PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 662/XV/1.ª
Medidas imediatas de apoio aos sectores agrícola e pecuário para combate aos
efeitos da seca
Exposição de motivos
A situação dos produtores agrícolas e pecuários, designadamente a dos pequenos e
médios agricultores e dos agricultores familiares tem-se vindo a degradar ao longo dos
anos, com os seus rendimentos a definharem e os custos para produzir a aumentarem.
Nos últimos anos, sentiu-se de forma gravosa os efeitos dos grandes incêndios, depois
foram as repercussões da pandemia, com muitos dos circuitos de escoamento de
produtos encerrados, e finalmente os efeitos da brutal subida especulativa dos preços
dos fatores de produção, em especial combustíveis, fitofármacos e alimentação animal.
Mas em adição aos diversos fatores já referidos, mais ou menos conjunturais, que vão
tornando cada vez mais difícil manter as explorações agrícolas a produzir, há a registar
os efeitos que a seca acarreta, de forma mais ou menos grave consoante os anos, mas
que está presente de forma estrutural, demonstrando tendências para agravamento,
impondo que se adotem as medidas necessárias para minimizar os seus efeitos sobre
este importante sector produtivo.
Nos últimos 10 anos, apenas em 2014 Portugal não registou situações de seca no final
do mês de setembro. E em 5 dos 10 anos considerados, Portugal apresentava quase a
sua totalidade do território em situação de seca, registando-se que, em outubro de
2019, apenas 6,8% do território se encontrava em situação normal, e 31,9 % do território
apresentava condições de seca severa e 4,3% de seca extrema.
Os cenários desenvolvidos para Portugal no que respeita às condições climáticas,
confirmando preocupações crescentes das populações e dos agricultores, apontam para
o aumento da frequência e agravamento de situações de seca meteorológica,
particularmente na região sul do país, podendo mesmo intensificarem-se no futuro, o
que implica um aumento do risco e da vulnerabilidade a estes fenómenos, com
importantes impactes ao nível das disponibilidades hídricas e consequentemente ao
nível do sector agrícola e nos planos económico e social.
A prevalência no tempo e a maior frequência de ocorrência de condições de seca
traduzem-se em menores volumes de armazenamento das albufeiras e na escassez de
água para diferentes utilizações, com as bacias hidrográficas do Sado, do Mira e do
Barlavento Algarvio a apresentarem valores de disponibilidade hídrica frequentemente
inferiores ao valor médio de armazenamento dos últimos 30 anos.
No que respeita ao último ano, não houve um único mês em que parte do território
nacional não estivesse em condição de seca, de acordo com as informações
disponibilizadas pelos Instituto do Mar e da Atmosfera. Em setembro de 2022 todo o
território nacional se encontrava em situação de seca, com 32% do território em
situação de seca severa. Passado o outono e o inverno, chega-se a abril de 2023 já com
cerca de 90% do território nacional em seca, sendo que cerca de 20% do território se
encontra em seca severa e 14% do território em seca extrema.
Esta situação já se reflete no nível de armazenamento das albufeiras e, no caso do
Alentejo e Algarve, há já aproveitamentos hidroagrícolas em que a campanha agrícola
2022/2023 decorrerá com restrições, sendo os casos mais problemáticos os de
Campilhas e Alto Sado, Mira, Silves Lagoa e Portimão, onde se registam défices hídricos
agrícolas significativos.
Face às condições atuais de seca e às temperaturas elevadas que têm sido sentidas,
diversas associações de agricultores reclamam a tomada de posição do Governo nesta
matéria, face a um cenário de perda das pastagens, forragens e cereais que é
praticamente irreversível.
Com a seca instalada no país, designadamente no interior Norte e Centro e igualmente
a Sul, no Alentejo, os produtores de gado e agricultores já estão a utilizar os recursos
que deveriam estar reservados para o Verão, pondo em causa o futuro da produção,
quer agrícola, quer pecuária, e, por isso, reclamam o reconhecimento formal da situação
de seca para que se possa aceder a apoios de âmbito comunitário, à semelhança do que
já acontece em Espanha.
