PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º672/XV/1ª
RECOMENDA AO GOVERNO MEDIDAS DE APOIO AO SECTOR AGRÍCOLA FACE AOS
EFEITOS DA SECA DE 2023
Exposição de Motivos
Portugal tem enfrentado nos últimos anos fenómenos climáticos extremos com elevadas
consequências e prejuízos materiais na estrutura produtiva de vários setores de
atividade. No caso da atividade agrícola os efeitos são, naturalmente, os mais severos e
destruidores do ponto de vista do produto final que é a produção alimentar.
Depois de um ano agrícola de 2022 fortemente afetado pela seca, o território nacional
está em 2023 novamente a ser confrontado com uma situação semelhante, a que não é
alheia a baixa precipitação nos primeiros meses do ano. Como é dito no relatório de
monitorização agrometeorológica e hidrológica de 28 de fevereiro de 2023, este mesmo
mês foi classificado como “extremamente seco”, com apenas 11% do valor da normal
climatológica 1971-2000.
Mais, de acordo com indicador do Instituto Português do Mar e da Atmosfera -IPMA (PSI
- Palmer Drought Severity Index) no final de março verificou-se um “aumento da área em
seca meteorológica e da sua intensidade na região Sul. Destacam -se os distritos de
Setúbal e Beja e alguns locais do sotavento Algarvio que se encontram já na classe de
seca severa”. A percentagem de água no solo é inferior a 60% em todo o território e
inferior a 20% em locais do litoral Centro e do Baixo Alentejo.
A situação de seca está a agravar -se em todo o país. A 31 de Março, 48% do território
nacional encontrava-se em seca meteorológica, enquanto no último dia de fevereiro a
percentagem era de 28%, tendo-se verificado assim um aumento da intensidade da seca
meteorológica na região Sul, mais concretamente nos distritos de Setúbal e Beja , bem
como em alguns locais do sotavento algarvio, que se encontram na classe de “seca
severa”. Face ao decorrido até abril, e às previsões para maio, é de admitir que a
dimensão da seca durante este ano venha a alcançar proporções mais preocupantes do
que a verificada em 2022, que foi um ano de seca grave.
O IPMA prevê maio como um mês “mais quente que o normal e sem chuva”, e o próprio
Governo, através do Ministro da Administração Interna, já receia um ano difícil a nível de
incêndios rurais.
Contudo, embora não se estranhando face ao histórico recente , o Ministério da
Agricultura e Alimentação não deu ainda a conhecer quaisquer medidas para mitigar os
efeitos já provocados pela seca e claramente sentidos pelos agricultores ao nível das
perdas de produção nas pastagens, forragens e outras culturas de outono-inverno. Sendo
que, como tem sido largamente noticiado , o cenário de seca está a comprometer,
especialmente na região Sul, as culturas de primavera -verão e a alimentação animal .
Aliás, d e acordo com as associações representativas do setor, os prejuízos já somam
dezenas de milhões de euros.
As associações de agricultores alertam que a região do Alentejo e Algarve vive em
“situação calamitosa”, afirmam mesmo que até o montado de sobro e azinho, espécies
autóctones que sempre resistiram durante séculos e séculos, “estão em declínio
acentuado”, dando conta do que se passa no tempo presente: “Pastos e searas secaram
e palhas e fenos praticamente não existem. Os efetivos pecuários reduzem-se”.
A todo este cenário assiste o Ministério da Agricultura e Alimentação completamente
alheado. Ao contrário, o PSD, que não tem poderes de governação, não se conforma com
essa falta de ação do Governo.
Por outro lado, é também claro para o PSD, que o atual Governo continua a não abordar
o problema da água (e da falta dela…) com a seriedade, competência e pragmatismo que
o assunto merece. Para o PSD é necessário que Portugal assuma uma visão holística sobre
a gestão da água e que o país se posicione com uma estratégia própria, criando as
condições necessárias para reduzir a sua dependência de Espanha e simultaneamente
reforce através da s novas tecnologias a captação/retenção das águas pluviais e a sua
utilização eficiente nos vários modelos de produção agrícola, aumentado a área agrícola
de regadio.
