (PSD);
No distrito do Porto: n.os 249/IX - Elevação da povoação de Perafita, no concelho de Matosinhos, à categoria de vila (PS) e 456/IX - Elevação da povoação de Carvalhosa, no concelho de Paços de Ferreira, à categoria de vila (PSD);
No distrito de Santarém: n.º 476/IX - Elevação da povoação de Vilar dos Prazeres, no município de Ourém, a vila (PSD);
No distrito de Setúbal: n.º 283/IX - Elevação de Samouco, no concelho de Alcochete, à categoria de vila (PCP);
No distrito de Viana do Castelo: n.os 394/IX - Elevação da povoação de Arcozelo, no concelho de Ponte de Lima, à categoria de vila (PCP) e 475/IX - Elevação da freguesia de Alvarães, no concelho de Viana do Castelo, à categoria de vila (PS);
No distrito de Vila Real: n.os 294/IX (PS) e 538/IX (PSD) - Elevação da povoação de Santo Estevão, no concelho de Chaves, à categoria de vila (PS);
No distrito de Viseu: n.º 141/IX - Elevação da povoação de Fonte Arcada, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, à categoria de vila (CDS-PP).
Sobre elevação de vilas a cidades - No distrito de Aveiro: n.os 401/IX - Elevação da vila de Estarreja, no concelho de Estarreja, distrito de Aveiro, à categoria de cidade (PSD) e 530/IX - Elevação à categoria de cidade a vila de Anadia e povoações contíguas (Alféloas, Arcos, Canha, Famalicão, Malaposta e Vendas da Pedreira, da freguesia de Arcos, e Póvoa do Pereiro, da freguesia da Moita) (Deputado do PSD José Manuel Ribeiro);
No distrito de Évora: n.º 472/IX - Elevação de vila de Reguengos de Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, à categoria de cidade (Deputado do PS Capoulas Santos);
No distrito da Guarda: n.os 481/IX (PSD) e 493/IX (CDS-PP) - Elevação da vila de Meda, no concelho de Meda, à categoria de cidade, 523/IX (PSD) e 534/IX (PS) - Elevação da vila de Trancoso, no concelho de Trancoso, à categoria de cidade (PSD) e 536/IX - Elevação da vila de Sabugal, no concelho de Sabugal, à categoria de cidade (PSD);
No distrito do Porto: n.º 477/IX - Elevação da vila de Valbom, no concelho de Gondomar, à categoria de cidade (PSD);
No distrito de Setúbal: n.os 379/IX - Elevação da vila da Costa da Caparica, no concelho de Almada, a cidade (PSD) e 423/IX - Elevação a cidade da vila da Costa da Caparica, sita no concelho de Almada, no distrito de Setúbal (Deputado do CDS-PP Narana Coissoró);
No distrito de Viseu: n.º 470/IX - Elevação da vila de Tarouca, no concelho de Tarouca, à categoria de cidade (PS, PSD e CDS-PP).
Sobre a alteração da denominação de povoações e freguesias - No distrito de Braga: n.º 468/IX - Altera a denominação da povoação de Vila de Covas, no concelho de Terras de Bouro, para Vila de Terras de Bouro (PSD);
No distrito de Faro: n.º 494/IX - Altera a denominação da freguesia de Estói, no concelho e distrito de Faro, para Estoi (PSD);
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Votação na generalidade — DAR I série — 1340-1340 — 10/12/2004
1340 | I Série - Número 021 | 10 de Dezembro de 2004
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 294/IX - Elevação da povoação de Santo Estevão, no concelho de Chaves, à categoria de vila (PS) e 538/IX - Elevação da povoação de Santo Estevão, no concelho de Chaves, à categoria de vila (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos passar à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 141/IX - Elevação da povoação de Fonte de Arcada, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, à categoria de vila (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 401/IX - Elevação da vila de Estarreja, no concelho de Estarreja, distrito de Aveiro, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos votar o texto final relativo ao projecto de lei n.º 530/IX - Elevação à categoria de cidade a vila de Anadia e povoações contíguas (Alféloas, Arcos, Canha, Famalicão, Malaposta e Vendas da Pedreira, da freguesia de Arcos, e Póvoa do Pereiro, da freguesia da Moita) (Deputado do PSD José Manuel Ribeiro).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Passamos à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 472/IX - Elevação de vila de Reguengos de Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, à categoria de cidade (Deputado do PS Capoulas Santos).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 481/IX - Elevação da vila de Meda, no concelho de Meda, à categoria de cidade (PSD) e 493/IX - Elevação da vila de Meda, no concelho de Meda, à categoria de cidade (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o texto final relativo aos projectos de lei n.os 523/IX - Elevação da vila de Trancoso, no concelho de Trancoso, à categoria de cidade (PSD) e 534/IX - Elevação da Vila de Trancoso, no concelho de Trancoso, à categoria de cidade (PS).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos passar à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 536/IX - Elevação da vila de Sabugal, no concelho de Sabugal, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 477/IX - Elevação da vila de Valbom, no concelho de Gondomar, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do CDS-PP e do BE e abstenções do PCP e de Os Verdes.