No perímetro de rega do Mira estima-se que 85% dos recursos hídricos disponibilizados
para a agricultura sejam consumidos pelas explorações de frutos vermelhos, na sua
maioria produzidos em estufa, de forma superintensiva, pondo mesmo em causa a
disponibilidade de água para os pequenos agricultores e produtores pecuários.
É por isso necessário que se adotem medidas de fundo para assegurar uma maior e mais
eficaz retenção da água do inverno e de encontrar soluções de mitigação e de resposta
às cada vez mais frequentes e acentuadas condições de seca, sendo fundamental no
momento imediato assegurar as condições aos agricultores e produtores pecuários para
que não se percam a totalidade das produções, para a salvaguarda dos animais e para
assegurar os rendimentos necessários para manterem a atividade.
O Grupo Parlamentar do PCP defende que é necessário reconhecer as dificuldades que
as condições de seca representam na produção agrícola, e adotar as medidas
necessárias para proteger as produções e garantir a continuidade das explorações.
Nestes termos, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do
n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP propõem
que a Assembleia da República adote a seguinte:
Resolução
Admitindo-se que a frequência de ocorrência de condições abióticas desfavoráveis e sua
gravidade podem vir a acentuar-se com o efeito das variações climatéricas o que poderá
provocar um incremento dos seus impactes, nomeadamente sobre as atividades
agrícolas e pecuárias, a Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo
166.º da Constituição da República, recomendar ao Governo que:
1. Tome os procedimentos necessários para que, no imediato, se acione a ajuda de
crise no âmbito da Política Agrícola Comum, para que os agricultores afetados
possam aceder a esses apoios extraordinários com a maior celeridade;
2. Adote um programa de medidas de gestão de água para fins agrícolas ,
incluindo:
a) medidas de gestão da utilização da água para fins agrícolas, nos diversos
aproveitamentos hidroagrícolas, de modo a salvaguardar o acesso à água
pelos pequenos e médios agricultores e agricultores familiares,
considerando a precedência destes, face a utilizações da água para rega
de culturas em regime superintensivo.
b) restrição ao uso sistemático ou rotineiro de água em culturas
tradicionalmente não regadas como o olival, a vinha e pomares de frutos
secos, salvo em situações excecionais em que os níveis de stress hídrico
o justifiquem (nomeadamente quando esteja em causa o possível risco
de morte da espécie produtora).
c) apoios excecionais direcionados à produção de sementes e de culturas
de espécies autóctones e tradicionais mais adaptadas a carências
hídricas.
d) medidas de apoio à reestruturação e reconversão de culturas,
adaptando-as às características edafo-climáticas e recuperando os usos
tradicionais.
e) medidas para revisão dos sistemas de distribuição nos perímetros de
regra para eliminar as perdas e desperdícios.
3. Crie um apoio extraordinário dedicado à aquisição de alimentação animal, quer
no que respeita à pecuária, quer no que se refere à apicultura, para assegurar a
disponibilidade de alimento necessária para a manutenção dos efetivos,
salvaguardando a continuidade das explorações.
4. Desenvolva e implemente um Plano Nacional de Forragens que responda às
dificuldades criadas por condições abióticas adversas, em especial condições de
seca prolongadas, garantindo anualmente níveis de aprovisionamento de
forragens e componentes para rações para alimentação animal capazes de
responder às necessidades dos pequenos e médios produtores pecuários, em
especial dos que detenham o Estatuto da Agricultura Familiar, sendo
disponibilizados a preços justos, compatíveis com os rendimentos da produção
agrícola.