Assim, nos termos regimentais e constitucionais aplicáveis, designadamente nos termos
da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa, os Deputados
abaixo-assinados do Grupo Parlamentar do PSD propõem que a Assembleia da República
recomende ao Governo que:
1- Declare a situação de seca no território nacional, de acordo como os dados já
monitorizados pelo IPMA.
2- Defina um valor para o a poio à alimentação animal para os efetivos que tenham de
recorrer à “alimentação à mão”.
3- Estime a diminuição de área cultivada nas diversas culturas, resultante da seca , e
acione os competentes mecanismos extraordinários de apoio no âmbito da PAC.
4- Limite o preço da água no perímetro de rega do Alqueva , evitando novos aumentos
no preço da água para os regantes.
Assembleia da República, 04 de maio de 2023,
As/Os Deputadas/os,
João Moura
Paulo Ramalho
João Marques
Artur Soveral Andrade
Carlos Cação
Fátima Ramos
Francisco Pimentel
Sónia Ramos
Adão Silva
Emília Cerqueira
Cláudia André
Maria Germana Rocha
Hugo Maravilha
Sara Madruga da Costa
Fernanda Velez
João Prata
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Publicação — DAR II série A — 9-10 — 05/05/2023
5 DE MAIO DE 2023
Os Deputados do CH: André Ventura — Bruno Nunes — Diogo Pacheco de Amorim — Filipe Melo — Gabriel
Mithá Ribeiro — Jorge Galveias — Pedro dos Santos Frazão — Pedro Pessanha — Pedro Pinto — Rita Matias.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 672/XV/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO MEDIDAS DE APOIO AO SETOR AGRÍCOLA FACE AOS EFEITOS DA
SECA DE 2023
Exposição de motivos
Portugal tem enfrentado nos últimos anos fenómenos climáticos extremos com elevadas consequências e
prejuízos materiais na estrutura produtiva de vários setores de atividade. No caso da atividade agrícola os efeitos
são, naturalmente, os mais severos e destruidores do ponto de vista do produto final que é a produção alimentar.
Depois de um ano agrícola de 2022 fortemente afetado pela seca, o território nacional está em 2023
novamente a ser confrontado com uma situação semelhante, a que não é alheia a baixa precipitação nos
primeiros meses do ano. Como é dito no relatório de monitorização agrometeorológica e hidrológica, de 28 de
fevereiro de 2023, este mesmo mês foi classificado como «extremamente seco», com apenas 11 % do valor da
normal climatológica 1971-2000.
Mais, de acordo com indicador do Instituto Português do Mar e da Atmosfera – IPMA (PSI – Palmer Drought
Severity Index) no final de março verificou-se um «aumento da área em seca meteorológica e da sua intensidade
na região Sul. Destacam-se os distritos de Setúbal e Beja e alguns locais do Sotavento Algarvio que se
encontram já na classe de seca severa». A percentagem de água no solo é inferior a 60 % em todo o território
e inferior a 20 % em locais do Litoral Centro e do Baixo Alentejo.
A situação de seca está a agravar-se em todo o País. A 31 de março, 48 % do território nacional encontrava-
se em seca meteorológica, enquanto no último dia de fevereiro a percentagem era de 28 %, tendo-se verificado
assim um aumento da intensidade da seca meteorológica na região Sul, mais concretamente nos distritos de
Setúbal e Beja, bem como em alguns locais do sotavento algarvio, que se encontram na classe de «seca
severa». Face ao decorrido até abril, e às previsões para maio, é de admitir que a dimensão da seca durante
este ano venha a alcançar proporções mais preocupantes do que a verificada em 2022, que foi um ano de seca
grave.
O IPMA prevê maio como um mês «mais quente que o normal e sem chuva», e o próprio Governo, através
do Ministro da Administração Interna, já receia um ano difícil a nível de incêndios rurais.