Vamos passar à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 379/IX - Elevação da vila da Casta da Caparica, no concelho de Almada, a cidade (PSD) e 423/IX - Elevação a cidade da vila da Costa da Caparica, sita no concelho de Almada, no distrito de Setúbal (Deputado do CDS-PP Narana Coissoró).
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Votação na especialidade — DAR I série — 1340-1340 — 10/12/2004
1340 | I Série - Número 021 | 10 de Dezembro de 2004
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 294/IX - Elevação da povoação de Santo Estevão, no concelho de Chaves, à categoria de vila (PS) e 538/IX - Elevação da povoação de Santo Estevão, no concelho de Chaves, à categoria de vila (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos passar à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 141/IX - Elevação da povoação de Fonte de Arcada, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, à categoria de vila (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 401/IX - Elevação da vila de Estarreja, no concelho de Estarreja, distrito de Aveiro, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos votar o texto final relativo ao projecto de lei n.º 530/IX - Elevação à categoria de cidade a vila de Anadia e povoações contíguas (Alféloas, Arcos, Canha, Famalicão, Malaposta e Vendas da Pedreira, da freguesia de Arcos, e Póvoa do Pereiro, da freguesia da Moita) (Deputado do PSD José Manuel Ribeiro).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Passamos à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 472/IX - Elevação de vila de Reguengos de Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, à categoria de cidade (Deputado do PS Capoulas Santos).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 481/IX - Elevação da vila de Meda, no concelho de Meda, à categoria de cidade (PSD) e 493/IX - Elevação da vila de Meda, no concelho de Meda, à categoria de cidade (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o texto final relativo aos projectos de lei n.os 523/IX - Elevação da vila de Trancoso, no concelho de Trancoso, à categoria de cidade (PSD) e 534/IX - Elevação da Vila de Trancoso, no concelho de Trancoso, à categoria de cidade (PS).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos passar à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 536/IX - Elevação da vila de Sabugal, no concelho de Sabugal, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 477/IX - Elevação da vila de Valbom, no concelho de Gondomar, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do CDS-PP e do BE e abstenções do PCP e de Os Verdes.
Vamos passar à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 379/IX - Elevação da vila da Casta da Caparica, no concelho de Almada, a cidade (PSD) e 423/IX - Elevação a cidade da vila da Costa da Caparica, sita no concelho de Almada, no distrito de Setúbal (Deputado do CDS-PP Narana Coissoró).
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Votação final global — DAR I série — 1340-1340 — 10/12/2004
1340 | I Série - Número 021 | 10 de Dezembro de 2004
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 294/IX - Elevação da povoação de Santo Estevão, no concelho de Chaves, à categoria de vila (PS) e 538/IX - Elevação da povoação de Santo Estevão, no concelho de Chaves, à categoria de vila (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos passar à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 141/IX - Elevação da povoação de Fonte de Arcada, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, à categoria de vila (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 401/IX - Elevação da vila de Estarreja, no concelho de Estarreja, distrito de Aveiro, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos votar o texto final relativo ao projecto de lei n.º 530/IX - Elevação à categoria de cidade a vila de Anadia e povoações contíguas (Alféloas, Arcos, Canha, Famalicão, Malaposta e Vendas da Pedreira, da freguesia de Arcos, e Póvoa do Pereiro, da freguesia da Moita) (Deputado do PSD José Manuel Ribeiro).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Passamos à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 472/IX - Elevação de vila de Reguengos de Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, à categoria de cidade (Deputado do PS Capoulas Santos).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 481/IX - Elevação da vila de Meda, no concelho de Meda, à categoria de cidade (PSD) e 493/IX - Elevação da vila de Meda, no concelho de Meda, à categoria de cidade (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o texto final relativo aos projectos de lei n.os 523/IX - Elevação da vila de Trancoso, no concelho de Trancoso, à categoria de cidade (PSD) e 534/IX - Elevação da Vila de Trancoso, no concelho de Trancoso, à categoria de cidade (PS).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos passar à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 536/IX - Elevação da vila de Sabugal, no concelho de Sabugal, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos proceder à votação do texto final relativo ao projecto de lei n.º 477/IX - Elevação da vila de Valbom, no concelho de Gondomar, à categoria de cidade (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do CDS-PP e do BE e abstenções do PCP e de Os Verdes.
Vamos passar à votação do texto final relativo aos projectos de lei n.os 379/IX - Elevação da vila da Casta da Caparica, no concelho de Almada, a cidade (PSD) e 423/IX - Elevação a cidade da vila da Costa da Caparica, sita no concelho de Almada, no distrito de Setúbal (Deputado do CDS-PP Narana Coissoró).
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