5. Estabeleça um programa de medidas para promover o aumento da capacidade
de armazenamento e de disponibilidade de águapara fins agrícolas e pecuários,
incluído:
a) medidas específicas de apoio ao investimento destinadas à elaboração
de projetos e à construção de pequenas reservas de água superficial,
nomeadamente charcas, dando prioridade aos projetos promovidos por
pequenos e médios agricultores
b) mecanismos e medidas para apoio ao investimento para a construção
e/ou recuperação de regadios tradicionais e regadios de pequena e
média dimensão visando incrementar a produção agrícola diversificada.
c) criação e reforço de redes de depósitos de distribuição de água para
abeberamento animal onde os produtores pecuários se possam
abastecer na observância de condições de seca severa ou extrema.
d) mecanismos de apoio para a concretização de projetos que prevejam a
possibilidade tratamento de efluentes agrícolas e pecuários que
permitam a reutilização dos efluentes tratados.
Assembleia da República, 01 de junho de 2023
Os Deputados,
JOÃO DIAS; ALMA RIVERA; PAULA SANTOS; BRUNO DIAS; DUARTE ALVES; MANUEL
LOFF
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Publicação — DAR II série A — 30-31 — 03/05/2023
II SÉRIE-A — NÚMERO 216
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 662/XV/1.ª
MEDIDAS IMEDIATAS DE APOIO AOS SETORES AGRÍCOLA E PECUÁRIO PARA COMBATE AOS
EFEITOS DA SECA
Exposição de motivos
Nos últimos 10 anos, apenas em 2014 Portugal não registou situações de seca no final do mês de
setembro. E em 5 dos 10 anos considerados Portugal apresentava quase a sua totalidade do território em
situação de seca, registando-se que, em outubro de 2019, apenas 6,8 % do território se encontrava em
situação normal, 31,9 % do território apresentava condições de seca severa e 4,3 % de seca extrema.
Os cenários desenvolvidos para Portugal, no que respeita às condições climáticas, confirmando
preocupações crescentes das populações e dos agricultores, apontam para o aumento da frequência e
agravamento de situações de seca meteorológica, particularmente na região Sul do País, podendo mesmo
intensificar-se no futuro, o que implica um aumento do risco e da vulnerabilidade a estes fenómenos, com
importantes impactes ao nível das disponibilidades hídricas e, consequentemente, ao nível do setor agrícola e
nos planos económico e social.
A prevalência no tempo e a maior frequência de ocorrência de condições de seca traduzem-se em menores
volumes de armazenamento das albufeiras e na escassez de água para diferentes utilizações, com as bacias
hidrográficas do Sado, do Mira e do Barlavento Algarvio a apresentarem valores de disponibilidade hídrica
frequentemente inferiores ao valor médio de armazenamento dos últimos 30 anos.
No que respeita ao último ano, não houve um único mês em que parte do território nacional não estivesse
em condição de seca, de acordo com as informações disponibilizadas pelo Instituto do Mar e da Atmosfera.
Em setembro de 2022 todo o território nacional se encontrava em situação de seca, com 32 % do território em
situação de seca severa. Passado o outono e o inverno, chega-se a março de 2023 já com cerca de metade
do território nacional em seca, sendo que 10,2 % do território se encontra em seca severa e 14,2 % do
território em seca moderada.
Esta situação já se reflete no nível de armazenamento das albufeiras e, no caso do Alentejo e Algarve, há
já aproveitamentos hidroagrícolas em que a campanha agrícola 2022/2023 decorrerá com restrições, sendo os
casos mais problemáticos os de Campilhas e Alto Sado, Mira, Silves, Lagoa e Portimão, onde se registam
défices hídricos agrícolas significativos.
Face às condições atuais de seca e às temperaturas elevadas que têm sido sentidas, diversas associações
de agricultores reclamam a tomada de posição do Governo nesta matéria, face a um cenário de perda das
pastagens, forragens e cereais que é praticamente irreversível.
Com a seca instalada no País, designadamente no interior Norte e Centro e igualmente a Sul, no Alentejo,
os produtores de gado e agricultores já estão a utilizar os recursos que deveriam estar reservados para o
verão, pondo em causa o futuro da produção, quer agrícola, quer pecuária, e, por isso, reclamam o
reconhecimento formal da situação de seca para que se possa aceder a apoios de âmbito comunitário, à
semelhança do que já acontece em Espanha.