Contudo, embora não se estranhando face ao histórico recente, o Ministério da Agricultura e da Alimentação
não deu ainda a conhecer quaisquer medidas para mitigar os efeitos já provocados pela seca e claramente
sentidos pelos agricultores ao nível das perdas de produção nas pastagens, forragens e outras culturas de
outono-inverno, sendo que, como tem sido largamente noticiado, o cenário de seca está a comprometer,
especialmente na região Sul, as culturas de primavera-verão e a alimentação animal. Aliás, de acordo com as
associações representativas do setor, os prejuízos já somam dezenas de milhões de euros.
As associações de agricultores alertam que as regiões do Alentejo e Algarve vivem em «situação
calamitosa», afirmam mesmo que até o montado de sobro e azinho, espécies autóctones que sempre resistiram
durante séculos e séculos, «estão em declínio acentuado», dando conta do que se passa no tempo presente:
«Pastos e searas secaram e palhas e fenos praticamente não existem. Os efetivos pecuários reduzem-se».
A todo este cenário assiste o Ministério da Agricultura e da Alimentação completamente alheado. Ao
contrário, o PSD, que não tem poderes de governação, não se conforma com essa falta de ação do Governo.
Por outro lado, é também claro, para o PSD, que o atual Governo continua a não abordar o problema da
água (e da falta dela…) com a seriedade, competência e pragmatismo que o assunto merece. Para o PSD é
necessário que Portugal assuma uma visão holística sobre a gestão da água e que o País se posicione com
uma estratégia própria, criando as condições necessárias para reduzir a sua dependência de Espanha e
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Apreciação — DAR I série — 32-43 — 17/06/2023
I SÉRIE — NÚMERO 142
Portanto, o único apelo que se pode aqui fazer é que o Partido Socialista admita o erro que cometeu, admita
que estamos perante uma insensibilidade social e que consigamos, de uma vez por todas e rapidamente, corrigir
esta injustiça, para que ela não se propague por muito mais tempo.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente: — Passamos agora ao terceiro ponto da nossa ordem do dia, que consiste na apreciação
do Projeto de Resolução n.º 662/XV/1.ª (PCP) — Medidas imediatas de apoio aos sectores agrícola e pecuário
para combate aos efeitos da seca, conjuntamente com, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 797/XV/1.ª (L) —
Cria um plano nacional de apoio à agricultura de precisão e com os Projetos de Resolução n.os 146/XV/1.ª (CH)
— Reforça o apoio aos agricultores portugueses no âmbito da seca, 380/XV/1.ª (IL) — Reforma do regadio,
672/XV/1.ª (PSD) — Recomenda ao Governo medidas de apoio ao sector agrícola face aos efeitos da seca de
2023, 699/XV/1.ª (PS) — Promover a alocação de incentivos dirigidos ao setor agrícola, no âmbito do PRR, para
melhoria da eficiência hídrica, energética e reforço da economia circular, 713/XV/1.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo a criação de incentivo à produção de culturas de leguminosas, 721/XV/1.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo a adoção de medidas extraordinárias de minimização dos efeitos da seca e 728/XV/1.ª (CH) —
Recomenda ao Governo a implementação imediata de medidas de apoio aos setores agrícola e pecuário,
visando combater os impactos decorrentes da seca.
Para apresentar o Projeto de Resolução n.º 662/XV/1.ª (PCP), tem a palavra o Sr. Deputado João Dias.
O Sr. João Dias (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: As chuvas torrenciais e o granizo que, nas últimas
semanas, caíram em algumas regiões do País, podendo atenuar as necessidades de água nos tempos mais
próximos, não resolveram uma situação que era, é e continua a ser preocupante. Na verdade, vieram
acrescentar ainda mais problemas onde a situação já era difícil.
Neste quadro, as primeiras palavras do PCP são de solidariedade para com as populações e com os
agricultores de Murça, de Foz Côa e da Mêda, confrontados com elevados níveis de destruição, mas também
palavras de exigência ao Governo, para que acione medidas rápidas de apoio a estes agricultores, gentes de
trabalho, que não desiste daqueles territórios, apesar das dificuldades que todos os dias lhes são colocadas
pela política de direita e pela política agrícola comum (PAC), que os esmaga.
