Projecto de Resolução n.º 751/XV/1ª
Recomenda ao Governo o início da construção do hospital do Algarve
Exposição de motivos
Portugal atravessa há alguns anos dificuldade no acesso à saúde. Estas dificuldades
agravaram-se durante o período de pandemia, onde ficou visível a dificuldade na afetação de
recursos e as suas consequências no atendimento aos doentes e no funcionamento regular
dos serviços.
As listas de espera para consultas, cirurgias e meios complementares de diagnóstico
continuam extensíssimas , o número de utentes sem médico de família atingiu números
record, existindo atualmente cerca de um milhão e setecentos mil portugueses sem médico
de família1, as urgências, com especial carência na pediatria e ginecologia/obstetrícia, fecham
frequentemente por falta de recursos humanos, e a falta de medicamentos nas farmácias são
uma realidade.
Acresce a todos estes factos a passagem de hospitais como Braga, Beatriz Ângelo, em Loures,
e Vila Franca de Xira de uma gestão em PPP para uma gestão EPE, agravan do o acesso e a
degradação dos serviços, comprovado pelas sucessivas queixas dos utentes e frequência de
fecho dos serviços nestes hospitais por falta de médicos.
A fixação de médicos no SNS passa não só por torná -lo mais atrativo economicamente, mas
também dando condições de trabalho dignas para prestar cuidados de qualidade aos doentes.
O Hospital Central do Algarve é uma promessa há 19 anos e uma promessa reiterada
sistematicamente. Desde 2002, que se identificou a necessidade da construção de um novo
hospital no Algarve, era Durão Barroso o primeiro -ministro e Luís Filipe Pereira o ministro da
saúde. Em 2006, com o PS no poder, Correia de Campos, o ministro da saúde de então,
aprovou uma lista que coloca o Hospital Central do Algarve como 2ª prioridade d os hospitais
a construir no país.
1 https://omirante.pt/nacional/2023-05-18-Ja-ha-quase-um-milhao-e-setecentas-mil-pessoas-sem-medico-de-
familia-1cc3c143
Os anos passaram, lançou-se um concurso para uma Parceria Público-Privada (PPP) construir
o equipamento e a empresa Teixeira Duarte ganha o concurso. Contudo, em 2011, quando
Pedro Passos Coelho assume o cargo de primeiro-ministro, a PPP que estava a ser criada entre
o Estado e a construtora vencedora do concurso fica suspensa. O governo do PSD alega que
não tem dinheiro para construir o Hospital.
Desde então nada aconteceu e mais recentemente a ex -ministra da Saúde, Marta Temido
afirmou que eram necessários "estudos" para avançar com a construção do Hospital.
O Governo garante que desde 2019 estão a estudar se será possível retomar a Parceria Público
Privada, nos termos em que ela foi suspensa, no entanto, até à data nada aconteceu, e os
algarvios continuam a sofrer as consequências da falta de cuidados de saúde que este hospital
irá colmatar.
As premissas que levaram à construção do hospital de Faro, na década de 1970, são hoje tão
atuais como então. Os milhões de turistas que visitam a região não levam uma imagem digna
do país, após conhecerem as instalações do Hospital de Faro cuja própria conceção do edifício
está ultrapassada, com más condições de acolhimento e infraestruturas ultrapassadas.
No exterior, os acessos são limitados e é impossível estacionar o carro. Além de que o Algarve
carece de novas valências médicas, disponíveis somente em Lisboa, a 300 quilómetros de
distância.
Acresce o facto de o Algarve dispor de curso de Medicin a, ministrado pelo Centro Hospitalar
Universitário, faltando, contudo, o edifício modelar, uma unidade altamente diferenciada, que
assegure uma atividade clínica de excelência.
O Algarve é, no contexto nacional, a região com menor número de camas hospitalares por
habitante2.
O Hospital de P ortimão deixou de ser um recurso confiável, para se tornar um motivo de
preocupação e receio para os utentes que a ele recorrem. A par da falta de recursos materiais
e humanos, os utentes salientam a indignação dos profissionais de saúde que trabalham no
2 Algarve: um novo Hospital, um novo conceito – Barlavento (sapo.pt)
Hospital de Portimão e reforçam que só a enorme entrega e resistência dos profissionais têm
evitado males maiores.
É urgente que a construção do Hospital Central do Algarve avance e que seja acompanhada
de um reforço musculado de meios técnicos e humanos.