No Perímetro de Rega do Mira estima-se que 85 % dos recursos hídricos disponibilizados para a
agricultura sejam consumidos pelas explorações de frutos vermelhos, na sua maioria produzidos em estufa, de
forma superintensiva, pondo mesmo em causa a disponibilidade de água para os pequenos agricultores e
produtores pecuários.
Sendo certa a necessidade de se adotarem medidas estruturais para assegurar uma maior e mais eficaz
retenção da água do inverno e de encontrar soluções de mitigação e de resposta às cada vez mais frequentes
e acentuadas condições de seca, importa no momento imediato assegurar as condições aos agricultores e
produtores pecuários para que não se percam a totalidade das produções, para a salvaguarda dos animais e
para assegurar os rendimentos necessários para manterem a atividade.
O Grupo Parlamentar do PCP defende que é necessário reconhecer as dificuldades que as condições de
seca representam na produção agrícola e adotar as medidas necessárias para proteger as produções e
garantir a continuidade das explorações.
Nestes termos, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º
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Publicação — DAR II série A — 42-44 — 01/06/2023
II SÉRIE-A — NÚMERO 236
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 662/XV/1.ª (2)
MEDIDAS IMEDIATAS DE APOIO AOS SETORES AGRÍCOLA E PECUÁRIO PARA COMBATE AOS
EFEITOS DA SECA
Exposição de motivos
A situação dos produtores agrícolas e pecuários, designadamente a dos pequenos e médios agricultores e
dos agricultores familiares, tem-se vindo a degradar ao longo dos anos, com os seus rendimentos a definharem
e os custos para produzir a aumentarem.
Nos últimos anos, sentiram-se de forma gravosa os efeitos dos grandes incêndios, depois foram as
repercussões da pandemia, com muitos dos circuitos de escoamento de produtos encerrados, e finalmente os
efeitos da brutal subida especulativa dos preços dos fatores de produção, em especial dos combustíveis, dos
fitofármacos e da alimentação animal.
Mas, em adição aos diversos fatores já referidos, mais ou menos conjunturais, que vão tornando cada vez
mais difícil manter as explorações agrícolas a produzir, há a registar os efeitos que a seca acarreta, de forma
mais ou menos grave consoante os anos, mas que está presente de forma estrutural, demonstrando tendências
para agravamento, impondo que se adotem as medidas necessárias para minimizar os seus efeitos sobre este
importante setor produtivo.
Nos últimos 10 anos, apenas em 2014 Portugal não registou situações de seca no final do mês de setembro.
E em 5 dos 10 anos considerados, Portugal apresentava quase a totalidade do seu território em situação de
seca, registando-se que, em outubro de 2019, apenas 6,8 % do território se encontrava em situação normal e
31,9 % do território apresentava condições de seca severa e 4,3 % de seca extrema.
Os cenários desenvolvidos para Portugal no que respeita às condições climáticas, confirmando
preocupações crescentes das populações e dos agricultores, apontam para o aumento da frequência e
agravamento de situações de seca meteorológica, particularmente na região Sul do País, podendo mesmo
intensificar-se no futuro, o que implica um aumento do risco e da vulnerabilidade a estes fenómenos, com
importantes impactes ao nível das disponibilidades hídricas e consequentemente ao nível do setor agrícola e
nos planos económico e social.
A prevalência no tempo e a maior frequência de ocorrência de condições de seca traduzem-se em menores
volumes de armazenamento das albufeiras e na escassez de água para diferentes utilizações, com as bacias
hidrográficas do Sado, do Mira e do Barlavento Algarvio a apresentarem valores de disponibilidade hídrica
frequentemente inferiores ao valor médio de armazenamento dos últimos 30 anos.
No que respeita ao último ano, não houve um único mês em que parte do território nacional não estivesse
em condição de seca, de acordo com as informações disponibilizadas pelo Instituto do Mar e da Atmosfera. Em
setembro de 2022 todo o território nacional se encontrava em situação de seca, com 32 % do território em
situação de seca severa. Passado o outono e o inverno, chega-se a abril de 2023 já com cerca de 90 % do
território nacional em seca, sendo que cerca de 20 % do território se encontra em seca severa e 14 % do território
em seca extrema.