Srs. Deputados, neste debate, agendado pelo PCP, sobre as medidas necessárias para o combate aos
efeitos da seca, em que apresentamos as medidas imediatas de apoio aos setores agrícola e pecuário, importa,
antes de mais, lembrar a história dos apoios da seca do ano passado.
É que, depois de ter anunciado apoios em fevereiro, quando já se tinha percebido, há meses, a situação de
seca com que estávamos confrontados e se clamava por apoios, depois de, com atraso, ter pedido ajuda à
União Europeia, o Governo fez anúncio após anúncio de milhões, e esses apoios foram depois transformados
em apoios por causa dos efeitos das sanções e da guerra e depois embrulhados com apoios por causa da crise.
Sempre, Srs. Deputados, os mesmos milhões.
Em resultado de toda esta atrapalhada, alguns apoios só chegaram no final do ano e milhares de pequenos
e médios agricultores não chegaram sequer a receber qualquer apoio.
Este ano, Srs. Deputados, vamos pelo mesmo caminho. Os anúncios atrás de anúncios de milhões já estão
feitos, apoios a chegar aos agricultores, nem vê-los, e já se estão a transformar os apoios de combate à inflação
em apoios de combate à seca.
Bem pode o Governo, Srs. Deputados, falar em ajudas de crise, que já não convence ninguém, pois, pelo
que vimos no ano passado, o resultado foi de menos 9 milhões de euros em apoios. É esta a solidariedade da
União Europeia.
Senão, vejamos: a Comissão Europeia anunciou há dois dias que vai ativar 330 milhões de euros para a
reserva de crise agrícola, uma reserva da União Europeia para todos os Estados-Membros afetados pela seca.
A questão que fazemos é a seguinte, Srs. Deputados: destes 330 milhões, com quanto podem contar os
agricultores portugueses e, acima de tudo, quais vão ser os agricultores a quem vão chegar esses apoios?
O Grupo Parlamentar do PCP, consciente de que é urgente responder aos problemas que a seca coloca,
defende que é necessário reconhecer as dificuldades que as condições da seca representam na produção
agrícola e adotar medidas necessárias para proteger as produções e garantir a continuidade das explorações.
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Votação na generalidade — DAR I série — 48-48 — 17/06/2023
I SÉRIE — NÚMERO 142
Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 672/XV/1.ª (PSD) — Recomenda ao Governo
medidas de apoio ao sector agrícola face aos efeitos da seca de 2023.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, votos a favor do PSD e do CH e abstenções
da IL, do PCP, do BE, do PAN e do L.
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Sr.ª Deputada, pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, é para anunciar que vou entregar uma declaração de
voto.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Votamos, agora, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 699/XV/1.ª (PS) — Promover a alocação de
incentivos dirigidos ao setor agrícola, no âmbito do PRR, para melhoria da eficiência hídrica, energética e reforço
da economia circular.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PSD, do CH, da IL, do PCP, do BE e do L
e a abstenção do PAN.
Este projeto baixa à 7.ª Comissão.
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Sr.ª Deputada, pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, é para indicar que entregarei uma declaração de voto.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — É um recado à Maria do Céu!
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Continuamos a votação na generalidade, agora com o Projeto de
Resolução n.º 713/XV/1.ª (PAN) — Recomenda ao Governo a criação de incentivo à produção de culturas de
leguminosas.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e do PSD, votos a favor do PCP, do BE, do PAN
e do L e abstenções do CH e da IL.
O Sr. João Dias Coelho (PSD): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — O Sr. Deputado pede a palavra para que efeito?
O Sr. João Dias Coelho (PSD): — Sr. Presidente, é só para dizer que vou entregar uma declaração de voto
por escrito.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Fica registado, Sr. Deputado.
Vamos proceder à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 721/XV/1.ª (PAN) — Recomenda
ao Governo a adoção de medidas extraordinárias de minimização dos efeitos da seca.
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