A falta de meios técnicos e humanos da região do Algarve agrava -se a cada dia e é cada vez
mais insustentável, com doentes a esperarem demasiado tempo para realizar cirurgias e
outros meios complementares de diagnóstico, urgências em rutura e sem resposta e
transferências de doentes para Lisboa.
Pelo exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os
Deputados do Grupo Parlamentar do Chega, recomendam ao Governo que:
Seja retomada a PPP para a construção do novo Hospital do A lgarve, devendo o início da
construção do mesmo acontecer até ao final de 2023.
São Bento, 5 de junho de 2023
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
André Ventura - Bruno Nunes - Diogo Pacheco de Amorim - Filipe Melo - Gabriel Mithá
Ribeiro - Jorge Galveias - Pedro Frazão - Pedro Pessanha - Pedro Pinto - Rita Matias - Rui
Afonso - Rui Paulo Sousa
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Publicação — DAR II série A — 29-30 — 05/06/2023
5 DE JUNHO DE 2023
no dia 25 de março de 2023, citando o primeiro barómetro da cultura organizacional associada à prestação de
cuidados, apresentado na 12.ª Conferência de Valor da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares
(APAH), em Guimarães, os profissionais relatam sentir-se apoiados pelas suas equipas e chefias diretas, mas
transmitem insatisfação relativamente à gestão das unidades de saúde e aos recursos disponíveis para realizar
as suas funções de forma eficiente.
Considerando o cenário apresentado, é crucial encontrar soluções que assegurem o equilíbrio entre as
dimensões quantitativa e qualitativa do SNS. Mesmo com o aumento do número de profissionais desde 2016,
verifica-se uma diminuição da produtividade e um aumento dos tempos máximos de espera, estabelecendo
recordes dos últimos cinco anos. É importante destacar também que os portugueses consideram prioritário o
investimento em profissionais de saúde, instalações, equipamentos e meios de diagnóstico. Aliado a isto, relatos
de múltiplos agentes da sociedade civil, em particular dos próprios trabalhadores do SNS, confirmam que os
principais problemas que afetam o nosso SNS são a falta de eficácia, eficiência e produtividade. Além disso, é
fundamental não ignorar que existem regiões e zonas particularmente negligenciadas e cuja contratação de
profissionais é mais necessária. Consequentemente, torna-se imperativo adotar políticas públicas que
promovam a realização de uma das funções primordiais do Estado português: garantir o direito à saúde do povo
que o constitui, direito esse que, manifestamente, neste quadro, não é garantido a todos.
Assim, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentalmente aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do Chega recomendam ao Governo que formule um plano de investimentos na área da saúde,
especificamente para as zonas e regiões mais carenciadas, que contemple:
1. A contratação de profissionais para os centros hospitalares;
2. A contratação de médicos de medicina geral e familiar para os centros de saúde;
3. O reforço dos meios técnicos;
4. A melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde, visando criar condições para o aumento
da eficácia, eficiência e produtividade do SNS.
Palácio de São Bento, 5 de junho de 2023.
Os Deputados do CH: André Ventura — Bruno Nunes — Diogo Pacheco de Amorim — Filipe Melo — Gabriel
Mithá Ribeiro — Jorge Galveias — Pedro dos Santos Frazão — Pedro Pessanha — Pedro Pinto — Rita Matias
— Rui Afonso — Rui Paulo Sousa.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 751/XV/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO O INÍCIO DA CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL DO ALGARVE
Exposição de motivos
Portugal atravessa há alguns anos dificuldade no acesso à saúde. Estas dificuldades agravaram-se durante
o período de pandemia, onde ficou visível a dificuldade na afetação de recursos e as suas consequências no
atendimento aos doentes e no funcionamento regular dos serviços.
As listas de espera para consultas, cirurgias e meios complementares de diagnóstico continuam
extensíssimas, o número de utentes sem médico de família atingiu números recorde, existindo atualmente cerca
de um milhão e setecentos mil portugueses sem médico de família1, as urgências, com especial carência na
pediatria e ginecologia/obstetrícia, fecham frequentemente por falta de recursos humanos, e a falta de
medicamentos nas farmácias são uma realidade.
Acresce a todos estes factos a passagem de hospitais como Braga, Beatriz Ângelo, em Loures, e Vila Franca
1 Https://omirante.pt/nacional/2023-05-18-Ja-ha-quase-um-milhao-e-setecentas-mil-pessoas-sem-medico-de-familia-1cc3c143.