Esta situação já se reflete no nível de armazenamento das albufeiras e, no caso do Alentejo e Algarve, há já
aproveitamentos hidroagrícolas em que a campanha agrícola 2022/2023 decorrerá com restrições, sendo os
casos mais problemáticos os de Campilhas e Alto Sado, Mira, Silves, Lagoa e Portimão, onde se registam
défices hídricos agrícolas significativos.
Face às condições atuais de seca e às temperaturas elevadas que têm sido sentidas, diversas associações
de agricultores reclamam a tomada de posição do Governo nesta matéria, face a um cenário de perda das
pastagens, forragens e cereais que é praticamente irreversível.
Com a seca instalada no País, designadamente no interior norte e centro e igualmente a sul, no Alentejo, os
produtores de gado e agricultores já estão a utilizar os recursos que deveriam estar reservados para o verão,
pondo em causa o futuro da produção quer agrícola, quer pecuária, e, por isso, reclamam o reconhecimento
formal da situação de seca para que se possa aceder a apoios de âmbito comunitário, à semelhança do que já
acontece em Espanha.
No Perímetro de Rega do Mira estima-se que 85 % dos recursos hídricos disponibilizados para a agricultura
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Apreciação — DAR I série — 32-43 — 17/06/2023
I SÉRIE — NÚMERO 142
Portanto, o único apelo que se pode aqui fazer é que o Partido Socialista admita o erro que cometeu, admita
que estamos perante uma insensibilidade social e que consigamos, de uma vez por todas e rapidamente, corrigir
esta injustiça, para que ela não se propague por muito mais tempo.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente: — Passamos agora ao terceiro ponto da nossa ordem do dia, que consiste na apreciação
do Projeto de Resolução n.º 662/XV/1.ª (PCP) — Medidas imediatas de apoio aos sectores agrícola e pecuário
para combate aos efeitos da seca, conjuntamente com, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 797/XV/1.ª (L) —
Cria um plano nacional de apoio à agricultura de precisão e com os Projetos de Resolução n.os 146/XV/1.ª (CH)
— Reforça o apoio aos agricultores portugueses no âmbito da seca, 380/XV/1.ª (IL) — Reforma do regadio,
672/XV/1.ª (PSD) — Recomenda ao Governo medidas de apoio ao sector agrícola face aos efeitos da seca de
2023, 699/XV/1.ª (PS) — Promover a alocação de incentivos dirigidos ao setor agrícola, no âmbito do PRR, para
melhoria da eficiência hídrica, energética e reforço da economia circular, 713/XV/1.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo a criação de incentivo à produção de culturas de leguminosas, 721/XV/1.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo a adoção de medidas extraordinárias de minimização dos efeitos da seca e 728/XV/1.ª (CH) —
Recomenda ao Governo a implementação imediata de medidas de apoio aos setores agrícola e pecuário,
visando combater os impactos decorrentes da seca.
Para apresentar o Projeto de Resolução n.º 662/XV/1.ª (PCP), tem a palavra o Sr. Deputado João Dias.
O Sr. João Dias (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: As chuvas torrenciais e o granizo que, nas últimas
semanas, caíram em algumas regiões do País, podendo atenuar as necessidades de água nos tempos mais
próximos, não resolveram uma situação que era, é e continua a ser preocupante. Na verdade, vieram
acrescentar ainda mais problemas onde a situação já era difícil.
Neste quadro, as primeiras palavras do PCP são de solidariedade para com as populações e com os
agricultores de Murça, de Foz Côa e da Mêda, confrontados com elevados níveis de destruição, mas também
palavras de exigência ao Governo, para que acione medidas rápidas de apoio a estes agricultores, gentes de
trabalho, que não desiste daqueles territórios, apesar das dificuldades que todos os dias lhes são colocadas
pela política de direita e pela política agrícola comum (PAC), que os esmaga.
Srs. Deputados, neste debate, agendado pelo PCP, sobre as medidas necessárias para o combate aos
efeitos da seca, em que apresentamos as medidas imediatas de apoio aos setores agrícola e pecuário, importa,
antes de mais, lembrar a história dos apoios da seca do ano passado.
É que, depois de ter anunciado apoios em fevereiro, quando já se tinha percebido, há meses, a situação de
seca com que estávamos confrontados e se clamava por apoios, depois de, com atraso, ter pedido ajuda à
União Europeia, o Governo fez anúncio após anúncio de milhões, e esses apoios foram depois transformados
em apoios por causa dos efeitos das sanções e da guerra e depois embrulhados com apoios por causa da crise.
Sempre, Srs. Deputados, os mesmos milhões.
Em resultado de toda esta atrapalhada, alguns apoios só chegaram no final do ano e milhares de pequenos
e médios agricultores não chegaram sequer a receber qualquer apoio.
Este ano, Srs. Deputados, vamos pelo mesmo caminho. Os anúncios atrás de anúncios de milhões já estão
feitos, apoios a chegar aos agricultores, nem vê-los, e já se estão a transformar os apoios de combate à inflação
em apoios de combate à seca.
Bem pode o Governo, Srs. Deputados, falar em ajudas de crise, que já não convence ninguém, pois, pelo
que vimos no ano passado, o resultado foi de menos 9 milhões de euros em apoios. É esta a solidariedade da
União Europeia.
Senão, vejamos: a Comissão Europeia anunciou há dois dias que vai ativar 330 milhões de euros para a
reserva de crise agrícola, uma reserva da União Europeia para todos os Estados-Membros afetados pela seca.
A questão que fazemos é a seguinte, Srs. Deputados: destes 330 milhões, com quanto podem contar os
agricultores portugueses e, acima de tudo, quais vão ser os agricultores a quem vão chegar esses apoios?
O Grupo Parlamentar do PCP, consciente de que é urgente responder aos problemas que a seca coloca,
defende que é necessário reconhecer as dificuldades que as condições da seca representam na produção
agrícola e adotar medidas necessárias para proteger as produções e garantir a continuidade das explorações.
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Votação na generalidade — DAR I série — 47-47 — 17/06/2023
17 DE JUNHO DE 2023
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, votos a favor do CH e abstenções do PSD, da IL,
do PCP, do BE, do PAN e do L.
Vamos passar agora à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 662/XV/1.ª (PCP) — Medidas
imediatas de apoio aos sectores agrícola e pecuário para combate aos efeitos da seca.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, votos a favor do CH, do PCP, do BE e do L e
abstenções do PSD, da IL e do PAN.
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — A Sr.ª Deputada pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — É para anunciar a entrega de uma declaração de voto, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Passamos, de imediato, à votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 797/XV/1.ª (L) — Cria um plano
nacional de apoio à agricultura de precisão.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e do PSD, votos a favor do BE, do PAN e do L e
abstenções do CH, da IL e do PCP.
A Sr.ª Emília Cerqueira (PSD): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — A Sr.ª Deputada pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Emília Cerqueira (PSD): — Sr. Presidente, é para anunciar uma declaração de voto, em nome do
Grupo Parlamentar do PSD.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Passamos agora à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 146/XV/1.ª (CH) — Reforça o
apoio aos agricultores portugueses no âmbito da seca.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e do PCP, votos a favor do PSD, do CH e da IL
e abstenções do BE, do PAN e do L.
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Como é que vão explicar o voto do PCP?!
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Passamos agora a votar, na generalidade, o Projeto de Resolução
n.º 380/XV/1.ª (IL) — Reforma do regadio.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e do BE, votos a favor do PSD, do CH e da IL e
abstenções do PCP, do PAN e do L.
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — A Sr.ª Deputada Inês de Sousa Real pede a palavra para anunciar uma
declaração de voto por escrito?
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sim, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente (Adão Silva): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
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